John Wheeler, o guru dos Físicos Relativistas

“Embora em alguns casos, sejam os computadores que decidam pelo sim ou não…é a partir de uma pequena porção que cada partícula, campo de força…ou ‘espaçotempo’      em si…cria sua função…o seu significado; sua própria existência”. (John A. Wheeler)

John Wheeler (1911-2008)

John Wheeler (1911-2008)

John Archibald Wheeler foi um físico teórico notável. Um dos últimos a conviver cientificamente com Albert Einstein, tentando dar continuidade ao seu sonho da construção de uma…”teoria do campo unificado. Segundo suas palavras em 1962: “Campos e partículas são estranhas entidades imersas em geometria… – ou, não são nada, além de ‘geometria’… – Não há nada no mundo além de espaços curvos vazios. Matéria, carga, eletromagnetismo… – ‘campos‘… – não são mais que expressões da curvatura espacial. Física é geometria!”      A forma como conclui esta frase…”física é geometria“,      é testemunho, das ideias que o levaram a envolver-se com Charles Misner e outros colegas, num projeto de geometrização da física (‘Geometrodinâmica’) que se identifica com a perspectiva de Albert Einstein, e sua teoria da gravitação…a ‘Teoria da Relatividade Geral’.

Horror ao “colapso gravitacional”

John Wheeler é conhecido por ter sido o físico que definiu o termo ‘buraco negro‘ para denotar o estágio final de colapso de estrelas com massa superior a 3 ‘massas solares’, do qual nem mesmo a luz pode escapar. – Antes de Wheeler ter criado a designação dizia-se que o colapso gravitacional de uma estrela dava origem, ao que se denominava ‘estrelas congeladas (“frozen stars”) expressão especialmente popular, entre a comunidade dos físicos soviéticos, liderados por Yakov Zeldovich. – Inicialmente, Wheeler não acreditava na possibilidade do ‘colapso gravitacional’ de uma estrela originar tais estranhos objetos: estrelas mortas com densidade tão grande… – que em seu centro…o espaço se encurvava infinitamente. Como nessas ‘singularidades’ as leis físicas são violadas, nada se conserva.

Após o colapso…apesar de toda massa desaparecer na singularidade, tanto o campo gravitacional, quanto a curvatura do espaçotempo… permanecem atuando indefinidamente. – No caso mais simples de um buraco negro com simetria esférica, após o colapso, fica um campo gravítico estático e eterno.

A princípio, Wheeler resistiu a esta conclusão, apresentada em 1939, por J. R. Oppenheimer.  Aliás, a recusa de Wheeler em aceitar – nessa época, estas ideias… não é de surpreender…O próprio Einstein, nesse mesmo ano, escreveu um artigo tentando provar a ‘impossibilidade’ de uma estrela colapsar – ao ponto de atingir um raio igual ou inferior…ao dito… “raio de Schwarzschild (2Gm/c²)  que define a dimensão de um “buraco negro” de massa m. Mas, aí… por acaso — Einstein estava errado.

Mais tarde, em 1958…em uma conferência na Bélgica, Wheeler manteve forte discussão com Oppenheimer, por considerar que a ‘teoria do colapso’ não poderia estar certa, pois não dá uma resposta aceitável para o destino da matéria da estrela…Para ele, não era razoável que as leis da física conduzissem a uma singularidade, onde essas próprias leis eram violadas…Em suma, para Wheeler isso significaria que a aplicação da física levaria    à sua autodestruição. – Outros grandes físicos teóricos, como A. Eddington e L. Landau, usaram esse mesmo raciocínio, ao recusar a ideia de um colapso gravitacional completo.

O despertar relativístico

John Wheeler começou sua vida científica como físico nuclear… tendo estudado com Niels Bohr em Copenhagen, Dinamarca. Quando Bohr chegou aos Estados Unidos em 1939 e lhe confidenciou que cientistas alemães tinham obtido a cisão dos átomos de urânio…Wheeler se dispôs, imediatamente, a trabalhar no assunto com Bohr… e, dentro de poucas semanas tinham arquitetado um esboço da teoria de como funcionava a fissão nuclear… – Nos anos seguintes trabalharia na construção das 1ªs bombas atômicas…na equipe de Oppenheimer.

É é só em 1952 que Wheeler começa a se voltar para a teoria da gravitação de Einstein, não muito popular nessa altura – pois a grande maioria dos físicos estava empenhada nas aplicações da Mecânica Quântica… à Física Atômica e Molecular, à Física Nuclear, e às teorias Quânticas de Campo… – Recorde-se que a teoria da Eletrodinâmica Quântica, por exemplo…tinha sido desenvolvida, ao final dos anos 40… pelo físicos Sin-Itiro Tomonaga, Julian Schwinger, e Richard Feynman – sendo que este último…antigo aluno de Wheeler.

Einstein e Wheeler em Princeton - 1954

Einstein e Wheeler em Princeton – 1954

Ao promover o estudo da ‘Relatividade Geral’, criada por Einstein em 1915, Wheeler terá um papel fundamental nos anos 60… — em pleno ressurgimento da teoria. Ainda nesse período, Dennis Sciama – Universidade de Cambridge, Hermann Bondi – em Londres… e Borisovich Zeeldovich – Moscou, também contribuiriam bastante para este propósito… Naturalmente,  que tal renascimento se inspirou em grandes incrementos teóricos…iniciados nos anos 60, acompanhados de observações astronômicas.

OExperimento Pound-Rebka” publicado em março de 1960… na “Physical Review Letters”,  como “O Peso Aparente dos Fótons”, por exemplo, descreve a 1ª medida laboratorial bem sucedida da mudança frequencial da luz – por influência do campo gravitacional da Terra.  Alguns meses mais tarde, no número de Junho/1960 da revista “Annals of Physics“, surge um artigo assinado pelo físico-matemático inglês Roger Penroseintitulado Tratamento Spinorial da Relatividade Geral”. – Embora se tratasse de um artigo com um formalismo matemático pesado, delineava uma ‘técnica de cálculo’ elegantíssima para resolver alguns problemas de “relatividade geral”… Este foi um dos primeiros passos no sentido de tornar mais simples…e compreensíveis – muitos dos morosos e complexos cálculos relativísticos.

‘Quasares’… abrindo horizontes

Ainda em 1960…têm início as observações levadas a cabo pelos astrônomos Thomas Mathews e Allan Sandage, com o telescópio de 200 polegadas do Monte Palomar, da    fonte de rádio 3C48…Estavam interessados em estudar sua radiação visível emitida,      e…com tal propósito, tiraram uma ‘chapa fotográfica’ da zona do céu no seu entorno.  Esperavam encontrar um ‘enxame de galáxias’… com a localização da fonte de rádio,      mas não foi isso que observaram… – A análise da chapa parecia indicar que o objeto      afinal tinha dimensões de uma estrela, mas não era uma estrela vulgar…pelo menos,    nada comparável a qualquer outra conhecida…Seu espectro tinha cores anormais, e apresentava grandes e rápidas variações de brilho. Era portanto, uma fonte de rádio        que parecia do tipo “estelar” (apesar das estrelas normais não serem fontes intensas          de rádio); mas que pelo tipo e variabilidade do seu espectro não parecia uma estrela.    Daí…que fosse designada fonte de rádio “quase estelar” … ou, quasar (abreviando).

A descoberta dos quasares catapultou a relatividade geral imediatamente para a fronteira da astronomia… — Sendo que,  a seguir… foram — encontrados objetos semelhantes, como o 3C273…Em 1963, Martin Schmidt do Observatório Monte Wilson descobriu que riscas de emissão espectrais do ‘3C273’ apresentavam um “deslocamento” de 16%, no sentido dos maiores comprimentos de onda

Posteriormente…para o 3C48, mediu-se um “deslocamento para vermelho” ainda maior, da ordem de 30%. Com efeito…os grandes deslocamentos para o vermelho dos espectros dos quasares, mostram que eles se afastam de nós com grandes velocidades; cerca de 30% da velocidade da luz – no caso do 3C48… – o que corresponde uma distância da ordem de 6 bilhões de anos-luz.

Estando os quasares tão distantes, seria de se esperar que fossem objetos com fraco brilho. Mas – pelo contrário – os quasares são objetos extremamente brilhantes – tanto na parte visível…como na de ondas de rádio do espectro. – Portanto, a sua luminosidade intrínseca deve ser enorme… O 3C48 é cerca de 100 vezes mais luminoso que a nossa galáxia. Qual a origem de uma fonte tão poderosa? Como se explicam suas rápidas variações de brilho?

À escala cósmica, a gravidade é a interação dominante, por isso é provável                      que a resposta esteja na existência de “campos gravitacionais” gigantescos,                      com concentrações da ordem de 100 milhões de massas solares confinadas                          a uma região de talvez 1 hora-luz (cerca do diâmetro da órbita de Júpiter).

‘Estrelas de neutrons’e, enfim… ‘buracos negros’

A descoberta dos quasares deu origem à criação de uma nova área da física. Em Dezembro de 1963 – em Dallas / EUA… teve lugar o 1º simpósio sobre esta nova disciplina designada Astrofísica Relativística…Para esta conferência foram convidados astrônomos, físicos e matemáticos, de modo a proporcionar um debate amplo, capaz de reunir as experiências e conhecimentos diversificados destas 3 áreas do saber. (Um dos temas aí discutidos, foi a chamada ‘solução de Kerr‘… que hoje sabemos descrever um buraco negro em rotação.)

No entanto, a comunidade científica só veio a aceitar a ideia de ‘buraco negro‘ associado ao “colapso gravitacional”…depois de uma outra descoberta…No final de 1967, os astrônomos Jocelyn Bell, e Anthony Hewish descobriram um novo tipo de estrela — a qual chamariam pulsar, pela emissão regular de impulsos de ondas…em “radiofrequência“… – Se trata de  estrelas muito compactas — cujos diâmetros se limitam a poucas dezenas de quilômetros, com uma rotação característica em torno de seu eixo de muitas vezes por segundo. – Sua compactação é tão grande…que destrói seus próprios átomos…os reduzindo afinal, a um ‘ultra-viscoso’… – “plasma de neutrons“.

Estrelas de neutrons” parecem estar na iminência de uma catástrofe espetacular… A gravidade à sua superfície é tão grande… — que se tal estrela acumular mais de 3 massas solares, será incapaz de encontrar uma estrutura de equilíbrio…colapsando numa fração de segundo…A explicação para este intrigante fenômeno reside na violenta curvatura do espaço…que traduz a crescente intensidade da gravidade – numa estrela em colapso… À medida que o raio da estrela se reduz, imediatamente a curvatura do espaço à superfície      da estrela se torna suficientemente forte para encurvar os raios luminosos … retendo-os em torno da estrela. Quando nem a própria luz consegue escapar desse campo gravítico, ela se transforma num verdadeiro… – “buraco negro… – vagandosolto” no espaço. 

j.wheeler

‘Gran Finale’

Interessante constatar que é precisamente em 1967… que Wheeler assume definitivamente o conceito de buraco negro, com tudo o que isso implica…Embora pelo menos desde 1965, que já trabalhava nas consequências do “colapso gravitacional“, nos trabalhos desenvolvidos com Kip Thorne, B. Harrison… e, M. Wakano.

Terminamos esta homenagem à memória deste grande físico…lembrando do livro, considerado por muitos… – como a ‘Bíblia’ dos relativistas…

Gravitation”,  escrito em colaboração com 2 dos seus antigos alunos… Charles Misner, e Kip Thorne… em 1973, é sem dúvida um dos livros de maior influência na formação dos relativistas nos últimos 35 anos… — e,  “A Journey into Gravity and Spacetime”  de 1990, o grande livro didático, que o grande público da língua portuguesa ainda aguarda (urgentemente) uma boa tradução. ## Paulo Crawford ## (‘texto base’ – Abril/2008).

fontes p/consulta:  ‘O eclipse que confirmou Einstein’ ‘Wheeler e a física no Brasil’  **********************************************************************************    O espírito inquieto de John Wheeler se credita a uma profunda reflexão sobre o papel do observador na mecânica quântica – incluindo aí, a ideia de uma “criação coevolutiva” do universo e da consciência…(às vezes encontrada em suas referências aos escritos da filosofia hindu); e também na (premonitória) especulação filosófica de situar na ‘teoria da informação‘ as raízes das leis físico (quânticas)…Mesmo atormentado pelo desafio     da mente em compreender toda complexidade do universo – crê na capacidade humana para descobrir seus segredos, de um modo participativo… pela informação.  (j. wheeler)  *****************************(texto complementar)********************************

Na boca de um “buraco negro”

Telescópios terrestres e espaciais têm confirmado a existência de “buracos negros“. Os mecanismos pelos quais estes ‘objetos‘ absorvem tudo aquilo que passa perto…tornaram-se menos misteriosos… a partir de um trabalho realizado no “Instituto de Física“…da ‘Universidade Federal do Rio Grande   do Sul’ (UFRGS). A coordenadora do estudo… – Thaisa Storchi-Bergmann assim comentou:

”Estamos testemunhando um buraco negro do centro de                                     uma galáxia (NGC 1097) devorar matéria ao seu redor”.

A equipe de Thaisa reconstituiu o que se passa no centro da galáxia espiral NGC 1097, a 60 milhões de anos-luz da Terra. E confirmou… existe lá um buraco negro supermassivo, com massa equivalente a pelo menos 1 milhão de sóis – formado, provavelmente… pelo colapso de nuvens de gás, ou de aglomerados estelares, com milhões de estrelas. Já que um buraco negro não pode ser detetado diretamente (apenas por efeitos sobre objetos próximos)…foi centrado o foco na luz emitida pelo…”disco de acreção“… nuvem achatada em forma de espesso anel de plasma (prótons/elétrons) e hidrogênio, que gira ao redor do BN…A partir das informações colhidas… – a equipe visualizou os processos de nascimento… evolução e morte do disco de gás…o qual ocupa uma área equivalente ao dobro da órbita da Terra em torno do Sol, com diâmetro próximo a 300 milhões de kms. Cálculos iniciais, indicam que a cada segundo o BN traga cerca de 100 quatrilhões de toneladas de gás do disco por dia…ou 2 Terras.

Ao que tudo indica, o disco de gás surgiu quando uma ‘estrela’ chegou muito perto do buraco negro…e foi capturada por ele. A estrela, a seguir, foi desmanchada pela ação da “força de maré” do buraco negro.  Essa força age com intensidade diferente nas várias partes de um corpo… atraindo o lado próximo – com maior intensidade do que — todo o conteúdo mais distante.

Desmanchada a estrela — restou uma nuvem de gás… que formou um disco        de acreção…ao redor do buraco negro.

Em 1991, quando começou a investigar a emissão de luz do núcleo dessa galáxia… Thaisa encontrou o quadro típico de uma captura de estrela relativamente recente. Ela observou   a emissão da região externa do disco formado a partir da estrela capturada na linha Hα –   a linha de emissão de energia mais intensa do átomo de hidrogênio… – e constatou que o gás girava a 10 mil quilômetros por segundo (km/s). Então, concluiu…essa velocidade do gás só poderia ocorrer em um disco em torno a um buraco negro que tivesse a massa de 1 milhão de sóis… – Nascia assim…a hipótese que seria confirmada nos dez anos seguintes.

Thaisa mostrou que ocorre um aquecimento das regiões centrais do disco, que começam a emitir radiação de alta energia – como raios X, num processo que dura pelo menos alguns séculos. A parte interna do disco é mais quente que as periféricas devido à fricção entre as partículas atômicas … a temperatura interna pode chegar a milhões de graus Celsius (ºC), enquanto na periferia, de onde saem emissões de luz na linha Hα, é de cerca de 10 mil ºC.

O interior do disco se expande devido à alta temperatura…e cria uma estrutura toroidal, em forma de rosca … em volta do horizonte de eventos… – superfície imaginária … que define a fronteira além da qual – nem a luz escapa. Essa estrutura emite fótons que, ao bater nas partes externas do disco, excitam o hidrogênio e produzem a emissão do tipo H-alfa, acompanhada desde 1991.

“O futuro da matéria do disco é espiralar até ultrapassar o horizonte de eventos, e cair no buraco negro” — revelou Thaisa.

A matéria do disco…formada basicamente de prótons e elétrons – na parte interna, e átomos de hidrogênio na parte externa, se divide ao chegar a esse limite… metade engolida pelo buraco negro, e metade expelida da parte interna sob a forma de jatos…cuja emissão é capturada em “ondas de rádio”. Assim,  o disco se desfaz lentamente… – até sumir… num tempo estimado para mais de mil anos.

Esse fenômeno ocorre na galáxia, em média, a cada 10 mil anos;                  sendo esta a primeira vez que presenciamos…tão nitidamente, a                    captura de matéria… dentro da “região central” de uma galáxia. 

A conversão de matéria em energia…por meio da absorção por um buraco negro…tem uma eficiência muito maior do que as reações nucleares nas estrelas… – 10% da massa engolida é convertida em energia – enquanto em reações nucleares, o limite é 0,7%. Essa conversão pode explicar a grande emissão de energia em núcleos galáticos ativos…como a NGC 1097.  Mas esse não é o fim da história…À medida que o buraco negro se alimenta de mais e mais matéria, amplia-se o horizonte de eventos, cujo raio mede hoje, cerca de 3 milhões de kms, ou 2 centésimos da distância entre Terra e Sol. Nesse espaço há uma massa equivalente a 1 milhão de sóis, que Thaisa havia calculado em 1997. Capturando estrelas individuais, o BN poderia até mesmo dobrar de tamanho…mas muito lentamente – daqui a 1 bilhão de anos.

A definição do processo de emissão de luz do disco da NGC 1097 foi o “sucesso” da equipe. Eles converteram o comprimento de onda da luz em velocidade do gás — construindo um gráfico com uma linha de 2 picos –- um para a velocidade máxima de aproximação da luz em relação à Terra, outro para a máxima de afastamento. Tecnicamente é o perfil de pico duplo da linha de emissão H-alfa, também chamado de “assinatura cinemática” do disco, demonstra a existência do “disco de acreção“… — e das transformações por que passa.

Thaisa consegue ver a emissão de ‘H-alfa’ que chega da parte mais externa e fria do disco…Ao longo dos anos, entretanto, ela percebeu a emissão migrar…para regiões girando a velocidades cada vez maiores…

Como o disco apresenta um movimento kepleriano (assim como os planetas), as regiões mais internas e próximas do BN central movem-se em velocidade maior que a das bordas.

O deslocamento do foco de emissão de luz ocorre porque…perdendo energia, a parte interna esfria…de modo que a radiação já não é tão intensa e atinge distâncias cada vez menores.

Em 1991, a luz emitida pelas partes mais externas do disco tinha uma velocidade de 3 mil km/s… – só um centésimo da velocidade da luz. – Já no início deste ano, como a fonte de fótons foi ficando mais fraca, e atingiu menores distâncias no disco…foi possível registrar   a luz que vinha de partes mais internas…com velocidade de 6 mil km/s. Estima-se que na borda interna do disco emissor de Hα… a velocidade das partículas chegue a 15 mil km/s, enquanto à beira do buraco negro as partículas girem a 300 mil km/s (velocidade da luz).

O fato de termos encontrado velocidades tão altas – é sinal da presença de uma estrutura supermassiva no centro da galáxia. As velocidades máximas registradas para os discos de gás em rotação no centro de galáxias sem buracos negros, são de apenas 250 a 300 km/s. Velocidades de rotação da ordem das detetadas, de milhares de quilômetros por segundo, só podem ser produzidas pela interação com milhões… — ou bilhões … de massas solares concentradas em um lugar muito pequeno…ou seja, um buraco negro supermassivo.

Com 1 milhão de massas solares, o buraco negro da NGC 1097 impressiona, mas não é dos maiores já encontrados…Físicos que trabalham com o ‘Chandra‘…telescópio de raios X da NASA relataram a descoberta de uma estrutura bem mais massiva…um buraco negro com cerca de 10 bilhões de massas solares no centro de quasares (‘galáxias em formação’) mais distantes já encontrados… a 13 bilhões de anos-luz da Terra.

Acredita-se que ‘buracos negros’ tenham se formado junto com suas próprias galáxias, pois a massa estimada para eles – pelas observações do ‘Hubble’ … é proporcional aos ‘bojos’ (‘região esférica central’) de suas galáxias. Contudo, ainda não existem indícios      de um ‘disco de acreção’ no centro da Via-Láctea. Talvez não exista matéria suficiente sendo lá engolida pelo BN para formar um disco. Mas o quadro pode mudar…se uma estrela for capturada – e então ocorreria algo semelhante ao que se assiste hoje… em uma galáxia tão distante como a NGC 1097.  ****** (texto base) ****** (MAIO 2002)

turbilhão

Por dentro do Turbilhão (Paul Halpern)

A teoria da relatividade geral de Einstein previu “buracos negros (termo designado pelo físico John Wheeler na década de 60) como corpos tão densos, que causariam uma enorme deformação no ‘espaçotempo‘ à sua volta… criando um ‘poço gravitacional’ tão profundo, que qualquer objeto que nele caísse se pulverizaria no esquecimento.  Fugir de um “BN” só seria possível estando fora do domínio de seu… – ‘horizonte de eventos‘.

Para os que nele penetrassem, espaço e tempo deixariam de existir, dando lugar a um ‘beco sem saída’ matemático… denominado “singularidade“.

Ao descrever a exótica natureza desses corpos celestes… – Wheeler identificou 3 atributos fundamentais…massa, carga, e momento angular. Mas…em termos termodinâmicos, uma questão se sobressaía. Embora ninguém possa afirmar, com absoluta certeza… que o universo seja um “sistema fechado” razoavelmente de acordo com a 2ª lei termodinâmica, pode-se esperar que sua quantidade total de desordem (entropia) não diminua… Todavia, segundo Wheeler…seria possível enganar esta 2 lei – canalizando o material desordenado para dentro de um “buraco negro”… Estes, assim… inverteriam o sentido termodinâmico, diminuindo a entropia total do universo.

A propósito – em 1972, o físico Jacob Bekenstein, em vez de contornar a termodinâmica, resolveu estendê-la – igualando a entropia de um BN à área de seu horizonte de eventos. Dessa maneira… — a soma total da entropia da matéria com a do BN…nunca diminuiria; preservando portanto a 2ª lei termodinâmica. Desse modo, Bekenstein demonstrou que    a área do buraco negro serve como limite superior da maior quantidade de ‘informação’ que este pode armazenar… – a qual é inacessível – a tudo o que está do seu lado de fora.

Podemos então, pensar na informação como uma forma de codificar todos estados de todas partículas e forças, num conjunto mínimo de valores, que possa descrever as propriedades de todas partículas sub-atômicas, dentro de um objeto; inclusive o modo como estas interagem umas com as outras.

À medida que o BN engole matéria, suas informações tornam-se indisponíveis, e sua área se expande… Desse modo… a acumulação e destruição da informação no BN se manifesta como seu crescimento. – Por outro lado, ao aplicar mecânica quântica, Hawking deu uma nova solução a este problema (a famosa “radiação de Hawking”). – Por ela, o BN perderia massa gradualmente no processo de ‘tunelamento quântico’ das partículas/antipartículas virtuais do ‘vácuo quântico’.

O ‘princípio holográfico’ supõe que os exteriores das regiões espaciais de um ‘BN‘, ou   do universo como um todo…incorporam a ‘informação‘ contida em seus interiores – ao codificá-la sobre sua ‘superfície espacial‘ (para os BNs…seuhorizonte de eventos‘). O conteúdo máximo de informação do BN portanto, é proporcional à sua área de superfície,   e não ao seu volume. Este princípio aplicado à cosmologia, sugere que todas informações sobre o universo estão contidas no seu ‘horizonte observável… Como – por definição… é impossível ver mais longe que o observável, em certo sentido o espaço além do horizonte cosmológico…é como o interior de um ‘buraco negro’. (do livro “Fronteiras do Universo”)  ***********************************************************************************

Como pesar buracos negros (jul/2008)

Certamente não dá para usar ‘balança’, mas uma nova resposta foi dada… por um grupo de pesquisadores, através de dados obtidos pelo observatório de raio X Chandra, NASA. Medindo acréscimos de temperatura do gás no centro da galáxia elíptica NGC 4649 os cientistas puderam calcular a ‘massa‘… do BN supermassivo…O método pela 1ª vez utilizado…produziu resultados consistentes,  à prova rigorosa – das técnicas tradicionais.

O novo método se utiliza da influência gravitacional que o superBN exerce sobre o gás no centro da galáxia… – À medida que o gás quente se desloca lentamente, em direção ao BN, torna-se mais comprimido, e ainda mais quente. O resultado… é um pico na temperatura, detetado pelo Chandra… — Quanto mais massivo o “buraco negro”… — maior é o “pico“.

Há tempos os astrônomos têm buscado novas formas de medir com precisão os buracos negros supermassivos, cujas massas são milhões de vezes a do Sol. – Até agora têm sido usados métodos baseados nas observações dos movimentos de estrelas…ou de gases em discos próximos a tais formações. – A NGC 4649 é uma das únicas galáxias, que teve a massa de seu buraco negro supermassivo medida por dois métodos diferentes. Segundo    a pesquisa, a ‘formação galática’ tem cerca de 3,4 bilhões de vezes a massa do Sol…e mil vezes a massa do buraco negro central da Via Láctea. ## (texto base## (p/consultar)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em cosmologia, física e marcado , . Guardar link permanente.

Uma resposta para John Wheeler, o guru dos Físicos Relativistas

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