Saga Lunar (plano de voo)

“É pelo elemento puro do passado – como passado a priori – que tal antigo presente é reprodutível, e que o atual presente se reflete.” (Gilles Deleuze, ‘Diferença e Repetição’)

… da esquerda para a direita Willy Ley – escritor de assuntos científicos; Dr. Fred L. Whipple – chefe do Departamento de Astronomia da Universidade de Harvard; Dr. Wernher Von Braun – o mais renomado perito em foguetes; Chesley Bonestell – o mais famoso desenhista técnico de assuntos interplanetários; Rolf Klep – ilustrador; Fred Freeman – desenhista; e Cornelius Ryan – escritor científico.

da esquerda para a direita Willy Ley – escritor de assuntos científicos; Dr. Fred Whipple – chefe do Depto. de Astronomia da Universidade de Harvard;   Dr. Wernher Von Braun – o renomado perito em foguetes;  Chesley Bonestell – famoso desenhista técnico de assuntos interplanetários;  Rolf Klep – ilustrador;  Fred Freeman – desenhista;  e Cornelius Ryan – escritor científico (Exclusividade p/ ‘O CRUZEIRO’ em todo Brasil…1º de agosto de 1953).

planejamento                                                                                                                               Estaremos viajando para a Lua nos próximos 25 anos. Já possuímos conhecimentos e meios de fazê-lo; mas primeiro serão necessários anos de preparação e planejamento minucioso… – “Tudo o que nós podemos fazer agora… – é darmos início ao projeto”…

Está dado o 1º passo – geniais cientistas aperfeiçoaram foguetes que têm sido lançados através da atmosfera aos mais distantes espaços siderais, onde só existe vácuo… Todos, agora sabemos que precisamos de foguetes mais possantes – mas, ao mesmo tempo, já temos ciência teoricamente de como fazer para construí-los. – Nossa viagem à Lua não será um simples voo sem escala… – Para isso…precisaríamos de uma aeronave foguete muito grande, e caro. Em face de tal óbice, construiremos um aeroporto no espaço… E, nessa estação flutuante faremos uma baldeação, deixando para trás a aeronave do tipo fabricado especialmente para romper a força de gravidade da Terra – e, reencetando a viagem em outra… – construída especificamente para descer na Lua.

Haverá ainda outras vantagens na jornada em 2 etapas  —  entre elas, a velocidade inicial de 26.000 km por hora a partir do aeroporto suspenso.

estação espacial (Von Braun)

“estação flutuante” (Von Braun)

Eis como será… Dentro de 10 a 15 anos, esperamos que esteja sendo logo construído um ‘espaçoporto‘ permanente a 1.700 km de altura, seguindo uma órbita – que o faça efetuar uma ‘revolução completa’ em torno da Terra a cada 2 horas.  Naturalmente, a ‘estação espacial’  virá a ser construída de materiais transportados em ‘superfoguetes’ de 3 estágios – porque possuirão, separadas…3 baterias de motores a serem usadas…uma de cada vez  sendo a seguir… soltas no espaço.  A uma velocidade da 26.000 km/ hora, e a 1.700 km de altura, tais foguetes…se transformarão… em satélites da Terra…indiferentes à gravidade… e, flutuando, cruzarão o espaço… – por tanto tempo, quanto os deixarmos ali.  A carga fará o mesmo – já que viaja à mesma velocidade. Assim, apenas descarregaremos no espaço os suprimentos, e os deixaremos amontoados até quando tivermos necessidade de lançar mão deles. Juntando as partes pré-fabricadas, construiremos então, a estrutura em forma de roda, com 80 metros de diâmetro – dotada de câmaras de pressão para base de operações de uma tripulação com 80 pessoas.

O poder de esquadrinhar as mais distantes partes da Terra deverá             fazer deste satélite uma das mais notáveis forças … em prol da paz.

Pelo que se supõe… só os EUA estão em condições de financiar a construção desse “aeroporto flutuante”, orçado por alto em 4 bilhões de dólares. Em 1948 o falecido Secretário da Defesa dos EUA…James Forrestal, revelava que já haviam começado             os preparativos do extraordinário plano… – É de se crer não ter sido posto de lado,        pois além de servir como “guardião da paz“, vigilante em seu itinerário, o ‘satélite artificial’ fornecerá o trampolim…para a mais histórica das façanhas cientificas…a    viagem à Lua… – com a qual o Homem… – tem sonhado… – há séculos…e séculos.

Calcula-se que o “espaçoporto” esteja pronto em 1967. E assim…já se pode prever            que pelas alturas de 1977 o 1º homem da Terra porá os pés na velha poeira lunar.

VonBraunsketch1

preparativos

A expedição pioneira, composta de 50 cientistas partirá da “estação flutuante”…em 3 foguetes de estranho formato… – mas, altamente eficientes.  Como toda a 2ª etapa do voo, seguirá através do espaço… – que não possui “ar” – para impedir a deslocação; os 3 aparelhos não têm necessidade de seguir modelo aerodinâmico… Dois deles, do tipo carga, viajarão com reserva de combustível bastante para um voo ida-e-volta de 5 dias, com percurso de cerca de 768 mil km. O 3º aparelho, que não retornará… transportará o combustível suficiente apenas à viagem de ida, completando-se a capacidade de transporte — com o material necessário…a uma estada de 6 semanas na Lua.

33 minutos após a partida da estação flutuante… os 3 foguetes deverão alcançar uma velocidade de 30.000 km horários… E então os motores serão desligados, quando os aparelhos simplesmente cairão em direção à Lua. Não se pense que tamanha viagem poderá ser feita sem cuidadoso planejamento. – A princípio é preciso escolher a rota conveniente, orientar os aparelhos, e saber onde pousar. Mas a ciência garante…que            o mirabolante projeto estará em execução dentro de 25 anos. Pois não há problemas,      em tal viagem… aos quais os cientistas não possam procurar por respostas…desde já.

nave-lunar

onde pousar na Lua?

Depois de minucioso exame das condições topográficas … a escolha do local de pouso será feita. – Para isso, haverá um, ou mais vôos de reconhecimento… – Um ‘pequeno foguete’, circulando da estação flutuante à Lua – sobrevoará nosso satélite – e a uma altura de 80 km, colherá fotos de crateras de meteoros da sua superfície esburacada.  Nesse voo preliminar será efetuado…pela 1ª vez…o reconhecimento da “face oculta” da Lua…jamais visível daqui. Este estudo detalhado fixará o melhor ‘local de pouso’.

Nossa escolha ficará limitada a diversas exigências técnicas…Possuindo a Lua cerca de 23 milhões de quilômetros quadrados — ou, aproximadamente… 1/13 da superfície da Terra, será possível explorar apenas pequenas áreas em separado – e… quando muito — uma só região com 800 km de diâmetro. Não podemos pousar em regiões equatoriais; porque lá,  a temperatura ao meio-dia supera o ponto de ebulição da água (100ºC)…nem em regiões montanhosas, pelo fato de necessitarmos estabelecer uma base para manter contato pelo rádio com a Terra. Contudo…também não podemos pousar no descampado, pois a Lua é constantemente bombardeada por nuvens de micro-meteoritos…a velocidade espantosa. 

Sinus RorisE…existe um trecho da superfície da Lua que – de fato, parece ser um abrigo perfeito, satisfazendo todas essas exigências…e – a não ser que um ‘voo rasante‘ indique outro ponto ainda melhor, será onde pousaremos. – E’ uma área chamada “Sinus Roris” (‘Baía do Orvalho’)        prolongamento ao norte do “Oceanus Procellarum” (‘Oceano da Tormenta’), já que os antigos astrônomos pensavam as grandes planícies como oceanos lunares).  Diz o Dr. Fred Whipple, catedrático de Astronomia da Universidade de Harvard que Sinus Roris é ideal para local de pouso, por se situar a 800 kms do Pólo Norte lunar, com temperatura diurna de cerca de 40 ºC… num terreno razoavelmente plano,        para um pouso tranquilo, e suficientemente irregular para proteção contra meteoritos.

plano de voo (em detalhes)                                                                                                          “A 1ª exploração da Lua se limitará a 6 semanas…tempo suficiente às pesquisas necessárias… e não muito longo… – que exigisse excessivo suprimento a bordo”.

Localizado o ‘campo de pouso’…cuidemos de outros aspectos do plano…Para economizar combustível…e tempo, escolheremos a rota mais prática – e portanto mais curta… A Lua evolui em torno da Terra em uma órbita elíptica de 27 dias e 1/3. – A “estação flutuante”, ponto de partida da expedição n.° l… circula a Terra cada 2 horas. Assim, a evolução dos 2 satélites (natural e artificial) será de tal ordem — que um foguete partindo da “estação flutuante” interceptará a Lua em 5 dias. 

vonbraunmoonshipSeis meses antes, suprimentos, equipamentos e material de construção – se armazenarão na “estação espacial” … em uma operação que irá mobilizar poderosos foguetes de carga… vasto contingente de trabalhadores…e, uma enorme quantidade de material… — Duas vezes ao dia, foguetes voarão da Terra à “estação flutuante”, transportando todo o material — inclusive as peças dos 3 veículos que partirão rumo a Lua.

Os suprimentos e partes pré-fabricadas não serão armazenados na estação. – Flutuarão no espaço… Nem precisarão ser colocados em lugar seguro…E, por quê?… Ora, o satélite artificial evolui em torno da Terra numa velocidade de 25.000 km horários, deixando de ser afetado pela força de gravidade… Não cairá nem diminuirá o impulso… pois não terá resistência do ar… E o mesmo se aplica a qualquer objeto localizado dentro da órbita… à mesma velocidade – para estacionar o foguete, apenas ajustará sua velocidade a 25.000 km horários. – Assim, grandes volumes de equipamentos e material viajando na mesma velocidade em relação à Terra, em consequência se tornarão também satélites sem peso.

Com o passar das semanas, o desembarque da carga continuará – e, a área de construção ficará tomada em vasta extensão. Toneladas de equipamento jazem no espaço — vigas de alumínio, tanques vazios, motores, bombas, peças… acessórios… – Um cenário de deixar qualquer um maluco. Mas, não para os construtores da expedição lunar…Todas as peças pré-fabricadas obedecerão a um certo código… – e o trabalho se processará com rapidez.

trajespacialnovas técnicas & tecnologias

Na verdade, os técnicos realizarão maravilhas, tendo-se em conta os obstáculos com que irão se deparar – no trabalho com peças difíceis de se manejar no espaço…  Homens mover-se-ão desajeitadamente…embaraçados pela pressão do pesado equipamento…para vida no espaço, como protetores, tanques de oxigênio…motor  a propulsão portátil, e aparelho comunicador.

Será uma tarefa laboriosa… pois, apesar dos objetos                                   serem sem peso – no entanto… – possuem…inércia.

Um trabalhador que empurrar uma viga de uma tonelada, a deslocará… ao mesmo tempo, em que se deslocará também. E, sendo sua inércia menor que a da viga, será lançado para trás, à uma distância maior do que a peça de metal que havia sido empurrada para frente.  Motores portáteis auxiliarão a deslocar as peças. E, para outras tarefas serão empregados ‘táxis espaciais’ nas viagens entorno da ‘estação’…No momento em que os foguetes forem tomando forma…montar-se-ão as esferas de náilon-plástico. – São cabines de navegação. Cheias de ar, tornar-se-ão esféricas, com ‘cúpulas’ (para melhor observação das estrelas). Combustíveis propulsores serão bombeados para dentro de outros invólucros cilíndricos.

foguete lunarSem dúvida…o foguete lunar será um veículo de aparência esquisitíssima, caso comparado com o modelo aerodinâmico dos aviões a jato, ou asas voadoras dos dias atuais ou do futuro. Mas terá eficiência, e alcançará a Lua em 120 horas… — com toda a ‘tranquilidade possível’.

Cada foguete terá 50 metros de altura, por 35 de largura, pesando cerca de 4.370 toneladas, dispondo de uma bateria com 30 motores…E, cada aparelho terá no topo — uma esfera que abrigará… – em 4 andares…toda a tripulação.

Sob a esfera existem dois braços .mecânicos que permitirão uma rotação de 360 graus. Essas duas balizas, que recuam durante a decolagem e aterragem para evitar qualquer acidente, sustentam 2 peças importantes…uma antena de rádio para comunicação em ondas curtas, e ‘espelho solar’ para gerar eletricidade…800 mil galões de hidrazina de amônia (‘combustível’)…e ácido nítrico rico de oxigênio (‘agente de combustão’) serão distribuídos em 18 tanques. – Todas as partes vitais do aparelho terão uma cobertura contra meteoros…E, como proteção ao excessivo calor, todas partes serão pintadas de branco – para melhor refletir a radiação solar.

Dentro da “esfera de passageiros”…o ambiente                                                      é limitado, no entanto, com suficiente conforto.

Cada veículo terá lotação para 20 pessoas (tripulação e cientistas) na viagem de ida, e 25 na volta – já que 10 homens do transporte de carga (que ficará na Lua) terão de retornar nos 2 outros foguetes, cada qual com reserva bastante de oxigênio, água, e mantimentos.

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No último andar da esfera fica o “centro de controle”. – De lá  administram-se ‘suprimentos’ do tipo oxigênio, combustível, além de parâmetros próprios, como temperatura, pressão… Um ‘sistema de comunicação’ mantém contato permanente entre as naves espaciais…e, a ‘estação flutuante’. No painel instrumental se acha o piloto automático, e ‘computadores    de bordo’ — que orientarão o pouso na Lua. – Mais abaixo, fica a ‘sala de navegação’…de onde se “monitora” todo voo.

No banheiro sui generis – o banho com esponja, substituirá chuveiro. No andar central,      o alojamento, onde camas do tipo abre e fecha descansarão os tripulantes da expedição, devidamente amarrados para não flutuar. No compartimento amplo – a maior parte de seu espaço será tomado por uma cozinha especial, com fogão de microondas, de onde a alimentação será servida em pacotes individuais…Na base da esfera se localiza o painel elétrico, e a “casa de máquinas”…com tanques de água, oxigênio, bombas, etc., além de baterias elétricas, motores do sistema de ar condicionado, limpeza e reciclagem d’água.

Essa esfera — não só funcionará como alojamento para os cientistas e técnicos durante os 5 dias da viagem, como também por algum tempo         a mais, até ser construída a 1ª base para exploração científica da Lua.

navesemconstruçãoa partida…da “Estação Flutuante”

A viagem à Lua terá de ser dividida em 2 etapas…Dentro de 25 anos, uma ‘estação flutuante’…a 1.700 km de altura – estará construída…A imagem desse “aeroporto suspenso”, em formato circular, com 80 ms de diâmetro, pode ser vista no canto esquerdo superior…Junto dele, foguetes de transporte desembarcam… a carga, e tripulação. Ao redor da estação espacial  flutuam estacionados os 3 foguetes, que deverão constituir a 1ª  expedição à Lua.  Observam-se os últimos acertos…para a viagem de 384 mil km… a ser feita em 5 dias…à velocidade de 28.000 kms/hora.

Adaptação do texto de Fred Whipple e Wernher von Braun – Ilustrações de CHESLEY BONESTELL, ROLF KLEP e FRED FREEMAN — Fotos “Observatório Monte Wilson”

p/consulta: ‘A visão de Wernher Von Braun ‘ – blogville  ‘Dreams of space’ (blogspot)  *****************************(textos complementares)*****************************

Mineração de hélio-3 na Lua poderá gerar energia para mil anos (jan/2004)

O recente anúncio do projeto espacial dos EUA, em instalar uma ‘base lunar permanente’ … fez com que cientistas começassem a cogitar sobre as atuais possibilidades que a ‘conquista lunar’ poderá trazer à humanidade. Dessas,      a exploração da energia do ‘hélio-3′, abundante em ‘solo lunar’… mas não disponível naturalmente na Terra…é    uma das mais promissoras…E, desse modo, espera-se também o interesse        redobrado na pesquisa em construir seguros reatores de fusão nuclear.

Como ainda não temos a tecnologia necessária para a extração energétia do hélio-3, este procedimento seria um incentivo ao desenvolvimento da fusão nuclear como alternativa às usinas nucleares atuais que utilizam a fissão nuclear dos átomos de urânio. Com base    na análise das rochas trazidas da Lua pela “missão Apolo“, calcula-se que a Lua tenha uma jazida de 1 milhão de toneladas de hélio-3… — O processo de mineração consistiria    no aquecimento do solo lunara cerca de 700º C. – Nessa temperatura o hélio-3 escapa das rochas lunares…podendo então – ser apropriadamente coletado. (texto base**********************************************************************************

Radiotelescópio lunar?!…

Usando radiotelescópios … ao redor do mundo, cientistas do SETI, seduzidos pela busca de sinais de outras civilizações … estão captando — um número cada vez maior de padrões em sinais transmitidos indicando ‘fontes inteligentes artificiais’.  Mas… não são extraterrestres.  A crescente “parafernália” de “telecomunicações terrestres”, com seus ‘zilhões’ de sinais de TV…rádio…’telefonia celular‘, transmissão via satélite, rede de computadores sem fio, conectividade global… e o “diabo a quatro“… está tornando um inferno a vida de quem quer estudar…”ondas de rádio”…vindas do espaço … enviadas por alienígenas…ou não… E os pesquisadores sabem que se as coisas continuarem desse jeito, terão de tomar uma atitude radical… – se mudar para a Lua. – E, com efeito…desde 2001, o grupo do astrônomo Claudio Maccone (‘International Academy of Astronautics‘) estuda a viabilidade da instalação de um observatório radioastronômico na Lua. O motivo é que, além dela estar a apenas 1 segundo-luz de nós; apesar disso, e para a nossa sorte, metade de sua superfície sempre esteve (e estará…) livre da ‘poluição eletromagnética’ terráquea.

Daedalus

Por efeito da atração mútua Terra & Lua ao longo de…bilhões de anos – a rotação lunar acabou sendo gravitacionalmente travada… sincronizada de forma, que o mesmo lado de sua superfície – sempre estivesse voltado para nós. — Ou seja, a Lua gasta cerca de 28 dias para girar ao redor da Terra, e gasta o mesmo tempo, para girar em torno de si mesma. Não é    à toa…que daqui…sempre a vemos com    a mesma aparência… Caprichosamente, ela escondeu sua outra face…até 1959… quando a Luna-3 foi lá tirar umas fotos.

Maccone e sua equipe elegeram uma cratera de 80 kms de largura, denominada Daedaluscomo o melhor lugar para a instalação do ‘Observatório de Rádio Lunar’. Localizada quase no ‘equador lunar’ (apenas 5,5 graus para o sul)…e na longitude de 179 graus – Leste…fica praticamente no ponto mais afastado da órbita terrestre. – Dali, a própria Lua serve como escudo das transmissões terrestres. E, mesmo que empresas de telecomunicação decidam no futuro lançar satélites em órbitas mais elevadas do que as atuais…a cratera oferece boa proteção contra uma eventual interferência de frequências de rádio. (texto base out/2005)  ************************************************************************************

De volta à LUA… – rumo a Marte   Por sua proximidade a Lua é o primeiro  passo natural. Podemos viver, trabalhar e fazer ciência lá…antes de realizar ‘viagens mais longas’ e de maior risco.” P. Metzger

Nas próximas décadas a ‘NASA‘ tem nova perspectiva à exploração espacial…Iremos a Marte explorar o… “planeta vermelho”…De breves visitas… a talvez – até “colônias marcianas”…Mas antes, voltaremos à Lua.

Lua e Marte têm muito em comum. A Lua tem apenas um sexto da gravidade da Terra; Marte, um terço. A Lua não tem atmosfera; a atmosfera marciana é altamente rarefeita.     A Lua pode ficar muito fria – tão fria como -240 ºC nas zonas não iluminadas pelo Sol;     as temperaturas em Marte variam entre -20 ºC e -100 ºC…E, algo também importante, ambos os planetas são cobertos com uma poeira fina de lama seca, chamada ‘regolito‘.    O ‘regolito lunar‘ foi criado pelo bombardeamento incessante de…’micrometeoritos’, raios cósmicos…e partículas do vento solar – desfazendo as rochas durante bilhões de anos. Já o ‘regolito marciano‘ resultou de impactos de meteoritos mais robustos…e mesmo de asteroides, além de eras de erosão diária pela água (primitiva) e pelo vento.

Há locais, em ambos os planetas, onde o regolito tem mais de 10                metros de profundidade… — Operar equipamento mecânico, na                      presença de tanta poeira é… — de fato… um desafio formidável.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Apollo_17

Poeira voa dos pneus de um jeep lunar conduzido pelo astronauta Gene Cernan da Apollo 17. (placas defletoras atenuaram o problema.)

No último mês passado (…fevereiro/2005) Metzger dirigiu um simpósio sobre o tema: “Materiais granulares na exploração lunar e marciana“…no “Kennedy Space Center”. – Os participantes se envolveram com questões… – desde transporte básico:  “Qual tipo de pneus, necessita um veículo em Marte?”; e mineração: Até que ponto se pode cavar antes do buraco desabe?… até questões, sobre tempestade de poeira;  naturais…ou, artificiais…como…Quanta poeira levantará um foguete…no pouso?“.

Daqui da Terra, tentar responder a estas questões não é nada fácil. Poeira lunar e poeira marciana são muito… ‘estranhas’.

MoonDust-3

A poeira lunar (regolito) é bem diferente da poeira da Terra…“É quase como ‘fragmento de vidro’…ou coral – formas que podem ser cortantes e interligadas” … explica Metzger.

Como diz Masami Nakagawa…professor em Engenharia Mineral na Colorado University:  “Mesmo depois de curtos passeios lunares… os astronautas da Apollo 17 observaram que as partículas de poeira tinham bloqueado as juntas do ombro de seus trajes espaciais…O regolito havia penetrado nas… ‘válvulas de fecho‘… – causando perdas na ‘pressão de ar’.    Nas áreas ensolaradas, a poeira fina levitava acima do joelho dos astronautas…e, mesmo acima das suas cabeças… pois partículas individuais eram carregadas eletrostaticamente pela luz ultravioleta do Sol… Tais partículas de poeira, ao entrarem no traje espacial dos astronautas, irritava-lhes os olhos e os pulmões. – É um problema potencialmente sério.”

poeira lunar

Astronauta da Apollo 17 cavando o solo para estudar o comportamento da poeira lunar.

A poeira também é onipresente em Marte…muito embora a poeira de lá provavelmente não seja tão abrasiva como a poeira lunar. A  ‘meteorização’ alisa os contornos. – Além disso, as ‘tempestades de poeira marcianas’, projetam estas partículas a 50 m/s, esfregando e desgastando sua superfície exposta. — Os veículos ‘Spirit‘ e ‘Opportunity‘ revelaram que a poeira marciana…assim como a lunar, é provavelmente eletricamente carregada;  agarra-se aos painéis solares…bloqueia luz solar, e reduz a quantidade da energia que poderia ser gerada para uma missão na superfície. Por estas razões, a NASA está financiando o ‘Project Dustde Nakagawa… um estudo de 4 anos dedicado a descobrir formas de mitigar os efeitos de poeira na exploração humana e robótica; variando…de filtros de ar… a finos revestimentos de películas anti-poeira – nos aparelhos… e, trajes espaciais.

Além disso, a Lua é também um bom local de testes, para o que os planejadores da missão chamam… “maximização de recursos locais“. – Os astronautas em Marte irão querer extrair certas matérias primas localmente… – oxigênio para respirar … água para beber, e combustível para a viagem de regresso (essencialmente hidrogênio e oxigênio.)“Nós podemos primeiro, tentar produzir tudo isto na Lua”… – afirma Metzger… enfaticamente.

permafrost-lunar

lunar permafrost map (LRO)

Supõe-se, tanto na Lua como em Marte, água em estado sólido no subsolo… – A evidência para tal é indireta. Sondas da NASA e da ESA detectaram hidrogênio, presumivelmente água – no subsolo de Marte. – Possíveis depósitos de gelo se espalham … dos pólos marcianos – até quase o equador. – O gelo lunar, por sua vez…conforme a imagem ao lado… se encontra próximo aos pólos Norte e Sul, a grande profundidade no interior das crateras… onde o Sol nunca brilha.

Segundo estes dados (similares) das sondas ‘Prospector’ e ‘Clementine’…que mapearam a Lua em meados da década de 90; se este gelo puder ser escavado, derretido e decomposto em hidrogênio e oxigênio… Voilà!… Suprimentos instantâneos. O “Lunar Reconnaissance Orbiter”, da NASA – com lançamento previsto em 2008… usará sensores modernos, para buscar estes depósitos…e localizar possíveis locais de mineração; como explicou Metzger:

“Os pólos lunares são um local frio, por isso trabalhamos                              com técnicos especializados para pouso em solos gelados,                                além de escavações no…’permafrost’…para extrair água”.

Os ‘desafios-chave incluem maneiras de pousar naves, e construir habitações em solos congelados, sem que o seu calor derreta a superfície, e esta colapse sob o seu peso…Testar toda esta tecnologia na Lua – que está a 2 dias da Terra, é muito mais fácil do que testá-la em Marte, a 6 meses de distância… – Portanto…preparemos nossos foguetes pra Marte!…Mas antes…vamos passear de novo…na nossa querida vizinha Lua. ‘texto base’ (Mar/2005)  ***********************************************************************************************

Melhor rota para Marte inclui reabastecimento na Lua (out/2015)
Oficialmente…a NASA reconhece que ir a Marte ainda é um sonho distante,                            com os estudos mais otimistas prevendo a possibilidade de que cheguemos                    lá por volta de 2040Na parte do marketing, a agência mantém a atenção,                    divulgando vez por outra planos bastante genéricos para chegar lá. E a Lua                        não merece papel de destaque nesses planos. – Contudo…um novo modelo                    elaborado por Takuto Ishimatsu…e colegas do MIT, concluiu que o melhor                      caminho para uma missão rumo a Marte… é a possibilidade de contar com                    usinas de produção de combustível, e um posto de reabastecimento na Lua.

O modelo baseia-se em estudos sugerindo que o solo lunar e o gelo de água em certas crateras da Lua poderiam ser extraídos e convertidos em combustível para foguetes – hipótese a ser testada pela missão Luna 27, enquanto outro projeto (robô Polaris)…se encarregaria de procurar água na Lua. Assumindo essa possibilidade, e considerando      que as tecnologias para sua exploração estejam desenvolvidas, dentro do cronograma      de uma missão a Marte, o grupo do MIT conclui que, dar uma paradinha na Lua para reabastecer reduziria a massa de uma missão em 68% – no momento do lançamento.

Simulações compararam inúmeras possibilidades, envolvendo desde a ida direta a Marte, preconizada pela NASA, até paradas nas luas do planeta, sempre tentando reduzir o peso da carga dos foguetes a serem lançados da Terra… – elemento-chave na determinação do custo das missões de exploração espacial. A rota ‘mais eficiente’ envolve o lançamento de uma tripulação da Terra com combustível suficiente para entrar em órbita…e alcançar as naves-tanque, que seriam lançadas a partir de uma usina de produção de combustível na superfície da Lua, e estacionadas em Pontos de Lagrange (de equilíbrio gravitacional). E, Ishimatsu também explica que… “Nosso objetivo é colonizar Marte… estabelecendo uma presença humana permanente, auto-sustentável lá… – Todavia, para isso…é igualmente importante que ‘pavimentemos’ a ‘estrada espacial‘…para podermos viajar aos planetas  de uma forma segura e acessível”…E Olivier de Weck, coautor do trabalho…acrescentou:

“A otimização sugere…que a Lua poderia desempenhar uma importante     função para nos levar repetidamente a Marte, de forma sustentável. As pessoas sugeriram isso antes… mas, talvez este seja o primeiro trabalho    que demonstra… matematicamente… por que esta é a resposta correta.”

Apesar de uma proposta desse tipo não estar nos projetos preferidos da NASA, a agência  já possui planos para construir usinas nucleares na Lua e em Marte – assim como vários projetos para instalar uma Estação Espacial LunarAdemais, também está testando o 1º    posto de abastecimento espacial para encher o tanque de satélites artificiais. (texto base)

p/consulta:  NASA testa tecnologias para exploração da Lua (dez/2008) ‘Lua tem água mineral’ (jul/2010) ‘Lunar permafrost’ (out/2010) Projetos para uma Base Lunar (2013)  ‘Robôs-cobra p/ construir a base lunar’ (2017) Programa Ártemis…De volta à Lua (2019)

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em astronomia, ficção científica e marcado , . Guardar link permanente.

2 respostas para Saga Lunar (plano de voo)

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