3 poemas (e alguma prosa) do meu querido primo Chico Mello

“A ciência moderna sugere que o espaço é infinito – em sua geometria plana…  Este é, realmente, um conceito perturbador ao extremo – pois… se o universo é infinitamente grande, nós somos infinitamente pequenos“ (Paul Halpern – ‘Fronteiras do Universo’)     

Protágoras…”o Homem é a medida de todas as coisas”

Medida.

o núcleo é o homem
interseção
nó górdio
entre o infinitesimal
e a dimensão cósmica 
origem dos deuses metafísicos
da multiplicidade das lógicas
e das irracionalidades abissais
núcleo observante do todo,
de percepção limitada

luz e sombras
no vislumbre dos paradoxos -
a emergência da ponta
de fios que se emaranham
no desconhecido

http://aerteslasendadelheroe.blogspot.com.br/2011/01/sisifo.html

núcleo é o homem
qual?
o que vivencia
o jogo (de dados?)
ou
o inconsútil (
mas fragmentário)
que supomos
?
 
contruir/des-
construir
trabalho de Sísifo
o que somos
 

                                                                                                Cubo

Tangran, o cubo chinês

1.

o físico teórico

chinês medita

em posição de

lótus e incerto

visualiza o quanta

o tao e a trama

e fugaz ali um

vago universo
2.

medita na luz

interna, sob a

 pálpebra cerrada

vislumbra o caos

criação e perda

lucidez difusa

que o confunde

com a teia...

dragão chinês3.

o físico chinês vê

contido no mínimo

ponto a energia

imensurável

dragão violento

comprimido no ponto

composto da paz

                                                                                                                                    a que atenta.
                                                                     O torcedor desvairado (… Em nome do contra-desaparecimento)
É da fugacidade
Que se nutre a paixão
 
O que hoje tripudia
Ontem/amanhã
Est(eve/ará) entrevado
 
Em pouco se esquece
O pouco que temos
 
Fico com a felicidade
Que se esvaiu no tempo
Mas que é minha ainda
 
O tempo nos ludibria
Sendo sempre passado
 
Amanhã estarei
Como o América F.C.
                          (Finado)
Conforme o prometido, no elevador ontem, envio estes rabiscos de boteco, onde abordo o assunto de que tratávamos…Mas – na realidade – relendo as notas…percebo que se trata da desconexão da arte e das pessoas o que me preocupa…Porque, de certo modo uma implica a outra – já que a arte, em sua lógica, é sempre o resgate da experiência humana em um novo patamar.
Uma condição, digamos, para que ela se reconheça (diversa, mas igual a si mesma) e se eleve além da farsa embutida nas intenções – por mais nobres que se possam crer. E além da farsa, o ridículo que nos torna o que somos, seres sofríveis — grandeza na miséria/miséria na grandeza…
Quando transformamos arte em puro entretenimento…                             estamos nos rebaixando a uma totalizante inconsequência.
A conexão humana é internacional! Ninguém é só. Blogs, twitter, face, whatsapp, … Tudo circula de imediato.  Sexo, política, arte e egolatrias… Toda a gama do pensamento circula ininterrupta… Um conto há muito lido, de ficção-científica, teria como enredo:
Navegantes espaciais chegam a um planeta onde fora detectada vida inteligente. Deparam, no entanto, com uma estranha forma de vida. Talvez pudessem ser vegetais, ou corais, não me recordo bem. Não àquilo a que costumamos atribuir inteligência.
Como não tinham como pesquisar suas reações, lentas demais para               serem percebidas… resolvem colher amostra para estudo posterior.
Retornam, pela imensidão do espaço, viajando não me lembro mais por quais processos, o que na verdade não importa muito. Deverá a imaginação suprir as falhas do argumento em nome da possibilidade narrativa. Recebem uma comunicação via sintomasparcialmente  delirantes.
Percebem então, que estão em contato com toda a população do planeta abandonado. Através daquele único espécime, pois toda a vida inteligente era uma única vida, uma mente coletiva. Arrancado um só pedaço da colônia de pólipos este pedaço, por mais distante que estivesse da colônia era a própria colônia, em sua totalidade.
Este conto está perdido em minha memória. Quase certamente as transformações são maiores que as correspondências com o texto original. Mas como tudo que se perde – assim como o nosso próprio passado pessoal, será sempre uma recriação do presente.
Houve certamente um ingênuo encantamento ao término da leitura… Era então uma ideia totalmente nova para mim, e por isso talvez o seu núcleo, ou caroço, sobreviveu em minha lembrança.
*
Hoje todos podemos enviar mensagens e fotos que possam vir a complementar os clássicos veículos de comunicação – o jornal televisivopor exemplo. Nenhum ato será totalmente privado, sempre haverá uma janela aberta para o público.
Entre a ânsia pelos 15 minutos de fama (Debord) e o retorno ao anonimato temos opções mais amplas. Os realities showsBig Brother… (o horror imaginado por George Orwell, agora banalizado) – fazem parte do salto do anonimato ao estrelato instantâneo… como possibilidade “democrática” de emergência social, aparecimento público.
*
Sabemos que a criação de personagens mais elaborados pouco importa na pulp fiction. A atenção/envolvimento do espectador deve ser tão completa, que qualquer desvio da ação narrativa é um remanso malquisto. É regra do thriller. (Não mais a arte pela arte, mas o entretenimento pelo entretenimento.)
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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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Uma resposta para 3 poemas (e alguma prosa) do meu querido primo Chico Mello

  1. cesarious disse:

    “Temos uma noção de tempo. Lembramos um pretérito, projetamos um futuro… indeterminável. Daí provém toda ansiedade”.

    …a poesia de Chico Mello é de uma insurgência salutar, que nos faz exercitar o lúdico da intuição, em seu caleidoscópio sensitivo… — para que… finalmente, vislumbremos fragmentos de uma metafísica que bate, insistentemente à nossa porta (entre/aberta).

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