Uma estranha Natureza, em sua ‘imprevisibilidade’ Quântica

“É visão corrente entre vários cientistas que a mecânica quântica não nos fornece qualquer retrato da realidade… E, que o seu arcabouço teórico deve ser encarado simplesmente como um formalismo matemático…que não nos diz essencialmente       nada sobre uma realidade efetiva do mundo… Mas, nos permite calcular, de fato, probabilidades alternativas dela ocorrer.” (Roger Penrose, ‘The Road to Reality’)

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Escher – “Birds to fish”

Há séculos… os métodos indutivo e dedutivo têm permitido aos cientistas caminharem do todo…para as partes – e…das partes ao todo, aprimorando seu conhecimento do ‘mundo natural‘… em cada passo dessa caminhada. Tal aquisição de conhecimento só é possível porque há uma estreita ligação entre o todo, e o conhecimento de suas partes. — Quanto mais partes conhecidas… mais entendemos    o todo, e quanto mais o entendemos, maior    a compreensão de suas partes. Todavia, em seu estranho mecanismo, a ‘teoria quântica’ nos garante que podemos deduzir questões, mesmo faltando parte da ‘informação total’.

Pelo menos é isso que garantem Thomas Vidick e Stephanie Wehner da Universidade de Cingapura… – Os dois físicos usaram a “teoria quântica” para demonstrar que é possível responder corretamente a praticamente qualquer questão sobre as partes de um sistema sem precisar conhecer o sistema inteiro. – Ou, invertida a proposição… que saber o todo   não garante responder tudo sobre todas suas partes, isto é, os assuntos em suas páginas.

Imagine, por exemplo, que um aluno vai ao exame, tendo lido apenas metade do que lhe ensinaria o livro sobre a matéria… Em seu conhecimento incompleto sobre o ‘todo‘, terá que responder questões sobre suas partes. O senso comum diz que o aluno rapidamente será desmascarado…tão logo chegue nas questões cujas respostas estão nas páginas que não leu… No “mundo clássico”…isso sempre foi, e continuará sendo assim… — A “teoria quântica” porém não concorda com esse ‘senso comum’, e afirma que o aluno poderá se sair muito bem no teste – podendo até mesmo tirar um ‘10‘, se em vez das informações clássicas… — contidas em um livro clássico… — lidar com “informações quânticas“.

“Os elétrons, por exemplo, não existem sempre…Existem apenas quando                            interagem…Materializam-se em um determinado lugar, ao se chocarem                            com alguma coisa. Nos saltos quânticos entre órbitas…se tornam ‘reais’.                            Um elétron é um conjunto de ‘saltos’…de uma interação a outra; porém,                            quando nada o perturba … ele não existe em lugar algum.”  (C. Rovelli) 

Ignorância & Intuição quântica                                                                                “Observamos esse efeito… contudo, ainda não entendemos de onde ele surge…E,              não espere maiores explicações mais tarde…pois, como diria Richard Feynman,              uma compreensão intuitiva dos fenômenos quânticos… parece algo inatingível”.

No caso das informações quânticas… – não há como saber qual informação o aluno não detém… nem mesmo se o professor fica sabendo de antemão qual parte do livro o aluno leu. Ou seja, a dita ignorância quântica será preservada, e o aluno jamais desmascarado.

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Reality Doesn’t Exist If You Are Not Looking at It

Essa impossibilidade de desmascarar uma ‘ignorância quântica’, parece ter vindo se somar a uma série de outros fenômenos quânticos, impossíveis de uma ‘clássica explicação mecanicista’.  Uma das “questões centrais”…para a compreensão do “mundo físico“…é o quão nosso conhecimento do todo se relaciona ao conhecimento de partes. Ou, o quanto nossa ignorância sobre    o todo, impede o conhecimento – de ao menos… — uma — de suas partes.

Baseando-nos apenas na intuição clássica, estaríamos inclinados a conjecturar, que uma forte ignorância do todo não pode vir sem uma significativa ignorância de ao menos uma de suas partes. Mas, curiosamente, essa conjectura é falsa na teoria quântica; onde pode coexistir a imensa ignorância do todo, com o saber quase perfeito de uma de suas partes.

Além das implicações teóricas ainda não totalmente compreendidas, a descoberta pode trazer sérias implicações sobre “criptografia quântica”, em pesquisas na codificação de informações…’à prova de qualquer ataque’. A propósito, Stephanie Wehner foi também uma das autoras da surpreendente descoberta de uma relação, entre a assim chamada “ação fantasmagórica à distância”…e o “Princípio da Incerteza”. (texto base, ago/2011) ***********************************************************************************

A natureza é – decididamente imprevisível – dizem os físicos  (jul/2012)        “A teoria quântica fornece, essencialmente…o limite final na previsibilidade do Universo. Por seu apelo de natureza fundamental…em contraste à teoria clássica, conhecer a exata configuração do universo no ‘Big Bang’… não basta para prever sua evolução completa”.

Em um artigo que promete desmerecer palpites futurólogos…e estremecer os fundamentos de quase todas as previsões… pesquisadores da mecânica quântica afirmam que a natureza é… definitivamente… imprevisível… – E, com efeito…muitas das previsões que fazemos no dia-a-dia são vagas; na maioria das vezes incorretas — porque nossas informações não são completas…como, por exemplo…na “meteorologia” – quando tentamos prever o tempo.

Na mecânica quântica, todavia, a coisa é pior – porque, mesmo se toda informação estiver disponível, os resultados de certos experimentos…são impossíveis de serem perfeitamente previstos de antemão. Tal imprecisão, em relação aos resultados de experimentos na física quântica…a partir das discussões entre Einstein e Bohr, tem sido objeto de intenso debate. E, mesmo dando a ideia de uma ferramenta inadequada na previsão de resultados, afirma-se agora que a ‘teoria quântica’ está perto de seu ideal… – em termos de “poder preditivo”.

Deus joga dados ‘justos’                                                                                                    “Em nosso experimento, mostramos que toda e qualquer teoria que apresente menos aleatoriedade (do que na mecânica quântica) está destinada ao fracasso… ou seja, a teoria quântica fornece essencialmente o limite final na previsibilidade do Universo”.

A referência lembra Einstein…que disse certa vez em uma carta a seu colega Max Born — ‘não acreditar que Deus jogasse dados’… ou seja, que ele próprio acreditava em leis naturais bem precisas e definidas. O trabalho de Wolfgang Tittel, da Universidade de Calgary/Canadá, e colegas – no entanto… contesta essa precisão… – dando razão ao filósofo D. Hume… que afirmava serem tais leis científicas, ‘meras probabilidades’, pois nada impede que mesmos eventos — no futuro… contestem eventos observados no passado.

A “aleatoriedade” é uma das principais características da teoria quântica, geralmente expressa pelo “Princípio da Incerteza” de Heisenberg. – Esse estranho comportamento tornou-se popularmente conhecido… – graças a experimentos como o famoso ‘gato de Schrodinger(ilustração de uma possível consequência da superposição de partículas por 2 caminhos simultâneos); além de trabalhos na “computação quântica”. ‘texto base’**********************************************************************************

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Dylan Mahler e Lee Rozema usaram fótons entrelaçados para fazer suas medições, cujos resultados questionam uma das interpretações do Princípio da Incerteza. [D. Mahler/Toronto University]

Testando o “efeito do observador”

O “Princípio da Incerteza” de Heisenberg, formulado em 1927, é um dos bastiões da mecânica quântica. — Apresentado como afirmação de uma “incerteza intrínseca“, aos sistemas quânticos … é bem fundado, e largamente demonstrado… No entanto, Heisenberg o formulou — originalmente, em termos do “efeito do observador”… a relação entre a precisão da medição da partícula quântica – e, a ‘perturbação‘  criada ao medirmos — por um fóton…a posição de um elétron… — por exemplo.

Embora essa seja a forma mais conhecida do ‘Princípio’, ela nunca foi experimentalmente comprovada; havendo inclusive, erros matemáticos em sua demonstração. – Mas o baque maior veio mais recentemente, ao cientistas canadenses demonstraram a possibilidade de avaliar o distúrbio gerado pela medição…concluindo que o ‘Princípio da Incerteza‘ era pessimista demais… – E agora então, essa mesma equipe usou a chamada “medição fraca(que não afeta o sistema quântico), para lançar uma dúvida mortal sobre a “Incerteza” de Heisenberg em seu aspecto ‘influência do observador‘. Eles idealizaram um experimento que avalia um sistema quântico, por meio de uma ‘interação mínima‘, permitindo que    a informação sobre o ‘estado inicial‘ desse sistema seja extraída, com pouca ou nenhuma perturbação… – O físico Lee Rozema…participante do grupo, assim explica a experiência:

“Projetamos um aparato para poder medir a polarização de um único fóton. – Em seguida…medimos a sua influência… – sobre aquele fóton. Cada execução só indicava, uma ínfima quantidade de informação do distúrbio… – No entanto… – ao repetir o experimento…várias vezes…conseguimos obter uma boa ideia … sobre quanto o fóton foi afetado”. 

Nessa experiência foi usada a ‘medição fraca’…registrando o fóton antes dele entrar         no aparato, e depois lá dentro, medido normalmente. Comparando-se os 2 resultados, verificou-se que a interferência da medição sobre o fóton é menor do que a necessária para justificar uma “visão pessimista”…do “Princípio da Incerteza” de Heisenberg.

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O experimento não afeta em nada o Princípio… em termos da incerteza intrínseca de      um sistema quântico, mas descarta de vez sua pretensa validade geral para os efeitos gerados pelo observador sobre as medições…E conclui Rozema… – “Estes resultados        nos forçam a ajustar nossa visão … sobre quais limites a mecânica quântica impõe às medições… – Tais limites são importantes aos fundamentos da mecânica quântica, e centrais na tecnologia de uma segura criptografia quântica”  texto base (set/2012) *******************************************************************************

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“Efeito Congelante”                                     ‘Átomos não se movem ao serem observados’. 

Há pouco…num experimento histórico, físicos finalmente mostraram de forma incontestável, que Einstein estava errado — em uma de suas ideias fundamentais…envolvendo ‘incertezas‘ e…’leis probabilísticas’ da mecânica quântica.   E para não deixar margens de dúvidas, outra equipe também demonstrou, expressamente, uma das previsões mais ‘esquisitas‘ da teoria quântica…a de que um sistema quântico não pode mudar enquanto o pesquisador o estiver observando… – confirmando que ele… – de fato… – perturba os “experimentos quânticos”.

Segundo os físicos Yogesh Patil e Srivatsan Chakram, da Universidade de Cornell /EUA, responsáveis pelo experimento, esse comportamento quântico…abre caminho para uma técnica fundamentalmente nova de ‘controle e manipulação’ dos “estados quânticos” de átomos – permitindo…”pra começo de conversa”…a criação de novos tipos de ‘sensores’.

Para testar a influência do observador sobre os experimentos quânticos – os pesquisadores resfriaram um gás com aproximadamente 1 bilhão de átomos de rubídio no interior de uma câmara de vácuo até próximo o zero absoluto.

Nesse estado os átomos se organizam numa ‘grade’ ordenada…como cristal sólido… e funcionam como se fossem uma entidade única… – por isso essa estrutura é muitas vezes chamada de “átomo artificial“.

O “Princípio da Incerteza” nos diz que… estando posição e velocidade de uma partícula relacionadas – estas não podem ser, simultaneamente, medidas com precisão. – Como  temperatura é medida do movimento de uma partícula, num frio extremo a velocidade        é praticamente zero, de forma que há muita flexibilidade na posição; ou seja, ao serem observados, os átomos se tornam susceptíveis de estar em qualquer lugar… – pois, em temperaturas tão baixas, podem “tunelar” de um lugar para outro… na “rede atômica”.

Os pesquisadores demonstraram então, ser possível suprimir o tunelamento quântico (mudanças de posição)…meramente observando os átomos… “Olhe para eles, e eles ‘congelam’ no lugar; interrompa a medição, e eles voltam a tunelar’…disse o professor Mukund Vengalattore, orientador da equipe. – E Isto foi feito, repetindo as medições;  quanto maior essa recorrência… menor foi probabilidade dos átomos saírem do lugar.

Este assim chamadoEfeito Zeno Quântico(ou “Efeito Congelante”) deriva de uma proposta feita em 1977, por George Sudarshan e Baidyanath Misra, da Universidade          do Texas, ao notarem que a natureza estranha das medições quânticas permite, que          um sistema quântico seja “congelado” por medições repetidas… feitas em sequência.

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Como os átomos se mostraram altamente sensíveis às menores forças externas envolvidas em sua medição será possível desenvolver sensores ainda mais precisos. [Y. S. Patil et al. /PhysRevLett.]

Com efeito, esta é a primeira observação do ‘Efeito Zeno Quântico’ por uma medição do movimento atômico no espaço real. – Além disso … devido ao alto grau de controle dos experimentos – é possível – gradualmente,  ‘sintonizar‘ o modo pelo qual esses átomos são observados. – Usando este ajuste ficou também demonstrada… certa propriedade chamada…classicalidade emergente“,  na qual, os efeitos quânticos desaparecem, e os átomos passam a se comportar de um modo muito mais intuitivo; como previsto pela física clássica.

Embora tradicionalmente associados com as dimensões… e o tamanho das partículas envolvidas — alguns indícios apontam que  a ‘gravidade’ possa ser usada para explicar a fronteira clássico-quântico, ou ainda que a física quântica emerge na fronteira entre múltiplos universostexto base (nov/2015)

Eventos quânticos independem da causalidade do espaço e do tempo                Há cerca de 2 meses, físicos demonstraram que causa e efeito não são coisas tão claras no mundo da mecânica quântica. O grupo propôs que existem situações nas quais um evento pode ser tanto a causa quanto o efeito de outro, quebrando a famosa “lei de causa e efeito“.entrelaçamento quântico

Mas, se você acha “experimentos mentais” abstratos demais…então vai se dar melhor com um experimento em laboratório, feito por físicos da Universidade de Viena. Xiao-Song Ma e equipe, mostraram na prática uma situação em que é impossível descrever a causalidade entre 2 eventos correlacionados, ou seja, sabe-se que um afeta o outro; mas não, quem é a causa, ou o efeito.

A interpretação mais aceita da ‘física quântica’ – chamada ‘Interpretação de Copenhague’, diz que as propriedades de um objeto quântico dependem dos aparelhos e da forma como se mede esse objeto, que assim poderá, em dualidade…revelar-se como onda ou partícula. Outro fenômeno bem conhecido é o entrelaçamento quântico ou emaranhamento, pelo qual uma partícula quântica… – compartilhando propriedades com outra…é afetada instantaneamente…por algo que nela aconteça… – não importando a distância entre elas.

Em ambos os casos, a princípio…ainda se pode falar em ‘causalidade’, onde uma partícula influencia a outra…ou, a própria medição altera a partícula.

Agora, porém…os físicos mostraram como a medição de uma partícula (um fóton de luz) é afetada – não pela medição feita nela própria, mas pela medição feita em um 2º fóton. Em outras palavras, o fóton se comporta como partícula, ou onda… – dependendo da medição feita em um 2º fóton – tão distante do 1º… – que não poderia haver “troca de informação” entre os dois, sem violar o limite de velocidade máxima do Universo – a velocidade da luz.

Os cientistas afirmam que o experimento não é suficiente para derrubar nenhum pilar da física…mas que é impossível, em termos de ‘causalidade‘, dar uma explicação lógica do que ocorre… – O 1º fóton estava no laboratório em Viena, enquanto o 2º estava nas Ilhas Canárias, mas a ‘manifestação’ do fóton (como onda…ou partícula)…em Viena – depende sempre da medição feita nas Ilhas Canárias. E Anton Zeilinger, chefe da equipe, concluiu:

“Nosso trabalho refuta a visão de que um sistema quântico possa, em certo instante, se mostrar, definitivamente como uma onda ou partícula… – Isso exigiria uma ‘intercomunicação’ mais rápida do que a ‘velocidade da luz’… entrando em ‘confronto direto’ com a teoria de Einstein.” texto base (2013)  ***********************(texto complementar)***************************

Reencarnação quântica: físicos ‘desmedem’ partículae ela retorna à vida     “A mecânica quântica não descreve ‘propriedades objetivas‘ de um sistema físico,         mas sim… – o ‘estado de conhecimento‘ de quem o observa”. (Christopher Fuchs)

onda-particula

[Imagem: Andrew N. Jordan]

As partículas quânticas, ou sub-atômicas, têm comprovadamente, comportamentos que parecem absolutamente impensáveis.  Assim como podem se comportar… como partículas…ou ondas… – podem também estar em vários lugares ao mesmo tempo.  Como algo assim… tão “contra-intuitivo” pode ser a base da construção…de nosso “mundo clássico“… é uma questão ainda        a ser respondida pela ciência.

A teoria atualmente aceita, afirma que um objeto quântico pode estar em qualquer lugar entre as possibilidades descritas por sua função de onda. Quando alguém tenta medir essa onda/partícula, entretanto, ela imediatamente “colapsa“… deixando de estar em qualquer lugar… para estar apenas, e tão somente, naquele exato local onde a medição é feita…comportando-se como se fosse um objeto clássico.

Pois bem, para demonstrar que o mundo quântico pode ser ainda mais estranho, os físicos Andrew Jordan e Alexander Korotkov propuseram, em 2006, que seria possível ‘desmedir’ – desfazer a onda/partícula, fazendo-a voltar ao seu exato estado quântico anterior; como se a medição não tivesse acontecido… e, portanto, a partícula não tivesse sofrido qualquer alteração… – E, somente agora…2 anos depois, uma equipe da Universidade da Califórnia em Santa Barbara, EUA, conseguiu realizar esse experimento… comprovando que a teoria tem importância…quase transcendental…nas explicações físicas sobre o mundo quântico.

fronteira quântico-clássica

A nova teoria sugere que a fronteira entre o mundo quântico, e o mundo clássico não é uma linha muito bem definida…como se pensava até hoje. Em vez disso os dados sugerem que essa fronteira é…na realidade…uma  zona cinzenta…com uma amplitude ainda incerta… – mas, cujo tempo a ser percorrida… – é maior que zero.

O pesquisador Nadav Katz explica como foram capazes… – até mesmo de “enfraquecer” a medição de uma partícula quântica…forçando apenas um colapso parcial – algo como um “estado de coma” de uma partícula quântica. – A seguir, alterando certas propriedades da partícula, e refazendo a medição  —  esta retornou ao seu estado quântico… como se nada tivesse acontecido antes — ou seja… — como se a primeira medição não tivesse sido feita.

Esse mecanismo é de extremo interesse para se construir computadores quânticos… o que não é tarefa fácil – pois os ‘bits quânticos’ (qubits) desses ‘computadores futurísticos’ são muito sensíveis, sofrendo interferência de inúmeros fatores do ambiente – colapsando… e perdendo os dados… – E assim portanto, o novo “sistema de reversão” poderá representar uma possibilidade de se construir mecanismos de correção de erros… como explicou Katz:

“Enquanto vários cientistas afirmam que, como a simples medição de uma partícula quântica afeta seu comportamento – de certa forma – criamos a realidade, à medida que interferimos com ela… Agora, a demonstração de sermos capazes de reverter o “colapso” da partícula quântica…nos diz que, não podemos assumir que qualquer medição crie a realidade, pois sempre    é possível apagar seus efeitos, e começar tudo de novo”. ‘texto base’ (2008)

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Redes Complexas…na “Fronteira do Caos”

“Na construção de uma “ciência da complexidade”, deve-se buscar uma visão capaz de transcender a polarização entre holismo e reducionismo…permitindo a modelagem de sistemas que apresentam, simultaneamente, as características de distinção e conexão”.

neuronio2O estudo de ‘sistemas complexos’ cresceu muito nos últimos anos, não obstante ser o conceito de complexidade, ainda muito vagamente definido…segundo diferentes teorias. O termo “complexidade” vem do latim, ‘complexus’… ou seja entrelaçado,  retorcido… — O que pode ser interpretado da seguinte maneira… para se ter um ‘sistema complexo’ é necessário…(a) duas ou mais diferentes partes ou componentes…e (b) estes componentes devem estar de algum modo interligados, formando uma estrutura estável.

Aqui, encontra-se a dualidade básica entre partes…que são – ao mesmo tempo…distintas e interconectadas…Um sistema complexo não pode ser analisado, ou separado num conjunto de elementos independentes, sem     ser destruído. – Consequentemente… não é possível empregar métodos reducionistas para sua interpretação. – Se certo domínio for complexo, deverá ser, por definição, resistente à análise.

A consciência da existência de fenômenos que não podem ser reduzidos às suas partes em separado conduziu ao “holismo“…que pode ser visto como uma corrente de pensamento oposta ao ‘reducionismo‘, propondo a observação de um fenômeno complexo como um todo, ao invés de uma coleção de partes… Esta visão, entretanto, também negligencia um importante aspecto das entidades complexas…o fato de que elas são compostas de partes distintas, mesmo que essas partes se encontrem em estreito relacionamento. Uma forma simples de modelo que satisfaz, simultaneamente, esses dois requisitos… aparentemente contraditórios… é o conceito matemático de rede.

Uma rede consiste de nodos e conexõesou “arcos entre os nodos”, que podem ser vistos como partes de um ‘sistema complexo’, enquanto que as conexões irão corresponder às “relações”… — que se estabelecem entre si.

Esta visão tem a propriedade de ser reversível, isto é, pode-se também ver os nodos como conexões entre arcos, que então são tomados como “elementos componentes“. – Assim, a ‘abordagem reducionista‘ pode ser vista somente como um método de tenta eliminar, tanto quanto possível as ‘conexões‘, enfatizando a individualidade dos nodos, enquanto a ‘abordagem holística‘ elimina, tanto quanto possível, as ‘distinções’ entre estes nodos.

Neste sentido, ambos os métodos reduzem o fenômeno complexo a uma representação basicamente mais simples, quer dizer, um conjunto solto     de nodos diferenciados…ou uma massa de conexões entre nodos iguais, negligenciando uma “parte essencial” das características do fenômeno.

freelance-translator-scienceO termo “complexidade” é por vezes tomado como sinônimo de desordem…caos. Porém, apenas esta noção, não é suficiente para sua definição…É necessário entender também o conceito de ‘ordem‘. Exemplos simples são estruturas cristalinas… onde sua ‘simetria‘ se define matematicamente, na ‘invariância’ sob grupos de…’operações/transformações’.

Ordem e Caos

A principal característica de um sistema ordenado é a sua previsibilidade (espacial/temporal)… Não é necessário conhecer o sistema como um todo                          para reconstruí-lo…ou prever sua estrutura… – o sistema é “redundante”.

Levada ao limite esta definição, na tentativa de produzir uma ordenação máxima, obtém-se um sistema caracterizado pelo fato de ser “invariante“… sob toda e qualquer possível transformação. A única estrutura possível para tal sistema, então se caracteriza pela total “homogeneidade”…deve ser possível mapear o sistema de uma parte qualquer para outra sem que nenhuma modificação ocorra. Além disso, o sistema deve possuir uma ‘extensão infinita’, porque de outro modo se poderia imaginar transformações, que mapeassem de uma parte do sistema, para algum elemento fora de seus limites. Ou seja, um sistema de ordenação máxima iria corresponder a um “vácuo clássico” … uma substância estendida ao infinito… – na qual nenhuma componente, ou estrutura interna, pode ser distinguida.

Tal sistema é o oposto do que se considera um “sistema complexo”,             que se caracteriza por possuir uma estrutura interna diferenciada.

desordem, por outro lado, é caracterizada pela ausência de invariância, isto é, pela ausência de transformações (não triviais) que não teriam qualquer efeito distinguível sobre o sistema. – No limite…isto significa que qualquer parte do sistema – por mais insignificante que seja … deve ser diferente ou independente de qualquer outra parte.

gás perfeitoO exemplo aproximado de um tal sistema seria o do ‘gás perfeito‘… onde a velocidade de 2 moléculas são independentes … e diferentes, sem qualquer ‘vínculo‘ entre si. – Porém…observado mais de perto,     o “fenômeno” apresenta ‘diversas invariâncias‘…como exemplo…o movimento das moléculas do gás     é “contínuo” – no curto intervalo   de tempo … em que não colidem, caracterizando a ‘conservação de momentum… Além disso, o espaço entre as moléculas pode ser considerado um ‘vácuo clássico’, que…como se viu…é ordenado.

Num sistema de ‘máxima desordem‘ deve-se ter partículas com qualquer momento físico aparecendo e desaparecendo a qualquer instante no tempo, e qualquer posição no espaço. Um exemplo de tal sistema é o “vácuo quântico“. As flutuações quânticas do vácuo criam,    e destroem continuamente “partículas virtuais”, que de tão instáveis… a princípio – são impossíveis de se observar. – Na prática, isto significa que o vácuo quântico não pode ser distinguido do ‘vácuo clássico‘ – o que conduz à conclusão de que tanto a perfeita ordem quanto a perfeita desordem… – no limite… – correspondem ao ‘vazio, isto é, à ausência de qualquer forma de complexidade.

auto-organizaçãoAuto-organização em processos dinâmicos

Outra questão fundamental é: “De onde vem a ordem?”  Segundo as leis gerais da termodinâmica parece que os “processos dinâmicos” tendem a seguir os caminhos de menor consumo de energia, até que o sistema encontre um ‘ponto de equilíbrio‘, onde permanecerá, enquanto não sofrer perturbação… – Há, entretanto… – diversos exemplos na natureza de sistemas e organismos que apresentam…além de elevada energia, grande organização interna … em aparente desafio às “leis da física“… — Alguns deles são:

  • Partículas de limalha de ferro…que se alinham segundo as                                              linhas de força do campo magnético a que são submetidas;
  • Partículas d’água… que suspensas no ar… formam nuvens;
  • Formigas ou abelhas … que formam um complexo sistema                                                  de sociedade… – altamente estruturada… e, hierarquizada.

A organização surge espontaneamente a partir da desordem e não parece ser dirigida por leis físicas conhecidas. De alguma forma a ordem surge das múltiplas interações entre as unidades componentes, e as leis que podem governar esse comportamento…não são bem conhecidas. – A perspectiva comportamental de um “sistema auto-organizável” poderia revelar, por exemplo, “padrões espaço-temporais” – ou seja… caminhos, limites, ciclos e sucessões poderiam surgir (de repente) em sistemas heterogêneos complexos…Entender estes mecanismos pode conduzir à construção de modelos mais informativos, e precisos.

Os primeiros modelos de formação de padrões usados baseavam-se em uma abordagem “top-down”, onde os parâmetros descrevem níveis mais altos dos sistemas. – De acordo com este enfoque, a ‘dinâmica populacional’ é representada em seus níveis mais elevados, e não como o resultado de uma atividade que ocorre ao nível mais baixo… dos indivíduos.

A abordagem top-down viola dois princípios básicos dos fenômenos populacionais…que são ‘individualidade’ e ‘localidade’. A individualidade tenta levar em conta as diferenças entre os indivíduos. Tais diferenças…mesmo muito pequenas…podem levar a resultados radicalmente diferentes na evolução das populações ao longo do tempo. – Já ‘localidade’    pretende significar que cada evento além de possuir localização, exerce um propósito de influência… Ignorá-la, obscurece fatores que poderiam contribuir para melhorar a visão   da dinâmica espaço-temporal dos sistemas.

Pré-condições da Auto-organização

É necessário a um sistema satisfazer diversas pré-condições, e valer-se de vários mecanismos para promover a auto-organização. Tais mecanismos são, de certa            forma redundantes e mal definidos, contudo permitem avaliar intuitivamente o          potencial de auto-organização dos sistemas. São eles:

  • Abertura Termodinâmica: Em 1º lugar, o sistema (unidade reconhecível, tal como órgão, organismo ou população) deve trocar energia e/ou massa…com o seu ambiente. Em outras palavras… – deve haver um “fluxo não-nulo” de energia através do sistema.
  • Comportamento Dinâmico: Se um sistema não está em equilíbrio termodinâmico, sua única opção é assumir algum tipo de ‘dinâmica‘ – significando contínua mudança.
  • Interação Local: Uma vez que todos sistemas naturais apresentam interações locais,  este deve ser importante mecanismo à “auto-organização” dos modelos representados.
  • Dinâmica Não-Linear: Sistemas com “laços de feedback”…positivo e negativo…são modelados por equações não-lineares. Com isso, pode ocorrer uma ‘auto-organização’ entre partes do sistema, e as estruturas emergentes em níveis hierárquicos mais altos.
  • Grande Número de Componentes Independentes: Uma vez que – a origem da auto-organização recai nas conexões, interações e ‘laços de feedback’ entre partes dos sistemas, sistemas auto-organizáveis devem possuir grande número de componentes.
  • Comportamento independente da “estrutura interna” dos componentes: Isto quer dizer que não importa do que… – ou, como os componentes do sistema são feitos, desde que façam as mesmas coisas… – Em outras palavras…isto significa, que    a mesma propriedade emergente irá surgir… em sistemas completamente diferentes.
  • Emergência: A “emergência” é provavelmente a noção menos conhecida dentre as que se relacionam com auto-organização… O todo é maior do que a soma das partes, exibindo padrões e estruturas que surgem espontaneamente, de tal comportamento.
  • Comportamento organizado… e, bem definido: Desconsiderando a estrutura interna de um sistema complexo, visto apenas como mais um ‘fenômeno emergente’, pode-se constatar que o comportamento deste sistema…é bastante preciso e regular.
  • Efeitos em Múltiplas Escalas: A emergência também aponta, para… ‘interações’ entre múltiplas escalas nos sistemas auto-organizáveis. – Estas…em pequena escala, produzem estruturas em larga escala… – que modificam atividades na escala menor.

snowball1Estruturas de Feedback

Uma estrutura de feedback é um ‘laço causal’, uma cadeia de causas e efeitos que forma um anel. Dentre essas estruturas, a mais simples    é o “feedback de reforço” … — cuja principal característica é ser… “auto-amplificador“. Quanto mais “complexo” um sistema (“seres vivos”…por exemplo) maior a quantidade de estruturas de feedback, e maior também, a possibilidade de surgirem ‘propriedades emergentes‘ totalmente novas em um sistema.

A metáfora da bola de neve que rola e cresce…ao mesmo tempo em que sua velocidade aumenta – além de bem representar o fenômeno … demonstra também 2 movimentos completamente diferentes de perceber o processo – quando se acompanha a bola com         os olhos, verifica-se que ela possui um movimento circular de rotação sobre si própria.     Por outro lado, quando se observa a bola rolando… – vê-se que sua trajetória descreve uma linha reta… Os 2 movimentos representam 2 formas fundamentalmente diversas       de perceber o tempo.

Na tradição científica ocidental adota-se em geral a ‘visão linear‘. O tempo é visto como passado, presente e futuro dispostos sobre uma linha. O presente é um ponto sobre esta linha, movendo-se em direção ao futuro…e deixando o traço do passado atrás de si… Na visão linear as causas estão sempre por trás dos efeitos. Este entretanto, não é o caso na visão circular, onde causa e efeito estão conectados em um ‘ciclo‘. Não faz sentido falar      em “na frente de”…ou…“atrás de” uma trajetória circular…onde qualquer ponto está ao mesmo tempo na frente e atrás do outro. Na verdade, cada uma dessas visões necessita      da outra – pois correspondem a duas diferentes perspectivas, de um mesmo fenômeno.

Sem título

A metáfora da bola de neve mostra como duas perspectivas podem ser combinadas…em 2 visões complementares…através de uma estrutura circular de feedback rolando (uniformemente) sobre um tempo linear.  

“Metabalanceamento”                                                                                                               Um sistema…”meta-balanceado”…é um sistema que pode ser visto de 2 diferentes perspectivas. A nível de detalhe está totalmente “desbalanceado”… – mas de uma     perspectiva global, o sistema parece estável e ordenado. – O curioso aqui é que o sistema precisa estar desbalanceado internamente para produzir ‘ordem global’.

Frequentemente comportamentos muito organizados surgem em sistemas de extrema complexidade. – Nos organismos vivos…por exemplo… – bilhões de células interagem apresentando um comportamento, notavelmente organizado. – Ainda que os diversos ‘fenômenos emergentes’ que ali ocorrem sejam muito diferentes uns dos outros – eles possuem algo em comum. Um conceito muito importante que conecta a todos eles é o “meta-balanceamento”… Este é um conceito considerado chave para o entendimento        da “emergência” – sendo talvez…um dos aspectos menos intuitivos da “teoria dos sistemas“. Corresponde a afirmar que o modo de produzir “estabilidade emergente”     em um sistema…é conduzi-lo internamente a um ‘estado desbalanceado’. Todavia, o conceito é fácil de demonstrar. Tanto o efeito “bola de neve”, como o “efeito dominó”,         são…”fenômenos meta-estáveis“…

efeitodomino.pngNo efeito dominó, por exemplo, há um comportamento estável e ordenado no sistema… aonda… Mesmo assim, o comportamento individual, observado em cada ‘dominó’ – é de desequilíbrio. A ‘esfera invisível‘, é formada pelos dominós que caem… – e rola exatamente no ponto em que estes tombam, desbalanceados.

Um sistema “balanceado” (ou,em balanço“) é um sistema que não dispende energia. Portanto, um sistema está desbalanceado quando dispende energia, e para provocar o surgimento de “fenômenos emergentes” nos sistemas, é necessário fazê-los dispender energia…Além disso, deve-se continuamente alimentá-los com novos componentes, e energia para sustentar o meta-balanceamento…Assim, o efeito dominó somente pode       se manter, enquanto houver um novo dominó em pé… – na frente do que está caindo.

Em outras palavras, é necessário alimentar-se constantemente a esfera invisível com novos dominós para mantê-la desbalanceada. Da mesma forma como a bola de neve precisa ser alimentada com mais neve para manter-se crescendo… – Deste modo, ao contrário dos “sistemas estáveis”, sistemas ‘meta-estáveis‘ consomem muita energia.     ‘Metabalanceamento‘ é uma propriedade universal de todos fenômenos emergentes.

extreme-surfer- in-hawaiiSobrevivência e Uniformidade

Quando se observa uma onda no oceano (ou qualquer outra onda) tem-se a sensação que, de algum modo, de um momento para outro, ela “sobrevive“…isto é… a onda se apresenta como sendo única…e de duração prolongada no tempo. – A questão é que, quando a onda se ‘auto-reproduz’… avançando ao momento seguinte … ela o faz a partir de componentes diferentes. – Assim, se a onda emergente for observada a partir de uma “gota d’água”… já não será a mesma onda. Tal comportamento é característico de um fenômeno emergente, sendo verdadeiro … para todo tipo de ondas.

Na esfera dos “seres humanos”, por outro lado, tem-se a sensação de sobrevivência…de     um instante para outro, no entanto…o que realmente ocorre é um contínuo processo de “substituição… Nova energia e novas moléculas fluem continuamente no organismo humano, onde o ciclo de substituição, ao nível molecular, dura cerca de sete anos…Este     é o período em que…todas as moléculas do corpo humano – são substituídas por novas.

Assim, quando se fala em “sobrevivência” e “uniformidade” deseja-se referir à estrutura do sistema. – Ainda que todos os componentes do sistema sejam substituídos por novos… sua ‘estrutura’ permanece fundamentalmente a mesma. Ficam assim evidentes as razões pelas quais tais conceitos precisam ser analisados em conjunto – segundo suas diferentes visões:

Visão Circular Visão Linear
Estrutura

Perspectiva Global

Meta-balanceamento

Esfera Invisível

Padrão

Perspectiva do Componente

Desbalanceamento

Onda

Sistemas Complexos…na “Fronteira do Caos”                                                               Nuvens, padrões climáticos, correntes nos oceanos, assembleias comunitárias, economias e sociedades, de todo tipo…exibem formas complexas… — indicando                 em sua infra-estrutura elementos de uma intensa e contínua auto-organização”.

A teoria da complexidade se relaciona muito de perto com a teoria dos sistemas.          Ambas por sua vez estão relacionadas com a “teoria do caos” … e a “cibernética”.            Esse relacionamento é resumido na tabela abaixo em diferentes tipos de teorias:

Sistemas Comportamento
Teoria dos Sistemas simples simples
Teoria da Complexidade complexos simples
Teoria do Caos simples complexo
Cibernética complexos complexo

A teoria dos sistemas e a teoria da complexidade se sobrepõem e são baseadas nos mesmos princípios. Qual seria então a necessidade de duas disciplinas distintas?…A razão principal parece ser o fato de que ambas pertencem a 2 diferentes tradições científicas — entretanto, há certamente outros motivos… Nem todos os sistemas são tão simples como a galinha e o ovo… – Em um sistema, constituído por milhões de componentes – projetar sua estrutura circularmente…descrevendo todos os possíveis laços de feedback – seria quase impossível. Um esquema resumido de feedback em sistemas complexos é mostrado na Figura a seguir.

Sem título2

Como o diagrama sugere, há um relacionamento circular entre a estrutura global do sistema e as interações locais entre os componentes. A estrutura global pode ser definida como a rede de todos relacionamentos locais…produzida e mantida num dado momento, pelo total de interações que ocorrem neste instante… Cada um…e todos componentes do sistema interagem com seus vizinhos imediatos – modificando assim a ‘estrutura global’.

Uma vez que cada componente responde à “estrutura global”… então o comportamento de cada indivíduo é determinado pelo todo; ao mesmo tempo em que a resposta independente de todos componentes… em um      dado momento… produz o ‘todo’ correspondente ao momento seguinte.

Um exemplo de sistema complexo é uma ‘sociedade’…consistindo em muitos componentes independentes… interagindo de modo local. – O estado corrente da sociedade é a estrutura global. – Cada um, e todos os indivíduos respondem ao ‘estado corrente’…e portanto criam o novo estado da sociedade no momento seguinte, e assim por diante… — Desse modo, um sistema complexo pode ser definido… como sendo constituído por inúmeros componentes, que interagem localmente para produzir um…”comportamento geral“… organizado e bem definido, independente da estrutura interna de seus componentes.

Sistemas auto-organizáveis apresentam frequentemente, uma forma altamente complexa de organização… As colmeias, por exemplo… – tem padrões óbvios…e regularidades, mas não são estruturas simples. Elementos estocásticos afetam a estrutura e dinâmica de uma colmeia, gerando ‘variáveis não-determinísticas‘. Justamente por ser vista de muitas formas, não há uma definição geral apropriada para “complexidade“. – Intuitivamente, esta encontra-se em algum lugar entre a ordem e o caos … entre a superfície espelhada de um lago, e a turbulência de um maremoto… — ‘Complexidade‘ tem sido medida de várias maneiras – através de entropia métrica, profundidade lógica, conteúdo de informação…e outras técnicas semelhantes…adequadas a aplicações específicas da química e física, mas nenhuma delas descreve… ‘completamente’… as características da “auto-organização“.

Uma forma de abordar o estudo da complexidade…considerando a ausência de definição satisfatória, é descrever certo espaço compreendido entre a ordem e o caos, denominado    fronteira do caos“…Em 1990, Chris Langton conduziu um experimento, empregando   autômatos celulares‘ (‘AC‘)…Tentava-se assim, descobrir sob que condições um simples “AC” poderia suportar interações do tipo – transmissão, armazenamento, e modificação de informações.

automatocelular

Estado quiescente‘…Transição de fase

Cada célula recebe todos seus “inputs” das demais células em sua região mais próxima, definida como sua ‘vizinhança’. — O estado interno das células… no momento seguinte, então é determinado … pelo ‘estado‘ de sua vizinhança…e a “função de transição”, que descreve qual o novo estado… a ser assumido pela célula. – Assim…portanto, o “estado da vizinhança” fica associado à transmissão… enquanto o “estado interno” do AC se refere ao armazenamento; e a “função de transição”… espelha a modificação da informação.

Para determinar como a ordem e o caos afetavam a computação…Langton formulou um valor lambda, definido como a probabilidade de dada vizinhança produzir numa célula determinado estado interno particular, denominadoestado quiescente“… Quando λ assumia o valor zero, todas as vizinhanças moviam uma célula para o estado quiescente,     e o sistema era imediatamente organizado. No entanto ao λ assumir o valor 1, nenhuma vizinhança se movia para o estado quiescente… – e o sistema mantinha-se desordenado.

Tal experimento demonstrou a existência de um “valor crítico” para λ – correspondendo a pontos de “transição de fase, em cuja proximidade a organização computada pelo sistema é máxima. Por outro lado… ultrapassado esse valor, o caos surgia muito rapidamente… De acordo com Langton, devido a associação da computação com tal valor crítico, um sistema auto-organizado precisaria manter-se na “fronteira do caos”… para computar a si próprio.

As transições de fase nem sempre ocorrem de forma brusca como quebra entre 2 estágios. Por exemplo, a passagem de um líquido, do ponto de congelamento para o de ebulição, se dá de forma gradual, entre um estado e outro. Porém, a transformação do estado líquido para o gasoso nas vizinhanças da temperatura de ebulição, se dá num espaço muito curto entre os 2 estados. – Após um aquecimento gradual…ocorre uma mudança brusca para o estado gasoso… de forma que as 2 fases são claramente distintas, separadas por uma fina região com as condições da transição…O estudo de tais regiões é normalmente muito útil para a previsão das propriedades do sistema, ou da substância… em diferentes condições.

O mistério dos Vórtices

Redemoinhos…tornados, são exemplos perfeitos de “vórtices“. O curioso sobre eles… é que parece haver alguma força em seus centros, sugando… a partir de um ‘certo ponto’, tudo o que estiver ao seu alcance. Isto, entretanto, é apenas uma ‘ilusão’ devida ao movimento das massas em círculo. – Removidas estas massas do vórtice… — não sobra nada.

Entretanto, observando-se os vórtices, fica claro que existe uma força em algum lugar. A resposta para… – Onde ela está?… é talvez uma das mais importantes da ‘ciência da complexidade’… ela vem de dentro do sistema.

Ainda que na aparência uma força externa esteja organizando o vórtice…são as próprias massas em movimento circular que animam o fenômeno. Uma das razões pela qual este conhecimento é tão importante, é que ele encerrou a longa disputa entre o vitalismo e o materialismo… – Os vitalistas defendiam a ideia de que a existência da vida depende de uma ‘força vital‘; enquanto que aos materialistas – não seria necessária nenhuma força externa para produzi-la…O estudo dos vórtices mostra que ambas visões estão corretas.

Os vitalistas, bastante acertadamente, identificaram uma força vital, que corresponde à força de sucção ilusória, existente no centro do vórtice. – A visão materialista é também correta, uma vez que tal força vital emerge do interior do sistema. Nada do exterior está organizando o vórtice. – A força vital é real, mas não ‘existe’, no sentido usual do termo, possuindo o que se denomina uma…”hiper-existência“…que, para ocorrer, é necessário que as seguintes condições sejam satisfeitas:

  1. O ‘fenômeno emergente’ estaria “incorporado”;
  2. Seus componentes estariam “desbalanceados”;
  3. Processos de “feedbackoperando no sistema.

Todas essas 3 condições são satisfeitas pelos vórtices… (a) Um vórtice não pode emergir no vácuo…ele necessita estar incorporado em um ‘meio físico‘. – O que corresponde à 1ª parte da definição de “sistema complexo” (conter vários componentes ‘independentes’).     (b) Um vórtice não pode emergir, a menos que as massas de ar ou água que o compõem estejam em movimento (desbalanceadas). (c) um vórtice é por si próprio uma estrutura circular, possibilitando feedbacks. Quando todas essas condições são satisfeitas, a força ilusória de sucção emerge no centro do vórtice.

Mecanismos Evolutivos                                                                                                             Os organismos que não se adaptaram ao longo da cadeia                                                    evolutiva foram extintos…filtrados para fora do processo”.

feedbackTendo em vista que as estruturas de feedback podem atuar como filtros emergentes… ficam então tipificados tais processos de redução de informação… – como uma forma de “seleção“.  Há cerca de 150 anos atrás … Charles Darwin chegou à conclusão que — o “mecanismo” da evolução biológica, correspondia justamente,     a um processo de “seleção natural” definido como a “sobrevivência” do melhor adaptado.

Darwin via os organismos como um tipo de “máquina perpétua” … atravessando um processo de filtragem natural. No contexto da complexidade, tal conceito corresponde a mecanismos capazes de perpetuar sua execução…e se reproduzir. Portanto, organismos vivos entram nesta categoria, e para se manterem em funcionamento necessitam de um contínuo fluxo de energia e matéria através de si próprios, isto é…necessitam alimentos. Contudo, a seleção natural não é somente um filtro, ela é também uma ressonância que amplifica os organismos adequados, enquanto que os inadequados vão sendo retirados    de cena. E, para ser realmente criativa, precisa estar ‘desbalanceada‘…Mas, como fazer isso num sistema biológico? Levando os organismos a competir por recursos limitados.

Quando organismos competem… eles tornam a própria adequação instável…O que hoje é adequado…pode não o ser amanhã. Um cenário de adequação dinâmica é fonte de novos ‘fenômenos emergentes’que tornam a seleção natural mais do que um mero processo de filtragem passiva. Esta adequação produz criatividade e inteligência – sendo o fenômeno emergente mais importante de todos — por abrir caminho para a “evolução da evolução”. Isto pode ser constatado…na seleção natural…na evolução da mente…e evolução cultural dos povos. – Sistemas complexos são todos…constituídos de “outros todos“, mas não são criticamente dependente de seus componentes, que por sua vez são outros todos. Se uma célula morre ou uma formiga se perde, isto pouco importa ao sistema ao qual pertencem.

Para estar em “meta-balanceamento”, um sistema complexo precisa        estar desbalanceado ao nível de seus componentes… – E… para isso,        precisa dar independência e liberdade a seus próprios componentes.

Sistemas complexos são ‘meta-estáveis‘ porque são constituídos de todos independentes que interagem. Quanto mais liberdade possuem os componentes, mais desbalanceado se torna o sistema… e isto é fonte de mais “meta-estabilidade global”… Tudo isto traz claras evidências de que a natureza de alguma forma oscila entre o caos e a ordem. (texto base)  ******************************(texto complementar)********************************

computação digital x computação orgânica                                                                     “Computadores digitais não chegam nem aos pés de nosso cérebro… ou mesmo                   do cérebro de lesmas ou ratos… – evidenciando assim restrições … próprias da             cibernética, para se atingir a tão sonhada inteligência artificial”.  (M. Conrad) 

inteligenciartificialNinguém pode simular a você ou a mim por meio de um sistema que seja menos complexo do que nós…Os produtos que fabricamos podem ser vistos como uma simulação…e, embora consigam resistir a determinadas condições…impossíveis ao nosso organismo … jamais chegam à original “complexidade” do seu criador.

Empédocles (2.500 A.C) explica a visão humana em analogia com a tocha de fogo, Kepler (1604) comparou à luneta… – e Fritz Kahn (1939)…ao filme fotoquímico cinematográfico. Atualmente, assim como em Santaella e Deleuze, a “lógica cibernética” é aplicada para explicar e descrever os sistemas de funcionamento da complexa ‘máquina humana’. Cada vez é mais comum encontrarmos textos explicando o funcionamento do “corpo biológico” através das teorias da ciência da computação. – No entanto, não devemos nos basear nos computadores digitais para explicar o cérebro; a cibernética é o que sabemos fazer, e não como funciona a “computação orgânica“.

Para o biólogo Michael Conrad, o hábito de criar “teorias orgânicas” baseadas na estrutura das máquinas disponíveis…é como refletir sobre a vida – por uma abordagem mecanicista. Conrad propõe inverter a perspectiva…em direção à uma visão organicista da computação, inspirada na sabedoria da natureza… que há bilhões de anos experimenta e testa… através de violentos embates de seleção natural … eficientes soluções para transmitir informações orgânicas. Apesar da estrutura biológica não resistir a certas condições … que dispositivos atuais suportam…a composição de carbono no cérebro, o torna um suporte material mais resistente e adaptável que o silício dos computadores atuais. Por isso, Conrad admite que:

“a vida sabia o que estava fazendo, quando escolheu                                            o carbono … como seu ‘substrato’ para computar”.

A computação orgânica se baseia na combinação de formas em contato, para achar a solução de um problema. – Por ser uma molécula capaz de assumir inúmeras diferentes   formas, o carbono foi o material usado na natureza…para achar a solução do problema.

O computador digital de silício computa de forma linear, através de sequências simbólicas, de zeros e uns… – que representam – a presença…ou ausência de um elétron… passando por um único processador…o “gargalo de Von Neumann”, por onde, ‘obrigatoriamente’, devem passar todas as informações…O processamento linear permite obter uma máquina estável – previsível e segura – mas, desprovida de vida. – Segundo Conrad…a capacidade e velocidade de processamento, necessárias para realizar atividades básicas em ‘organismos vivos‘… extrapolam em muito os limites atuais da computação…Ele explica:

“A velocidade vertiginosa dos modernos processadores…nem de longe se aproxima da potência necessária à realização dessas funções… Ou seja, o computador digital não é  um “cérebro gigante”; é só uma máquina confiável e versátil que podemos controlar”.

Conrad afirma que o segredo do desempenho previsível…está na harmonia dos seus componentes (uniformemente) padronizados, pois funcionam a partir de comandos específicos, onde qualquer programador no mundo…pode consultar o manual, para      criar programas. – Anula-se assim… a possibilidade de correlações ativas… e efeitos colaterais dos componentes isolados… mesmo daqueles que poderiam ser benéficos.

Este controle inerente à cibernética é o motivo por que computadores, contrariamente ao nosso cérebro, não são passíveis de aprendizagem.

Neste sentido, para Conrad, em comparação à ‘computação orgânica’ a evolução dos nossos computadores está imobilizada. – Um meio de tornar os computadores mais rápidos seria encurtar o tempo de viagem de elétrons, pela redução das “chaves“, as reunindo num espaço menor. Porém, existe um limite de redução dos componentes eletrônicos, apontado pelos engenheiros da computação… – o chamado ‘Ponto Um’:

“Abaixo de 0,1 micrômetro (espessura de um segmento de DNA,                       ou 1/500 da espessura de um fio de cabelo humano) os elétrons simplesmente ‘riem-se’ das chaves fechadas… e passam direto”.

Outra possibilidade é o multiprocessamento. Contudo, Conrad adverte que a falta de controle causaria a paralisação do sistema… – “não haveria como ter certeza absoluta do que poderia acontecer, quando muitos programas fossem usados ao mesmo tempo. – Os programadores não teriam como consultar um…’manual do usuário‘…para prever como os programas se relacionariam entre si”…Segundo Conrad, para ‘imaginar’ o verdadeiro computador do futuro…“temos de pousar o cursor no ‘neurônio’… e clicar duplamente”.   A vida…afirma ele, não se alimenta de números, pois “computa”, tateando caminhos em busca de soluções. – Nos neurônios, o reconhecimento de padrões é um processo físico- analítico…e não lógico — como no “padrão clássico…0/1“…dos computadores atuais.

inevitavelAlém disso, neurocientistas não encontraram um “centro físico” da consciência; o que os levou à conclusão de que não existe um   “comando central“. Como afirma Kevin Kelly, quem manda é a sabedoria da redeconstituída por uma malha de nódulos (‘neurônios‘) ligados em “democrático paralelismo“… milhares ligados a milhares…ligados – por sua vez…a milhares de outros, com todos podendo ser usados paralelamente…para solucionar um problema. – Tal atuação em “rede de neurônios“, não se dá pela interligação de simples ‘interruptores‘…ou ‘processadores’ …pois se trata da conexão entre bilhões de sistemas complexos.

Este conexionismo e multiprocessamento realizado pelo cérebro para gerar pensamentos, sonhos ou ações, revela que…“cada neurônio da rede cerebral é um sábio por si mesmo”. Neste sentido… ficou claro, em pouco tempo…para outros cientistas… que a comunicação entre neurônios era um ‘fenômeno eletroquímico‘…espécie de dança, bem mais complexa que o simples ‘sim’ ou ‘não’ da “ativação neuronal”… – Conrad entende que… enquanto a computação tradicional é obcecada por controle… – o cérebro é imprevisível, por não ser uma estrutura programável…tal qual dispositivos digitais. Além disso, de forma orgânica, processa simultaneamente em paralelo, tateando formas de encaixes moleculares…e não,   de modo lógico…ou simbólico – como os computadores digitais de processamento linear.

“Desta forma…o cérebro consegue ligar 100 bilhões desses computadores numa intrincada rede neural…Dentro de cada neurônio, existem dezenas      de milhares de moléculas envolvidas num fantástico ‘pega-pega’ químico iniciado…toda vez que… — ‘por exemplo’… — escutamos o telefone tocar”.

Como comparou biofísico alemão Helmut Tributsch, para chegar ao resultado dos biomas atuais, a vida fez experiências como se fosse uma criança brincando. Ela se especializa em todas áreas computacionais possíveis, e aprende a resolver criativamente seus problemas, aproveitando do seu “armazém natural”…cada uma das forças físicas… – elétrica, térmica, química, fotoquímica e quântica…para aprimorar fisicamente os neurônios e suas formas de comunicação entre si. Quando pequenas mudanças são permitidas sem problema… há o acumulo gradual de efeitos benéficos – e a evolução avança para outro degrau na escala.

A comparação entre o cérebro, e os computadores digitais… demonstra que — ao pretendermos melhorar o desempenho computacional, temos  que avaliar…as reais possibilidades do cérebro…Ou seja, 1º precisamos criar processadores, por si mesmos potencialmente capazes. – E então, projetá-los à imagem e semelhança da natureza; usando materiais que sejam maleáveis à evolução… num sistema…embutidos flexivelmente.

Conrad dessa forma, reitera a facticidade da computação orgânica feita por humanos, ao afirmar que…“Não tenho ilusões…trabalhei num laboratório de pesquisas da origem da vida, e sei quanto ela é fantástica. Para imitar a natureza…nosso 1º desafio é conseguir descrevê-la em seus próprios termos”. Com base numa ‘Engenharia Biofísica‘, o sentido da associação entre corpo orgânico e tecnologias computacionais produzidas se inverteu.

A ciência ‘Biomimética‘… reconhecendo a mágica sabedoria da natureza… – criativa por necessidade, como “fonte de inspiração” para a construção de máquinas mais eficientes, busca desenvolver tecnologias inspiradas em soluções mecânicas da vida… que após 3,8 bilhões de anos de evolução… – já pôde solucionar os problemas que tentamos resolver, aprendendo o que funciona…O que é apropriado…O que dura. – Assim, nosso desafio é aproveitar essas ideias… – ‘testadas pelo tempo’… e reproduzi-las…em nosso cotidiano.

Os bioengenheiros copiam e usam modelos orgânicos para solucionar nossos problemas, através das “obras-primas” da natureza… – fotossíntese, automontagem, seleção natural, ecossistemas, olhos, ouvidos, peles, conchas, etc… A inovação, vinda da natureza, inspira computadores mais resistentes e adaptáveis… capazes de aprender e evoluir. (texto base)

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A complexidade evolutiva dos “sistemas autopoiéticos”

Alguns tipos de estabilidade negam certos tipos de mudança. A ironia é que existe uma categoria de estabilidade que não só depende da mudança… como é consequência dela. Precisamente para esse tipo de estabilidade a cibernética tem um interesse primordial. Para um sistema aberto, seja social ou biológico, imerso em um ambiente de mudança,    seu único modo de sobrevivência é a própria transformação…Nesse caso, tais sistemas      se adaptam a um ‘ambiente flutuante’… – por processos de aprendizagem e adaptação.

Butterfly 03.jpgOs estudos em torno do conceito de auto-organização, continuam a se desenvolver entre os “ciberneticistas”… no entanto, a contribuição mais importante…para sua sistematização, veio da “biologia“, ainda que sob a influência cibernética.

Os biologistas… Humberto Maturana e Francisco Varela… — ao adotarem uma perspectiva observacional, formularam uma ‘teoria cibernética‘ que possibilita a inclusão do ‘observador‘ nos sistemas – onde, o observador do observador retrata uma “cibernética de 2ª ordem”; enquanto o observador dos “sistemas sociais“, a cibernética de 3ª ordem. A autopoiese nessa concepção, inclui    a diferenciação entre organização e estrutura, na constante autoprodução dos seres vivos.

Organização é definida pelo conjunto de relações que ocorrem entre seus componentes; e estrutura compreende os componentes e relações, que se constituem em uma unidade particular desta organização. Nessa concepção os sistemas vivos podem ser considerados organizações fechadas; sistemas autônomos de interação que fazem referência somente a si mesmo. A ideia de sistemas biológicos abertos ao ambiente é apenas o resultado de um esforço do observador para dar sentido a esses sistemas, do seu ponto de vista externo. A base dessa argumentação é que os sistemas vivos possuem três características principais: autonomia, circularidade e auto-referência.

“Um ser vivo ocorre e consiste na dinâmica de realização de uma rede de transformações e produções moleculares, tal que todas moléculas produzidas, e transformadas no operar dessa rede, formam parte da rede, de modo que – com suas interações… a) geram a rede de produção/transformação que as produziu e transformou; b) dão origem à fronteiras, e extensão da rede como parte do seu próprio operar como rede, de modo a que esta fica dinamicamente fechada sobre si mesma… – em um ‘ente molecular’ discreto… que surge separado do meio molecular que o contém; c) configuram um ‘fluxo de moléculas’… que, ao se incorporar na dinâmica da rede…são componentes dela; e ao deixar de participar da dinâmica da rede, passam a ser parte do meio” (MATURANA e VARELA).

Em um sistema autopoiético seus componentes se manifestam de modo processual. É um “sistema fechado”, porque existe uma circularidade necessária e suficiente de suas partes, para que toda e qualquer operacionalização, com vistas à manutenção do próprio sistema, se realize. Seu limite, ou bordas…diferenciam-se do meio ambiente em que está acoplado. É autopoiético porque produz e reproduz a si próprio de forma semântica, isto é…mesmo sendo um sistema ‘operacionalmente fechado’ – responde às transformações do meio em que está acoplado, a partir de seus próprios componentes operacionais…com vistas à sua permanência como sistema.

Em oposição à concepção de “sistemas abertos” anteriormente dominante nas abordagens sistêmicas, para Maturana    e Varela, os sistemas autopoiéticos são sistemas auto-referenciados, fechados.

A palavra autopoiese (auto = por si só… poiesis = produção) quer dizer produção por si, e expressa a busca          de um termo mais adequado – que            os até então circulantes…tais como      “auto-organização”…ou “feedback”.

De acordo com essa abordagem… os “sistemas vivos” buscam manter sua identidade subordinando todas suas mudanças, através do envolvimento          em ‘padrões circulares’ de interação, onde a mudança…num elemento do sistema… está acoplada a mudanças    em outro lugar… estabelecendo-se padrões contínuos de interação auto-referenciados.

A ‘auto-referência’ se deve ao fato de um sistema não poder entrar em interações que não sejam especificadas no padrão de relações que define sua organização. Assim, a interação de um sistema com seu ambiente é um reflexo…e parte de sua própria organização, o que facilita sua “autoprodução“, já que o ambiente, realmente, faz parte de si mesmo.

Para Maturana e Varela, o encontro de um sistema vivo com seu ambiente…e outros seres vivos, é um acoplamento estrutural, onde a linguagem ocupa um papel central.

Desde que foi formulada, na década de 1960, a teoria da autopoiese se disseminou de modo extraordinário, invadindo inúmeros campos de conhecimento. Para tanto, tem    sido descrita como um sistema explicativo amplo e completo… – mais um paradigma teórico que uma teoria unificada… Na aplicação de sua abordagem a sistemas sociais,      por exemplo – há uma ênfase na limitação da variabilidade na recriação do potencial organizador genético do sistema…de modo a um tal sistema social poder ser definido como:

“uma unidade que se realiza por intermédio de uma ‘organização fechada’ de processos produtivos, de modo a que sua organização seja gerada pela ação de seus próprios componentes … resultando assim na emergência de uma fronteira topológica como resultado de seus processos constituintes”.

O sistema social, como auto-referencial, permite contingência, abertura, e interrelação, mas nunca irrupção do Outro – como “sujeito autônomo”… O sistema social permanece respondendo diante de um entorno de pura complexidade. Seu horizonte continua uma compreensão do sistema social sem sujeitos, dentro de uma paradigma da consciência,    a partir de uma “razão instrumental”. 

complexidadeTeoria da complexidade

A teoria da complexidade se apresenta como um ‘movimento transdisciplinar’ que tenta restabelecer a ‘unidade no estudo da natureza… e seres humanos, que – com a divisão compartimentada decorrente do ‘cartesianismo‘, se teria perdido. – Suas origens, se encontram nas abordagens, da teoria de sistemas, cibernética, caos…sistemas dinâmicos, e autopoiese.

A teoria do caos é um desenvolvimento específico no estudo dos sistemas dinâmicos, que se segue às revoluções teóricas da relatividade e mecânica quântica. – Insere-se na cosmologia, junto à física, das teorias sobre forças fundamentais da natureza, e origem      do universo… Constitui-se numa ciência da “natureza global dos sistemas” – provendo argumentos à pretensão da grande teoria unificada/unificadora (presente na ‘teoria da complexidade’).

Se desenvolve com maior ímpeto na década de 1970, especialmente na “Universidade de Santa Fé”, onde o estudo dos “sistemas adaptativos complexos” é aprofundado… – Estes seriam formados por unidades simples interligadas entre si — com o comportamento de uma, influenciando a outra…A complexidade do todo vai decorrer do entrelaçamento de influências mútuas à proporção que o sistema evolui. Dentre suas propriedades, estão a “não-linearidade”…os “fluxos constantes”…a “diversidade”… e a “estrutura hierárquica”.

Os estudos de Santa Fé aplicam a “teoria do caos” – entre outros temas… na análise das cidades, em aspectos da economia, e a ecossistemas. Por se manterem em uma situação entre ordem e desordem, esses sistemas só podem ser analisados através de simulações computacionais…Ainda sobre ‘complexidade‘… – Ilya Prigogine formulou o seguinte:

 nos limites do ‘caos’… níveis identificados de energia importada (o que Schröedinger chamava de “neguentropia“) fazem com que estruturas dissipativas emerjam de comportamentos estocásticos de microestados;

 estruturas dissipativas, enquanto existirem, mostram comportamentos previsíveis… – ainda que não compatíveis com a explicação newtoniana;

 explicações científicas mais aplicáveis à região em que ocorrem esses fenômenos diferem do tipo de complexidade que a ciência newtoniana,          o “caos determinístico”…e o “mecanicismo estatístico” tentam resolver.

Características dos sistemas complexos

Sistemas com muitos componentes, se comparados aos que têm poucos… – podem ser considerados complexos. A cardinalidade de um conjunto então, pode ser considerada medida de complexidade. – Sistemas caracterizados por grande ‘interdependência‘ de componentes são considerados…geralmente, mais complexos do que os com pouca ou nenhuma. – Sistemas não-demonstráveis, ou não-calculáveis formalmente podem ser considerados complexos, se comparados àqueles deterministas… A complexidade dos sistemas pode ser medida pelo conteúdo da informação. Por esse critério, os sistemas      com muitos componentes idênticos são menos complexos que os de mesmo tamanho,    com componentes bem diferentes… E, Edgar Morin também traz suas considerações:

“O todo é mais que a soma das partes (princípio bem explícito e, aliás, intuitivamente reconhecido em todos os níveis macroscópicos), visto que em seu nível surgem não só uma macro-unidade, mas também emergem qualidades/propriedades novas. O todo        é menos do que a soma das partes…porque estas, sob o efeito das coações resultantes    da organização do todo, perdem, ou inibem-se de algumas das suas propriedades. O      todo é mais do que o todo… porque o todo enquanto todo, retroage sobre suas partes,    que, por sua vez, retroagem sobre o todo (por outras palavras…o todo é mais do que      uma realidade global, é um dinamismo organizacional).” 

Nesse sentido, a explicação deve procurar compreender o processo recorrente, cujos produtos, ou efeitos finais, geraram seu próprio recomeço. – O que traz de volta um conceito de caráter paradigmático superior – o de ‘organização’, descrito por Morin:

“A organização cria ordem (criando o seu próprio determinismo sistêmico)…mas também desordem:    por um lado… o ‘determinismo sistêmico’ pode ser flexível… comportar suas ‘zonas de aleatoriedade’,        de jogo, e liberdades … por outro lado, o trabalho organizador requer energia, que traz desordem, aumentando a entropia do sistema.      Nas organizações – a produção permanente de desordem é inerente à si própria…O        que comporta, nesse plano, igualmente uma reforma do pensamento…doravante, a razão já não deve expulsar a desordem…nem ocultar a ‘organização’ – mas sempre conceber a ‘complexidade’ da relação”.

teoriageraldesistemasA “teoria geral de sistemas” 

A ‘teoria geral de sistemas‘ se desenvolveu a partir das formulações do biólogo L. Von Bertalanffy, que… em 1940 — afirmava ser necessário considerar — os problemas que envolvem seres humanos como “típicos de sistemas”…levando em conta os contornos, as componentes … assim como as relações que existem entre suas partes.

Desse modo, lançava o desafio da construção de uma disciplina que tivesse como objetivos principais, investigar “isomorfismos” de conceitos, leis e modelos em campos diferentes; e ajudar nas transferências úteis entre esses campos – promovendo a ‘unidade das ciências’.  Nesse sentido…os princípios da “teoria geral de sistemas” reproduzem ideias previamente desenvolvidas para entender “sistemas biológicos”, incluindo em seu fim…os conceitos de:

homeostase – auto-regulação para manter um estado estável; sendo obtida através de processos que relacionam e controlam a “operação sistêmica” através do mecanismo da retroalimentação (desvios de algum padrão ou norma desencadeiam ações de correção);

entropia/entropia negativa – sistemas fechados tenderiam ao desaparecimento pela entropia; sistemas abertos buscam a auto-sustentação, importando energia do ambiente para atingir condições de estabilidade; 

estrutura, função, diferenciação e integração – estando os sistemas intrinsecamente inter-relacionados… — permitem sua “auto-sustentação“;

variedade – relacionada com a ideia de diferenciação e integração…afirma que mecanismos regulatórios internos precisam ser tão ‘diversificados‘… – quanto a diversidade do ambiente com o qual se relacionam;

equidade– num sistema aberto podem existir muitos modos diferentes de chegar a um dado estado final; assim, a estrutura do sistema num dado momento não é mais que um aspecto ou manifestação de um processo funcional mais complexo (ela não determina o processo);

evolução do sistema – capacidade que depende da habilidade de mover-se para formas mais complexas de diferenciação e integração, e maior variedade…facilitando a habilidade de lidar com desafios e oportunidades colocadas pelo ‘meio‘ (envolve processos cíclicos de variação, seleção e retenção de características selecionadas)

A concepção de ‘sistema aberto’…desenvolvida por Von Bertalanffy a partir do estudo de sistemas vivos, resolve o problema do pensamento sistêmico em sua relação com a 2ª lei termodinâmica (tendência à entropia, inerente a todo sistema fechado, ao estabelecer as trocas de matéria e energia com o meio… – como forma de manter o “estado de ordem”).

Outro aspecto dessa abordagem, envolve a concepção do sistema contendo o todo dentro do todo…sistemas contêm subsistemas – que, por sua vez, podem ser sistemas abertos e, portanto… – interagirem entre si…com o sistema ao qual pertencem…e, com o ambiente.  Daí resulta uma visão das estruturas sociais como “sistemas de natureza planejada”, que representam “padrões de relacionamento”… – Esses padrões conduziriam a uma grande variabilidade… – não fosse a existência de forças que a reduzem… tais como pressões do ambiente, valores e expectativas compartilhadas…imposição de regras (em todo sistema social, a diversidade comportamental fica sob controle de 1 ou mais desses dispositivos). *******************************(textos complementares)****************************

consciência cibernéticaConsciência Cibernética

A definição de…”auto-organização” parte da ideia de que novas estruturas podem emergir da dinâmica, inerente        a elementos… de seu próprio domínio. Com a noção de… “retroalimentação”, numa aproximação…entre campos da        física e biologia emerge a ‘cibernética‘.

Não obstante Edgar Morin considerar todas as dificuldades ao seu ‘avanço’…                dadas as limitações teóricas e tecnológicas do momento — também registra a                importância de suas ‘posições de partida‘:

 Schrödinger destaca, desde 1945, o paradoxo da organização viva,                                          a qual não parece obedecer ao “segundo princípio termodinâmico”;

 Von Neumann inscreve o paradoxo na diferença entre a máquina viva (auto-organizadora) e a máquina artefato (‘simplesmente organizada’) – mostrando                  que existe um elo entre desorganização…e organização complexa; o fenômeno                    da desorganização (entropia) prossegue seu curso no “ser vivo”… de um modo              inseparável do fenômeno da reorganização (“neguentropia“).

Ainda segundo Morin, a ideia da auto-organização opera uma grande mudança no sentido ontológico do objeto, que vai além da “ontologia cibernética”. — Como ele próprio explica:

“Ao mesmo tempo em que o sistema auto-organizador se destaca do meio…e se distingue dele, pela sua autonomia e individualidade…liga-se tanto mais a ele pelo crescimento da abertura e da troca que acompanham qualquer processo de complexidade … ele é “auto-eco-organizador”… – Enquanto o sistema fechado tem pouca individualidade… não tem trocas com o exterior, e está em má relação com o ambiente; o sistema citado tem a sua individualidade ligada a relações profundas com o meio. – Mais autônomo, está menos isolado. Necessita alimentos, matéria/energia…e também informação…O meio está em seu interior. – Tal sistema, portanto…não pode bastar-se a si próprio”. # (texto base) #  **********************************************************************************

Vida pode estar espalhada pelo Universo…  Astrônomos nos EUA acabam de descobrir sinais de ‘moléculas orgânicas’ altamente complexas no disco de poeira, em volta de uma estrela distante.

Em trabalho publicado no… Astrophysical Journal Letters, J. Debes e Alycia Weinberger, do Instituto Carnegie, e Glenn Schneider – da Universidade do Arizona descrevem observações em infravermelho da estrela HR 4796A – a partir do espectrômetro do telescópio espacial Hubble…Verificou-se assim, que o espectro de luz visível, e… infravermelha da poeira estelar, era muito avermelhado … devido a grandes moléculas orgânicas, chamadas ‘tolinas‘.

De acordo com o estudo, o espectro não se assemelha ao de outras substâncias vermelhas, como o óxido de ferro… — As tolinas não se formam naturalmente, hoje em dia na Terra, porque o oxigênio da atmosfera as destruiria rapidamente; mas estima-se que elas teriam existido há bilhões de anos, nos primórdios do planeta, e que teriam sido precursoras das biomoléculas que formam os organismos terrestres.

Tolinas já foram detectadas no Sistema Solar, em cometas; e, em Titã – sendo responsáveis pelo tom vermelho da lua de Saturno… Esse novo estudo é o 1º a identificar essas grandes ‘moléculas orgânicas’ fora do Sistema Solar. Como a estrela HR 4796A, de somente 8 milhões de anos — está nos estágios finais da formação planetária a descoberta sugere que esses “blocos básicos da vida” sejam comuns em “sistemas planetários”. A HR 4796A encontra-se a 220 anos-luz da Terra (constelação Centauro). O disco de poeira em volta da estrela foi formado por multicolisões de pequenos corpos do sistema, tipo cometas e asteroides. Segundo o estudo, tais corpos podem transportar “moléculas orgânicas” para qualquer planeta que esteja em seu sistema.

Astrônomos estão começando a olhar para planetas em torno de              estrelas diferentes do Sol…A HR 4796A tem massa 2 vezes maior,                    e…é 20 vezes mais luminosa. Estudar esse sistema fornece pistas                    para entender as diferentes condições de “formação planetária”,                sob as quais, talvez a vida possa evoluir. texto base (jan/2008)  *************************************************************

Teoria da Origem, Evolução e Natureza da Vida  (jan/2012)                                        “A mesma estrutura granular que caracteriza os demais campos quânticos, também caracteriza o espaço…Assim como há quanta de luz do campo eletromagnético, bem como todas as partículas são feitas de quanta de algum campo quântico, o espaço é      feito de grãos (quanta) de um campo quântico gravitacional“.  (Carlo Rovelli)

A revolta do planeta - Gaia

Depois de Lovelock e sua ‘teoria de gaia‘ propondo que…”A Terra é Viva” – uma revolucionária ‘teoria científica da vida’ foi proposta por Erik Andrulis, biólogo da Universidade Case Western … EUA.

O cientista desenvolveu um modelo que pretende, nada menos do que unificar a “física”…com a “química”… e “biologia”.

Tal teoria transdisciplinar mostra que objetos supostamente ‘inanimados’ — planetas, água, proteínas e DNA…são, na verdade, animados…ou seja, vivos.

Andrulis adiantou seu controverso arcabouço teórico no manuscrito ‘Teoria da Origem, Evolução e Natureza da Vida‘, publicado no periódico científico “Life”, justificando não    só a emergência evolutiva da vida na Terra e no universo…como também sua estrutura       e função, desde células, até biosferas. – Além de resolver paradoxos e enigmas que têm persistido na química e na biologia…a nova teoria unifica a mecânica quântica – com a mecânica celeste… Sua solução quintessencial nada ortodoxa para este problema físico difere das abordagens tradicionais – propondo uma solução simples…não-matemática, experimentalmente verificável. A mudança no perfil da “gravidade quântica” é radical.

A ideia básica dessa teoria…é que toda realidade física pode ser “modelada”…        por uma única…”entidade geométrica” vital, que seria o ‘redemoinho…Nesse  assim chamado “giromodelo” — são representados…moléculas, partículas, átomos e células… — como “pacotes quantizadosde energia e matéria, oscilando “ciclicamente” entre estado fundamental (‘nãoexcitado‘) e um estado animadoem torno de uma “singularidade(“atrator central“).  

Tal modelo, por conseguinte, estaria  plenamente adaptado…às condições termodinâmicas…e fractais…da vida. 

Ajustando o “giromodelo” para fatos acumulados ao longo da história científica, Andrulis confirmou a existência, proposta por sua teoria, de 8 leis da natureza. – Uma delas, a “lei natural da unidade” diz que “células vivas” possuem características irredutíveis. — Outra lei natural… – determina que os reinos atômico e cósmico obedecem idênticas restrições organizacionais. Ao mostrar que a Terra é teoricamente sinônimo de vida, tal paradigma fundamenta a ‘premissa de Gaia’ de que todos organismos e seu ambiente na Terra estão intimamente integrados…em um único e complexo sistema auto-regulador. (Texto base)  

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A saga dos ‘Neurônios cibernéticos’

“Cibernética é a maior mordida no fruto da árvore do saber… que a humanidade experimentou nesses últimos 2000 anos.” (G. Bateson)

Homens biônicos não são mais parte apenas da ficção científica; os avanços da neurologia, desvendando o comportamento do cérebro, e da bioengenharia, com membros mecânicos, podem fazer – em décadas… – com que cegos voltem a enxergar, e paralíticos a caminhar.  Na “bioengenharia”…membros com movimentos automáticos – apesar de seu alto custo…já são uma realidade – permitindo que o homem supere limitações impostas ao corpo. Na “neurologia” – pesquisas desenvolvem soluções…que tomam por base o uso dos impulsos cerebrais, para que um paciente possa, via pensamento executar tarefas ditas impossíveis.

Por meio de eletrodos implantados no cérebro… ou colocados sobre a cabeça do paciente, como um capacete, os sinais cerebrais são utilizados por exemplo, para movimentar uma cadeira de rodas… – Os ‘eletrodos’ – pequenos condutores metálicos de corrente elétrica, captam impulsos transmitidos por neurônios, ou células nervosas…Os impulsos ocorrem de forma caótica no cérebro… A intensidade e o local das transmissões variam segundo o indivíduo. – Por isso… – procura-se fazer com que o paciente (imobilizado)eduque‘ sua transmissão de impulsos nervosos… – Esse controle os torna inteligíveis para o eletrodo, que os traduz em informação.

As pesquisas ainda são recentes…Apesar da primeira leitura de impulsos cerebrais ter sido realizada na década de 20…o seu uso na movimentação de aparelhos, teve início na década passada. – Uma das mais recentes pesquisas usa neurônios relacionados ao movimento da mão esquerda de pacientes para mover o cursor de um computador e fazer com que eles se comuniquem… O estudo, realizado por Roy Bakay e Philip Kennedy, da Emory University,  Atlanta/EUA, implantou o eletrodo em 2 pacientes paralíticos, incapazes de se comunicar.

brain-computer-interfacesNo estudo … o paciente imagina que está movimentando a mão esquerda. Isso ativa um grupo de neurônios no córtex motor do cérebro…O eletrodo implantado no local…então, registra os dados…e os envia ao computador.

Os sinais fazem com que um cursor, na tela do micro, se movimente para cima, ou para baixo. Vendo o cursor se movimentar na tela…o paciente é capaz de… treinando, conseguir que seus neurônios transmitam frequências que controlem o cursor…Este exercício mental, faz com que os neurônios atuem de forma sincronizada, sendo assim mais facilmente detetado pelo eletrodo…Com abordagens semelhantes, o uso de impulsos nervosos é pesquisado por vários outros centros de pesquisa.

Audição e Visão

O eletrodo pode servir ainda como receptor de estímulos do ambiente. É o caso de implantes, que ajudem os pacientes a enxergar ou a ouvir. O processo, nesses casos é inverso: o eletrodo capta sinais do exterior,  e os decodifica, para que o cérebro seja capaz de entendê-los.

Na audição, estes são implantados na parte interna do ouvido – mais especificamente na ‘cóclea’. Nessa região…os eletrodos detetam sons do ambiente – estimulando assim, eletricamente o cérebro. No Brasil, tais implantes já existem…INCOR.

Processos que façam com que uma pessoa cega possa enxergar…contudo – ainda estão em fase de desenvolvimento. Cientistas estudam o implante de eletrodos no olho ou no córtex visual… – região do cérebro ligada à visão. No caso de eletrodos corticais…a pesquisa deve levar mais tempo. Tais estudos procuram fazer com que eletrodos, no cérebro ou na retina reproduzam imagens captadas por uma “câmera de vídeo”… – Dessa forma…uma imagem simplificada… – similar à de um “placar eletrônico”… – seria então recebida pelo paciente.

Pelo visto, portanto… os eletrodos não devem, de imediato, trazer muita qualidade visual. Assim sendo, se uma solução biológica for encontrada (…regeneração de “células visuais”, p.ex), uma restauração poderá ter melhor qualidade que a solução mecânica. (texto base***********************************************************************************

cibernéticaAs informacionais raízes cibernéticas

Cibernética é a ciência que, intimamente relacionada à… ‘teoria geral de sistemas‘, estuda os mecanismos de comunicação e controle de sistemas físicos e sociais…ou seja … — “máquinas”… — e “seres vivos“.

Já para Gregory Bateson … é o ramo da matemática que lida com problemas de controle e recursão de informações, dentro dos quais, ‘sistemas complexos’ afetam seu meio externo, para, a seguir, a ele se adaptar.

Nascida por volta de 1942…e inicialmente orientada por Norbert Wiener e Arturo Stearns, a cibernética é uma ciência que visa o controle e comunicação das máquinas e/ou animais, desenvolvendo para isso ‘técnicas de linguagem’ que nos permitam resolver problemas de controle e comunicação em geral. Quando em 1950 , o matemático Ben Laposky criou em um computador analógico, abstratas oscilações eletrônicas, considerou-se a possibilidade de manipular essas ondas…e gravá-las eletronicamente – como o despertar do que viria a ser conhecido como ‘computação gráfica’. Posteriormente, ao longo dos anos 50, William Ross Ashby propôs teorias relacionadas à ‘inteligência artificial‘… – Já em meados da década de 60…a ‘cibernética‘ deu grande impulso à ‘teoria da informação‘…quando    o “computador digital” substituiu o processamento da “imagem eletrônica analógica”.

São dos anos 50/60…a 1ª geração de computadores (c/desenhos gráficos); a 2ª geração (c/transistores); a 3ª, em 1964 (c/circuitos integrados); bem como as 1ªs “linguagens de programação“…Fortran, Cobol, Algol… e Lisp.

A extrema rapidez com que essas mudanças ocorrem… está afetando os modos de vida    na sociedade… – promovendo assim…em vários casos, o abandono daquelas crenças e tradições profundamente enraizadas… – nos mergulhando numa cultura de constante relatividade… – com sérias limitações nas relações pessoais e sociais, entre indivíduos.

Cibernética é uma ciência interdisciplinar, tão ligada à física, e ao estudo do cérebro, quanto ao estudo dos computadores…e às linguagens formais da ciência, fornecendo ferramentas para descrever, objetivamente, o comportamento destes todos sistemas.    Muitos associam cibernética com a ‘robótica’, e o conceito de ‘cyborg’, devido ao uso      que tem sido dado em certas obras de “ficção científica“… – mas… do ponto de vista puramente científico, cibernética são sistemas de controle, com ‘retro-alimentação‘.

Stafford Beer…filósofo organizacional, a quem o próprio Wiener considerava como o pai da gestão cibernética, a definia como ”a ciência da organização eficaz“… – Nesse sentido,    a “cibernética” estudaria a informação que flui em torno de um sistema – animado, ou inanimado, e como essas informações são usadas pelo sistema para uma auto-regulação, mantendo sua estabilidade…em processos que – por mecanismos de “retroalimentação”, relacionam e controlam a operação sistêmica.

A característica de um sistema não-trivial “auto-regulado” é que, apesar de lidar com variáveis incomensuráveis, incertas demais para se identificar, e difíceis de se entender, algo pode ser feito para gerar uma “previsibilidade”.

Fundamentos da teoria cibernética

As teorias que embasaram o desenvolvimento desta disciplina — foram formuladas em 1948, quando o filósofo matemático Norbert Wiener publicou seu livro ‘Cibernética‘…O princípio básico é a “retro-alimentação” (feedback), que consiste na ‘contínua correção’ – pelo sistema, dos erros cometidos…O cérebro humano aliás, se utiliza desse princípio, ‘inconscientemente’.

Do ponto de vista cibernético, todo sistema transforma uma variável… – ou conjunto de variáveis de entrada…nas correspondentes variáveis de saída. A relação matemática que exprime a dependência das variáveis de saída…em relação às de entrada – denomina-se “função de transferência“…e sua complexidade é ‘diretamente proporcional’, àquela      do próprio sistema…Nos ‘sistemas realimentados‘, entretanto, as variáveis de saída dependem – não só das variáveis de entrada, como também de si próprias, aumentando consideravelmente a complexidade da ‘função de transferência‘.

A possibilidade de um sistema controlar a si mesmo… – até automatizar o processo que realiza, pode ser considerada a principal vantagem dada pelo ‘princípio cibernético‘. Isso permite aumentar a complexidade do sistema e acrescentar várias partes ou etapas independentes – que funcionarão realimentadas entre si…de modo a não ser necessário vigiar o correto funcionamento de cada uma delas, separadamente. Assim, as máquinas projetadas de acordo com tais critérios parecem mais ‘inteligentes’…do que aquelas que requerem permanente operação revisora, além de sofrerem menor perturbação externa.

Automatização de sistemas retro-alimentadores                                                            “O tema fundamental da ‘cibernética’ – é a regulação e                                                          controle de sistemas abertos”… (Mervyn Cadwallader)

Em processos complexos, como, por exemplo, nos mecanismos que entram em jogo nos pilotos automáticos das aeronaves, deve existir um retardo mínimo, entendendo-se como tal o ‘tempo de reação’ do sistema frente a ‘perturbações externas‘. – Quando um sistema realimentado é ativado, na realidade, se deve a um ‘sinal de erro’…ou seja, uma diferença entre a saída registrada em um momento dado, e a fixada como objetivo. Isso exige que o sistema atue por impulsos…e não de modo contínuo…oscilando de um lado para outro, em relação à posição de equilíbrio. Quanto mais rápida a reação do sistema, mais difícil será mantê-lo dentro de suas margens de estabilidade.

Na prática, verifica-se uma preferência pelos “sistemas estáveis”, cujo controle possa ser totalmente efetivado – com comportamento… para      todos efeitos, previsível. Isso limita em estreitas margens a rapidez de funcionamento, e a possibilidade aplicativa dos ‘sistemas de correção’.

Em grandes sistemas, costuma-se manipular um grande número de variáveis de entrada e saída, relacionadas entre si de uma forma complexa. Por consequência… tais sistemas não podem ser abordados diretamente – sendo decompostos em modelos mais simples – cujo comportamento seja equivalente ao do ‘sistema original’…O estudo assim enfocado é feito por simulação, ou observação da resposta do modelo nas várias condições a que o sistema se submete sucessivamente… As conclusões então obtidas são utilizadas para projetar um “controlador“… que servirá de base ao modelo definitivo de automatização do processo.

Processos cibernéticos                                                                                                                O computador só terá comportamento cibernético, quando estiver processando uma informação que lhe exija certo grau de adaptação…para manter um ou mais efeitos constantes quando variarem as causas.

De modo geral… os procedimentos mecânicos (‘não eletrônicos’) carecem das características adequadas para reagir com rapidez e precisão de uma maneira controlada e previsível… Um procedimento cibernético entretanto, é capaz de exercer funções dessa natureza. O modelo, variáveis e funções que o configuram … são o suporte lógico de controle, ou “software. O controlador, os sensores…e todo conjunto de dispositivos físicos — geralmente eletrônicos, são o suporte físico do sistema, “hardware.

O tratamento matemático realizado pode ser analógico, isto é, contínuo no espaço e no tempo, e digital ou discreto, tanto no espaço, como no tempo. Os ‘processos analógicos’ permitem realizar uma grande variedade de ‘operações matemáticas’…mas o custo dos circuitos e seu consumo aumentam consideravelmente…ao modelo exigir quantidades maiores de tratamentos. Nesse caso impõe-se o emprego de um ‘procedimento digital’,    via computador.

Considera-se, de modo geral, que a evolução da astronáutica, e a consequente corrida espacial, constituíram o fator que desencadeou o desenvolvimento da cibernética. No entanto, são inúmeras as aplicações industriais de suas teorias, todas dirigidas a uma automatização dos processos de produção, com a principal missão de comprovar que efetivamente, tudo funcione segundo o previsto.

Podem-se considerar como manifestações avançadas da cibernética…a “robótica (criação de máquinas que substituem atividades físicas humanas) e, em especial, a “inteligência artificial“, cuja finalidade consiste…em dar capacidade de decisão            às máquinas. Embora não se possa conferir à elas…”juízo crítico“… seu poder de        decisão, programado para resolver situações previamente definidas…é, em muitas ocasiões, superior ao humano. Todavia, a capacidade de adaptação, e resolução de problemas completamente novos, incluída aí a de concebê-los… são dons naturais,      situados fora dos princípios cibernéticos.

O Modelo Neuronal

O início das ciências cognitivas se deu no período 1945-55, nos EUA, quando do incremento de extensas discussões sobre o funcionamento do ‘cérebro’, a partir da ideia de ‘redes neurais‘ de processamento e retroalimentação de informações, dando origem ao termo cibernética… proposto por Norbert Wiener, em 1948.

Von Neumann, Norbert Wiener, e Warren McCulloch…pais da cibernética…trabalhavam, cada um em sua universidade e com sua equipe, na articulação da matemática e da lógica no funcionamento do sistema nervoso. McCulloch desenvolveu para o funcionamento do cérebro um modelo teórico, Wiener sintetizou os conhecimentos…e Neumann aplicou-os na construção do computador.

Enquanto para Neumann, o desafio era criar uma máquina capaz de realizar operações a partir de um programa armazenado nela mesma (a ideia básica do ‘computador digital’), para McCulloch o desafio era formular uma explicação do funcionamento dos neurônios baseada numa lógica matemática. Ambos se valeram da “Teoria da Informação“, criada por Claude Shannon em 1938, na qual a informação é proposta como um ‘dígito binário’ [origem do termo bit (binary digit), unidade básica da informação], capaz de selecionar uma mensagem entre duas alternativas.

Com esta ideia, McCulloch e Walters Pitts formulararam seu modelo lógico-neuronal, em 1943, no qual surge a primeira visão de que o cérebro funcionava com base no sistema de informação binária (0 ou 1)…onde a sinapse só tem 2 possibilidades – conectada, ou não.

É a ideia do tudo ou nada (“all-or-none”).  E assim… esta característica da atividade cerebral, poderia ser então tratada – por uma lógica proposicional matematizável. Isto abriu a perspectiva de se imaginar o cérebro, como uma “rede de conexão” entre as células, fechada em si mesma, e não de uma forma ‘comportamentalista’, analisada em função … só de “estímulos externos” … como anteriormente, assim fazia o ‘paradigma behaviorista‘ vigente.

Wiener, por fim, sistematizou todo este conhecimento, juntando a ele… o popular conceito de feedback (“retroalimentação“), oriundo da teoria da homeostasecriada por Walter Cannon em seu livro “Cybernetics”, de 1948.

“Eco-cibernética”

A era cibernética deixou um legado de conceitos, e um consequente domínio linguístico às “ciências cognitivas”…em especial, à visão ecológica de mundo…que também se formava à época – tão imprescindível… que sua ausência faria se sentir dentro do entendimento que temos hoje destes fenômenos. A teoria Gaia, por exemplo, formulada por James Lovelock e Lynn Margulis… está totalmente baseada na ideia cibernética dos “auto-reguladores” sistemas homeostáticos…sem a qual seria impossível pensar a Terra como um organismo que se auto-organiza a partir de suas próprias relações internas.

Outro exemplo fundamental ao modelo ecológico foi o conceito proposto por Wiener de “neguentropia“, uma entropia negativa que sistemas cibernéticos teriam a disposição para explicar o aumento de ordem dentro de um fluxo termodinâmico em que continua valendo a segunda lei entrópica…que explica a perda inexorável de ordem dos sistemas.

A neguentropia, juntamente com a homeostase são as 2 ‘ideias-chaves’    que hoje explicam a emergência, e a sustentabilidade dos ecossistemas.

Gregory Bateson… que em 1984 recebeu postumamente o prêmio “Norbert Wiener” da Academia Americana de Cibernética por sua contribuição ao desenvolvimento daquela ciência, também foi seu principal crítico… – notadamente quanto à tendência belicista, implícita na constante tentativa de reprodução das ‘qualidades mentais’, em máquinas controláveis pelo homem — pela adaptação de uma emergente “inteligência artificial“.

Mas Bateson foi além; usando o âmago da cibernética para criar seu modelo ecológico, ao mesmo tempo em que construía a principal crítica ao pensamento ciberneticista… ou seja, utilizou a teoria da informação para dizer que um “sistema vivo” não se sustenta só com a energia que recebe de fora…mas, fundamentalmente da organização da informação que o sistema é capaz de processar.

sistema autorganizadoE ainda, que esta informação, mesmo aquela considerada não explicada, que a cibernética, tentando eliminar, tratava como ruído, pode ser geradora de ordem e sustentabilidade…É a ideia de ordem a partir do ruído… – a ideia de sistemas autorganizadores, identificados como o 2º momento das ‘ciências cognitivas’. Bateson pôde manter seu “foco de pesquisa” preocupado com a vida…e suas implicações, dentro de um momento histórico, no qual o objetivo era inventar uma “máquina”… que agisse livremente… — “conscientemente“…

Os “Sistemas Auto-Organizados”

O segundo movimento na formação das ciências cognitivas inicia-se com os trabalhos de Bateson, e Heinz von Forster, ainda na primeira década da era cibernética (45-55). Estes    2 pesquisadores aplicaram todos conceitos modernos da cibernética a “sistemas abertos”, criando uma cibernética de 2ª ordem… – cujos sistemas evoluem com o próprio trabalho, não podendo portanto serem dissociados do observador. Seu rumo diferenciava-se assim, de seu núcleo original, que continuava perseguindo os objetivos da Inteligência Artificial.

A ideia de sistemas auto-organizados surge a partir dos resultados inesperados (como é comum acontecer nas descobertas científicas) das simulações dos modelos cibernéticos    de “all-or-none“…Observou-se que, mesmo com um mecanismo determinista, como as “redes binárias” … depois de um certo tempo… as simulações apresentavam um padrão novo de desenho, uma nova organização no circuito de alternativas, isto é, algo de auto-organização estava acontecendo com o sistema. Foi esta ideia de ordem emergente que físicos, biólogos e matemáticos começaram a aplicar dentro de seus ‘campos de estudo’.

William Ross Ashby foi um dos primeiros a dizer que o cérebro era um sistema auto-organizador, em 1947. Forster trabalhou durante as duas décadas seguintes com este    foco, cunhando o conceito de “redundância“…e a famosa frase…“ordem a partir do ruído, ordem a partir da desordem”, para indicar o processo de captura de desordem      que os sistemas vivos realizam… transformando esta entropia externa em aumento e manutenção da organização interna.

As pesquisas com os modelos simuladores de sistemas auto-organizados permitiram verificar 3 características distintas da 1ª cibernética…a ‘componente neguentrópica’,  que explica o aumento de ordem… a criatividade dos sistemas abertos… e a condição      de estarem fora da zona de equilíbrio; a presença de redes de retroalimentação para conectar o sistema — que, necessariamente, exigem um tratamento matemático com equações não-lineares…Deste 2º segmento cibernético, 2 modelos teóricos emergem:  neguentrópico e o caótico.

O Modelo Neguentrópico

O “modelo neguentrópico” é dado pela ideia de que sistemas vivos são abertos, com o poder de se “auto-organizarem”, garantindo assim, sua permanência no ambiente em que vivem. Tal ambiente, considerado em sua máxima extensão, é isolado e fechado… estando sujeito à 2ª lei da termodinâmica (da entropia), que nos explica a irreversível perda de ordem de ‘sistemas fechados‘…pela assim chamada… – “morte térmica“.

A entropia que mede a perda de organização em um sistema – por              ser inexorável, tem um sinal positivo…seguindo a flecha do tempo.

A neguentropia age no sentido inverso da flecha do tempo, tendo, portanto, sinal negativo, e assim podendo ser chamada de “entropia negativa”. A grande vantagem da neguentropia é poder explicar como surgem e se mantêm os sistemas auto-organizados, num cenário de perda irreversível de organização… – sendo, inclusive…utilizada como uma das principais medidas da auto-organização de um sistema.

Diversos autores vêm disseminando este modelo, entre os quais se destaca Ilya Prigogine, pesquisador pioneiro com seu trabalho de 1945 sobre “estruturas dissipativas“…e sua conclusão de que elas podem ser geradoras de ordem. Já pelo lado das ‘ciências sociais’ o pensador Edgar Morin realizou a mais ampla e radical aplicação deste conceito — em sua síntese civilizatória ‘O Método‘…conjunto de 4 volumes, com o 1º dedicado à organização da natureza… – o 2º…à vida – o 3º…ao conhecimento – e, o 4º…à organização das ideias.

Morin trabalha a ideia de ‘neguentropia‘…tanto para explicar a ‘auto-organização‘ da natureza, como para o próprio surgimento e morte das ideias. O conceito de neguentropia – enquanto força emergente e organizadora do ambiente, assumirá um papel de destaque neste trabalho, seja por seu poder de explicação das dinâmicas dos ecossistemas, seja por seu “papel pedagógico”… – ao tornar possível… uma reversão da “degradação ambiental”.

O “modelo caótico

O “modelo caótico” é dado pela ideia extremamente simples de que sistemas auto-organizadores são muito sensíveis    à mudança em suas ‘condições iniciais’. Caos, nesse caso, representa a evolução destes sistemas. – A grande surpresa é …’simulações matemáticas’ mostrarem    que todo ‘fenômeno caótico possui um padrão indefinidamente reproduzido a todamudança de fasedo sistema.

Este padrão é o atrator do sistema. Estes atratores, uma vez plotados, mostraram figuras geométricas muito estranhas – até então nunca vistas… com uma beleza de simetria impressionante… – Daí, receberem o nome de… “estranhos atratores“.

O “modelo caótico” é hoje o mais difundido entre as ciências cognitivas… Noções como “não-linearidade”, explicam fenômenos cuja reprodução não acontecem em uma escala linear e aritmética…”complexidade”, explicam fenômenos que têm sensibilidade a tudo que lhes diga respeito, ou seja…a complexidade é a ciência das emergências relacionais.    E “fractabilidade”… explica a geometria de sistemas com dimensionalidade fracionária,    ou seja, múltiplos de uma fração (daí o termo ‘fractal‘)… revelam uma nova realidade.

Os fractais são a geometria dos atratores e possuem a propriedade da auto-similaridade: estar presente em toda ampliação de parte de um sistema caótico…O que une os modelos neguentrópico e caótico é o ‘princípio ecológico das propriedades emergentes. A emergência é uma propriedade da natureza que nos diz que determinado estado ou nível de organização gera uma qualidade única, não presente em estados, ou níveis anteriores, ou posteriores de organização dos mesmos componentes.

O modelo caótico, entretanto, diferencia-se do neguentrópico, ao afirmar que é possível identificar, em qualquer emergência, padrões geométricos com comportamentos extremamente simples, os atratores, através dos quais é possível conhecer as dinâmicas próprias dos sistemas complexos.

A Presença da Autopoiesis

Por fim a 3ª característica das ciências cognitivas… vem a partir dos trabalhos de H. Maturana, e F. Varela – biólogos chilenos que propuseram, entre 1970 e 1973…uma “biologia da cognição“, e o paradigma da ‘autopoiesis‘, como uma solução necessária e suficiente…para o entendimento dos… – “sistemas vivos”.

Maturana foi aluno de McCulloch…e Varela foi aluno de Maturana…tendo trabalhado com Gregory Bateson…E, ambos foram amigos e colegas de Heins von Forster, sendo portanto, herdeiros diretos dos pais da 1ª e 2ª geração cibernética. Maturana define autopoiesis como uma rede molecular de produção de componentes, fechada em si mesma…de onde os componentes produzidos servem apenas para constituir a dinâmica da própria rede…determinando sua extensão no espaço físico em que materializa sua individualidade, e gerando um ‘fluxo energia/matéria’ alimentador da própria rede. Dessa forma, a ‘autopoiesis‘ descreve a capacidade de auto-organização, autodeterminação e autocriação dos sistemas vivos.

O modelo autopoiético está assentado em algumas “categorias epistêmicas”…1º) a ideia de determinismo estrutural, pela qual sistemas vivos são determinados ‘estruturalmente’ e sua história é a história das mudanças desta estrutura… conservando sua organização de sistema vivo… 2º) a ideia de “clausura operacional“… que trata de explicar os sistemas vivos como sistemas fechados operacionalmente – onde sua autonomia de processamento interno define um espaço próprio de realização. E, finalmente…a ideia de “acoplamento estrutural“, explicando mudanças estruturais de um sistema em função de perturbações vindas do meio em que vive.

No modelo autopoietico os sistemas são concebidos circulares, retroalimentadores e auto-referenciais… Esta última qualidade de monitorar-se a si próprio é dada por uma capacidade inata de aprendizagem, dentro do processo de relações entre os componentes de uma ‘rede molecular’. Esta capacidade de apreender e determinar comportamentos é a cognição. Daí a afirmação de que ‘sistemas vivos são cognitivos. — Varela destaca, que as 2 redes biológicas de maior evidência nos sistemas vivos, isto é, o ‘sistema nervoso’,  e o imunológico são “sistemas cognitivos”, e só isso explica seu funcionamento autônomo.

O modelo cognitivo autopoiético diferencia-se das outras abordagens, ao propor que todo conhecimento faz parte de uma conduta descritiva — criando assim seu próprio campo epistêmico… – um domínio de condutas cognitivas resulta das interações nas quais o sistema vivo participa sem perder sua identidade… sua própria organização, única variável que permanece constante numa experiência autopoiética. (texto base*****************************(texto complementar)******************************

sistemas neuronaisQuem tem medo de Stafford Beer?

Stafford Beer, preocupado com problemas extra-orbitais (…”organizações sociais”) se decidiu a redefinir a jovem “cibernética“, como a ciência da organização efetiva. Stafford ressaltava que há leis de sistemas complexos que são “invariantes” … não só    a transformações em sua forma… — como também de conteúdo…Ampliava-se assim,  a abrangência da cibernética, incitando a expansão de seu escopo; de sistemas mecânicos    e neurofisiológicos… aos sistemas sociais e econômicos. Para Beer, contudo, essa enorme abrangência não significa que todos sistemas são iguais – ou… de certo modo “análogos”.

O que ele afirma é a existência de leis fundamentais, que desobedecidas, levariam qualquer sistema complexo à instabilidade… e ao crescimento explosivo… – incluindo aí… a incapacidade de se adaptar… – e ‘evoluir’.

Poderia, a cibernética ajudar no estudo e forma das estruturas organizacionais?… Traz ela argumentos a favor… ou contra a centralização das instituições sociais?… Traz respostas à questão da liberdade individual versus planejamento?…Receitas para curar o mal crônico da burocracia?… – A resposta de Staffod Beer é…SIM!… E o critério que ele resgata…dos ensinamentos de Wiener é o de “viabilidade“… — Mas, em que consiste esse critério?…

Beer argumenta que… um sistema viável não oscila a ponto de levar suas dimensões vitais a posições extremas…sistemas complexos preferem “estados de equilíbrio“…provando uma tendência que a cibernética denominou “homeostase(propriedade de um sistema de absorver a capacidade que tem cada um de seus diferentes componentes em perturbar  o conjunto). Esse é o motivo por que organismos não toleram a temperatura do corpo, ou pressão sanguínea…acima ou abaixo de certos limites.

Nesse caso, a estabilidade que interessa ao sistema não é a da rigidez, mas a do equilíbrio dinâmico – em interação adaptativa ao meio que o circunda… respondendo às mudanças ambientais. Essa tendência é denominada “adaptação“… E Stafford Beer ressalta… que, um “mecanismo homeostático”, voltado para garantir esse equilíbrio, move seu ponto de equilíbrio, em resposta às perturbações do ambiente… Essa trajetória cumpre-se em um certo período de tempo, chamado “período de relaxamento do sistema”…Sendo que, nas situações em que o intervalo médio entre os ‘estímulos perturbadores’ for menor que tal período, o sistema ingressa em ‘regimes oscilatórios‘, que podem resultar explosivos.

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“Teoria da Comunicação Humana” (Paul Watzlawick)

“Sem comunicação, não poderia ter evolução…Pois não há jaula mais destrutiva, do que nossos pensamentos, construindo muros ao redor.”

comunicandoPela “teoria da comunicação humana”… do psicólogo austríaco Paul Watzlawick, a “comunicação” desempenha um papel fundamental em nossas vidas – embora não estejamos inteiramente conscientes disso. – Mesmo sem perceber… desde o início da nossa existência, participamos do processo de aquisição de suas regras, inseridas em nossosrelacionamentos“.

Paul Watzlawick foi um psicólogo austríaco … reconhecido internacionalmente pelo seu livro “A arte de amargar a vida” publicado em 1983. – Ele fez doutorado em filosofia, se formou em psicoterapia no Instituto Carl Jung, e lecionou na Universidade de Stanford.  Juntamente com Janet Bavelas da UVIC /Canadá, e Don Jackson, do “MRI“…Palo Alto, EUA, desenvolveu a “teoria da comunicação humana“; pedra angular da “terapia familiar“. Nela, a comunicação não é explicada como um processo interno, individual, mas como resultado de uma troca de informações… originada em um “relacionamento”.

Por essa perspectiva, o importante não é tanto a maneira como nos comunicamos, e se isto é consciente ou não…mas sim… – a forma de nos influenciarmos uns aos outros… – ao nos comunicamos no aqui e agora… Vejamos quais os princípios fundamentais em que a teoria da comunicação humana se baseia … e quais são as lições que podemos aprender com eles.

Os 5 axiomas da “teoria da comunicação humana”

menina-lua1) É impossível não se comunicar

A comunicação é inerente à vida. Com este princípio, Paul Waztlawick afirma que todo comportamento é uma forma de comunicação, em si mesmo … tanto de forma implícita  –  quanto explícita. Mesmo “ficar em silêncio” … traz uma informação ou mensagem – e por isso, “é impossível não se comunicar”.

Mesmo quando não fazemos nada, verbalmente ou não, estamos transmitindo algo. Talvez não estejamos interessados ​​no que nos dizem…ou simplesmente preferimos não comentar. Todo o comportamento é uma forma de comunicação… – Assim, não existindo uma forma contrária ao comportamento (“anti-comportamento”), também não há ‘não-comunicação’.

2) A comunicação tem aspectos de conteúdo, e de relação (“metacomunicação”)

Isto significa que em todas as comunicações…não só o significado da mensagem em si é importante (nível de conteúdo), mas também é importante como a pessoa que fala quer ser entendida … e como pretende agir para que os outros a entendam (nível de relação).  Portanto, toda a comunicação tem, além do significado das palavras, mais informações. Tais informações são a maneira como o comunicador dá a entender…sua relação com o receptor da informação. Assim, há mais informações na mensagem…além das palavras.

Quando nos relacionamos, obrigatoriamente, transmitimos informações, mas a qualidade do nosso relacionamento pode dar um significado diferente a essa informação. – Assim, o aspecto do conteúdo corresponde ao que transmitimos verbalmente, enquanto o aspecto de relação se refere à forma como comunicamos essa mensagem (tom de voz, “expressão facial”, contexto…). Conforme isso… a mensagem será recebida de uma forma ou de outra.

3) A pontuação dá significado… (de acordo com a pessoa)

O terceiro axioma foi explicado por Paul Watzlawick, como… “A natureza de uma relação depende da intensidade das sequências comunicacionais entre as pessoas”. Com isso, ele quis dizer que cada um de nós sempre está construindo uma versão própria… daquilo que observa, e experimenta – e… dessa forma, define o relacionamento com as outras pessoas.  Este princípio é fundamental quando se trata de “relacionamentos” – e…devemos manter isso em mente sempre que interagimos com alguém… Toda a informação que nos chega é filtrada com base em nossas experiências…características pessoais e aprendizado – o que faz com que um mesmo conceito…como amor, ou amizade…tenha significados diferentes.

A natureza de uma relação é dependente da pontuação das sequências comunicacionais entre os comunicantes. Tanto o emissor, quanto o receptor da comunicação estruturam essa relação de modo diferente…interpretando o seu próprio comportamento durante a comunicação, em função da reação do outro. Dessa forma…um aspecto fundamental da comunicação é que cada interlocutor acredita que o comportamento do outro é a causa    do seu próprio comportamento… – quando, na verdade…a comunicação é um processo muito mais complexo… – que não pode ser reduzido à simples relação de causa e efeito.

A comunicação é um “processo cíclico” … no qual cada parte                                              contribui de forma singular para a moderação do intercâmbio.

cerebro4) Os seres humanos se comunicam          de duas formasdigitale analógica

Modo digital“…se refere ao que é dito por meio das palavras (veículo da comunicação).

Modo analógico‘ — A arte de “amargar a vida“…inclui a comunicação não-verbal, ou seja, a forma como nos expressamos… para além das palavras (veículo da relação), e do que é dito (comunicação digital) – a forma como é dito (‘linguagem corporal’…uso dos silêncios… — emprego das onomatopeias.

5) Comunicação simétrica e complementar   

As permutas comunicacionais são ‘simétricas’ ou ‘complementares’. – Com este axioma, dá-se importância à maneira como nos relacionamos com os outros…algumas vezes sob condições de igualdade – enquanto outras, a partir das circunstâncias de diferenças.    “Relações simétricas” seriam aquelas nas quais os grupos, ou indivíduos, compartilham anseios, aspirações, expectativas e modelos comuns…e, por este motivo, colocam-se em posições antagônicas…buscando relação semelhantes. Já “relações complementares” se constituiriam quando as aspirações de grupos ou indivíduos fossem fundamentalmente diferentes, e portanto, a submissão de uns constituisse resposta à dominação de outros.

Quando temos um relacionamento simétrico, avançamos no mesmo plano, isto é, temos condições de igualdade…e um poder equivalente na troca, mas não nos complementamos. Se o relacionamento é complementar, como por exemplo, nas relações entre pai e filho, professor e aluno… – ou vendedor e comprador… – apesar de estarmos em…”condições desiguais… – ao aceitarmos as “diferenças“…possibilitamos a conclusão da interação.

Tanto as relações simétricas, quanto as complementares, precisam ser trabalhadas socialmente para evitar a cismogênese (processo de diferenciação nas normas de comportamento individual…resultante das interações cumulativas dos indivíduos).

Considerando esses princípios, chegamos à conclusão de que, em todas as situações comunicativas, precisamos prestar atenção ao relacionamento em si mesmo, isto é,        no modo de interagir entre as pessoas que se comunicam… – e não tanto…no papel individual de cada uma delas. A comunicação, portanto, é um processo muito mais complexo do que podemos imaginar… — com uma série de ‘aspectos implícitos’ que ‘cismam’ em surgir no ‘dia a dia’ de nossos relacionamentos. (texto base) (consulta) *******************************************************************************

linguagensLinguagens (“digital“…e analógica“)

Para nos comunicarmos…utilizamos dois modos  de linguagem, digital e analógica. – A linguagem digital traduz a analógica. A prática cultural, por exemplo, possui fundamentação digital, criando sentido, a partir de interações entre seus dígitos.    Já as ‘leis naturais’ são analógicas – isto é…seus próprios elementos são significantes, e com isso suas relações e interações produzem significado.    A linguagem digital possui como características,      a precisão racional…a possibilidade da negação,      e o poder de abstração… A linguagem analógica, por sua vez, é imprecisa…e, ‘não contraditória‘.

Linguagem digital… – A palavra digital vem do latim “digitum”, que significa dedo. Os dígitos são os elementos da linguagem, que quando devidamente combinados, produzem determinado sentido, criando informação… Como exemplo, através das letras se formam as palavras, que escritas e/ou faladas, passam então a ter ‘sentido. Outros exemplos, são    o DNA, os neurônios, computadores clássicos, etc. Essa comunicação mediante palavras, dígitos e símbolos, carecendo de semântica… é  caracterizada pela sintaxe… – E apenas a ‘espécie humana’… – até aqui… demonstrou “sinais evidentes” de sua (ampla) utilização.

Linguagem analógica… – A palavra analógica vem do latim “analogon”, que significa semelhante. É a forma cientifica da própria totalidade do objeto…tendo como exemplos, imagens, cheiros, gestos, emoções, intuições, sentimentos, e sensibilidades…Portanto, é quando a palavra “coisa”…é a informação… – que você está sentindo…que está em você.

É a comunicação não-verbal, caracterizada pela ‘semântica’, que se expressa através dos gestos, postura, expressões faciais… ritmo – sendo representada também no teatro, e na dança, pelo ‘gesto corporal’. É pelo modo analógico, que se aborda o campo das relações humanas na comunicação… E, pelo modo analógico…também, nos é possível comunicar com os animais!…suas vocalizações e repetidos movimentos característicos…constituem comunicações analógicas… pelas quais definem a natureza de suas relações. (texto base)

A relação das linguagem digital e analógica com a ‘evolução comportamental’communicationEssencial para a vida em sociedade… – assim pode ser conceituada a comunicação. Todos nós, seres humanos, sabemos que, sem ela…não podemos nos relacionar como indivíduos de um grupo social. Através dela é possível que um ser humano conheça a si próprio e aos outros, interagindo e expondo suas ideias, sentimentos, opiniões. Uma boa ‘comunicação’ é indispensável, por ser fundamental que a mensagem emitida seja entendida por quem a recebe. E, por estar vinculada à capacidade de compreensão do indivíduo, a comunicação não pode ser distorcida…o receptor deve receber a mensagem de maneira clara e objetiva.

Existem 2 formas de comunicaçãoanalógica e digital. Considerado referência no tema, Paul Watzkawick conceitua essas 2 vertentes… – afirmando que na ‘comunicação humana’, podemos nos referir aos objetos, de 2 maneiras totalmente diferentes. Podem    ser representados por uma ‘semelhança…como em um desenho (analógica), ou ser referidos por um “nome”… – escrito, ou falado… – isto é… – pela palavra… (“digital“).

A ‘comunicação analógica‘ é toda aquela ‘não verbal’…que envolve gestos, postura, expressão facial, inflexão de voz, sequência, ritmo, cadência das palavras, ou qualquer outra manifestação sensível… – A “linguagem analógica” é responsável pelas relações, transmitindo sobretudo, emoções e afetos – pelos quais os sentimentos se expressam. Estando agregada aos sentidos humanos … especula-se uma relação profunda com os “períodos arcaicos” da evolução, e por causa disso, possuindo relevância ainda maior.

Antes de aprender a falar… – o homem compartilha seu estado psíquico, e emocional; e assim, pode referir-se mais facilmente àquilo que representa.

Já ‘linguagem digital‘…é a comunicação mediante palavras; que podem ser escritas ou faladas… – sendo portanto…segmentar, divisível em fonemas… verbal e linguística, com uma complexa ‘sintaxe lógica’, porém carecendo da semântica própria ao campo das relações… Sua existência é obrigatória  ao ‘progresso da civilização’…pois sem ela, seria impensável a realização da maioria… senão todas atividades humanas – que, ao partilhar ‘informações’ – fazem transmitir o “conhecimento real” entre os indivíduos.

Assim como nas palavras e no DNA, as informações transmitidas pelos neurônios no corpo humano são digitais… – seus impulsos são responsáveis por excitar…ou inibir as respostas sinápticas, em forma de “tudo ou nada” … como transmissão de informação digital binária. Todavia, o sistema humoral é considerado analógico, pois é responsável por liberar ou não substancias (“anticorpos”) em quantidades inconstantes … em função de inúmeros fatores.

Considerando que toda comunicação tem um conteúdo (‘forma digital’)        e uma relação (‘natureza analógica’), podemos supor, para possibilitar  uma eficiente comunicação que estes 2 aspectos da linguagem – não só existam, permanentemente lado a lado…atuando de forma combinada,  como complementam-se em todas mensagens, traduzidos um no outro. 

O material da mensagem digital é de um grau muito mais elevado de complexidade, versatilidade e abstração do que o analógico. Com uma “sintaxe lógica”, complexa e poderosa, a linguagem digital portanto, é eminentemente adequada à comunicação,            a nível de conteúdo, mas carente de adequada ‘semântica’ no campo das relações. A linguagem analógica, por sua vez…possui esta semântica… – mas não…uma sintaxe adequada para uma definição não ambígua das relações. – No ‘corpo humano’…por exemplo, a informação transmitida pelos neurônios é digital… – já que os impulsos excitam ou inibem as respostas sinápticas, mas em forma de tudo ou nada. Por sua        vez, o sistema ‘humoral‘ é analógico, liberando ou não substâncias em quantidades variáveis, dependendo de fatores específicos…Mas, tanto o sistema analógico como              o sistema digital humano, coabitam e atuam de modo complementar e contingente.           

Na cerne da comunicação existe um aspecto digital e outro analógico. O aspecto digital da comunicação é o que dizemos…as palavras, os dígitos e ‘significados’. O aspecto analógico da comunicação é a qualidade, a forma com que dizemos. A “comunicação humana”, com efeito, aprimorando algo indispensável para a vida em sociedade…procura acompanhar a evolução da espécie. – Este avanço…no entanto, adquiriu proporções inimagináveis. Para então, facilitar as relações, e encurtar distâncias… novas ferramentas foram criadas. Uma das mais notáveis e de grande utilidade é a ‘internet‘, possibilitando que o mundo como um todo conectado… – interaja em curtos espaços de tempo. (texto base) (complemento) ******************************(texto complementar)******************************** 

FUNÇÕES EXECUTIVASA “INTUIÇÃOcomo método filosófico 

1. Premonição: Embora, inicialmente, esteja associada ao “sobrenatural“… a psicologia vê a premonição como o “pressentimento“…de que alguma coisa boa ou ruim está para acontecer.  Tal sensação é bem mais associada à ‘emoção’,    do que à ‘razão’, e diretamente à ‘intuição‘. Ao avaliar seus pressentimentos, o sujeito achará algum aspecto dessa ‘sensação‘ – em sua vida.

2. Intuição: Compreensão global e instantânea de uma verdade, de um objeto, de um fato. Nela… de uma só vez, a razão capta todas relações que constituem a realidade, e a verdade da coisa intuída… – É um ato intelectual de discernimento e compreensão. Os psicólogos se referem à intuição, usando o termo insight ao descreverem o momento    em que temos a compreensão total, direta e imediata de alguma coisa…ou percebemos, num relance, um caminho para a solução de um problema científico, filosófico ou vital.

Todas pessoas são intuitivas, mas a maioria prefere racionalizar pensamentos e sentimentos… – tomando decisões … com base no julgamento do certo, ou errado — desprezando seus sentimentos.

3. Método intuitivo e método discursivo

Descartes foi o primeiro filósofo moderno, que se utilizou da ‘intuição primária’, para reconstruir todo sistema filosófico, fazendo desse método, o principal de sua filosofia. Outros filósofos – posteriores a Descartes…também fizeram amplo uso da intuição, e ainda hoje vale ressaltar que a intuição é largamente utilizada nos estudos filosóficos.

A intuição consiste num único ‘ato do espírito’, da onde se obtém um conhecimento imediato, que vai diretamente ao objeto (“método direto”)… – Por outro lado… há o “método discursivo”…que atinge o conhecimento – através da formulação de várias      teses a serem aprimoradas…até atingirem a realidade completa do objeto… isto é, o conceito. Trata-se de um “método indireto”, para atingir “conhecimento mediato”.

eureka

4. A intuição sensível

Existem vários tipos de intuição, e um deles, a ‘intuição sensível‘…é o exemplo mais típico de intuição porque a praticamos a cada momento que percebemos e captamos os objetos. É pois, uma intuição imediata – o que significa… uma relação direta…entre sujeito e objeto. Todavia,  essa ‘modalidade de intuição’ não costuma ser empregada pelo ‘filósofo’ – em sua procura do conhecimento por 2 motivos fundamentais, a saber: só podemos aplicar a intuição sensível a objetos (sensíveis) que possam ser captados pelos sentidos. – Além disso, por seu caráter individual, não permite que se atinja a ‘universalidade‘ dos objetos…’objetivo da filosofia‘.

5. A intuição espiritual                                                                                                          Por referir-se à forma, e não ao seu conteúdo das coisas…a ‘intuição                                    do espírito’ tem sempre como objeto uma relação de ‘caráter formal’. 

Outra modalidade de intuição é a “intuição espiritual”, que ao contrario do conhecimento discursivo, e assim como o princípio da contradição, não necessita de demonstração, pois se trata de uma visão direta do espírito. Um exemplo é a diferenciação que fazemos entre um objeto e outro – decorrente de um objeto da ‘intuição’ … e não de um ‘objeto sensível’.

Assim como a ‘intuição sensível’…a ‘intuição espiritual’ não é suficiente à construção de uma doutrina filosófica…isto porque, não há como se penetrar na essência da realidade das coisas, só por meio de ‘formalismos‘. Por esse motivo, há ainda outra modalidade  de intuição que é a intuição real; saindo do “espírito”…ao encontro da objetividade.

6. A “intuição real”intelectual, emotiva e volitiva

A intuição real pode dividir-se em 3 categorias. Numa intuição intelectual, a qual terá no objeto… seu exato correlato, predominam as faculdades intelectuais do filósofo. Essa intuição consiste em captar a essência de um objeto…seu “éidos“, por meio de um    ato direto do espírito… Quando predominarem motivos de caráter emocional, teremos a intuição emotiva, também com correlato no objeto, mas tendo seu próprio “valor”.  Uma 3ª espécie é a intuição volitiva, em que nessa, os motivos derivam da ‘vontade‘.  Manifesta-se mediante a realidade material do objeto, e a existência arbitrária do ‘ser‘.

Como representantes, a intuição intelectual (pura) é encontrada na Antiguidade… em Platão – e na época moderna em Descartes… – e nos idealistas alemães. A ‘intuição emotiva‘… – por sua vez…é encontrada na Antiguidade em Plotino, e depois em Santo Agostinho;  já entre os pensadores modernos, há Spinoza com sua ‘intuição mística‘; e Hume, para quem a existência de um mundo exterior, não passa de uma crençaum ato de… Por fim, a ‘intuição volitiva‘ é representada por Fichte, a quem a existência do ‘eu‘ representa um ato da vontade, pois a realização da vida… ao superar obstáculos… – é a base de todo “sistema filosófico“.

Na “filosofia contemporânea“, há um leque variado de modalidades em que a intuição se apresenta, onde cada filósofo utiliza um sistema, no qual aplica cada um dos 3 métodos de intuição no estudo do ser… — Classificaremos a seguir … suas três principais correntes:

a) A intuição de Bergson                                                                                      “Desordem e Nada…designam uma presença, a presença de uma coisa, ou de                uma ordem, que, de imediato…não nos interessa.” (‘Introdução à Metafísica’) 

Acredita Bergson que o método intuitivo é o único que se deva empregar no estudo filosófico. Isto porque, contrapõe a “atividade intelectual”… que consiste em tornar as coisas estáticasestudando assimsomente oaspecto superficial da realidade‘…à “atividade intuitiva”…que busca por meio de “metáforas“; opondo-se à atividade do intelecto, conhecer e explicar uma realidade em movimento… – que…”flui no tempo”.

“Muito antes da existência de uma filosofia (ou ciência)…a função da inteligência já era a    de fabricar instrumentos…e orientar a ação de nossos corpos, sobre corpos circundantes.    A ciência levou esse trabalho da inteligência para bem mais longe… mas, não mudou sua direção…tornar-nos senhores da matéria, pois matéria e inteligência modelaram-se uma    a outra. Nossa inteligência é a continuação de nossos sentidos. É impossível supormos o seu mecanismo…assim como o progresso da ciência, sem chegarmos à conclusão de que entre inteligência e matéria, há efetivamente…simetria, concordância, correspondência”. 

‘Toda análise é tradução, desenvolvimento em símbolos e representação      do objeto que estudamos, em relação a outros, que supomos já conhecer. Numa ciência que desenha a “configuração exata” da matéria … nossa inteligência reencontra assim, necessariamente…sua própria imagem.”  (trechos do livro…O Pensamento e o Movente…de Henri Bergson)   

b) A intuição (volitiva) de Dilthey

Para Dilthey a intuição a ser utilizada nos estudos filosóficos deve ser a volitiva… e, assim como Bergson, acredita que os métodos que se utilizam apenas do intelecto são suficientes para o estudo da filosofia. A existência das coisas – para ele…consiste em percebermo-nos como agentes que possuem vontades, e portanto…esbarram em dificuldades. Ao lutarmos contra essas dificuldades… as transformamos em “existências” (“filosofia existencial“).

c) A intuição (intelectual) de Husserl

Husserl aplica a intuição fenomenológica ao estudo filosófico… – a relacionando ao pensamento platônico…e também cartesiano… – a partir de ‘representações singulares’. Eliminando de nossa contemplação suas particularidades, chega à “essência” do objeto.

Ao tratarmos das construções intelectuais que não se preocupam com a origem… ou essência do objeto – como as ciências matemáticas, físicas, biológicas, jurídicas e sociais,  o método mais eficiente será a “intuição fenomenológica“. Contudo, ao tentar captar aquilo que for pré-intelectual…é necessário descobrir a própria vivência do homem, a qual se depara com resistências e obstáculos… – que se tornam existências, para então transformarem-se em essências… a serem assim, estudadas pelo intelecto. (texto base**********************************************************************************

telepatiaTelepatia… “Papo cabeça”

A ciência não está convencida de que as pessoas sejam capazes de transmitir seus ‘pensamentos’, ou de…”extra-sensorialmente”…se comunicar a distância. – Mas histórias intrigantes é que não faltam… – mas, na verdade… não provam nada.

Não há como descartar a possibilidade de que tudo não passe de coincidência. Afinal, para cada história arrepiante… quantas não devem haver… de pessoas com um pressentimento, que não deu em nada?… – O único jeito de comprovar a existência da “telepatia“, seria ter resultados estatísticos de que esses fenômenos acontecem…com mais frequência do que o normal. E ainda não assim não teríamos a certeza suficiente para afastar todas as dúvidas.

Apesar de não haver consenso sobre a melhor teoria, a ‘parapsicologia’  tem apresentado interpretações interessantes para explicar a telepatia.

‘Telepatia‘ é o termo usado para se referir à aquisição de informações por outros meios, que não os sentidos físicos conhecidos. A resistência em tentar entender tais eventos, ou acreditar neles é grande… mas fácil de ser compreendida – como diz Wellington Zangari, coordenador do Grupo de Estudos de Semiótica, Interconectividade e Consciência (Inter Psi), da PUC/São Paulo…“Entrar em contato com pensamentos, sentimentos e ideias de outras pessoas, de uma forma aparentemente direta (mente/mente)… sem necessidade que tais informações passem pelos sentidos … é considerado algo fora do normal – por  se tratar de um tipo de interação bastante diferente da maneira prevista pela ciência”.

E como tudo o que é fora do normal caminha lado a lado com o ceticismo, como diz Jean Claude Obry, pesquisador e filósofo francês, morando no Brasil há cerca de 20 anos…“Se você acredita… poderá ser associado ao charlatanismo, misticismo… ou ser visto como alguém facilmente influenciável… – Se não, será suspeito de cientificismo ateu…de não possuir uma ‘mente aberta’; de não ter qualquer curiosidade científica”. Se os assuntos considerados ‘fora da normalidade’ pudessem se encaixar no cotidiano…não pareceriam tão assustadores. E, para permitir que eles se transfiram para dentro dessa realidade… é preciso aceitar e mudar conceitos, regras e crenças, que gerenciam o dia-a-dia. – Se não fizermos essa mudança… – nada será feito, além de um “agradável debate” – mas estéril.

Em suas primeiras décadas de estudo… tentou-se compreender a ‘telepatia‘ como um fenômeno eletromagnético que funcionaria da mesma forma que os aparelhos de rádio e televisão. Era suposto que, entre receptor e emissor, informações do conteúdo cerebral fossem transportadas por “ondas mentais“… Contudo, as teorias baseadas nesse modelo caíram por terra porque, aparentemente, a telepatia não é limitada pela distância, ou barreiras físicas… – como o são as conhecidas “ondas eletromagnéticas”.

Mais tarde, outras teorias surgiram, visando reconhecer mais o “porquê”… do que “como” ocorre o fenômeno. E como não poderia deixar de ser, mesmo com a necessidade de mais pesquisas para por fim à polêmica em torno do assunto, a soma dos ‘testes experimentais’ indica a existência de um processo anômalo de interação entre seres humanos. texto base

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“Primeiro Contato”, de Murray Leinster (‘livre adaptação’)

“E…semelhante espaço o chamamos infinito, porque não há razão, possibilidade, sentido ou natureza que deva limitá-lo. Nele…existem infinitos mundos semelhantes a este…pois não há razão nem defeito da capacidade natural, pela qual, assim como nesse espaço que nos rodeia existem – não existam igualmente em todo outro espaço que por sua natureza não é diferente deste – inumeráveis sóis, com infinitas terras… que giram igualmente em torno deles, assim como vemos estes 7 planetas girar em torno desse sol que nos ilumina”  **********Giordano Bruno********** “De l’infinito, universo e mondi” **********(1584)
holografiaTommy Dort entrou na cabine de comando com suas últimas ‘estereofotos’…“Pronto”, disse ele ao Comandante…“acabei de tirar as fotos que precisava”…Inseriu no projetor holográfico o chip, olhando com interesse profissional para o espaço panorâmico (3D)   que circundava externamente a espaçonave, “hiper-projetado” na cabine de comando.

A Llanvabon estava a considerável distância da Terra… Os hologramas onde desfilavam, conforme a magnitude desejada, virtualmente todas as estrelas da Via-Láctea, com suas constelações…respeitando distâncias…localização e brilho, com surpreendente precisão, pareciam ligeiramente fora de lugar – devido ao deslocamento do ‘referencial terrestre‘.

Uma luz violeta indicava os painéis de controle — com os instrumentos necessários para a viagem da “Llanvabon”… – A cabine tinha ainda 3 poltronas “aerodinâmicas” — com telas projetadas…de forma a permitir uma panorâmica visão tridimensional do espaço exterior.  Eles tinham pela frente um vasto nevoeiro luminoso… que, há algum tempo, já se tornara indistinguível. O nevoeiro era a “Nebulosa do Caranguejo“, remanescente da explosão de uma supernova na Constelação do Touro, com 11 anos-luz de comprimento…Uma nuvem de gás muito tênue, em cujo centro gira uma ‘estrela de neutrons’… 30 vezes por segundo.

Tommy disse, pensativo… – “Estamos penetrando no abismo, senhor”.

O comandante aprovou as últimas “estereofotos” tiradas por Tommy … para logo voltar-se inquieto à observação dos visoramas dianteiros. A Llanvabon estava desacelerando ‘a todo vapor’… achava-se agora apenas a meio ano-luz da nebulosa… – O trabalho de Tommy era planejar o curso da ‘espaçonave’ – a qual… enquanto permanecesse estacionada dentro da nebulosa, o deixaria ocioso… – mas… ele já havia pago um bom preço por essa ociosidade.

Tommy acabara de realizar um feito sem precedentes… – um completo registro fotográfico da nebulosa remanescente – originada da explosão de uma ‘supernova’… com 6,5 mil anos de história, agora concentrada numa estrela de neutrons … com aproximadamente 25 kms de diâmetro…girando 30 vezes por segundo.

Não é que Tommy tivesse 6,5 mil anos de idade. O caso é que a “Nebulosa do Caranguejo” está a 6,5 mil anos-luz de distância da Terra – e…as ‘estereofotos’ haviam sido tiradas de uma luz – que chegaria à Terra … (respeitando o limite da velocidade da luz)…no 9º milênio da Era Cristã.

E enquanto a Llanvabon penetrava lentamente na nebulosa, uma forte luminosidade começou a tomar conta dos “visoramas“. — À frente… uma cerração brilhante… – e atrás… um vácuo salpicado de estrelas… das quais…percebia- se apenas o ‘brilho esmaecido’… – daquelas mais luminosas.

A Llanvabon mergulhou na nebulosa…como se perfurasse um                          túnel de escuridão… em meio a paredes de cerração luminosa.

As fotografias tomadas de maior distância tinham revelado características estruturais na nebulosa, e quando a nave chegou mais perto, indicações de estrutura se tornaram ainda mais nítidas…A Llanvabon, ao aproximar-se da nebulosa em curva logarítmica, permitiu que Tommy tirasse sucessivas fotos… de ângulos ligeiramente diferentes… e conseguisse ‘estereopares’, mostrando a nebulosa em 3 dimensões, em todo seu complicado formato, que mais parecia uma rede de filamentos de neurônio… em um imenso cérebro humano.

A distância entre a extremidade da nebulosa e ‘estrela de neutrons’, que se encontrava em sua parte central, era de 5,5 anos-luz… com taxa de expansão aproximada de 1,5 mil km/s. O problema era que apesar da nebulosa ser composta por um gás muito tênue, um veículo deslocando-se em “overdrive” … precisa de um “vácuo puro“… como o que existe entre as estrelas, e não de um vácuo parcial. – Nesse caso, com a nave penetrando num gigantesco nevoeiro, teria que…gradativamente…limitar sua velocidade, àquela que esse vácuo assim permitisse; e isso foi feito.

O comandante então, pôs-se à vontade. Uma de suas funções era pensar coisas que pudessem causar preocupação, e depois preocupar-se com elas… O comandante da Llanvabon era atento às suas obrigações, e apenas quando um instrumento parava definitivamente de registrar informações — é que se dava ao direito de descontrair.

Um Objeto não Identificado

O overdrive cessou, todavia, quase instantaneamente, campainhas estridentes ressoaram em todos os cantos da nave. Tommy então, olhava fixamente para o já tenso comandante. Um aparelho entrava em histeria… – enquanto outros logo registravam suas descobertas.

Crab Nebula,UFOUm ponto no difuso e brilhante nevoeiro estampado no ‘visorama’ tornou-se mais destacado enquanto o laser de varredura se fixava nele. – Foi a detecção do objeto que fez soar o alarme de colisão – com o indicador virtual, conforme leitura ótica, mostrando um pequeno corpo sólido…a cerca de 80 mil kms de distância – além de outro objeto — cuja distância variava de zero a 80 mil, avançando e recuando.

“Aumente a definição do aparelho”…disse o comandante… – O ponto luminoso veio logo à tona. Ampliação pronta, mas nada aparecia… – Absolutamente nada… Entretanto, o radar insistia em que algo invisível e misterioso fazia loucos arremessos em direção à Llanvabon, a velocidades que implicavam alta colisão, se distanciando, a seguir, na mesma velocidade.

A graduação do visorama foi aumentada ao máximo, e nada ainda. Quando Tommy disse ao comandante… – “Senhor, eu vi algo parecido com isto…certa vez numa viagem entre a Terra e Marte, enquanto estávamos sendo localizados por outra espaçonave. – Como sua transmissão era feita com a mesma frequência que a nossa… – sempre que a captávamos, parecia estarmos diante de um estranho “corpo sólido”… – indo e voltando rapidamente”.

“Isso mesmo!”reagiu o comandante excitado… – ”é exatamente o que está acontecendo conosco. Temos sobre nós alguma coisa…assim como um localizador de rádio… Estamos sendo atingidos por essa transmissão; e além disso, por nosso próprio eco!”. Mas a outra nave é invisível. Quem estaria aqui numa nave invisível com instrumentos de localização? ”Não seriam humanos, certamente!”. Apertou um botão e transmitiu a ordem: ”Atenção! preparem todas as armas disponíveis para combate. – Alerta máximo em todos setores!”.

Seus nervos se contraíram. Fixou de novo o ‘visorama’, que nada mostrava, além de uma luminosidade bem disforme…“Não seriam humanos?”… pensou Tommy perplexo, ainda querendo entender o que estava se passando… – ”O senhor quer dizer então que…”

crab-nebula“Quantos sistemas solares há em nossa galáxia?” perguntou energicamente o comandante. – “Quantos planetas com condições de vida? E, quantas espécies de vida pode haver?…Se essa nave não vem da Terra (e não vinha) … toda sua tripulação não é humana” (e seres que, apesar de não serem humanos, podem empreender ‘viagens‘ pela vastidão do espaço, devem possuir uma civilização nada desprezível.)

A essa altura… – a voz do comandante estava trêmula, mas Tommy pertencia ao seu ‘staff pessoal…E, mesmo um comandante, cujas tarefas incluem o dever de se preocupar, por vezes, precisa desabafar com alguém. Sendo que também é de muita ajuda ‘pensar em voz alta’. E assim ele o fez:

“Algo semelhante tem sido objeto de discussões e especulações há anos… – Pelos cálculos probabilísticos, é quase certo que em alguma parte de nossa galáxia haja outra civilização igual, ou superior à nossa… – Ninguém poderia jamais suspeitar… onde… – ou, quando a encontraríamos… – No entanto… parece que coube a nós realizar essa proeza… – agora.”

Vindo em nossa direção

Os olhos de Tommy adquiriram um brilho incomum …”O senhor acha que eles podem ser cordiais?”, perguntou ao comandante, que olhava fixamente para o indicador de distância, onde o falso ‘objeto fantasma’ ainda fazia seus loucos arremessos em direção à Llanvabon, recuando à mesma incrível velocidade… – “Está se movendo” … disse num tom alterado… ”vindo em nossa direção… É possível que sejam amigos, mas temos que nos manter alerta. A única arma de defesa, a longa distância, que temos à disposição são os desintegradores”.

overdriveOs desintegradores são correntes de laser, com altíssimo poder de destruição, que servem para limpar a rota da ‘nave espacial’ – da indesejada presença de ‘matéria interestelar’. Embora não tenham sido concebidos como armas … podem ser utilizados como tal. – Com um alcance de 5 mil kms – têm poder destruidor capaz de abrir um buraco num asteroide de porte médio, que se ache no caminho do veículo espacial. – Mas, não em ‘overdrive’… naturalmente.

Tommy aproximou-se da janela traseira…e voltando a cabeça para trás, questionou: “Desintegradores, senhor?…Para quê?”… O comandante, com uma expressão grave, respondeu…“Porque não sabemos as intenções deles, e não podemos nos arriscar!…           Tentaremos fazer amigos…mas não temos muita chance… – Não podemos depositar           neles a mínima confiança…Não ousaremos… Eles têm rastreadores, talvez melhores           que os nossos. Quem sabe, sem sabermos, não acompanharam nosso trajeto…desde             a Terra?… Não podemos nos arriscar que uma raça alienígena saiba onde fica nosso planeta, a menos que estejamos totalmente seguros a respeito de suas intenções…E,           como adquirir essa segurança?…Eles poderiam vir negociar…ou quem sabe, invadir         nosso planeta em overdrive, sem que fôssemos capazes de esboçar qualquer reação”.

Tommy argumentou, com certo ar de espanto… “Isso tudo, teoricamente, foi inúmeras vezes discutido. Porém, até hoje ninguém encontrou uma resposta satisfatória, mesmo porque jamais se pensou desse encontro ser ao acaso… – no espaço…sem que nenhum    dos lados soubesse a procedência do outro…Para isso, ainda não temos uma resposta”.

O comandante então, expos a Tommy suas dúvidas… ”Talvez essas criaturas sejam belas, distintas e amáveis, possuindo entretanto, a ferocidade de um canibal… Ou, talvez sejam rudes como um camponês sueco, mas com o espírito de justiça e decência, que é a marca do seu caráter. Talvez uma mistura dos dois, mas não arriscaria o futuro da humanidade na presunção de que seja possível confiar neles. – Claro que valeria a pena conhecermos uma nova civilização, isso estimularia a nossa…e talvez lucrássemos enormemente, mas não posso correr o risco de mostrar onde está a Terra… E eles, devem pensar o mesmo.”

E logo após, falou aos tripulantes: “Oficiais navegadores, atenção! Todos mapas estelares neste veículo devem estar preparados para a destruição imediata. Isto inclui fotografias e diagramas, pelos quais nossa rota, ou ‘ponto de partida’ possa ser deduzido. – Quero que todos dados astronômicos sejam arquivados… de modo a que possam ser deletados… em fração de segundos”.

O primeiro contato do ser humano com uma raça alienígena, era uma possibilidade prevista de várias formas, mas nunca de uma maneira tão embaraçosa, quanto esta    parecia ser… Duas naves solitárias – uma da Terra…e outra de um mundo distante, encontram-se numa nebulosa…bem longe do planeta de origem de cada uma delas.

Eles poderiam desejar paz, mas não era possível distinguir exatamente entre as linhas de conduta – de um ataque traiçoeiro, ou de uma ‘aproximação amistosa’. Colocar de lado a suspeita, poderia resultar no fim da raça humana…Por outro lado, uma permuta pacífica dos frutos de ambas civilizações seria o maior benefício imaginável. Mas, como qualquer erro seria irreparável, não ficar alerta poderia ser fatal.

Máxima aproximação possível

Reinava profundo silêncio na cabine do comandante. A janela traseira estava tomada com a imagem de ínfima parte da nebulosa. – Era um luminoso nevoeiro difuso, sem qualquer contorno aparente. Quando Tommy subitamente exclamou…”Ali, senhor!”…Distinguia-se uma pequena forma no nevoeiro. – Era um objeto negro, opaco, com a forma aproximada de um retângulo, com uma tênue luminosidade … mas seus detalhes eram imperceptíveis.  Tommy então, olhou para o medidor de distância, e exclamou…“Senhor, está se dirigindo para nós, em alto grau de aceleração. O senhor acha que tentarão um contato conosco, ou usarão suas armas tão logo estejam em condições de nos atingir?”.

A Llanvabon não se achava mais num abismo de vácuo … na fina substância da nebulosa…mas deslizava num mar luminescente de intenso brilho – que ocupava o núcleo central da nebulosa.

Ao chegar mais perto da Llanvabon…o estranho veículo desacelerou, parando depois de aproximar-se o máximo que a prudência permitia, tanto num sinal de cordialidade e respeito…quanto de precaução, contra um possível ataque.  O momento da aproximação, contudo, foi dominado por grande tensão…Um simples movimento agressivo deles, e os desintegradores seriam acionados.

Tommy observava tudo, preocupado…Aqueles seres deviam possuir alto nível tecnológico, para terem naves espaciais; e civilizações não se desenvolvem sem prudência. A essa hora, portanto… – eles também deviam estar considerando todas as implicações deste primeiro contato de 2 raças civilizadas…tal como o faziam os seres humanos a bordo da Llanvabon.

É bem provável que a ideia de um contato pacífico…com a troca de suas respectivas tecnologias, tenha ocorrido, tanto aos tripulantes da nave alienígena, quanto aos da Llanvabon… – Quando culturas humanas dessemelhantes entram em contato, uma geralmente se subordina, ou há guerra… Contudo, entre raças oriundas de planetas diferentes, a subordinação dificilmente se estabeleceria pacificamente…Os homens,  jamais consentiriam em se subordinar – nem qualquer outra raça, suficientemente desenvolvida o faria.

Os benefícios que resultam do comércio, jamais podem compensar a condição de inferioridade. Algumas raças… os homens, quem sabe…    talvez preferissem o comércio, à conquista. Talvez o mesmo também acontecesse com os alienígenas… – Mas a maioria iria preferir lutar.

Se o veículo estranho agora tão próximo da Llanvabon, voltasse à sua base com a notícia da existência humana, e de naves como a Llanvabon… isto daria a seu povo a alternativa de negociar ou guerrear. – E como se sabe, para se fechar um negócio é preciso que os 2 lados estejam de acordo, mas basta um para se fazer uma guerra. Eles poderiam não ter certeza das intenções pacíficas humanas, nem os homens, do pacifismo deles. – A única segurança para ambos seria destruição de uma ou ambas as naves ali estacionadas…e já.

Mas, a própria vitória não seria o bastante…O homem precisava conhecer o planeta de origem dessa outra raça, para mais tarde…evitá-la, ou combatê-la. Precisaria conhecer suas armas, e recursos, para eliminá-la… – caso fosse necessário… E os desconhecidos sentiriam as mesmas necessidades frente à humanidade. – Por isso…o comandante da Llanvabon não apertou o botão… que, possivelmente teria destruído a outra nave. Não ousou abrir fogo. Dentro daquela imensa tensão, ouviram-se vozes na sala de controle:

“A outra nave está parada, senhor. – Absolutamente                                          imóvel. Os desintegradores estão centralizados nela”.

Cavaleiro-negro-sateliteEra uma sugestão para abrir fogo, mas o comandante balançou a cabeça para si mesmo. – A nave estranha, apagada, por completo, não estava a mais de 20 kms de distância…Todo o seu exterior, era um escuro abissal em que nada se refletia… Não se via qualquer detalhe, exceto variações insignificantes… que  reproduziam seu perfil…em contraste com a ‘espuma brilhante’ da nebulosa.

O “bote salva-vidas”

“Está completamente parado, senhor”… disse outra voz… ”Eles enviaram em nossa direção uma onda curta modulada. Frequência modulada. Aparentemente um sinal. Não tem força suficiente para causar qualquer dano”. O comandante cerrou os dentes… — “Estão fazendo alguma coisa agora”… “Há movimento do lado de fora da nave”.

“Observem o que eles mandam para fora”, replicou o comandante… – “Concentrem sobre esse alvo os desintegradores auxiliares”, completou. Então, algo comprido começou a sair lentamente da nave escura. E logo após, esta começou a mover-se… – “Estão se afastando, senhor”…disse o auxiliar… – Mas o objeto colocado para fora pela outra nave permanecia estacionado. Quando…outra vez, o silêncio foi interrompido …”Mais sinais em frequência modulada, senhor… – Ininteligíveis”.

Os olhos de Tommy brilharam. O comandante olhou para o visor, enquanto o suor lhe desciam da testa. “Tanto melhor comandante”, disse Tommy confiante. “Se enviassem alguma coisa em nossa direção, poderia parecer um projétil…ou uma bomba. – Assim,    eles chegaram perto, largaram um ‘bote salva-vidas’, e se afastaram de novo. Pensam  eles, que poderíamos mandar um artefato – tripulado ou não, para fazer contato, sem maiores riscos à nossa espaçonave… — Eles devem pensar mais ou menos como nós”.

O comandante… sem tirar os olhos da tela do visor… disse para Tommy: ”Sr. Dort, você poderia sair da nave, para examinar o           objeto?…preciso de alguém para fazê-lo… Talvez você pudesse”.

E Tommy, prontamente respondeu… – ”Muito bem, senhor…basta um traje espacial, com algum dispositivo de propulsão. Creio que deva levar o estabilizador EPR”. Enquanto isso, a outra nave continuava se afastando silenciosamente… 40, 80…400 kms… Até que então, aí parou, aguardando uma resposta.

Enquanto vestia seu traje espacial (‘com propulsão’)… Tommy escutava as informações transmitidas a todos compartimentos da nave. O fato do outro veículo ter parado a 400 kms de distância, para ele…era altamente tranquilizador. Nenhuma arma convencional alcançaria tal distância, portanto…sentia-se seguro. Contudo… justamente quando esse pensamento começava a se cristalizar em sua mente, a estranha nave vertiginosamente    se afastou ainda mais. Seria este um plano de fuga…ou uma dissimulação?…pensou ele.

Tommy lançou-se para fora da espaçonave… penetrando num vácuo de brilho tão intenso, quanto jamais fora dado a qualquer ser humano experimentar…Foi quando, por trás dele, a Llanvabon afastou-se como um dardo. Pelos fones de seu capacete, Tommy ouvia então, a voz do comandante… ”Também estamos recuando, Dort. – É possível que eles possuam alguma ‘reação em cadeia’, que não chegue até sua nave… – mas que seja detonada dessa distância. Recuaremos…enquanto você faz a conexão do simulador EPR com o objeto”.

ufo-nebulaSeu raciocínio estava certo … muito embora “aterrorizante” … Um explosivo capaz de lançar uma onde de choque num raio de 20 kms…era tecnologicamente desconhecido…  todavia…teoricamente plausível. Assim, por medida de segurança convinha à Llanvabon se afastar do local. – Tommy, sentindo uma enorme solidão naquele momento…ligou os autopropulsores do seu traje espacial…e precipitou-se através das profundezas do vácuo, rumo àquela pequena mancha negra, contrastando com a incrível luminosidade nebular.

Nesse intervalo, a Llanvaban desapareceu de vista, confundindo, a uma relativamente curta distância, o brilho de sua couraça polida, com o nevoeiro…A outra nave também    não era mais visível a olho nu. – Tommy nadava no vácuo, a 6,5 mil anos-luz da Terra, para encontrar um pequenino objeto escuro… o único sólido, em todo espaço ao redor.

“Estou aqui” disse Tommy, pelo fone do capacete. Tocou no objeto, que era metálico, totalmente opaco… Apalpando com suas luvas, não percebeu qualquer sinal de textura, nada de novo… ”Impasse, senhor!… nada a informar que nosso esquadrinhador já não tenha feito”. – Nesse momento, em de seu traje… – sentiu algum tipo de vibração, que   podia traduzir em ruídos estridentes…e então, uma parte da estrutura abriu-se. – Ele, curioso…tentou olhar para dentro, pensando encontrar aí os primeiros extraterrestres    que jamais outro ser humano observara. – Mas, o que viu foi simplesmente uma placa plana… – da qual “luzes aleatórias” se projetavam… sem qualquer finalidade aparente.

Ouviu então uma exclamação de surpresa. – Era a voz do comandante…”Muito bem,    Dort. Ajeite o ‘estabilizador EPR’ de maneira a poder apontá-lo para essa placa. Eles lançaram um veículo de comunicação. – Qualquer ação que fizéssemos, atacaríamos apenas o mecanismo. Talvez esperem que levemos o aparelho a bordo, mas pode ser      que tenha uma bomba. Deixe o ‘conversor automático’ aí conectado…e volte à nave.”

“Sim senhor”, disse Tommy…”mas onde está a nossa nave?”…Não havia estrelas. A nebulosa as obscurecia com sua luz brilhante. – A única coisa visível da plataforma alienígena era a incrível pulsação da estrela de neutrons…no centro da nebulosa. E    Tommy não mais conseguia se orientar… – apenas com aquele pulso de referência.

“Afaste-se em linha reta, partindo da direção do pulsar!”…veio a ordem pelo fone de ouvido…”Nós o resgataremos!”… As duas espaçonaves então, se comunicariam pelo “sistema EPR”. Seu estabilizador lhes permitiria trocar todo tipo de informação que ousassem fornecer… enquanto poderiam discutir internamente o meio mais prático          de garantir sua própria segurança… em função das informações assim transmitidas.

A missão Llanvabon

A missão Llanvabon depois disso…tornou-    se um duplo dever…Deixara a Terra com a tarefa de observar do ponto mais próximo possível, detalhes da “estrela de neutrons”, no centro da nebulosa… resultado da mais violenta explosão no universo…observada,  registrada…e catalogada pelo ser humano.

A explosão ocorreu no século VI A.C., mas sua luz só foi alcançar a Terra no ano 1054 da era cristã…fato devidamente registrado por astrônomos chineses à época. Sua luminosidade foi tão grande que mesmo à distância de 6,5 mil anos-luz da Terra, o fenômeno pôde ser visto à luz do dia … ao longo de 23 dias, com brilho maior que Vênus… fenômeno que passou a ser conhecido como “supernova“.

Quando, no século 20, os telescópios apontaram para o evento…no céu restava                apenas uma pequena estrela de neutrons, pulsando no centro de uma nebulosa.

Ela, portanto, bem que merecia ser vista de perto, incluindo uma análise detalhada de sua luz. Esse era o objetivo principal da missão, mas o encontro inesperado com a espaçonave alienígena na mesma região tinha implicações tais… – que deixariam em segundo plano o propósito inicial daquela expedição. E de fato o pequeno e misterioso aparelho alienígena flutuando no tênue gás da nebulosa, levara os tripulantes da Llanvabon – em seus postos de alerta máximo, a uma enorme expectativa.

A explosão, observada há mil anos, teria limpada a área, agora tomada pela nebulosa, de todo e qualquer possível vestígio de vida. Portanto, os visitantes provinham de um outro sistema estelar, afastado dali – e sua viagem, como a da nave terrestre, deve ter sido por motivos puramente científicos…Já que nada havia de valor, que pudesse ser extraído da nebulosa, a não ser gás rarefeito… – Supondo então, que os tripulantes da outra nave se encontrassem perto do nível da civilização humana… isso significava que eles possuíam, ou poderiam desenvolver técnicas e objetos de uso (científico ou não) que poderiam ser objetos de permuta, em termos cordiais. Todavia…necessariamente haveriam de se dar conta… – de que a existência humana…era uma ameaça potencial à sua própria espécie.

Ser ou não ser…(inimigos mortais)

As duas raças poderiam ser amigas… mas também, inimigas mortais. Cada uma, mesmo que inconscientemente, era uma ameaça mortal à outra…E, em um certo sentido, a coisa mais segura a se fazer diante de tal situação, é destruí-la… Ali, portanto, na “nebulosa do Caranguejo”, o problema era grave, e imediato. Futuras relações entre as 2 raças, seriam (ou não) estabelecidas nesse momento… Sendo possível iniciar um processo de amizade, ambas raças se beneficiariam mutuamente. Mas esse processo de confiança mútua tinha que ser estabelecido…e estimulado… – sem um mínimo perigo de traição… A ‘confiança’ precisaria ser estabelecida sobre os alicerces de uma total desconfiança. Nenhuma das 2 naves ousaria retornar à sua base, se a outra pudesse, de algum modo…prejudicá-la… O mais certo, é que a única solução completamente segura para ambas, seria uma destruir      a outra, ou ambas serem destruídas.

Mesmo no caso de uma guerra porém, era necessário mais do que pura destruição … No domínio da comunicação, e navegação interestelar os alienígenas deviam saber e desfrutar de toda forma de energia…mais algum tipo de ‘overdrive’… para viajarem acima da “velocidade da luz”…E, além da radiolocalização por comunicadores EPR, possuiriam, naturalmente, muitos outros dispositivos quantum-fotônicos.

Que armas teriam eles?… — Qual a verdadeira extensão de sua cultura? Poderia se estabelecer um intercâmbio de comércio e amizade entre os 2 povos, ou seriam as 2 raças tão dessemelhantes…a ponto de só a guerra poder existir entre elas?…E, se a paz fosse possível, como seria iniciada?

A tripulação da Llanvabon precisava de fatos, o mesmo acontecendo com os viajantes da espaçonave desconhecida… Eles deveriam colher o máximo de informações possível. E a mais importante de todas, por precaução, seria, em caso de guerra a localização da outra civilização. Esta informação poderia ser o fator decisivo numa guerra interestelar… Mas, outros fatores seriam igualmente valiosíssimos.

O trágico em tudo isso, era que não podia haver informação possível capaz de levar à paz. Nenhuma das 2 tripulações podia expor a existência de sua própria raça, na convicção da boa vontade, ou dignidade da outra. Assim, fez-se uma curiosa trégua entre as 2 naves. A alienígena continuava no seu trabalho de observação…bem como a Llanvabon. O veículo robótico flutuava no vácuo brilhante. Um aparelho “esquadrinhador” estava sintonizado com o aparelho alienígena…que assim mantinha contato com a Llanvaban… e vice-versa.

Assim, a comunicação entre as 2 naves começou de repente…e progrediu rapidamente. Tommy Dort foi um dos que apresentou os relatórios iniciais sobre esse progresso. Sua missão inicial na expedição tinha sido substituída pela incumbência…de ‘interpretar’ e decodificar as mensagens trocadas entre as tripulações. E juntamente com o psicólogo      de bordo, nesse instante dirigiu-se à “cabine de comando” para transmitir a notícia do sucesso. Essa cabine, como de costume, era um lugar silencioso, com painéis em luzes fosforescentes, e grandes visores panorâmicos tridimensionais…nas paredes e no teto.

Os telepatas

“Estabelecemos comunicação bastante satisfatória”…disse o psicólogo… — demonstrando sinais de cansaço. Seu trabalho a bordo, era avaliar fatores pessoais de risco na tripulação, para redução de erros humanos ao nível mais baixo possível… “Podemos dizer-lhes quase tudo o que desejarmos, e podemos entender quase tudo o que dizem…Mas, não podemos, naturalmente… – ter certeza de que seja verdade… – tudo aquilo que eles querem dizem.”

E Dort complementou… “Montamos certo mecanismo, que corresponde a um tradutor iônico… – Temos “micro-conversores”…em corrente direta de ondas curtas. Eles usam modulação de frequência intermitente, combinada com algo, provavelmente variações aleatórias de ondas caóticas… Nunca fizemos uso de algo semelhante, por isso nossos instrumentos não podem operar satisfatoriamente nessa faixa… – mas, aperfeiçoamos    uma espécie de ‘código‘, que corresponde à uma linguagem inédita para nós. Emitidas suas informações em ondas curtas, moduladas em ‘frequência’, nós as gravamos como sons. Quando respondemos, a transmissão é reconvertida para frequência modulada.”

O comandante franziu a testa…e perguntou… “Por que a forma da onda modulada se converte em ondas curtas?… – Como você descobriu isso?”… – E Tommy respondeu:

“Eles gravam a ‘frequência modulada’ naturalmente. – Penso que não usam o som, nem mesmo para falar. Nós os observamos pelo ‘visorama’ quando se comunicavam conosco. Não fizeram movimentos perceptíveis… de qualquer coisa que correspondesse ao órgão    da fala ou audição. – Em vez de usarem microfones…simplesmente se colocam perto de alguma coisa que funcione como uma antena. – Minha impressão, senhor… é que usam microondas no que se pode chamar de uma conversação pessoal…como se fossem sons”.

O comandante fixou-lhe o olhar, algo surpreso… ”Isso significa que eles são telepatas?”… E Tommy respondeu…”Sim senhor. E significa que nós também somos telepatas com relação a eles. – Provavelmente são surdos…Certamente, não têm qualquer ideia de ondas sonoras no ar para comunicação… – Simplesmente… não utilizam ruídos para nenhum finalidade”.

O comandante escutou tudo…e então indagou: ”Bem, e o que mais?”… – Tommy explicou:

”Acho que, mesmo assim… conseguimos nos entender. Estabelecemos, de comum acordo, símbolos arbitrários para uma “linguagem analógica”… e elaboramos relações verbais por diagramas e fotogramas… Daí, já possuímos cerca de 2 mil palavras como signos comuns. Montamos um analisador para selecionar seus grupos aleatórios de microondas…para os quais adaptamos uma máquina decodificadora. Em sequência…o terminal de codificação recebe as gravações para produzir os grupos de onda que precisamos reenviar…com base na frequência da pulsações de neurônios. – Quando quiser conversar com o comandante da outra nave, é só o senhor avisar … pois acho que estamos preparados para a conexão”.

“E qual sua impressão sobre a psicologia deles?”…perguntou o comandante ao psicólogo. “Não sei, senhor”… disse ele embaraçado… – Parecem absolutamente sinceros, mas não deixaram transparecer nenhum sinal de tensão – e nós sabemos que, nesse caso, sempre existe. Agem como se estivessem simplesmente estabelecendo um ‘meio de comunicação’ para um ‘bate-papo’ amigável…Mas, parece difícil não existir alguma coisa por trás disso tudo” (O psicólogo, de fato… não estava preparado para analisar um tipo de pensamento totalmente desconhecido).

“Se não me engano, senhor”… disse Tommy meio inibido…”Eles respiram oxigênio como nós, e não são muito diferentes nos outros aspectos…Talvez seja uma evolução paralela…Talvez a inteligência evolua assim como as funções básicas do corpo… – Quero dizer que, qualquer ser vivo, de qualquer espécie – deve ingerir, metabolizar, e expelir. Talvez todo cérebro inteligente deve, pela percepção encontrar uma resposta pessoal. Estou certo de ter percebido um quê de ironia por parte deles, um senso de humor. Em resumo senhor, acho que se possa gostar deles.”

Programa Zip detecta fronteira da física quântica

Abrindo… “conversações”…

O comandante pôs-se de pé – e, murmurou…  ”Vamos ver o que eles têm a dizer”... A seguir, se dirigiu ao “setor de telemática” da nave. Tommy Dort, que o seguia de perto … ligou o código de protocolos do “transdecodificador“, e começou a operá-lo… – Dele se podia ouvir ruídos altamente aleatórios… dirigidos a um “modulador frequencial”… – já devidamente preparado, para decodificar o sinal recebido.

Foi então…que num piscar de olhos, a tela do visor… — acoplado ao transmissor alienígena iluminou-se com imagens do interior da outra nave, e um ser surgiu a frente do ‘visorama‘  olhando curiosamente para dentro da tela… – Parecia extraordinariamente humano mas não era. – A impressão era de uma extrema calvície…com uma franqueza bem-humorada.

“Eu gostaria de dizer”…começou o comandante com uma voz grave…”coisas adequadas sobre este primeiro contato entre duas diferentes civilizações planetárias … e da minha esperança de que isso resulte num intercâmbio cordial entre nossos povos”… – Tommy operou o ‘codificador’, transformando a mensagem em “ruídos aleatórios”… os quais, o comandante da outra nave pareceu compreender, com um possível gesto de aprovação.

Alguns segundos depois… e o ‘transdecodificador’ da Llanvaban entrou em ação, com seu zunido característico, e letras formaram palavras, moduladas por um código analógico de algoritmos. E Tommy, assim as explicou: “Senhor, ele concorda com tudo…mas pergunta se haverá algum modo capaz de permitir o regresso de ambas expedições a seus planetas de origem, sem qualquer tipo de receio… Ficaria feliz, caso esse problema fosse resolvido por ambas as partes, mas por enquanto, não vê uma solução”.

A atmosfera na Llanvabon era confusa…Havia perguntas demais, e nenhuma resposta para qualquer uma delas. Mas, todas deviam ser respondidas imediatamente…A nave poderia voltar para Terra?…A outra nave poderia viajar em dobra num overdrive?…E,    caso lutassem, mesmo que vencessem… teria a nave alienígena um comunicador ‘tipo  EPR’ para enviar online suas ‘coordenadas gravitomagnéticas‘…em rastreamento da Llanvabon até seu regresso à Terra?… Mas, se perdesse, melhor que fosse totalmente destruída ali mesmo…sem deixar pistas de sua localização de origem. – A outra nave,      por certo, também estaria com a mesma preocupação. – Regressando agora, poderia        ser seguida pela Llanvabon… ou mesmo… ter sua rota interceptada por ‘mecanismos hiperespaciais de rastreamento’… – o que também acarretaria na fragilidade de seus protocolos de segurança máxima.

Nenhuma das naves podia pensar em fuga…E, nesse ponto, ambas estavam                      em absoluta igualdade de condições…E uma pergunta continuava no vácuo                      interestelar, para ser urgentemente (co)respondida… – O que fazer agora!?

Os outros enxergavam na luz infravermelha, o que indicava que sua estrela de origem emitiria na mesma faixa — justamente abaixo do ‘espectro visível’ dos seres humanos; conclusão essa, inversamente, também deduzida por eles, que tinham um dispositivo interno, tipo memória, para armazenamento de informações em microondas; alvo de tanta curiosidade, por parte dos humanos…quanto os alienígenas estavam fascinados pelos mistérios do som…Eles podiam perceber a ‘luz infravermelha’ pela sensação de      calor que ela produzia, mas eram incapazes de diferenciar a variedade dos tons. Para      eles… a ciência humana do som…se tornara uma incrível descoberta. – Encontrariam      para ruídos aplicações que jamais imaginaríamos; se conseguissem escapar vivos dali.

Mas essa era outra questão. – A princípio, nenhuma das naves poderia partir primeiro, sem antes destruir a outra…enquanto a troca de informações rolava, não muito à solta.

GalaxyMapTommy se deu conta a certa hora, de que os alienígenas haviam elaborado um falso mapa estelar de navegação, com os mesmos ‘erros propositais’… que havia incluído num outro mapa, projetado anteriormente por ele… e, esboçou um sorriso… – Começara a simpatizar com esses…’alienígenas’.

Aos poucos Tommy tentou traçar um diálogo mais leve, incluindo gracejos tão sutis…quanto lhe fosse permitido, para transcrições em microondas… a “frequência modulada“. Transmitido com tanta formalidade…não era para ter graça… — mas “eles” entenderam.

Havia um tripulante deles…em especial, para o qual a comunicação era uma coisa tão natural, quanto para Tommy. E os dois fizeram estreita amizade, através de códigos e conversões intermitentes. Quando as mensagens oficiais envolviam detalhes técnicos,      em excesso, o alienígenas fazia algumas ilações estritamente informais…semelhantes          a gírias. Tommy, sem nenhuma razão especial, resolveu apelidá-lo de ‘Mack’ … nome    pelo qual o desconhecido passou a assinar suas mensagens.

Na 3ª semana de comunicações…o ‘decifrador’, subitamente, estampou na tela a seguinte mensagem…“Você até que é um bom sujeito…pena que tenhamos que nos matar”. (Mack)  Tommy, que também pensava no mesmo assunto, logo respondeu, pesarosamente… ”Não sabemos como evitar isso. E vocês?”. Após breve pausa, nova mensagem foi recebida:  ”Se pudéssemos acreditar um no outro, haveria uma solução…Nosso comandante ficaria feliz, mas não podemos acreditar em vocês… – nem vocês em nós… – Sentimos muito”. (Mack)

Tommy Dort então, se dirigiu ao comandante da Llanvabon…”Olhe senhor, eles são bem parecidos conosco”…Demonstrando cansaço, o comandante respondeu… ”Eles respiram oxigênio. Seu ar contém 28% de oxigênio…em vez dos nossos 21%…mas podem respirar muito bem na Terra… – Portanto… – seria uma conquista altamente desejada para eles”.

Tommy, que se mostrava inquieto, argumentou…“Se destruirmos a nave deles, ao regressarmos à Terra, nosso governo global… não vai ficar nada satisfeito por não tentarmos de todas as formas obter contato para uma “colaboração amigável” – e continuarmos isolados no universo” E o comandante respondeu… visivelmente contrariado… “Também não gosto disso, mas não vejo outra saída”.

Na Llanvabon, toda engenharia mecânica já estava preparada para uma sobrecarga de energia nos desintegradores, apontados diretamente para a outra espaçonave. – Já os mapas estelares, instrumentos de navegação, e registros de viagem… com anotações e estereofotos dimensionais, que Tommy Dort elaborara durante os 6 meses de viagem, estavam num arquivo secreto, para serem instantaneamente deletados.

A própria Llanvabon, também havia se preparado para uma eventual  autodestruição… — apesar do sincero tom moderador do comandante alienígena, em seus últimos comunicados… — Nesse ponto, todos dois comandantes admitiam que procurariam, de toda forma imaginável,    uma maneira…a mais civilizada possível, de entendimento entre eles.

Poderiam impedir o combate mediante a troca antecipada de “informações confidenciais”, mas havia limites para concessões, de parte a parte. Aparentando uma ameaça terrível ao outro lado, ambos tentavam tornar a luta evitável. Era curioso, entretanto, a forma como aqueles cérebros…  —  totalmente desconhecidos entre si…  —  conseguiam relacionar-se.

Uma questão eminentemente bipolar

Tommy Dort, finalmente, ao estabelecer uma espécie de gráfico dos problemas que ambos os lados tinham pela frente  –  encontrou um tipo de…’equação não-linear biunívoca‘. Inicialmente … partiu da premissa de que os desconhecidos… com toda aquela tecnologia, não possuíssem qualquer instinto natural de destruição humana. E, com efeito… o estudo das ‘comunicação alienígenas’ produzira um sentimento de tolerância para com os extra-terrestres … parecido com o que se via entre soldados inimigos… — durante uma ‘trégua’.

A única causa de matar ou ser morto, durante uma guerra                             terrestre, se justificava por motivos estritamente…’lógicos’.

A seguir, Tommy listou os principais objetivos humanos, nesse caso específico, por ordem de importância… – O primeiro… era comunicar a existência de uma cultura desconhecida. O segundo… – supondo um ‘grau tecnológico’ razoavelmente semelhante… – a localização daquela cultura na galáxia… – E o terceiro… obter o máximo de informação possível sobre essa cultura alienígena…o que, aliás, ou bem ou mal, já estava sendo feito. Mas, o segundo objetivo era provavelmente impossível, o que – de certa forma, comprometia…o primeiro.

Por outro lado, os objetivos alienígenas eram exatamente iguais; de sorte que os humanos deveriam evitar… – primeiro… a informação de sua existência por eles… – em seguida… a localização da Terra…e, por fim – informações que estimulassem a curiosidade alienígena sobre a cultura humana. E, tudo isso, levando em conta que a ‘transmissão da informação’ ainda dependia da restrição relativística da “velocidade da luz“… – E que essa questão, só um “teletransporte quântico“, ou mesmo “tunelamento em hiperespaço” poderia resolver. 

Olhando com certo amargor para este quadro, Tommy Dort de repente se deu conta de que mesmo a vitória completa para um dos lados… não seria a solução perfeita… – Isto porque, o ideal…para ele – seria que a Llanvabon levasse consigo aquela exótica nave para estudos. Só assim, o 3º objetivo estaria plenamente cumprido… Mas Tommy intimamente rejeitava a hipótese de que, para a evolução do saber, devêssemos aniquilar seres inteligentes…bem-humorados.

Ou seja, o puro acaso do encontro entre povos que se podiam estimar mutuamente … resultaria numa situação capaz de sua exterminação.

Por isso, ele se empenhara tanto na busca por uma solução. Mas o problema parecia insolúvel. Era por demais absurdo que duas espaçonaves se enfrentassem no espaço distante (…sabendo que nenhuma delas tinha por objetivo guerrear) – temendo que tripulantes de uma dessas naves carregasse consigo informações, que levassem uma civilização inteligente a ir contra um adversário desprevenido. – Mas, e se ambas as    raças pudessem, uma sabendo que a outra não queria lutar, se inter-relacionar sem          saberem suas localizações, senão após encontrar motivos para confiança recíproca?

Era impossível, utópico…Uma tolice…Mas, era uma ideia tão sedutora que Tommy Dort não hesitou em codificar uma mensagem ao seu colega Mack…e a resposta não tardou a chegar: “Certo”…disse ele… “é uma bela tentativa, mas eu gosto de você, e porém, ainda não acredito em você. E se eu lhe dissesse isso antes, você também não acreditaria…por mais que simpatizasse comigo. Eu te digo a verdade mais do que você acredita, e talvez, você também me fale a verdade, além da minha capacidade de acreditar. Mas, quanto a isso, não há um meio de saber. Sinto muito.”

Tommy decifrou a mensagem com grande pesar, sentindo-se responsável por um fracasso que poderia custar a vida de bilhões de seres, humanos e/ou alienígenas. Mas, justamente quando mais triste se sentia – pareceu que a resposta lhe chegara como uma ‘premonição’. Era de uma simplicidade singular…e caso realmente funcionasse, poderia ser considerada uma vitória para ambas os lados… – Ele então, sentou-se silencioso…sem ousar o mínimo movimento, para não interromper o fio da meada…que dava continuidade às ideias então esboçadas em seu pensamento. – Entregue às reflexões, ele mesmo levantava objeções…e as refutava, tentando transpor com segurança, todas dificuldades… – mesmo aquelas que pareciam impossíveis de ultrapassar.

Quando finalmente sentiu-se seguro de sua solução… emergindo tonto… de suas quase infindáveis elucubrações, caminhou aliviado para a cabine de comando, a fim de expor suas ideias… “Senhor”disse Dort ao comandante…“gostaria de propor um método de abordar a outra espaçonave… Eu mesmo o realizarei, e mesmo que não dê certo, nossa nave não sofrerá qualquer consequência em represália”.

O comandante voltou-se para ele, com um ar de desconfiança…”As táticas já foram todas elaboradas, Sr. Dort”disse enfático… “E estão sendo gravadas agora, para o relatório de bordo. É um jogo terrível, mas necessário”… – Ao que Tommy imediatamente replicou…  ”Senhor, acho que encontrei um meio de evitar esse jogo tão arriscado; suponhamos que eu envie uma mensagem à outra nave oferecendo…” E Tommy continuou sua explicação, enquanto o “visorama” tridimensional espelhava a névoa, intercalada pelo pulso regular    da estrela de neutrons, no centro da nebulosa… – girando lá fora…30 vezes por segundo.

O plano em ação

O comandante achava que… acompanhando Tommy, poderia assumir a responsabilidade pelo sucesso – ou fracasso daquela tentativa. Em caso de fracasso…a Llanvabon já estaria preparada para “atacar” a nave alienígena.

A escotilha externa, após a despressurização, abriu-se para o vácuo. – À curta distância…o ‘aparelho alienígena de contato’ permanecia,  tranquilamente estacionado… As 2 silhuetas, em trajes espaciais…deslizaram para fora da Llanvabon… – mergulhando num oceano de espaço — com destino ao “bote salva-vidas”, enquanto se comunicavam através do “interfone” embutido no traje espacial… ”Sr. Dort”, disse o comandante…”durante toda minha vida sonhei com aventuras. Essa é a primeira vez que posso justificá-las a mim mesmo”E Tommy prontamente respondeu: ”Isso não me parece aventura, senhor… Desejo desesperadamente que o plano seja bem-sucedido. Sempre me pareceu que numa aventura… pouco se estava importando com o resultado.”

”Não!”respondeu o comandante…”uma aventura é quando você                   coloca sua vida na balança do acaso, e espera o ponteiro parar.”

Ao alcançarem o objeto flutuante, o comandante comentou…”Inteligentes, essas criaturas! Devem estar muito curiosas em conhecer nossa nave, para concordarem com essa troca”…  Tommy concordou, mas intimamente suspeitava que Mack, seu amigo alienígena, gostaria de conhecê-lo, independente de qualquer disputa…E também, que entre os tripulantes das duas espaçonaves, se formara um ambiente de cortesia… como, por exemplo, o que existia entre cavaleiros medievais… – antes de se espetarem em um torneio… diante da corte real.

Não esperaram muito tempo, até que do nevoeiro… 2 outras figuras surgissem, com trajes também propulsionados…Os alienígenas, de menor estatura, usavam capacetes revestidos de um material que filtrava raios ultravioletas, para eles, mortais. – Por interfone, Tommy recebeu uma mensagem da Llanvabon, informando que a nave alienígena já os aguardava. Então, o comandante fez um gesto aos outros em direção à Llanvabon… e mergulhou com Tommy no espaço em direção à outra nave. Embora não pudessem enxergá-la muito bem, foram guiados até lá por instruções da Llanvabon… E, logo chegaram lá…

A nave alienígena era praticamente do mesmo tamanho que a Llanvabon, e os dois caminharam em seu sombrio interior por esteiras magnéticas. Tudo era escuridão, quando Tommy e o comandante simultaneamente, acenderam as luzes brandas do capacete espacial para não ofuscar a visão em infravermelho dos alienígenas… que            os aguardavam, e os encaminharam…através de longo corredor…à outra cabine de comando da outra nave espacial.

Tommy notou em seu ‘aparelho de pulso’ que o ar dali continha 30% de oxigênio… em vez dos 21% da Terra… mas com uma pressão um pouco menor… Então, achou por bem retirar o capacete – e conseguiu respirar sem problemas… – A gravidade artificial era um pouco maior, do que na Llanvabon… – o que fazia sentido…num planeta um pouco maior que a Terra em órbita de uma anã vermelha.

Os ‘exóticos anfitriões’ como um gesto de cortesia … haviam iluminado o ambiente com uma luz um pouco acima do normal deles… – o que fez Tommy ainda mais confiante de que seu plano desse certo.

O comandante da nave se dirigiu aos 2… com um gesto que pareceu a Tommy… como de ‘boas-vindas‘, que o pessoal da Llanvabon assim traduziu: “Ele diz, senhor, que os saúda com prazer, mas que só conseguiu pensar em um único meio pelo qual o problema desse encontro casual possa ser resolvido”...“Ele está querendo uma luta”disse o comandante    a Tommy…”Diga-lhe que estou aqui para propor uma outra alternativa.”

Os 2 comandantes estavam face a face – mas sua comunicação se dava indiretamente…Os extraterrestres não usavam sons para se comunicar…Sua conversação era por microondas, e telepatia de curta distância. Eles não ouviam, muito menos falavam…no sentido comum da palavra. O que o comandante alienígena fez… foi se comunicar com a Llanvabon, e esta transmitiu ao comandante terráqueo que o seu colega estava ansioso por saber a proposta.

A proposta…(a)final                                                                                                                    “A história humana não é muito bonita… – É baseada em povos…com superioridade tecnológica e cultural, conquistando outros povos. Os mais fortes…com maior poder, acabam subjugando outros…quase sempre de forma destruidora.” (Jorge Quillfeldt)

O comandante da nave terrestre então, tirou seu capacete, e colocou suas cartas na mesa: “Estamos aqui há um mês… trocando informações superficiais – e mutuamente, não nos odiamos. Não temos qualquer motivo para lutar, exceto…por nossos povos”parou para respirar, e concluiu…”Mas tudo isso é uma loucura!”…E aguardou a resposta de volta da Llanvabon… “Ele afirma que tudo o que o senhor diz é verdade. Mas que a raça dele tem que ser protegida, da mesma forma que o senhor acha que a sua deva ser.”

“Naturalmente”, disse o comandante transparecendo certo nervosismo. “Mas a coisa mais sensata a fazer para proteger nossos povos é começar uma luta totalmente insensata?…Os nossos povos devem ser advertidos da existência de uma outra raça…é verdade…mas cada um deve ter prova de que a outra não deseja lutar, mas sim manter relações cordiais entre si… – E, embora não sejamos capazes de nos localizar… deveríamos poder nos comunicar, para encontrarmos motivos de confiança, e respeito mútuo. Se nossos governos quiserem assumir a loucura de uma guerra, isso é lá com eles. – Mas temos obrigação de dar-lhes a oportunidade de tornarem-se amigos fraternos, ao invés de iniciar uma guerra no espaço”.

Logo a seguir, a Llanvabon retransmitiu a mensagem do comandante alienígena…”Ele diz que a dificuldade consiste em confiarmos um no outro… Estando em jogo a sobrevivência de duas civilizações ele não pode correr o mínimo risco… – nem tampouco o senhor pode conceder-lhe qualquer vantagem. – E diz que está curioso em saber qual a sua proposta.”

“TROCAR DE NAVES!”…respondeu o comandante da Llanvabon impaciente. “Trocar de naves, e regressarmos a nossos planetas. Podemos ajustar nossos instrumentos de modo    a não sermos rastreados… Ambos retiraremos nossos mapas estelares…e programas que possam denunciar nossos planos de voo… E ambos travaremos nossas armas… O ar não oferece problemas – tanto aqui quanto lá… – Podemos tomar a nebulosa do Caranguejo como ponto de encontro, numa data a ser marcada mais tarde. Esta é a minha proposta”.

negóciofechadoQuando a tradução chegou aos alienígenaseles começaram a se movimentar excitados, fazendo gestos incompreensíveis aos dois terráqueos… – Só mais tarde…Tommy e Jerry – seu comandante…foram descobrir que “eles” estavam festejando um acordo, que a todos… – parecia assim, tão improvável.

Durante 3 dias as tripulações se misturaram…aprendendo tudo o que de mais importante havia a ser aprendido…Foi grande a tensão naqueles 3 dias. Havia ainda uma infinidade de detalhes a serem então resolvidos… desde a troca da iluminação dos ambientes… até dúvidas quanto à retirada    de arquivos. – Mas o curioso é como cada tripulação já estava perfeitamente ciente das  medidas corretas a tomar para impedir toda e qualquer quebra de protocolo no acordo.

Houve uma conferência final, antes das duas naves se separarem, na sala de comunicações da Llanvabon – onde ficou acordado de que se encontrariam novamente… naquele mesmo lugar, numa data determinada de comum acordo com seus governos, se é que eles iriam se entender sobre isso… – E, quando o último humano deixou a nave terrestre…esta deslisou para fora do nevoeiro da Nebulosa… – seguida pela nave alienígena… em direções opostas, mergulhando alucinadamente, graças ao overdrive, no vazio aberto do espaço interestelar.

Texto baseado no conto “Primeiro Contato” de Murray Leinster (tradução original de Mário Salviano) incluído na coletânea “Antologia Cósmica” organizada por F. Cunha.  *************************(termos complementares)******************************

Frequência: É o número de oscilações de onda…por um certo período de tempo… – A unidade de frequência é o hertz (Hz), que equivale a 1 segundo… portanto, quando uma onda vibra a 50Hz … significa que ela oscila 50 vezes por segundo. A frequência de uma onda só muda quando houver alterações na origem de sua fonte… Já a ‘intermitência  ocorre, quando algo se manifesta cessando e recomeçando por intervalos. Intermitente, portanto, é uma característica de algo que, por interrupções, não é permanente…não é contínuo.

TRANSDUTOR: claro que é possível transformar energia sob a forma de som em energia elétrica… – Isso é feito a todo momento. Por exemplo… quando falamos em um microfone, o som gerado é transformado em “energia elétrica pelo aparelho…Tal energia, no entanto, tem um nível muito baixo (“potência mínima”). Por esse nível ser tão baixo, o som captado pelo microfone… – precisa ser amplificado…para assim, então… – poder tornar-se audível.

Detecção no radiotelescópio

A detecção de ondas de rádio, diferentemente da detecção de fótons óticos, explora o caráter ondulatório da luz. A radiação excita um campo alternado no detector…que é registrado eletronicamente como uma voltagem de corrente alternada – descrita por    uma onda, com amplitude e fase. A ‘fase’ permite que ondas de diferentes detectores possam ser somadas, produzindo ‘interferometria‘. antena do rádio telescópio,      por sua vez, seleciona a direção a ser observada, coleta a radiação e a transforma em      sinal de corrente alternada. O receptor seleciona a frequência e a largura da banda, processa o sinal e grava os dados, podendo então, ter um canal para cada frequência.  ***************************(texto complementar)*******************************

Sismologia Estelar

Cientistas estão usando informações sobre a ressonância de estrelas para estimar a idade e a massa de corpos celestiais…Eles medem as oscilações a partir das ondas de som contidas nelas…Em outras palavras, estudam o som das estrelas para entende-las melhor. O som da estrela é estudado da mesma forma como se ouve a forma como ressoa um instrumento musical – a intensidade dos tons indica aspectos sobre o tamanho do instrumento, e o que estiver dentro dele, o fazendo ressoar.

Ondas sonoras não se propagam no espaço, mas ondas eletromagnéticas sim… e são estas, emitidas por estrelas, que podemos ouvir com ajuda de equipamentos. Tudo graças a uma recente área da astronomia e seus métodos : a Sismologia Estelar. Se trata de estudar a estrutura interna das estrelas… através de seus espectros de frequências eletromagnéticas, geradas pela energia térmica das estrelas… – que se converte em “pulsações”.

Uma vez captadas essas emissões eletromagnéticas pulsantes, através de radiotelescópios terrestres, e outros equipamentos…como o telescópio espacial Corot, elas são convertidas para um formato de áudio (assim como fazem os aparelhos de som…que captam as ondas de rádio e as convertem em ondas sonoras)… – Dessa maneira… quando as pulsações são ouvidas… podem revelar muitas informações sobre o que acontece dentro dessas estrelas.

O som de algumas estrelas parecidas com o Sol…nos dá a sensação de estarmos no espaço. Já o som de pulsares com rotações mais lentas, parece o tocar de um tambor. – Enquanto em pulsares de rotação mais rápida … como o da ‘Vela‘… – se assemelham a um grupo de “percussionistas enlouquecidos”… – Ouça você mesmo o “som das estrelas”!… (consulta)

‘oscilações acústicas ressonantes’

Um grupo de astrofísicos da Universidade de Birmingham, Inglaterra, encontrou uma forma de registrar os sons emitidos por alguns dos astros mais antigos da “Via Láctea”,    de acordo com estudo divulgado pela ‘Real Sociedade Astronômica’… Os dados foram obtidos da missão espacial ‘Kepler/K2’ da NASA – onde os pesquisadores detectaram “oscilações acústicas ressonantes” em 8 gigantes vermelhas do aglomerado M4…com    uma idade calculada em 13 bilhões de anos. 

M4, situado a 7,2 mil anos-luz de distância da Terra, perto da constelação do Escorpião…é um dos acúmulos de estrelas mais antigos da ‘Via Láctea’. 

Para obter os sons, foi empregada uma técnica conhecida como ‘astrossismologia‘, que consiste no estudo da estrutura interna das estrelas…pela interpretação dos espectros das “oscilações ressonantes” produzidas… — Essas oscilações seriam responsáveis por breves “pulsos brilhantes” … criados quando o som na estrela interage com sua estrutura interna.

O que eles fizeram foi ouvir as notas de uma espécie de coro estelar criado pelas oscilações, e a partir dessas informações, estimar a idade e a massa das estrelas. – Esta técnica estuda as oscilações periódicas das superfícies das estrelas, que são objetos fluidos, vibrando com certos períodos naturais. Tais oscilações produzem mudanças diminutas…como pulsos na luminosidade, causados pelo som registrado dentro das estrelas. – Medindo os tons dessa “música estelar” se torna possível, então… – determinar a massa e a idade de uma estrela.

De acordo com os pesquisadores, estas estrelas são verdadeiros ‘fósseis vivos‘, da época    da formação da Via Láctea… – e por isso, a observação delas pode ajudar a explicar, por exemplo, como galáxias em espiral como a nossa se formaram e evoluíram…Ou seja, da mesma forma que arqueólogos podem revelar o passado … escavando a terra, podemos usar o som do interior das estrelas para realizar “arqueologia galática”… – auscultando algumas das “relíquias estelares” de nosso obscuro universo. (texto original) (consulta)

Missão Kepler/K2 (iniciada em 2014)

Há pouco, parecia certo que a missão do telescópio espacial Kepler chegaria ao fim antes de 2016, quando estava prevista para terminar… — Lançado pela NASA em 2009, com o objetivo de encontrar ‘exoplanetas‘ parecidos com a Terra… – o ‘Kepler’ teve sua missão interrompida quando 2 de suas quatro rodas de giro…necessárias para manter o satélite estável no espaço, pararam de funcionar. – A NASA tentou restaurar o telescópio na sua funcionalidade original… – mas… sem obter sucesso – decidiu reativá-lo para uma nova missão, denominada K2, que terá início nesta sexta-feira.

A solução veio de forma criativa…a energia do Sol será usada para estabilizar o telescópio, ajudando a mantê-lo no lugar. Desde seu lançamento, o Kepler observou mais de 150 mil estrelas em uma mesma região do céu — procurando oscilações na luminosidade emitida por elas… o que pode significar a passagem de um planeta. Mas agora, como o telescópio precisará da luz do Sol para se manter imóvel…deverá se posicionar sempre na frente do astro, ou perpendicular a ele… – se movendo…para acompanhar o movimento da estrela.

A mudança pode ter alterado o propósito original do telescópio – mas…ao mesmo tempo, possibilitou novos estudos. A Nasa selecionou novas propostas até 2016, e dentre os mais de trinta projetos escolhidos … dois contam com a participação de José Dias Nascimento, pesquisador visitante do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, EUA… e, professor do departamento de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

A primeira pesquisa tem como objetivo estudar estrelas gigantes. Segundo  Nascimento… “Essas estrelas são importante porque representam o futuro evolutivo do Sol…sendo que, já foram detectados traços de planetas nessas estrelas”. Pelas oscilações de luminosidade observadas pelo Kepler é possível obter informações sobre a estrutura delas. (texto base)

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Marx, e a evolução social pelo “trabalho”

“O trabalho representa o fator principal do ‘salto ontológico’ entre o mundo natural          e a vida social moderna… – Aliado a valores inerentes ao ser… tais como finalidade, consciência, conhecimento e liberdade, é responsável direto pela evolução humana”.

Não há, em Marx — pretensão de encontrar o caminho de uma unidade lógica entre ‘sujeito’ e ‘objeto’…ou, como quer Hegel… entre ‘ser’ e ‘pensamento’. – As categorias vistas na teoria marxista vêm das ‘relações sociais’…e não, de uma “especulação logicista” … Por outro lado,  pesquisas sobre o ‘ser social’…não podem ser feitas pelas ‘ciências naturais’, pois estas são “ontologicamente” limitadas, para explicar a anatomia das ‘sociedades de classes’… e suas ‘relações sociais’ numa ‘sociedade capitalista’.

“Na análise dos sistemas econômicos… nem microscópio, nem reagentes químicos podem ajudar… A faculdade de ‘abstrair’, deve substituir a ambos. – Para a sociedade burguesa, a célula da economia é a mercadoria como produto do trabalho, ou seu valor”. (K. Marx)

As “categorias modais” que realmente vão despertar o interesse do pensamento marxista são aquelas que brotam do ‘universo econômico‘…como um produto “auto-evolutivo” do ser social…A partir do momento em que se deixa de perseguir o movimento histórico das ‘relações de produção’…e se quer ver nestas categorias apenas pensamentos espontâneos, independentes das relações reais – a partir daí se é forçado a considerar o movimento da “razão pura” como a origem desses pensamentos.

As categorias não são frutos de uma produção a priori, mas produtos de longa evolução processual do ser (social). As formulações categoriais são predicações sociais mediadas pelos sujeitos em uma dada forma de “sociabilidade“. As categorias são tanto dadas no cérebro, quanto na realidade. Essas categorias expressam…“formas de ser, finalidades existenciais”…como diz Marx. – Ao contrário de preceitos gnosiológicos e logicistas…a consciência se coloca como tarefa importante, no curso do desenvolvimento social … à medida que o indivíduo vai superando as barreiras naturais, que silenciam a Natureza.

Os entraves da ‘economia política’                 A perspectiva marxista não tem o propósito de esclarecer o processo de constituição do pensar, mas, basicamente… suas finalidades objetivas”.

Se limitando à uma análise abstrata, a economia política não consegue tratar estas ‘categorias’ de uma forma correta…desprezando as ‘mediações’ que existem entre “categorias complexas”… e as mais simples. — Segundo Marx, os economistas exprimem as relações da…”produção burguesa”: divisão do trabalho…crédito, moeda, lucro…etc. como categorias fixas, imutáveis, eternas…mas, não explicam o movimento histórico que engendra categorias econômicas, as concebendo como isentas de história e contraditório. Ao se apropriar do…”método de investigação hegeliano” – que concebe a realidade como eminentemente ‘contraditória‘…Marx consegue operacionalizar essa interpretação… Ele considera que o método (‘cientificamente correto‘) das categorias, deve levar em conta a relação ontológica entre…simples (abstratas) e…complexas (concretas). E complementa:

O “concreto” surge no pensamento por um processo de síntese…como um resultado, e não ‘ponto de partida’. Embora aí possa estar contido, ele só aparece claramente em seu ponto de chegada… mas, como algo que está tanto no começo quanto no final…O “problema” da consciência é que ela    só pode emergir do resultado — como uma… “ressaca…do dia seguinte”.

A realidade é uma totalidade multiforme, estruturada por complexos… mais simples, ou não. Não existe paradoxo entre as categorias menos complexas (simples) e as categorias mais complexas (concretas)…nem hierarquização na relação entre elas – pelo contrário, ocorre um processo de desenvolvimento combinado e desigual… As categorias somente emergem nas sociedades mais complexas – isto é…desenvolvidas… porque pressupõem      um longo desenvolvimento das forças produtivas…bem como da subjetividade humana.

Propriedade, Trabalho (Dinheiro)

As categorias mais complexas, são as que servem de esteio, à compreensão evolutiva da história da humanidade, enquanto as simples, por seu caráter ‘contingente’, explicam apenas certo momento … e dados circunstanciais.   A ‘propriedade’, por exemplo, surge como a relação organizacional mais simples numa ‘sociedade de classes’; no entanto — não se constitui como base de uma… ‘sociedade primitiva’, onde relações simples são ‘associações naturais‘ organizadas como famílias, clãs e tribos. 

A “propriedade“, como ‘categoria simples’, pressupõe a existência de uma categoria    mais complexa, como por exemplo…”trabalho“…Isso porque, categorias simples são expressões de relações nas quais o complexo… – ainda não desenvolvido…pode ter se manifestado, sem ainda revelar sua “conexões multilaterais”, mentalmente expressas      nas categorias mais complexas, onde a mais evoluída conserva essa mesma categoria,  como uma relação subordinada. E, de fato, categorias mais simples podem expressar relações dominantes de um todo ainda não desenvolvido. Essas categorias…também           têm sua complexidade, e por isso merecem atenção. – O “dinheiro“…em particular,           que historicamente precedeu ao capital, aos bancos, e trabalho assalariado — parece         ser uma categoria, que se inclui em todas sociedades. – Uma análise mais detalhada, porém, revela que algumas delas bem evoluídas, como as pré-colombianas, e outras,         como as antigas comunidades eslavas… — desconheceram expressamente o seu uso. 

Na sociedade romana, por exemplo…o ‘dinheiro’ ficou circunscrito ao exército, sem exercer papel predominante no reino produtivo da vida material. Nas sociedades antigas, ocupou papel episódico, marcando       mais presença nas inter-relações entre aquelas ‘nações comerciantes’.

Com efeito, essa categoria mais simples (dinheiro) aparece historicamente em toda sua intensidade, nas condições mais desenvolvidas da sociedade…Portanto, a relação entre categorias mais simples e mais complexas, não é meramente controlada por uma regra cronológica, em que o pensamento abstrato vai do mais simples ao mais complexo, sua relação é bem mais paradoxal. – Já o ‘trabalho’…apesar de aparentar natureza simples,     sua categoria é tanto abstrata, quanto complexa…A possibilidade de entender trabalho como “categoria”… emerge com o desenvolvimento do “modo de produção” capitalista,     ao revelar sua natureza abstrata. Como ‘valor de uso’, ao se relacionar no metabolismo ‘sociedade/natureza’ na forma de uma… ‘necessidade’… – é uma “categoria complexa”.

‘valor de uso’ / ‘valor de troca’

Adam Smith realizou um grande progresso ao considerar o trabalho como a “universalidade abstrata – da atividade criadora de riqueza”. Isso só foi possível no tempo histórico em que o trabalho singular…”desgrudou” do corpo do trabalhador, e este pôde passar…de um oficio a outro… de forma bastante distinta da época histórica das “corporações medievais”… Mas, isso também se deve – sobretudo ao fato…do trabalho surgir como categoria determinante do “valor de troca”… – no modo de produção capitalista; de um modo simples, ou abstrato.

O trabalho, enquanto “substância do valor”, constitui-se como a força de trabalho que age no processo de produção de mercadorias como uma coisa…“simplesmente”…quantitativa. Ele funciona como ‘abstração universal’ … destituída de sua singular substância corpórea. A relação que o trabalhador estabelece com o capitalista é uma relação em que o trabalho emerge como “abstrato”, no qual o “valor de uso”, passa a ser regido pelo “valor de troca”.

O trabalho é valor de uso para o capitalista… – e valor de troca para o trabalhador… mas só é valor de uso para o capitalista à proporção em      que é possível convertê-lo em ‘valor de troca’. – Ao vender sua força de trabalho como… “mercadoria” – se estabelece uma ‘cisão monumental’ entre o próprio trabalhador… – e, o…”produto final”…de seu trabalho.

A indiferença diante de determinado tipo de trabalho pressupõe uma totalidade de tipos efetivos de trabalho, onde nenhum deles predomina sobre os demais. – Essa indiferença aos seus aspectos contingentes e imediatos, se configura na forma de “trabalho abstrato”. Isso só foi possível com a evolução das relações de “produção capitalista”…que permitiu compreender o trabalho – tanto como ‘valor de uso‘ … quanto como ‘valor de troca‘.

Embora o trabalho como ‘valor de uso‘ seja uma universalidade concreta, que perpassa a história de todas as sociedades precedentes, sua elucidação só foi possível pela mediação da explicação do trabalho em sua “universalidade abstrata“…ou seja, em uma sociedade mais desenvolvida… – Por isso, a “sociedade capitalista” fornece a chave para elucidar as sociedades precedentes, porque ela guarda em seu interior vestígios – como um “grão de sal”…das sociedades precedentes… E, embora o “trabalho concreto”…como ‘valor de uso’, estivesse no seu ponto de partida…ele somente pode aparecer claramente, em seu ponto  de chegada, como algo que está tanto no ‘ponto de partida’ quanto no ‘ponto de chegada’.

Trabalho como categoria… simples ou complexa                                                            A consciência do trabalho como uma categoria concreta só pode emergir do modo de produção capitalista, ao superarmos idiossincrasias de sua função geradora de riqueza.

mafalda-trabalhoO trabalho…pelo incremento de uma sociedade capitalista…pode ser tanto categoria ‘concreta’ quanto ‘abstrata’, já que, tal tipo de sociedade, permite caracterizar nossa (“bem”) complexa natureza de…”ser social” – à medida que a ‘realidade’ se constitui – como expressão de ‘determinações sociais’.

A abstração geral do trabalho é produto do desenvolvimento de suas condições objetivas.   No seu processo de apreensão pela consciência…a categoria mais simples pode vir antes da complexa; mas, do ponto de vista ontológico, o trabalho, enquanto categoria concreta, vem antes do trabalho abstrato… – E essa “inversão prática” é assim explicada por Marx:

“A mais simples abstração, que a Economia moderna coloca em 1º plano, exprime uma antiga relação válida para todas formas de sociedade – mas, tal abstração, na prática, só existe como categoria da sociedade moderna… – A categoria mais concreta, evoluiu plenamente em uma forma de sociedade menos desenvolvida. O ‘elevar-se’ do abstrato ao concreto – significa apropriar-se deste último… – pela utilização do…’pensamento’, reproduzindo-o… — ‘materialmente‘… — na forma (‘espiritual’) de um conceito”.

Isso denota que Marx se apropria do modo de investigação operacionalizado por Hegel na “Ciência Lógica“. – Resguardadas as devidas distinções…Marx considera o trabalho, uma forma exemplar de revelar como as categorias mais abstratas…são igualmente produto de ‘relações históricas’…e têm sua plena validade – só para essas relações, e no interior delas, apesar de sua validade em todas as épocas…Por isso não é possível entender as categorias apenas isolando-as umas das outras, como faz a economia política, mas operando por um processo de abstração, em que o “isolamento” … deve ser seguido pela “articulação”… das partes com o todo. – E assim a universalidade complexa explicará a abstrata, afastando a realidade de uma esfera primitivamente “caótica”…até alcançar sua “totalidade concreta”.

O “caminho de ida” da afirmação das abstrações isoladoras, será razoável  à medida que for seguido pelo “caminho de volta” — indicando ao sujeito o rumo correto, por um processo de síntese de suas múltiplas determinações.

Para Lukács, ao nível mais simples … as categorias se manifestam em relação recíproca umas com as outras (matéria/forma, parte/todo etc). Nesse contexto, o trabalho, como valor de uso, surge como a categoria decisiva para compreender outras categorias, pois presume um processo homogêneo e espontâneo na evolução das categorias modais. No entanto, nas etapas mais avançadas do desenvolvimento das relações sociais, enquanto complexo de complexo cada categoria ganha sua relativa autonomia frente ao trabalho. Embora este, como valor de uso, constitua uma categoria básica do ser social, isso não impede que em estágios mais avançados… outras categorias possam aparecer, dotadas        de relativa autonomia perante o trabalho. Isso, evidentemente, pode levar à falsa ideia      de que as categorias existam por si mesmas…ou que constituam formas a priori. Marx    fala do perigo desse cenário, no prefácio à 2ª edição alemã de “O capital”… ao afirmar:

“A pesquisa tem de captar detalhadamente a matéria, analisar suas várias formas de evolução e rastrear sua conexão íntima. Só depois de concluído esse trabalho é que se pode expor devidamente o movimento real… Não conseguir se espelhar idealmente a vida da matéria… – pode parecer que se esteja tratando de uma construção a priori”.

Essência & aparência (na investigação científica)

Com efeito, o método de pesquisa investigativa exige um árduo esforço para captar detalhadamente a matéria, analisar suas várias formas de evolução… e rastrear sua conexão íntima. Isso implica dizer que a matéria… que é a base, e o critério de toda investigação…não pode ser captada facilmente. – A definição externa é perpassada          por uma determinação interna – a qual faz presumir a necessidade de uma ciência.

aparência

Marx confirma que – se houvesse unidade entre essência e aparência não haveria necessidade da ‘ciência‘. A determinação concreta é perpassada pela relação dialética “interior/exterior”… o que exige presumir a atenção de um investigador ao desvelar as malhas de sua ‘substancialidade’…É preciso analisar suas várias formas evolutivas e rastrear sua conexão íntima à totalidade real. E analisar é um avanço… que significa retroceder, na perspectiva de uma elucidação…na busca do conhecimento de seus próprios “fundamentos”.

Nesse processo de análise, a abstração comparece como momento em que é possível isolar um determinado aspecto da realidade para compreendê-la melhor. – Esse isolamento…no entanto, não deve desprezar as articulações existentes entre as partes da matéria estudada, e as manifestações heterogêneas da ‘realidade concreta’…que comparece como síntese das múltiplas determinações. – Através da elevação do abstrato ao concreto, o pensamento se apropria da realidade… – sem que isso implique alguma espécie de “identidade absoluta”, pairando entre o “pensamento” … e o “ser”.

Com efeito… a exposição do “ser” na forma categorial é uma etapa posterior à investigação da estrutura anatômica do objeto, e representa a reprodução da estrutura da vida material no âmbito do pensamento. Ou melhor, significa um adentrar no “universo das abstrações”, onde abstrair implica estabelecer o que é essencial ou não…o sujeito e o objeto… o efeito e a causa. Através da exposição se adentra no universo do ‘espelhamento‘ da realidade…por isso pode parecer tratar-se de uma construção a priori, quando na verdade a exposição do ser pela consciência é essencialmente intempestiva (‘post festum’)…E Marx explica assim:

“A reflexão sobre as formas humanas de vida… – em sua análise científica, segue sobretudo um caminho oposto ao seu desenvolvimento real. Começa pelo fim, com seus resultados já definidos no processo de desenvolvimento”.

Os “finalmente”

O reino da lógica ou da reprodução ideal de uma conexão concreta acontece mediante a manifestação da coisa e seu desenvolvimento efetivo no mundo material, verificando-se dois fatores complexos… – o ‘ser social‘…que existe independentemente do fato de ser corretamente conhecido, ou não; e o ‘método mental‘, para captá-lo da maneira mais adequada possível…podendo vir a existir, sem ser idealmente captado pela consciência.

Teoria-MarxistaEnquanto o pensamento hegeliano enveredou pela elucidação da ‘anatomia constitutiva’ das categorias… como determinações objetivas da existência – contrapondo-se à ‘lógica clássica’, que desconsiderou seus aspectos objetivos…e ontológicos… – a teoria marxista buscou uma aplicabilidade às suas categorias, articulando-    as…ao processo de compreensão da anatomia do sistema do capital… — em toda sua Lógica.

Evidentemente que essa apropriação se inscreveu de maneira bem peculiar…já que o seu propósito não era constituir um novo sistema filosófico… ou resolver o problema de suas categorias numa perspectiva escolástica, mas sim apropriar-se das categorias hegelianas, subvertendo-as…para elucidar as “conexões íntimas”, e as “relações contraditórias”…que perpassam as diversas categorias econômicas…latentes no modo de produção capitalista.

Tal elucidação da realidade pressupõe um investigador atento ao movimento reflexivo dessas categorias, e à articulação existente entre categorias mais simples (abstratas) e, mais complexas (concretas). Assim, pode-se dizer que foi Marx quem, de fato, deu um tratamento correto às categorias hegelianas… ao libertá-las de seu “invólucro místico”.

“Os seres humanos podem se diferenciar dos animais pela consciência, religião, ou qualquer outra meio que quisermos considerar. – Mas, só podem ser considerados          “humanos”… – ao produzirem os seus próprios meios de sobrevivência”. texto base  ******************************************************************************

O “trabalho”como finalidade social evolutiva (segundo Lukács)                                 “A lógica da natureza não é…nem está de nenhuma forma adequado e/ou direcionado para o atendimento das necessidades humanas. Apenas o trabalho, organizando suas propriedades de uma nova forma, diversa da original…pode fazer nascer um produto que atenda estas necessidades. – E assim… o processo do trabalho na natureza (meio)    faz nascer na sociedade…o produto do trabalho (fim).” 

Na formulação marxista…o “trabalho” (como ‘categoria’) constitui a realização de uma projeção teleológica, que dá origem a uma nova objetividade (‘produto’), o que implica    sua tendência a uma constante evolução – evidenciando a capacidade da “consciência”    em projetar previamente aquilo que mais tarde vai produzir…Portanto, se no trabalho        uma ‘projeção teleológica‘ é fundamental, pode-se qualificar com mais precisão as  duas “categorias heterogêneas” nele envolvidas…(a) causalidade, característica dos processos naturais (inorgânicos/orgânicos) operando por si mesmos…(b) teleologia, categoria agregada… – onde a “consciência“… cumpre uma finalidade fundamental.

Teleologia diz respeito a processos do ‘ser social’…que diferentemente dos processos puramente causais, não estão no âmbito da necessidade natural… ocorrendo por força       de uma decisão da consciência…Daí Lukács afirmar que… “o trabalho converte puras  causalidades (naturais) em causalidades agregadas”.

contrato_de_trabalhoO fenômeno exclusivamente humano de captura da realidade – como “possessão
espiritual” – está na raiz do processo de conhecimento… – cujo aprimoramento continuado conduz à gênese da ciência. Assim, tanto o conhecimento… em seus estágios mais simples, quanto a ciência, e sua complexidade, têm ‘fundamentos ontológicos’… – baseados no “trabalho”.

Os meios e os fins                                                                                                                        O âmbito no qual o trabalho se relaciona, desde o ponto de vista ontológico do ser social, até o surgimento do pensamento científico, e sua evolução…é precisamente determinado através da investigação dos “meios naturais”.

A posição final se origina numa necessidade sócio-humana; mas, para de que chegue à sua posição autêntica, a investigação dos meios (“conhecimento da natureza“)… deve alcançar  determinado nível, coerente com esses meios… – Se esse nível ainda não foi alcançado… a posição do fim permanece como um projeto meramente utópico… uma espécie de ‘sonho’.

Evidentemente… o trabalho não pode se realizar sem o mínimo de conhecimento natural. Portanto, é importante esclarecer sua ligação, e evolução com o pensamento científico. O trabalho é condicionado pelo nível de conhecimento…adquirido e fixado socialmente. Ao mesmo tempo, a própria finalidade determina o seu critério de verdade, ou seja, em cada processo de trabalho concreto e individual… — “o fim domina … e regula os meios“.

Contudo, Lukács observa que – levando em conta a ‘histórica’ evolução processual do trabalho, esta relação hierárquica é invertida… – de modo que… – os meios adquirem progressivamente… maior importância do que os fins… – As ‘finalidades’ – por serem  direcionadas à satisfação direta e imediata de necessidades, são esquecidas, enquanto      os meios (‘instrumentos‘) conservam-se. – Como a pesquisa natural está concentrada      na preparação dos meios…são estes a ‘garantia social‘ da conservação dos resultados      do trabalho… que são fixados, possibilitando assim, um desenvolvimento continuado.

Daí, Lukács sugerir que a gênese da ciência está ligada à investigação dos                        meios, e que esta… ao se constituir como uma ‘esfera autônoma’ específica,                      passa a ter a busca da verdade como finalidade, distanciando-se bastante                        das finalidades particulares… daqueles “processos de trabalho” imediatos.

SpinosaDeterminismo & Liberdade 

O fenômeno da “liberdade”… – totalmente estranho à natureza, aparece no momento  em que a ‘consciência’ … alternativamente, decide qual ‘finalidade’ quer disponibilizar, e de que maneira quer transformar “séries causais naturais“, em meios de realização. Nessa realização de um fim, está contida a simultaneidade “determinismo/liberdade”. 

A posição de um fim é um ato de liberdade, pois os modos e meios de satisfazer uma necessidade são resultados de ações decididas e executadas conscientemente… e não produtos de cadeias causais espontaneamente biológicas. – Entretanto… a liberdade (decisão alternativa) jamais é isenta de ‘determinismo’… pois como traço do ser, que      vive e age socialmente, não é abstrata; sendo ‘condicionada’, social e historicamente. 

Sob essa ótica, o único caminho para se chegar à liberdade humana…é    pelo “autocontrole” – passagem do determinismo natural dos instintos,      ao ‘autodomínio consciente’ da realidade plena. (texto base) (consulta)    **********************(texto complementar)************************

POR QUE SOCIALISMO?… – ALBERT EINSTEIN ( “Monthly Review”…nº1, maio/1949)    Os sacerdotes fizeram da divisão da sociedade em classes uma instituição permanente, criando um sistema de valores, pelo qual o comportamento social do povo passou a ser (cegamente) orientado…a nível inconsciente.”  

albert-einstein.jpgSerá aconselhável que um “não especialista” em assuntos econômicos e sociais manifeste pontos de vista sobre o tema…“socialismo”? Por várias razões… – eu acredito que sim…  Comecemos considerando a questão… pelo ponto de vista ‘epistemológico‘, analisando  o próprio … “conhecimento científico“. Pode ser que pareça… não haver diferenças metodológicas essenciais entre Astronomia e a Ciência Econômica… pois nos 2 campos, cientistas tentam descobrir leis que tornem inteligível a interconexão entre certo grupo de fenômenos. Mas tais diferenças existem.

No campo econômico, a descoberta de leis gerais é dificultada pela circunstância de que fenômenos econômicos observáveis são – com frequência… afetados por muitos fatores, difíceis de se avaliar separadamente. Ademais…como se sabe…a experiência acumulada desde o início do assim chamado período civilizado da história humana tem sido muito influenciada…e limitada, por fatores, cuja natureza, não são exclusivamente econômica.

Por exemplo…a maioria dos grandes Estados da história deveu sua existência às grandes conquistas… – E os povos conquistadores estabeleceram-se… – legal e economicamente, como a “classe privilegiada” do território conquistado … apossando-se do monopólio da propriedade da terra, e designando, de suas próprias fileiras, uma classe sacerdotal para    o ‘fiel controle’ da educação.

thorsteinveblenMas a ‘tradição histórica’ começou ontem, por assim dizer. – Em nenhum momento, superamos o que Thorstein Veblen chama de…“fase predatória” do desenvolvimento humano. – Fatos econômicos observáveis pertencem a essa fase… e as leis que deles podemos derivar, não se aplicam a outras. 

Como o verdadeiro propósito do socialismo é precisamente superar a ‘fase predatória‘ do desenvolvimento humano, e avançar para além dela, se direcionando por uma ‘finalidade ética’…a “Ciência Econômica” – em seu estado atual…bem pouco pode esclarecer sobre a sociedade socialista do futuro… – A “Ciência Natural”, todavia…não tem o poder de criar finalidades, e muito menos de transmiti-las; podendo tão-somente fornecer meios…para atingir certos fins.

É característico em situações de crise…como a que há algum tempo a sociedade humana vem passando, que indivíduos se sintam indiferentes e até mesmo hostis ao grupo a que pertencem. De fato, o homem é ao mesmo tempo um ser solitário e um ser social. Como  solitário, tenta proteger sua própria existência, e a dos que lhe são próximos… satisfazer seus desejos pessoais, desenvolver suas habilidades inatas…etc. Como ‘ser social‘, busca conquistar reconhecimento e afeição de seus semelhantes … compartilhar seus prazeres, confortar seus sofrimentos…melhorar suas condições de vida. E apenas essas diferentes aspirações…muitas vezes conflitantes… já podem responder pelo caráter de uma pessoa. 

conceito-de-sociedadeÉ bem possível que a intensidade relativa desses 2 impulsos seja… – basicamente…determinada pela hereditariedade… mas, a personalidade que acaba emergindo é formada … – em ampla escala – pelo ambiente – que envolve seu ‘crescimento’ – como pessoa, e pela estrutura da sociedade em que vive, com suas tradições e valores… que são atribuídos,  ao fato deste, ou daquele tipo de comportamento.

O conceito abstrato de… “sociedade“… para o ser humano… – significa a soma de suas relações diretas e indiretas com seus contemporâneos, e todas as pessoas das gerações anteriores. O sujeito é capaz de pensar, sentir, trabalhar e desejar…por si mesmo, mas     ao mesmo tempo…depende tanto da sociedade (em sua existência física, intelectual, e emocional)…que é impossível entendê-lo, fora desse contexto (social)É a “sociedade”    que lhe proporciona comida, roupas, lar, a ferramentas do seu trabalho…a linguagem,  formas de pensar, e a maior parte do conteúdo de seu pensamento… – Sua vida se faz possível mediante o trabalho… – com a realização de todos passados e presentes… do futuro contemporâneos…que se acham escondidos por detrás da palavra “sociedade”.

É evidente, portanto, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade é um fato da natureza que não pode ser abolido. Contudo, enquanto os processos de vida das abelhas e formigas, por exemplo, se determinam, inteiramente, por instintos hereditários rígidos, o ‘padrão social’ e ‘inter-relação’ dos seres humanos são altamente suscetíveis de mudanças.  A memória, a capacidade de realizar novas combinações…e o dom da comunicação verbal, possibilitaram desenvolvimentos no ser…que não são ditados por necessidades biológicas.

Realizações técnicas e científicas, obras de arte, e engenharia são exemplos que explicam como acontece do ser humano ser capaz de…em certo sentido, influir em sua vida mediante seu próprio pensamento e vontade consciente.

O ser humano ao nascer, adquire através da “hereditariedade” … uma constituição biológica considerada inalterável – onde se incluem os ‘impulsos naturais’…como característicos… – da “espécie humana”.

Em acréscimo…ao longo de sua vida – o indivíduo adquire da sociedade… – uma constituição cultural, com mudanças ao longo do tempo, que guiam sua conduta. 

A antropologia moderna nos ensina, pela investigação comparativa de culturas primitivas, que o comportamento social… em função dos “padrões culturais” – e tipos dominantes de organização, pode diferir muito. – Os que se empenham em melhorar a condição humana podem basear suas esperanças nisso… – Os seres humanos não estão condenados por sua constituição biológica a aniquilarem-se uns aos outros; nem estar… “à mercê do destino“.

Mas, se nos perguntarmos de que modo a estrutura da sociedade e a ‘atitude cultural‘ do ser humano deveriam ser mudados, para tornar a “vida humana” tão satisfatória quanto possível – deveríamos estar conscientes de que há certas condições que somos incapazes    de modificar. – Para todos os efeitos práticos, a natureza biológica do ser humano não é modificável… – Além disso… desenvolvimentos tecnológicos e demográficos nos últimos séculos criaram condições que estão aqui para ficar… – E, nesse sentido…

Há pouco exagero em dizer que a humanidade já se constitui                         em uma “comunidade planetária”… de produção e consumo.

Pode-se então… dizer que a “essência” da crise do nosso tempo – refere-se à relação do indivíduo com a sociedade. O indivíduo se tornou mais consciente do que nunca de sua dependência da sociedade…mas sua experiência dessa dependência não é a de um bem positivo, um laço orgânico, uma força protetora…e sim… uma ameaça aos seus direitos naturais… – à sua liberdade… – ou, até mesmo… à sua existência… “sócio/econômica”.

Cada-um-é-um-universo.jpgAlém disso o indivíduo está posicionado na sociedade de modo tal, que impulsos egoístas… – ‘inatos‘, constantemente se reforçam…enquanto os sociais…por sua natureza, mais fracos… – se deterioram progressivamente… E todo ser humano, seja qual for a posição social, sofre esse processo de deterioração. – Prisioneiro inconsciente do próprio egoísmo, vê-se privado … do simples ‘desfrute’ da vida.

A ‘anarquia econômica‘ da sociedade capitalista se mostra hoje… quando vemos diante de nós uma enorme comunidade de produtores, cujos membros se empenham sem cessar em privar uns aos outros dos frutos de seu trabalho coletivo… em inteiro e fiel cumprimento à regras mercadológicas, estabelecidas legalmente… — Nesse contexto…é importante dar-se conta do fato de que os meios de produção…capacitados de produzir bens para o consumo, assim como bens de capital adicionais, sejam ‘propriedade privada‘, com o único objetivo de maximizar seus lucros… – Nesse processo…o ‘proprietário’ dos meios de produção está em posição de comprar (barganhar) a força de trabalho do operário, que se utilizando dos meios de produção, fabricam novos bens, que irão se tornar uma ‘propriedade capitalista’.

O ponto essencial aí… é a relação entre o que o trabalhador produz – e aquilo que lhe pagam, ambos medidos em termos de “valor real”… — Uma vez que a contratação do trabalho é “livre”… o que o trabalhador recebe não é determinado pelo valor real dos bens que produz, mas sim por suas…”necessidades mínimas” – e pela relação entre a demanda por força de trabalho capitalista, e o nº de trabalhadores…competindo por emprego no “livre” mercado de trabalho… – Dessa forma… não é difícil concluir que:

Nem mesmo em teoria, o pagamento do trabalho                                              assalariado é definido pelo valor do seu produto.

desgoverno-oligarquicoO “capital privado” tende a se concentrar em poucas mãos…em parte devido à competição capitalista… – e também porque a divisão do trabalho com o desenvolvimento tecnológico estimulam a formação de maiores “unidades produtivas”…em prejuízo daquelas menores.

O resultado é uma “oligarquia do capital privado, cujo enorme poder não pode ser efetivamente controlado, sequer por uma sociedade política livremente organizada.

E isso é assim, porque os membros dos corpos legislativos são selecionados por partidos políticos, que são amplamente financiados, ou influenciados de algum outro modo…por capitalistas privados, que para todos os propósitos…separam o eleitorado da legislatura.    A consequência é que os representantes do povo não protegem de fato, suficientemente,  os interesses dos setores menos privilegiados da população… Além disso, nas condições atuais, os capitalistas privados, inevitavelmente, controlam direta ou indiretamente as principais fontes de informação (imprensa, rádio, televisão).

Torna-se assim extremamente difícil para o cidadão… e de fato impossível, na maioria dos casos, chegar a conclusões objetivas… – e assim, fazer bom uso dos seus direitos políticos, assim então exercidos…nas urnas eleitorais.

A situação predominante em uma economia baseada na propriedade privada de capital… caracteriza-se por 2 princípios centrais…, os meios de produção (capital) são possuídos privadamente – e os proprietários dispõem deles como acham melhor…, a contratação de trabalho é livre (isto é, não regulada). – É claro que, nesse sentido…não há “sociedade capitalista” pura. Em especial, é bom registar que os trabalhadores em longas e amargas lutas políticas, conseguiram assegurar uma forma um tanto melhorada de ‘livre contrato de trabalho’ para algumas categorias… Mas, tomada em seu conjunto…a economia atual não difere muito de um capitalismo “puro” (selvagem)

lucrocapitalistaA ‘produção se realiza com a finalidade    do lucro, e não pelo ‘uso’… Não existem disposições para garantir que…todas as pessoas capazes e dispostas a trabalhar sempre consigam emprego – existe um ‘exército de desempregados’ esperando oportunidades… e o trabalhador assim, sempre está com medo do desemprego.  Como trabalhadores mal pagos … além dos desempregados, não formarem um ‘mercado rendoso’, a produção de bens      de consumo é restrita – resultando grandes privações à maior parte da população, bem como aumento dos preços…pela diminuição da oferta.

O progresso tecnológico, geralmente, em vez de aliviar a                              carga de trabalho para todos… faz mais desempregados.                  

O lucro como motivação… em conjunto com a concorrência capitalista, é responsável pela instabilidade na acumulação e utilização do capital, que leva a crises cada vez mais graves. A competição irrestrita leva a um gigantesco desperdício de força de trabalho – e também à uma deformação da consciência social dos indivíduos. Essa deformação…eu a considero  o pior dos males do capitalismo…Nosso sistema educacional inteiro sofre desse mal. Uma atitude competitiva exagerada é inculcada no estudante – que, como preparação para sua futura carreira… é treinado para idolatrar um sucesso aquisitivo.

O caminho que resta para resolver todos esses males…é o estabelecimento de uma “economia socialista”, acompanhada por um sistema educacional orientado por objetivos sociais, na qual os meios de produção… utilizados de modo planejado…se tornem propriedade comum da própria sociedade.

Uma economia planejada … que ajuste a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre todos os capazes de trabalhar, e garantiria o sustento de cada homem…mulher e criança… – A educação do indivíduo… além de desenvolver suas próprias habilidades inatas, faria brotar nele … um compromisso        com seus companheiros de humanidade, em vez da glorificação do poder e sucesso,    como temos na sociedade atual. Contudo, é preciso lembrar que este planejamento            ainda não é socialismo. Uma economia planejada pode vir com a escravização total              do indivíduo… – Com efeito, a realização do socialismo, requer a solução de alguns problemas “sócio-políticos” extremamente difíceis:

Como é possível, em face da ‘centralização abrangente’ do poder político e econômico, impedir que a burocracia se torne todo-poderosa, e prepotente?… – Como se faz para proteger direitos individuais – e garantir com isso, contrapeso democrático ao poder burocrático?… – A clareza quanto às metas e problemas do socialismo é da mais alta significação em nossa era de transição. Como na conjuntura atual…a discussão livre destes problemas virou grande tabu… considero esta oportunidade um relevante ato      de interesse público. ********************** (texto base)***************************

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