No contexto dos “Grávitons” (e ‘teoria das cordas’)

“A verdade não é imóvel, mas sim… histórica… a maioria do que para nós vale como verdade a priori – tem caráter relativo – e depende do contexto – sempre refletindo,          segundo as condições do observador…novo modo de ver o mundo em movimento.  Conhecer, portanto…é sob todas as circunstâncias – um designar, ou seja, tornar-se consciente das condições – e não, uma mera sondagem sobre a essência das coisas”.        (W. Stegmaier – “Do Pensamento de Nietzsche”)

novello

Mario Novello – ‘CBPF’

Num seminário à moda antiga no auditório do Instituto de Astronomia, Geofísica…e Ciências Atmosféricas (‘IAG/USP’) – Mário Novello rabiscava furiosamente complicadas equações, cheias de letras gregas, dentro do retângulo de um ‘quadro branco’; ao fim da exposição disse:

“Então, para terminar… como eu sei        que astrônomos gostam de números, vou deixar um para vocês … 10¹²º“.

Esse nº gigantesco … segundo Novello,    representa a coisa que existe em maior quantidade no Universo… ‘grávitons‘.

Dez elevado a cento e vinte – em notação científica, fica mais elegantemas, nem por isso menos absurdo…É apenas uma forma econômica de escrever “1” seguido por 120 “zeros“. Ao atribuir esse “nº astronômico” ao gráviton, Novello, em 1º lugar, propõe uma solução a um mistério – que o renomado físico Steven Weinberg – chamou de… “quebra-cabeça“.

Partículas de spin inteiro que não obedecem ao princípio de exclusão de Pauli. Estas partículas obedecem à estatística de Bose-Einstein segundo a qual não existe limite para o número de partículas que podem ter o mesmo valor do momentum. São as responsáveis pelo transporte das interações. O fóton, que transporta a força eletromagnética, é um bóson de massa nula e por isso esta é uma interação de longo alcance. Os gluons, que transportam a força forte, são massivos e dotados de um número quântico denominado cor e, em consequência a interação forte é de curto alcance. Os bósons W transportam a força fraca e sendo massivos esta interação é também de curto alcance. O gráviton, ainda não detectado, é um bóson de massa nula que se acredita deva transportar a interação gravitacional.

BÓSONS – Partículas de spin inteiro, que não obedecem ao princípio de exclusão de Pauli, e sim à estatística de Bose-Einstein, segundo a qual não existe limite para o nº de partículas que podem ter o mesmo momentum. São responsáveis pelo transporte das interações. O fóton, que transporta a força eletromagnética, é um bóson de massa nula, com interação de longo alcance. Os glúons, que transportam a força forte, são massivos e dotados de um nº quântico denominado cor – a interação forte é de curto alcance. Os bósons W transportam a força fraca, e sendo massivos, esta interação é também de curto alcance. O gráviton (ainda não detetado), é um bóson de massa nula, interagente gravitacional.

Em 2º, afirma que o gráviton, partícula associada à “força da gravidade”…possui massa. Uma afirmação audaciosa, sobre algo que os físicos … na verdade … ainda nem podem dizer… se – de fato … existe.

Aqui entra o conflito entre a relatividade geral, e a mecânica quântica, as 2 teorias fundamentais da “física contemporânea”.  A 1ª só diz respeito à gravitação, vista como “fenômeno geométrico”…derivado das características do “espaço-tempo“.  A 2ª abarca as 3 outras “forças naturais” que mantêm “núcleos atômicos” coesos, explicando os ‘processos radioativos’…e também… os “efeitos eletromagnéticos”.

Para a mecânica quântica as forças são carregadas por partículas Por exemplo, as ‘eletromagnéticas‘ são transmitidas por ‘fótons’, mínimos pacotes de energia, também chamados partículas de luz.

A ideia do gráviton é justamente uma tentativa de conformar a gravidade ao esquema de mundo da mecânica quântica – esforço importante para entender objetos em que, tanto efeitos gravitacionais como quânticos são importantes – por exemploburacos negros’.  Novello admite que a ‘relatividade geral’ (1915) não dá muito espaço ao gráviton em suas equações. Então, ele decidiu trabalhar com uma 2ª versão da teoriaelaborada em 1917.

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Quando Einstein…em 1916, aplicou suas equações – ao universo inteiro…chegou à conclusão de que estas…só  representariam ao cosmos: ou expansão, ou contração.

Porém, isso não se ajustava com a visão que tinha do Universo – pois, para ele, o mundo era infinito e estático. Então, “reformulou” a relatividade… incluindo mais uma letra nas equações… – lambda – também conhecido por constante cosmológica‘. Entretanto, em 1929, o astrônomo Edwin Hubble descobriu por observação, que as galáxias estavam todas se afastando umas das outras a grande velocidade, o que indicava um universo em expansão. Einstein então, surpreendido por não acreditar na própria teoria; quando a concluiu pela 1ª vez (em 1915), repudiou a alteração de 1917…como o… “seu maior erro”.

Mas ideias einsteinianas teimam em não morrer, mesmo quando negadas pelo seu criador. E a formulação de 1917 foi várias vezes ressuscitada para explicar problemas cosmológicos. Houve quem a usasse para esclarecer detalhes da ‘inflação’ – período inicial do Universo em que sua expansão se deu mais rápido do que o possível… – em circunstâncias normais.  A “ressurreição” mais popular hoje de lambda é usada para explicar a energia escura… misteriosa força que faz o universo se expandir… – em ritmo acelerado. Novello apresenta outra situação em que a “constante cosmológica” pode ser aplicada… – Segundo ele… lambda pode – perfeitamente – representar o valor da… massa do gráviton“.

Na teoria de 1915, lambda não existia, e todas as interpretações possíveis do gráviton a partir dela indicam uma massa zero. Mas, caso as equações de 1917 sejam as corretas… a massa do gráviton é diferente de zero; como afirmou Novello: “É um valor muito pequeno, mas ainda assim não-nulo”.

Essa conclusão, publicada pelo físico num artigo na revista científicaClassical and Quantum Gravity” – despertou a atenção da comunidade científica…como um dos trabalhos mais lidos…à época. – Agora, o físico brasileiroque trabalha  no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas,  CBPF/RJ, acaba de dar um passo além… nesse esforço teórico. Em estudo ainda não publicado, associou um número, que Weinberg chamou de quebra-cabeça da constante cosmológica,    à hipótese dos grávitons com massa…Como diz Novello: “Weinberg chegou a esse número, que é uma razão entre 2 quantidades muito específicas na…teoria de campos, e ele achou…que esse número representaria alguma coisa real, com uma existência física. Todavia…ele não tinha a menor ideia do que era”.

Para o pesquisador brasileiro, esse número, 10120, representa o número total de grávitons no Universo observável… – Caso suas conclusões sejam verdadeiras, grávitons são a coisa mais abundante existente em todo Cosmos… — Para que se tenha uma ideia… – os físicos estimam a quantidade de fótons em 1080. – Em contraste … grávitons seriam cerca de 100 trilhões de bilhões de bilhões de bilhões (1040) de vezes mais numerosos que “fótons”.

‘Texto base’  (abr/2005) ilustração: I Symposium ‘Mario Novello On Bouncing Models’  ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Modelos põem em xeque necessidade científica de um início para o Universo‘  Poderá, aos físicos, o nascimento de um Universo ser considerado…’ocorrência ordinária’?

Quando se fala da origem do Universo, são poucos os que hesitam em dizer que ele surgiu numa grande explosão… há pouco mais de 13 bilhões de anos… e tem se expandido, desde então. – Mario Novello porém, recomenda cautela aos apressados. Talvez a questão esteja longe de ter uma resposta. O físico brasileiro apresentou suas ideias alternativas em uma conferência na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj)… na 10ª ‘Reunião Marcel Grossmann’…de “Relatividade Geral“… – um dos principais eventos do tipo no mundo.

Até a pouco tempo atrás seria impensável imaginar que essa conferência, que desde 1975 reúne mais de 500 físicos relativistas no “Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas” (CBPF), situado no Rio de Janeiro fosse servir de abrigo a hipóteses contrárias ao Big Bang. Mas, de uns tempos para cá o cenário da cosmologia mudou muito — como diz o pesquisador:

“Há menos de 5 anos…isso seria um escândalo – e agora já é                          um tema convencional. Teremos uma sessão paralela… e até                            uma plenária, sobre essa tão polêmica questão cosmológica.”

A disputa tem precedência histórica. Em 1900, por exemplo…o célebre cientista britânico Lorde Kelvin apontou que o século 20 teria apenas ‘2 nuvens‘ no horizonte da física…uma  relacionada à ‘teoria do calor’ (termodinâmica)… e outra… à ‘propagação da luz’… Desses detalhes, nasceram a mecânica quântica e a relatividade…que revolucionaram a ciência, e deixaram o ‘céu de Kelvin‘ bem mais nebuloso. A ‘relatividade‘ por sua vez, gerou a teoria do Big Bang…hipótese que postula a partir do movimento expansivo do cosmos, que toda a matéria e energia já estiveram num instante passado reunidas num ponto infinitamente denso (‘singularidade‘)…no qual leis físicas distintas das conhecidas poderiam ocorrer. Antes disso não havia nem mesmo espaço, tempo ou leis físicas… – o que torna a questão do…’que veio antes‘, um “problema insondável“… – e incômodo para muitos físicos.

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Na década de 1940, o físico George Gamow formalizou a teoria do ‘Big Bang’ prevendo a existência de um ‘eco detetável‘ desse evento – uma radiação cósmica de fundo.

Captada pela 1ª vez em 1965, ela é hoje considerada – como uma das mais fortes evidências…a favor da hipótese do universo – com início.

Mas, nem a versão de Gamow, nem posteriores atualizações puderam eliminar o paradoxo… ‘Como estudar um evento, que não respeita leis           da física… — instrumento básico … com o qual se pretende estudá-lo?’

Um pioneiro de uma ‘contra-reforma’ foi o britânico Fred Hoyle, que em 1948, propôs um modelo de ‘Universo estacionário’ (e “quase-estacionário” em 1993). E, no final da última década do século XX… o quadro de variáveis se ampliou… – com o surgimento de 2 novas incógnitas…energia escura, e matéria escura; elementos misteriosos que, aparentemente, respondem por até 95% de tudo que existe no Universo … como assim comentou Novello:

“Creio ser possível afirmar que a ideia de um início singular…’explosivo’ do Universo…determinando os limites nos quais a investigação científica deve ser interrompida, parece ser hoje menos atraente do que outras propostas”.

A ideia de aceitar condições iniciais não controláveis por leis físicas acessíveis — foi posta de lado. Em seu lugar, o físico aposta em modelos que apresentam o Universo sempre em processos de contração ou expansão, regidos por leis físicas tangíveis; mas sem um início ou fim definidos…E um sucesso recente de ideias como essa veio no ano passado, quando Paul Steinhardt da ‘Princeton University‘, propôs um modelo de universo cíclico que não só elimina o início ‘fiat lux‘, como também inclui a ‘energia escura na evolução cósmica.

O próprio Novello já desenvolve um cenário de universo dinâmico e eterno no CBPF há 2 décadas, usando a relatividade, para sondar passado e futuro cósmicos… E, conforme outras ‘nuvens de Kelvin‘ emergem na física do século 21 – o debate deve ganhar novos contornos. De toda forma…a origem do Universo ainda deve permanecer…por um bom tempo na lista de…mistériosa resolver‘. (conferência no RJ – julho/2003) (texto base)  *********************************************************************************

Em busca da conexão entre eletromagnetismo e mecânica quântica

Em 1993, num trabalho conjunto com o professor de matemática da ‘Unicamp‘, Jayme Vaz (…na época…doutorando), o físico-matemático Waldyr Rodrigues Jr. descobriu que 2 equações fundamentais da física moderna… aparentemente sem relação entre si… poderiam se equivaler. Segundo o pesquisador, a ‘equação de Dirac‘ (…que descreve o elétron), e…as equações de Maxwell no ‘vazio’ (que descrevem o eletromagnetismo) seriam equivalentes quando as “invariantes de campo”… — fossem diferentes de ‘zero’.

Até então… as soluções conhecidas das ‘equações de Maxwell‘ descrevendo fenômenos luminosos caracterizavam-se por invariantes de campo sempre zero. A revelação mostrou-se surpreendente… e, fascinou a comunidade científica – que tomou conhecimento desses resultados numa conferência internacional sobre ‘álgebras de Clifford’, e suas aplicações à física/matemática, realizada em Deinze – Bélgica, em 1993. Teoricamente…o trabalho era bem consistente, mas os 2 autores esbarravam na dificuldade de encontrar um caso, onde  equações de Maxwell no vazio relatassem soluções com “invariantes de campo” não nulas.

Mais de 18 meses se passaram, até que um dia…Waldyr intuiu uma solução ao problema. — Os dados foram inseridos no computador — e…por meio de um documento com 5.777 linhas e 88 páginas – encontraram uma solução dasequações de Maxwell… no vazio – com invariantes de campo diferentes de zero. — Ficava assim…então comprovada, que a equivalência matemática das equações de Dirac e Maxwell era consistente, e revelava-se assim um dos segredos mais bem guardados da natureza, qual seja…”a conexão entre eletromagnetismo e mecânica quântica“… – Como assim, então explicou Waldyr:

“Para nossa surpresa, além de mostrar a equivalência, a fórmula obtida abria uma nova… ‘possibilidade’… – Contrariando a opinião de Einstein, manifestada em suas ‘Notas Autobiográficas’… e, por que não dizer… da maioria, percebemos que as equações de Maxwell… e, as de Dirac – sem massa – apresentavam soluções, que permitiriam velocidades variando     de zero ao infinito – ou seja… existiam… – em particular – soluções que poderiam propagar-se com velocidades superiores à velocidade da luz”.

Durante 15 dias, eles sequer comentaram os resultados, procurando por possíveis erros na fórmula. Quando se certificaram de não haver engano, decidiram apresentar os resultados do trabalho num congresso internacional realizado no México, em setembro de 1995… Em sua palestra…o físico/matemático apresentou aos congressistas a 1ª solução superluminal das equações de Maxwell no vácuo… – na história da humanidade… O estudo, tornou-se o centro das atrações, quase deixando em 2º plano as discussões sobre a ‘Teoria do Elétron’tema principal do evento. (JUnicamp)…curiosidade: ‘Dirac large numbers hypothesis’  ************************************************************************************

Como pode o gráviton escapar de um buraco negro? (J.K.Cannizzo)                            Ainda não sabemos se a “gravidade quântica” será descrita em termos                          de grávitons, mas isso acontecendo, será mediada por ‘grávitons virtuais’,                        livres para ignorar o “horizonte de eventos“… de um ‘Buraco Negro‘.

gravity_waves_02Em um ponto de vista clássico, esta pergunta é baseada em incorreta imagem da ‘gravidade‘.  Gravidade é a exata manifestação da curvatura espaçotempo; e ‘buraco negro’ nada mais é, do que um tipo muito íngreme de “enrugamento”, que captura tudo o que chega — perto demais.  Flutuações na curvatura, viajam em pequenos pacotes ondulatórios, contudo, trata-se de um complemento opcional à gravidade…existente ao redor. Com efeito, buracos negros não têm necessidade de irradiar seus campos… — pois, sem interferências, eles… – simplesmente são.

Num ponto de vista quântico…porém, essa é uma boa questão. Ainda não temos uma boa “teoria quântica gravitacional”, e seria arriscado prever qual aspecto ela teria. Mas temos uma boa ‘eletrodinâmica quântica’; repetimos assim a pergunta para um BN com carga:

Como pode tal objeto atrair, ou repelir outros objetos carregados, se           os seus próprios fótons não podem escapar do horizonte de eventos?

O ponto-chave é que interações eletromagnéticas (e gravitacionais, se a gravidade quântica se tornar semelhante à eletrodinâmica quântica)…são mediadas pela troca de “partículas virtuais“. Isso permite uma exceção à regra – partículas virtuais podem, muito bem, fazer tudo o que desejarem (incluindo viajar mais rápido que luz), desde que desapareçam antes que violem o ‘Princípio da Incerteza’ de Heisenberg…O horizonte de eventos do buraco negro se situa onde a matéria ordinária (e forças) devem exceder à velocidade da luz, a fim de escapar…estando, portanto – aprisionadas… – Esse horizonte, contudo, não faz sentido à partícula virtual…com suficiente rapidez. O buraco negro eletricamente carregado, nesse sentido é uma fonte de…fótons virtuais’… livres para interagir com o resto do universo. ******************************(texto complementar)**********************************

Partículas Fundamentais — Em busca da moderna…”tabela de Mendeleiev      Há diferentes hierarquias na caracterização das ‘partículas microscópicas’, por vezes também chamadas partículas elementares. Recentemente, físicos que trabalham com altas energias iniciaram um procedimento de classificação diferente do tradicional…

Prótons e elétrons são ‘partículas fundamentais estáveis’. – Acredita-se que o próton positivamente carregado não deixa de ser próton nunca – isto é, ele jamais se desintegra     em outras partículas… mesmo fenômeno ocorre com o elétron negativamente carregado.   O outro importante elemento do átomo – neutron, no entanto, tem uma vida média de poucos minutos; sua importância, porém, figura na construção dos elementos químicos.

Méson-Sigma, méson-Pi são responsáveis…pelas interações da matéria hadrônica. O mésonPi  (ou píon), identificado por Cesar Lattes, G. Occhialini…e C. Powell; já o decaimento méson-sigma foi identificado recentemente (2004) por cientistas brasileiros. 

Bósons vetoriaispor seu lado, são intermediários das interações ‘fraca’, e ‘eletromagnética’. Foram detectados 4 bósons vetoriais que se identificam pelas letras W(+), W(-), Z e gama. – Os dois primeiros são massivos e possuem carga elétrica. O bóson Z é neutro e sem massa, e o gama é o fóton. Os 3 primeiros são responsáveis por intermediar a interação fraca (desintegração, ou decaimento da matéria), e o fóton é intermediário da ‘interação eletromagnética’. Os neutrinos, junto com elétrons, formam uma família à parte chamada léptons, e estão sempre envoltos em interações fracas de desintegração. Além do estável elétron – existem 2 outros léptons chamados múon e tau… – Cada um desses 2 léptons… — assim como o elétron… — dispõe de seu neutrino correspondente.

Neutrinos podem ter tido um importante papel na história da evolução do Universo.      Em 1972 o físico polonês B. Kuchowicz publicou uma resenha, sobre o que chamou de        “O papel cósmico dos neutrinos. – Nesse livro, um capítulo especial do trabalho      foi dedicado ao exame de sua possível “dependência cósmica”, nas “interações fracas”.

Dependência cósmica (espaçotemporal), e assimetria matéria/antimatéria      A relação do mundo microscópico com a evolução cósmica segue a linha idealizada por Dirac, e posteriormente defendida por Lattes — de dependência de todas as interações.

Alice

Enquanto no caso das forças eletromagnéticas  essa relação só foi testada, pela caracterização da dependência da “carga do elétron” com sua posição no espaçotempo; proposta ainda hoje investigada no caso das ‘interações fracas‘, poderia ter outra forma… Já é sabido que…a interação fraca viola a paridadeIsso significa uma dependência…nos processos de ‘decaimento’ que se distinguem pela ‘reflexão especular’. – Nesse sentido… a desintegração vista do lado de lá… do “espelho” (diria Alice) não seria igual a do lado de cá. Essa ‘violação    da paridade’ é com efeito, uma ‘característica fundamental’… desse tipo de… “decaimento”.

A ‘dependência cósmica’ a que me referi antes, significaria que esse processo de violação   da paridade seria cumulativo, dependente da evolução do Universo. Hipótese essa que poderia ter relevância cósmica, nos momentos de alta condensação do Universo, onde se deu o processo chamado nucleossíntese de formação dos elementos químicos mais leves como o hidrogênio e o hélio…Essa questão (da dependência) poderia também lançar luz sobre outra, que ainda hoje os cientistas não conseguiram resolver. ‘Por que no universo existe mais matéria do que antimatéria? E, por que se separaram sem se aniquilar’?  

O cosmólogo brasileiro Ruben Aldrovandi desenvolveu – na década de 70…em sua tese de doutorado, a proposta defendida pelo físico Roland Omnès sobre uma ‘teoria simétrica‘ matéria/antimatéria no Universo – e desde então, têm aparecido várias propostas sobre a origem desse excesso de matéria bariônica (basicamente… prótons) sobre os antibárions.  O cientista russo Andrei Sakharov, que recebeu o título de doutor Honoris Causa por seus trabalhos…relacionando o micro e o macrocosmos – também estabeleceu alguns critérios, que deveriam servir de guia para entender esse “desbalanceamento” dos bárions. Mais de  50 anos já se passaram… e, no entanto, seu trabalho original ainda não foi implementado.

Hierarquia no Microcosmos                                                                                                    Em uma interpretação da mecânica quântica proposta pelo físico Louis de                    Brogliee desenvolvida anos após por David Bohm, a estrutura básica do                        microcosmo pode ser interpretada numa estrutura contínua espaçotempo.

Como num ‘conto de ficção’o cientista Moisey Markov elaborou um cenário para unificar os mundos micro e macro numa descrição microfísica tal…que o interior de uma partícula pudesse ser descrito, como um cosmos que – de acordo com o ‘modelo de Friedmann‘…se expande…e colapsa… Markov obteve uma “expressão formal” capaz de descrever modelos cosmológicos desse tipocom ‘extensão analítica’ para aquilo que poderíamos chamar de ‘exterior‘… – a partir do qual… esse universo seria semelhante a uma estrutura elementar (átomoou partícula fundamental) espalhando-se através de seu próprio…”ambiente”. O “mundo quântico”… – dessa maneira… – se representaria por uma…”estrutura contínua”.

A proposta de Markov, construída há mais de 30 anos…não teve sequência, e deixou apenas uma lembrança…a de que não sabemos como representar, em termos usuais,           o que se passa no interior do que chamamos partícula elementar…A maior parte dos cientistas considera essa questão como ‘nonsense’…algo mal formulado. (texto base)  ******************************************************************************

Nova teoria do Universo pode ser testada pelo Hubble (ago/2014)

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Impressão artística de uma vista do Sol a partir do Cinturão de Kuiper [Imagem: JHUAPL/SwRI]

Um candidato a planeta-anão localizado no Cinturão de Kuiper (UX25) – e                      sua pequena lua podem nos fornecer a 1ª evidência experimental de um novo              modelo cosmológico que inclui a antigravidade. O modelo dispensa conceitos                como “matéria escura”, “energia escura”…e “inflação cósmica”. A proposta de                testar essa nova teoria observando o movimento destes 2 objetos na borda                      do sistema solar teve seu artigo publicado na ArXiv em nome dos astrofísicos              Alberto Vecchiato e Mario Gai, do Observatório Astrofísico de Turim Itália.

Em 1915, a ainda desconhecida Teoria Geral da Relatividade, de Albert Einstein, recebeu um grande impulso de credibilidade quando foi usada para explicar uma discrepância na órbita de Mercúrio que não poderia ser explicada apenas pela física newtoniana… Agora, quase um século depois, Vecchiato e Gai calculam que o UX25 e seu minúsculo satélite – orbitando o Sol no “cinturão de Kuiper” (para além de Netuno)podem ser empregados como um “laboratório natural”, para testar esse novo e ambicioso “modelo cosmológico”.

Dipolos gravitacionais virtuais

Desenvolvido pelo físico Dragan Hajdukovic, do CERN, o modelo – chamado “Dipolos Gravitacionais Virtuais” é baseado no conceito de que o espaço vazio (‘vácuo quântico‘)    não é de todo vazio; sendo formado por “matéria virtual” e partículas de “antimatéria”,      que constantemente pululam entre a existência e inexistência… A ideia de Hajdukovic,        é que essas partículas têm cargas gravitacionais opostas similares a cargas elétricas positivas e negativas. Ele prevê ainda que, na presença de um campo gravitacional, as partículas virtuais do vácuo quântico vão gerar um campo gravitacional secundário,      com um efeito amplificador. O resultado final é que galáxias e outros ‘objetos celestes’ parecerão ter campos gravitacionais mais fortes do que seria previsto somente pela massa de suas estrelas – discrepância então explicada pela hipotética ‘matéria escura’.

No novo modelo de Hajdukovic…também não há necessidade de uma “energia escura”. Considerando que partículas virtuais têm cargas gravitacionais então o espaçotempo possui uma pequena carga, que proporciona aos objetos uma ‘repulsão natural mútua’. Sua teoria também dispensaria a ‘inflação cósmica‘, artifício usado para explicar como,      no princípio do ‘Big Bang’, o espaçotempo teria se expandido mais rápido do que a luz.

Taxa de precessão apsidal

Hajdukovic já havia sugerido, que sua teoria poderia ser testada…se fosse encontrado um pequeno planeta com uma lua, ambos numa órbita elíptica em torno do Sol. O sistema deve estar muito afastado do Sol e de outros corpos com forte influência gravitacional.

Vecchiato e Gai sugerem testar este modelo,  através de telescópios terrestres e espaciais, ao observar o sistema ‘UX25’ – localizado a cerca de 43 UA — no Cinturão de Kuiper.

Isso porque, propriedades do vácuo quântico – como descrito na teoria de Hajdukovic, imporiam uma força [gravitacional] adicional sobre o UX25, perturbando a órbita do sistema. O modelo prevê que uma “taxa de precessão”devido à oscilação da pequena    lua ao redor do planeta-anão, deva ser maior que o previsto pela física clássica, e atual.

Enquanto a física newtoniana prevê uma taxa de precessão de 0,0064 arco-segundo, pequena demais para ser observada com os métodos atuais – e a “relatividade“…um      valor algo maior a teoria de Hajdukovic prevê que uma taxa de precessão de 0,23    arco-segundo por período…algo detectável pelo telescópio espacial “Hubble”, e pelo ‘Telescópio Espacial James Webb‘, ainda a ser lançadoSegundo Vecchiato e Gai, o telescópio terrestre, como o VLTno Chile – também pode realizar as observações.

Evidências observacionais da teoria de Hajdukovic resultariam em uma mudança dramática na forma como explicamos o Universo… “A maioria dos cientistas hoje            pensa que a física quântica é restrita ao mundo microscópico…O comportamento microscópico do…’espaço vazio’ – neste caso particular – resultaria em um efeito cumulativo de longo alcance… – até escalas cósmicas”, concluiu Gai. (texto base***************************************************************************

“Gráviton Nexus” pode explicar energia e matéria escuras (mar/2015)

Sem novas ideias ou novos ‘resultados observacionais’ para fundamentar um novo modelo cosmológico – os físicos buscam por uma… ‘teoria quântica da gravitação’…que explique a…”matéria escura” e a “energia escura” — ou seja, 95% do universo observável. – Com o objetivo de resolver esse mistério … o físico Stuart Marongwe…propôs uma teoria – batizada por ele de…”Nexus”.

Na tentativa de estabelecer uma conexão entre a ‘Teoria Quântica’ e a ‘Relatividade Geral’, o físico cubano idealizou que esta ligação se manifestaria sob a forma de um… “gráviton Nexus” — partícula do espaço-tempo — com spin 2 — que, naturalmente…emergiria do processo de unificação entre as duas teorias. Uma característica notável deste gráviton, que o distingue do hipotético gráviton do “Modelo Padrão” da Cosmologia…ainda não achado, é que o gráviton Nexus não é uma partícula “mensageira”…ou virtual; induzindo um movimento de rotação constante em qualquer partícula com a qual entre em contato.

Partícula de matéria escura

O ‘gráviton Nexus’ também pode ser considerado como um glóbulo de ‘energia do vácuo‘, que pode    se fundir ou resultar da cisão de outros grávitons, num processo similar à “citocinese” da biologia celular… – a divisão da célula em 2 cópias iguais. Para Marongwe – o “gráviton Nexus” é a própria partícula da matéria escura, e constitui o espaço-tempoAssim, a emissão de um gráviton menos energético, por um gráviton de energia mais alta, resulta na expansão do gráviton mais energético, conforme ele assume um estado de energia mais baixo, processo que se manifesta como Energia Escura, sobre toda a extensão do espaço-tempo.

Além de iluminar algumas das principais questões não respondidas da física atual,              a teoria de Marongwe inclui uma descrição quântica dos… “buracos negros” – que  consegue se libertar das singularidades da relatividade de Einstein. (texto base****************************************************************************

Uma comparaçãoGráviton/fóton (jan/2018)

Considerando que — (1) o fóton não tem massa;  (2) é um mediador de interações eletromagnéticas; (3) a (força da) gravidade resulta da mediação do gráviton na interação entre … “corpos massivos”: a) como explicar o fato da luz alterar sua trajetória, na presença de uma estrela ou de um aglomerado? b) mediadores fóton e gráviton interagem entre si?

Prof. Michel Elile Marcel Betz – IF-UFRGS:

A pergunta está muito bem formulada e bastante pertinente. Embora o enfoque esteja principalmente nas partículas mediadoras das interações (visão quântica), vale a pena começar revisando alguns aspectos importantes das…’teorias clássicas’…da gravitação.

De acordo com a teoria da gravitação de Newton…a aceleração de um corpúsculo num campo gravitacional independe de sua massa, pois esta se encontra presente, em cada    lado da equação que expressa a lei fundamental da dinâmica newtoniana (F=m.a) do    lado direito – multiplicando a aceleração, e do lado esquerdo – na expressão da força gravitacional, proporcional ao produto das massas envolvidas. Dessa maneira, um corpo de massa arbitrariamente pequena sofre aceleração, e é desviado pela presença        de corpos massivos, fontes de um “campo gravitacional“…Quando a interpretação corpuscular da luz era geralmente aceita (no século 18)…vários trabalhos de pesquisa foram dedicados ao estudo deste efeito. Naturalmente que, sendo a velocidade da luz muito grande, os desvios então previstos eram mínimos, e muito difíceis de observar.

Na 2ª década do século 20, Einstein propôs uma visão da gravitação bastante diferente, mas ainda baseada em conceitos clássicos (em oposição a quânticos) – conhecida como “Relatividade Geral”. Nesta teoria, a gravidade passa a ser vista como uma modificação    da geometria do espaço-tempo devida à presença de “matéria” e “campos”. Na equação fundamental da Relatividade Geral, está presente – de um lado, um objeto matemático, tecnicamente, um tensor de 2ª ordem… que representa as densidades e os fluxos      de energia e momento linear existentes num determinado ponto do espaço-tempo.

equação relatividade geralNaturalmente as massas presentes contribuem pela relação…massa-energia de Einstein (E=mc²)…para este “tensor de energia-momento”, mas campos eletromagnéticos, por exemplo, também contribuem. Do outro lado da equação… está outro tensor (métrico) de 2ª ordem, que representa a geometria do espaço-tempo — que seria plano ou curvo, com ou sempartículas e campos.

Como a gravitação determina a geometria do espaço-tempo, ela influencia o movimento de todas as partículas. – Na Relatividade Geral, entende-se por “partícula livre” uma partícula submetida apenas à gravidade. Tal partícula percorre no espaço-tempo – uma curva de um tipo particular, conhecida como ‘geodésica’. A menos que sofra uma interação com alguma outra partícula, um fóton também se move sobre uma geodésica. Ao longo dela…é possível definir um intervalo entre pontos que…para uma partícula massiva, possui a interpretação de ‘intervalo de tempo próprio’ da partícula. No caso de uma partícula sem massa, como o fóton, tal intervalo é nulo, justificando assim a expressão ‘geodésica nulapara caracterizar uma geodésica percorrida por um fóton. Vale notar que tem-se aqui a formalização mais precisa da citação intuitiva, atribuída a Einstein, de quepara quem pudesse acompanhar um raio de luz, o tempo pararia. Resolvendo as equações da Relatividade Geral, pode-se determinar as…geodésicas nulas…no campo gravitacional produzido pelo Sol … e, como consequência, calcular o desvio dos raios de luz vindo das estrelas…passando perto do Sol.

A comparação dos resultados de tais cálculos com dados obtidos do    eclipse solar de 1919 – em especial, no Brasil… na cidade de Sobral, constitui-se em um dos 1ºs testes definitivos da Relatividade Geral.

Sobre a quantização da gravitação — não é possível fazer afirmações definitivas, pois não existe – no momento, uma teoria gravitacional quântica aceita como paradigma. – O procedimento padrão de quantização canônica, que seria elevar o tensor métrico ao nível de operador, satisfazendo determinadas relações de comutação, não tem êxito, devido ao surgimento de ‘grandezas infinitas’que não são eliminadas pelo procedimento usual de “renormalização”. Várias propostas mais exóticas, que costumam juntar todas interações numa única teoria, podem ser vistas na literatura. Talvez o único aspecto comum a todas, seja a presença da partícula mediadora da gravitação, de massa nula/spin 2: o gráviton.

Não seria possível fazer aqui uma revisão deste amplo e muito ativo campo de pesquisamas, como a pergunta indaga…sobre possíveis interações entre fóton e gráviton, vale mencionar teorias, nas quais poder-se-ia detetar grávitons nos mais potentes aceleradores… São teorias de espaçotempo além das    triviais…4 dimensões observadas.

Numa linha de pesquisa teórica iniciada pelo matemático Theodor Kaluza, e pouco depois também adotada pelo físico Oskar Klein, essas dimensões extra seriam compactificadas, e poderiam ser observadas apenas em experimentos com grande resolução espaçotemporal,  o que, pelas ‘relações de indeterminação’ de Heisenberg…requer valores altos de energia e momento linear. A noção de compactificação pode ser entendida considerando um espaço constituído de uma superfície cilíndrica de comprimento infinito mas raio muito pequeno. Apenas experimentos de alta resolução poderiam distinguir tal espaço (bidimensional) de uma simples linha reta (unidimensional). Muitas teorias postulam que a escala na qual as dimensões compactificadas poderiam ser observadase a intensidade da gravitação seria comparável às demais interações, é a escala de Planckda ordem de 10-35 m – o que, no entanto, são energias (1016 TeV) muito além do alcance de aceleradores atuais, ou futuros.

Mas certas propostas especulam que dimensões compactificadas poderiam ter tamanho da ordem da escala na qual ocorre a unificação das interações eletromagnéticas com as fracas, 10-19 m ou  1 TeV, energia já alcançada (e ultrapassada) pelo LHC. Sendo assim, a produção de grávitons poderia ocorrercom razoável probabilidade, neste acelerador. Um evento, entre outros, que poderia resultar na produção de um gráviton seria a fusão de dois fótons. Todavia… apesar da procura intensa nos últimos tempos por tais eventos até o presente momento, nenhum processo que supostamente pudesse ser interpretado manifestação da existência de dimensões extra” — foi experimentalmente identificado. (texto base************************************************************************************

grávitons.Gravitons realmente existem? (jul/2018)

A “teoria da relatividade” de Einstein descreve a gravidade como uma distorção do espaço e do tempo, que se dobra e estica, com base nas massas de objetos dentro deles, bem como na energia liberada de determinados fenômenos.

No entanto, ao tomarmos consciência do confuso mundo da física quântica, descobrimos a existência de partículas muito pequenas, que poderiam afetar inclusive, os maiores, e mais poderosos fenômenos do universo. – Entre estas partículas…temos os bósons, portadores de 3 das 4 “forças fundamentais” que governam o universoo campo eletromagnético tem fótons…a força nuclear forte tem glúons; e a força fraca é transportada pelos bósons W e Z.

Os físicos então, consideraram que, se as outras 3 forças fundamentais têm uma teoria quântica correspondente – também deveria haver uma partícula por trás da gravidade.      E assim…na tentativa de incluir a gravidade na teoria quântica, criaram uma partícula hipotética (gráviton), com spin-2, sem massa, estável, e viajando à velocidade da luz.

Sabemos da incompatibilidade matemática entre as teorias ‘quântica’ e ‘relatividade geral’. Tentando resolver esse impasse, os físicos de hoje – ao acreditar que a ‘mecânica quântica’ é a teoria mais fundamental — supõem que a gravidade precisa ser quantizada…e, sendo a “teoria das cordas” uma das solução possíveis…creem que, da mesma forma que os fótons, grávitons existem. O xis da questão, vem ao fazermos a pergunta: ‘posso detetar um único gráviton?’. A resposta parece ser…“não”. – Mas, seria essa uma razão para ele não existir?

A “improbabilidade” dos grávitons                                                                              Grávitons não foram observados… – e, é bastante improvável que sejam                observados tão cedo; isso porque a interação gravitacional é muito fraca.

A teoria da relatividade geral implica na existência de grávitons pois prevê a existência de ‘ondas gravitacionais’ clássicas. Tal condição está implícita, mesmo que uma … “teoria quântica”, subjacente ao… espaço-tempo… seja totalmente diferente da relatividade; por exemplo — a “teoria das cordas”, ou a… “gravidade quântica em loop”; pois qualquer teoria subjacente tem que reproduzir a teorias de Einstein.

Assim, um gráviton pode não ser uma partícula fundamental (assim como o pion é composto), mas tem que emergir ao mesmo tempo em que a relatividade geral surge          da teoria subjacente… De fato, qualquer modificação razoável à relatividade geral,      que seja consistente com dados observacionais atuaistambém implica a existência          de grávitons. – E, se estes não existirem, isso significaria que a gravidade não é uma  “teoria quântica de campos”. Isso é difícil (embora não necessariamente impossível)          de se reconciliar com o fato de que…todas as outras formas de matéria são descritas        por uma teoria quântica de campos; e isto é o Modelo Padrão da física de partículas.

Uma possível solução pode ser que (como suspeitamos) a Teoria Quântica de Campos é apenas uma teoria “efetiva” – e uma teoria subjacente mais profunda permite que esses campos quânticos e a gravidade coexistam… Outra possibilidade, é que a gravidade não seja um “campo fundamental”…mas, um “fenômeno emergente“…das propriedades estatísticas da matéria (“gravidade entrópica“)…e, portanto, não precisa ser quantizado.

Todavia, o graviton permanece hipotético, porque no momento, é impossível detectá-lo. Mesmo sendo forte em escala planetária, em escalas menores a gravidade é muito fraca. Tanto é assim que quando um imã atrai um clipe de papel ele puxa a força gravitacional  de todo o planeta, e ainda ganha. Isso significa que um único gráviton se existir é muito fraco. Um estudo até diz ser impossível detectar um único gráviton — a menos que seja medido em magnitudes de escala planetária, com um detector do tamanho do universo.

Teoria das Cordas, e a caça aos “GRAVITONS”

9 dimensões escalares

Gráfico esquemático da passagem de um campo vetorial para um escalar, onde 3 dimensões iniciais se transformam em 9. Uma possível aplicação seria para exemplificar a emergência de um espaço de configuração a partir de um ponto G originário de um espaço virtual.

A “teoria de Kaluza-Klein“… levantou a hipótese de que a gravidade pode, para nós… parecer fraca — porque ela tem a capacidade de atravessar…mais de três dimensões ao mesmo tempo – e assim, se dilui. Essa ideiadepois de décadas sendo amplamente ignorada…devido a inconsistências matemáticas – quando revisitada e refinada resultou no que hoje é a “teoria das cordasa mais viável ideia de uma “teoria quântica da gravidade”…É também a nossa melhor promessa de unificação…da “mecânica  quântica”, com a teoria da relatividade geral, o maior problema da física atual.

Na ‘teoria das cordas’…cálculos matemáticos apontam para um universo com 9 dimensões de espaço e uma de tempo, mas as dimensões adicionais de espaciais são pequenas demais para serem vistas, mesmo com microscópios. Enquanto isso, várias equipes de físicos hoje, estão à caça do gráviton – mas, até agora, todas as esperanças de encontrar esta hipotética partícula nos deixaram de mãos vaziasDe fato, há muita coisa sobre a física quântica que não entendemos … porém, compreender as partículas, e as leis que as governam, pode nos ajudar a exercer a influência que os fenômenos quânticos aparentemente possuem. Provar a existência dessa partícula (‘gráviton‘) nos ajudaria a dar sentido a tudo isso. (texto base) ************************************************************************************

gravitonTeoria para um “Gráviton massivo”

Desde que a teoria da…’relatividade geral’ de Einstein reformulou a gravidade como curvas no espaço-tempo – pergunta-se se seu trabalho foi a‘palavra final’. Ajustes para modificar – ou até mesmo substituir  a gravidade de Einstein, buscam modelos dentro de estreitos limites da observação.

Muitas dessas ideias tentam reformular a gravidade na linguagem da mecânica quântica, em que partículas hipotéticas chamadas grávitons carregam a força gravitacional. Tais grávitons não têm massa, e assim, em teoria, podem viajar uma distância infinita…como os fótons (portadores da força eletromagnética), podendo alcançar as bordas do cosmos.  Mas existe uma outra possibilidadeNa década de 1930, Wolfgang Pauli e Markus Fierz propuseram um…”gráviton com massa“…e a ideia se tornou mais plausível na década de 1970 … depois da descoberta de que partículas massivas carregam as forças forte e fraca. Mas então, nesse caso, por que a “força da gravidade” não funcionaria da mesma forma?

A verdade é que “fantasmas” logo atormentaram as teorias de gravidade massiva. Isso porque em nosso mundo cotidiano, para mover um objeto, precisamos dar a ele um pouco de energia. Nos modelos de “gravidade massiva”, contudo, ao tentarmos mover        um objeto obteremos energia de volta o que contraria o princípio fundamental da “conservação de energia”, levando a todo tipo de problemas. – Para Claudia De Rham, física teórica do “Imperial College”/London: “Nesse caso, nada evitaria uma confusão geral no universo…porque custaria cada vez menos energia ficar cada vez mais louco”.

grávitonDiante dessa imperfeição essencial…os teóricos começaram a perder o interesse pela “gravidade massiva”…até que De Rham, junto com Andrew Tolley e Gregory Gabadadze…publicou em 2011 um radical artigo – abalando o “status quo”. Ao adicionar dimensões extras no modelo massivo de gravidade, De Rham e equipe foram capazes de evitar fantasmas e reacender a esperança, de uma teoria … matematicamente … plausível.

Nesse sentido, a pesquisadora espera que a adaptação dimensional dessa teoria massiva da gravidade possa resolver um dos maiores mistérios da cosmologia…a “energia escura”. Um gráviton massivo – cujo alcance não se estende por todo o Universo…talvez explicasse esse comportamento cosmológico…Para a pesquisadora…“o mais empolgante é a possibilidade  de detetores de ondas gravitacionais testarem a teoria massiva com relação a outras teorias da gravidade modificada. Mas, para isso, precisamos construir formas de previsões que permitam testar sua validade”Em seguida, De Rham responde a algumas perguntas:

Você tem dedicado sua carreira ao estudo da gravidade. Por que isso é tão importante?

A gravidade é a força que governa toda evolução do universoé realmente abrangente. Suas leis mostram como o universo responde à matéria e à energia. Se desligássemos a gravidade no início do Universo…tudo ainda seria como uma grande sopa fervente de partículas fundamentais. – Não haveria estrutura…nem galáxias, estrelas, planetas, ou vida. Então, num nível fundamental, pela teoria da relatividade geral de Einstein, toda noção de espaço e tempo vem da gravidade. Ou seja, tudo está embutido na gravidade.

A teoria da relatividade geral parece funcionar muito bem. Então, por que modificá-la?

Após o Big Bang o universo se expandiu e esfriou. Mas esperávamos que essa expansão diminuísse gradualmente…por conta do que o universo tem dentro dele, como galáxias, atraídas umas às outras, pela gravidade…Nas últimas décadas, entretanto, observações têm mostrarado exatamente o contrário – a expansão cósmica está se acelerando. E tal aceleração, representada pelo conceito abstrato de “energia escura“, indica que algo, talvez algum detalhe teórico — esteja faltando…em nossa descrição básica do Universo.

A “energia escura” algumas vezes é vista como uma misteriosa fonte mágica de energia, acelerando a expansão do universo. Mas esta não pode ser a resposta real do problema. Imaginamos algo que represente a energia escura (assim como fazemos para a matéria escura)…e esperamos detetar isso mais tarde…Não é particularmente satisfatório, mas fazemos isso… Na verdade, o cerne do problema é que há uma incompatibilidade total        na quantidade natural de… “energia escura necessária para resolver este problema.

A densidade dessa energia escura é tão ridiculamente pequena que chega a ser desconcertante pensar que dependemos tanto de um ajuste tão preciso (cerca de                  120 casas decimais). É algo sem precedentes na história da ciência, nos forçando                    a reinvestigar cada suposição que fizemos ao longo do caminho … para chegar lá.

Tal como?

Podemos pensar em mudar as equações da “relatividade geral” de 2 maneiras.                      O lado direito das equações descreve o conteúdo do universoqualquer coisa                    que tenha massa e energia. – Já no lado esquerdo, temos o que é chamado de                      tensor métrico – o parâmetro que descreve a “curvatura” do espaçotempo.

Quando pensamos em “energia escura”, estamos adicionando coisas novas no                      lado direito que descrevem matematicamente…nossa falta de compreensão.                  Mas, quando modificamos a gravidade, estamos…no lado esquerdo, tentando                    voltar às raízes do que seria o…espaçotempo…e ver se há alguma alternativa                    que faça sentido. Estamos assim explorando a fundo a natureza da gravidade.

Qual tipo de modificação poderia fazer sentido?

Nesse caso, é útil fazermos uma analogia com o ‘eletromagnetismo’ – considerado como uma ‘força’ mediada pela partícula chamada fóton… O fóton não tem massa, portanto o eletromagnetismo tem um alcance infinito. Todaviaisso não quer dizer que sentiremos essas forças a uma distância infinita … porque elas também diminuem com a distância, mas sem um corte abrupto; num decaimento gradual.

A “relatividade geral” trata o gráviton como uma partícula sem massa, portanto, a força gravitacional também possui um alcance infinito Qualquer modificação da gravidade significaria que – em algum ponto – ocorre uma transição. Essencialmente, esta força “desliga” a distâncias muito grandes, o que nos faz deduzir que, não haveria mais razão para esperar que, após um certo período de tempo, a expansão do universo diminuísse.

Você dedica boa de seu tempo às equações de Einstein. O que te atrai na “relatividade”? 

Quanto mais estudo essas equações, mais percebo sua beleza e profundidade. Einstein construiu a relatividade geral sobre alguns pilares – dos quais, um deles é o “princípio        da equivalência”isto é, as leis físicas certamente não deveriam depender de quem as      está observando. Isso parece algo desejável no campo teórico…mas esta é uma grande suposição; postulada desde o início… E só agora estamos percebendo…o quão mais fundamentais esses princípios são. Quando pensamos sobre a gravidade em termos        de grávitons, descobrimos que esses pilares todos surgem apenas – ao exigirmos uma estabilidade da teoria. Para uma estrutura no Universo…que garanta nossa existência, também precisamos dessa bela simetria que não haja qualquer observador especial.

Outra coisa que acho incrível sobre a ‘relatividade geral’ é que ela nos diz, exatamente,      onde termina seus domínios. – De suas leis surgem os buracos negros; do lado de fora, pensamos neles como objetos tão massivos, que nem a luz consegue escapar. Então,        ao penetrá-los, descobrimos um ponto (singularidade)…onde o espaçotempo tem curvatura infinita. – Aqui, assim como no instante do…”Big Bang – a teoria deixa de funcionar. Na verdade, isso é apenas a relatividade geral nos dizendo: “OK, não confie mais em mim. Estou fora de controle”. E é justamente nessa ocasião, que percebemos          que a teoria da “relatividade geral” … está emergindo de algo ainda mais fundamental.

No entanto, a relatividade geral parece descrever o resto do universo muito bem, certo?

Desejamos modificar a gravidade de forma tal, que não seja necessário nos desfazer de todas previsões, e respectivas observações, que a relatividade geral alcançou até agora.

Portanto, qualquer mudança tem que ser mínima, e localizada?  

Certo. Por exemplo, se o gráviton tem massa, ela deve ser muito pequena…muito              menor do que a do… “neutrino” – a mais leve partícula massiva que conhecemos.

Como poderíamos testar a relatividade geral frente às teorias da gravidade modificada?

A princípio, poderíamos pensar sobre como pequenas modificações na gravidade afetam o movimento dos planetas no ‘sistema solar’. Entretanto, algumas das restrições mais fortes à tais modelos estão no próprio sistema solar…pois a gravidade se comporta bem por aqui.

E as ondas gravitacionais?

A partir da primeira detecção de ondas gravitacionais no LIGO – Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory – já poderíamos estabelecer um limite para a energia      que o gráviton deve ter. Isso porque, quando 2 buracos negros ou estrelas de neutrons      se fundem, giram um em torno do outro…cada vez mais rápido, ficando cada vez mais próximos. E assim…a frequência das ondas gravitacionais criadas – que se relaciona à velocidade com que os dois objetos se movem – fica, cada vez, um pouco mais alta – à medida que se aproximam. – Na relatividade geral… as ondas devem viajar na mesma velocidade, independente da frequência…Contudo, na teoria da ‘gravidade massiva’, a velocidade da onda gravitacional depende da frequênciaÉ um efeito muito pequeno,        mas as ondas gravitacionais têm sido observadas com tanta precisão, que já podemos      predizer que a massa do gráviton deve ser inferior a 10e-21 elétron-volts…cerca de 26 ordens de magnitude mais leve que um elétronIsso é incrível! É muito mais preciso      do que o limite para a massa do fóton… – e temos estudado a luz há centenas de anos.

À medida que mais modelos são descartados, a relatividade geral parece mais atraente? 

Nos últimos 20 anos, aprendi que a teoria da gravidade de Einstein é provavelmente a descrição correta do universo a baixas energias…e por isso então, talvez não devêssemos modificá-la. Mas para afirmar isso, necessitamos de alternativas, para poder compará-la com outras abordagens científicasNão podemos afirmar que a “relatividade geral” seja    a descrição correta e definitiva do que está acontecendo – sem que possamos imaginá-la em uma classe maior de modelos. Só então, seremos capazes de dizer que realmente a compreendemos – que sabemos ser ela a única descrição correta. (texto base) ago/2020

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em cosmologia, física e marcado . Guardar link permanente.

Uma resposta para No contexto dos “Grávitons” (e ‘teoria das cordas’)

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