Por um ‘Wormhole’ Transitável

“A ideia metafísica de infinito, concebe-o como um absoluto que persiste em si mesmo… para além do finito. Como a ‘negação do finito’ não faz parte da identidade do absoluto – o limite que o separa deste…é externo a si próprio. O infinito matemático…ao contrário…é um limite imanente”. (Slavoj Zizek)

KarlSchwarzschild01

Karl Schwarzschild (1873-1916)

Buraco negro (o princípio)

Quase imediatamente…após Einstein ter desenvolvido a Relatividade Geral, Karl Schwarzschild encontrou solução matemática para equações relativísticas – que descreviam tal objeto… Foi somente muito mais tarde, na década de 30 … com o trabalho de Oppenheimer, Volkoff e Snyder… entre outros – que se começou a pensar…seriamente – na possibilidade de tais objetos existirem realmente no Universo.

Esses pesquisadores mostraram que, quando uma estrela suficientemente massiva consome todo seu  combustível… perde a capacidade de sustentar sua própria “atração gravitacional” – desabando então sobre si mesma … e, criando um “buraco negro“.

O nome ‘buraco-negro‘ foi inventado por John Archibald Wheeler — e parece ter ficado… mesmo por ser bem mais atraente dos que os anteriores. Antes de Wheeler, esses objetos eram conhecidos como ‘estrelas congeladas’.

http://www.oal.ul.pt/oobservatorio/vol5/n10/vol5n10_5.html

Raio de Schwarzschild

Um buraco negro, em linhas gerais, é uma região do espaço dentro da qual uma grande quantidade de matéria é comprimida… num volume bastante pequeno… talvez pontual. — Como a “atração gravitacional” depende da distância (r)… — na proporção 1/r2 ; quanto mais próximo maior atração gravitacional a que estamos sujeitos.

Contudo, a distâncias maiores do que o ‘raio de Schwarzschild’ a atração gravitacional é a mesma de um corpo normal de mesma massa. Por exemplo, um buraco negro com massa de uma bola de tênis terá… – para uma distância de alguns centímetros, a mesma atração gravitacional de uma bola de tênis comum… – Ou seja…o problema de um “buraco negro” depende da proximidade que estivermos dele. Para quantificarmos uma distância segura, define-se o ‘raio de Schwarzschild‘… como a distância na qual a luz (com velocidade c) já não conseguiria escapar de seu “campo gravitacional”.

Por exemplo, um BN de massa igual a massa do Sol… possui “raio de Schwarzschild”      de aproximadamente 3 km…Contudo, se estivermos a mesma distância que hoje nos encontramos do Sol…sentiríamos a mesma atração gravitacional que sentimos hoje.

Condições para a formação de um BN

As estrelas nascem…evoluem e morrem. A fase final da evolução de uma estrela                vai depender de sua massa inicial, e se elas evoluem isoladas ou em um sistema          binário fechado (em que as estrelas estão próximas entre si)… – Estas fases são:

1. Se a massa inicial da estrela for menor que 3M (onde M é a massa do sol)…depois da fase de gigante vermelha, a estrela perde massa, dando origem a uma anã branca com  m < 1,4M (…os átomos perdem seus elétrons pela…”degenerescência eletrônica“);

2. Se a massa inicial for maior que 3M, após a fase de gigante vermelha, a estrela explode como supernova, podendo, ou não, ter um “caroço” no centro… Se a massa deste caroço central for menor que 2M… ele se transforma numa ‘estrela de neutrons‘ (…elétrons e prótons se fundem em neutrons pela degenerescência nuclear);

3. Se massa remanescente após a explosão de supernova                                                              for maior que 2M, esta colapsa em um “buraco negro.

Se a estrela evolui num sistema binário fechado – há ‘transferência’ de matéria entre as estrelas, de forma que, muitas vezes, uma delas acumula tanta massa, que explode como uma “supernova“.

O resultado mais provável é a formação de uma estrela de neutrons…a partir do ‘caroço‘… que sobra dessa explosão. Mas… existem sistemas duplos — como ‘Cygnus X-1 em que esta componente compacta aparenta um buraco negro.

Horizonte de Eventos                          Um buraco negro possui algo muito particular…que se chama ‘horizonte                            de eventos’… – uma superfície esférica … que faz delimitar sua fronteira.

Na relatividade geral, a gravidade é uma manifestação da curvatura do espaçotempo. Objetos massivos distorcem as dimensões do espaço e tempo de tal forma, que as regras normais da geometria não se aplicam mais. Perto de um buraco negro, esta distorção do espaço é extremamente intensa, provocando o aparecimento de estranhas propriedades.

Você pode pensar no ‘horizonte de eventos‘ como o lugar em que a velocidade de escape é igual à velocidade da luz. – Fora do horizonte de eventos, essa velocidade é menor do que a da luz – mas… se você se encontrar dentro do horizonte de eventos, nunca mais poderá escapar. Na verdade, uma vez cruzado o horizonte de eventos, você está inexoravelmente fadado a se aproximar cada vez mais da “singularidade” – localizada no centro do BN.

horizonte-de-eventosTal fronteira, tem algumas propriedades geométricas realmente estranhas… Para  um observador imóvel, a certa distância  do buraco negro, o horizonte de eventos parece uma tranquila superfície esférica. Mas, quanto mais próximo do horizonte,   ele se move a uma velocidade espantosa.  Ou seja, se expande à velocidade da luz!  Por isto…é tão fácil entrar no horizonte, mas impossível sair… Como ele próprio  se move à velocidade da luz… — apenas  seria possível escapar de volta, viajando a uma (proibida) velocidade superior à da luz. Como, de acordo com a Relatividade, não se pode superar a “velocidade da luz”… — também não se pode escapar do “buraco negro“.

Uma vez dentro do horizonte, o espaçotempo é tão distorcido…que as coordenadas que descrevem a distancia radial e tempo trocam suas posições – ou seja, a coordenada que descreve a sua distancia do centro…r, passa a ser uma coordenada do tipo tempo; e a coordenada t passa a ser do tipo espacial. – Uma consequência disso… é que se torna impossível evitar o deslocamento…no sentido de valores cada vez menores de r…assim como – normalmente… não se consegue evitar o deslocamento do tempo para o futuro.

Tentar evitar o centro de um buraco negro…depois de penetrar seu horizonte, portanto, é como tentar evitar a próxima segunda-feira.

http://casa.colorado.edu/~ajsh/schww.html

Construindo um Wormhole

A ‘única maneira’ para se impedir o colapso gravitacional… que gera ‘buracos negros‘, e evitar a ocorrência do horizonte de eventos, seria distribuindo algum tipo “exótico” de matéria…através do ‘wormhole‘ – de modo      a sempre manter a sua “boca escancarada”.    Uma das maiores dificuldades…impostas à construção de um wormhole transitável,    se encontra justamente, na enorme tensão necessária para mantê-lo – sempre aberto, empurrando… – para fora… suas ‘paredes’.

Uma restrição…que advém da análise da aplicação da                                ‘equação gravitacional’ de Einstein impõe que a tensão                                    radial exceda a densidade massa-energia. – A matéria                                      que satisfaz tal condição… é chamada ‘matéria exótica‘.

A natureza exótica dessa matéria é especialmente problemática…pelas implicações às medições efetuadas por observadores…que se movem através da garganta – com uma velocidade radial próxima à da luz; pois nesse caso, o viajante medirá uma densidade       de energia negativa. Mas, isto não significa que – para um observador em repouso, a matéria exótica, também tenha dentro do wormhole…densidade de energia negativa.

‘Densidade de energia‘ é um conceito relativo, não absoluto…Num dado referencial    pode ter um caráter negativo, e noutro, positivo. A matéria exótica tem uma densidade    de energia negativa… – para um viajante que atravesse o ‘wormhole’ a uma velocidade próxima da luz, mas possui uma densidade de energia positiva… quando é medida por    um observador em repouso no referencial do wormhole. – A suposição da inexistência      de densidades de energia negativa constitui um preconceito profundamente enraizado      na mente humana pela aparente falta de evidência experimental. No entanto, a Teoria Quântica de Campo prevê sua existência em certos estados de vácuo (‘efeito Casimir’).

efeito casimir

Este efeito pode ser obtido…recorrendo a 2 placas condutoras que se encontrem bem próximas uma da outra. Devido às condições de fronteira impostas pela proximidade      das placas – estas excluem certos comprimentos de onda de radiação das “flutuações quânticas de vácuo”…diminuindo a energia do mesmo. Se medirmos a energia média      entre as placas, obteremos um resultado interessante… ‘campos quânticos flutuantes’    têm um valor inferior a zero… – Mas, como energia e massa se equivalem… à energia negativa associada ao efeito Casimir’  deverá corresponder uma “massa negativa.

Estabilidade de um wormhole transitável                                                                        É possível provar que todo wormhole não-estático, sem simetria                                        esférica… é feito de matéria com densidade de energia negativa”.

A descoberta de que todoswormholes’ necessitam de ‘matéria exótica‘ para mantê-los abertos suscitou uma intensa investigação em torno da violação das condições de energia fundamentais à demonstração de teoremas sobre ‘singularidades’, que prossegue até hoje.  Uma análise qualitativa possível é a seguinte… – um feixe luminoso que entra numa boca, e emerge na outra…tem uma secção eficaz, que inicialmente diminui e depois aumenta ao atravessar a garganta. – A conversão do decréscimo ao acréscimo da secção reta eficaz, só pode ser produzida pela repulsão gravitacional da matéria que constitui o “wormhole“…o que corresponde à existência de “densidades de energia negativas“… Contudo, seria extremamente desconfortável ao viajante, interagir com matéria, a elevadíssimas tensões.

Para proteger o viajante de tal interação, há várias sugestões. Por exemplo, para Michael    Morris e Kip Thorne poderíamos colocar – através do wormhole… um ‘tubo de vácuo’, com diâmetro muito menor do que o ‘raio da garganta’, e utilizar…nas paredes do tubo,  tensões para evitar o acoplamento da matéria exótica com o viajante. No entanto, essa possibilidade quebra a “simetria esférica” do wormhole; e assim, teríamos de estudar as respectivas soluções das equações de campo de Einstein, para wormholes não-esféricos. Com efeito, Matt Visser descobriu soluções de wormholes cúbicos e poliédricos… Essas soluções têm a vantagem do viajante não se deparar com matéria exótica pelo caminho.

Illustration by Gregory Manchess

Illustration by Gregory Manchess

A matéria exótica da qual o ‘wormhole’ é feito… apesar de suas tensões… e densidade de energia enormes… poderia se acoplar à matéria normal, tal  como se dá com ‘neutrinos’ e ondas gravitacionais…Assim, entender suas ‘propriedades’  permitiria uma análise dessa estabilidade do “wormhole”, para ‘perturbações’…do tipo  travessia de ‘nave espacial’.

Estratégias práticas

Se é certo que buracos negros sejam uma consequência inevitável da evolução estelar…já não se pode afirmar que exista um mecanismo natural para a criação de wormholes. — A sua construção é assunto muito problemático. Contudo é possível imaginar 2 estratégias para sua construção: uma quântica, e outra clássica. A estratégia quântica é baseada nas ‘flutuações gravitacionais de vácuo‘...isto é, flutuações aleatórias e probabilísticas na curvatura do espaçotempo, devido à tensões entre ‘regiões espaciais adjacentes’…que, contínua e mutuamente…retiram e restituem energia.

John Wheeler (1911-2008)

John Wheeler (1911-2008)

Pensa-se que ‘flutuações gravitacionais de vácuo’ existem em todo espaço, mas seus efeitos são tão pequenos, que com a atual tecnologia…é impossível detetá-los. Mesmo assim, John Wheeler, em 1955 – combinando … de modo básico, leis quânticas…com as da Relatividade Geral – deduziu assim, que em regiões na ordem da escala de Planck (1035 m) as “flutuações de vácuo” são tão fortes, que o espaçotempo fervilhanuma autênticaespuma quântica‘. (imagine um observador voando nas alturas; que vê o oceano abaixo como perfeitamente plano – ao diminuir sua altitude de voo… as ondas do mar passam a ser ligeiramente visíveis – e…descendo mais ainda… depara-se com uma infinidade de ondas… – se movendo na superfície marinha.)

Segundo Wheeler, a ‘espuma quântica’ existe em qualquer região do espaçotempo, mas, para vê-la seria necessário um hipotético “supermicroscópio” que permitisse observar o espaço a escalas cada vez menores. Seria preciso descer da escala humana, na ordem de grandeza do metro…passando pela escala do átomo, 10-10m, e do núcleo atómico, 10-15m, até à escala de Planck, 10-35m. A escalas relativamente grandes o espaço seria observado como plano e suave… mas, ao nos aproximarmos escala de Planck, começaria a ondular ligeiramente, até uma espécie de ebulição, correspondente a uma ‘espuma quânticaprobabilística. Daí então, poderíamos imaginar a extração de um wormhole transitável,  por uma civilização super-avançada, sendo expandindo…até dimensões macroscópicas.

Thomas Roman, outro estudioso do assunto, oferece outra perspectiva interessante. Suponhamos a formação de um ‘wormhole transitável’ no universo primordial por meio de “flutuações quânticas”. – Nesse caso é possível considerar que… – dentro do “cenário inflacionário” inicial…o ‘wormhole quântico’ se converta num outro… com dimensões clássicas.

Relativamente à ‘estratégia clássica’ – poderíamos imaginar uma civilização avançada ao extremo, distorcendo o tecido do espaçotempo à escala macroscópica, para a construção de wormholes. – Seria preciso romper este tecido em 2 regiões… para depois costurá-las juntas. Tal romper do espaçotempo resulta no pronto surgimento de uma ‘singularidade’governada, provavelmente… por leis de uma ainda incompleta… ‘teoria de gravitação quântica‘…  A esse mecanismo dá-se o nome de… mudança topológica“.

pontes de Einstein-Rose

Não sabemos se essas mudanças são exequíveis…até a elaboração da ‘teoria quântica gravitacional.  É claro que, o sonho de construir um wormhole depende da futura descoberta de um campo exótico, ou um estado quântico de campo, cuja tensão… exceda a densidade de energia à escala macroscópica.  Todavia, mesmo que este campo exótico se mostre disponível…há outras dificuldades, quais sejam:

a) a possibilidade da mecânica quântica proibir uma mudança topológica do espaçotempo; b) a eventualidade dos wormholes poderem ser altamente instáveis… — c) o eventual forte acoplamento da “matéria exótica” com a “matéria normal”… — o que impediria a travessia.

Concluímos destacando que, apesar de toda dificuldade apresentada, não existe qualquer prova irrefutável proibindo a existência de “wormholes” como solução das equações de Einstein à gravitação. Assim não nos resta outra opção senão admitir wormholes transitáveis no espaçotempo como uma possibilidade digna de investigação.

consulta  ‘Wormholes Transitáveis no Espaço-tempo’ (2005) Todos a bordo! Expresso ‘buraco de minhoca’ vai partir! (2012) ‘Wormholes podem unir 2 buracos negros’ (2013)  !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!(texto complementar)!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

REVOLUÇÕES TEÓRICAS                                                                                                   Embora a termodinâmica e a cosmologia apontem para a “morte inevitável” de todas as formas de vida no universo, ainda existe esperança. Trata-se de uma lei da evolução que preconiza que, quando o ambiente muda radicalmente, a vida tem que se adaptar, fugir, ou morrer… – A 1ª alternativa parece ser impossível…A última, indesejável… – Isso nos deixa com apenas uma escolha… fugir do universo.

wormhole.jpg

Muito embora…o conceito de abandonar nosso…”universo moribundo“… para adentrar um outropossa parecer uma loucura total…a verdade é que não existe qualquer lei física que possa nos impedir de entrar em um “universo paralelo“.    A “relatividade geral” de Einstein dá margem à existência de “wormholes” ou buracos de minhoca; portais conectando outros universos…também chamados de ‘pontes de Eintein-Rosen‘. – Apenas   ainda não se sabe se “correções quânticas“…permitiriam a realização de tal jornada.

Teoria inflacionária…                                                                                                        Mas, o que causou o “big-bang” … e, motivou tal                                                                      inflação?…Essa pergunta continua sem resposta’.                                                                    

Principal teoria consistente com os dados do WMAP, a teoria inflacionária, proposta por Alan Guth, em 1979, postula uma expansão turbinada do universo no início dos tempos.  A ideia do ‘universo inflacionário’ explica, elegantemente, vários mistérios cosmológicos persistentes, incluindo o achatamento e a uniformidade do universo. Mas, considerando que ainda não se sabe o que motivou esse exponencial processo inflacionário…persiste a possibilidade de que possa ocorrer novamente…num ciclo interminável. – Essa é a ideia “inflacionária caótica” de Andrei Linde, da Universidade Stanford, segundo a qual, de “universos pais“… – brotam “universos bebês“… – em um ciclo contínuo…e eterno.

Assim como bolhas de sabão, que se dividem em 2 bolhas menores,                esses universos podem brotar constantemente de outros universos.

Considerando que a teoria da relatividade geral de Einstein… – formadora da estrutura subjacente de toda cosmologia, surge no instante do big-bang, à temperaturas incríveis,  não sendo portanto… capaz de responder às profundas questões filosóficas geradas por aquele evento… precisamos incorporar a outra grande teoria que emergiu no século 20,      e que governa a física do átomo… a teoria quântica – em seu peculiar reino subatômico    dos elétrons e quarks… – Como a relatividade governa o ‘mundo macroscópico’…não é apropriada para explicar o instante do big-bang… no qual o universo era menor do que uma partícula subatômica.

Naquele momento – seria de se esperar que os ‘efeitos da radiação’ suplantassem os da gravidade…e sendo assim, precisamos de uma descrição quântica da gravidade para unificar coerentemente tais          teorias (relatividade & quântica) com todas as ‘forças do universo’.

buraco-de-minhoca

Teoria de tudo…                  

Em Denver, na ‘Universidade do Colorado’ … foi realizada a 1ª experiência para a procura de um universo paralelo, com talvez… apenas milímetros de distância um do outro. Assim, os cientistas procuravam, por minúsculos desvios da lei de Newton – para a ‘gravidade’.

A luz de uma vela é diluída…à medida que se dispersa numa proporção equivalente… — ao “inverso do quadrado” da distância à sua fonte. De modo similar, de acordo com a ‘lei de Newton’, a gravidade também se dispersa pelo espaço…e, diminui da mesma forma. Esta lei é tão precisa…que é capaz de guiar sondas espaciais através do sistema solar. – Porém, ninguém sabe ao certo, se funcionaria em escala milimétrica. Até agora, tais experiências não deram resultado.

A fumaça é capaz de se expandir…e preencher uma sala inteira…sem, entretanto, se desvanecer no hiperespaço. Sendo assim, as dimensões superiores…se é que existem, devem ser menores que um átomo. Se o espaço de dimensões superiores fosse maior, deveríamos ver os átomos penetrando e desaparecendo…misteriosamente – em um        tipo de dimensão mais elevada – algo nunca observado … em qualquer laboratório.

Nesse sentido…físicos da Universidade Purdue/Indiana buscam desvios ainda menores – para testar a lei no nível atômico, utilizando ‘nanotecnologia‘. Mas, outras possibilidades também estão sendo exploradas… – Em 2007… o acelerador de partículas de alta energia LHC (“Large Hadron Collider”) – capaz de bombardear partículas subatômicas…com a colossal energia de 14 trilhões de elétron-volts… – foi ativado… Essa máquina gigantesca, com circunferência de 27 Kms – localizada na fronteira entre França e Suíça… – trabalha com dimensões 10 mil vezes menores do que a de um próton. – Assim, os físicos esperam descobrir um grupo novo de partículas subatômicas que não aparecem desde o ‘big-bang’.

Além disso, o detetor de ondas gravitacionais ‘LISA‘ (Antena Espacial de Interferômetro a Laser) quando em órbita, será capaz de detetar ‘ondas gravitacionais‘ de choque emitidas menos de um trilionésimo de segundo após o big-bang. Ele terá 3 satélites orbitando o Sol, conectados por feixes de laser, formando um grande triângulo espacial…no qual cada lado terá 5 milhões de kms. Qualquer ‘onda gravitacional que atingir o LISA perturbará os lasers, e essa pequena distorção será captada por instrumentos, assinalando a colisão de 2 buracos negros…ou até mesmo a própria “onda de choque” do big-bang. Ele é tão sensível (capaz de medir distorções … da ordem de um décimo do diâmetro de um átomo)… – que poderá…inclusive… – testar vários dos cenários propostos para o universo “pré-big-bang”.

Além do horizonte (de eventos)                                                                                               Hoje em dia, também sabemos que existem buracos negros supermassivos, um deles, inclusive, no centro da nossa galáxia… com uma massa de cerca de 3 milhões de sóis. Sondas através destes BNs — evidenciariam algumas questões ainda não resolvidas.

Gargantua

Em 1963, o matemático Roy Kerr demonstrou que um ‘buraco negro’ girando rapidamente, não entraria em colapso, até se transformar em um mero ‘ponto infinitesimal’. Em vez disso seu horizonte de eventos,    se tornaria um… ‘anel rotatório‘, ‘impedido de entrar em ‘colapso gravitacional‘ por conta de suas próprias… “forças centrífugas“.

Todo buraco negro é cercado por um horizonte de eventos…ou, ponto de não retorno… a passagem por ele… – é uma viagem sem volta. É de se imaginar que para uma viagem de ida e volta seriam necessários 2 desses buracos negros…O que acontece com alguém que passa pelo anel de Kerr, ainda é um assunto polêmico… – Alguns acreditam que o ato de entrar em um buraco de minhoca faria com que este se fechasse, tornando-se instável. A luz que caísse no BN se desviaria para o azul … indicando uma possibilidade de “fritura” na passagem para um “universo paralelo“…Essa controvérsia, com efeito, esquentou no ano passado quando Stephen Hawking admitiu ter cometido um erro 30 anos atrás…quando apostou que os ‘buracos negros devoram tudo…incluindo informação. – Talvez esta seja esmagada para sempre…ou, passe para o outro lado paralelo do “anel de Kerr”.

Segundo sua ideia mais recente…a informação não se perde              totalmente. Mas na verdade, ninguém acredita que já tenha                             sido proferida a “palavra final” sobre essa delicada questão.

Para obter dados extras a respeito de espaços-tempo estendidos até o ponto de ruptura, uma civilização avançada precisaria criar um “buraco negro lento“…Em 1939, Einstein analisou a massa rotatória de restos estelares que passavam por um lento processo de colapso gravitacional, tendo demonstrado que essa massa não entraria em colapso que resultasse em BNTal civilização avançada, porém… poderia refazer esse experimento, coletando tal porção…de estrelas de neutrons (com massa inferior a cerca de 3 sóis). A seguir, injetar-se-ia gradualmente esse material estelar na massa residual…forçando-a      ao colapso gravitacional. – Ao invés de progredir no processo de colapso, até se tornar    um ponto… – a massa estelar se transformaria em um anel… – possibilitando assim a observação… (em câmera lenta)… da produção de um… — “buraco negro de Kerr“.

Caso os “anéis de Kerr” se mostrem por demais instáveis,                            poder-se-ia também cogitar em abrir ‘buracos de minhoca’                              por meio da utilização de matéria e energia negativas.

Até mesmo buracos negros possuem ‘energia negativa’ à sua volta nas proximidades dos seus ‘horizontes de eventos’ … A princípio, isso poderia gerar bastante ‘energia negativa’. Matéria…e energia negativas seriam suficientes… – para manter a entrada do ‘buraco de minhoca’ aberta… – No entanto…problemas técnicos relacionados à extração de energia negativa localizada assim tão perto de um buraco negro – são extremamente complexos.

Buraco de minhoca

Em 1988, Kip Thorne e colegas, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, demonstraram que matéria…e energia negativas – em quantidade suficiente … poderiam ser usadas, para criar um buraco de minhoca ‘transitável‘…em uma viagem de ida e volta entre dois pontos distante no espaço (e tempo)… Porém, infelizmente, ninguém jamais encontrou ‘matéria negativa‘… – Em princípio, ela deveria pesar menos que o nada, e cair para cima, em vez de para baixo… – Mesmo existindo…quando a Terra foi criada… – teria sido repelida pela gravidade terrestre, se deslocando para o espaço. A ‘energia negativa‘, todavia… é vista em laboratório… – em experimentos… – na forma bem conhecida do…”efeito Casimir“.

Normalmente, a força existente entre duas placas paralelas descarregadas deveria ser zero. No entanto… se ‘flutuações quânticas’ fora das placas fossem maiores que flutuações entre elas… uma ‘força de compressão‘ resultante seria criada. Flutuações que empurram as placas de fora para dentro seriam maiores que as flutuações a partir do seu interior. Dessa maneira, essas placas descarregadas se atrairiam mutuamente). Tal fenômeno foi previsto pela 1ª vez em 1948…e registrado em 1958…Contudo, sendo inversamente proporcional à distância entre as placas, elevada à 4ª potência – sua energia é insuficiente à produção de ‘energia negativa‘.

Uma outra fonte de energia negativa é o raio laser…Pulsos de energia laser contêm ‘estados comprimidos, que são dotados tanto de energia negativa quanto de positiva.         O problema é separar…a energia negativa…da positiva — dentro de um feixe de laser.

Buracos de minhoca (e suas várias aplicações)                                                                         Segundo a inflação, apenas algumas gramas de matéria seriam suficientes para se criar um universo bebê…pois a energia positiva da matéria anularia a energia negativa da gravidade… (Se o universo fosse “fechado”… — elas se anulariam em proporções exatas)

wormhole

De certa forma, como enfatizou Gutho universo pode ser uma espécie de ‘refeição gratuita‘.

Por mais estranho que pareça…não é necessária nenhuma ‘energia externa’ para a ‘criação total‘ de um universo. Os universos bebês são … a princípio, criados ‘naturalmente’, quando certa região do espaçotempo se instabiliza, entrando num estado … chamado de “falso vácuo“… que desestabiliza a própria “natureza” do espaçotempo.

Uma civilização avançada poderia deliberadamente fazer tal coisa, ao concentrar energia em uma única região. Isso, todavia…exigiria a compressão de matéria até uma densidade de 10e80 g/cm³…ou que ela fosse aquecida a uma temperatura de 10e²9ºK, para criação das condições necessárias à abertura de um buraco de minhoca com energia negativa, ou criação de falso vácuo em energia positiva. Mini-aceleradores de partículas a princípio,    poderiam gerar bilhões de elétron-volts. – Eles se utilizam de poderosos raios laser para obter energia de aceleração da ordem de…200 bilhões de elétron-volts por metro – novo recorde… – E o progresso é rápido… – a energia obtida aumenta 10 vezes…a cada 5 anos.

A princípio seria possível criar raios laser de energia ilimitada; os únicos empecilhos são a estabilidade do material, e fonte de energia…No laboratório, lasers de ‘terawatt’  (1 trilhão de watts) atualmente são comuns, e os de ‘petawatt’ (1 quatrilhão de watts) – já se tornam lentamente factíveis… – Uma civilização avançada poderia criar enormes estações de laser nos asteroides…e a seguir, disparar milhões de raios laser contra um único ponto, criando temperaturas e pressões extremas, hoje inimagináveis.

Se os buracos de minhoca criados, segundo os passos descritos forem muito pequenos, instáveis… ou, se  “efeitos radioativos”…se tornarem muito intensos… – então talvez se pudesse enviar, apenas partículas de dimensões atômicas – por eles.    Nesse caso – a civilização poderia mandar “sementes” de dimensões atômicas pelo buraco de minhoca.  Da mesma forma…poderia enviar informação suficiente…para criar um “nano-robô” — máquina de dimensões atômicas, auto-replicadora. – O artefato seria capaz de viajar a uma velocidade próxima da luz…pousar em uma lua árida…e utilizar a matéria-prima local para criar uma fábrica química capaz de, por nanotecnologia, gerar autocópias.

Essa, aliás…foi a ideia base para o filme 2001 de Kubrick… provavelmente a descrição ficcional mais cientificamente precisa do encontro comvida alienígena‘… – Ao invés de discos voadores, ou ‘Enterprise’ … a possibilidade mais realista – é que façamos contato com uma “sonda robô” (…na Lua), deixada por uma civilização… que esteve por aqui de passagem. Tal processo foi descrito nos minutos iniciais do filme…mas Stanley Kubrick cortou na edição final as cenas de desfecho do filme em que essas sondas-robô criariam laboratórios de biotecnologia – de onde…’incubadoras’ clonariam toda espécie humana, com sequências de DNA alienígenas.

Por outro lado… – uma civilização avançada…também poderia codificar – caráter e memória dos seus habitantes e inseri-las em clones – permitindo a ‘reencarnação’ de toda raça. E embora pareça ‘fantástico’, esse cenário é consistente com atuais leis da física e biologia. – Com efeito, para uma tal civilização moribunda aprisionada num “universo em extinção”… essa poderia ser a ‘última esperança’. (Michio Kaku /2005) ***********************(comunidade de física/orkut)******************************

Viagens no tempo x Conservação da massa 

Eduardo… Viagens no tempo não violam a conservação da massa?…                               

Morvan – Viagens que voltem no tempo violam a conservação de massa e energia. Mas, também violam a causalidadeentão, tudo bem se a conservação de massa e energia for violada… – porque conservação de energia (e massa, equivalente) é apenas um princípio, correspondente à translação no tempo…Isto decorre do Teorema de Noether, que diz que a invariância das leis da Física por translação… – numa dada dimensãoequivale à conservação de uma grandeza.

No caso da translação no tempo, a grandeza que se conserva é a energia. No caso de translação no espaço, é o momentum. Então, se algo volta no tempo… a quebra do balanço de massa-energia era exatamente o que se deveria esperar.

Eduardo… então viagens ao passado são impossíveis?

Morvan – Não. São possíveis…Só precisariam violar a conservação de energia – o que também pode não ter nenhum problema. Essa, pelo menos, é uma das formas que alguns interpretam uma desigualdade, envolvendo o produto das incertezas, do tempo e energia. Neste caso, essa violação sempre seria aleatória; e não teríamos controle sobre como isso ocorreria… – Ainda há uma certa polêmica sobre essa interpretação… mas é uma ideia!

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
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Uma resposta para Por um ‘Wormhole’ Transitável

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