O Despertar (“superquântico”) do Vácuo

O vácuo é capaz de controlar o destino de estrelas, ou até mesmo do Universo inteiro? Físicos brasileiros descobrem um novo fenômeno que mostra como isso seria possível”.

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Físicos da USP e Unesp sugerem que a ‘energia do vácuo’ pode destruir as estrelas mais densas do Universo. (Agência FAPESP)

Seria a energia…presente no ‘vácuo‘…capaz de controlar o destino das estrelas…ou mesmo de todo o universo?…Uma nova linha de pesquisa conduzida por físicos brasileiros… mostra que, talvez essa hipótese … não seja tão impossível.

Os físicos perceberam em sua teoria um efeito capaz de…como definiu George Matsasdo Instituto de Física Teórica (IFT) da Unesp/SP, transformar a “energia do espaço vazio” numa reação cataclísmica de um fenômeno batizado por eles como… — “o despertar do vácuo”.

A descoberta feita por Daniel Vanzella, e William Corrêa de Lima, do Instituto de Física de São Carlos, da USP, foi publicada em abril na ‘Physical Review Letters’. Lá eles esboçaram situações em que o despertar poderia ocorrer. Junto com a dupla, Matsas então assinou outro artigo, na edição de 8 de outubro da mesma revista, no qual exploraram uma dessas situações em detalhe, mostrarando como a gravidade de uma “estrela de neutrons” em formação…pode dar ao ‘vácuo o poder de destruir a si mesma… – Para isso, a energia do vácuo… ao redor de uma estrela de neutrons – deve superar a energia da massa da estrela.

Com base no que se conhece hoje do assunto, não há qualquer              ‘princípio geral’ que impeça a ocorrência de um tal fenômeno.                        Porém, somente observações poderão confirmá-lo na prática.

“Fundo quântico fantasmagórico”                                                                              Embora o vazio espacial esteja cheio de ‘campos quânticos‘, o efeito destes é, geralmente muito sutil. Entretanto, sob determinadas condições, como durante     a formação de “pulsares”, ou ‘estrela de neutrons’, esses campos podem crescer,   a ponto de, inclusive, superar a energia correspondente à ‘massa da estrela’…E, assim…produziriam “efeitos especiais“.

O ‘espaço vazio’ é preenchido com uma espécie de ‘fundo quântico fantasmagórico, formado por ondas de todas frequências possíveis…Nisto se incluem, não apenas as   ondas do eletromagnetismo, e outras forças… — mas também “ondas de partículas”,   como elétrons. A quantidade de energia nestas ondas é pequena… mas nunca ‘zero’.

Como não existe uma teoria quântica completa da gravidade… Vanzella e William Lima usaram uma abordagem já bem conhecida, denominada ‘teoria quântica de campos em espaçotempo curvos’ (QFTCS)…Esta técnica utiliza a “mecânica quântica padrão” para descrever todos os campos – exceto a gravidade…para, em seguida…incluir seus efeitos.

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De acordo com a ‘relatividade geral’, a força gravitacional surge quando o espaçotempo é curvado…na presença de massa/energia. Assim…a “QFTCS”  utiliza esse ‘espaço-tempo’ relativista nos “cálculos quânticos”. – Os físicos brasileiros só analisaram o tipo mais simples…chamado ‘campo escalar‘. Este “campo genérico”, poderia ser o “eletromagnético” – ou…representar uma “partícula ainda desconhecida”.

“Energia do vácuo”e seus “efeitos gravitacionais”                                          Seguindo o padrão, eles deixaram sem especificação o parâmetro de ‘acoplamento’, que quantifica a atração ou repulsão do campo…às regiões mais curvadas do espaçotempo.

Em um artigo, publicado em abril na ‘Physical Review Letters’, Vanzella e William Lima analisaram a energia do vácuo para um espaçotempo que começa com uma distribuição uniforme de massa no passado distante (espaçotempo plano), para em seguida…evoluir em concentrações fixas de massa (aglomeradosnum futuro distante. – A ‘energia do vácuo’ assim resultante – depende da massa, do tamanho dos aglomerados de matéria,      e do parâmetro de acoplamentoO resultado surpreendente foi que, em algumas combinações de valores, mesmo após a distribuição da massa se estabilizar… a “energia      do vácuo” continua a crescer exponencialmente…ao longo do tempo…nas cercanias dos aglomerados. Sendo que, eventualmente…a densidade da energia do vácuo nessas regiões ultrapassa a densidade de energia da matéria ordinária…de forma a que o vazio  começa a — distorcer o ‘espaçotempo’ — ainda mais forte do que a matéria é capaz.

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Medir a densidade do pulsar PSR B1509-58 ajudará na verificação da existência de ‘campos quânticos’ livres.

Para ver se esse efeito importa na prática, Lima e Vanzella juntaram-se ao grupo de Matsas, em outro artigo – analisando um novo modelo de ‘espaçotempo’ altamente curvado, emergindo da formação de uma ‘estrela de neutrons‘…ultradensa. — Para alguns valores razoáveis — de tamanho e massa estelar – é previsto o crescimento, em milissegundos…da ‘energia do vácuo’, até atingir ao nível do… ‘parâmetro de acoplamento‘, onde começa a indução de outros ‘efeitos gravitacionais’… ainda não calculados  cuja definição poderia dar origem a um estudo mais detalhado, sobre o comportamento atual da estrela. 

Se o avanço da pesquisa mostrar que tal estrela de neutrons sofre instabilidade, a teoria poderia ser testada por simples medições das “estrelas de neutrons” em função de seus modelos de…’campos de vácuo’. Mas Vanzella adverte que até hoje não foi considerado o modo como a emergência de uma… energia do vácuo… possa modificar a curvatura do “espaçotempo”… muito menos quaisquer efeitos resultantes sobre a estrela de neutrons; como assim explicou Leonard Parker — emérito pesquisador da “Wisconsin University”:

“Até este momento, não foi calculada a solução numérica das equações de Einstein com a reação retornando sobre o campo…por isso ninguém sabe ao certo aonde isso vai dar…É um convite aberto para mais investigação.”

A “comunidade dos físicos” começou a levar a sério a ideia de que o vácuo não é exatamente vazio… quando ficou clara a essência efêmera das partículas subatômicas… como elétrons e prótons… observadas em experimentos… nos quais viajam a velocidades próximas à da luz. No…”acelerador LHC” – experimentos são feitos com 2 feixes de prótons colidindo entre si…Após a colisão, os prótons desaparecem e, do ‘nada’, surgem novas partículas…descritas com um sucesso quantitativo espantoso, pela “Teoria Quântica de Campos” … (‘TQC‘).

As fórmulas matemáticas da TQC obedecem às 2 outras teorias … que revolucionaram a física no início do século 20. Uma delas é a “Relatividade Restrita”, que afirma que nada pode viajar mais rápido que a velocidade da luz… e, que a massa das partículas pode ser convertida em energia e vice-versa… – pela igualdade E = mc² …A outra é a “Mecânica Quântica”, na qual toda partícula tem propriedades de onda, e vice-versa; e onde certas propriedades como posição e velocidade nunca têm valor exato (Princípio da Incerteza).  Na TQC, todas as partículas elementares e ondas surgem de entidades que permeiam o espaço, chamadas de “campos“…fundamentais na descrição da natureza… Assim, por exemplo, todos fótons (partículas da luz visível, e demais radiações eletromagnéticas)         são manifestações de um único campo que permeia tudo – o “campo eletromagnético”.

O que chamamos de fótons, ou ondas eletromagnéticas são “excitações” desse campo, localizadas numa certa região do espaço. No restante onde não há fótons, o campo está em  seu estado de energia mínima, chamado ‘estado de vácuo’. Porém, o valor do campo aí não é absolutamente zero. Pelo Princípio de Incerteza, não dá para garantir que esse valor seja o mesmo em todos os pontos. – Embora em média seja nulo…o valor flutua ponto a ponto.

“Flutuações de vácuo” 

As flutuações do vácuo acontecem tão rápido…que são impossíveis de medir diretamente (observá-las violaria o princípio de incerteza). Mesmo assim, os físicos têm certeza de sua existência ao observarem a interação delas com matéria e radiação…Só desse modo é possível entender alguns fenômenos — tais como o “efeito Casimir”…onde 2 placas condutoras perfeitas não carregadas eletricamente…se atraem, uma a outra… – devido à ‘flutuações quânticas‘ no “campo eletromagnético” do vácuo entre as placas.

Em 1949, o físico Hendrik Casimir (1909-2000) teve a ideia de colocar 2 placas metálicas paralelas bem próximas entre si. Desprezando carga elétrica e atração gravitacional entre elas, pode-se esperar que as placas permaneçam imóveis uma de frente para outra… Mas, a presença dessas placas perturba o ‘vácuo’ do campo eletromagnético…provocando uma ‘diferença de flutuações’ no espaço entre as placas e fora delas. O vácuo por sua vez reage    a tal perturbação, pressionando as placas a se aproximarem…até grudarem uma na outra.  Na verdade o “efeito Casimir” é apenas uma variante de outro efeito muito mais presente no cotidiano – as chamadas “forças de Van der Waals” – um potencial de interação entre átomos neutrosproduzido por “flutuações aleatórias” nos campos de seus elétrons e no vácuo do ‘campo eletromagnético’ … cuja força atrativa … abaixo de certo limite, tem sua componente repulsiva notadamente aumentada; a ponto de evitar um colapso molecular. 

De tão minúsculo, só foi medido com precisão no final dos anos 1990. Essa característica típica dos efeitos da “energia do vácuo” – fez com que ninguém suspeitasse que tivessem algum papel na evolução de um corpo celeste – como uma estrela… – até que o ‘efeito do despertar do vácuo’ foi descoberto. – Matsas, que coordena o Projeto “Física em Espaço-Tempo Curvo”… enfatiza que esse efeito permaneceu desapercebido…por quase 10 anos.

Teoria Quântica de Campos em Espaçotempo Curvo (TQCEC)                                Ao contrário das outras ‘forças naturais’…descritas por ‘campos quânticos’,                              a gravidade é um caso à parte. A despeito de várias tentativas promissoras                          em construção, falta ainda uma completa… “teoria quântica da gravidade”.

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Desde um pouco antes de 2001 – quando concluiu seu doutorado, Vanzella lembra, que havia “algo no ar”…Na época, Lima e Vanzella – junto com Jorge Castiñeiras e Luís Crispino, então doutorandos no IFT, estavam voltados ao problema… de como a…”força da gravidade estelar“…poderia afetar os “campos quânticos”…Tudo isso, porque a gravidade parece resistir a ser tratada assim como as outras interações, exigindo a criação de uma teoria própria.

E, justamente por isso, Albert Einstein, em 1916, propôs a sua “Relatividade Geral”.        Por ela, qualquer forma de energia (matéria ou radiação) cria uma ‘deformação’ na geometria do espaço ao redor. – E os corpos em torno dessa deformação … então a      sentem como uma “força da gravidade”. Assim, a equação de Einstein diz como              a energia deforma o espaço…e como a curvatura do espaço afeta o fluxo da energia.

Matsas e seus colegas usaram a mista Teoria Quântica de Campos em Espaços Curvos (‘TQCEC’). Também conhecida como “gravitação semiclássica”, ela combina a melhor formulação para partículas elementares (‘TQC‘) com a melhor teoria para a gravidade (Relatividade Geral), da forma mais austera possível. A TQCEC começou a se esboçar        em fins dos anos 1960… graças ao físico Leonard Parker, entre outros… – Já em 1974, ganhou força quando Stephen Hawking descobriu que “buracos negros” perturbam o ‘vácuo’ de todos “campos quânticos” ao seu redor – induzindo a criação de partículas.

Apesar dessa produção acontecer numa taxa muito baixa para ser experimentalmente percebida … seus efeitos causaram uma “revolução” nos fundamentos da física teórica.

Em 1976, o físico William Unruh descobriu outro efeito semelhante à radiação Hawking, mas que não depende da curvatura do espaço Em 2001, Vanzella e Matsas mostraram, em um artigo na Physical Review Letters, que o comportamento de um próton acelerado só pode ser entendido completamente se o “efeito Unruh” existir. – É por esses, e outros resultados, que os pesquisadores se arriscam a … “botar a mão no fogo” – pela TQCEC.

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Potencial “efetivo” negativo

Calculado com as fórmulas dessa teoria, Matsas e colegas… concluíram em 2002 que “campos quânticos“, ao redor de estrelas com uma gravidade muito forte poderiam, a princípio…ser afetados por um…“potencial efetivamente negativo”.  Eles tinham a expressão matemática desse potencial, mas não sabiam como interpretá-la fisicamente, disse Matsas.

Atarefados com outros projetos de pesquisa, ele e Vanzella deixaram a questão de lado…até que, entre 2001 e 2003…Vanzella, trabalhando com Parker na Wisconsin University, EUA – deduziu um fenômeno semelhante ao do ‘potencial negativo’ – a partir de um modelo de ‘TQCEC‘ modificada…A interpretação do potencial era clara – ele provocava um crescimento rápido… – e sem limites da amplitude da energia do vácuo‘.

Poderia então, o potencial negativo com que os pesquisadores brasileiros haviam se deparado…em 2002… – ser interpretado da mesma maneira?

A oportunidade de atacar o problema de frente surgiu em 2008 — quando William Lima aceitou explorar em sua ‘tese de doutorado’…a possibilidade de buscar efeitos parecidos, usando a TQCEC convencional. Já no início do trabalho, elee seu orientador, Vanzella, reencontraram em seus cálculos o velho conhecido potencial negativo, mas deduzido de uma maneira mais genérica. Em seguida… a dupla passou para a parte realmente difícil: descobrir que espécie de efeito esse tal “potencial negativo“…poderia afinal provocar.

A primeira ideia – sugerida por Matsas – era de que o ‘potencial’ induziria os ‘campos quânticos’ a saírem do estado de vácuo; e produzirem partículas. – Analisando mais a fundo porém perceberam que essa criação de fato ocorria, mas era desprezível, diante     de outro efeito mais importante…o despertar do vácuoalgo parecido ao que havia sido analisado por Parker e Vanzella. Esse despertar só poderia ocorrer, subitamente, durante 2 situações distintas…o ‘Big Bang’, e a formação de uma ‘estrela de neutrons’.

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“Estrelas de neutrons”

Junto com Matsas…Lima e Vanzella examinaram então as estrelas de neutrons em detalhesElas são… de longe… – os objetos macroscópicos mais densos do universo. — Costumam concentrar um pouco mais que a massa do Sol — num espaço de apenas 20 kms de diâmetro Remanescentes de um evento catastrófico do tipo “supernova”, uma “colher de chá” desse material…feita de neutrons condensados… pesaria… — milhões de toneladas.

Quando uma estrela… – com cerca de 10 massas solares…consome todo o seu combustível nuclear, suas camadas mais externas explodem… enquanto seu núcleo implode. De acordo com a massa da estrela original… – o núcleo pode se contrair sem parar … até desaparecer, formando um buraco negro. Mas, em vez disso, o processo de contração pode terminar em uma “estrela de neutrons” estável… – Isso é o que acontece se…o “vácuo não desperta”,  e, realmente…astrônomos já observaram muitas nuvens de gás e poeira remanescentes da supernova, confirmando várias delas com “estrelas de neutrons estáveis” em seu centro. 

Lima, Vanzella e Matsas…sabendo disso, resolveram assumir em seus cálculos a presença de um “campo quântico” genérico e simplificado, governado por uma equação plausível…como Matsas assim comentou: “Não há princípio geral da Física que descarte a existência de campos desse tipo…mas só a natureza pode dizer se um campo assim existe…Supondo que sim, ele ficará adormecido durante o processo de contração da estrela…até ela atingir um certo raiocujo valor exato depende da intensidade com que o campo interage com a curvatura do espaço-tempo… e da massa da estrela. – Nesse ponto… – o vácuo desperta”. 

A energia de suas flutuações vai crescer exponencialmente. E, embora a energia total de vácuo do campo vá continuar – a rigor – sendo nula… – será incrivelmente positiva em alguns pontos do espaço, e igualmente negativa em outros; conforme explica Vanzella…    “Em milissegundos, a energia dessas flutuações passa de um valor ínfimo — para outro, maior que o da própria estrela. E as ‘flutuações de vácuo’ passam, nesse instante a ser a fonte de energia mais importante controlando a curvatura do espaçotempo, segundo as equações de Einstein. De repente, a estrela se vê em um espaço…’caoticamente’ curvo”.

“Simulações quânticas”                                                                                                          “Os cálculos computacionais podem…não apenas confirmar se o despertar do vácuo          destrói estrelas, como fornecer detalhes a serem usados por astrofísicos para buscar        evidências da existência do fenômeno… Toda semana, telescópios de raios X e gama        registram sinais de eventos explosivos… com alguns ainda aguardando explicações”.

Como na prática, essas flutuações não poderiam crescer indefinidamente até o infinito, os pesquisadores acreditam que seus cálculos revelem apenas o instantâneo de uma situação provisória. – Logo essa enorme quantidade de energia armazenada no vácuo se dissiparia. Mas como exatamente?… – Poderia a estrela sobreviver a esses… “instantes turbulentos”?

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Para descobrir a resposta os pesquisadores terão de resolver a… “equação de Einstein”, levando em conta as “flutuações do vácuo“,  em relação à própria estrela…algo hoje em dia impossível de se fazer… apenas com os cálculos tradicionais… Os novos cálculos a serem utlizados empregam simulações em modelagens computacionais– atributos, que o grupo espera estar apto em breve. E, sobre isso… – Matsas ainda complementa:

“Até fazer essas simulações … não dá para afirmar nada categoricamente.                        Há uma pequena chance da estrela se estabilizar … mas seria como tentar                        equilibrar um lápis na ponta do dedo. — O mais provável mesmo…é que a                          energia do vácuo realize algo cataclísmico o suficiente…para que ao final,                          já não se possa mais sequer… considerar a estrela… – como uma estrela”.

Sobre possíveis destinos da estrela engolfada pelo vácuo… talvez a energia do vácuo possa fazer com que ela colapse…formando um “buraco negro“…ou ainda, provocar um efeito repulsivo, resultando numa ‘explosão estelar Mas, se vai ocorrer uma coisa ou outra, ou uma combinação em que a estrela explodemas também forma um buraco negro com   a massa restantesó se saberá com simulações. Como Lima, Matsas e Vanzella ressaltam,  o ponto forte de seus cálculos, é se basear na TQCEC‘. O fraco é que um campo quântico só dispara o efeito se cumprir 2 condições. ()ser afetado por uma curvatura do espaço-tempo” específica – definida por suas equações … (se o campo existir, não haverá dúvidas sobre a manifestação do efeito). A condição, é que a massa das partículas que o campo produz seja inferior ao menor valor conhecido (a massa do neutrino). – Como diz Matsas:

“Até a massa do campo do neutrino seria muito                                            alta…em relação a qualquer estrela conhecida”.

Só um campo conhecido satisfaria a essas condições. É o ‘campo eletromagnético’, cujas partículas – os fótons…têm massa igual a zero. Mas, para este campo, ainda não foram feitos os cálculos específicas… – que envolvem uma sofisticação maior, que as do campo utilizado na demonstração do efeito. – Segundo eles…é cedo para afirmar se no caso da estrela de neutrons… a energia de vácuo do “campo eletromagnético” seria ‘despertada’. 

“Campo quântico livreenergia de vácuo…e a teoria inflacionária”              Em princípio pode existir um ‘campo quântico livre’…que interage apenas pela curvatura do espaço com os demais campos conhecidos. Nós não o vemos…não               porque não exista, mas porque está aqui…cruzando a Terra, sem percebermos”.

A outra possibilidade…é que o efeito se deva a um campo…ainda desconhecido da física, como explica Vanzella… “Que deva existir um campo assim – é quase certo… As evidências vêm das medidas do conteúdo total de ‘energia cósmica’, realizadas por métodos independentes — em que se chega sempre … à mesma estarrecedora conclusão, de que todos os campos quânticos que se conhecem, somados…alcançam somente…4% da totalidade daenergia/matériaprevista para o universo inteiro“.

De acordo com as observações cosmológicas, do que falta… 22% da energia deve estar na forma de “matéria escura”, e 74%, de “energia escura”… contudo – a ciência ainda pouco conhece das propriedades tanto de uma, quanto da outra… Vários modelos concorrentes procuram explicá-las, assumindo a existência de um ou mais “campos livres”… – Matsas acredita que explorar o efeito do “despertar do vácuo”, talvez seja a única maneira de confirmar, ou não…a existência desses campos… – E, ainda sobre isso – assim comenta:

“Seria improvável observá-los em colisões… num ‘acelerador de partículas’,                          pois o LHC só examina campos que interagem diretamente com a matéria”.

Na prática, durante o teste da existência do efeito deve-se observar a massa e o raio das estrelas de neutrons…Se as observações astronômicas comprovarem que uma estrela desse tipo com certo raio e massa existeenquanto alguma teoria afirmar que algum campo livre a teria destruído durante sua formação, então, obviamente, essa teoria de campo estaria descartadaEmbora a ideia do “vácuo” destruindo estrelas seja inédita,      há décadas é levada a sério a possibilidade da energia do vácuo ser a causa principal    da existência de um universo de galáxias e estrelas, e não apenas uma imensa e amorfa nuvem de gás e poeira. Aliás, a “Inflação Cósmica, enunciada em 1979 pelo físico Alan Guth como um adendo à teoria do ‘Big Bang’…faz essa previsão. De acordo com    ela a partir de um estado de densidade e temperatura elevadíssimastodo Universo    foi expandidoe tudo teria surgido daí… — há aproximadamente 13,8 bilhões de anos. 

Suas provas vêm não só da observação das galáxias distantes se afastando umas das outras, mas também de outras evidências. – Uma delas é a presença de uma tênue radiação na faixa das microondas, permeando todo o espaço, chamada de Radiação Cósmica de Fundo (RCFM)…a principal testemunha de um passado mais quente e      denso do Universo. Esfriada pela expansão do Universo…a temperatura média atual          da RCFM flutua em torno de 2,7°K; sendo a teoria inflacionária…o único modelo matemático capaz de explicar e descrever a distribuição no espaço dessas flutuações.

De acordo com essa teoria, instantes após o ‘Big Bang’, a energia do vácuo de um campo quântico hipotético (“inflaton“) teria feito o espaço se expandir exponencialmente. Com isso flutuações do vácuo em escala quântica foram infladas para escalas macroscópicas, dando origem às flutuações da “RCFM”… – Essas microvariações, por sua vez…foram o ‘ponto de partida’ para a formação das primeiras estrelas e galáxias do nosso Universo.

‘Energia escura’ – o problema em aberto…                                                                         “No início, o universo passou por um processo exponencial de crescimento. E, outra misteriosa expansão está ocorrendo agora, sem que se saiba exatamente o porquê.”

Vanzella diz ainda não ter pensado … se o efeito do despertar do vácuo poderia esclarecer o “modelo inflacionário“, que apesar de descrever de modo preciso as observações, ainda persiste incompleto, por não responder à ‘pergunta original’, sobre que ‘fenômeno cosmológico’ teria provocado a expansão exponencial…ou, por outras palavras, como teria surgido esse tipo de campo escalar … “inflaton“.  Esse ponto para eles, ainda é bem vago.

Ainda assim, o físico da ‘Universidade da Flórida’ Richard Woodard, considerando o trabalho “de qualidade muito boa”… diz que esse é um exemplo do tipo de efeito que poderia ter provocado a incrível expansão, durante a fase inflacionária do Universo.

Lima e Vanzella estão apenas começando a explorar quais as consequências da teoria na evolução do Universo. A certeza que têm até agora – é apenas que o efeito, que começa e termina em questão de milissegundos, no caso astrofísico, se desenvolveria no “contexto cosmológico” de uma maneira muito mais lenta…ao longo de bilhões de anos. – Não por acaso, essa é justamente a escala de tempo do misterioso fenômeno da energia escura.    Essa hipótese surgiu no final dos anos 1990 – quando “observações astronômicas”…com base em supernovas verificaram uma taxa de expansão acelerada do universo. A causa seria alguma fonte de energia distribuída uniformemente por todo universo gerando um tipo de “antigravidade”, compelindo a expansão do espaço. Seria então a ‘energia escura’ decorrente de algum campo relacionado às…flutuações do vácuo? – Ninguém até hoje conseguiu provar tal conexão nem mesmo chegar perto disso… como explica Vanzella:

“Essa é apenas mais uma ideia a ser explorada…Mesmo que a                                              energia do vácuo seja despertada em escala cosmológica, isso                                              não garante que ela daria conta de explicar a energia escura”.

Texto base…‘Poder do Vácuo’ (nov/2010) ‘Estrela de neutrons pode acordar o vácuo quântico’  (out/2010) # ‘O Despertar do Vácuo’  (Unesp/2010)  fontes p/ consulta: ‘A força do Vácuo’ (2010) # ‘Luz gerada pelo Vácuo’ (2011) ‘Tempestades no Vácuo’ (2014)  **********************************************************************************

Flutuações do Ponto Zero – A Natureza do Vácuo 

Vácuo é ausência de matéria, mas isso equivale ao nada?…Que nada! Vários fenômenos foram explicados no final da década de 40 supondo-se que existem flutuações de vácuo associadas à “energia de ponto zero”. Por exemplo, a emissão espontânea de fótons por um átomo em estado excitado pode ser parcialmente explicada…por meio de flutuações dos ‘campos de vácuo… – A taxa de emissão espontânea pode inclusive ser reduzida suprimindo-se modos de “flutuação do vácuo”.

Mas… qual a natureza deste vácuo?… Podem as “flutuações do ponto zero”, serem consideradas ‘flutuações reais’ de tipo clássico, como faziam Planck, Einstein e Nernst na década de 1910, ou ainda, conforme é defendido pela recente abordagem conhecida como eletrodinâmica estocástica? Ou, será que explicações usando…”flutuações do vácuo” são um mero instrumento heurístico, devendo portanto, serem substituídas…as ‘partículas virtuais’, por um rígido tratamento quântico?

Tais questões … relativas ao vácuo eletromagnético são exploradas na atual teoria topológica de campos quânticos; onde, mesmo em seu estado fundamental, um sistema quântico possui flutuações, e uma energia de ponto zero associada – caso contrário…o ‘princípio de incerteza’ seria violado. Portanto, o estado de vácuo de um campo quantizado – em especial… os campos elétrico e magnético no vácuo eletromagnético, são quantidades flutuantes‘.

Com efeito — o conceito mais básico da ‘teoria quântica’ é o de ‘estado’ de um sistema. Desde Maxwell, ‘o sistema’, no nível mais fundamental, significa um sistema de campos. Considerando as energias de estados desse sistema de campos, há um estado de energia mínima; o estado fundamental de estabilidade – outros estados, são ‘estados excitados’.

Desse modo, o vácuo é, de fato – precisamente, o estado de                             menor energia do sistema fundamental de muitos campos.

Por outro lado, os estados excitados podem ser descritos como contendo ‘quanta’…os chamados quanta elementares de excitação… Estes quanta são o aspecto corpuscular do campo. Assim, o vácuo não é uma substância, mas um estado. E, já que as partículas são ‘quanta de excitação’, e o vácuo é o estado no qual nenhum dos campos está excitado…o vácuo é o estado no qual não há nenhum quanta de excitação – o ‘estado sem partículas’.

A “teoria quântica de campos” nos diz que o vácuo não é um tranquilo ‘estado do nada’ – mas…um estado quântico com flutuações… – e com consequências físicas. – Alguns de tais efeitos podem ser explicados a partir de ‘flutuações do vácuo’; são elesdeslocamento Lamb, emissão espontânea, efeito Casimir, ‘forças de van der Waals‘… ‘Efeito Unruh‘  (fótons térmicos … observados do vácuo em referenciais acelerados),    e, ‘radiação de Hawking(teórica.)

O vácuo eletromagnético é um estado sem quanta, sem fótons. Mesmo assim, de alguma forma, há campos nele… E fótons são os quanta destes campos — então…certamente, de algum modo…existem fótons (virtuais) no vácuo… — causando todos esses fenômenos. 

“Campos de vácuo”                                                                                                            Talvez, o próprio universo tenha surgido de uma flutuação quântica de campo.

O vácuo tem carga nula… As flutuações permitidas de matéria também precisam ter carga nula, ou seja, elas precisam ser pares de um quantum e seu anti-quantum correspondente, de carga oposta. Estas flutuações de matéria ocorrem espontaneamente… sendo a energia requerida ‘emprestada’ durante um tempo apropriadamente curto – de modo a que pares virtuais possam ser criados, e aniquilados, na vizinhança de qualquer partícula carregada.  Apesar de ter uma existência transitória, esses pares exercem um efeito mensurável…eles fazem com que o vácuo se comporte como um meio polarizável. A criação virtual de pares no vácuo da eletrodinâmica quântica traz consigo uma ‘blindagem’ da carga fundamental, reduzindo a carga aparente a grandes distâncias, ou aumentando-a a pequenas distâncias.

Em teorias do tipo ‘eletrodinâmica quântica’ e ‘cromodinâmica quântica’, a polarização do vácuo produz um efeito de ‘anti-blindagem’…a carga efetiva desaparece a distâncias muito curtas, e as partículas que carregam esta carga deixam de interagir!…Esta, é a propriedade de liberdade assintótica, sendo extremamente importante no sucesso da explicação do ‘modelo quark‘ no espalhamento de ‘léptons‘ de alta energia…em ‘neutrons’ e ‘prótons’.

Inicialmente… – pensava-se que a “emissão espontânea poderia ser uma ‘emissão forçada‘…sob a ação do campo de flutuação…do vácuo… – Todavia… se nesse caso calcularmos a taxa de emissão de um ‘campo de vácuo‘, apenas é encontrada … a metade esperada, para os “coeficientes de Einstein“.

Além disso, tal método não explica a “não absorção espontânea”… a partir de um “campo eletromagnético”. Uma interpretação clássica, ainda mais antiga da ‘emissão espontânea’ atribui este fenômeno à reação da radiação. A ideia grosso modo é que tal emissão é uma simples consequência do fato de que dipolos oscilantes irradiam. Mas não podemos usar aqui a eletrodinâmica clássica…pois obteríamos erros. Uma explicação inquestionável da emissão espontânea foi então dada por Fermi, em 1932. A ‘radiação espontânea’ aparece, porque aquele estado no qual um átomo se encontra em um nível, e o campo de radiação inexiste não é auto-estado estacionário do sistema total (átomo+campo eletromagnético).

Eletrodinâmica estocástica”    

A eletrodinâmica clássica consiste das ‘leis de movimento’ de Newton…para massas pontuais — bem como ‘equações diferenciais‘ de Maxwell… — com suas ‘condições de contorno‘, para os casos triviais de ‘campos eletromagnéticos‘. 

Ao escolher uma “condição de contorno” particular para as equações de Maxwell,  Lorentz obteve uma teoria específica de elétrons (1892) para a qualsua massa decorre de sua própria carga. Mas, essa escolha, já não parece ser das melhores.

Alterando as condições de contorno da teoria clássica de elétrons para incluir a presença de um campo homogêneo (e isotrópico) de radiação aleatória, com um espectro Lorentz invariante, esta outra teoria eletromagnética – puramente clássica – explica muito mais fenômenos do que a teoria de elétrons original de Lorentz… Em contrapartida, o modelo planetário para um átomo deve ser reconsiderado…Os elétrons movendo-se em torno do núcleo estão de fato irradiando energia, conforme cálculos do eletromagnetismo clássico.  Porém, um novo elemento surge. A ‘radiação do ponto zero‘ age de forma a produzir movimentos aleatórios nos elétrons, transferindo energia efetivamente através de forças aleatórias do eletromagnetismo clássico. Assim, o cálculo para o espectro de radiação no ponto zero do vácuo eletromagnético é obtido da eletrodinâmica quântica (lei de Planck).

A “eletrodinâmica estocástica” é uma teoria clássica, que explica diversos ‘fenômenos quânticos’…a partir da existência de ‘flutuações do vácuo‘. Por exemplo o “princípio da incerteza”, que rege a posição, e momento de um elétron é propriamente explicado…ao se supor uma interação…da partícula clássica com o vácuo eletromagnético…A ‘estabilidade’ da matéria é então explicada… pelo balanço entre a energia perdida por radiação, e a energia ganha da ‘radiação de ponto zero’.  Osvaldo Frota Pessoa Junior (USP)  ********************************(texto complementar)******************************

Eletrodinâmica estocástica (‘SED’)

A “eletrodinâmica estocástica”…é uma extensão da interpretação de Bohm da mecânica quântica, sob a influência de    um campo de “energia do ponto zero“,  (‘ZPF‘) desempenhando papel central,      na orientação de umaonda piloto.

Se trata de uma teoria de variáveis ocultas não-local e determinística, distinta de outras interpretações convencionais da mecânica quântica: como a “QED“, a “interpretação de Copenhague“, ou a interpretação de muitos mundos de Everett – A “SED” descreve a energia contida no vácuo electromagnética do zero absoluto como um ‘estado de vácuo’  estocástico e flutuante. O movimento de uma partícula imersa nessa radiação de ponto zero pode resultar em comportamento altamente não linear…até caótico ou emergente.

Abordagens modernas da SED consideram as propriedades quânticas                                    de ondas e partículas como… — bem coordenados efeitos emergentes,                              resultantes de mais profundas interações (subquânticas) não lineares. 

Dada a natureza emergente, postulada das leis quânticas na SED, argumenta-se que elas formam uma espécie de…equilíbrio quântico…com um status análogo ao do equilíbrio térmico na dinâmica clássica. A SED, a princípio, permite outras distribuições quânticas de não-equilíbrio para as quais as previsões estatísticas da teoria quântica são violadas. Todavia…é controverso o argumento de que a teoria quântica é apenas um caso especial    de uma física não linear muito mais ampla…onde a sinalização não local (superluminal)    é possível, e o princípio da incerteza pode ser violado… Aliás, nesse sentido, também foi proposto que a inércia é uma dessas leis emergentes, mas os resultados relatados, estão sujeitos a contra-argumentos, como: anti-gravidade, ação sem reação, e moto perpétuo.

Estas propostas para a energia do ponto zero sugerem uma fonte de livre energia de baixo, ou nenhum custo do vácuo; bem como a esperança de desenvolver um motor do tipoação sem reação‘…(a NASA continua avaliando)Na interpretação usual da “energia de vácuo”, não é possível usá-la para realizar trabalho no entantoa SED adota uma interpretação clássica um pouco mais literal (ou liberal?)…considerando a enorme densidade de energia do vácuo eletromagnético como ‘ondas de propagação’, carregando um fluxo considerável de energia e momento, não evidente na ausência de matéria, por ser um fluxo isotrópico.

Campo (clássico) de fundo                                                                                                        O campo é geralmente representado por uma soma discreta de umasérie de Fourier‘,      cada um com ‘amplitude’ e ‘fase’ que são clássicas variáveis independentes ​​aleatórias, distribuídas de tal modo que a estatística dos campos seja isotrópica e constante. Tal prescrição é de se esperar… para que cada “modo de Fourier” na frequência (f) tenha      uma energia de hf / 2…igual à do estado fundamental dos “modos de vácuo” da QED.

força-LorentzO “campo de fundo” é introduzido como uma “força de Lorentz” … na equação de “Abraham-Lorentz-Dirac“… por onde as estatísticas de campos eletromagnéticos,  e suas “combinações quadráticas”… irão coincidir à expectativa dos valores de vácuo nos operadores similares da QED.

A menos que seja…’cortado‘…o campo total tem uma densidade infinita de energia,            com uma densidade espectral (por unidade de frequência…por unidade de volume)              de (2h/c³).f³ onde h é a constante de Planck. Por conseguinte, o campo de fundo é              uma versão clássica do ZPF eletromagnético da QED – embora na linguagem SED,              o campo seja comumente referido simplesmente por ZPF, sem fazer essa distinção.

Deve-se notar que qualquer frequência de corte finita do próprio campo                            seria incompatível com a “invariância de Lorentz”. – Por isso…há quem                              prefira pensar na frequência de corte… em termos de uma resposta das                              partículas ao campo…e não, como uma propriedade do próprio campo. 

Contexto & aplicações

“Eletrodinâmica estocástica”…é o termo empregado a um conjunto de esforços de pesquisa de muitos estilos diferentes com base na “suspeita” de que existe uma radiação aleatória eletromagnética invariante de Lorentz. A ideia básica existe há muito tempo; mas Marshall (1963) parece ter sido o autor dos esforços mais concentradosa partir da década de 1960. Timothy BoyerLuis de la Peña e Ana María Cetto foram talvez…na década de 1970, e anos seguintes os colaboradores mais prolíficos. Outras contribuições sobre a aplicação da SED, a problemas na QED têm surgido, entre elas o estudo de uma tentativa de Walther Nernst, em usar a SED num ZPF clássico para explicar a massa inercial como uma ‘reação a vácuo’.

De acordo com Haisch e Rueda, a inércia surge como uma ‘força de arrasto eletromagnético‘ em partículas aceleradas, produzidas pela interação com o campo do ponto zero (ZPF). – A seguir, em um artigo de 1998, eles falam de um…”fluxo    de Rindler” – presumivelmente…significando o “efeito Unruh” – e afirmam ter calculado um “vetor de Poynting (zpf)” … mais popularmente conhecido por ‘momento zpf’, diferente de zero.

A SED tem sido usada em tentativas de fornecer uma explicação clássica para efeitos antes considerados exclusivos da mecânica quântica, em sua explicação… Também é empregada, numa abordagem clássica baseada no ZPF, para gravidade e inércia. Não existe um acordo universal sobre sucessos e fracassos da SED, quer na sua congruência com ‘teorias padrão’ da mecânica quântica, QED e gravidade…ou conformidade com a observação. (texto base************************************************************************************

“Efeito Casimir”e a energia do vácuo (jul/2006)                                                          Será mesmo a ‘força de Casimir’ uma propriedade fundamental do vácuo?                              E o que acontecerá se ela for revertida?…Não representaria essa reversão,                        uma reversão da própria força da gravidade?… – Todavia…quaisquer que                      sejam as respostas, isto somente terá relevância… em micro e nanoescala.

antigravidade

Teoricamente, o vácuo deve possuir uma gigantesca densidade de energia – conhecida como “energia do ponto zero”, ou “força de Casimir”…em homenagem ao físico Hendrik Casimir, que previu sua existência em 1948. Esta misteriosa força de interação atrativa entre 2 ‘placas paralelas’ separadas por distâncias infinitesimais pode ser representada como um produto direto de ‘propriedades quânticas do vácuo’.

Na física clássica, vácuo é definido como a ausência total de matéria e energia. – Já na física quântica, o vácuo é uma ‘massa efervescente’ de partículas quânticasque, constantemente, aparecem e desaparecem do nosso universo observávelÉ justamente essa efervescência de partículas virtuais que dá ao vácuo uma densidade de energia inimaginável. Segundo a física quântica, cada partícula nada mais      édo que a “manifestação ondulatória” de um “campo subjacente”Essa onda subsiste justamente sobre o vácuo e tudo o que dela se pode detectar é a energia dessa onda.

Uma analogia útil é considerar nosso…”universo observável”…como uma massa de ondas, boiando sobre um oceano, cuja profundidade é imaterial. Nossos sentidos e instrumentos somente conseguem detectar diretamente as ondasde forma que tentar medir qualquer coisa que lhes esteja subjacente (o vácuo propriamente dito)…é inviável. – Mas nem tudo está perdido… — Os cientistas têm um plano para medir os efeitos sutis que a “energia do ponto zero” causa em nosso universo. Como…por assim dizer, estamos boiando sobre ela, essa energia gera fenômenos perceptíveis. E o melhor exemploé justamente a “força de Casimir”. Isto é…quando 2 objetos são colocados frente a frente no vácuo, eles produzem um distúrbio nas flutuações quânticas…que resulta em uma pressão…tendendo a uni-los.

A grande dificuldade é que tais objetos têm que estar separados por apenas 1 micrômetro, resultando na necessidade de equipamentos capazes de medir forças, que atuam entre os objetos nesta escala. Mas a nanotecnologia está trazendo soluções para esses problemas, e os cientistas esperam – finalmente…conseguir realizar esses experimentos. (texto base***********************************************************************************

Vácuo quântico pode transferir calor, diz pesquisa (dez/2019)                                  Especula-se há anos sobre a possibilidade dos fônons transmitirem calor através do vácuo, com base na afirmação da… ‘mecânica quântica’ – do espaço nunca estar totalmente vazio.

De modo geralcalor é a energia que surge dos movimentos das partículas;  — quanto mais rápido elas se movem, mais quentes são. Em escala cósmica,    a maioria das transferências de calor, ocorre no vácuo…por meio fótons, as partículas de luz das estrelas – assim     o Sol aquece nosso planetamesmo estando a…150 milhões de kms. Mas agoradas bizarras propriedades da mecânica quântica do vácuo, foi descoberta uma nova forma do calor      se transferir, de um lugar para outro,  sem a ajuda de qualquer…”radiação”.

Calor que se move no vácuo            Experimentos em escala nano revelam que efeitos quânticos podem transmitir calor      entre objetos separados por um…”espaço vazio”  – sem a necessidade de “radiação”.

Aqui na Terra, o fluxo de calor geralmente ocorre – através do contato direto entre materiais, e auxiliado pela vibração coletiva de átomos conhecidos como “fônons“.          Por muito tempo pensou-se que fônons não conseguiam transferir energia térmica      através do espaço vazio – pela exigência de que 2 objetos toquem – ou pelo menos,      entrem em contato mútuo com um meiocomo o ar. – Tal princípio explica como      garrafas térmicas conseguem manter seu conteúdo quente ou frio…elas usam uma      “parede de vácuo” para isolar a câmara interna. – Isso então se justifica…porque a “energia térmica” tem grande dificuldade em se movimentar pelo… “espaço vazio”.

As vibrações de átomos ou moléculas…transportando energia térmica, simplesmente não poderiam viajar, se não dispusessem de um meio de condução – quer dizer, se não houvesse átomos ou moléculas ao redor.

Bom, mas talvez as coisas não sejam exatamente assim. Em 2014, 2 físicos descobriram que ocalor desobedece as teorias em escala nano“. – E agora, um experimento inédito, realizado por físicos da “Universidade da Califórnia” em Berkeley — EUA, mostra como esquisitices quânticas podem derrubar até mesmo…princípios básicos da física clássica.  Xiang Zhang, junto a King Fong, e outros colegas demonstraram em novo estudo sobre transferência de calor por fônon – publicado na “Natureem 11 de dezembro deste ano, que a ‘energia térmica’ pode saltarpor algumas centenas de nanômetros de um vácuo completo, graças a um fenômeno quântico mecânico chamado…“interação Casimir”.

Partículas virtuais & Efeito Casimir

A mecânica quântica sugere que o Universo é inerentemente confuso…por exemplo, por mais que se tente, nunca é possível determinar o momento e a posição de uma partícula subatômica ao mesmo tempo. Uma consequência dessa incertezaé que o vácuo nunca está completamente vazio…mas está sempre vibrando com ‘flutuações quânticas’… – as chamadas ‘partículas virtuais’ que constantemente surgem e desaparecem da existência.    Além disso … descobriu-se que estas partículas virtuais não eram apenas possibilidades teóricas, mas que podiam sim gerar forças detectáveis. O efeito Casimir, por exemplo, é uma força de atração observada ao se aproximar 2 placas paralelas…Suas superfícies se atraem pela força gerada por “flutuações quânticas” entre pares de “partículas virtuais”.

Casimir_platesSe tais flutuações quânticas pudessem dar origem  a forças reais, ponderaram os teóricos, talvez elas também pudessem realizar outras coisas como transferir calor…sem empregar ‘radiação térmica’. Para este “aquecimento por flutuações quânticas” funcionar … imagine 2 objetos com temperaturas diferentes…separados um do outro por um vácuo. Os fônons no objeto mais quente, transmitiriam energia térmica a ‘fónons virtuais’ no vácuo…que poderiam transferir essa energia…ao objeto mais frio…Sendo ambos objetos, em essência, grandes quantidades de…átomos agitados as partículas virtuais podem agir como molas, para ajudar a transportar vibrações de um para o outro.

A dúvida sobre se flutuações quânticas poderiam realmente ajudar os fônons a transferir calor através do vácuo, como explicou o físico John Pendry, do Imperial College London, “havia sido discutida pelos teóricos por mais ou menos uma década…com estimativas às vezes muito diferentes para a força do efeito, pois os cálculos são bastante complicados”. Em geral…estudos anteriores previram que tais efeitos só seriam percebidos em objetos separados por menos que alguns nanômetros (bilionésimos de metro)…A distâncias tão mínimas, interações elétricas ou outros fenômenos em nanoescala entre objetos podem facilmente obscurecer esse “efeito fônon“, diz Pendry — o que dificulta o experimento.

Desafios experimentais                                                                                                            “Esta descoberta de um novo mecanismo de transferência de calor abre oportunidades sem precedentes para gerenciamento térmico em nanoescala…o que é importante para computação em alta velocidade…com armazenamento de dados. —Agora, desse modo, podemos configurar o vácuo quântico, para daí extrair calor…em circuitos integrados”.

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Esquema do aparato experimental que permitiu comprovar a transmissão do calor pelo vácuo em escala nanométrica. [Imagem: Violet Carter/UC Berkeley]

Para enfrentar o desafio Zhang e seus colegas passaram por 4 anos de meticulosas tentativas e erros na tentativa de elaborar e aperfeiçoar experimentos … sem obter transferência de calor por fônons no vácuo em distâncias maiores que centenas de nanômetros. Em um desses casos… os experimentos envolveram 2 membranas de          nitreto de silício…cada uma com aproximadamente 100 nanômetros de espessura.              A natureza extraordinariamente fina e leve dessas placas facilita a visualização da      energia de uma afetando os movimentos da outra. A vibração dos átomos faz cada membrana se flexionar para frente e para trásem frequências que dependem de            sua temperatura. A equipe então percebeuque se as placas tivessem o mesmo tamanho, mas temperaturas diferentes, elas vibrariam em diferentes frequências.          Com todos esses detalhes em mente… – os cientistas adaptaram os tamanhos das membranas para que…mesmo iniciando a temperaturas diferentes (13,85 e 39,35        graus Celsius), ambas vibrassem a aproximadamente 191,600 vezes por segundo.

2 objetos que ressoam na mesma frequência,                                                          tendem a trocar energia com mais eficiência. 

No experimento…as 2 membranas de nitreto de silício, revestidas de ouro, foram colocadas a algumas centenas de nanômetros de distância uma da outra – ambas          dentro de uma “câmara de vácuo”…Quando uma das membranas foi aquecida…a          outra também se aqueceu… embora sem nada conectando as duas membranas, e                  a quantidade desprezível de energia luminosa entre elasnão pudesse explicar o          calor transferido. Mas, por acaso Zhang e seus colegas descobriram que, quando                as membranas se separavam por menos de 600 nanômetros … começam a exibir mudanças inexplicáveis de temperaturaAbaixo dos 400 nanômetros, a taxa de            troca de calor era suficiente para as membranas terem uma temperaturaquase      idêntica – demonstrando a eficiência do efeito (ou a falta dele)Com resultados          bem-sucedidos em mãos – o grupo conseguiu calcular a taxa máxima de energia transferida pelos fônons no vácuocerca de 6,5 × 10–21 joules/segundo…Nesse          ritmo, levaria cerca de 50 segundos para transferir a quantidade de energia num          fóton de luz visível. Esse número pode parecer insignificante – mas ainda assim, representaria um novo mecanismode como o calor é transferido entre objetos.

Vibrações moleculares (fônons) no vácuo quântico (aplicações)                              “O calor geralmente é conduzido em um sólido através das vibrações de átomos, ou moléculas (os chamados ‘fônons’). Mas no vácuo não há um meio físico. Assim, por      muitos anos, livros didáticos nos disseram que fônons não podem viajar através do      vácuo. O que surpreendentemente descobrimos é que fônons podem realmente ser transferidos através do vácuo por flutuações quânticas invisíveis”. (Xiang Zhang)

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O calor pode se movimentar pelo vácuo graças às partículas virtuais que pululam o tempo todo no vácuo quântico. [Zhang Lab/UC Berkeley]

O feito a princípio impossível de mover vibrações moleculares através do vácuo pode ser realizado, porque segundo a mecânica quântica – ‘não existe espaço verdadeiramente vazio‘. Mesmo em um espaço sem matéria ou radiação…ainda restam flutuações quânticas do vácuo.    Tais flutuações dão origem a uma força conectando 2 placas…paralelas entre si (“interação Casimir“)…Dessa forma,      ao aquecermos uma dessas placasela começa a vibrar — e, este movimento é transmitido à outra placa através do vácuo.

Flutuações quânticas não incluem apenas ‘fónons virtuais’. Existem muitos outros tipos de partículas virtuais, incluindo grávitons virtuais (pacotes de energia gravitacional). Saber se as flutuações quânticas dos ‘campos gravitacionais’ podem dar origem a um mecanismo significativo de transferência de calor, em escalas cosmológicasé uma questão ainda em aberto e muito interessante. A princípio, as estrelas podem também aquecer seus planetas através desse novo mecanismo. – Entretanto, dadas as distâncias envolvidas, a magnitude desse efeito no caso seria extremamente pequena, a ponto de uma insignificância absoluta.

Já aqui na Terra, a medida que a eletrônica de componentes eletrônicos        em nanoescala (chips de computador, processadores quânticos, laptops, smartphones…) fica cada vez menor, essa nova interação pode permitir      um melhor gerenciamento – nos projetos onde a dissipação de calor na engenharia das tecnologias em ‘escala nano’ for um elemento essencial. 

Embora teóricos especulem há tempos que a ‘interação Casimir’ poderia ajudar vibrações moleculares a viajarem pelo espaço vazio, ninguém experimentalmente havia conseguido provar isso, até agora. Como as vibrações moleculares, ou ‘fônons’, também são a base do movimento dos sons que ouvimos a descoberta sugere, que sons também podem viajar no vácuo. O que exigirá outro experimento para comprovação. (texto base1) (texto base2)

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em astronomia, cosmologia, física e marcado , . Guardar link permanente.

Uma resposta para O Despertar (“superquântico”) do Vácuo

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