‘Kaos’, ‘Termodinâmica quântica’, e os “Ciclos cósmicos”

chipanzé sorrindo

“E, não sem tempo… se os ‘idealistas’ se comprazem em elogiar essa ‘alta origem’ do homem que é Deus, já está mais do que na hora de avisá-los de que na origem do homem… só existe o macaco”. (Nietzsche)

Quando a palavra é memória, quando a verdade não trai… A realidade…feita de História…  É a matéria que nos atrai!…

Na experiência física da vida – o homem cotidianamente – por necessidade social, busca se inserir…cada vez mais – em seu mundo ao redor – compartilhando, para isso, experiências subjetivas, tentando a melhor forma “objetiva” de se expressar.  E aí…o bicho pega… A representação simbólica, nunca poderá – por definição, substituir, por inteiro, a coisa observada, mas sim…bem ou mal, representá-la, na indução simétrica da parte ao todo; e na dedução lógica…da forma…ao conteúdo.

O estudo do universo… – atualmente a cargo da…”cosmologia” – por sua complexa, e extraordinária natureza…abrange, obrigatoriamente, várias disciplinas além da física. Destas, onde a matemática ocupa seu lugar fundamental, há de início que se destacar          a ‘astrobiologia’, e ‘simulações computacionais’…de onde são criados programas para verificar (por “modelagem”) teorias impossíveis de serem testadas na prática. — Mas,  além destes caminhos ‘convencionais‘…ainda existem algumas outras possibilidades.

Método de abordagem (Epistemologia Cósmica)                                                            Topologia” é o estudo das formas contínuas e intrínsecas das coisas,                                      que através da ‘teoria quântica de campos’, nos permite – na prática,                                        a compreensão do…”Caos“. (Ian Stewart ~> ‘Em Busca do Infinito’)

Podemos entender o universo como um conjunto interligado de matéria/energia, cujo tempo de existência, se conforma à estabilidade inercial de sua configuração, sob uma ‘entropia colapsante’…Um sistema tão complexo – que para alcançar sua abrangência, precisamos usar todas ferramentas adequadas disponíveis, e entre estas, destacam-se:

a) “Teoria do Caos” (Determinístico), fundamentada pela ‘Inflação Caótica, através de uma inter-relação não-linear de dependência entre as partes… – suas “ferramentas de trabalho”…são os ‘atratorese os ‘fractais‘ [Em relação à “teoria caótica“… existem equações não-lineares (de Lorenz) que a qualificam num nível experimental… onde seus  atratores e fractais  condizem com uma realidade “cosmológica cíclica” (…o “Grande Atrator” é a melhor resposta local para a virtual possibilidade de um novo “big bang“.)]

b) Termodinâmica Quântica, que se caracteriza por distinguir o caminho evolutivo do todo… através das relações intrínsecas entre suas partes… – onde, dessa interação de seus componentes, resulta um ‘equilíbrio dinâmico’, no qual o todo é maior do que a soma das partes  – ou seja, a energia útil do sistema aumenta ao longo do tempo…pela interação de suas variáveis – o que, aliás… – é uma característica dos “sistemas não-lineares caóticos”;

c) Teoria dos Ciclos Cósmicos, já bem delineada  por Lee Smolin e N. Poplawski através da incrível (e, plausível) possibilidade – de vivermos dentro de um “buraco negro”…onde a expansão cósmica acelerada pela energia escura (do ‘vácuo’) sugere um Universo aberto, num complexo sistema de ‘retroalimentação’ ad infinitum; gerado em ciclos cósmicos localizados (a ideia de ciclos completos fica prejudicada, pela própria incompletude da teoria quântica). Tais ‘ciclos locais’ seriam a ‘resposta relativística’ tanto à falta de um cone de luz/passado no referencial local da singularidade big bang, quanto o enigma do buraco negro para um cone de luz/futuro.

Energia Cósmica de Fundo

Consideramos energia escura como a componente inercial (de vácuo) que…interagindo como umaconstante cosmológica planifica a estrutura topológica do Universo de forma infinitesimal e causal. – É como separa seu próprio equilíbrio, o vácuo assumisse níveis mínimos de energia … numa capacidade de acumular ‘energia potencial’ (negativa) limitada, de modo que…a expansão, como resultado dessa “quebra de simetria”, tendesse ‘elasticamente’, a configurar o espaço ao seu nível básico … plano, homogêneo, isotrópico (e infinito.) Neste sentido, a quantidade de matéria/energia inicial, necessariamente, não definiria a topologia do Universo a priori; pois a constante cosmológica, independente da quantidade inicial de energia…teria por finalidade “planificar” a estrutura do Universo, estabilizando-a em um nível básico deenergia de vácuo” – correspondente ao nível fundamental (T->0ºK) do seu próprio espaço/tempo, ao final dessa expansão adiabática.

Considerando a expansão do universo após o ‘domínio gravítico’, como uma…”aceleração”… em sua expansão natural – podemos (a princípio) considerá-lo aberto, com limite tendendo a infinito (e assim T -> OºK).

http://www.ccvalg.pt/astronomia/noticias/2014/10/28_turbulencia_enxames_galacticos.htm

Observações do Chandra de aglomerados galáticos sugerem a turbulência caótica como fator de inibição da formação estelar. NASA/CXC/Stanford/I. Zhuravleva

O ‘monopolo criador’

O buraco negro… até onde conhecemos, não ‘rasga‘ a estrutura do ‘espaço/tempo’. Ele acumula uma distorção que não chega ao ponto de ruptura – portanto… BNs são ‘objetos cósmicos’… – com tempo de vida determinado pela “radiação de Hawking“.

Já o “Big Rip” seria o início de um “Big Bang“…dado seu “ilimitado” poder de   acúmulo energético … rasgar o tecido do espaço/tempo … – criando uma…”zona (caótica) de instabilidade quântica” que – representaria um ‘nível inferior’ à certo limite negativo de ‘elasticidade’ do espaçotempo frente à ‘energia do vácuo’.

O nada é o vácuo, e o vácuo é cheio de potencialidades… – partículas, e antipartículas virtuais que se anulam na totalidade… apenas sendo percebidas, em situações extremas.  Com efeito, de acordo com Hawking, o buraco negro consegue interagir com esse vácuo,  em uma relação quântico/relativística… Seguindo esse raciocínio… a ‘causa motora’ dos big bangs também se justificaria – em grande escala (e grande estilo) pela aniquilação matéria/antimatériasegundo ‘ciclos cósmicos’, em quebras de simetria ‘espaçotempo’; proporcionadas, segundo Poplawski, pelo ‘limite crítico de massa em um buraco negro.

t.chaos

Entropia, Evolução e Complexidade

Se a natureza se desenvolve… criando seu próprio tempo… a resposta natural para a baixa entropia inicial do universo – é que, nos sistemas (absolutamente) caóticos‘,   onde o nº de interações entre as variáveis tende a infinito… não existe mudanças de estado… trabalho… troca de energia… – e muito menos…fluxo temporal. Já para os ‘sistemas complexos‘…com grande nº    de…variáveis dependentes – uma versão quântica da termodinâmica pode ser concebida (“estatisticamente”) com base na aplicação do ‘princípio da incerteza‘…à    3ª lei termodinâmica (T>0ºK)de modo que – a quantidade de energia (potencial) útil aumenta (exponencialmente) ao longo do tempo…em função de interações internas do sistema (‘não-linear’) – resultando em sua expansão…similar a um…”efeito borboleta”.

feiticeiroFeitiço x Feiticeiro

As leis da física…são válidas e universais, em seus próprios domínios!… E…de fato, as leis de Newton valem para qualquer observador, em qualquer lugar — exceto:  

a) para um observador…se movendo a velocidades relativísticas; ou…b) sob uma enorme “atração gravitacional”  (como na órbita de Mercúrio, ao redor      do Sol; no encurvamento da luz… pelo  Sol; e no entorno de um buraco negro).

Na ‘mecânica quântica’ essa universalidade é substituída pela localidade através do ‘princípio da incerteza’; e o ajuste fino das teorias é creditado      às “técnicas observacionais” … “simetrias” … e teorias mais abrangentes.

Sabe-se que Einstein se inspirou em Mach para conceber sua teoria…neutralizando a resultante das  forças do Universo…em um sistema espaçotemporal estático e maleável, influenciado pela componente inercial, que as massas externas supostamente exerciam,   conforme aexperiência do balde‘. – Para tanto, incluiu em sua equação de estado uma ‘constante cosmológica‘ … que neutralizaria a resultante gravitacional (colapsante).

A Lei de Hubble. velocidade = H x distância. H – constante de Hubble.Todavia… com o passar do tempo, obrigado a rever as consequências de sua suposição … — desprezou a constante por ele “artificialmente” imposta … a partir da constatação    de um…”universo dinâmico“… em “expansão linear”… – como assim comprovado pela ‘lei de Hubble‘.    Mas, como diz o ditado…”o feitiço virou contra o feiticeiro”, e a nova descoberta de uma “aceleração”  na ‘expansão do universo’, trouxe    de volta a “constante cosmológica“…na figura de uma “pressão quântico de vácuo“.

Princípios da Termodinâmica Quântica                                                                              “Um sistema mecânico… tem tantas coordenadas – quanto graus de liberdade,                    isto é, modos de dimensionar seu estado”. (Ian Stewart, ‘Em busca do Infinito’)      

Hoje em dia, se explicam as ‘anomalias’ na precessão dos astros (vide Mercúrio), e na curvatura da luz como uma resultante geométrica na distorção do… espaço/tempo,  tributada à massa dos corpos. — Mas então, o que poderia justificar (filosoficamente)          a influência externa na experiência inercial de Mach?… – Na termodinâmica clássica,        em sistemas isolados, a quantidade de energia total não se altera; assim… ao explicar fenômenos inerciais ligados ao espaço/tempo (tipo expansão, precessão e curvatura), teríamos que considerar “sistemas abertos” (sob influência externa) – ou… “sistemas complexos” retro-alimentados ao longo do tempo… – tais como…“sistemas caóticos”.

Se levarmos em conta que, tanto a interação que subsiste na ‘lei da inércia’, quanto              a que se manifesta no… ‘entrelaçamento quântico’… poderiam ser hipoteticamente interpretadas como restrição em graus de liberdade; se justificaria então… a priori:

       aordem no caos‘… pela entropia de uma termodinâmica quântica‘.  

Constante Cosmológica & Campo Escalar                                                                        ‘Ao considerarmos a constante cosmológica unidimensional, graças ao Princípio Cosmológico – negligenciamos a particularidade ‘multifocal’… do espaçotempo.’

Já se pode considerar o ‘tempo cosmológico’… desde o ‘big bang (13,8 bilhões de anos atrás) como cientificamente sedimentado. E é interessante notar que qualquer ‘viajante luminoso’ que se aventure em possíveis ‘dobras espaciais’… – se adiantará…ou atrasará (num caso mais radical de máquina do tempo) em relação a seu ‘gêmeo inercial’ imerso nesse ‘padrão universal‘ de tempo. Entretanto, para se obter uma medida do ‘tamanho total’ do Universo – esse tempo…além de multiplicado pela velocidade da luz…deve ser multiplicado por um fator de escala, já que se presume nos instante iniciais, velocidade superluminar, derivada da exponencial expansão do próprio espaço…Donde se conclui, que o “universo global” se encontra sujeito à ação de um “campo escalar“, no qual se inclui nosso “universo observável“, limitado pontualmente a objetos se expandindo      sob velocidades inferiores a da luz por eles emitida. E assim…é calculada a constante cosmológica, com base em um ‘campo de ação local‘… incluindo as ‘propriedades expansionistas’ de uma ‘força repulsiva’ com a dimensão própria de uma densidade de “energia do vácuo”. O campo escalar da quintessência‘ (função que relaciona a cada ponto uma variável) seria a dinâmica própria do universo nesse mesmo ‘espaçotempo’.

Considerando que a expansão pela ‘RCFM’ representa uma “constante cosmológica padrão“…e a calculada por um “campo escalar” (supernovas/quasares) – “constante local“…tanto uma quanto outra, seriam aspectos do mesmo Universo, sob diferentes pontos de vista: 

a) transcendente, sintético e complexo, com sua própria dinâmica, no ponto                      de vista holístico e holográfico (ou ‘metafísico’) independente do observador. 
b) intrínseco, analítico e linear, em variação cinemática…no ponto de vista                      local de um…  “independente observador”… – dependente do tempo [H(t)];

Universo transfinito                                                                                                          Numa visão mais abrangente, que incluísse a teoria do caos… poderíamos                          supor que o cosmos é parte de um Todo, e que o universo aí contido possui                        um constante estado de transformação, e mais que infinito… é transfinito.

wmap-nasa.

Reparando na evolução da figura acima (da esquerda para direita)…além da dissipação da radiação, a alteração que se faz notar (abruptamente) é o surgimento da energia escura. A relação matéria bariônica/matéria escura… não parecendo variar durante a evolução do universo, poderia sinalizar uma relação intrínseca entre elas… Por outro lado, levando em conta a energia escura como uma constante cosmológica do sistema, seria de se supor sua inesperada aparição, através de uma dissipação de energia ao longo da ‘evolução cósmica’.

Nesse caso – um bom palpite para essa conservação/dissipação…se justificaria por ciclos cósmicos locais de matéria/antimatéria.

A teoria da inflação caótica de Andrei Linde…permite criações cósmicas “aleatórias” por big bangs; já na teoria de Poplawski, existe um limite de densidade de energia, acima do qual o BN além de não evaporar, distorce o espaçotempo local a ponto de, se agrupando, forçar a sua ruptura na criação de um…’Grande Atrator’ – Buraco Branco (ou Big Bang).

Tempo é consciência, e portanto depende do observador – um objeto isolado existe por si mesmo, mas não experimenta a duração. – O tempo é sempre dependente dos objetos, do observador, e de suas relações dentro do contexto – no caso…cosmológico – para existir e ser percebido. Portanto, a ideia de um fim para o universo… — como consequência de sua expansão…é uma “perspectiva contingente”… Considerando que suas próprias interações contribuem para o seu…”crescimento evolutivo caótico” – a “métrica do universo, de acordo com as ideias de Georg Cantor  se justificaria como…”transfinita“, ou seja, um infinito que se reproduz eternamente, flutuando dentro de suas infinitas potencialidades.

A geometria euclidiana… – parte da noção de um espaço plano;                                           sendo utilizada pelas teorias newtoniana e pela relatividade restrita.

A geometria elíptica (esférica) pressupõe uma superfície fechada;                                 sendo utilizada, por exemplo, para navegação na superfície terrestre.

A geometria hiperbólica por sua vez, pressupõe uma superfície aberta;                           utilizada por Einstein… em sua teoria da “relatividade geral“… – onde ele                    considerava o universo finito e ilimitado, assim como uma hiperesfera 4D. 

Uma geometria transfinita deve ser capaz de conciliar as anteriores – através da influência no espaçotempo de um potencial de vácuo…incluindo aí…a aceleração da expansão, bem como fenômenos quânticos de salto, tunelamento, e entrelaçamento.

Quem precisa de Multiversos?…                                                          Transubstanciação’: quando uma unidade substancial se dissolve na multiplicidade          de seus predicados – um de seus predicados anteriores se estabelece como um novo sujeito, requisitando retroativamente seus próprios pressupostos. (Georg W. Hegel)

Em em relação à possibilidade de outros universos – temos que recorrer à filosofia para separar o joio do trigo, e de posse da ‘Navalha de Ockham‘…indagar sobre sua utilidade.    A vida pertence a este universo…que nesse sentido – é fechado… apesar da evidência da aceleração da expansão, justificada pela ‘energia escura’, nos indicar o contrário. Então, com a ajuda da imaginação, ao adquirirmos o poder de extrapolar os domínios do ser, e assim… – juntarmos evidências lógicas…temos de criar modelos que justifiquem outros universos. Com base nesse paradoxo, poderíamos então supor que o universo é fechado (em ciclos) à vida, e aberto à energia/matéria…em suas transformações. – Dessa forma, como uma ferramenta válida e possivelmente verificável, diríamos que a aceleração da expansão sugere uma aniquilação matéria/antimatéria – geradora da energia potencial acumulada de vácuo, causa motora dos Big-Bangs em ciclos aleatoriamente localizados.

Donde se conclui que, a aleatoriedade caótica agindo dentro de um universo cósmico… – lhe dá a condição… de sua própria existência. ****************************************************************

simewtria-joao_torres

A “contrapartida referencial”

Tanto na ‘relatividade restrita’, quanto na mecânica clássica as mudanças que um observador em A percebe para um objeto em são simétricas em relação aos referenciais; isto é… inversamente   as mesmas que um “observador” em    B — percebe para um ‘objeto‘…em A.      Já o mesmo não ocorre na realidade quântica…onde o observador macro,    se perde — tentando determinar — as características (posição, e velocidade)    de um objeto micro, sem a respectiva      contrapartida referencial“…

A relativa independência do observador…em relação às ‘influências globais’ do universo é caracterizada pela existência de um referencial inercial local conectado no espaçotempo por um entrelaçamento (quântico). – Enquanto isso, a realidade em sua forma perceptiva, é regida – relativisticamente – pelo limite da ‘velocidade da luz‘ – e, suas transformações.

Essa é uma ‘interpretação real‘, e praticamente consensual; mas, algumas décadas atrás… houve um grande debate entre Einstein e Bohr… sobre o “cerne da questão”.bohr-e-einstein

Apoiado pela ‘experiência EPR’, e perante as incongruências quânticas (dos saltos e tunelamentos)… Einstein sustentava uma interconexão ‘subjetiva’ das partes — que justificasse a realidade objetiva do mundo; enquanto Bohr sustentava…por meio de         uma abordagem estatística, que os termos teóricos de sua “complementaridade” definiriam os limites desta realidade (a “partida”… continua ainda em andamento.)

Vácuo quântico (e suas possíveis implicações)                                                                    

O nada é o vácuo, e o vácuo está cheio de campos de partículas e antipartículas…que se anulam na totalidade – mas, demonstram sua ‘potencialidade’, percebida em situações extremas (“fenômenos críticos“) longe do equilíbrio. Várias grandezas termodinâmicas (calor específico, compressibilidade e suscetibilidade magnética…por exemplo) exibem ‘comportamento singular’ nessas regiões críticas, próximas ao ‘ponto de inflexão‘… Tal “caráter universal”… se caracteriza por expoentes críticos em divergências assintóticas, onde, sem causas aparentes, pequenos efeitos podem ter consequências inimagináveis,      e eventos súbitos parecem “surgir do nada”. Estima-se a frequência dessas “flutuações imprevisíveis” no…”estado crítico” – mas não…sua intensidade, ou data de ocorrência. 

Se… – por um lado… a “Radiação de Hawking” do ‘buraco negro‘ consegue objetivar essa ‘interação’,    se tornando um dos primeiros elos de ligação entre a relatividade e a ‘mecânica quântica’… — por outro, se pode também considerar… uma  densidade crítica (massa/energia) para tais ‘bizarros corpos celestes’, que além de tal limite…gerariam a expansão do próprio espaçotempo, fundamentando a inexorabilidade aleatória dos chamados Big Bangs.

E, completando esse esboço  geral…incluímos a ideia de Cantor dos “nºs transfinitos, para, matematicamente, alcançar a ‘realidade infinita’ em sua forma virtual de potência, caracterizando assim uma energia potencial de vácuo quânticosugerida por David Bohm como o potencial quântico da função de onda de um campo funcional…fornecendo informações sobre o restante do universo em cada ponto “emaranhado” do espaçotempo.

Com o potencial quântico de Bohm acoplando uma relação dinâmica a um ‘espaçotempo’ escalar, podemos eventualmente considerar a produção de ciclos cósmicos, a partir de uma “densidade crítica” colapsante…numa potencial alternância da aniquilação matéria/ antimatéria (causa motora de “Big-Bangs”). Abre-se assim, a possibilidade de se abordar os dois aspectos cosmológicos (micro e macro) como complementares – ao se colocar os efeitos quânticos e relativísticos, todos, dentro de um mesmo “contexto epistemológico”.  *****************************(texto complementar)*********************************

Com a lei da entropia crescente, ou desordem, a ciência da termodinâmica sugeriu que havia, de fato, um grande perigo. Esta lei diz que qualquer sistema fechado deve, mais cedo ou tarde, alcançar o estado de ‘equilíbrio térmico’, quando então, toda estrutura e todos movimentos regulares devem se dissipar. – Assim nasceu a ideia da necessidade    da morte (térmica) do universo como um todo. Este pensamento implica que o ‘estado final’ de qualquer universo descrito pelas leis de Newton deve ser o de um…”equilíbrio estável”…e que toda mudança representa apenas, improváveis… ‘flutuações aleatórias’.

Mas, as hierarquias de estruturas que vemos no céu não são aleatórias… foram criadas e mantidas por processos que acontecem nas estrelas e galáxias… – E, para entendê-las, é necessário mais que apenas saber como dividir tudo em suas partes…devemos aprender como surgiu, com a evolução do universo, uma hierarquia de estruturas e processos tão complexa. – A questão da origem da estrutura do universo, portanto, não é diferente da questão da origem da vida… Precisamos saber se – dadas as leis da física… era provável que tais processos se formassem espontaneamente… (Lee Smolin…”A vida do Cosmos”)    *********************************************************************************

Transição de fase do ‘espaço-tempo’                                                                                “Não é necessário sair da análise do universo físico…para entender sua origem,                pois processos não-lineares não requerem necessariamente a existência de um            agente externo para consequentemente provocar sua existência”. (M. Novello)

receita-universo

Um universo… em expansão como o nosso, pode emergir de uma forma extremamente simples – que mais parece uma “receita de sopa instantânea” … é só aquecer, e mexer.  Quando uma sopa esquenta…ela começa a ferver…e fica pronta.  Quando o tempo e o espaço são aquecidos…fica pronta – não uma sopa, mas um universo em expansão, sem a necessidade de outro “ingrediente”; como um… “Big Bang“… – por exemplo.

Esta transição de fase entre um espaço vazio entediante…e um movimentado universo em expansão, pleno de matéria, acaba de ser demonstrada matematicamente por uma equipe das universidades de Viena, de Edimburgo, Harvard, e MIT. Mais do que tentar deixar de lado a ideia do Big Bang…a ideia por trás deste resultado estabelece uma conexão notável entre a teoria quântica de campos, e a relatividade de Einstein.

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“Livro de receitas” para o espaço-tempo

Todo o mundo conhece as transições entre as fases líquida, sólida e gasosa… – Mas… tempo e espaço também podem sofrer uma ‘transição de fase’ – como mostraram os físicos Don Page… e Steven Hawking, em 1983. Eles calcularam que     o ‘espaço vazio’ pode se transformar em um buraco negro a uma temperatura específica. O que se está propondo agora… é que um processo similar pode criar – de um espaço-tempo vazio, um universo (como o nosso) em expansão… — através de uma “temperatura crítica”.

Daniel Grumiller explica que… “Quando o espaço-tempo vazio começa a ferver, pequenas bolhas se formam…uma delas se expande…e eventualmente, engloba todo espaço-tempo”.  Mas, para que isso seja possível… o universo tem de girar – de forma que a receita para a criação de um universo fica sendo simplesmente…aquecer e mexer E ainda, a rotação necessária pode ser arbitrariamente pequena… Além do que…nessa primeira abordagem teórica é considerado um espaçotempo com apenas 2 dimensões espaciais (s/gravidade).

universo-holograficoA nova teoria é – o passo lógico seguinte… após a assim chamada …”correspondência AdS-CFT“, conjectura… – apresentada em 1997 que muito influenciou a investigação fundamental em física, desde então. – Ela descreve uma ligação… entre as teorias da gravidade, e as de um campo quântico, ao propor que afirmações deste “campo”…se traduzam gravitacionalmente e vice-versa.

“princípio holográfico”

Nesse tipo de correspondência a teoria quântica de campos é sempre descrita em uma dimensão a menos do que a teoria gravitacional…e esse é o “princípio holográfico”. De maneira semelhante a que um ‘holograma bidimensional’ pode representar um objeto tridimensional – uma “teoria quântica de campos”… com 2 dimensões espaciais, pode descrever uma dinâmica física em 3… Para isso, os cálculos gravitacionais geralmente,    têm de ser feitos numa espécie exótica de geometria…os “espaços anti-de Sitter”…que      são bastante diferentes da geometria plana à qual estamos acostumados… No entanto,    tem-se suspeitado já há algum tempo – que possa haver uma versão semelhante deste  princípio para espaços-tempos planos. Mas, ainda não há um modelo provando isso.

Ano passado, porém, Grumiller estabeleceu um modelo de ‘princípio holográfico‘…o qual  levou ao problema agora abordado, e à transição de fase do espaço-tempo…Transições de fase em teorias quânticas de campo são bem conhecidas. Mas, por razões de simetria isto significaria que teorias gravitacionais também as apresentariam. – E Grumiller concluiu:

“No começo…este era um mistério… — pois significaria uma ‘transição de fase’ entre um espaçotempo vazio e um universo em expansão… – o que para nós soava extremamente improvável…Porém, os cálculos mostraram exatamente isso.”  (texto base)  30/12/2013

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em apresentação, cosmologia. Bookmark o link permanente.

3 respostas para ‘Kaos’, ‘Termodinâmica quântica’, e os “Ciclos cósmicos”

  1. Cesarious disse:

    Para além da curva da estrada talvez haja um poço,
    e talvez um castelo
    Ou talvez apenas a continuação da estrada.

    Não sei nem pergunto,
    Enquanto vou na estrada antes da curva

    Só olho para a estrada antes da curva
    Porque não posso ver senão a estrada antes da curva.
    De nada me serviria estar olhando para outro lado
    E para aquilo que não vejo.

    Importemo-nos apenas com o lugar onde estamos,
    Há beleza bastante em estar aqui e não noutra parte qualquer.

    Se há alguém para além da curva da estrada
    Esses que se preocupem com o que há para além da curva da estrada,
    Essa que é a estrada para eles.

    Se nós tivermos que chegar lá,
    quando lá chegarmos saberemos.
    Por ora só sabemos que lá não estamos.

    Aqui há só a estrada antes da curva,
    e antes da curva
    Há a estrada sem curva nenhuma.

    Alberto Caeiro

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