3 poemas (e alguma prosa) do meu querido primo Chico Mello

“A ciência moderna sugere que o espaço é infinito – em sua geometria plana…  Este é, realmente, um conceito perturbador ao extremo – pois… se o universo é infinitamente grande, nós somos infinitamente pequenos“ (Paul Halpern – ‘Fronteiras do Universo’)     

Protágoras…”o Homem é a medida de todas as coisas”

Medida.

o núcleo é o homem
interseção
nó górdio
entre o infinitesimal
e a dimensão cósmica 
origem dos deuses metafísicos
da multiplicidade das lógicas
e das irracionalidades abissais
núcleo observante do todo,
de percepção limitada

luz e sombras
no vislumbre dos paradoxos -
a emergência da ponta
de fios que se emaranham
no desconhecido

http://aerteslasendadelheroe.blogspot.com.br/2011/01/sisifo.html

núcleo é o homem
qual?
o que vivencia
o jogo (de dados?)
ou
o inconsútil (
mas fragmentário)
que supomos
?
 
contruir/des-
construir
trabalho de Sísifo
o que somos
 

                                                                                                Cubo

Tangran, o cubo chinês

1.
o físico teórico chinês medita
em posição de lótus 
e incerto visualiza 
o quanta, o tao e a trama
e fugaz ali 
um vago universo

2.
medita na luz interna, 
sob a pálpebra cerrada vislumbra o caos...
criação e perda lucidez difusa... 

- que o confunde com a teia...

 

http://fatoefarsa.blogspot.com.br/2013/08/consideracoes-interessantes-sobre-os.html

 Dragões talvez sejam uma das primeiras manifestações culturais da humanidade. Acredita-se que a mitologia tenha origem nos fósseis de dinossauros. A palavra é originária do termo grego drakōn, usado para definir grandes serpentes. E, apesar da presença comum no folclore de povos tão distantes como chineses ou europeus, assumem função e simbologia diversas; de fonte sobrenatural de força e sabedoria, a feras destruidoras…sendo reverenciados como deuses, responsáveis pela criação do mundo – nas pinturas rupestres de aborígines na Austrália, desde 40.000 a. C. fonte1/fonte2

3. 
o físico chinês vê contido no mínimo ponto a energia 
imensurável dragão violento comprimido no ponto... 
composto da paz a que atenta.
dragão chinês

O torcedor desvairado (… Em nome do contra-desaparecimento)

É da fugacidade que se nutre a paixão…
 
O que hoje tripudia
Ontem/amanhã
Est(eve/ará) entrevado
 
Em pouco se esquece
O pouco que temos
 
Fico com a felicidade
Que se esvaiu no tempo
Mas que é minha ainda
 
O tempo nos ludibria… Sendo sempre passado. ********************************************************************************

Conforme o prometido, no elevador ontem, envio estes rabiscos de boteco, onde abordo o assunto de que tratávamos… Mas – na realidade – relendo as notas…percebo que se trata da desconexão da arte e das pessoas o que me preocupa… — Porque, de certo modo, uma implica a outra – já que a arte, em sua lógica, é sempre o resgate da experiência humana em um novo patamar.

Uma condição, digamos, para que ela se reconheça (diversa, mas igual a si mesma)… e se eleve além da farsa embutida nas intenções…por mais nobres que se possam crer. E além da farsa – o ridículo que nos torna o que somos, seres sofríveis… — grandeza na miséria/ miséria na grandeza…

Quando transformamos arte… – em puro entretenimento…                            estamos nos rebaixando a uma totalizante inconsequência. 

A conexão humana é internacional! Ninguém é só. Blogs, twitter, face, whatsapp…Tudo circula de imediato. Sexo, política, arte e egolatrias… Toda gama do pensamento circula ininterrupta… Um conto há muito lido, de ficção-científica, teria como enredo:

Navegantes espaciais chegam a um planeta onde fora detectada vida inteligente. Deparam, no entanto, com uma estranha forma de vida. Talvez pudessem ser vegetais, ou corais, não me recordo bem. Não àquilo a que costumamos atribuir inteligência.

Como não tinham como pesquisar suas reações, lentas demais para               serem percebidas… resolvem colher amostra para estudo posterior.

Retornam, pela imensidão do espaço, viajando não me lembro mais por quais processos, o que na verdade não importa muito. Deverá a imaginação suprir as falhas do argumento em nome da possibilidade narrativa… Recebem uma comunicação via sintomas (parcialmente delirantes).
Percebem então, que estão em contato com toda a população do planeta abandonado. Através daquele único espécime, pois toda a vida inteligente era uma única vida, uma mente coletiva. Arrancado um só pedaço da colônia de pólipos este pedaço, por mais distante que estivesse da colônia era a própria colônia, em sua totalidade.
Este conto está perdido em minha memória. Quase certamente as transformações são maiores que as correspondências com o texto original. Mas como tudo que se perde – assim como o nosso próprio passado pessoal, será sempre uma recriação do presente.
Houve certamente um ingênuo encantamento ao término da leitura… Era então uma ideia totalmente nova para mim, e por isso talvez o seu núcleo, ou caroço, sobreviveu       em minha lembrança. *****************(complemento acústico)********************

Hino Brasileiro para 6 Pianos (ao vivo)…Wagner Tiso, Arthur Moreira Lima, João Carlos de Assis Brasil, Nelson Ayres, Amilton Godoy e Antonio Adolfo (Engenhão/2011)

Pátria Minha
(Vinicius de Moraes)

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos…
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito […]

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão…
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
“Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes.”

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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Uma resposta para 3 poemas (e alguma prosa) do meu querido primo Chico Mello

  1. cesarious disse:

    “Temos uma noção de tempo. Lembramos um pretérito, projetamos um futuro… indeterminável. Daí provém toda ansiedade”.

    …a poesia de Chico Mello é de uma insurgência salutar, que nos faz exercitar o lúdico da intuição, em seu caleidoscópio sensitivo… — para que… finalmente, vislumbremos fragmentos de uma metafísica que bate, insistentemente à nossa porta (entre/aberta).

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