Echoes de Pink Floyd em Salvador Dali

Tudo leva a crer que existe um certo ponto do espírito de onde a vida e a morte,  o real     e o imaginário, o passado e o futuro, o comunicável e o incomunicável,  cessam de ser vislumbrados contraditoriamente. (André Breton – Manifesto Surrealista)

“o pensador” de Salvador Dali

DO LADO PROIBIDO

Naturalmente… algo urgente
Pra me fazer lembrar do que         Já não se diz… nem se pode imaginar

Quando, por pensamentos, Palavras, e atos…abstratos             ou concretos
O amanhã se faz incerto
Disperso em tantos                     Cantos do mar

Ecos de um passado,
Solto ao sopro da brisa
Palpitam horas restritas,
Num beco banco de trás

E se espalham feito nuvens ao vento em teu olhar sereno, inacabado…que por um tempo infindo – Se fez escravo… para nunca mais…

E me invade, arrebata
Pela avenida aberta de estradas,
Por sob sete setas embriagadas
Dentre sombras de cristais.                   (Cesar Augusto Pinheiro)

O Homem Público N. 1

Tarde aprendi, bom mesmo é dar a alma como lavada… – Não há razão para conservar este fiapo de noite velha. Que significa isso?… — Há uma fita que vai sendo cortada deixando uma sombra no papel. Discursos detonam… Não sou eu que estou ali de roupa escura sorrindo ou fingindo ouvir. No entanto, também escrevi coisas assim – para pessoas que nem sei mais quem são… de uma doçura venenosa… de tão funda.  (Ana Cristuna C.)

Ferreira Gullar, poeta brasileiro

Ferreira Gullar, um poeta brasileiro.

Entrevista de Ferreira Gullar ao JB (30/10/2005)

JB. Se a poesia desse o sustento necessário… você faria só isso?

FG. – Não. Escrevo pouco. A poesia nasce do espanto. O mundo é absolutamente incompreensível… – então, inventamos uma serie de compreensões  –  e vivemos dentro desta cadeia lógica de explicações – que não é gratuita, nem absurda… tendo a ver com a realidade, sem esgotá-la… – Quando esse tecido conceitual se rompe…nem tudo está explicado.

JB. Está explicado mas não compreendido, e a poesia é uma maneira de compreender.

FG. Nem está explicado, a realidade é maior que qualquer explicação, mesmo porque a realidade muda... – Vivo uma coisa extraordinária… que quero contar para as pessoas… Então eu conto aquilo.

E o pior é que é impossível contar. Como traduzir perfume em palavras?… O poema não é a tradução do perfume em palavras, mas a criação de um artefato que pretende transmitir para o outro a experiência que senti ali. Trata-se de uma grande confusão…‘A verdade da poesia é o que comove, não o que se comprova.’

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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Uma resposta para Echoes de Pink Floyd em Salvador Dali

  1. Cesarious disse:

    Poema XX

    Posso escrever os versos mais tristes esta noite
    Escrever por exemplo: A noite está fria e tiritam,
    azuis, os astros à distância
    Gira o vento da noite pelo céu e canta…

    Posso escrever os versos mais tristes esta noite
    Eu a quis e por vezes ela também me quis
    Em noites como esta, apertei-a em meus braços
    Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito
    Ela me quis e as vezes eu também a queria
    Como não ter amado seus grandes olhos fixos?

    Posso escrever os versos mais lindos esta noite
    Pensar que não a tenho… Sentir que já a perdi
    Ouvir a noite imensa mais profunda sem ela

    E cai o verso na alma como orvalho no trigo
    Que importa se não pode o meu amor guardá-la?
    A noite está estrelada e ela não está comigo
    Isso é tudo

    A distância alguém canta. A distância…
    Minha alma se exaspera por havê-la perdido
    Para tê-la mais perto meu olhar a procura
    Meu coração procura-a, ela não está comigo
    A mesma noite faz brancas as mesmas árvores
    Já não somos os mesmos que antes havíamos sido

    Já não a quero, é certo
    Porém quanto a queria!
    A minha voz no vento ia
    tocar-lhe o ouvido

    De outro… será de outro
    Como antes de meus beijos
    Sua voz, seu corpo claro,
    seus olhos infinitos

    Já não a quero, é certo,
    Porém talvez a queira
    Ah ! é tão curto o amor,
    tão demorado o esquecido

    Porque em noites como esta
    Eu a apertei em meus braços,
    Minha alma se exaspera por havê-la perdido
    Mesmo que seja a última esta dor que me causa
    E estes versos os últimos que eu lhe tenha escrito.

    (Pablo Neruda)

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