O que é Ciência (segundo Paul Davies)

“A  realidade essencial da Natureza é a matéria inercial no tempo e espaço”. (Whitehead)

ciências

O sistema ptolomaico de epiciclos‘, logrou razoável precisão ao descrever o movimento dos “corpos celestes”… todavia não havia aí, qualquer teoria subjacente ao modelo.  A ‘mecânica newtoniana’, ao contrário, não só descreve ‘movimentos planetários’ de modo mais simplescomo conecta o movimento da Lua à queda da maçã. – E isto…é ‘ciência verdadeira’… pois nos revela coisas que não podemos saber, de nenhuma outra maneira. 

Tenho uma atitude de abertura em relação à ‘acupuntura’, mas se tal coisa funcionar, apostaria muito mais numa explicação baseada em impulsos nervosos do que em misteriosas correntes de energia, cuja realidade física nunca ficou bem demonstrada.  — Por que razão a ciência nasceu na Europa?… Na era de Galileu e Newton…a China        era muito mais avançada tecnologicamente. Mas, a tecnologia chinesa, bem como a        dos aborígenes australianos, foram obtidas em tentativa e erro após muitas gerações.

O boomerang não foi inventado com base na compreensão dos princípios hidrodinâmicos, para depois chegar ao instrumento. A bússola, descoberta                      pelos chineses – não envolveu a formulação dos princípios do magnetismo.                        Estes princípios emergiram da – ‘verdadeira’ – cultura científica europeia.

Claro que, historicamente, surgiu também alguma ciência de descobertas acidentais…só mais tarde compreendidas… – Mas, os exemplos mais óbvios da verdadeira ciência; tais como…ondas de rádio, energia nuclear, computador…e engenharia genética… surgiram, todos eles, da aplicação de uma ‘compreensão teórica profunda’, que já existia…muitas vezes, há muito tempo…antes mesmo da própria tecnologia… – que então se procurava.

http://rogerioandrade.wordpress.com/2010/05/29/do-mito-ao-logos-o-nascimento-da-filosofia/

As razões para o surgimento da ciência na Europa são complexas… mas, com certeza, muito se devem à “filosofia grega” e sua busca inédita, em tentar alcançar a razão        do funcionamento do mundo por meio do “pensamento“…partindo da criação dos “mitos“, relacionados a “deuses” pagãos; como também, às 3 religiões monoteístas: ‘judaísmo’…’cristianismo’… e ‘islamismo’, pela noção básica de uma ‘ordem natural’  legitimamente elaborada, e ‘divinamente’ imposta por um “Arquiteto Universal.

Apesar da ciência ter começado na Europa, hoje é universal; “disponível” para ‘toda humanidade’. Assim, devemos então… continuar dando valor ao sistema de crenças             de outras culturas… – e reconhecendo, ao mesmo tempo…o ‘legítimo conhecimento científico’…como, de fato… algo que transcende’… à ‘tradição cultural’. (texto base)  ******************************************************************************

Uma questão de tempo                                                                                                             Enquanto o relógio de Newton era absoluto, e o tempo de Einstein mudava…ao sabor   do vento… – hoje… – nem mesmo a passagem do tempo… – é garantida pela ciência.’

tempo quânticoToda a nossa experiência de vida…baseia-se na suposição de que, podemos dividir o tempo em passado, presente e futuro… – E, que ele passa sem parar; como um rio, que converte o futuro em passado, ao correr pelo presente – que não passa de um instante infinitesimalmente curto.

Porém, Albert Einstein afirmou que: “Para nós, físicos presunçosos, passado, presente e futuro são apenas ilusões”… – O que significaria isso?

Ao pensarmos sobre o tempo, segundo a crença geral… – o passado é composto de eventos que já aconteceram, e que não existem mais…O que resta deles são imagens guardadas em nossa memória… – e nada pode modificar essas imagens… – O futuro… por outro lado… é feito de acontecimentos…que ainda não aconteceram… – e ninguém tem certeza sobre ele.  A fronteira entre passado e futuro é o presente, uma divisão móvel. À medida que o tempo avança – o futuro se converte em presente…e, em seguida, quase de imediato, em passado. Os acontecimentos atuais se distinguem dos futuros em um ponto… – são reais. Por isso, o agora é o momento no qual podemos ter uma troca recíproca com o mundo.

Tudo isso é tão simples, quase banal. Mesmo assim, pode causar confusão. – Por exemplo, quanto tempo dura o presente? Ele não marca uma linha rígida entre o passado e o futuro. Essa divisão é tênue…movida pela nossa “consciência“. – Muitos eventos acontecem tão depressa que confundem nosso cérebro. – Um filme no cinema…por exemplo, é composto de uma sequência de imagens paradas. – Mas, por serem projetadas sucessivamente, com grande velocidade, temos a impressão de movimento contínuoProcessos mais distantes da nossa realidade…como fenômenos da física quântica – são tão rápidos … que desafiam nossa noção de tempo…de tal modo…que escapam da nossa capacidade de entendimento.

O tempo na ciência (de Newton a Einstein)

Pelas regras da “física moderna“…quem quiser separar o tempo em passado, presente e futuro encontrará dificuldades… — Tudo começa com Isaac Newton, que no século 17 escreveu sobre o tempo… “absoluto, verdadeiro e matemático, que transcorre uniformemente”. Das fórmulas de Newton, observar o “estado de um sistema físico fechado – num dado momento…definirá  para sempre…a totalidade dos estados futuros.

Ou seja… o estado de um sistema em um instante qualquer determina, de uma vez por todas, toda a sua história. – Essa imagem newtoniana do mundo reduz o tempo a uma questão contábil. Assim, nesse universo não pode ocorrer nada verdadeiramente novo, pois, informações necessárias na construção do futuro, já são parte do tempo presente.

Dessa forma, o ‘livro cósmico’ está totalmente escrito, desde há muito…e o que chamamos tempo nada mais é que um meio de numerar suas páginas. 

Naturalmente, a física não parou em Newton. Com a ‘Teoria Especial da Relatividade’ o conhecimento dos físicos nessa área deu um “salto gigantesco”…Em sua teoria, Einstein relacionou o tempo muito fortemente ao espaço, e converteu ambos em ‘eventos físicos’, eliminando algumas das nossas opiniões intuitivas, sobre os ‘fenômenos temporais‘.  Por exemplo, antes de Einstein, uma pessoa poderia dizer que… gostaria de saber o que estaria acontecendo agora em outra galáxia… E ninguém responderia que tal afirmação não faz sentido. O agora era um conceito vigente em toda parte. Parecia que o Universo todo tinha o mesmo “presente local”. A ‘Teoria da Relatividade’ destruiu essa convicção.

Einstein nos ensinou que dois acontecimentos podem ocorrer em simultâneo para um observador, enquanto outro, se movendo em relação ao 1º, perceberá os mesmos fatos    em sequência; enquanto um 3º poderá ver os 2 acontecimentos, até em ordem inversa.    Na vida diária tais coisas não acontecem, porque distâncias e velocidades são mínimas para se notar a relatividade… – Mas, ela existe…com consequências de grande alcance.    Após Einstein… não sobrou nenhum… momento atual… que seja válido no universo inteiro, nenhum ‘agora’ que seja igual de um extremo do espaço a outro. O conceito de ‘presente’ virou ‘questão pessoal’que só possui significado como ponto de referência para um observador…conforme…ao movimento de seu próprio “referencial inercial”.

albert_einstein_frase

A causalidade da “Seta do tempo”

Por isso, para as ‘leis da relatividade’ não faz sentido dividir…passado…presente, e futuro — pois ela nos leva a uma imagem do universo na qual ‘tempo‘ e ‘espaço‘ se fazem diante de nós, em dimensão plena. 

Não há como duvidar de que acontecimentos se posicionam numa ordem sucessiva, e que essa ordem tem uma direção. – Se não fosse assim…a ideia de causalidade, determinando que um fato acontece depois e como consequência de outro, não poderia existir. O tempo, portanto, tem uma direção (visto a partir da causa, o efeito se encontra no futuro)…e esse fato impregna todo universo. Apesar disso parecer óbvio, há mais de um século cientistas discutem qual o motivo desse alinhamento. Físicos descrevem frequentemente a ‘direção do tempo’ com a representação de uma seta que aponta para o futuro a partir do passado.

Essa comparação, todavia, pode trazer confusão… É legítimo falar de uma orientação do universo no tempo, que assinala do passado até o futuro … o difícil é denominar com ela      a direção do fluxo do tempo. Todavia, essa diferença fica clara ao se pensar na agulha de uma bússola. – Para nós ela assinala o Norte e o Sul…Mas isso só acontece porque esses conceitos foram convencionados por nós. – Na verdade, o significado real da seta é que:

O campo magnético da Terra está orientado por uma assimetria entre os 2 lados, indicando uma diferença entre as direções ‘Sul-Norte’… e ‘Norte-Sul.

Presente imperfeito e o tempo cósmico                                                              Quando dizemos que uma seta mostra a direção do passado para o futuro — estamos indicando uma assimetria no universo entre as direções do passado, e rumo ao futuro”.

Será que o presente existe de verdade, como algo objetivo… ou é apenas uma invenção da nossa cabeça?…Há muito tempo os filósofos brigam por causa dessa questão. De um lado, estão os que defendem um “presente real” – são os teóricos A, cujo expoente foi o alemão Hans Reichenbach, da primeira metade do século 20. – Seus oponentes são os teóricos B, entre os quais Alfred Ayer e Adolf Grünbaum.

O grupo A utiliza os conceitos de passado, presente e futuro, mais a rica variedade de tempos das línguas modernas, como o pretérito imperfeito, perfeito e mais-que-perfeito. O grupo B usa um sistema de datas em que fatos são marcados no momento em que ocorreram, e depois ordenados.

xícara-de-café.jpgDiante dessas ideias, alguém poderia alegar: digam o que disserem os físicos, hoje minha xícara de café quebrou ao cair da mesa… – Isso ocorreu às 16h…e representa uma mudança – para pior – em relação à situação anterior a essa hora… Ora, dirá o teórico do grupo B que a mudança é apenas uma ilusão… Que a xícara estava inteira às 15h59… que às 16h01 estava quebrada…e que às 16h houve um momento de transição. – Essa forma neutra de descrição…ao usar o sistema de datas – contém igual informação, entretanto… – não afirma o “decurso do tempo“.

O teórico A, por sua vez… – responderia que só se pode compreender o movimento do relógio usando algo como o tempo…como ‘ponto de referência‘. Se a ideia de tempo não existisse, o andar dos ponteiros precisaria estar ligado a outra coisa, como o movimento     da Terra. Mas também esse movimento precisaria se relacionar com alguma outra coisa.   E, assim por diante, numa série de relações aparentemente infinita…Mas, o que haveria      ao final dessa cadeia?…O último relógio seria o próprio Universo, ao dilatar-se cada vez mais, caracterizando um “tempo cósmico“…E, segundo estudiosos desse movimento de expansão…pela ‘física quântica’ (o tempo cósmico estaria totalmente fora das fórmulas.)  Qualquer variação só pode ser medida através de correlações, ou relações de mudança’.

ilusão ótica

De toda forma, continuamos a sentir que o tempo passa… — Einstein, como vimos, denominou esse sentimento de “ilusão“. Dos vários tipos de ilusão de movimento, ao girarmos ao redor de nós mesmos… e pararmos de repente…parece que tudo à nossa volta continua girando. Porém, na realidade tudo está parado. – Será que a sensação de que o tempo passa … é uma ilusão semelhante a essa?…………….>>>

Para a ‘física quântica’, a natureza, no nível atômico, é indeterminada. Ou seja, não é possível predizer qualquer acontecimento, partindo dos fatores do presente. – Se um observador realizar medições num átomo, com esse próprio ato, ele modificará o que desejava medir. Ou seja, o possível se converte em real por meio da mera observação.      Naturalmente…essa poderia ser uma explicação para o chamado “fluxo do tempo“.

Mas é bom lembrar… — que aqui estamos no “território das especulações”.                            E a verdadeira natureza do tempo…continua sendo um enigma…Se algum                            dia vamos decifrá-lo, só o tempo dirá. (Paul Davies) abr/1988 (texto base*********************************************************************

henri-poincare-fraseAlguém governa o Universo?

Quando enfim o homem aprendeu a escrever o que lhe ia pela cabeça,  descreveu o sonho ambicioso de um dia descobrir a razão da nossa existência, bem como do Universo.

Apesar de alguns ainda acreditarem ser possível chegar a tal conhecimento…por meio de uma revelação mística…enquanto outros acham a chave de tudo na lógica, e razão… – no “mundo moderno” a maioria vê na ciência o caminho para alcança esse objetivo…Porém, sempre fica alguma coisa sem explicação. – Ainda assim, os cientistas não renunciam ao propósito de encontrar uma explicação definitiva para o mistério da origem do Universo,  trabalhando a partir do pressuposto de que para poder explicar a existência do Cosmo pela ‘razão‘…é preciso considerar a hipótese de que o próprio Universo seja “racional“.

‘O deus de Tomás de Aquino é abstrato… – e está acima de nossa realidade… Talvez por isso mesmo, sua concepção fundamentou o pensamento cristão durante muitos séculos’.

A ciência moderna tem suas raízes fincadas na Europa medieval, e nasceu sob a influencia dos filósofos gregos e da teologia judaica-cristã. – Os primeiros…convencidos do poder do ‘raciocínio sistemático’ – acreditavam ser possível descobrir osfundamentos do Cosmos mediante opensamento lógico‘. Alguns, entre eles Pitágoras, pensavam que o Universo é matemático por natureza – assim, só seria necessário desenvolvê-la e aperfeiçoá-lapara poder explicar o cosmos completamente. A religião judaica, por sua vez, trouxe a ideia de um Deus transcendente, criador do mundo e suas leis, tendo desde o início, a evolução do universo como parte desse ‘plano divino’…Sua imagem de “legislador todo-poderoso”, via doutrina cristã – impregnou a europa medieval…levando a filosofia clássica ao abandono.  Tomás de Aquino (1225-1274)que estudou em Colônia (Alemanha), e se tornou famoso em Paris…aplicou rigorosas técnicas da geometria grega ao estudo da Teologia, com seus ‘axiomas’ (princípios não demonstráveis, presumidamente certos); bem como ‘teoremas’  (isto é, teses demonstráveis). – A doutrina tomista imaginava Deus, como algo perfeito e racional… – ou seja…’consciente‘ – tendo criado o Universo como manifestação de sua ‘inteligência superior’. O essencial dessa doutrina…é a ideia de que esse ‘Deus criador’ existe fora do tempo e, por isso… suas leis são “verdades eternas” “inquestionáveis”.

O despertar das “ciências naturais”                                                                                    ‘No século XIII, o Velho Continente redescobriu Platão e Aristóteles…graças às traduções dos filósofos árabes… – tais concepções formaram a base do novo pensamento ocidental’.

Quando Isaac Newton, e seus contemporâneos do século 17…construíram os fundamentos da Física, estavam convencidos de que, com seus descobrimentos, seguiam no caminho de Deus…e de suas obras… – Acreditavam, firmemente… que a ordem racional descoberta na natureza tinha “origem divina”, mantendo assim a crença na perenidade das ‘leis naturais’. E o recurso à ‘divina providênciaaparentemente, resolveu muitos problemas, em tempo de grande fervor religioso – tal como à época em que Newton viveu. – Evidentemente que seu abandono deixou um grande vazio no pensamento moderno, ao serem as leis naturais desacreditadas – como ideias planejadas por um Deus – acarretando no grande o risco de tornar a ciência definitivamente insustentável…indecifrável…Ainda mais, se levarmos em consideração, que as “leis da natureza” não sãode modo algum, fáceis de se entender.

queda-livrePense, por exemplo, na simples lei da queda dos corpos. Galileu Galilei só a compreendeu depois      de realizar diversos experimentos… E, quando a formulou publicamente enfrentou o ceticismo geral. O problema é que … ‘intuitivamente’ — as pessoas não veem, que tanto corpos pesados ou leves, sob a influência da…“gravidade terrestre“, aceleram “exatamente” da mesma maneira. – A resistência do ar faz obscurecer os fundamentos da ‘lei da queda dos corpos‘, toda vez que não podemos dispor do necessário conhecimento físico e matemáticopara prová-la.

‘Código Cósmico Secreto                                                                                               “Gênios existem em todas as gerações, o que prova que a aptidão matemática                   se encontra gravada hereditariamente nos genes humanos… – Mas, por quê?”

O físico Heinz Pagels falou de um…código cósmico secreto… – para referir-se à dificuldade de compreensão da ciência. As leis naturais estariam formuladas em uma espécie de ‘escrita cifrada’; daí não podermos percebê-las diretamente. A missão dos cientistas seria estudar esse código, e decifrar as mensagens… – o que só se consegue     pelo equilíbrio entre experiência e teoria — em uma permanente consulta à natureza.        Para Pagels – o cientista nessa consulta, recebe respostas codificadas…Por isso, deve decifrá-las e ordená-las de umaforma racional“. Contudo, surge daí um novo ‘questionamento analítico’…isento de qualquer possível…”transcendência” – a saber:

De onde vem essa “aptidão humana”, aparentemente…                                      “inata“…capaz até de decifrar as “leis da natureza“?

Se nossas qualidades intelectuais são o resultado de uma…”evolução biológica”…pode-se deduzir que a capacidade de decifrar tais leis…representa uma vantagem na…“luta pela sobrevivência”. Porém, tais habilidades não são conquistadas pelo cérebro, surgem da pura ‘intuição’. E não são características exclusivamente humanas, pois outros animais conseguem desenvolvê-lasmuito embora incapazes de entender nenhuma lei científica.  A capacidade de enfrentar tais situações está simplesmente arquivada no cérebro, graças às experiências anteriores em situações similares… num tipo de conhecimento adquirido (ou herdado) de um inconsciente coletivo. É certo que as ‘ciências naturais’ conseguiram êxitos excepcionais – mas, não se pode dizer que alguém versado nos segredos do átomo conseguirá … (só por isso) … sobreviver – no “meio da selva”… – em…”plena segurança”.

Matemática – uma Linguagem evolutiva?                                                                       Nosso cérebro está adequado de forma admirável, a compreender os                       modelos e princípios da natureza… precisamente aqueles campos que                                 não têm a menor importância para a “evolução biológica” da espécie’.

O mistério torna-se ainda maior ao examinarmos a forma como se usam os saberes científicos….A maior parte das nossas conquistas no campo das ciências exatas está formulada em linguagem matemática. Todas leis fundamentais da Física podem ser escritas de forma resumida, por fórmulas numéricas. Mas a Matemática não nos foi             dada pela evolução… – É produto da “inteligência humana superior”…surgindo das             partes altamente desenvolvidas do nosso cérebro – o órgão mais complexo, por nós conhecido. – Entretanto, apenas se supõe que as qualidades dele decorrentes sejam             uma vantagem biológica para a espécie (vide, como exemplo, a poluição ambiental.)

super-lei

Em todo caso…não se pode desdenhar a importância da ‘aptidão’ para o pensamento matemático nos dias atuais. Como exemplo, nos últimos anos impôs-se no campo da           física matemática, um objetivo prioritário – a “unificação“…Muitos físicos teóricos confiam em que todas leis básicas da Física podem fundir-se numa únicasuper-lei“.         Essa teoria se resumiria por uma breve formula matemática – suficientemente curta         para estampar uma camiseta. A partir dela, a natureza seria cientificamente descrita.

O matemático Stephen Hawking tinha essa esperança. Naturalmente pode                           ser simples excesso de otimismo. – Mas o certo é que nos 3 escassos séculos                           transcorridos desde Newton, a ciência progrediu o suficiente para explicar                           com ‘filigranas matemáticas’… enorme quantidade de fenômenos naturais.

As teorias da relatividade e mecânica quântica são exemplos de teorias cada vez mais confirmadas com novas experiências e observações…Por elas podemos compreender,       não apenas o micromundo interior de um átomo, mas também…incríveis fenômenos cósmicos. – Assim portanto…pode-se dizer que a teoria física atualmente disponível, compreende – ainda que de “forma provisória”… – uma “descrição exata” do mundo.

Horizonte fundamental”                                                                                                            Todos valores biológicos derivam do processo darwinista de ‘seleção natural’,                        o que indica uma profunda relação entre a existência do“universo natural”,                    com suas próprias leis e sistemas, e nossa existência…como “seres racionais”.

Alguém pode imaginar que as leis que regem o Universosão muito difíceis,                        para nossa inteligência. Contudo, por incrível que pareça, a coisa não é bem                      assimmuito embora; ao menos aparentementetais leis se expressem em                        códigos, numa enigmática profundidade. É que, ao usarmos a Matemática,                      com um grau de dificuldade dentro da capacidade de compreensão humana,                    vemos que tais códigos são…”compreensíveis”…A feliz circunstância de que                        assim seja…já merece uma consideração mais detalhada – além de oferecer                        uma perspectiva surpreendente sobre as possibilidades do“reino natural”.

Assim, pode-se afirmar que a aparição do conhecimento como um fenômeno universal,  num determinado lugar, e em certo tempo decorrido, não é um acontecimento fortuito, mas fundamental. Podemos chegar a esta conclusão ao considerar que o conhecimento, como o nível mais alto de desenvolvimento está ligado à estrutura do mundo natural, incluindo aí…suas leis e partículas – sendo estas…seu “nível evolutivo” mais elementar.

Uma estrutura matemática natural                                                                                       Existe um aspecto incrível…na convivência extraordinária entre                                          as leis matemáticas, e as que regem a natureza”. (David Deutsch)

Paira no ar uma crença… – de que todas as operações matemáticas possam se realizar, através de um computador… – poderoso o suficiente para tal… — e… dispondo de um tempo adequado. Mas trata-se de um erro.

Cientistas minuciosos, como o matemático Kurt Gödel – nos anos 30… demonstraram que há verdades matemáticas… — corretas a priori, que não são demonstráveis. E isso não acontece apenas em campos abstratos.

Pouco depois de Gödel publicar seu trabalho, o matemático inglês Alan Turing usou-o para demonstrar que há algarismos que não podem ser calculados… – São números que mesmo demonstrada sua existência…não derivam de qualquer cálculo realizado por uma operação matemática sistêmica (algorítmica). – Consequentemente… apenas podemos resolver uma pequena parte das verdades matemáticas. – Assim, o pensamento do físico David Deutsch sabre a relação entre ‘leis naturais‘ e ‘leis matemáticas‘ … ganha especial importância:

“O modo de trabalho de um computador depende da estrutura do mundo natural, e uma parte deste mundo consta dos materiais nele existentes. O mesmo se pode dizer do ‘cérebro humano’…Assim, a forma de calcular de um computador ou o modo mental de pensar dependem de leis naturais.”

Então, o que se deduz disso tudo?…Simplesmente que o que pode, e o que não pode ser calculado é decidido pelas leis da Física… – Com essa declaração…fecha-se o círculo; as leis da Física permitem que surja um ‘mundo… – no qual são permitidas determinadas operações matemáticas…que por sua vez, explicam as leis da Física. – O que nos leva às seguintes questões… Será esse…”círculo fechado”, algo exclusivo desse nosso Universo? Será este universo… o único em que se pode calcular seu “código cósmico”?… E, se “por acaso” existirem outros mundos além do nosso… neles surgiriam estruturas complexas, como seres vivos biológicos conscientes do que os rodeia?…(Não sabemos as respostas)

A ‘Improbabilidade’ e o “Princípio antrópico”                                                               Somente em um Universo com leis e condições como as que existem no nosso,                    poderiam surgir seres racionais, capazes de perguntar pelo sentido da vida?

princípio antrópico

A coincidência entre ‘seres racionais’ capazes de pensar matematicamente a estrutura de seu mundo natural…é tão improvável que nos proporciona uma “cadeia de provas” favoráveis à hipótese de que a inteligência não apareceu… “por acaso” no universo; mas é… “propriedade fundamental” dele. E, nesse sentido, é interessante comentar as ‘casualidades’ doprincípio antrópico“:

Há algum tempo os cientistas perceberam que nossa existência depende de uma série de circunstâncias evidentemente felizes. Um exemplo… se as leis físicas da natureza fossem   só um pouco diferentes do que são … – não poderiam existir estruturas tão importantes para nós, como estrelas estáveis queimando hidrogênio, o caso do nosso Sol. Tampouco ter-se desenvolvido as condições necessárias para a existência de ‘seres vivos’ biológicos.

Nesse caso, é de se acreditar que, por meio da ciência, podemos colocar ao nosso alcance os fundamentos racionais da “existência natural”…Esta confiança se baseia em já termos deciframos uma boa parte do “código cósmico“…o que parece muito extraordinário para só ser fruto da ‘casualidade’. – De um modo estranho, talvez por caminhos inescrutáveis, parece que o universo…de certa forma… “existe” – para que então, possamos conhecê-lo.

Paul Davies – prof. Física Teórica na Universidade de Adelaide. (texto base) maio/1992  ****************************(texto complementar)*********************************

Mas, será que Deus existe?(Rodrigo Cavalcanti)                                                                  Deus criou o homem…à sua imagem e semelhança,                                                                  ou foi a mente humana quem criou a figura de Deus?”

Quando cientistas referem-se…à possível existência (ou não) de Deuscomo disse  Richard Dawkins – de nada adiantaria designar por Deus…uma constante física recém-descobertacapaz – de controlar todo Universo. – Em relação à ciência, a evidência mais perto de uma “concepção divinaseria descobrir indícios de uma projeção para o Cosmos; conforme a um propósito, sem espaço para Caos e acaso.

Sem a necessidade de Caos e acaso no surgimento da vida – a complexidade dos sistemas biológicos, ou fenômenos físicos indicaria um projetista guiando todo processo. Mas, isso então não nos obrigaria…a partir da reconfortante necessidade da existência desta ordem cósmica? Ou seja, tal proposta já não nasceria viciada … em termos do método científico? Nos últimos 100 anos foram criadas pelo menos 3 formas de responder a esta questão: 

  • Deus não é tema científico

A primeira, defendida por boa parte da comunidade acadêmica, é a de que a existência de Deus não é tema do método científico. Essa visão baseia-se sobretudo, na obra do filósofo Karl Popper, para quem a ciência só pode tratar de temas que resistam a refutações… que ele chamou de critério de “falseabilidade”…Resumidamente, Popper defende que o papel do cientista é buscar falhas na sua teoria – e…quanto mais genérica ela for (como no caso da “existência de Deus”), menos passível ela seria de ser tratada cientificamente…Ou seja: por não se tratar de um “fenômeno físico”… – o tema seria apenas assunto “metafísico“.

  • Deus é fruto do nosso cérebro

A segunda resposta, que não necessariamente invalida a primeira, é a dos cientistas que acreditam que a espécie humana evoluiu biologicamente para acreditar em Deus, assim como para andar sobre duas pernas…Um dos maiores defensores dessa tese é o biólogo Edward O. Wilson, para quem a nossa predisposição à religião seria um ‘traço genético’     da nossa espécie… “O dilema humano… é que evoluímos geneticamente, para acreditar       em Deus, e não…na biologia”, diz Wilson. Teses como essa reforçaram-se em pesquisas com primatas, como a realizada por Jane Goodall – com chimpanzés na Tanzânia… Ao estudar os chimpanzés, ela reparou que – diante de uma cachoeira, eles agem de modo nada usual; adotando comportamento de reverência; que ela chamou…”senso místico”.

Além das pesquisas com primatas, os neurocientistas já sabem quais partes do cérebro    são ativadas durante os estados de meditação e oração…Pesquisas como essa, contudo, não podem provar a existência ou não de Deus…mas, no máximo revelar quais regiões    são responsáveis pelos… “estados místicos” – associados à ideia de uma… “divindade”.

  • Desenho inteligente

A terceira resposta, conhecida como “Teoria do Design Inteligente”, defende que algumas das tarefas altamente especializadas e complexas do organismo – como visão, coagulação, e transporte celular, não podem ser explicadas apenas pela evolução. Essas tarefas seriam prova de que a vida seguiria um projeto específico…Defendida pelo bioquímico Michael J. Behe, professor da Universidade Lehigh, na Pensilvânia, e autor do livro… “A Caixa-Preta de Darwin”. A Teoria do Desenho Inteligente refuta as teses de Darwin e, por isso mesmo, tem sido considerada uma versão moderna – e mais sofisticada – do velho “criacionismo” bíblico, onde o Universo e a vida foram criados segundo relato do…”Gênese”. (texto base) ***********************************************************************************

Para um Deus além do ‘Big-Bang’…  Paul Davies                                                                     À luz das pesquisas mais recentes, a fé religiosa não tem mais sentido, sobretudo                quando procura explicar o Universo, a vida e as leis que os regulam. Mas quando            recuam até o princípio desse processo, ciência e religião encontramse diante do         mesmo… e até agora…inexplicável mistério… – De onde foi que surgiu tudo isso?

Einstein the mind of godMe parece evidente… que em muitos países do mundo ocidental a religião se encontra em “franco retrocesso”… ainda que a maior parte das pessoas, continuem buscando… aquilo que se chama um…”sentido para a vida“. Surpreendentemente … há um ramo atual da ciência – que estimula cada vez mais essa busca… a ‘Cosmologia’.

A ciência, em geral, não desfruta de uma ‘imagem social’ – digamos…muito simpática, nos dias de hoje. – Considerada fria – impessoal… e carente de “sentimentos” … há até quem a culpe pelo homem já não ser considerado o ponto central, absoluto de tudo…como quando a ‘imagem do mundo’ era assim considerada, pelas ‘religiões tradicionais’. Hoje, é conceito científico corrente a ideia de que tenhamos de nos conformar à…”insignificância humana”, alojada num planeta sem importância, viajando a enorme velocidade pelo “vazio cósmico”. Assim, não sobra ao homem muito mais do que a teoria de que é mero acidente, sem alma, sem objetivo, ou finalidade, num Universo sem sentido; sem qualquer planificação prévia.  Mas, comecemos pela questão da criação; ou melhor, da formação do Universo. Por quem, e com que meios foi ele criado?… – Bem, sobre isso, todas as religiões possuem seus mitos próprios sobre a ‘criação’…um ato planificado de uma “divindade” já existente… Por outro lado, do ponto de vista da ciência…o conjunto do Universo surgiu há cerca de 13,8 bilhões de anos, de uma gigantesca expansão, chamada ‘Big Bang’. Dela, há 2 provas importantes: a expansão continua (agora ‘acelerada’), conservando um mínimo do calor inicial, medido em todo cosmo como uma radiação remanescente de cerca de 2,7 graus kelvins. Por outro lado, aceita-se atualmente, que no instante inicial, tempo e espaço estavam ‘infinitamente distorcidos’, numa situação chamada singularidade, ou seja, um limite do espaço/tempo.

A princípio, não é possível falar de singularidade, simultaneamente com                                espaço e tempo. Assim, pode-se considerar tal estado (congelado)…onde                                não existe espaço nem tempo…como a efetiva origem do ‘espaço-tempo’.

bigbangLevada a sério o estado de ‘singularidade’, fica então desde logo ‘excluída’ a possibilidade da existência de tempo antes do Big Bang. Da mesma forma, que não existia o espaço vazio…Ambos surgiram do nada, no momento da expansão“… – E, justamente por essa falta de explicação…para o surgimento repentino do Universo … a teoria do “Big Bang” provocou muitas discussões entre os cientistas… pois, ninguém podia também explicar…como surgiram matéria e energia naquela hora… – Dessa forma…parecia normal crer em algo semelhante à uma… – “criação mística”.

Mas, há ainda outro mistério a explicar. Ou seja, por que o universo tomou a forma e a organização que hoje conhecemos?… – Fica claro que, imediatamente após o Big Bang, matéria e energia ficaram distribuídas de modo assombrosamente uniforme… – O ‘Big Bang’ é, em sua essência, extraordinariamente uniforme. – Todas regiões do universo nasceram ao mesmo instante, e exatamente com a mesma força. – Mas isso ainda não         é tudo. – Em todo universo… tão regular em suas características… havia desde o início,       uma pequena dose de diversidade, impossível de calcular… Uma ínfima capacidade de inobservância na transgressão de regras…que deu origem aos “aglomerados galáticos”.  Acredita-se que a partir dessa aleatoriedade inicial ficaram decididas as questões mais importantes que definem nosso Universo atual. A chave do entendimento de todo este conjunto, portanto, está na Física Quântica. A princípio, suas leis só têm explicação         em processos atômicos, ou nucleares, mas o estado do universo imediatamente após o       “Big Bang” era tão extremo…que era possível que efeitos quânticos tenham provocado       sua ‘estruturação atual’…Há cálculos demonstrando que muitas das peculiaridades do cosmos, que ainda hoje parecem misteriosas… tem explicação perfeitamente natural à       luz das leis da mecânica quântica (em especial, asanisotropias). – Sendo assim, não é mais necessário colocar tal responsabilidade na… “planificação de Deus” – pois já se      sabe que tudo acontece numa ordem sucessiva adequada… – segundo as leis da Física Quântica, que explicam, como energia e matéria podem naturalmente, surgir do nada.

Assim fica claro que o conceito de Deus está outra vez excluído das preocupações da ciência… — pois as “leis da Física” são suficientes           para explicar todo o Universo – inclusive…sua própria “aparição”.

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Deus…o “Desconhecido”

O antigo conceito de um Deus…que pôs em marcha    todo Universo…contemplando agora…sua evolução, ficou totalmente desacreditado pela “cosmologia. Entretanto…um ponto ainda permanece…obscuro:      Se hoje já descobrimos leis capazes de explicar praticamente…’tudo‘… como então… poderíamos explicar a própria existência … dessas mesmas leis?

Muita gente aceita as leis da natureza sem nenhuma outra preocupação. As coisas são assim, e pronto…O Sol nasce de manhã…uma maçã cai da árvore para o chão… – mas,    não cai do chão para a árvore os “pólos magnéticos” iguais se repelem…etc. Essas pessoas não pensammais adiante…nem se perguntam por que é assim…ou acontece assim… – Mas para quem alimenta tais dúvidas e preocupações – é sempre mais fácil imaginar um ‘mundo caótico’, regido pelo acaso… – no qual ‘energia‘ e ‘matéria‘ se desenvolvem…’aleatoriamente’. Com isso quero dizer que do ponto de vista da ‘lógica          pura’…não há necessidade de que o mundo esteja organizado tal como o conhecemos. Porém, quando se estudam essas leis mais a fundo, não há como não se impressionar          com sua beleza e simplicidade. Um exemplo entre muitos está na Física de Partículas. Nesse campo nos vemos inúmeras vezes frente ao estado de“pura simetria”. A cada partícula corresponde uma antipartícula…e cada volta para esquerda…outra à direita.

Isso se aplica às próprias leis, as quais estão tão entrelaçadas entre si, que é impossível    não pensar em um “plano”. Esse conceito de plano proporcionou aos teólogos, durante muitos séculos, os argumentos indispensáveis para sustentar a existência de um Deus; usando sempre – inadvertidamente – como prova de suas teorias – as estruturas mais complexas da natureza… os “seres vivos”. – Entretanto, hoje (evolutivamente) se pode explicar como se desenvolveram todos seres vivos, sem necessidade de qualquer Deus.    Até que cientistas recentemente, começaram a se dar conta de que, a princípio, as leis físicas só podem produzir os componentes da criaçãohabituais em nossa vizinhança (galáxias, estrelas, átomos, ‘seres vivos’, etc.)…e mantê-los em funcionamento — se as chamadas ‘constantes da natureza’ não se desviassem muito dos seus ‘valores médios’.

Os pesquisadores…que se ocupam dessa área consideram tal “coincidência”… — como uma cadeia de casualidades improváveis, ou casos de encontros acidentais, dos quais depende a existência do Universo. – Uma insignificante variação, seria suficiente para, drasticamente modificar esse mundo…ou mesmo destruí-lo. Ou seja…se esses fatores – desde o princípio, fossem menores ou maiores (mesmo, ínfima parte) do que são hoje… — “Não teria sido possível surgir a vida… e, sobretudo… qualquer forma… de vida inteligente.

Caso fosse provocada uma ‘desordem’ na relação de forças entre a gravitação e os fenômenos eletromagnéticos – por exemplo…todas as estrelas, inclusive o Sol, se converteriam…ou em gigantes azuis, ou anãs vermelhas…Todavia, em toda parte, encontramos, à nossa volta… provas de que a Natureza fez tudo de forma correta.

O resultado é portanto, que as leis fundamentais, ao se expressarem matematicamente, não apenas apresentam grande elegância, simplicidade, e lógica interna… mas também permitem a existência de sistemas, por exemplo… planetários, com espaços adequados, simultaneamente estáveis e complexos – a fim de propiciar a base para a ‘vida racional’.   Com efeito…isso significa que a nossa própria existência está escrita nas “leis naturais”;   ou seja, parece que fazemos parte de um “grande plano”…Contudo, quem aceitar que a Ciência forneça provas da existência de um…”plano universal“…de pronto, terá pela frente a ingrata tarefa de responder à paradoxal questão… — Quem foi o arquiteto?

Uma nova Física, sem dúvida, dará nova direção ao nosso pensamento, ao nos mostrar        um Universo que é muito mais do que uma casualidade colossal… e sem sentido… E eu creio que por trás de nossa existência, há um sentido mais amplo. (texto base) set/1987  *********************************************************************************

Deve haver um nível mais profundo de explicação do Universo (Paul Davies)        “Eu não acredito em um deus pessoal… e nunca neguei esse fato – mas sim o expressei claramente. Se algo em mim pode ser chamado de religioso… então é a admiração sem limites pela estrutura deste mundo, até onde a ciência pode revelá-la” (Albert Einstein) 

Paul DaviesPaul Davies nasceu na Inglaterra em 1946, e doutorou-se em física pela ‘University College’ de Londres…ocupando cátedras nas áreas de “Astronomia” e “Matemática”… em Cambridge e em Londres…Com especialização em Física,    na cidade de Adelaide (Austrália)desenvolve pesquisas sobre gravitaçãoe cosmologia com ênfase, no instigante tema dos “buracos negros”, e “Big-Bang”.

Escreve muitos livros didáticos de Física, além de apresentar com frequência no rádio e televisão          programas científicos…Em seu livro…lançado em            1983: “Deus e a nova Física“, ele comenta que:

“A ciência só é possível por vivemos num Universo ordenadoconforme leis matemáticas. A tarefa básica do cientista é estudar…catalogar e relatar a ordem                natural. No entanto, teólogos há muito argumentam que essa ordem é prova da                    existência de Deus…Se for assim…ciência e religião adquirem objetivo comum”.

Na realidade tem-se afirmado que o aparecimento da cultura científica ocidental foi efetivamente estimulada pela tradição judaico-cristã com sua ênfase na organização intencional do cosmos por Deus … uma organização que poderia ser discernida pelo            uso da pesquisa científica racional. – Aliás…nesta direção parece caminhar Einstein quando diz que…ciência só pode ser criada por quem esteja plenamente imbuído da aspiração à verdade e ao entendimento. A fonte desse sentimento contudo, brota na              esfera da religião A esta se liga também a fé na possibilidade de que as regulações válidas para o mundo da existência sejam racionais…isto é…compreensíveis à razão.

“Não posso conceber um autêntico cientista sem essa fé profunda.                    A ciência sem religião é aleijada a religião sem ciência é cega”.

Ainda sobre a relação entre ciência e religião Paul Davies se pergunta se a ciência teria florescido na Europa medieval e renascentista, não fosse a teologia ocidental. Por sinal, é nesta mesma obra, “A mente de Deus”, escrita nove anos após “Deus e a nova física”, que Davies nos lembra terem surgido muitas ideias sobre física fundamental nestes anos tais como ‘teoria das supercordas’, novos desenvolvimentos na ‘cosmologia quântica’, “teoria do caos”, além da pesquisa de Stephen Hawking sobre “tempo imaginário”; e acrescenta:

“Tais acontecimentos assumiram 2 formas diferentes. Primeiro, um diálogo muito mais intenso entre cientistas, filósofos e teólogos sobre o conceito da criação e temas conexos. Segundo, uma intensificação do ‘pensamento místico’…e ‘filosofia oriental’… que alguns afirmaram estar em um…’contato profundo e significativo‘…com a física fundamental”.

Paul Davies nos diz que após a publicação de Deus e a nova física ficou assombrado com a postura religiosa dos cientistas, que podem ser classificados em 2 grupos — os religiosos…e os não-religiosos… – Mas, mesmo nestes últimos, existe uma vaga sensação de que há algo além da realidade superficial da experiência comum, algum sentido além da existênciasentimento de reverência pela natureza, fascínio e respeito por sua profundidade. – Nesse sentido, Davies procura deixar bem clara, sua própria posição:

“Como cientista confio plenamente no método científico atual de investigação do mundo”.

A ciência, para ele, demonstra a todo momento ser poderosa ao explicar o mundo … mas, o que existe de mais atraente no ‘método científico’, é “sua intransigente honestidade”…nos rigorosos testes sempre aplicados a uma nova descoberta.

Acrescenta ele, que prefere não acreditar em “fenômenos sobrenaturais” – já que parte do princípio de que as leis da natureza são sempre obedecidas. Mas, mesmo assim, pensa que a ciência pode não conseguir explicar tudo no universo físico devido ao velho problema do “término do raciocínio explicativo” – Se as leis da física sãoa princípio, tomadas como algo válido é preciso perguntar de onde vêm essas leis. Desse modomais cedo ou mais tarde todos temos de aceitar algo como dado – seja Deus…ou a Lógica, ou um conjunto de leis, ou algum outro fundamento para a existência. Assim, as perguntas terminais sempre estarão fora do alcance da… “ciência empírica”… — dentro de sua definição propriamente corrente… — Provavelmente, sempre deverá restar algum…“mistério no fim do universo”.

Completando sua definição – Paul Davies diz pertencer àquele grupo de cientistas que não pratica uma religião tradicional, mas que nega ser o universo só um acidente sem objetivo: “Meu trabalho científico me fez acreditar cada vez maisque a constituição do universo físico atesta um engenho tão assombroso, que não posso aceitá-lo apenas como fato bruto. Parece-me que deve haver um nível mais profundo de explicação… — Querer chamar esse nível mais profundo de “Deus” é uma questão de gosto e definição”. (texto base) jun/2012

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
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Uma resposta para O que é Ciência (segundo Paul Davies)

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