“Perigo em Pégasus!”

“Estamos bem seguros com respeito ao Sol. Ele é bem                                      tranquilo…comparado ao que vemos em outros sóis.”

estrelainteriorUma estrela…desde que se condensa a partir de uma nuvem de gás, está sob a ação de sua própria gravitação. A gravidade comprime o gás para o centro da estrela … obrigando-a a produzir energia que gera pressão suficiente para conter o colapso.

O núcleo da estrela… gigantesco reator de fusão nuclear, processa a matéria do meio interestelar… – sintetizando, a partir dela, elementos químicos mais pesados.

A gravidade atua inexoravelmente, comprimindo a estrela até levá-la a esgotar sua fonte de energia. As estrelas de pequena massa caminham para a morte esfriando lentamente, enquanto que as de grande massa explodem violentamentecom um brilho 100 bilhões   de vezes maior que o Sol…espalhando pelo meio interestelar os elementos químicos que foram processados no núcleo. A matéria interestelar assim “enriquecida”…de elementos pesados será continuamente reprocessada…  —  em novos “ciclos de formação estrelar”.

A maior proporção de elementos químicos pesados nas estrelas jovens… – em relação às mais antigas … é evidência de que muitos ciclos de reprocessamento ocorreram na nossa Galáxia desde sua formação. A matéria, base da constituição dos organismos vivos (C, O, Fe, etc.) teria se originado no centro de estrelas — e participado de eventos catastróficos envolvendo as maiores liberações de energia conhecidas no Universo. – Podemos…pois, dizer que somos um dos produtos da evolução estelar.

ciclo H

O processo mais simples de nucleossíntese ESTELAR é a queima de Hidrogênio com a formação de Hélio.

Evolução Estelar (estágios iniciais)

A energia liberada pela fusão dos núcleos atômicos no interior das estrelas… gera a pressão necessária para equilibrar toda a sua massa, em compressão gravitacional. Nesse processo… uma parte da energia é irradiada. As estrelas de massa reduzida, queimam lentamente o Hidrogênio … de modo…a nunca atingir uma temperatura suficiente para iniciar a queima de Hélio.

pp

O valor para a temperatura do núcleo do Sol é de 15 milhões de graus Kelvin, e à esta temperatura, o ciclo próton-próton domina.

À medida que o Hidrogênio vai se fundindo em He… o número de partículas livres no centro da estrela vai diminuindo, gerando um redução da pressão interna.

Desta forma … à medida que a própria estrela vai produzindo “elementos químicos” pesados, a geração de energia por fusão se torna mais ineficiente.

Para queimar elementos mais pesados são necessárias temperaturas mais elevadas… Sem fonte de energia — a massa estelar é comprimida até atingir densidades elevadas…Nessas condições, a “equação de gás perfeito” não mais descreve o comportamento da matéria, e temos que construir outra.

Para isto…temos que elaborar modelos levando em conta o tipo de interação dominante entre as partículas, para cada densidade. Se a aceleração da gravidade for muito elevada,     o campo gravitacional newtoniano não é mais uma aproximação satisfatória…e torna-se necessário utilizar a teoria da ‘Relatividade Geral’. – Assim o conhecimento da evolução estelar depende das refinadas elaborações da Física…Mecânica Quântica e Relatividade.

Todavia…o progresso de técnicas observacionais tem sido extremamente rápido nos últimos anos, e os dados já se amontoam…exigindo técnicas de processamento mais rápidos… As Anãs Brancas são hoje bastante conhecidas, a existência de ‘Estrelas de Neutrons‘ foi posta em evidência em 1967… – e objetos astronômicos… suspeitos de ocultarem “Buracos Negros” são incessantemente observados no solo e em satélites,         em todas as faixas de ondas eletromagnéticas. (texto base) ******************************************************

Erupção em II Pegasi

Nessas férias… — evite viajar para o sistema binário II Pegasi. Cientistas detetaram uma ‘erupção estelar’ tão forte lá… — que, se houvesse algum planeta habitado, toda vida ali teria instantaneamente sido extinta. – E, talvez o mais incômodo, na história toda, é que a estrela que originou a catástrofe se parece com nosso Sol.

A erupção é a mais energética já vista na história da astronomia, resultando numa liberação de energia, de cerca de 100 milhões de vezes mais poderosa do que a típica ‘erupção solar’. – A deteção foi feita pelo satélite Swift, da Nasa, em dezembro de 2005… e, a partir daí…estudada pelo grupo liderado por Rachel Osten da Universidade de Maryland.

Spectral distribution RS CVn Bynary II Pegasi

Distribuição de energia espectral do sistema binário II Pegasi, medido pelo telescópio espacial Spitzer. A fotometria infravermelha do sistema estelar mostra um fluxo em excesso das fotosferas estelares, indicando a presença de peira circunstelar, possivelmente de um sistema fóssil planetário, recentemente desestabilizado pela evolução da estrela binária RS CVn. [NASA / JPL-Caltech / Harvard-Smithsonian CfA]

Estrelas binárias RS CVn

Acredita-se que a convecção… — juntamente com uma alta rotação estelar… resulte em um mecanismo de dínamo que converte a energia mecânica de rotação e convecção em energia magnética. Este dínamo é o que impulsiona a atividade solar e estelar. As estrelas ‘RS CVn’ são do tipo tardio da evolução espectral, encontradas em “sistemas binários”.

O fato de serem “estrelas frias” significa que possuem uma profunda “zona de convecção”. Além disso, por formarem sistemas binários, o ‘efeito de maré’ com a estrela companheira a obriga a girar em alta velocidade…Em consequência, essas estrelas mostram o resultado da atividade magnética na forma de manchas estelares (através do efeito Doppler), ‘flares’, ‘coroa estelar’, emissão cromosférica em raios-X, etc.

Devido à profunda zona de convecção, e altas taxas de rotação do par estelar… o nível de atividade é muitas ordens de grandezas maior que a atividade solar. No Sol por exemplo, as manchas solares cobrem apenas um pequeno percentual da superfície solar – mesmo durante o máximo período. Nas estrelas do tipo ‘RS CVn’ entretanto as manchas podem cobrir de 10 a 20% da superfície.

Acredita-se que as estrelas sejam binárias coalescentes                                   de tipo tardio… – pelo alto grau de rotação do sistema.

Supõe-se que as manchas estelares…assim como as solares, definam o fluxo magnético da superfície. Sendo assim, o efeito Doppler desses fenômenos nos fornece informações valiosas sobre a morfologia das manchas…além da rotação diferencial da estrela, e os ciclos de atividade estelares – de uma forma bem parecida com o valioso resultado do estudo das manchas solares, sobre o que sabemos da atividade solar. (gráfico) (texto)

Travamento gravitacional

O objeto está a 135 anos-luz da Terra… uma distância segura – mas é impossível não imaginar que algo parecido…ocorra com nossa própria estrela. Afinal de contas… a geradora da erupção ‘monstruosa’ é uma estrela um pouco mais velha…e um pouco menor do que o Sol.

Osten destaca que – a despeito das similaridades entre a estrela violenta e o Sol, existe uma diferença fundamental — aquela vive num sistema binário, ou seja é ‘casada’ com outra estrela. Não surpreende que estrelas casadas fiquem meio estressadas de vez em quando…  — E… ao que parece… nesse caso… foi exatamente isso o que aconteceu…

O fato das 2 estrelas girarem muito próximas uma da outra… — fez com que a gravidade as levasse a ter o mesmo tempo de rotação, e de translação. Trata-se de perigosa combinação, que pode levar a tragédias… Como diz Osten:

“A maioria das estrelas com a idade do Sol são bem calmas, como o Sol… Você precisa de algum mecanismo especial, assim como um  ‘travamento gravitacional’  de órbitas da estrela binária com a rotação, para ter uma “estrela ativa“…com tais erupções.”

A parte perigosa é que a erupção vista nesse sistema binário ocorreu – como resultado das 2 estrelas “travarem” suas órbitas com sua rotação … o que acontece somente depois que as estrelas passam da idade de produzirem erupções … por serem jovens.

A astrônoma também aponta, que o achado pode ser má notícia para as perspectivas de desenvolvimento da vida em outras partes do Universo…“Sim, eu acho que isso precisa     ser reavaliado. – Em tese você poderia ter formação planetária (e vida) evoluindo ao redor de um sistema assim, e então…quando as órbitas sincronizarem com a rotação     das estrelas a erupção surgiria. – Isso não é atualmente levado em conta em estudos astrobiológicos.”

Mas, como boa astrônoma, Osten prefere destacar as revelações puramente astronômicas do estudo. – Segundo ela, essa é a primeira vez que se consegue observar as propriedades dos elétrons que são acelerados durante uma erupção dessas em outra estrela… Até então, isso só havia sido observado em nosso Sol.  *********[G1-Ciência (27/11/2006)]********* 

Swift

Um ‘CLARÃO’ gigantesco em Pégasus               Um gigantesco clarão foi detetado em um sistema binário estelar pelo satélite ‘Swift’ da NASA, pode ter sido… – o mais poderoso ‘flare‘ já observado.

A princípio…originados do súbito realinhamento de campos magnéticos – na alta atmosfera das estrelas, os “Flares” impulsionam as partículas até altíssimas velocidades. – Ao serem aceleradas, essas partículas emitem raios-X de alta energia. – Esta radiação, por ser de curta duração, normalmente não é observada, mas aquece o gás na superfície estelar… até milhões de graus… O gás quente então, emite raios-X menos energético…  —  previamente detetado pelos ‘flares’.

Novas observações, ocorridas em dezembro de 2005, no entanto, sugerem que o telescópio espacial ‘Swift’ da NASA detetou – pela primeira vez…a emissão original de raios-X de alta energia das partículas aceleradas em um ‘flare‘, confirmando o mecanismo básico por trás de tais eventos. – Rachel Osten, da Universidade de Maryland, EUA…conduziu os estudos.

O flare foi ejetado de uma estrela chamada II Pegasi… a 135 anos-luz da Terra. Foi 100 mil vezes mais poderoso do que os ‘clarões’ mais violentos já observados no Sol, tendo durado mais de uma hora, enquanto os ‘flares’ solares geralmente emitem raios-X por apenas uns poucos minutos, disse Stephen Drake, do Centro Goddard da NASA, em Maryland – EUA.

Os ‘clarões’ muito fortes geralmente acontecem em estrelas muito novas, que giram uma vez a cada 2 dias ou mais (o Sol gira uma vez a cada 28 dias). A rotação mais rápida gera mais energia magnética, o que, por sua vez, acarreta ‘flashes’ mais potentes. II Pegasi no entanto não segue este padrão – supondo-se ser mais antiga que o Sol…Mas, na verdade,   é um par binário, e a gravidade da companheira a faz girar mais rapidamente; uma vez a cada 7 dias.

Acredita-se que… nos últimos bilhões de anos… o Sol já teve flares com um poder aproximado, quando tinha apenas alguns milhões de anos de idade,   e girava bem mais rapidamente; mas sua velocidade de rotação diminuiu bastante, para poder produzi-los desde então.

O flare aconteceu em dezembro de 2005, e foi tão poderoso que poderia ter eliminado qualquer potencial de vida nas suas proximidadesOs cientistas ainda não entendem totalmente o mecanismo desses disparos, mas esperam aprender mais sobre eles com         o Swift. O satélite pode monitorar grande parte do céu num dado momento… – o que permitiu capturar esse raro e ultra-poderoso processo em andamento. E, logo alertar        os astrônomos sobre o evento… – para que os telescópios terrestres pudessem então acompanhar as observações… – em outros comprimentos de onda. ** (texto original) ******************************(texto complementar)******************************

Pégasus LL

Espiral em Pégasus (mar/2017)

Novas imagens captadas pelo maior radiotelescópio do mundo o ‘ALMA’, mostram a “espiral cósmica” que se formou pelo gás expelido, de forma contínua — pela estrela binaria “LL Pegasi” — também conhecida como ‘AFGL 3068‘ … informa o seu site. As imagens disponibilizadas aparecem em 2D, no entanto é destacado no artigo que em 3D a espiral tem a forma de concha.

Esta descoberta revela dados sobre a natureza das ‘estrelas binárias‘, através do gás que emitem, e que permanece muito afastado da estrela, a uma distância de vários milhares de raios estelares; e vai ajudar os cientistas a determinar a órbita da estrela binária, dado que esta órbita de forma elíptica se reflita em cada ciclo da espiral…como explica Mark Morris, co-autor do estudo:

“Este sistema invulgarmente ordenado, abre as portas à compreensão de como as órbitas de estes sistemas evoluem com o tempo, já que cada ciclo espiral mostra uma órbita diferente… em um marco de tempo diferente”.

Os pesquisadores destacam que as estrelas binárias LL Pegasi concluem o ciclo em torno à sua órbita elíptica durante 800 anos… – e, que a interpretação da espiral … em forma de concha… – representa uma maneira de sequenciar a ‘historia total’ do movimento orbital”.

Esta observação foi realizada pelo “ALMA” (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), localizado no deserto de Atacama — no Chile… — Esta instalação conta com 66 radiotelescópios de alta precisão que funcionam em simultâneo, o que faz com que, no conjunto, possa ser considerado o maior radiotelescópio do nosso planeta. (texto base)

Anúncios

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
Esse post foi publicado em astronomia, poesia e marcado , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para “Perigo em Pégasus!”

  1. Cesarious disse:

    Artéria Estelar

    Arte,  matéria         
    Artéria estelar       
    Do ar que respiro       
    Ao lento pulsar                                           

    Nave…navega    
    Em seu próprio mar             
    O mundo sedento                                   
    Ao seu tempo e lugar                                       

    A parte que é minha   
    Caminha pra ser            
    Uma parte que sua,                                   
    Como a lua e o vento…         
    No meu pensamento                           
    Não há que se ater                                                                                                                                                                   
    O Todo é tudo,   
    E em tudo se faz                                                                                         
    Muito embora,   
    À sombra das horas        
    A minha verdade         
    Escorra pra trás.

    Já o Todo que é nada,
    Nada de mal me traz,  
    A não ser, uma infinita saudade       
    Por tudo aquilo
    Que hoje, já não existe mais.

    Cesar Augusto Pinheiro

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s