O “Despertar (superquântico) do Vácuo”

“É impossível imaginar o nada absoluto – sempre existiu, e existirá algo. Provavelmente, porque a ausência da existência, de fato é uma mera impossibilidade” (Ronaldo Mourão)

Físicos da USP e da Unesp sugerem que a energia do vazio pode destruir as estrelas mais densas do Universo. (Agência FAPESP)

Físicos da USP e da Unesp sugerem que a energia do vazio pode destruir as estrelas mais densas do Universo. (Agência FAPESP)

Seria a energia… presente no vácuo… capaz de controlar o destino das estrelas… ou mesmo do Universo inteiro?  Uma nova linha de pesquisa conduzida por físicos brasileiros — demonstra que, talvez isso seja possível. 

Os físicos descobriram na teoria um efeito capaz, como definiu George Matsas…do Instituto de Física Teórica (IFT) da Unesp/São Paulo  —  de transformar a “energia do espaço vazio” numa reação “cataclísmica” … no fenômeno batizado de… “o despertar do vácuo”.

A descoberta foi feita pelo professor Daniel Vanzella, do Instituto de Física de São Carlos da USP, e seu aluno William Corrêa de Lima, sendo descrita em abril, na Physical Review Letters…  —  Lá, eles esboçaram as situações em que o “despertar” poderia ocorrer. 

Junto com a dupla — Matsas assinou outro artigo na edição de 8 de outubro da mesma revista, no qual exploraram uma dessas situações em detalhe…Os cientistas mostraram como…’a gravidade de uma estrela de neutrons em formação pode conceder ao vácuo o poder de destruir a si mesma’.

Com base no que se conhece hoje do assunto, não há nenhum princípio geral que impeça esse efeito gerador de catástrofes estelares de ocorrer…Mas, somente outras observações poderão verificar se esse fenômeno ocorre na prática.

Fundo quântico fantasmagórico                                                                                 Embora o vazio espacial esteja cheio de ‘campos quânticos‘, o efeito destes é, geralmente muito sutil. Entretanto, um grupo de físicos brasileiros demonstrou que… — sob determinadas condições — como durante a formação da ‘estrela de neutrons’, esses campos podem crescer,   a ponto de, inclusive, superar a energia     da massa da estrela.

Uma exploração mais profunda de como este “despertar do vácuo” produz efeitos poderá mudar o ‘entendimento atual’ de alguns eventos astrofísicos.

O ‘espaço vazio’ é preenchido com uma espécie de ‘fundo quântico fantasmagórico, formado por ondas de todas frequências possíveis…Nisto se incluem, não apenas as   ondas do eletromagnetismo, e outras forças… — mas também “ondas de partículas”,   como elétrons. A quantidade de energia nestas ondas é pequena, mas nunca igual a     zero…como uma corda, que vibrando, nunca está completamente parada e esticada.

Teoria quântica de campos em espaçotempo curvos

Como não existe uma teoria quântica completa da gravidade… Vanzella e William Lima usaram uma abordagem já bem conhecida, denominada ‘teoria quântica de campos em espaçotempo curvos’  (QFTCS). Esta técnica utiliza a ‘mecânica quântica padrão’ para descrever todos os campos – exceto a gravidade…para incluir seus efeitos, em seguida.

http://hypescience.com/as-11-mais-belas-equacoes-matematicas/

De acordo com a ‘relatividade geral’, a força gravitacional surge quando o espaçotempo é distorcido (…curvado)  na presença de massa/energia. Assim, a “QFTCS” utiliza esse ‘espaçotempo’ relativista… – nos cálculos quânticos.

Os físicos brasileiros não analisaram todos os campos possíveis, apenas o tipo mais simples, chamado campo escalar. Este campo genérico – por exemplo, poderia ser uma versão do campo eletromagnético…ou, até mesmo – representar uma partícula ainda desconhecida.

Seguindo a prática padrão… – eles deixaram sem especificação um parâmetro-chave deste campo – o parâmetro de ‘acoplamento’, que quantifica a atração, ou repulsão do campo às regiões altamente curvadas do espaçotempo.

Energia do vácuo

Em um artigo, publicado em abril, na Physical Review Letters, Vanzella e William Lima analisaram a energia do vácuo para um espaçotempo que começa com uma distribuição uniforme de massa no passado distante (espaçotempo plano), para, em seguida, evoluir em concentrações fixas de massa (aglomerados), num futuro distante.

A energia do vácuo resultante…depende da massa…do tamanho             dos aglomerados de matéria…e do parâmetro de acoplamento.

O resultado surpreendente foi que, para algumas combinações de valores, mesmo               depois que a distribuição da massa para de mudar, a energia do vácuo continua a             crescer exponencialmente — ao longo do tempo… nas cercanias dos aglomerados.      Sendo que, eventualmente, a densidade da energia do vácuo nessas regiões ultrapassa a densidade de energia da matéria ordinária — de forma a que o vazio                 começa a distorcer o espaçotempo – ainda mais forte do que a matéria é capaz.

Teoria desenvolvida por físicos brasileiros prevê que a energia do espaço vazio ao redor de uma estrela de nêutrons (ponto brilhante no centro, circundado pelos restos da supernova) pode superar a energia da massa da estrela.[Imagem: NASA/CXC/CfA/P. Slane et al.]

Teoria desenvolvida por físicos brasileiros prevê que a energia do espaço vazio ao redor de uma estrela de nêutrons (ponto brilhante no centro, circundado pelos restos da supernova) pode superar a energia da massa da estrela.[Imagem: NASA/CXC/CfA/P. Slane et al.]

Efeitos gravitacionais do vácuo

Para ver se esse efeito importa na prática, Lima e Vanzella juntaram-se ao grupo de George Matsas da UNESP (Universidade Estadual Paulista)…O artigo, analisa um ‘modelo de espaçotempo altamente curvado emergindo durante a formação de uma estrela de neutrons ultradensa.

Para alguns valores razoáveis de massa   e tamanho da estrela, eles prevêem que, em alguns milissegundos…a energia do vácuo crescerá…para alguns valores do parâmetro de acoplamento.

Neste ponto a energia do vácuo começa a induzir outros ‘efeitos gravitacionais’, que eles ainda não calcularam – portanto – ainda não sabem como a estrela seria afetada.

Se o prosseguimento da pesquisa mostrar que – tal estrela de neutrons fica instável…a existência dessas estrelas estáveis de tamanhos específicos pode descartar, ou confirmar a existência dos campos do tipo modelado por eles. Isto é – a teoria poderia ser testada pela observação e medição das massas de estrelas de neutrons.

Vanzella, entretanto, adverte que, até agora, não foi analisado como a crescente energia do vácuo modifica a curvatura do espaçotempo… – nem quaisquer efeitos resultantes sobre a estrela de neutrons… como ainda explicou Leonard Parker, da Universidade de Wisconsin:

“Até este momento, não foi calculada a solução numérica das equações de Einstein com a reação retornando sobre o campo…por isso ninguém sabe ao certo aonde isso vai dar…É um convite aberto para mais investigação.”

‘Poder do Vácuo’ (09/11/2010)  #  Estrela de neutrons pode acordar o vácuo quântico  (04/10/2010) George Matsas coordena o Projeto “Física em Espaços-Tempos Curvos” fontes p/ consulta: ‘A força do Vácuo’ (Ars Physica/2010) # ‘O Despertar do Vácuo’  (Unesp/2010) # # ‘Luz gerada pelo Vácuo’ (2011)  # #  ‘Tempestades no Vácuo’ (2014)  ************************(texto complementar)*************************************

Flutuações do Ponto Zero – A Natureza do Vácuo (Osvaldo Pessoa)

Vácuo é ausência de matéria, mas isso equivale ao nada?…Que nada! Vários fenômenos foram explicados no final da década de 40 supondo-se que existem flutuações de vácuo associadas à “energia de ponto zero”. Por exemplo, a emissão espontânea de fótons por um átomo em estado excitado pode ser parcialmente explicada…por meio de flutuações dos campos de vácuo… – A taxa de emissão espontânea pode inclusive ser reduzida suprimindo-se modos de flutuação do vácuo.

Mas, qual a natureza deste vácuo?… Podem as ‘flutuações do ponto zero’ serem consideradas flutuações reais de tipo clássico, como faziam Planck, Einstein e Nernst na década de 1910, ou ainda, conforme é defendido pela recente abordagem, conhecida como “eletrodinâmica estocástica”?…

Ou… será que as explicações a partir de flutuações do vácuo são um mero instrumento heurístico, devendo ser substituídas…as ‘partículas virtuais’, por um rígido tratamento quânticos?

Tais questões… relativas ao ‘vácuo eletromagnético‘ são exploradas na atual ‘teoria topológica de campos quânticos‘.

Mesmo em seu estado fundamental, um sistema quântico possui flutuações, e uma energia de ponto zero associada – caso contrário…o ‘princípio de incerteza’ seria violado. Portanto, o estado de vácuo de um campo quantizado – em especial, os campos elétrico e magnético no vácuo eletromagnético… são quantidades que flutuam.

Com efeito — o conceito mais básico da ‘teoria quântica’ é o de ‘estado’ de um sistema. Desde Maxwell, ‘o sistema’, no nível mais fundamental, significa um sistema de campos. Considerando as energias de estados desse sistema de campos, há um estado de energia mínima; o estado fundamental de estabilidade; os outros estados são ‘estados excitados’.

Desse modo, o vácuo é, de fato – precisamente, o estado de                             menor energia do sistema fundamental de muitos campos.

Por outro lado, os estados excitados podem ser descritos como contendo quanta – os chamados quanta elementares de excitação… Estes quanta são o aspecto corpuscular do campo. Assim, o vácuo não é uma substância, mas um estado. E, já que as partículas são ‘quanta de excitação’, e o vácuo é o estado no qual nenhum dos campos está excitado…o vácuo é o estado no qual não há nenhum quanta de excitação – o ‘estado sem partículas’.

Talvez  –  o próprio universo tenha surgido de uma flutuação quântica.

A “teoria quântica de campos” nos diz que o vácuo não é um tranquilo ‘estado do nada’ – mas…um estado quântico com flutuações… – e com consequências físicas…

Alguns desses efeitos que podem ser explicados a partir de ‘flutuações do vácuo‘ são: ‘deslocamento de Lamb’, emissão espontânea, efeito Casimir, ‘forças de van der Waals‘… emissão espontânea modificada por cavidades, ‘Efeito Unruh(fótons com espectro térmico vindos do vácuo, observados por referenciais acelerados) e ‘radiação de Hawking(ainda teórica.)

O vácuo eletromagnético é um estado sem quanta, sem fótons. Mesmo assim, de alguma forma, há campos nele… E fótons são os quanta destes campos — então…certamente, de algum modo…existem fótons (virtuais) no vácuo… — causando todos esses fenômenos. 

Campos de vácuo

O vácuo tem carga nula… As flutuações permitidas de matéria também precisam ter carga nula, ou seja, elas precisam ser pares de um quantum e seu anti-quantum correspondente, de carga oposta. Estas flutuações de matéria ocorrem espontaneamente… sendo a energia requerida ‘emprestada’ durante um tempo apropriadamente curto – de modo a que pares virtuais possam ser criados, e aniquilados, na vizinhança de qualquer partícula carregada.

Apesar de ter uma existência transitória, esses pares exercem um efeito mensurável…eles fazem com que o vácuo se comporte como um meio polarizável. A criação virtual de pares no vácuo da eletrodinâmica quântica traz consigo uma ‘blindagem’ da carga fundamental, reduzindo a carga aparente a grandes distâncias, ou aumentando-a a pequenas distâncias.

Em teorias do tipo eletrodinâmica quântica e cromodinâmica quântica, a polarização do vácuo produz um efeito de ‘anti-blindagem‘… – a carga efetiva desaparece inteiramente a distâncias muito curtas, e as partículas que carregam esta carga deixam de interagir! Esta propriedade é chamada de liberdade assintótica, sendo extremamente importante na explicação do sucesso de interpretações do ‘modelo quark‘ no espalhamento de léptons de alta energia em neutrons e prótons.

Emissão espontânea

Inicialmente… – pensava-se que a “emissão espontânea poderia ser uma ‘emissão forçada‘…sob a ação do campo de flutuação…do vácuo.

Porém… se levarmos a sério esta ideia… – e calcularmos a taxa de emissão devida ao ‘campo de vácuo’… – encontraremos apenas metade dos coeficientes de Einstein. Além disso, este método não explica a não absorção espontânea, a partir daquele campo eletromagnético.

Uma interpretação clássica…ainda mais antiga…da ‘emissão espontânea’ atribui este fenômeno à reação da radiação… A ideia, grosso modo, é que a emissão espontânea é simplesmente uma consequência do fato de que dipolos oscilantes irradiam. Mas não podemos usar aqui a eletrodinâmica clássicapois obteríamos resultados errôneos.

Uma explicação inquestionável da emissão espontânea foi dada por Fermi, em 1932… – A radiação espontânea aparece, porque aquele estado no qual um átomo se encontra em um nível, e o campo de radiação está ausente…não é um ‘auto-estado estacionário’ do sistema completo (átomo + campo eletromagnético).

Eletrodinâmica estocástica    Teoria clássica… que explica diversos  ‘fenômenos quânticos’… – a partir da existência de ‘flutuações do vácuo‘. Por exemplo o ‘princípio da incerteza’, que rege a posição, e momento de um elétron é propriamente explicado…ao       se supor uma interação…da partícula clássica com o vácuo eletromagnético.

A eletrodinâmica clássica consiste das ‘leis de movimento’ de Newton…para massas pontuais — bem como ‘equações diferenciais‘ de Maxwell  junto com suas ‘condições de contorno‘, para os campos eletromagnéticos. 

Ao escolher uma condição de contorno particular para as equações de Maxwell, Lorentz obteve uma teoria específica de elétrons. – Porém, sua escolha não é a única… e, de fato, hoje ela não parece ser das melhores.

Alterando as condições de contorno da teoria clássica de elétrons para incluir a presença de um campo homogêneo (e isotrópico) de radiação aleatória, com um espectro Lorentz invariante, esta outra teoria eletromagnética – puramente clássica – explica muito mais fenômenos do que a teoria de elétrons original de Lorentz… Em contrapartida, o modelo planetário para um átomo deve ser reconsiderado…Os elétrons movendo-se em torno do núcleo estão de fato irradiando energia, conforme cálculos do eletromagnetismo clássico.

Porém, um novo elemento surge… A ‘radiação do ponto zero‘ age de forma a produzir movimentos aleatórios nos elétrons…transferindo energia efetivamente através de forças aleatórias do eletromagnetismo clássico…Assim, o cálculo para o espectro de radiação no ponto zero do vácuo eletromagnético é obtido da ‘eletrodinâmica quântica’ (lei de Planck).

A ‘estabilidade’ da matéria é explicada na ‘eletrodinâmica estocástica‘ pelo balanço entre a energia perdida por radiação, e a energia ganha da ‘radiação de ponto zero‘. ***********************************************************************************

Sobre o ‘Princípio da Incerteza’… (Orkut – Comunidade de Astronomia!)

BoninNa maioria dos sistemas quânticos, só é possível definir a ‘energia total’, que é a soma das energias cinética e potencial. Chama-se de ‘energia do estado fundamental‘  a menor energia do sistema. Para um ‘oscilador harmônico’ esta energia fundamental não é zero, mas h.ω/2, sendo h a constante de Planck…e ω a frequência angular do oscilador.

Para o átomo de Hidrogênio, a energia do estado fundamental é -13,6eV. Nesses casos,       a menor energia possível para os sistemas não é zero. Mas em nenhum desses casos, o estado fundamental é ‘auto-estado’…nem do momento, nem da posição. Trocando em miúdos, mesmo no estado de mais baixa energia – não se tem nem o momento, nem a posição definidos.

Para o caso de partículas livres, o estado fundamental de fato tem energia nula e é auto-estado do momento com ‘autovalor zero’ – o que significa que as partículas estão todas paradas. Contudo, esses estados não são auto-estados da posição, de tal forma que elas não estão em posições definidas.

Por outro lado, para o caso de uma partícula livre, podemos medir sua posição, e ela estará num auto-estado da posição…Isso significa que ela possui (pelo menos instantaneamente) uma posição definida. – Contudo nesse caso, em contrapartida, seu momento é indefinido.

Resumindo a situação de um sistema livre… ele pode estar parado, mas não faz sentido afirmar alguma coisa sobre onde ele está parado, ou, ao contrário… podemos afirmar onde ele está – mas, nesse caso…não faz sentido dizer que ele está parado.

Cesar – se o corpo está parado, ele está parado em relação ao seu próprio referencial, logo não faz sentido alguém de fora do referencial afirmar onde ele está parado…Se o corpo está em movimento, seu movimento pode ser medido em relação a outro referencial…que não o seu próprio, para o qual estaria parado. – A propósito, se considerarmos o sistema solar, o sol está parado em relação aos planetas – na condição de seu ‘auto-referencial – já para um observador fora do sistema solar, o sol sempre está em movimento – nunca parado.

BoninComo saberíamos se uma partícula esta parada?… A partir de que referencial?
É como o Cesar falou, a velocidade é relativa… Um objeto pode estar parado em relação a outro e ambos em movimento em relação a um 3º. Na situação da Mecânica Quântica que foi exposta neste tópico, se diz que a partícula está parada (com momento nulo) em relação ao aparelho medidor. 

bn

Sobre deformações do espaçotempo

Cesar – Sob velocidades relativísticas… — o coeficiente de Lorentz faz com que o viajante em direção a uma estrela tenha seu percurso reduzido, e seu ‘tempo de contorno‘ esticado em relação a seu referencial. – Para um caso extremo (v=c) esse tempo externo congelaria como um ‘horizonte de eventos’. — Supondo que, dentro de um buraco negro a partícula viajante sofresse uma aceleração com velocidade superluminar, por teoria, analogia…ou simetria, ela retornaria à sua trajetória pelo espaço-tempo?…

E o viajante, ainda com uma velocidade sub-liminar, tendo o seu percurso, assim como seu tempo de chegada, reduzido em relação à estrela, sofreria em seu referencial, a aceleração residual da deformação do espaçotempo?

Carlos Esse caso extremo não existe.

CesarToda singularidade possui um horizonte de eventos, isso presumo, faz parte da física teórica. O tempo é congelado num horizonte de eventos… até aí tudo bem!… certo? A velocidade da luz nesse caso, não seria uma singularidade para a partícula material?

Carlos –toda singularidade possui ‘horizonte de eventos’…isso, presumo, faz parte da física teórica.”  — Até onde eu sei, isso é um ‘princípio’…chamado, em inglês, de “cosmic sensorship hypothesis“… ou coisa assim… Não é algo provado a partir das equações de Einstein — mas aí…o Mario pode explicar melhor… — visto que RG é mais a praia dele.

“A velocidade da luz não seria uma singularidade para uma partícula material?”
– Não…Na verdade, não entendo o que você quer dizer com a velocidade da luz ser uma singularidade. É verdade que algumas quantidades divergiriam se a velocidade de uma partícula material pudesse ser igual à c…  – Um bom exemplo de tal quantidade seria o ‘fator gama de Lorentz… Mas o valor v=c não faz parte do domínio dessa quantidade pois, segundo a relatividade restrita… uma partícula massiva jamais pode atingir a velocidade da luz… – E isso não é uma hipótese, mas consequência da teoria.

MarioNo primeiro post do Cesar acho que ele comete um erro de interpretação. Para acelerar uma partícula até a velocidade da luz, é necessária uma quantidade energética tendendo a infinito… então… — não é possível que um corpo caindo no BN… tenha  v=c

A questão da ‘dilatação do tempo’, à medida que uma partícula teste se aproxima do BN, em relação a um referencial exterior ao buraco negro, se deve à curvatura espaçotempo, que fica cada vez maior – à medida que a partícula se aproxima do horizonte de eventos. Aí,  um sinal que a partícula mande para o seu observador que dure, por exemplo…1 seg, no tempo próprio da partícula, é recebida pelo observador com duração cada vez maior.

Quando a partícula chega ao horizonte de eventos… – qualquer ‘sinal’ que mande para o observador leva um tempo ‘infinito’ para chegar a ele, ou seja ultrapassando o horizonte o sinal jamais chegará…Mas, isso não tem nada a ver com a velocidade de aproximação da partícula; o fato dela atravessar o horizonte não significa que ela chega à velocidade da luz. – E mais, a partir do momento que a partícula ultrapassa o horizonte, nenhuma teoria física pode prever seu estado ou comportamento. – Toda informação que possua     é transformada, pelo BNem entropia… – que é proporcional à sua área.

A Conjectura da Censura Cósmica – proposta por Roger Penrose em 1969 – afirmava que singularidades resultantes de um colapso gravitacional estão sempre envolvidas pelo horizonte de eventos de um buraco negro‘. (Mauricio Richartz) 

Sobre a ‘hipótese do sensor cósmico’ … Esta é mesmo uma hipótese, que é levada muito a sério pelos físicos. Ela diz que não existe singularidade sem horizonte de eventos. Se esta hipótese… que, realmente não é prevista em teoria – for correta… – toda informação no cone futuro de um buraco negro ‘nu’ — torna-se inacessível por observadores fora desse cone de luz. – Mais que isso, sistemas físicos dentro desse cone tornam-se imprevisíveis, pois as teorias da física não valem por lá.

Como não observamos setores inobserváveis no universo, e nosso mundo parece ser determinístico (falando classicamente…) acredita-se que a hipótese seja verdadeira.         Mas, têm físicos que buscam formas de driblar essa hipótese em sistemas quânticos. Porém, essa é outra história…

CesarSuponho que o buraco negro nada mais é do que um acelerador de partículas, as quais… espiralando em tunelamento para dentro dele… transformam suas dualidades em singularidades (radiação).

Carlos Partículas carregadas ao serem aceleradas emitem radiação. — Quando estas são atraídas para um buraco negro, são aceleradas…portanto, irradiam…Mas, isso não tem nada a ver com ‘tunelamento’… – Muito menos com…“transformar suas dualidades em singularidades“… seja lá o que você quis dizer com isso.

Mario Cesar…uma ‘singularidade’ em Relatividade Geral tem um sentido matemático muito bem definido. Nós podemos dizer que existem singularidades no espaçotempo, por exemplo, mas não faz sentido dizer que a velocidade da luz para uma partícula material é uma singularidade… ou que a radiação é uma singularidade, neste contexto. Também não sei o que você diz com dualidades…

É verdade que a energia de uma partícula com massa tende a infinito… à medida que ela se aproxima da velocidade da luz. – Aí existe um sentido matemático dizer que a energia da partícula tem singularidade em v=c… – Mas…essa singularidade não tem nada a ver com ‘singularidades’ que podem existir dentro de buracos negros. Também não dá para dizer que radiação é uma singularidade por ‘andar’ à velocidade da luz…pois a energia da radiação não possui essa singularidade matemática das partículas com massa.

Até hoje ninguém sabia exatamente qual era o formato de um buraco negro. Mas, ainda que um deles nunca possa ser visto diretamente, agora já possível imaginá-los e desenhá-los no seu formato preciso: a forma de um elo redondo de corrente. [Imagem: Chris Reynolds]

Até hoje ninguém sabia exatamente qual era o formato de um buraco negro. Mas, ainda que um deles nunca possa ser visto diretamente, agora já possível imaginá-los e desenhá-los no seu formato preciso: a forma de um elo redondo de corrente. [Imagem: Chris Reynolds]

Cesar  –  a dualidade a que me refiro é da partícula/onda (massiva)…enquanto a singularidade… a radiação (s/massa). Aliás, vocês já repararam nesse incrível mapeamento de BNs… – ‘Descoberto o formato dos buracos negros’

E também para este artigo… – dizendo que o efeito de tunelamento em BNs não é fora de propósito…a esses físicos brasileiros… ‘É possível induzir o strip-tease de buracos negros’.

Carlos Esses físicos brasileiros são do IFT, onde eu e o Mario fazemos doutorado.
Pelo pouco que eu entendo do assunto (o Mario sabe mais), a ideia deles é utilizar o tunelamento para investigar acosmic sensorship hipothesis“.

Mas, isso não tem nada a ver com o fato da matéria carregada emitir radiação…Se você tratar o elétron classicamente, sem nada de quântico, ele emite radiação do mesmo jeito. Portanto, isso não tem relação com a dualidade onda/partícula. Mais uma vez radiação não é uma singularidade. Radiação nada mais é do que onda eletromagnética.

Cesar inclusive a ‘radiação de Hawking’?

Mario –  Bonin tem razão. Matéria quente ao redor do buraco negro existe porque a aceleração a que é submetida faz com que se emita radiação de partículas carregadas eletricamente. O fenômeno não é quântico. Aliás, em buracos negros supermassivos,   como os que existem no centro de galáxias  –  fenômenos quânticos são irrelevantes.

O que o Matsas e o André estão estudando é como um buraco negro pode revelar sua singularidade através de um fenômeno quântico (semiclássico é a expressão correta),       de tunelamento. Mas esse mecanismo é ainda muito controverso, e ainda tem muito trabalho por ser feito…  —  segundo o que o Matsas nos disse no fim do ano passado.

Mais uma vez… buracos negros muito massivos não apresentariam essa possibilidade.
Radiação Hawking também é um fenômeno quântico irrelevante para buracos negros muito massivos. Aliás, é muito improvável que ela seja experimentalmente detectável.       E ela não é uma singularidade. 

‘É possível desnudar um buraco negro’ (dez/2007)  #  ‘Singularidades expostas’ (out/2007)  # # ‘Na Boca de um Buraco Negro’ (maio/2002)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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