“Entropia Caótica” (em equilíbrio instável)

“Perto do equilíbrio…a termodinâmica descreve um ‘mundo estável’…cujas flutuações…o sistema responde, retornando ao seu…‘estado primordial’…caracterizado no extremo da entropia de qualquer ‘potencial termodinâmico’. – A novidade é que essa situação muda radicalmente…estando longe do equilíbrio“. (Ilya Prigogine…“Ciência, Razão & Paixão”)

Butterfly Nebulae

A estrela massiva IRS 4 começa a espalhar suas asas. Nascida há apenas 100 mil anos, o material expelido desta estrela bebê formou a nebulosa S106, conforme a imagem acima. Um grande disco de poeira e gás orbita a fonte Infravermelha (IRS 4), dando à nebulosa a forma de uma borboleta. O gás da nebulosa de emissão, visível ao redor da estrela recém-nascida, emite luz ionizada, enquanto o gás mais distante da estrela central age como uma nebulosa de reflexão. S106 mede cerca de 2 anos-luz e está situada a uns 2000 anos-luz, na constelação do Cisne.

A ideia de que o bater de asas de uma borboleta pode provocar um furacão…é uma ótima metáfora para o conceito de Caos, onde uma pequena variação nas condições iniciais, se multiplicará num resultado muito diferente, no futuro…Matematicamente, essa extrema sensibilidade às condições iniciais…pode ser representada por uma grandeza – chamada: “expoente de Lyapunov”, que é positivo – se dois pontos de partida…infinitamente perto um do outro, divergirem exponencialmente ao longo do tempo. Contudo, tais ‘expoentes’ só se aplicavam em soluções específicas de um único modelo caótico…Até que, cientistas da Universidade de Maryland…num tipo de aplicação muito mais abrangente, detalhado nesta edição da revistaChaos, de jul/2015…trouxeram à luz uma nova definição caótica.

Edward Lorenz – cientista cujo trabalho deu origem ao termo “efeito borboleta“, inicialmente, identificou características caóticas em modelos climáticos. Em 1963, ele publicou um grupo de equações diferenciais … descrevendo o fluxo de ar atmosférico,       e, observou que pequenas variações nas condições iniciais poderiam – drasticamente,     alterar a solução das equações no tempo, tornando o fenômeno atmosférico – a longo prazo – de difícil previsão… – A solução caótica para as equações de Lorenz parece se assemelhar a 2 “asas de borboleta”. A forma pode ser categorizada como um atrator,        ou seja, é facilmente identificada por expoentes de Lyapunov… Todavia, Brian Hunt,  matemático, membro do “Grupo Chaos” da Universidade de Maryland…e autor deste artigo, com Ed Ott, explica que nem todo comportamento caótico é tão bem definido:

“Nossa definição de ‘Caos’ identifica um…’comportamento caótico’,                mesmo quando ele se esconde nos cantos sombrios de um modelo.”

chaos

Por causa disso…eles ampliaram sua definição, para incluir “sistemas forçados… – ou seja, aqueles nos quais ‘fatores externos’ continuam atuando sobre o sistema durante sua evolução.  É comum surgirem repulsores caóticos em sistemas físicos, tais como… água fluindo pelo cano, órbitas de asteroides…reações químicas,  e em “sistemas forçados” (nos bandos de aves,  e no modo de controle do batimento cardíaco).  Para definir as conhecidas “formas usuais” do ‘caos‘…sob um mesmo espectro – Hunt e Ott utilizaram-se então do conceito de ‘entropia‘.

Num sistema que muda ao longo do tempo, a entropia representa a taxa na qual desordem e incerteza se acumulam. — A ideia de que a entropia pode ser uma representação do caos, não é nova — mas, as definições clássicas de entropia… como ‘entropia métrica’ e ‘entropia topológica’… estão confinadas no equivalente matemático de uma “camisa de força”… Tais definições são difíceis de aplicar computacionalmente…com pré-requisitos tão rigorosos – a ponto de desabonar muitos sistemas físicos e biológicos, de qualquer interesse científico.

É por isso, que Hunt e Ott propõem um novo tipo…’flexível’…de ‘entropia expansiva‘, que pode ser aplicada a modelos mais realistas do cotidiano.

Esta nova definição, passível de ‘simulação computacional‘…inclui ‘sistemas complexos’,  tais como modelos climáticos locais, incrementados por certas ‘variáveis potencialmente caóticas’. Assim, os pesquisadores definem “modelos caóticos”, como os que apresentam uma “entropia expansiva positiva“; e esperam que esta se torne uma ferramenta útil,  na identificação do caos, numa ampla gama de modelos de sistemas. Identificá-los pode ser o passo inicial para determinar a possibilidade de controlá-los. – Como explica Hunt:

“2 sistemas caóticos idênticos – com, por exemplo, diferentes condições iniciais,          podem evoluir de forma totalmente diversa. – Mas, sob a influência de variáveis                externas… ambos, de certo modo, podem sincronizar… Aplicando a definição de          expansão entrópica, e definindo as entradas – a que tais sistemas originalmente respondem, seria possível então saber se haveria algum tipo de controle sobre o            caos…como um tipo de…’atrator‘…sobre variáveis do sistema”. (texto original)  **************************************************************************

Duas características de sistemas instáveis  (Lee Smolin)       

Como é possível que um sistema se mantenha longe do equilíbrio… e ao mesmo tempo,    as proporções entre seus diferentes componentes se mantenham estáveis?…Esta é uma questão que vem sendo estudada de um modo geral, por químicos e físicos nas últimas décadas… – já se tendo chegado a algumas ‘conclusões‘… — Em especial…2 aspectos se destacam… por caracterizar sistemas em ‘configurações estáveis‘… longe do equilíbrio:

O 1º é que tais sistemas se identificam por ‘processos’ – que fazem circular materiais  entre seus diferentes componentes. – O 2º é que as taxas desses processos devem ser determinadas por mecanismos de ‘retroalimentação’…Esses mecanismos mantêm os diferentes processos…em equilíbrio entre si – de tal modo…que a quantidade total de material… em cada componente… – não se altera com o tempo… – Esses 2 processos caracterizam o que acontece nas galáxias espirais, e seres vivos. (‘A Vida do Cosmos’)  *********************************************************************************

Poderia o entrelaçamento quântico explicar a seta do tempo?… (junho/2014)    “Para os sistemas instáveis, as leis fundamentais da dinâmica clássica (ou quântica) são formuladas em termos de propriedades da evolução de ‘probabilidades‘. E é nesse nível que podemos estabelecer as ‘leis do caos’… e descrever as mudanças que a instabilidade      e o caos… – introduzem em nossa visão de mundo”. (Ilya Prigogine – “As leis do Caos”) 

macro-entanglement

Ilustração mostrando os princípios da teoria. Como uma xícara de café quente se equilibra com o ar ambiente em uma sala, partículas de café (observados em branco) e partículas de ar (em marrom) interagem, antes de se tornarem misturas de estados marrom e branco. Eventualmente, as partículas de café e de ar se correlacionam…assim, o café atinge um estado de equilíbrio térmico. (Lidia del Rio via Wired)

“Entrelaçamento” é, de certo modo, a ‘essência’ da mecânica quântica. Pode até ser a ‘força vital‘ do Universo – e, realmente, possui um papel fundamental na mudança de parâmetros (como tempo e entropia). Alguns têm postulado que o entrelaçamento pode desempenhar um papel biológico ao manter as cadeias de DNA unidas. Outros sugerem que seus efeitos podem até dar origem ao próprio tecido do ‘espaçotempo’. Porém, uma coisa é certa, esse conceito tem evoluído de ‘baboseira total‘…para o que parece ser um dos mais viáveis, sobretudo… graças à evolução da ‘teoria da informação quântica(aquela…da ‘computação quântica’ … ‘rede quântica’ … e ‘criptologia quântico/caótica’).

Esta teoria, essencialmente…trata a informação como ‘blocos de construção‘ – nos mostrando que…dado tempo suficiente… – as        partículas entrelaçadas param de exibir informações individuais;            mas isso não representa que estas se percam…no sentido coletivo.

E, afinal, uma vez que as partículas e a sala atingem um ‘estado de equilíbrio’, estando completamente correlacionadas…seus estados param de mudar de forma significativa. Essa aparente perda de informação…juntamente com o aumento do nº de correlações quânticas, nesse cenário, dirigem a ‘seta do tempo’…Mas, não solucionam o problema principal…Por que o ‘estado inicial’ do Universo estava longe do equilíbrio?

ferreira gullar

Nossa capacidade de lembrar do passado…mas – não do futuro… outra manifestação confusa…da     seta do tempo pode também ser entendida como — “acúmulo de correlações”… — Quando lemos uma mensagem, em um pedaço    de papel…nosso cérebro logo se correlaciona de modo que… – a partir desse momento, se torne capaz…de lembrar – o que teria        a dizer essa singular mensagem.

Assim, o ‘presente‘ pode ser definido pelo processo de se tornar correlacionado ao ambiente. Nós podemos discutir o fato que, a 1 hora atrás… – nosso cérebro estava           em um estado correlacionado com algumas coisas – mas…nossa percepção é que o     tempo está fluindo… – uma questão completamente diferente. ## (‘texto base’) ## *****************************************************************************

Comprovada teoria do Sistema Solar Caótico  (mar/2017)

A aparente calma, que hoje reina no Sistema Solar levou cientistas…por muito tempo, a considerarem que as coisas evoluíram por aqui de forma… – se não amena, pelo menos, mais ou menos contínua. No entanto, dados geológicos coletados começaram a destoar desse ‘quadro bem-comportado’ – exibindo variações nas rochas… que só poderiam ser explicadas por “alterações periódicas” nas ‘órbitas planetárias’… – em relação às atuais.

Essas variações … levaram Jacques Laskar,  professor do ‘Centro Nacional de Pesquisas Científicas’ da França a elaborar a hipótese conhecida como…”Teoria do Sistema Solar Caótico”. – Laskar propôs…em 1989 – que pequenas variações de ‘órbitas planetárias’, em janelas temporais…de milhões de anos produziriam grandes ‘mudanças’ no clima dos planetas, explicando assim, a variação detetada ao longo dos registros geológicos.

Transição de ressonância

Agora, pela 1ª vez, uma equipe conseguiu ‘rastrear’ indícios suficientes, em apoio à teoria do “Sistema Solar Caótico”, na qual as órbitas planetárias variam… de tempos em tempos, por meio de um mecanismo, conhecido como “ressonância”. Chao Ma, Stephen Meyers, e Bradley Sageman, cientistas das universidades Wisconsin-Madison e Northwestern, EUA,  encontraram as “evidências” … em camadas alternadas de calcário e xisto, depositadas na ‘Formação Niobrara’, Colorado/EUA…quando dinossauros ainda caminhavam pela Terra.

Mais especificamente, eles descobriram a assinatura de uma “transição de ressonância” entre Marte e Terra, ocorrida 87 milhões de anos atrás. Esta transição é a consequência     do “Efeito Borboleta” na ‘teoria do caos‘, que estabelece que pequenas mudanças nas condições iniciais de um sistema não-linear… geram grandes efeitos ao longo do tempo.

No contexto do Sistema Solar, o fenômeno da ressonância ocorre quando 2 corpos em órbita influenciam periodicamente um ao outro…como ocorre quando um planeta, em        sua trilha ao redor do Sol… – passa a ‘relativa proximidade‘… de algum outro planeta, percorrendo sua própria órbita. Esses ‘cutucões’… pequenos mas regulares, podem ter grande influência na posição/orientação do… “eixo planetário”… em relação ao Sol, de modo a alterar a quantidade de “radiação solar” recebida em certa área de um planeta.  Onde, e quanta ‘radiação solar’ um planeta recebe…é “elemento-chave” para seu clima.

transição-de-ressonancia

Os registros nas variações da órbita da Terra foram identificados datando as diferentes camadas de rochas depositadas a cada variação climática. [Northwestern]

Tendo como exemplo, o ritmo das ‘idades glaciais’ da Terra, fortemente correlacionadas a mudanças periódicas na forma orbital da Terra, e inclinação do planeta em seu eixo…pode ser muito grande o  impacto dos ciclos astronômicos sobre o clima. E, a teoria astronômica permite uma avaliação bem detalhada de…’eventos climáticos passados’…que podem fornecer um “análogo futuro“…Embora a conexão entre mudança climática e registro…nos sedimentos depositados… possa ser ‘complexa’ – como explicou Meyers … a ideia básica é simples:

“A mudança climática influencia a distribuição relativa da argila, em função do carbonato de cálcio, registrando o sinal astronômico no processo…Por exemplo,     imagine um clima muito quente e úmido, que bombeie, pelos rios, argila para o                mar…produzindo uma rocha argilosa (xisto) … alternando com um clima mais             seco e frio, que bombeie menos argila ao mar, com uma rocha rica em calcário.”

Outros estudos sugerem a presença do ‘Caos‘, com base em dados geológicos. Mas, esta      é a primeira evidência inequívoca, assegurada pela qualidade dos dados radioisotópicos disponíveis…e pelo irrefutável “sinal astronômico”, preservado nas rochas. (‘texto base’) ****************************(texto complementar)*********************************

heart-nebulae

“Heart Nebulae” (concepção artística)

Um buraco no coração da física  

Dois exemplos ilustram como físicos e filósofos … estão combinando seus recursos. O 1º, se refere ao chamado ‘problema do tempo congelado. Ele aparece…ao se tentar transformar a “teoria da relatividade” de Einstein numa ‘teoria quântica’, utilizando o processo da…’quantização canônicaO processo funciona… muito bem… em relação ao…”eletromagnetismo”. Mas…na “relatividade”… – produz a equação…’Wheeler-DeWitt‘ – sem a variável de tempo…indicando que o tempo do Universo está “congelado”.

Pode ser que esse resultado venha de uma falha no próprio processo, mas alguns físicos e filósofos acham que ele tem raízes mais profundas, indo até um dos princípios básicos da relatividade – a ‘covariância geralonde as leis físicas são iguais a todos observadores.

Substantivismo x Relacionismo

No fim da década de 80, os filósofos John Earman e John Norton, da Universidade de Pittsburgh, EUA, chamaram a atenção para o fato da covariância geral ter implicações numa antiga questão metafísica – o espaço e o tempo existem de forma independente     das galáxias, estrelas e seus conteúdos…(posição conhecida como ‘substantivismo‘),      ou são ‘instrumentos artificiais’… criados para descrever relações entre objetos físicos (‘relacionismo)?…Eles revisitaram um antigo exercício de pensamento de Einstein,    por muito tempo negligenciado…Imaginemos um trecho vazio do espaço-tempo. Fora desse local, a distribuição da matéria…pelas equações relativísticas…mantém fixa sua geometria. Dentro porém a ‘covariância geral‘ permite que o espaço-tempo assuma qualquer uma de suas diversas formas, funcionando assim como uma ‘barraca de lona’.

Os esteios da barraca – que representam a matéria… fazem com que ela assuma certa forma. Mas, se deixarmos de montar um grampo…criando o equivalente a um buraco        no tecido, parte da barraca vai arriar, criar barriga ou ser agitada pelo vento de forma imprevisível. – E, com efeito, este exemplo apresenta um dilema…Se o continuum for          algo real…por seu próprio direito…como sustentam “substantivistas“…a ‘relatividade geral’ é determinística…com a descrição do mundo não contendo elementos do acaso. 

Todavia…para uma “teoria determinística”, o espaço-tempo,                            conforme as noções… “relacionistas” — seria… “pura ficção”.

À primeira vista parece uma vitória do ‘relacionismo’… – Ademais, outras teorias, como o ‘eletromagnetismo’ são baseadas em ‘simetrias‘…que lembram o “relacionismo“. Mas, que também levanta dúvidas como a questão do ‘tempo congelado‘…O universo, com o tempo…pode assumir diversas aparências…mas, sendo todas formas iguais, nunca ocorre uma “mudança real“… – Soluções diversas a este dilema…levam a diferentes teorias para a ‘gravidade quântica‘. De fato, para alguns físicos…como Carlo Rovelli e Julian Barbour,  o tempo é ‘fictício‘… Enquanto para outros…como Lee Smolin, o tempo é ‘substancial‘.  

La Flecha del Tiempo - Vladimir Kush

“La Flecha del Tiempo” – Vladimir kush

A ‘flecha’ assimétrica do tempo

Um 2º exemplo de contribuições dos filósofos… – diz respeito à “flecha do tempo(assimetria entre passado e futuro). Alguns acham que a flecha é explicada pela 2ª lei termodinâmica, segundo a qual, a ‘entropia’…como a quantidade de ‘desordem‘ dentro de      um sistemaaumenta com o tempo.  Mas, não se pode confiar apenas nisso…A explicação mais aceita, formulada pelo físico Ludwig Boltzmann no século XIX, é “probabilística”. A ideia básica é que existem mais modos para um sistema estar em desordem. – Se este estiver razoavelmente ordenado num certo momento – provavelmente estará mais desordenado no momento seguinte.

Este raciocínio, no entanto, é simétrico no tempo. Provavelmente o sistema também estava mais desordenado no momento anterior… – Dessa forma… Boltzmann reconheceu que o único jeito de garantir o aumento da entropia no futuro…seria então – começar com um valor bem pequeno…no passado.

Porém, a 2ª lei não é uma verdade fundamental tão forte quanto fatos históricos. – O filósofo Huw Price (Sydney University), por exemplo… afirma que, praticamente toda tentativa de explicar a assimetria temporal é prejudicada pelo ‘raciocínio em círculos’.  Trata-se na verdade, de um bom exemplo do valor da filosofia…na física. Quando um físico pensa, por exemplo, que o problema do tempo na ‘gravidade quântica canônica’        é só um problema quântico…ele está limitando sua compreensão do problema…que é        bem mais geral. Muitas vezes físicos se deram melhor quando ignoraram os filósofos;        mas, na eterna batalha pela razão, as vezes só dispomos da ‘consciência’. (‘texto base’******************************************************************************

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Relógio mecânico com engrenagens, uma interação tecnológica de engenharia de sistemas complexos.

Engenharia de Sistemas Complexos  A proposta é fomentar no Brasil a criação de um programa de pós-graduação…para assim…diminuir o atraso do país na área.

O Brasil está ficando para trás… numa área de fronteira do conhecimento, denominada ‘sistemas complexos’, que é tão importante, quanto “nanotecnologia“…ou, estudos com células-tronco…alerta Sérgio Mascarenhas, coordenador do IEA (‘Instituto de Estudos Avançados’) da USP…e no início da década de 70… idealizador do curso de engenharia de materiais – pioneiro na América Latina.  Segundo ele… o país deve investir agora na criação da…”engenharia de sistemas”…que interagem entre si (de ‘alta complexidade’).

O que é a engenharia de sistemas complexos?

Mascarenhas – É uma engenharia de sistemas de sistemas…O que já existe é a engenharia de sistemas, que é aplicada em logística, transporte, construção, entre outras áreas. O que não existe é uma ‘engenharia de sistemas complexos’… – que interagem entre si…e, assim reunindo… – física, química, biologia, educação e economia… entre outras especialidades.

Em quais áreas a engenharia de sistemas complexos pode ser aplicada?

Mascarenhas – Ela se aplica…não só a materiais…mas em operações financeiras; e no agronegócio, por exemplo, onde há uma série de problemas influenciando a produção agrícola…o problema do solo, defensivos e insumos agrícolas, estocagem e transporte,  para exportar toda a produção da região Centro-Oeste do Brasil – é um bom exemplo.

São sistemas que envolvem muitas variáveis?

Mascarenhas – Exatamente. Todo sistema que apresenta muitas variáveis é um sistema complexo. E isso pode se agravar se a interação entre essas variáveis for não linear…Por exemplo, no agronegócio – se dobrar a produção de milho … se quadruplicar o preço do transporte do sistema logístico frente às dificuldades das estradas brasileiras, aí surgem      as chamadas ‘não linearidades‘. Então, quando se tem sistemas complexos, as variáveis podem interagir não linearmente… – Elas podem se multiplicar até ‘exponencialmente’.

O que o motivou a encampar a criação no Brasil dessa nova área?

Mascarenhas – Neste ano se comemoram 40 anos da criação do curso de graduação em engenharia de materiais na UFSCar que idealizei quando reitor da universidade, e que é um sucesso…Agora, achei que deveria propor algo mais moderno, voltado para o século 21. A engenharia de sistemas complexos é uma área nova, bem interessante, e para qual não está sendo dada a devida atenção no Brasil. – Se fala muito no país em pesquisa em áreas como a nanotecnologia e células-tronco…mas não sobre a engenharia de sistemas complexos…que se aplica a todas essas áreas…e na qual não estamos formando pessoal.

Como essa nova engenharia poderia ser implementada no país?

Mascarenhas – A ideia seria criar um programa de pós-graduação em ‘engenharia de sistemas’ para formar professores e pesquisadores nessa área. Não existe engenharia          de sistemas complexos no Brasil, e mesmo em faculdades tradicionais como a Escola Politécnica da USP, e Faculdades de Engenharia da USP de São Carlos, e da UFSCar,      não há pesquisadores no país nessas áreas. O que já existe no Brasil é engenharia de sistemas, mas não de sistemas de alta complexidade, aqueles que interagem entre si.

E…por que ela ainda não existe no Brasil?

Mascarenhas — Porque é uma área muito nova, e no Brasil há uma preocupação em “tapar o buraco” de uma porção de outras engenharias… – como a de materiais… de sistemas elétricos, e até meio ambiente; e assim se troca futuro por passado… É um atraso enorme da “engenharia brasileira” ainda não atuar em ‘sistemas complexos’. Além disso… – o ‘problema‘ dessas áreas novas – é que é preciso ter bons contatos internacionais…e, políticas de Estado… e      não de governo…para assim ser capaz de enfrentar algo…que signifique um ‘risco’.

De que modo as pesquisas nessa área no Brasil poderiam ser articuladas?

Mascarenhas – Teríamos que ter uma rede. Hoje não se faz nada, se se quer ter impacto, sem falar em rede de pesquisa. Mesmo porque ainda somos tão poucos no Brasil, que se não nos juntarmos, por falta de massa crítica, pouca coisa conseguiremos. Um centro de pesquisa nessa área, com outras universidades interessadas…deve ir além de São Carlos. 

Há algum grupo de pesquisa nessa área no Brasil?

Mascarenhas – No Instituto de Estudos Avançados da USP, em São Carlos, temos um grupo de trabalho sobre sistemas complexos. Essa é uma história interessante porque quem ganhou o prêmio Nobel de Química em 2007 foi um cientista alemão, chamado Gerhard Ertl, por suas pesquisas em ‘sistemas complexos’…E no IEA, nos associamos     com ele, e com um aluno dele sul-coreano. Então, agora temos uma rede de pesquisa sobre… “sistemas complexos“… – integrando Berlim… São Carlos… e a Coreia do Sul.

Quais os países que lideram as pesquisas em sistemas complexos?

Mascarenhas – O país na vanguarda nessa área são os EUA com o Massachusetts Institute of Technology (MIT) … um centro que lida muito com questões bélicas… Se olharmos para o passado, veremos que muitas das aplicações em engenharia foram motivadas pelo poder bélico, como computação, robótica, pontes e rodovias, numa série de sistemas interagindo.

O grande problema da humanidade hoje é criar instituições motivadoras de inovação, que não sejam estimuladas apenas pela guerra militar…porque temos outras guerras a vencer. Guerra na saúde, educação, violência urbana, e muitas outras. E a engenharia de sistemas complexos pode ser aplicada para acabar com essas guerras sociais. Se o Brasil agora, não aproveitar a chance para ingressar nessa promissora área… – vamos ficar muito para trás em relação a outros países. (texto base) p/consulta: “Engenharia de Sistemas Complexos”  ***********************************************************************************

Adoecemos a Terra… e a Terra nos adoece                                                              Nós…que consoante a nova cosmologia formamos uma grande unidade…                        uma verdadeira entidade única com a Terra, participamos de sua doença”.

mapa-queimadasDe uma ou de outra forma, todos nos sentimos doentes … física, psíquica e espiritualmente. — Há muita tristeza, sofrimento, desamparo … e decepção afetando boa parte da humanidade…  da recessão econômica … passamos à ‘depressão psicológica’. Sua principal causa se origina da intrínseca relação entre o “ser humano” e a “Terra viva”.

Dessa relação entre ambos prevalece  um envolvimento recíproco. – Nossa presença na Terra é agressiva, movemos uma guerra total à Gaia, atacando-a em todas as frentes. A consequência direta é uma Terra doente… – sua febre (aquecimento global) é o sintoma de sua incapacidade em continuar a nos oferecer… – tudo o que dela precisamos.  A partir de 2 de setembro de 2017 ocorreu a ‘Sobrecarga da Terra‘…vale dizer, as reservas da Terra chegaram ao fundo do poço. Entramos no vermelho.

Para termos o necessário…e, pior – para mantermos o desperdício de consumo dos países ricos, devemos arrancar à força os bens e serviços naturais para atender as demandas. Até quando a Terra aguenta? – A consequência inevitável, será menos água, menos nutrientes, menos safras, itens indispensáveis à vida. Pela agressão aos ecossistemas…e, consumismo desenfreado…pela falta de cuidado com a vida, e sua biodiversidade – adoecemos com ela.  Isaac Asimov, famoso por seus livros de ficção científica, escreveu um artigo no New York Times9 de outubro de 1982… por ocasião da celebração dos 25 anos do lançamento do Sputinik, inaugurando a ‘era espacial’, sobre os frutos herdados deste quarto de século.

Terra e Lua - da ISS

Terra e Lua…NASA – ISS

O primeiro legado, disse ele… é a percepção de que, na perspectiva das naves espaciais — a Terra e a humanidade formam uma única, indivisível entidade … vale dizer, um único ser complexo…diverso, contraditório…dotado de grande dinamismo… pelo qual o célebre cientista James Lovelock…autor da Hipótese de Gaia considerou:

“aquela porção da Terra, que sente, pensa, ama… e cuida”.

O segundo legado, consoante Asimov é a irrupção da ‘consciência planetária’… Terra e Humanidade possuem um destino comum. – O que se passa num… acontece no outro. Adoece a Terra…adoece juntamente o ser humano…e, vice-versa. Estamos unidos pelo bem e pelo mal. E assim portanto, sempre que cuidamos melhor de tudo, recuperando        a vitalidade dos ecossistemas… – cultivando alimentos orgânicos… – despoluindo o ar, preservando águas e florestas… é sinal que estamos revitalizando nossa ‘Casa Comum’.

Segundo o nobre cientista Ilya Prigogine, prêmio Nobel em química (1977), a ‘Terra viva’ desenvolveu estruturas dissipativas, isto é, estruturas que dissipam a entropia (perda de energia). Elas metabolizam a desordem e caos (dejetos) do meio ambiente…de sorte que continuamente surgem novas ordens e estruturas complexas que… se auto-organizando, fogem da entropia, e produzem sintropia…acumulação de energia (“Order out of Chaos”)

livroAssim, por exemplo…os fótons do sol são para ele, energia inútil…que escapa ao queimar hidrogênio, do qual vive. Porém… esses fótons, que são rejeito (‘desordem’)… – servem de alimento para a Terra, principalmente às plantas, durante a fotossíntese. Por ela, sob a luz solar… as plantas decompõem o dióxido de carbono…(seu alimento)… e liberam o oxigênio…tão necessário à vida humana e animal.  O que é desordem para um…serve de ordem para outro… É através de um equilíbrio precário entre ordem e desordem… que a vida se mantém… — A desordem…obriga a criar novas formas de ordem, mais complexas… – e… com menor dissipação de energia… – A partir dessa “lógica“… – o universo    se encaminha, para formas de vida cada vez mais complexas, e assim…a uma “redução da entropia”.

Nessa perspectiva, temos pela frente…não uma “morte térmica“, mas a ‘transfiguração’ do “processo cosmogênico”…se revelando em ordens super-organizadas, criativas e vitais.  Quanto mais nossas relações para com a natureza forem amigáveis e cooperativas, mais a Terra se vitaliza… – E, uma Terra saudável… nos faz saudáveis também… (Leonardo Boff)

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
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Uma resposta para “Entropia Caótica” (em equilíbrio instável)

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