O que é Ciência… segundo Paul Davies

“A origem do conhecimento… é o esforço de se expressar – em termos de objetos físicos, as múltiplas funções sensíveis da natureza.” (Whitehead)

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Apesar de concordar, plenamente, que devemos respeitar as visões do mundo de povos não europeus, não penso que matérias como… ‘astronomia maia‘, e ‘acupuntura chinesa‘, p.ex, obedeçam   à mais “estrita” definição de “ciência“.

O sistema ptolomaico de “epiciclos” logrou alcançar razoável precisão —  descrevendo o movimento dos corpos celestes…contudo não havia qualquer teoria subjacente ao sistema.

A mecânica newtoniana, ao contrário, não apenas descreve os movimentos planetários de modo mais simples — como conecta o movimento da Lua com a queda da maçã. E, isto é verdadeira ciência; pois revela coisas que não podemos saber, de nenhuma outra maneira. Terá a astronomia maia, ou a acupuntura chinesa…alguma vez conduzido a uma previsão não trivial que não tenha falhado – e…conduzido a novos conhecimentos sobre o mundo?

Muitas pessoas tropeçam no fato de que certas coisas funcionam, mas a verdadeira ciência consiste em saber por que razão as coisas funcionam.

Tenho uma atitude de abertura em relação à acupuntura, mas se tal coisa funcionar, apostaria muito mais numa explicação baseada em impulsos nervosos do que em misteriosas correntes de energia, cuja realidade física nunca ficou bem demonstrada.

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Por que razão nasceu a ciência na Europa? — Na época de Galileu e Newton…a China era muito mais avançada… — tecnologicamente. Entretanto, a tecnologia chinesa (e a dos aborígenes australianos) foi alcançada por tentativa e erro — ao longo de muitas gerações…

O boomerang não foi inventado com base na compreensão dos princípios hidrodinâmicos, para depois chegar ao instrumento. A bússola, descoberta pelos chineses – não envolveu a formulação dos princípios do magnetismo. Estes princípios emergiram da — verdadeira — cultura científica europeia.

Claro que, historicamente, surgiu também alguma ciência de descobertas acidentais…só mais tarde compreendidas… – Mas, os exemplos mais óbvios da verdadeira ciência…tais como… ondas de rádio, energia nuclear, computador e engenharia genética…surgiram – todos eles, da aplicação de uma ‘compreensão teórica profunda’, que já existia – muitas vezes, há muito tempo… – antes da tecnologia que se procurava.

As razões que possibilitaram à Europa dar a luz à ciência…são complexas…mas, com certeza, se devem muito à ‘filosofia grega’, e sua noção de alcançarmos…a ‘razão’ do ‘funcionamento do mundo‘…por meio do pensamento. Além do que…às 3 religiões monoteístas…’judaísmo’, ‘cristianismo’ e ‘islamismo’ – pela noção de uma “ordem natural”… legitimamente criada (… e imposta) por um “Grande Arquiteto.

Apesar da ciência ter começado na Europa, hoje é universal… estando disponível para ‘toda humanidade’.     Assim, devemos então… continuar   dando valor ao sistema de crenças             de outras culturas… reconhecendo – ao mesmo tempo … o ‘legítimo conhecimento científico’…como – de fato – algo especial… – transcendente à cultura. (texto base)  *************************** (tradução Desidério Murcho) ********************** 

Einstein the mind of god

Alguém governa o Universo?

Quando o homem, aprendeu a escrever o que lhe ia pela cabeça, descreveu pela 1ª vez um sonho ambicioso … – um dia saber por que vivemos nesta Terra, e… descobrir o motivo de nossa existência, bem como da existência do “Universo”.

Apesar de alguns ainda acreditarem ser possível chegar a esse conhecimento por meio de uma revelação mística…enquanto outros acham a chave de tudo na lógica e na razão, no “mundo moderno”, a maioria vê na ciência o caminho para alcança esse objetivo. Porém…sempre fica alguma coisa sem explicação. A verdade que imaginam ter alcançado… – sempre se revela enganosa… – uma ‘quimera’.

Ainda assim, os cientistas não renunciam ao propósito de encontrar uma explicação definitiva para o mistério do surgimento do Universo… E, trabalham a partir de um pressuposto… – para poder explicar a existência do Cosmo pela razão…é necessário     que ele seja um ente racional.

As fortes raízes medievais                                                                                                         O deus de Tomás de Aquino é abstrato… – e está acima de nossa realidade…Talvez por isso mesmo, sua concepção fundamentou o pensamento cristão durante muitos séculos, assim como também … o próprio pensamento europeu’.

A ciência moderna tem suas raízes fincadas na Europa medieval, e nasceu sob a influencia dos filósofos gregos e da teologia judaica-cristã. – Os primeiros…convencidos do poder do ‘raciocínio sistemático’… – acreditavam ser possível descobrir os fundamentos do Cosmos mediante o ‘pensamento lógico’. Alguns…entre eles Pitágoras, pensavam que o Universo é matemático por natureza… – assim, só seria necessário desenvolvê-la e aperfeiçoá-la para poder explicar o cosmos completamente.

A religião judaica por sua vez, trouxe a ideia de um deus transcendente, criador do mundo e de suas leis, onde a evolução do Universo, desde sua criação…faria parte do plano divino. Essa imagem de Deus como ‘legislador todo-poderoso’ foi transmitida à doutrina cristã…e dominou a cultura européia medieval… – enquanto que a filosofia clássica ficou esquecida.

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Tomás de Aquino … — que estudou em Colônia … e se tornou famoso em Paris, aplicou rigorosas técnicas da geometria grega ao estudo da Teologia… com seus axiomas (princípios não demonstráveis, mas… presumidos certos)… — além dos teoremas (…teses demonstráveis).

A doutrina tomista imaginava Deus como algo perfeito e racional… – ou seja, ‘consciente’; tendo criado o Universo como manifestação de sua ‘inteligência superior‘… – O essencial dessa doutrina é a ideia de que esse deus criador existe fora do tempo, e por isso suas leis são verdades eternas… — algo parecido com o que pensavam os gregos a respeito de seus teoremas matemáticos.

O despertar das ciências naturais                                                                                     No século XIII, o Velho Continente redescobriu Platão e Aristóteles, graças às traduções dos filósofos árabes… – a mistura das 2 concepções do Universo, formou a base do novo pensamento ocidental’.

Quando Isaac Newton e seus contemporâneos do século XVII construíram os fundamentos da Física, estavam convencidos de que…com seus descobrimentos, seguiam no caminho de Deus e de suas obras… – Acreditavam… firmemente… que a ordem racional descoberta na natureza tinha origem divina, mantendo a crença de que as leis da natureza sejam eternas.

O recurso à divina providência resolveu muitos problemas, em tempo de grande fervor religioso…tal como era a época em que Newton viveu. Seu abandono deixou um grande vazio no pensamento moderno. Com efeito, ao desacreditarmos que as leis naturais são ideias de um Deus… – corremos o risco de transformar a ciência em algo insustentável, indecifrável. Ainda mais considerando que as leis da natureza não são, de modo algum, fáceis de entender.

Pense, por exemplo, na simples lei da queda dos corpos. Galileu Galilei só a compreendeu…depois de observá-las cuidadosamente… realizando muitos experimentos. E, quando a formulou publicamente, enfrentou o ceticismo geral…

O problema é que… grande parte das pessoas não consegue intuitivamente enxergar que os corpos … pesados ou leves… quando sob a influência da lei da gravidade terrestre…aceleram do mesmo modo.

resistência do ar faz obscurecer as bases da “lei da queda dos corpos” … quando não dispomos de minuciosos conhecimentos físicos e matemáticos.

‘Código Cósmico Secreto                                                                                               “Gênios existem em todas as gerações, o que prova que a aptidão matemática                   se encontra gravada hereditariamente nos genes humanos… – Mas, por quê?”

O físico americano Heinz Pagels falou de um código cósmico secreto para referir-se à dificuldade de compreensão da ciência. As leis da natureza estão formuladas em uma espécie de escrita cifrada… daí não podermos percebê-las diretamente. A missão dos cientistas seria estudar esse código, e decifrar as mensagens… – o que só se consegue     com uma equilibrada combinação de experiências e teoria.

Pagels pensava…que a experiência é uma consulta à natureza, e que o cientista recebe respostas também codificadas. Por isso, deve decifrá-las e ordená-las de forma racional.

Contudo, sendo assim, cientistas ateus se encontram diante de um novo problema. – De onde afinal, vem essa “aptidão humana” para decifrar as leis da natureza?… Se nossas qualidades intelectuais – são o resultado de uma evolução biológica, pode-se deduzir que a capacidade de decifrar as leis da natureza representa uma vantagem na luta pela sobrevivência. – No entanto, não é muito fácil de se reconhecer isso.

Costuma-se dizer que já é uma vantagem nessa luta a capacidade de desviar-se dos objetos que caem do alto, ou entender os ‘ritmos naturais’…como a sucessão das estações ao longo do ano… – Porém, essas habilidades não são conquistadas pelo cérebro… surgem de modo puramente intuitivo… – E não são características apenas “humanas”…pois outros animais conseguem desenvolvê-las, embora não sejam capazes de entender nenhuma lei científica.

A capacidade de enfrentar tais situações está simplesmente arquivada no cérebro, graças às experiências anteriores em situações similares. – Por exemplo, quando nos afastamos apressadamente do local em que vai cair uma árvore … não utilizamos os conhecimentos das leis da Física adquiridos pela pesquisa. É certo que as ciências naturais conseguiram êxitos excepcionais… mas, não se pode dizer que alguém versado nos segredos do átomo conseguirá sobreviver na selva com mais segurança.

Matemática – uma Linguagem evolutiva?                                                                       Nossos cérebros estão adequados, de forma admirável, a compreender os               modelos e princípios da natureza – precisamente aqueles campos que não                         têm a menor importância para a evolução biológica da espécie’.

O mistério torna-se ainda maior ao examinarmos a forma como se usam os saberes científicos….A maior parte das nossas conquistas no campo das ciências exatas está formulada em linguagem matemática. Todas leis fundamentais da Física podem ser escritas de forma resumida, por fórmulas numéricas. Mas a Matemática não nos foi             dada pela evolução… – É produto da “inteligência humana superior”…surgindo das             partes altamente desenvolvidas do nosso cérebro – o órgão mais complexo, por nós conhecido. – Entretanto, apenas se supõe que as qualidades dele decorrentes sejam             uma vantagem biológica para os homens… (vide a sobrevivência… – como espécie.)

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Em todo caso…não se pode desdenhar a importância da ‘aptidão’ para o pensamento matemático nos dias atuais. Como exemplo, nos últimos anos impôs-se no campo da           física matemática, um objetivo prioritário… – a “unificação“.

Muitos físicos teóricos confiam em que todas as leis básicas da Física podem fundir-se numa única “super-lei“. – Essa teoria se resumiria por uma breve formula matemática, suficientemente curta para ser pintada em uma camiseta. A partir dessa fórmula, seria possível deduzir uma descrição científica de toda a natureza.

O matemático Stephen Hawking estava imbuído dessa esperança quando colocou essa pergunta, como título de sua conferência de ingresso na Universidade de Cambridge… “Está à vista o fim da física teórica!?” Naturalmente, pode ser simples excesso de otimismo…. – Mas o certo é que nos 3 escassos séculos transcorridos desde Newton, a ciência progrediu o suficiente para poder explicar com ‘filigranas matemáticas‘…uma enorme quantidade de fenômenos da natureza.

As teorias da relatividade e mecânica quântica, por exemplo, são cada vez mais confirmadas com novas experiências e observações. Com elas, podemos tornar compreensível, não apenas o micromundo interior de um átomo, mas também   gigantescos fenômenos cósmicos. Desse modo pode-se dizer que a teoria física     atualmente disponível…compreende – ainda que deforma provisória‘… uma         descrição exata do mundo.

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Horizonte fundamental

Alguém pode imaginar … que as leis que regem o universo são muito complicadas para nossa inteligência…Por incrível que pareça, não é bem assim.

É verdade que … por todas as aparências, tais leis estão expressas em códigos – e… possuem uma ‘enigmática profundidade’. Mas são compreensíveis ao utilizarmos a Matemática, cujo grau de dificuldade permanece dentro da capacidade de compreensão     da mente humana. – A ‘feliz circunstância’ de que seja assim, merece uma consideração mais detalhada, e oferece uma visão surpreendente. – Todos valores biológicos derivam     do processo de seleção natural… – o que indica uma profunda relação entre a existência   do universo natural, com suas leis e sistemas – e nossa existência, como seres racionais.

Com isso, afirmo que a aparição do conhecimento como um fenômeno universal; num determinado lugar, e em determinado tempo concreto,         não é um acontecimento fortuito… – mas ‘fundamental’. Chego a essa conclusão porque me parece claro que o conhecimento – o nível mais       alto de desenvolvimento – está ligado à estrutura do mundo natural,       com suas leis… – e partículas… – o “nível evolutivo” mais elementar.

A estrutura matemática natural                                                                                       Existe um aspecto incrível…na convivência extraordinária entre                                          as leis matemáticas, e as que regem a natureza”. (David Deutsch)

Existe a crença de que… todas as operações matemáticas podem se realizar… – com um computador suficientemente poderoso — e, dispondo de tempo suficiente… Trata-se de uma opinião errada.

Cientistas minuciosos…como o matemático Kurt Gödel – nos anos 30 … demonstraram que há verdades matemáticas… – a priori… corretas, que não são demonstráveis. E isso não acontece apenas em campos abstratos.

Pouco depois de Gödel publicar seu trabalho, o matemático inglês Alan Turing usou-o para demonstrar que há algarismos que não podem ser calculados… – São números que mesmo demonstrada sua existência…não derivam de qualquer cálculo realizado por uma operação matemática sistêmica (algorítmica). – Consequentemente… apenas podemos resolver uma pequena parte das verdades matemáticas existentes. Desse modo…com essas ideias, ganha especial importância o pensamento de David Deutsch sabre a relação entre ‘leis naturais’ e as ‘leis matemáticas’. Segundo o físico de Oxford…

“O modo de trabalho de um computador depende da estrutura do mundo natural, e uma parte deste mundo consta dos materiais nele existentes. O mesmo se pode dizer do ‘cérebro humano’…Assim, a forma de calcular de um computador ou o modo mental de pensar dependem de leis naturais.”

Então, o que se deduz disso tudo?…Simplesmente, que o que pode, e o que não pode ser calculado é decidido pelas leis da Física… – Com essa declaração, fecha-se o círculo… as leis da Física permitem que surja um ‘mundo‘ … – no qual são permitidas determinadas operações matemáticas… – que, por sua vez, explicam as leis da Física.

O que nos leva a seguinte questão… – esse círculo fechado é algo exclusiva de nosso Universo?… – Nosso mundo é o único em que se pode calcular seu código cósmico?           Se existem outros mundos além do nosso, neles surgiriam estruturas complexas, como seres vivos biológicos, conscientes do que os rodeia?… – Não conhecemos as respostas.

A Improbabilidade e o Princípio antrópico                                                               Somente em um Universo com leis e condições como as que existem no nosso                     poderiam surgir seres racionais…capazes de perguntar pelo sentido da vida.

princípio antrópico

É plausível supor que a coincidência entre “seres racionais“… capazes de raciocinar matematicamente… – e a estrutura matemática de seu mundo seja tão improvável… que seja única.

A relação descrita entre Matemática e mundo natural … nos proporciona uma cadeia de provas em favor da hipótese de que a inteligência não apareceu ‘por acaso’ no universo… – mas, é uma propriedade fundamental dele. Como um ‘registro adicional’,   é interessante citar as curiosas casualidades, conhecidas como – “princípio antrópico“…

Há algum tempo os cientistas perceberam que nossa existência depende de uma série de circunstâncias evidentemente felizes. Um exemplo… se as leis físicas da natureza fossem   só um pouco diferentes do que são … – não poderiam existir estruturas tão importantes para nós, como estrelas estáveis queimando hidrogênio, o caso do nosso Sol. Tampouco ter-se desenvolvido as condições necessárias para a existência de ‘seres vivos’ biológicos.

Eu me sinto obrigado a acreditar que… por meio da ciência – poderemos colocar a nosso alcance os fundamentos racionais da existência natural. Esta confiança se baseia em que deciframos já grandes partes do código cósmico… – e que algum dia… conheceremos, de certa forma… “toda a verdade”. E isso me parece muito extraordinário…para só ser fruto da ‘casualidade’. – De um modo estranho, talvez por caminhos inescrutáveis, parece que houve algo, ou alguém… que desejou que estivéssemos aqui.

Paul Davies é professor de Física Teórica na Universidade de Adelaide, Austrália. Publicou recentemente o livro ‘The mind of God’ (“A mente de Deus“). (texto base) ****************************************************************************

Para um Deus além do ‘Big-Bang’…  Paul Davies                                                                     “À luz das pesquisas mais recentes, a fé religiosa não tem mais sentido, sobretudo quando procura explicar o Universo, a vida e as leis que os regulam. Mas quando recuam até o princípio desse processo…ciência e religião encontram-se diante do         mesmo e até agora, inexplicado mistério… – de onde foi que surgiu tudo isso?”…

Minha primeira afirmação talvez irrite algumas pessoas, que prefeririam que não fosse assim. Mas é certo que em muitos países do mundo ocidental a religião se encontra em franco retrocesso…ainda que a maioria das pessoas continuem buscando aquilo que se chama um sentido para a vida. Surpreendentemente, há um ramo atual da ciência que estimula cada vez mais essa busca… Eu me refiro àquela parte da Física…que se ocupa       das questões básicas do tipo ‘cosmológicas’ – tais como… – de onde surgiu o Universo?

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A ciência … em geral, não desfruta de uma ‘imagem social’… muito simpática, hoje em dia…Considerada fria, impessoal, carente de sentimentos, há até quem a culpe… pelo fato de que, o homem já não seja visto como o … “ponto central”   e absoluto de tudo… – tal como acontecia quando a “imagem do mundo”…era descrita pelas religiões tradicionais; e de que tenhamos de nos conformar com a ideia de que a humanidade é algo insignificante, alojada em um planeta sem importância, que se desloca a enorme velocidade pelo vazio do Universo.

Assim, não sobra do homem muito mais do que a teoria de que é mero acidente, sem alma, sem objetivo, ou finalidade alguma, num universo sem sentido, sem qualquer planificação prévia. – Mas, comecemos pela questão da criação … ou melhor, da formação do Universo. Por quem, e com que meios foi ele criado?…

Todas as religiões possuem seus mitos próprios sobre a criação – um ato planificado de uma divindade que já existia anteriormente. Vejamos agora, o ponto de vista da ciência.   O conjunto do Universo apareceu há cerca de 13,8 bilhões de anos… de uma gigantesca explosão, popularmente conhecida como Big Bang.

Dela há 2 provas importantes… o Universo ainda continua em expansão, e conserva um mínimo do calor daquela explosão. É possível medir esse calor que ainda esta no cosmo, como uma radiação remanescente…e ele é aproximadamente 4 graus kelvins. Por outro lado, a maioria dos pesquisadores aceita atualmente – que no instante inicial…tempo e espaço estavam infinitamente distorcidos, numa situação que se chama ‘singularidade’.

Essa singularidade também pode se chamar limite… ou fronteira do espaço e do tempo.   De qualquer forma, não é possível falar de estado de singularidade, e simultaneamente espaço e tempo. Em um estado de singularidade não existe absolutamente nada… nem espaço nem tempo. Desse modo em tal estado temos diante de nós a efetiva origem do espaço e do tempo.

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Levada a sério o estado de ‘singularidade’, fica então desde logo ‘excluída’ a possibilidade da existência de tempo antes do Big Bang. Da mesma forma, que não existia o espaço vazio…Ambos surgiram do nada, no momento da “explosão”. 

Pela falta de explicação para o surgimento repentino do Universo…a teoria do ‘Big Bang’ provocou muitas discussões entre os cientistas. Além do que ninguém podia também explicar de onde vieram a matéria e a energia que apareceram naquela hora…Para muitos, dessa forma, continuou parecendo possível acreditar em algo semelhante à “criação”… tal como descrita nos livros religiosos. – E… há ainda outro mistério a explicar… – por que o universo tomou a forma e a organização que hoje conhecemos?

Fica claro que, imediatamente após o Big Bang, matéria e energia ficaram distribuídas de um modo assombrosamente uniforme… – O Big Bang é…todo ele… extraordinariamente uniforme. Todas regiões do universo nasceram ao mesmo instante – e exatamente com a mesma força. – Mas isso ainda não é tudo… Em todo esse Universo…tão regular em suas características, havia desde o princípio, uma pequena dose de diversidade, impossível de calcular. Uma ínfima capacidade de inobservância… ou descumprimento das regras. Daí partiram os primeiros passos rumo à formação dos sistemas de galáxias.

Acredita-se que já no primeiro momento ficaram decididas as questões mais importantes que definem nosso universo… e que se pode explicar por que tudo é assim, e não de outra forma qualquer. A chave do entendimento de todo esse conjunto está na ‘Física Quântica’. Normalmente… suas leis só têm explicação em processos atômicos, ou nucleares… mas o estado do universo imediatamente após o Big Bang era tão extremo, que era possível que efeitos dos quanta tenham provocado a sua ‘estruturação’…tal como a conhecemos agora.

Cálculos já realizados demonstram que muitas das peculiaridades do cosmos, que hoje ainda parecem misteriosas… tem explicação perfeitamente natural… – à luz das leis da mecânica quântica (em especial, asanisotropias)…Isto posto… não é mais necessário colocar nas mãos planificadoras de Deus a responsabilidade por tais peculiaridades do universo…onde agora, tudo acontece numa ordem sucessiva adequada, de acordo com     as leis da Física Quântica… – E, além do mais…essa leis permitem explicar…por que a energia e a matéria podem surgir do nada, com toda naturalidade.

UM UNIVERSO VINDO DO NADA

Dito isso, fica claro que o conceito de Deus está outra vez excluído das preocupações da ciência, pois as leis as Física são suficientes para explicar todo Universo, inclusive sua aparição.

Dessa forma – o antigo conceito de Deus … que tocou com o dedo um botão qualquer e pôs em marcha todo o universo, e que agora contempla sua evolução, ficou totalmente desacreditado pela física cosmológica. No entanto, um ponto ainda permanece obscuro: Se hoje temos leis – que podem explicar praticamente tudo… como explicar a existência dessas próprias leis?…

Muita gente aceita as leis da natureza sem nenhuma outra preocupação…As coisas são assim, e pronto. O Sol nasce de manhã…uma maçã cai da árvore para o chão, mas não cai do chão para a árvore; os pólos magnéticos iguais se repelem, etc. Essas pessoas não pensam mais adiante, nem se perguntam por que é assim, ou acontece assim. Mas, para quem alimenta tais dúvidas e preocupações é fácil imaginar um mundo caótico, sempre regido pelo acaso… no qual energia e matéria se desenvolvem desordenadamente.

Com isso quero dizer que do ponto de vista da lógica pura não há nenhuma necessidade de que o mundo esteja organizado tal como o conhecemos… Porém, quando se estudam essas leis mais a fundo…ninguém deixa de se impressionar com sua beleza e simplicidade. – Um exemplo entre muitos pode ser apontado na ‘Física de Partículas’. Nesse campo nos vemos inúmeras vezes frente ao estado de “pura simetria“… – A cada partícula corresponde uma antipartícula, e a cada volta para a esquerda, uma outra à direita. Isso se aplica às próprias leis – as quais estão tão entrelaçadas entre si…que é impossível não pensar em um ‘plano‘.

Esse conceito de plano proporcionou aos teólogos, durante muitos séculos, os argumentos indispensáveis para sustentar a existência de um Deus. – Contudo, inadvertidamente eles sempre usaram como prova de suas teorias…exatamente as estruturas mais complexas da natureza, sobretudo ‘seres vivos’. Entretanto…hoje já se pode explicar facilmente como se desenvolveram todos os seres vivos… e para isso não houve necessidade de nenhum deus.

Mas nos últimos anos, cientistas começaram a se dar conta de que as leis da Física, aparentemente só podem produzir os componentes da criação, habituais em nossa vizinhança, e mantê-los em funcionamento (galáxias, estrelas, átomos, e humanos)            se todos se comportassem sempre da mesma forma. – Quer dizer…se as chamadas “constantes da natureza” … não se desviassem muito dos seus ‘valores médios’.

Os investigadores que se ocupam dessa área só veem uma cadeia de casualidades improváveis, ou casos de encontros acidentais… – dos quais depende a existência do Universo.

Uma variação insignificante… seria suficiente para modificar drasticamente esse mundo, ou mesmo destruí-lo. – Ou seja… se esses fatores houvessem sido desde o princípio menores ou maiores (uma ínfima parte…) do que são hoje, não teria sido possível surgir a vida… e, sobretudo… qualquer ‘vida inteligente.

Caso fosse provocada uma desordem na relação de forças entre a gravitação e os fenômenos eletromagnéticos – por exemplo… todas as estrelas, inclusive o Sol, se converteriam… – ou em gigantes azuis… ou em anãs vermelhas… Em toda parte, encontramos, à nossa volta, provas de que a Natureza fez tudo de forma correta.

O resultado é portanto, que as leis fundamentais, ao se expressarem matematicamente, não apenas apresentam grande elegância, simplicidade, e lógica interna… mas também permitem a existência de sistemas, por exemplo… planetários, com espaços adequados, simultaneamente estáveis e complexos – a fim de propiciar a base para a ‘vida racional’.

Isso significa que a nossa própria existência está escrita nas leis da natureza… Ou seja, parece que fazemos parte de um grande plano… – e aqui chegamos a uma conclusão… Quem aceitar que a Ciência forneça provas da existência de um “plano universal“…de pronto enfrentará a questão… – quem foi o arquiteto?…

Uma nova Física, sem dúvida, dará nova direção ao nosso pensamento, ao nos mostrar um Universo que é muito mais do que uma casualidade colossal e sem sentido…E eu creio que, por trás de nossa existência, há um sentido mais amplo. (texto base) Atualizado…out/2016 *************************(texto complementar)***************************************

             Mas será que Deus existe? (Rodrigo Cavalcanti)            

 “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança…                                          ou foi a mente humana que criou a figura de Deus?”

Antes de tentar responder a essa pergunta… é preciso esclarecer qual a concepção de Deus de que se está tratando… – Afinal, quando a maior parte dos cientistas refere-se à possível existência (ou não) de Deus…não está lidando com a tese de um velho barbudo de poderes sobrenaturais. Tampouco, como diz o zoólogo inglês Richard Dawkins, de nada adiantaria designar por Deus… – uma constante física recém-descoberta, que controlasse o Universo.

Para a ciência… – a evidência mais próxima da existência de uma concepção divina de que Deus possa existir seria a descoberta de indícios de que o Cosmos foi “projetado” seguindo um propósito… Ou seja: não haveria espaço para o acaso e o caos na criação do Universo e no surgimento da vida em nosso planeta. E assim, a complexidade dos sistemas biológicos, ou dos fenômenos físicos — indicaria que houve um projetista guiando todo esse processo.

Mas, será que isso não faria com que partíssemos, obrigatoriamente, da necessidade (reconfortante) da existência dessa ordem no Cosmos? Ou seja…a proposta acima já       não nasceria viciada do ponto de vista do método científico?… Nos últimos 100 anos, pelo menos 3 formas de responder a esta questão foram exploradas… – quais sejam: 

  • Deus não é tema científico

A primeira, defendida por boa parte da comunidade acadêmica, é a de que a existência de Deus não é tema do método científico. Essa visão baseia-se sobretudo, na obra do filósofo Karl Popper, para quem a ciência só pode tratar de temas que resistam a refutações… que ele chamou de critério de “falseabilidade”…Resumidamente, Popper defende que o papel do cientista é buscar falhas na sua teoria – e…quanto mais genérica ela for (como no caso da “existência de Deus”), menos passível ela seria de ser tratada cientificamente…Ou seja:   o tema seria apenas assunto “metafísico“… – por não se tratar de um “fenômeno físico”.

  • Deus é fruto do nosso cérebro

A segunda resposta, que não necessariamente invalida a primeira, é a dos cientistas que acreditam que a espécie humana evoluiu biologicamente para acreditar em Deus, assim como para andar sobre duas pernas…Um dos maiores defensores dessa tese é o biólogo Edward O. Wilson, para quem a nossa predisposição à religião seria um ‘traço genético’     da nossa espécie…“O dilema humano…é que evoluímos geneticamente para acreditar       em Deus, e não para acreditar na biologia”, diz Wilson.

Teses como a de Wilson foram reforçadas por pesquisas com primatas como a realizada com chimpanzés na Tanzânia, pela britânica Jane Goodall. – Ao estudar os chimpanzés, Goodall viu que eles agem de modo nada usual… diante de uma cachoeira… – adotando um comportamento de reverência… – que ela chamou de “senso místico”.

Além das pesquisas com primatas, os neurocientistas já sabem quais partes do cérebro são ativadas durante os estados de meditação e oração…Pesquisas como essa, contudo, não podem provar a existência ou não de Deus…mas, no máximo revelar quais regiões são responsáveis pelos… “estados místicos” … – associados à ideia de uma “divindade”.

  • Desenho inteligente

A terceira resposta, conhecida como “Teoria do Design Inteligente”, defende que algumas das tarefas altamente especializadas e complexas do organismo – como visão, coagulação, e transporte celular, não podem ser explicadas apenas pela evolução. Essas tarefas seriam prova de que a vida seguiria um projeto específico…Defendida pelo bioquímico Michael J. Behe, professor da Universidade Lehigh, na Pensilvânia, e autor do livro… “A Caixa-Preta de Darwin”. A Teoria do Desenho Inteligente refuta as teses de Darwin e, por isso mesmo, tem sido considerada uma versão moderna – e mais sofisticada – do velho “criacionismo” bíblico, teoria pela qual, Universo e vida foram criados de acordo com o relato do Gênese. (texto base)  ***********************************************************************

Deus se tornou redundante… (entrevista com o físico Lawrence Krauss)                           A CIÊNCIA finalmente… chegou ao ponto de poder explicar a CRIAÇÃO do                   UNIVERSO… – e DEUS NÃO TEM NADA A VER COM ISSO…

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A ciência ensina que o Universo começou com o “big bang” … e que antes dele não havia nada. – Como o Universo surgiu do nada?

Krauss – Apesar da ciência nos ensinar que houve um ‘big-bang’… não nos diz o que havia antes… – Mas… com base nos conhecimentos mais atuais…é plausível imaginar a hipótese…de que o Universo tenha surgido a partir do nada… – E…a partir do nada, teria evoluído – através de processos naturais…que levaram à formação de átomos, moléculas, estrelas, planetas, galáxias e vida… Nosso Universo tem todas as características de ter sido criado do ‘nada’.

Uma das descobertas mais notáveis da física moderna é que o vácuo espacial não é vazio. O vácuo pode ser inteiramente vazio de matéria… – mas não de energia…Se pudéssemos observar o vácuo em dimensões infinitamente pequenas e lapsos de tempo infinitamente curtos, muito menores e mais curtos do que a tecnologia atual é capaz de fazer, veríamos que o vácuo é tudo… – menos estático… e que nele partículas pipocam a partir do nada e desaparecem instantaneamente.

Em determinadas condições, entretanto, essas partículas virtuais não precisariam necessariamente desaparecer. Elas poderiam não só continuar existindo, como se multiplicar…dando origem a um “big bang” … e a um novo universo em expansão.

Só aconteceu uma vez?…O pipocar de partículas poderia criar outros universos?…
Krauss 
– Sim, tudo leva a crer que é o caso, embora não tenhamos como provar. Podemos viver num “multiuniverso”… Nosso Universo pode ser apenas um entre         infinitos outros de um “multiuniverso que é eterno e infinito”.

Os religiosos afirmam que Deus é anterior ao Universo, e existiria antes do big bang…
Krauss
 – O principal problema dessa noção da criação é que ela requer a existência de alguma coisa que anteceda o Universo, de modo a poder criá-lo. É aí, que quase sempre entra a noção de Deus, alguma entidade que existiria em separado do espaço, do tempo     e da realidade física.

Criação do Mundo Infantil Segundo a Bíblia

Para mim Deus não passa de uma solução semântica fácil … — para uma questão tão profunda como a criação … Aos religiosos, Deus apenas existe… — não importando… quantas e quão fortes sejam as evidências que a ciência possa fornecer em contrário.

O Universo se expandirá para sempre? Num futuro remoto, as galáxias desaparecerão, as estrelas evaporarão — e o cosmos voltará ao nada? … Isso não torna a vida sem sentido?
Krauss 
– A vida não precisa ter nenhum sentido, a não ser aquele que damos a ela…Por que ficarmos deprimidos? Para mim, essa é uma imagem revigorante. Justamente porque a vida é efêmera, todos nós deveríamos tirar o máximo proveito do breve momento que desfrutamos sob o sol. – Deveríamos aproveitar ao máximo o fato de evoluirmos com uma consciência que nos possibilita apreciar a beleza do cosmos, ao mesmo tempo que buscamos melhorar a vida na Terra. Prefiro viver em um universo onde a vida é breve e preciosa a noutro onde o sentido da vida nos é imposta, por um ditador dos céus!

O senhor diz que vivemos num momento especial da história do Universo. Como assim?
Krauss 
– O Universo tem 13,8 bilhões de anos…Ele é muito antigo. Quando olhamos o infinito futuro a nossa frente, o Universo ainda é muito jovem. Todas evidências de que um dia aconteceu o ‘big-bang’ ainda podem ser vistas por meio de nossos observatórios astronômicos…É o que acontece quando os astrônomos verificam que todas as galáxias estão se afastando cada vez mais rápido umas das outras.

Num futuro distante, as galáxias estarão tão longe de nossa ‘Via Láctea‘… que não poderão mais ser observadas. Elas desaparecerão no breu cósmico. Para todos os efeitos, será como se jamais tivessem existido. – Uma civilização que viva num planeta da Via Láctea naquele futuro jamais saberá como o Universo surgiu.

Para entender e aceitar a origem do Universo como descrita pela ciência, é preciso ter bom nível cultural e intelectual… – pois não se trata de ‘conceitos simples‘… — Já a religião lida com conceitos que podem ser apreendidos por qualquer criança…
Krauss 
– Ninguém precisa ser um especialista em cosmologia…para apreciar o panorama do surgimento e da evolução do Universo, da mesma forma como não é preciso ser músico para apreciar a música de Bach (que, aliás, era muito complexa!…).

Sim, as versões da ciência são mais complicadas que as da religião, mas também são muito mais interessantes…O Universo tem uma imaginação muito maior do que a nossa… – e, os seus fenômenos que observamos…como a explosão de supernovas ou a criação de buracos-negros, são muito mais fascinantes do que ‘contos de fadas’ criados por gente que viveu há milhares de anos, muito antes de descobrirmos que a Terra orbita o Sol e que não estamos no centro do Universo.

Nos últimos anos, muitos cientistas e intelectuais começaram a defender a bandeira do ateísmo. É o caso de 2 célebres ingleses…o biólogo Richard Dawkins, e o físico Stephen Hawking. O senhor pertence a esse movimento?
Krauss
 – Acho que sim… As pessoas com frequência me colocam ao lado de Dawkins e Hawking, o que me enche de orgulho. Mas prefiro pensar em mim não como um ateu, e sim como um antiteísta. Não posso provar sem sombra de dúvidas que Deus não existe, mas posso afirmar que preferiria muito mais viver num universo em que ele não exista.

Deus se tornou irrelevante para a humanidade?
Krauss
 – Porque eu penso que Deus é uma invenção da humanidade… minha resposta é não. Se existisse um Deus, ele certamente teria deixado de se preocupar com os desígnios do cosmos logo após criá-lo – pois tudo o que aconteceu desde então…pode ser explicado pela ciência… – Não, Deus talvez não seja irrelevante…Ele é redundante. (Revista Época)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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Uma resposta para O que é Ciência… segundo Paul Davies

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