‘Assim na Terra como no Universo’

“E…semelhante espaço o chamamos infinito…porque não há razão, possibilidade, sentido ou natureza que deva limitá-lo. — Nele, existem infinitos mundos semelhantes a este, pois não há razão nem defeito da capacidade natural, pela qual, assim como nesse espaço que nos rodeia existem – não existam igualmente em todo outro espaço que por sua natureza não é diferente deste – inumeráveis sóis, com infinitas terras… que giram igualmente em torno deles…do mesmo modo que vemos estes 7 planetas girar em torno deste sol que nos ilumina”… Giordano Bruno De l’infinito, universo e mondi (1584)

universo-3d

“É o ato subjetivo da síntese transcendental que transforma o arranjo caótico das impressões sensoriais em realidade objetiva” (Kant)

As leis da natureza são as mesmas, no longínquo universo,  ou aqui na Terra,  de acordo com a nova pesquisa conduzida por uma equipe internacional de astrônomos, incluindo Christian Henkel no Instituto Max Planck de Rádio Astronomia em Bonn-Alemanha.

A pesquisa publicada hoje (19/06/2008) na Science, mostra que um dos mais importantes números em teoria física  –  a razão de massas próton/elétron, é quase exatamente a mesma — em uma galáxia a 6 bilhões de anos-luz de distância – do que aquela encontrada em laboratórios da Terra, ou seja, aproximadamente 1.836,15.

De acordo com o astrofísico Michael Murphy  —  principal autor do estudo  —  essa é uma constatação importante, uma vez que muitos cientistas questionam se as ‘leis       da natureza‘ poderiam mudar em eras e lugares diferentes do Universo… Ele disse:

“Conseguimos demonstrar que as leis da física são as mesmas nesta galáxia…                     – a meio caminho através do universo visível – como elas são aqui na Terra”.

Os astrônomos chegaram a esse resultado ao olhar para trás no tempo — por meio de um quasar distante, denominado B0218+367… Sua luz, que levou 7,5 bilhões de anos para chegar até nós, foi parcialmente absorvida pelo gás amoníaco de uma galáxia no caminho.

Radio contour map of the quasar B0218+367 at about 7.5 billion light years distance. The galaxy containing absorbing ammonia molecules lies about 6 billion light years away and, though it is not seen in this radio map, gravitationally lenses the background quasar light to produce two bright quasar images on the sky (big red circles). The physical size of the image (at the distance of the absorbing galaxy) is about 19,000 light years across. Image: Andi Biggs (MERLIN Image, click for higher resolution).

Representação do contorno em radiofrequência do quasar B0218 367, a cerca de 7,5 bilhões de anos luz de distância. A galáxia que contém as moléculas de amônia (em absorção no espectro) se encontra a aproximadamente 6 bilhões de anos-luz de distância. E, apesar de não ser vista neste radiomapa, ampliou como lente gravitacional a luz de fundo do quasar, para produzir duas imagens brilhantes de quasares no céu (grandes círculos vermelhos). O tamanho físico da imagem (à distância da galáxia de absorção) é de cerca de 19.000 anos-luz de diâmetro. Image: Andi Biggs (MERLIN).

Observações espectroscópicas da molécula de amônia foram feitas com o radiotelescópio ‘Effelsberg’  (100m) no comprimento de onda de 2 centímetros (deslocado para     o vermelho…do comprimento de onda original de 1,3 cm).

Os comprimentos de onda em que  a amônia absorve a ‘rádio-energia’ do quasar…são sensíveis a este nº sui generis da física nucleara razão de massas próton/elétron; como explica Christian Henkel, espectroscopista molecular…

“A ‘amônia‘ é a ‘molécula ideal’ para testar nossa “compreensão física” do universo distante… Ao comparar sua linha de absorção com a de outras moléculas — foi possível achar o valor da ‘razão   de massas — próton/elétron‘, nesta galáxia, e confirmar ser a mesma obtida aqui… da Terra”.

O objetivo dos astrônomos é continuar testando no Universo, as leis da natureza; em tantos lugares e tempos diferentes, quanto possível – a fim de verificar como estas se comportam em diversas situações. Para isso, precisarão de mais galáxias de absorção.

A galáxia estudada, B0218 367, é a única testada, até agora, para esse tipo de pesquisa. Deve haver muito mais galáxias semelhantes por aí – tão logo os telescópios ideais para encontrá-las estiverem disponíveis. – E, de acordo com Murphy…este problema poderá ser resolvido com o projeto proposto do telescópio Square Kilometre Array (‘SKA’).

“O SKA é, de longe, o mais ambicioso projeto internacional de telescópio jamais concebido. Quando concluído, terá uma enorme área de coleta, o que nos permitirá procurar por mais galáxias de absorção” …  concluiu. 

‘Earth’s laws still apply in distant Universe’ # ‘Earth Physics is Probably a Universal Thing’

controvérsias: ‘Indícios de mudança na razão das massas’ (2006) ‘Leis da Física podem variar ao longo do Universo’ (2010)  #  ‘Leis da Física variam ao longo do Universo’ (2011)

“A ideia – cristalizada durante milênios, de que o céu e a Terra são coisas separadas, foi superada há 500 anos. No entanto, essa mudança de perspectiva ainda não faz parte da nossa cultura…   –  As pessoas ainda mantêm uma  ‘imagem mental’  de que o céu é uma quintessência inacessível…  O grande desafio é compreender que nós estamos, de fato, no céu — restabelecendo essas ligações cósmicas ”.  (Augusto Damineli) **************************(texto complementar)*************************************

Constantes Variáveis?! …                                                                                                      “Se os parâmetros das leis da física são determinados por processos estatísticos de auto-organização que ocorrem em tempo real – então… é possível o surgimento da inovação; até ao nível das leis fundamentais.”   (Lee Smolin – ‘A Vida do Cosmos’) 

Strong limit on a fundamental constant from molecular observations at high redshift

Strong limit on a fundamental constant from molecular observations at high redshift

Indícios de mudança na razão das massas   —   entre próton e elétron surgiram em comparações entre o espectro do Hidrogênio gasoso (em laboratório), e o espectro de luz que vem das nuvens de Hidrogênio… de quasares distantes.

Este é outro teste acerca das, assim chamadas – constantes físicas; que podem  não  ser …  ‘absolutamente’ constantes.

A constância da ‘Constante da Estrutura Fina’…  (representada pela letra ‘alfa), e definida como… o quadrado da carga do elétron, dividido pela velocidade da luz vezes a constante de Planck; por exemplo, vem sendo objeto de discussãoAlguns testes mostram que ela está mudando… outros dizem que não. Isto é uma questão importante, uma vez que alfa estabelece a intensidade geral da força eletromagnética… a força que une os átomos.

A razão entre as massas do próton e do elétron (indicada pela letra mu), similarmente – é importante no estabelecimento da escala da …‘Força Nuclear Forte’.

Até agora, não existe uma explicação do porque a massa do próton deva ser 1.836 vezes a do elétron. Esta nova pesquisa – em busca de um valor variável de ‘mu‘, foi realizada por Wim Ubachs da Vrije Universiteit /Amsterdam. Ele, e seus colegas, abordaram a tarefa, examinando o Hidrogênio gasoso em laboratório, realizando uma espectrocopia de ultra-alta definição na faixa quase inacessível do extremo-ultravioleta.

Esses dados foram comparados com precisas observações de espectros de absorção de Hidrogênio distante (que absorve a luz de quasares ainda mais distantes), realizadas     pelo Observatório Europeu do Sul (European Southern Observatory – ESO), no Chile.

O Hidrogênio astronômico é, essencialmente, Hidrogênio, tal como ele era a 12 bilhões de anos atrás, de forma que se pode procurar indícios de um valor mutante para mu. Por que a comparação? Porque a posição de uma linha espectral, em particular, depende do valor de mu localize uma linha espectral precisamente (isto é, seu comprimento de onda), e você pode inferir um valor para mu.

Dessa forma – os pesquisadores informam que observaram indícios de que mu diminuiu em 0,002% nesses 12 bilhões de anos. De acordo com Ubachs, a precisão estatística de sua comparação espectroscópica está no nível 3,5 do padrão de desvios.    Physical Review Letters (21/04/2006) (texto base) ####################################################

Vida pode estar espalhada pelo Universo…                                                    Astrônomos nos EUA acabam de descobrir sinais de moléculas orgânicas             altamente complexas no disco de poeira em volta de uma estrela distante.

Em trabalho publicado no Astrophysical Journal Letters, J. Debes e Alycia Weinberger, do Instituto Carnegie…  e,  Glenn Schneider  –  da Universidade do Arizona, descrevem observações feitas por infravermelho da estrela HR 4796A a partir do espectrômetro do telescópio espacial Hubble.

Os cientistas verificaram que o espectro de luz visível e infravermelha – promovido pela poeira da estrela, era muito avermelhado – coloração produzida por grandes moléculas orgânicas, denominadas tolinas. De acordo com o estudo, o espectro não se assemelha com o de outras substâncias vermelhas, como o óxido de ferro.

As tolinas não se formam naturalmente hoje em dia na Terra  —  porque o oxigênio da atmosfera as destruiria rapidamente; mas estima-se que elas teriam existido há bilhões de anos, nos primórdios do planeta  —  e, que teriam sido precursoras das biomoléculas que formam os organismos terrestres.

Tolinas já foram detectadas no Sistema Solar, em cometas; e, em Titã – sendo responsáveis pelo tom vermelho da lua de Saturno… Esse novo estudo é o 1º a identificar essas grandes moléculas orgânicas – fora do Sistema Solar.

Como a estrela HR 4796A, de apenas 8 milhões de anos – está nos estágios finais da formação de planetas  –  a descoberta sugere que esses blocos básicos da vida podem ser comuns nos sistemas planetários.

A  HR 4796A  encontra-se  a  220 anos-luz  da Terra – na constelação do Centauro. O disco de poeira em volta da estrela  foi formado a partir das colisões de pequenos corpos do seu Sistema, semelhantes a cometas ou asteroides.. Segundo     o estudo agora publicado…esses corpos podem transportar moléculas orgânicas para qualquer planeta que esteja em seu sistema.

Astrônomos estão começando a olhar para planetas em torno de estrelas diferentes do Sol. A HR 4796A tem massa duas vezes maior…e, é 20 vezes mais luminosa…Estudar esse sistema fornece pistas para a compreensão das diferentes condições de formação planetária… — sob as quais… talvez… a vida possa evoluir.  texto base  (18/01/2008)    *********************************************************************************

Exoplanetas começam a ser fotografados diretamente (maio/2014) 

Leva aproximadamente 80.000 anos terrestres para que o GU Psc b complete uma órbita em torno de sua estrela. [Imagem: Universite de Montreal]

Leva aproximadamente 80.000 anos terrestres para que o GU Psc b complete uma órbita em torno de sua estrela. [Imagem: Universite de Montreal]

a) GU Psc b

Você já deve ter-se acostumado à novas descobertas de exoplanetas … com suas “visões artísticas” – quadros idealizados, produzidos digitalmente. Agora, você vai começar a vê-los em imagens reais.

Um gigante gasoso é a mais recente adição à pequena lista de exoplanetas descobertos por imagens diretas.

Ele está localizado ao redor da GU Psc …  estrela com massa 3 vezes menor que a do Sol, situada na constelação de Peixes. Mas esta não é a maior surpresa desta observação…O exoplaneta chamado GU Psc b está muito distante da sua estrela… cerca de 2.000 vezes a distância da Terra ao Sol  —  um autêntico recorde.

A essa distância, leva aproximadamente 80.000 anos terrestres               para que o planeta complete uma órbita em torno de sua estrela.

Os pesquisadores aproveitaram essa distância astronômica para conseguir fotografá-lo diretamente…Ao comparar imagens obtidas em diferentes comprimentos de onda, eles foram capazes de confirmar a sua existência…Conforme a astrofísica Marie-Eve Naud:

“Os planetas são muito mais brilhantes…quando vistos em infravermelho, em vez de luz visível, porque a temperatura da sua superfície é mais baixa em comparação com outras estrelas. Isso permitiu identificar o GU Psc b

Esta que é a melhor imagem já obtida de um exoplaneta foi feita durante os testes de um equipamento que vai tentar fazer fotografias ainda melhores. [Imagem: Christian Marois/NRC Canada]

Esta que é a melhor imagem já obtida de um exoplaneta foi feita durante os testes de um equipamento que vai tentar fazer fotografias ainda melhores. [Imagem: Christian Marois/NRC Canada]

b) Beta Pictoris b

Neste 2º caso… a novidade não é – exatamente, o exoplaneta… mas, a qualidade da imagem.

A imagem foi capturada pelo Gemini Planet Imager… aparelho construído       ‘especificamente’  —  para fotografar exoplanetas. Instalado no telescópio Gemini Sul no Chile, o aparelho está     em testes … observando exoplanetas conhecidos, antes de iniciar a ‘busca’.

“Mesmo estas primeiras imagens são melhores – quase por um fator de 10 em relação à geração anterior de instrumentos.   Em 1 minuto estávamos vendo planetas que levavam 1 hora para serem detetados”… comentou Bruce Macintosh… líder da equipe que construiu o instrumento.

O astro da foto é o Beta Pictoris b, o primeiro exoplaneta a ter o seu dia medido com precisão. Essa foi mais uma demonstração do poder do novo aparelho, já que, com um dia durando apenas 8 horas…o exoplaneta está muito próximo de sua estrela – mesmo assim o equipamento foi capaz de captá-lo.

Embora a câmera tenha sido projetada para procurar planetas distantes, também pode observar objetos no nosso Sistema Solar. As imagens da lua Europa, de Júpiter, p. ex…     — permitem mapear mudanças na composição da superfície do satélite…  (‘texto base’) ***********************************************************************************  “A ‘ciência moderna’ quebrou as barreiras que separavam o céu e a terra… – unificando o universo. – No entanto, fez isso à custa da substituição do mundo de qualidade, sentido e percepção, por outro mundo…o da quantidade, da geometria ‘reitificada’ (mundo no qual, há um lugar para cada coisa…e nenhum lugar para o homem). – Assim…o mundo real da ciência ficou alienado e totalmente divorciado do mundo da vida, enquanto a ciência tem sido incapaz de explicar ou livrar-se dele…chamando-o ‘subjetivo’. – É verdade que esses   2 mundos encontram-se hoje cada vez mais conectados pela prática. Para a teoria porém, eles são separados por um abismo… – Dois mundos significa 2 verdades, ou nenhuma. E essa é a ‘tragédia da modernidade‘…que resolveu o enigma do universo, pondo outro enigma em seu lugar… o enigma do si mesmo.” (Alexander Koiré)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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