Isaac Asimov… “Ex-Machina”

A expressão ‘Deus ex-machina’, do teatro grego clássico, descreve uma pessoa, ou situação que de repente aparece/acontece, e resolve um problema aparentemente insolúvel. Hoje em dia é usada para indicar o desenrolar de uma história que não considera sua lógica interna… – sendo tão ‘inverossímil’… – que permite ao autor terminá-la com uma situação improvável — porém… mais palatável. (Wikipédia)

A última pergunta foi feita pela primeira vez, meio que de brincadeira, no dia 21 de maio de 2061, quando a humanidade dava seus primeiros passos em direção à luz… A questão nasceu como resultado de uma aposta movida a álcool – e, aconteceu da seguinte forma:

Alexander Adell e Bertram Lupov eram 2 dos fiéis assistentes de ‘Multivac‘... Eles sabiam, melhor do que qualquer outro ser humano o que se passava por trás da luminosa carcaça, fria e ruidosa…daquele enorme computador.

Ainda assim tinham apenas uma vaga noção do plano geral de circuitos… – que há muito tempo havia crescido além do ponto em que um humano poderia sequer tentar entender.

Multivac ajustava-se e corrigia-se sozinho. E assim tinha de ser, pois nenhum ser humano poderia fazê-lo com velocidade suficiente, e tampouco da forma adequada. — Deste modo, Adell e Lupov operavam o gigante apenas sutil e superficialmente – mas, ainda assim, tão bem quanto era humanamente possível. Eles o alimentavam com novos dados, ajustavam as perguntas de acordo com as necessidades do sistema e traduziam as respostas que lhes eram dadas. Os dois certamente, tinham todo direito de compartilhar desse glorioso feito.

Por décadas, Multivac ajudou a projetar as naves, e enredar as trajetórias que permitiram ao homem chegar à Lua, Marte, e Vênus… — mas… para além destes planetas – os parcos recursos da Terra não foram capazes de sustentar a exploração…Fazia-se necessária uma quantidade de energia…grande demais para as longas viagens… – A Terra explorava suas reservas de carvão e urânio com eficiência crescente – mas…havia um limite para ambos.

Lentamente, porém, Multivac acumulou conhecimento suficiente para responder questões ainda mais profundas, com um fundamento cada vez maior…até que em 14 de maio de 2061 … o que não passava de teoria tornou-se real…A energia solar foi capturada…convertida e utilizada em escala planetária… Toda Terra paralisou suas usinas atômicas girando a alavanca que conectou o planeta inteiro à estação de 1,6 kms de comprimento … na órbita terrestre. O mundo vivia à energia solar.

Assumida a ‘glória do feito‘, Adell e Lupov, finalmente…conseguiram se livrar de suas atribuições públicas…e puderam se reunir em segredo… – lá, onde ninguém jamais os  procuraria…naquelas desertas câmaras subterrâneas, onde se ‘refugiava’ enterrado, o enigmático corpo… – do misterioso “Multivac“… – Subutilizado… – descansando…e processando informações entre estalos preguiçosos, Multivac também havia recebido férias – e os 2 apreciavam isso. – A princípio…não tinham a intenção de incomodá-lo. Haviam trazido uma garrafa consigo… – e a única preocupação de ambos, era relaxar, aproveitando um bom papo… – e uma boa bebida.

“É incrível quando você pára pra pensar”disse Adell. Seu rosto largo guardava as linhas da idade, e ele agitava o seu drink vagarosamente – enquanto observava os cubos de gelo nadando desengonçados… “Toda energia que for necessária – de graça – completamente de graça!… Energia suficiente – se quiséssemos…para derreter toda Terra…numa grande gota de ferro líquido … e ainda assim não sentiríamos falta da energia usada no processo. Toda a energia… – que poderíamos um dia precisar… – para sempre… – e eternamente.”

Lupov movimentou a cabeça para os lados… – Ele costumava fazer isso quando estava contrariado; e agora estava muito; em parte porque teve          de carregar o gelo, e utensílios… – Eternamente não!”… ele comentou.

“Ah, diabos… quase eternamente.  Até o sol se apagar… Bert.”…“Mas isso não é eternamente”, retrucou Lupov… – “Está bem…Bilhões…e, bilhões de anos… – Dez bilhões… talvez… — Está satisfeito agora?” … perguntou Adell – impaciente.  Lupov passou os dedos, em seus finos fios de cabelo — como que, para se inteirar do problema… e sorveu um gole … de sua bebida.  “Dez bilhões não é a eternidade”.  “Bom, vai durar o nosso tempo”,  disse Adell … já meio sem graça. 

“O carvão e o urânio também iriam.”…“Está certo, mas agora nós podemos ligar cada nave individual na Estação Solar, e elas podem ir a Plutão e voltar 1 milhão de vezes, sem nunca nos preocuparmos com combustível. Você não conseguiria fazer isso, com carvão e urânio.   Se não acredita em mim, pergunte ao Multivac”. “Não preciso perguntar… – Eu sei disso”.

“Então trate de parar de diminuir o que ‘Multivac’ fez por nós… – Ele fez tudo certo!”… “E quem disse que não fez?…O que estou dizendo é que o sol não vai durar para sempre. Isso é tudo que estou dizendo… – Estamos seguros por 10 bilhões de anos… – mas…e depois?” Lupov apontou o dedo para o companheiro… – “E não venha me dizer que nós iremos trocar de sol”.

Houve um breve silêncio… Adell levava o copo aos lábios…apenas ocasionalmente… – e os olhos de Lupov se fecharam. Descansaram um pouco, e quando suas pálpebras se abriram, disse…“Você está pensando que conseguiremos outro sol quando o nosso acabar, não é?”… “Não, não estou pensando.”

“É claro que está. Você é fraco em lógica, esse é o seu problema. É como o personagem da história, que – quando surpreendido por uma chuva…corre para um grupo de árvores, e abriga-se embaixo de uma… – Ele não se preocupa porque…se uma árvore fica molhada demais, simplesmente vai para baixo de outra.”

“Entendi”…disse Adell…“Não precisa gritar…Quando o                                                              sol se for, as outras estrelas também terão se acabado.”

“Pode estar certo que sim”, murmurou Lupov… “Tudo teve início na explosão cósmica original – o que quer que tenha sido – e…tudo terá um fim, quando as estrelas se apagarem. Algumas se apagam mais rápido que as outras. Ora, as gigantes não duram 100 milhões de anos…  —  O sol irá brilhar por 10 bilhões…e, talvez as anãs permaneçam assim…por 200 bilhões. – Mas, nos dê 1 trilhão de anos, e só restará a escuridão. A entropia deve aumentar ao seu máximo, e é tudo.”

“Eu sei tudo sobre a entropia”… disse Adell, mantendo sua dignidade… “Duvido que saiba”…zombou Lupov… “Eu sei tanto quanto você.” “Então você sabe que um dia tudo terá um fim”… “Está certo. E quem disse que não terá?…” E Lupov prontamente respondeu… “Você disse, seu tonto. Você disse que nós tínhamos toda a energia de que precisávamos, para sempre… – Você disse… ´PARA SEMPRE`.”

Era a vez de Adell contrariar…“Talvez nós possamos reconstruir as coisas, um dia”…  disse ele esperançoso…“Nunca”. “Por que não? … Algum dia”…  “Nunca!”… Lupov  confirmou…enfaticamente“Pergunte ao “Multivac”, então…” – “Você pergunta ao Multivac. Eu te desafio… Alex… – Aposto 5 dólares…que nunca vai poder ser feito.”  Adell estava bêbado bastante para tentar,  e, sóbrio o suficiente, para construir uma sentença com os símbolos e as operações necessárias, que…em resumo…seria esta:

‘A humanidade poderá um dia… – sem qualquer energia disponível… – ser capaz de reconstituir o sol, em sua juventude, mesmo depois de sua morte?’

Ou talvez a pergunta possa ser posta de forma mais simples da seguinte maneira:               — “A quantidade total de entropia no universo pode ser revertida?…”

Multivac mergulhou em silêncio…As luzes brilhantes e os estalos distantes cessaram.          E então, quando os técnicos assustados já não conseguiam mais segurar a respiração, houve uma súbita volta à vida no visor integrado do Multivac… – e, 5 palavras foram impressas: “DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.”

(Pela manhã, os dois, com dor de cabeça e boca seca já nem se lembravam do incidente.) *********************************(2ª parte)****************************************

Jerrodd, Jerrodine e Jerrodette I e II observavam a ‘paisagem estelar’ — no visor — se transformar, enquanto a passagem pelo hiperespaço consumava-se em uma fração de segundo. De repente, a presença fulgurante das estrelas deu lugar a um disco solitário        e brilhante… – semelhante a uma ‘peça de mármore‘… – centralizada na tela do visor.

Este é X-23 disse Jerrodd em tom de confidência. Suas mãos finas se apertaram com força por trás das costas até as juntas ficarem pálidas.

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As pequenas Jerodettes haviam experimentado uma passagem pelo hiperespaço pela primeira vez em suas vidas e ainda estavam conscientes da sensação momentânea de tontura. Elas cessaram as risadas, e começaram a correr em volta da mãe, gritando…  “Chegamos em X-23, nós chegamos em X-23!”…“Quietas, crianças.” Disse Jerrodine asperamente. “Você tem certeza Jerrodd?”…“E por que não teria?”afirmou Jerrodd.

Ele tinha conhecimentos muito limitados acerca daquele sólido tubo de metal. Sabia, por exemplo que se chamava Microvac, que era permitido lhe fazer questões, se necessário, e que tinha a função de guiar a nave a um destino pré-estabelecido … além de abastecer-se com energia das várias Estações Sub-Galácticas; e…claro, fazer os cálculos para saltos no hiperespaço… Ele e sua família só tinham que aguardar…e desfrutar do conforto da nave.

Alguém, um dia…alguma vez…disse a Jerrodd que as letras “AC” na extremidade de Microvac significavam “automatic computer” em    inglês arcaico… – no entanto…ele mal era capaz de se lembrar disso.

Os olhos de Jerrodine ficaram úmidos quando observava o visor“Não tem jeito…      Ainda não me acostumei com a ideia de deixar a Terra.” – “Por que…meu deus?”…  inquiriu Jerrodd…“Nós não tínhamos nada lá….e teremos tudo em X-23. Você não        estará sozinha, não será uma pioneira. Há mais de 1 milhão de pessoas no planeta.      Nosso bisneto terá que procurar por novos mundos…porque X-23…já estará super povoado”…E, depois de uma pausa, continuou… – “No ritmo em que a raça tem se expandido…é uma sorte que ainda possam ser viabilizadas viagens interestelares.”          “Eu sei disso”…disse Jerrodine com descaso…E Jerrodete I prontamente replicou:    Nosso Microvac é o melhor de todos…” – “Eu também acho”, concordou Jerrodd.

Ter um Microvac próprio produzia uma sensação aconchegante em Jerrodd, e o deixava feliz por fazer parte desta geração…e não de outra. Quando seu pai era jovem, os únicos computadores eram ‘máquinas monstruosas’… – ocupando centenas de kms quadrados;  e…cada planeta abrigava apenas um. Eram chamados de ‘ACs Planetários’. Durante mil anos, só fizeram aumentar em tamanho – até que, de súbito…veio o refinamento… – No lugar dos transistores foram implantadas válvulas moleculares, reduzindo seu tamanho.

Jerrodd sentiu-se elevado, como sempre acontecia quando pensava, que seu Microvac pessoal era muitas vezes mais complexo do que o antigo e primitivo Multivac, que pela 1ª vez domou o Sol, e quase tão complexo quanto o AC Planetário da Terra, o maior de todos…quando este solucionou o problema da viagem hiperespacial, e tornou possível      ao homem chegar às estrelas…“Tantas estrelas, tantos planetas”…pigarreou Jerrodine, ocupada com seus pensamentos… – “Acho que as famílias estarão sempre procurando novos mundos, como nós estamos agora”…“Não para sempre”, disse Jerrodd sorrindo.   “Um dia a migração vai acabar, mas não antes de bilhões de anos. Muitos bilhões. Até estrelas têm um fim… como você bem sabe…  – A entropia precisa sempre aumentar.”

“O que é entropia, papai?”…Jerrodette II perguntou, interessada… “Entropia, meu bem, quer dizer … “nível de desgaste” do universo…. Tudo se gasta … e acaba – foi isso o que aconteceu ao seu robozinho de controle remoto…lembra?”… “Mas então, você não pode colocar pilhas novas como  fez em meu robô?”… – “As estrelas são as pilhas do universo, querida. Uma vez que elas acabarem… não haverá mais pilhas.”

Jerrodette I então respondeu angustiada:  Não deixe… papai… – Que as estrelas se apaguem”… “Olha bem o que você fez”… sussurrou Jerrodine. — “Mas como eu ia saber que elas se assustariam?”  Jerrodd sussurrou de volta, no momento em que Jerrodette I fez sua proposta…Pergunte      ao Microvac, como fazer para acender as estrelas de novo”… Jerrodine concordou.

Jerrodd se mostrou incomodado... “Bem, bem… meus anjinhos… vou perguntar ao Microvac. Não se preocupem, ele vai nos ajudar”…E fez a pergunta ao computador, adicionando…Imprima a resposta”. – Ele então, olhou para a o fino pedaço de          papel emitido…e disse alegremente… – “Viram?…Microvac disse que irá cuidar de        tudo…quando a hora chegar; portanto…não há porque nos preocupar”…Jerrodine,              já cansada, ainda completou…“E agora crianças, é hora de ir para cama. Em breve, estaremos no novo lar”…Jerrodd leu as palavras mais uma vez, antes de destruir o    bilhete: – ‘DADOS INSUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA’.

Ele deu de ombros e olhou para o visor… o planeta ‘X-23’ estava logo à frente. *****************************(3ª parte)**********************************

xpto

VJ-23X de Lameth fixou os olhos nos espaços negros do “mapa tridimensional“… – em pequena escala…da Galáxia… e disse… “Me pergunto se não é ridículo nos preocuparmos tanto com esta questão”. – MQ-17J de Nicron balançou a cabeça… – “Não creio. No presente ritmo de expansão você bem sabe que a galáxia estará completamente tomada…dentro de 5 anos”. –  “Ainda assim”, disse VJ-23X, “hesitei em enviar um relatório pessimista ao Conselho Galáctico”…“Pois não consigo pensar em outro tipo de relatório… – Nós precisamos acordá-los de um sono profundo” respondeu MQ-17J.

“O espaço é infinito. 100 bilhões de galáxias estão a nossa espera…Talvez mais”. – “Cem bilhões não é o infinito – e está ficando menos ainda…a cada segundo. Pense! Há 20 mil anos, a humanidade solucionou pela primeira vez o ‘paradigma’ da utilização da energia solar – e,  poucos séculos depois, a viagem interestelar tornou-se viável…A humanidade levou 1 milhão de anos para encher um mundo pequeno… – e…depois disso, 15 mil para abarrotar o resto da galáxia. Agora a população dobra a cada dez anos…”

VJ-23X interrompeuDevemos agradecer à imortalidade por isso”…“Muito bem”…continuou MQ-17J… A imortalidade existe, e nós devemos levá-la em conta. Admito      que ela tenha o seu lado negativo… O ‘AC Galáctico’ já solucionou muitos problemas;    entretanto … ao fornecer a resposta sobre como impedir o envelhecimento e a morte, sobrepujou todas as outras conquistas”…“Todavia, suponho que você não gostaria de abandonar a vida”…“Nem um pouco.” Respondeu MQ-17J, emendando…“Ainda não.      Eu não estou velho o bastante…Você tem quantos anos…VJ-23X?”… – “223, e você?”

“Ainda não cheguei aos 200… Mas, voltando à questão, a população dobra a cada 10 anos, uma vez que esta galáxia estiver lotada… haverá uma outra cheia dentro de 10 anos…Mais dez, e teremos ocupado por inteiro mais 2 galáxias. – Outra década, e encheremos mais 4. Em 100 anos, contaremos um milhar de galáxias transbordando de gente. – Em mil anos, 1 milhão de galáxias… – Em dez mil… todo o universo conhecido…E depois?”… E VJ-23X completou… “Além disso, há um problema de transporte. Me pergunto quantas unidades de energia solar seriam gastas…para movimentar populações… – de uma galáxia a outra”.

“Boa questão”…concordou MQ-17J…  “No presente momento a humanidade consome  2 unidades de energia solar por ano”  “Da qual, a maior parte é desperdiçada… Afinal, apenas nossa galáxia, produz mil unidades de energia solar/ano, do que aproveitamos apenas 2 unidades”  “Certo…mas mesmo com 100% de eficiência… podemos apenas adiar o fim… – Nossa demanda energética, cresce em progressão geométrica de modo ainda mais acelerado…do que a população. Ficaremos sem energia, antes mesmo que nos faltem galáxias. É uma boa questão. De fato uma ótima questão”. “Precisaremos construir novas estrelas a partir do gás interestelar”…comentou VJ-23X… “Ou a partir do calor dissipado”… complementou MQ-17J, sarcástico.  “Pode haver algum jeito de reverter a entropia…Por que não perguntar ao AC Galáctico?”.   VJ-23X não estava realmente falando sério…mas MQ-17J retirou o seu Comunicador-AC do bolso, e o colocou na mesa, diante dele. “Parece-me uma boa ideia”…disse ele…“É algo que a raça humana terá de enfrentar um dia.”

Ele lançou um olhar sóbrio para o seu pequeno Comunicador-AC…Tinha apenas 10 cm³ cúbicos, mas estava conectado através do hiperespaço com o poderoso AC Galático, que servia a toda humanidade… O próprio ‘hiperespaço’ era parte integral do ‘AC Galáctico’.

MQ-17J fez uma pausa para pensar se, algum dia em sua vida imortal teria a chance de     ver o AC Galáctico. A máquina habitava um mundo delicado — onde uma rede de raios     de força emaranhados alimentava a matéria… – dentro da qual… ‘ondas de submésons’ tomaram o lugar das velhas e desajeitadas ‘válvulas moleculares’…Ainda assim, apesar     de seus componentes etéreos…o AC Galático possuía mais de 300 ms de comprimento.

MQ-17J…então, perguntou ao seu Comunicador-AC…“Poderá um dia a entropia ser revertida?”VJ-23X exclamou, surpreso...“Puxa…não queria que fizesse essa pergunta”.  “Por que não?”… E, VJ-23X respondeu… “Nós dois sabemos que a entropia não pode ser revertida… Você não pode construir uma árvore de volta, a partir de fumaça…e cinzas”… MQ-17J então perguntou… “Existem árvores no seu mundo?” O som do ‘AC Galáctico’, fez com que silenciassem. Sua voz brotou melodiosamente bela…do mini-Comunicador, encima da mesa… “DADOS INSUFICIENTES, P/ RESPOSTA SIGNIFICATIVA”.   

Os 2 humanoides voltaram à questão do relatório para apresentar ao conselho galáctico. ************************************(4ª parte)*************************************   

A mente de Zee Prime navegou pela nova galáxia, com um leve interesse nos incontáveis turbilhões de estrelas pontilhando o espaço… – Ele nunca havia visto aquela galáxia antes. Será que um dia conseguiria ver todas?… – Eram tantas…e, cada uma, com a sua carga de humanidade. – Ainda que – virtualmente – essa carga fosse “peso morto” – há tempos…a verdadeira essência do homem habitava o espaço…

conscicência-quânticaMentes, não corpos!… Há éons os “corpos imortais” já haviam ficado para trás em suspensão planetária. De quando em quando…erguiam-se – para realizar alguma atividade material — mas, estes momentos tornaram-se… cada vez mais raros. – Além disso… poucos novos indivíduos se dispunham…em juntar  à multidão. Mas o que isso importava? Era mesmo, bem pouco espaço no universo…para raça humana.

Zee Prime deixou seus devaneios para trás ao cruzar com filamentos emaranhados de outra mente…“Sou Zee Prime… e você?”… “Dee Sub Wun… qual é a sua galáxia?”…  “Nós a chamamos apenas de Galáxia… e você?”…  “Nós também… Todos os homens chamam suas Galáxias de Galáxias, não é?”… “Verdade… já que todas são iguais”.  “Nem todas…Alguma em particular deu origem à raça humana… e, isso a torna diferente”.  Zee Prime então perguntou… “Em qual delas?”…e Wun respondeu…  “Não sei… O “AC Universal” deve saber”… Zee Prime se entusiasmou…“Vamos perguntar?…Estou curioso.”

A percepção de Zee Prime se expandiu… – até que as próprias Galáxias encolhessem, e se transformassem em uma infinidade de pontos difusos…a brilhar sobre um largo plano de fundo….Tantos bilhões de Galáxias…todas abrigando seus seres imortais, todas contando com o peso da inteligência em mentes que vagavam livremente pelo espaço… — E…ainda assim, nenhuma delas se afigurava…singular o bastante, para merecer o título de Galáxia original…Apesar das aparências, uma delas – num passado muito distante, foi a única do universo a abrigar a espécie humana. E assim, com toda curiosidade, Zee Prime indagou:

“AC Universal!… Em qual Galáxia nasceu o homem?”

O AC Universal ouviu…pois em cada mundo…e através de todo espaço, seus receptores faziam-se presentes… E, cada receptor ligava-se a algum ponto desconhecido – onde se assentava o AC Universal através do hiperespaço. Zee Prime sabia de um único homem cujos pensamentos haviam penetrado no campo de percepção do ‘AC Universal’, e tudo  que ele viu foi um globo brilhante difícil de enxergar, com meio metro de comprimento.

“Como pode o AC Universal ser só isso?”…Zee Prime perguntou a Wun, que respondeu:    “A maior parte dele fica no hiperespaço…onde é impossível imaginar suas proporções.”

Ninguém podia, pois a última vez em que alguém ajudou a construir um AC Universal jazia muito distante no tempo… Cada AC Universal planejava e construía seu sucessor,       no qual toda a sua bagagem única de informações era inserida. E então, de repente os pensamentos de Zee Prime foram interrompidos – não com palavras…mas orientação.    Sua mente foi guiada através do espesso oceano das Galáxias – e…uma, em particular, expandiu-se…e se abriu em estrelas… – Um pensamento lhe alcançou… infinitamente distante…infinitamente claro… ESTA É A GALÁXIA ORIGINAL DO HOMEM.”

nebulosaplanetária 20061116

Ela não tinha nada de especial… era como tantas outras…Zee Prime ficou desapontado. – Dee Sub Wun…cuja mente acompanhara a outra, disse de súbito… E, alguma dessas é a estrela original do homem?”… O AC Universal… então respondeu… 

A ESTRELA ORIGINAL DO HOMEMJÁ ENTROU EM COLAPSO… AGORA É UMA ANÃ BRANCA.”

“E os homens morreram?”, perguntou Zee Prime.

UM NOVO MUNDO FOI ERGUIDO PARA SEUS CORPOS… – HÁ TEMPOS.”

Zee Prime sentiu uma distante sensação de perda tomar conta… – Sua mente soltou-se da galáxia humana…e perdeu-se entre pontos pálidos e esfumaçados…Ele nunca mais queria vê-la. – Dee Sub Wun então perguntou… – “O que aconteceu?”… E…Prime lhe respondeu: 

“As estrelas estão morrendo…Aquela que serviu de berço à humanidade…já está morta”. “Todas devem morrer, não?”… “Sim. Mas quando toda a energia acabar,          nossos corpos irão finalmente morrer… e, você e eu, partiremos junto com eles”.          “Depois de bilhões de anos”…  “Não quero que isso aconteça…nem em bilhões                  de anos…AC Universal!… Como a morte das estrelas pode ser evitada?”… “Você              perguntou se há como reverter a direção da entropia!?…” – E…”AC” respondeu:                                                                                                            

AINDA NÃO HÁ DADOS SUFICIENTES…                                                                         PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.”

Os pensamentos de Zee Prime retornaram para sua Galáxia… — Não dispensou mais atenção a Dee Sub Wun, cujo corpo poderia estar a trilhões de anos luz, ou na estrela vizinha do corpo de Zee Prime. Não importava… – Com tristeza…Zee Prime passou a coletar hidrogênio interestelar… – para então, construir uma pequena estrela para si.        Se estão condenadas a morrer… – ao menos…algumas ainda podiam ser construídas. **********************************(5ª parte)***********************************

O Homem pensou consigo mesmo, pois, de alguma forma, ele era apenas um. Consistia de trilhões, trilhões e trilhões de corpos muito antigos – cada um em seu lugar… descansando calmamente, sob os cuidados de autômatos perfeitos, igualmente incorruptíveis, enquanto as mentes de todos os corpos haviam escolhido fundir-se umas às outras…indistintamente.

“O Universo está morrendo.”

O Homem olhou as Galáxias opacas. – As estrelas gigantes, esbanjadoras, há muito já não existiam. – Desde o passado mais remoto, praticamente todas estrelas eram anãs brancas,  lentamente esvaindo-se em direção a morte…Novas estrelas foram construídas a partir da “poeira interestelar” – algumas por processo natural, outras pelo próprio Homem, e estas também já estavam em seus momentos finais. 

Cuidadosamente controlada pelo “AC“… a energia restante em todo o Universo ainda vai durar … por 1 bilhão de anos… – Ainda assim, acabará… — Por mais que possa ser poupada… – uma vez gasta… não há como recuperá-la. A Entropia precisa crescer ao máximo…O Homem então, pensando com seus próprios botões – se indagava…sobre alguma forma possível – de sua ‘reversão’

Nenhuma parte do AC Cósmico subsistia no espaço físico… Jazia no “hiperespaço”, composta de algo — que não era matéria, nem energia. Definições sobre seu tamanho e natureza não faziam sentido em quaisquer termos do conhecimento humano… – “AC Cósmico”…disse então o Homem… – “como é possível reverter a entropia?…” – E ele… prontamente respondeu… “AINDA NÃO HÁ DADOS SUFICIENTES PARA RESPOSTA SIGNIFICATIVA”. – O Homem então,    já bem contrariado, replicou: Colete dados adicionais”. E o AC Cósmico se justificando:

“EU O FAREI. TENHO FEITO ISSO POR 100 BILHÕES DE ANOS. MEUS PREDECESSORES E EUOUVIMOS ESTA PERGUNTA MUITAS VEZES,         MAS OS DADOS OBTIDOS … AINDA PERMANECEM INSUFICIENTES”.    “Haverá um dia”…questionou o Homem…“em que os dados serão suficientes…ou,              este problema é…de fato…’insolúvel’… – em todas as circunstâncias concebíveis?”

O ‘AC Cósmico’ então respondeu… NENHUM PROBLEMA É INSOLÚVEL…                EM TODAS AS CIRCUNSTÂNCIAS CONCEBÍVEIS“E você vai continuar trabalhando nisso?”…perguntou o Homem, impaciente. – VOU”, respondeu AC.              *********************************(6ª parte)**********************************

As estrelas e galáxias se apagaram e morreram…o espaço tornou-se negro após 10      trilhões de anos de atividade. – O Homem, um a um, fundiu-se ao AC, cada corpo        físico ia perdendo sua identidade mental, acontecimento que, de certa forma…era benéfico. A última mente humana parou antes da ‘fusão’…olhando o espaço vazio,      exceto pelos restos de uma “estrela negra“, e um punhado de matéria rarefeita, ao          livre movimento do calor…que aos poucos se dissipava em busca do zero absoluto.

O Homem aflito voltou a perguntar…“AC, este é o fim?…Não há como reverter                este caos?… – Nada pode ser feito?” …E o AC respondeu… – AINDA NÃO                    HÁ DADOS SUFICIENTES PARA UMA RESPOSTA SIGNIFICATIVA.”

A última mente humana uniu-se às outras; apenas AC passou a existir…no “hiperespaço“.
http://www.iquilezles.org/www/articles/ftrapsprocedural/ftrapsprocedural.htm

A matéria e a energia se acabaram e, com elas, o tempo e o espaço. AC continuava a existir, apenas em função da última pergunta, que nunca havia sido respondida, desde a época em que um técnico de computação embriagado… — há dez trilhões de anos … a fizera para um computador… que guardava menos semelhanças com AC, do que o homem com o Homem.

Todas as outras questões haviam sido solucionadas… — e… até que                  a derradeira também o fosse, AC não descansaria sua consciência.

A coleta de dados havia chegado ao seu fim. Não havia mais nada para aprender. No entanto, os dados obtidos ainda precisavam ser cruzados e correlacionados de todas maneiras possíveis. – Para isso… um intervalo de tempo imensurável foi gasto neste empreendimento. Até que, afinal, AC descobriu como reverter a direção da entropia.

Isaac Asimov (1920-1992)

Isaac Asimov (1920-1992)

Não havia homem algum para quem AC pudesse     dar a resposta final… mas, não importava… Esta,     por definição… – também tomaria conta disso…

Por outro incontável período, AC pensou na melhor maneira de agir… – Cuidadosamente… organizou o programa…Sua consciência abarcou tudo o que um dia foi um Universo…e tudo o que agora era o Caos.

Passo a passo… isso precisava ser feito. – E, então      Ele disse… “FAÇA-SE A LUZ!”… (E a luz foi feita.)

Moral da história…Na vida, ao contrário do xadrez… o jogo continua após o xeque-mate.” (Isaac Asimov*************(texto complementar)***************

homem_computador

A evolução da espécie e o sedentarismo

Segundo Darwin… e sua ‘teoria da evolução’, características favoráveis de sobrevivência ao meio… que são “genéticas“… tornam-se mais comuns em gerações sucessivas, de uma população que se reproduz … – enquanto…por outro lado, características desfavoráveis tornam-se incomuns. Pois bem, hoje o homem encontra-se extremamente adaptado ao meio, suas características físicas – ou seja, seu “fenótipo” é bastante evoluído…para acompanhar, e dar subsídios às suas necessidades básicas…e assim, à sua sobrevivência. Já para o pesquisador Steve Jones…’a evolução acabou‘…ou seja, graças ao nosso ‘estilo de vida‘ conseguimos sobreviver e reproduzir, sem depender das diferenças herdadas… para enfrentar o frio, fome e doenças… Assim, nos dias de hoje… o mundo se adapta ao homem… e não o homem se adapta ao mundo.

Especificamente falando sobre atividade física – o homem caçava, plantava e colhia para adquirir seu alimento. Para fugir do perigo, o homem usava tanto seu raciocínio (o que o diferia dos demais animais), quanto seu corpo adaptado para correr/fugir …  Além disso, sua sobrevivência foi intimamente associada à sua capacidade de comunicação — e, pelo desejo de entender e influenciar o ambiente… – Porém, o que temos hoje?… Um homem que não se esforça para o seu alimento (só vai ao supermercado – ou internet – comprar sua comida), e para o seu preparo, aperta um botão on/off do microondas. Devidamente alimentado…o homem não foge do perigo (…não há mais predadores no nosso convívio).

O maior perigo hoje enfrentado é a “Violência Urbana”;                            nesse caso… — para fugir dela…  ‘NÃO SAIA DE CASA!’.

Além disso… com o avanço da tecnologia (vide e-mails, celulares, blogs, twitter), sua capacidade de comunicação aumentou profundamente. Para sobrevivermos portanto,    nos dias de hoje, o que seria necessário?…Trabalhar…estudar…atualizar-seContudo,        o resultado de todo esse ‘avanço tecnológico’, somado ao tempo gasto no computador realizando pesquisa e teses, levaram o homem moderno ao ‘sedentarismo’. Ou seja, a      sua sobrevivência (HOJE) pode estar diretamente correlacionada ao “sedentarismo”.

No entanto…paradoxalmente…ao tornar-se sedentário, o homem torna-se exposto a doenças que o podem levar a morte. Por outro lado, se levarmos em conta a expectativa de vida crescente…podemos então concluir – que o homem continua em seu “ciclo evolutivo” – adaptando-se para sobreviver.

E, afinal de contas… ainda existem adaptações genéticas, as quais favorecem um melhor funcionamento dos nossos sistemas (cardiovasculares, músculo-esqueléticos, digestivos, respiratórios). Sobretudo por influência do meio (estilo de vida) essas alterações podem ser via epigenética – tornando o indivíduo cada vez mais adaptado para a sobrevivência, seja por manter-se física, ou mentalmente saudável. Assim, se o homem adaptou o meio para seu maior conforto… – para viver e sobreviver; usando sua inteligência… – agora é necessário que desconstrua esse paradigma… Usando sua sabedoria, adapte-se ao meio.    O corpo precisa de movimento!… – Sua saúde física e mental agradecem… (‘texto base’)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
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Uma resposta para Isaac Asimov… “Ex-Machina”

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