A Saga Lunar… (plano de voo)

“É pelo elemento puro do passado – como passado a priori – que tal antigo presente é reprodutível, e que o atual presente se reflete.”  Gilles Deleuze – ‘Diferença e Repetição’

… da esquerda para a direita Willy Ley – escritor de assuntos científicos; Dr. Fred L. Whipple – chefe do Departamento de Astronomia da Universidade de Harvard; Dr. Wernher Von Braun – o mais renomado perito em foguetes; Chesley Bonestell – o mais famoso desenhista técnico de assuntos interplanetários; Rolf Klep – ilustrador; Fred Freeman – desenhista; e Cornelius Ryan – escritor científico.

da esquerda para a direita Willy Ley – escritor de assuntos científicos; Dr. Fred Whipple – chefe do Depto. de Astronomia da Universidade de Harvard;   Dr. Wernher Von Braun – o renomado perito em foguetes;  Chesley Bonestell – famoso desenhista técnico de assuntos interplanetários;  Rolf Klep – ilustrador;  Fred Freeman – desenhista;  e Cornelius Ryan – escritor científico (Exclusividade p/ ‘O CRUZEIRO’ em todo Brasil) – 1º de agosto de 1953.

planejamento                                                                                                                               Estaremos viajando para a Lua nos próximos 25 anos. – Já possuímos os conhecimentos, e meios de fazê-lo – mas, primeiro serão necessários anos de preparação e planejamento minucioso. O que podemos fazer agora é dar início ao projeto…

Está dado o 1º passo – geniais cientistas aperfeiçoaram foguetes que têm sido lançados através da atmosfera aos mais distantes espaços siderais, onde só existe o vácuo. Todos agora sabemos que precisamos de foguetes mais possantes – mas, ao mesmo tempo, já temos ciência teoricamente de como construí-los.

Nossa viagem à Lua não será um simples vôo sem escala. Para isso, precisaríamos de uma aeronave foguete muito grande, e caro. Em face de tal óbice, construiremos um aeroporto no espaço… E, nessa estação flutuante faremos baldeação – deixando para trás a aeronave do tipo fabricado especialmente para romper a força de gravidade da Terra, e reencetando a viagem em outra construída especificamente para descer na Lua.

Haverá ainda outras vantagens na jornada em 2 etapas  —  entre elas, a velocidade inicial de 26.000 km por hora a partir do aeroporto suspenso.

estação espacial (Von Braun)

estação espacial (Von Braun)

Eis como será: Dentro de 10 ou 15 anos, esperamos que esteja sendo logo construído um ‘espaçoporto‘ permanente a 1.700 km de altura, seguindo uma órbita que o faça efetuar uma evolução completa em torno da Terra cada 2 horas.

Naturalmente, a estação espacial  virá a ser construída de materiais transportados em ‘superfoguetes‘ de 3 estágios – porque possuirão, separadas, 3 baterias de motores a serem usadas, uma de cada vez – sendo, em seguida, largadas no espaço.

A uma velocidade da 26.000 km horários, a 1.700 km de altura, tais foguetes se transformarão em satélites da Terra, indiferentes à gravidade… Flutuando, cruzarão o espaço por tanto tempo quanto os deixarmos ali.

A carga fará o mesmo – já que viaja à mesma velocidade. Assim, apenas descarregaremos no espaço os suprimentos, e os deixaremos amontoados até quando tivermos necessidade de lançar mão deles. Juntando as partes pré-fabricadas, construiremos então, a estrutura em forma de roda, com 80 metros de diâmetro – dotada de câmaras de pressão para base de operações de uma equipagem com 80 pessoas.

O poder de esquadrinhar as mais distantes partes da Terra deverá             fazer deste satélite uma das mais notáveis forças em prol da paz.

Pelo que se supõe, só os E.U.A. estão em condições de financiar a construção desse “aeroporto flutuante“, orçado por alto em 4 bilhões de dólares. Em 1948 o falecido Secretário da Defesa dos EUA, James Forrestal, revelava que já haviam começado             os preparativos do extraordinário plano.

É de se crer que não tenha sido posto de lado – pois, além de servir como guardião da paz, vigilante em seu itinerário, o ‘satélite artificial’ fornecerá o trampolim para a mais histórica das façanhas cientificas – a viagem à Lua, com a qual o Homem tem sonhado     há séculos.

Calcula-se que o “espaçoporto” esteja pronto em 1967. E assim, já se pode prever que pelas alturas de 1977 o 1º homem da Terra porá o pé na velha poeira da Lua.

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preparativos

A expedição pioneira, composta de 50 cientistas partirá da ‘estação flutuante’  em  3  foguetes de estranho formato, porém, altamente eficientes.

Como toda a 2ª etapa do voo seguirá através do espaço  –  que não possui ‘ar’  –  para impedir a deslocação, os 3 aparelhos não têm necessidade de seguir modelo aerodinâmico.

…2 deles – do tipo de carga, viajarão carregados de reserva de combustível bastante para um voo ida-e-volta de 5 dias,  com percurso próximo de 768.000 km.

O 3º aparelho  —  que não retornará  —  deverá transportar combustível suficiente apenas para a viagem de ida, completando-se o restante da capacidade de transporte com equipamentos e suprimentos, com o fim de proporcionar aos cientistas todo o conforto durante uma estada de 6 semanas na Lua.

33 minutos após a partida da estação flutuante, os 3 foguetes deverão alcançar uma velocidade de 30.000 km horários. E então os motores serão desligados, quando os aparelhos simplesmente cairão na direção da Lua.

Não se pense que tamanha viagem poderá ser feita sem cuidadoso planejamento. Para começo, é preciso escolher a rota conveniente – construir os aparelhos – e, saber onde pousar. Mas a ciência garante que o mirabolante projeto estará em execução dentro de     25 anos…  Pois, não há problemas em tal viagem, aos quais os cientistas não possam oferecer resposta desde já.

nave lunar

onde pousar na Lua?

… Após minucioso exame das condições topográficas, a escolha do local de pouso será feita. Para isso, haverá um, ou mais vôos de reconhecimento.

Um pequeno foguete circulando entre a estação flutuante e a Lua…sobrevoará o nosso satélite, e a uma altura de 80 km, colherá fotos da ‘superfície esburacada’ de crateras de meteoros.

Nesse voo preliminar será efetuado –  pela 1ª vez, o reconhecimento da parte de trás da Lua, jamais visível da Terra. O estudo detalhado das fotos indicará o local de pouso.

Nossa escolha ficará limitada a diversas exigências técnicas… Possuindo a Lua cerca de 23 milhões de quilômetros quadrados — ou, aproximadamente… 1/13 da superfície da Terra, será possível explorar apenas pequenas áreas em separado – e… quando muito — uma só região com 800 km de diâmetro.

Não podemos pousar no equador da Lua porque lá… a temperatura ao meio-dia supera o ponto de fervura da água, ou seja, 100ºC. Também em regiões montanhosas, pelo fato de necessitarmos estabelecer uma base para manter contato pelo rádio com a Terra… Muito menos, podemos pousar no descampado, pois a Lua é constantemente bombardeada por nuvens de meteoros minúsculos, disparados em velocidade espantosa. Por isso, teremos de optar por um local mais abrigado.

Existe um trecho da superfície da Lua que satisfaz todas as exigências, e — a não ser que um voo de reconhecimento a baixa altura indique outro ponto — será onde pousaremos.   E’ uma área denominada Sinus Roris (ou Baía do Orvalho) – prolongamento ao norte   da planura chamada Oceanus Procellarum (ou Oceano da Tormenta, já que antigos astrônomos pensavam que as grandes planuras da Lua eram grandes mares).

O Dr. Fred Whipple, catedrático de Astronomia da Universidade de Harvard, diz que Sinus Roris é ideal para local de pouso, pois fica a 800 quilômetros do ‘Pólo Norte lunar’, com temperatura diurna de cerca de 40 ºC… um terreno ‘razoavelmente plano‘ para pouso, e suficientemente irregular para proteção contra meteoros.

plano de voo

‘Campo de pouso’ localizado… cuidaremos de outros aspectos do plano

Para economizar combustível… e tempo, escolheremos a rota mais prática – e portanto mais curta… A Lua evolui em torno da Terra dentro de uma órbita elíptica de 27 dias e 1/3. – A ‘estação flutuante‘ – ponto de partida da expedição n.° l… circula a Terra cada 2 horas. Assim, em cada “bis-semana”…a evolução dos 2 satélites (natural e artificial) será de tal ordem que um foguete partindo da estação flutuante interceptará a Lua em 5 dias. Desse modo…as melhores condições para a viagem de volta ocorrerão 2 semanas mais tarde.

Com a estadia ditada pelos múltiplos de 2 semanas, os cientistas limitarão a ‘primeira exploração da Lua’ em 6 semanas  —  tempo suficiente para as  pesquisas necessárias, e não muito longo para exigir excessivo suprimento em oxigênio, água e comida.

VonBraunMoonShipIllustration

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Seis meses antes “do Vôo l – A” (isto é, a 2ª etapa), suprimentos, equipamentos e material de construção, se armazenarão na estação espacial, numa operação que mobilizará poderosos foguetes de carga, centenas de trabalhadores, e vastíssima quantidade de material.

Duas vezes ao dia, foguetes de transporte levantarão voo da Terra…rumo à estação flutuante, onde enxames de operários os descarregarão…  Com esse material, será atacada, a toda pressa, a montagem dos 3  aparelhos que atravessarão o espaço até a Lua. Os suprimentos, e partes pré-fabricados não serão armazenados na estação flutuante. — Flutuarão no espaço…  Nem precisarão ser colocados em lugar seguro…  E, por quê?…

Ora, o satélite artificial evolui em torno da Terra numa velocidade de 25.000 km horários, deixando de ser afetado pela força de gravidade. Não cairá nem diminuirá o impulso, pois não encontrará resistência do ar…  O mesmo se aplica a qualquer objeto localizado dentro da órbita à mesma velocidade: para estacionar o foguete, apenas ajustará sua velocidade a 25.000 km horários – e, como consequência, se tornará um satélite. E os grandes volumes de equipamentos e material – viajando na mesma velocidade em relação à Terra – serão, também, satélites sem peso.

Com o passar das semanas, o desembarque da carga continuará – e, a área de construção ficará tomada em vasta extensão. Toneladas de equipamento jazem no espaço — vigas de alumínio, tanques vazios feitos de nylon, motores de foguetes, bombas, coleções de peças, volumes de nylon contendo acessórios. Um cenário de pôr alguém maluco. Mas, não para os construtores da expedição lunar. Todas as peças pré-fabricadas obedecerão a um certo código  –  o mais simples que se possa imaginar. O trabalho se processará com rapidez.

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novas técnicas & tecnologias

Na verdade, os técnicos realizarão maravilhas, tendo-se em conta os obstáculos com que irão se deparar – no trabalho com peças difíceis de se manejar no espaço…  Homens mover-se-ão desajeitadamente…embaraçados pela pressão do pesado vestuário especial – equipados com tais necessidades para a vida no espaço…como ar condicionado, tanques de oxigênio, motores de propulsão portáteis e aparelhos radiofônicos.

Será uma tarefa laboriosa… pois, apesar dos objetos                                   serem  sem  peso – possuem… no entanto… inércia.

Um trabalhador que empurrar uma viga de uma tonelada, a deslocará – ao mesmo tempo, em que se deslocará também. E, sendo sua inércia menor que a da viga, será lançado para trás, à uma distância maior do que a peça de metal que havia sido empurrada para frente.

Motores portáteis auxiliarão os trabalhadores a deslocar peças. E, para outras tarefas serão empregados ‘táxis espaciais’ – nas viagens em torno da estação flutuante. No momento em que os foguetes forem tomando o formato final, montar-se-ão as esferas de nylon-plástico.

São as cabines da equipagem. — Cheias de ar, tornar-se-ão esféricas, com ‘astrodomos’ plásticos (para observação das estrelas) – colocados no topo, e dos lados.  Combustíveis e propulsores serão bombeados para dentro de outros invólucros esféricos e cilíndricos.

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Sem dúvida, o foguete lunar será um veículo de aparência esquisitíssima, caso comparado com o modelo aerodinâmico dos aviões a jato, ou asas voadoras dos dias atuais ou do futuro. Mas terá eficiência, e alcançará a Lua em 120 horas maravilhosas.

Cada foguete terá 50 metros de altura por 35 de largura, pesando cerca de 4.370 toneladas, dispondo de uma bateria com 30 motores. E, cada aparelho terá no topo — uma esfera que abrigará em 4 andares os membros da equipe.

Sob a esfera existem dois braços .mecânicos que permitirão uma rotação de 360 graus. Essas duas balizas, que recuam durante a decolagem e aterragem, para evitar qualquer acidente, sustentam 2 peças importantes – uma antena de rádio para comunicação em ondas curtas, e um espelho solar para produzir eletricidade.

800 mil galões de hidrazina de amônia (combustível), e ácido nítrico rico de oxigênio (agente de combustão) serão distribuídos em 18 tanques, inclusive 4 enormes esferas. Todas as partes vitais do aparelho terão uma cobertura pára-choque contra meteoros.       E, como proteção contra o excessivo calor todas as partes serão pintadas de branco —  porque essa cor pouco absorve da radiação solar.

Dentro da “esfera de passageiros” o ambiente é                                                     de sardinha em lata, porém, com muito conforto.

Cada veículo terá lotação para 20 pessoas (tripulação e cientistas) na viagem de ida, e 25 na volta – já que 10 homens do transporte de carga (que ficará na Lua) terão de retornar nos 2 outros foguetes … Cada foguete de passageiro terá de carregar reserva suficiente   de oxigênio (1.300 gramas para cada pessoa diariamente) – água (1.750 gramas para cada pessoa diariamente) – e demais provisões, que durem todo o tempo da expedição.

No último andar da esfera fica o ‘deck de controle’… De lá, o engenheiro-chefe controla o oxigênio, combustível, temperatura, pressão! etc. O radiotelegrafista mantém contato com as 2 naves espaciais, e com a estação flutuante. – No painel instrumental vêem-se o piloto automático, e carretéis de fita, que funcionarão durante a operação de pouso na Lua. Mais abaixo, no andar seguinte, fica o compartimento de navegação, de onde é observado, com a máxima atenção – através de um registrador automático – o desenvolvimento do voo ao longo da rota.

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De um lado, ficará um banheiro sui generis – para o banho com esponja, pois não será possível utilizar chuveiro, já que a água não cairia apropriadamente.

No andar central, o alojamento. Em camas de emergência, tipo abre e fecha — descansarão os tripulantes da expedição…  — devidamente amarrados para não flutuar.

No compartimento amplo  –  a maior parte de seu espaço será tomado pela cozinha…  E, será realmente uma cozinha do tipo especial, com aquecedor de onda curta e lavador de pratos automático. A cozinha funcionará assim: o cozinheiro retirará da geladeira a ração, já pré-cozida e a esquentará no aquecedor, depositando-a em seguida num prato tampado (a fim de impedir à comida de flutuar no espaço)… O prato – por sua vez, é ligado a uma correia, que o traz à mesa, e o leva de volta ao lavador automático.

No penúltimo andar estão localizados o painel de eletricidade, o depósito de vasilhame, e o lavatório. Na base da esfera situa-se a ‘casa de máquinas – com tanques para água, oxigênio, bombas, etc., além de baterias elétricas, motores do sistema de ar condicionado e aparelhamento de limpeza e reaproveitamento d’água.

Essa esfera — não só funcionará como alojamento para os cientistas e técnicos durante os 5 dias da viagem, como também por algum tempo         a mais, até ser construída a 1ª base para exploração científica da Lua.

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A partida – da Estação Flutuante

A viagem à Lua terá de ser dividida em 2 etapas… Dentro de 25 anos, uma estação flutuante a 1.700 km de altura  —  estará construída.

Esse aeroporto suspenso… – de forma circular – com 80 metros de diâmetro, pode ser visto à direita.

Junto dele…  foguetes aerodinâmicos desembarcam carga e trabalhadores.           Em torno da estação espacial estacionam os 3  foguetes que deverão constituir a 1ª  expedição à Lua. 

Observam-se os últimos acertos para a viagem de 384.000 km a ser realizada em menos de cinco dias – com uma velocidade assombrosa… de 26 a 30.000 quilômetros por hora.

Texto FRED WHIPPLE e WERNHER von BRAUN — Ilustrações de CHESLEY BONESTELL, ROLF KLEP e FRED FREEMAN — Fotos Observatório Mount Wilson

p/consulta:  ‘A visão de Wernher Von Braun ‘ – blogville  #  ‘Dreams of space’ blogspot  “Man Will Conquer Space Soon“…  #  #  #  NASA vai construir Base Lunar’ (nov/2012) …………………………..(textos complementares)……………………………………………………………..

Mineração de hélio-3 na Lua poderá gerar energia para mil anos (23/01/2004)

O recente anúncio do projeto espacial norte-americano…de instalar uma base lunar permanente,  fez com que os cientistas começassem a cogitar das atuais possibilidades… – que a conquista da Lua poderá trazer para a humanidade… 

Dessas, uma das mais promissoras é a exploração da energia contida no elemento ‘hélio-3′ — abundante no solo lunar — e… não disponível naturalmente na Terra.

Os cientistas esperam que uma fonte abundante de ‘hélio-3’ possa encorajar mais fortemente o investimento na construção de reatores de fusão nuclear.

O ‘grande problema‘ é que a humanidade ainda não possui a tecnologia necessária para extrair a energia do hélio-3. Ela deve ser feita por meio da fusão nuclear – processo que combina átomos para criar energia. As usinas nucleares atuais funcionam com base na fissão nuclear, que retira energia da quebra de átomos de urânio.

Com base na análise das rochas trazidas da Lua… – pela ‘missão Apolo‘, calcula-se que a Lua tenha uma jazida de 1 milhão de toneladas de hélio-3. O processo de mineração consistiria no aquecimento do solo lunar a cerca de 700º C. Nessa temperatura o hélio-3 escapa das rochas, podendo então, ser coletado …  ‘Mineração de hélio-3 poderá gerar energia para mil anos’

p/consulta: ‘NASA testa tecnologias para exploração da Lua’  (dez/2008) # ‘Lua tem água mineral’ (jul/2010) # # ‘NASA construirá 1ª usina nuclear para a Lua e Marte’  (ago/2011)

Radiotelescópio lunar?!…

Usando radiotelescópios … ao redor do mundo, cientistas do SETI, seduzidos pela busca de sinais de outras civilizações … estão captando um nº cada vez maior de transmissões  –  com padrões indicando uma fonte artificial e inteligente… Pena que não são extraterrestres.

A crescente parafernália de telecomunicações da Terra, com seus zilhões de sinais de TV… rádio… telefonia celular, transmissões via satélite, redes de computadores sem fio, conectividade global, e o diabo a quatro, está tornando um inferno — a vida de quem quer estudar ondas de rádio vindas do espaço  –  enviadas por alienígenas, ou não… E, os pesquisadores sabem que, se as coisas continuarem do jeito que estão, terão de tomar uma atitude radical – se mudar para a Lua.

Com efeito, desde 2001, um grupo liderado pelo italiano Claudio Maccone (IAA) estuda a viabilidade da instalação de um observatório radioastronômico na Lua… Ora, mas por que na Lua?… Bom, além desta estar a apenas 1 segundo-luz de nós  –  e, apesar disso… para a nossa sorte — há certas regiões lunares que desde sempre estiveram livres da “poluição” eletromagnética terráquea.

Agradeça à gravitação universal pelo silêncio.

Por efeito da atração mútua entre Terra e Lua ao longo de bilhões de anos, a rotação lunar acabou sendo “gravitacionalmente travada“, sincronizada de forma que o mesmo lado de sua superfície estivesse sempre voltado para nós. Ou seja, a Lua leva cerca de 28 dias para dar uma volta ao redor da Terra – e gasta o mesmo tempo para concluir um giro em torno de si mesma… – Não é à toa… que  –  daqui…   sempre a vemos com a mesma aparência.

Ela, caprichosamente, escondeu sua outra face até 1959, quando a espaçonave não-tripulada soviética Luna-3 foi até o lado oculto, e           tirou algumas fotografias.

O grupo de Maccone elegeu uma cratera de 80 kms de largura…  —  denominada Daedaluscomo o melhor lugar para a instalação do ‘Observatório de Rádio Lunar‘.

Localizada quase no ‘equador lunar’ (apenas 5,5 graus para o sul)… e na longitude de 179 graus – Leste… fica praticamente no ponto mais afastado     da órbita terrestre.

Dali, a própria Lua serve como escudo das transmissões terrestres. E, mesmo que  “empresas de telecomunicações” decidam – no futuro…lançar satélites em órbitas mais elevadas do que as usadas atualmente…a cratera Daedalus oferece boa proteção contra a interferência de frequências de rádio… (RFI… na sigla em inglês).   (Texto original: ‘Salvador Nogueira’  – 13/10/2005)

p/consulta: ‘Lunar Reconnaissance Orbiter’ – NASA # ‘Como determinar a distância entre a Terra e a Lua’ # ‘Lunar permafrost’ (2010) # Projetos para uma Base Lunar (fev/2013)

De volta à LUA, rumo a Marte…  (18 de Março 2005)

A NASA tem uma nova visão para a exploração espacial… nas próximas décadas … homens irão pousar em Marte para explorar  o  chamado ‘planeta vermelho’.

Visitas breves levarão a estadias duradouras…e, talvez  – até colônias.

No entanto … teremos antes – de regressar à Lua. – Mas, porquê a Lua antes de Marte?… explica Philip Metzger, físico do Kennedy Space Center da NASA …

“A Lua é o 1º passo natural. Está próxima. Podemos viver, trabalhar e fazer ciência lá, antes de realizar viagens mais longas, e de maior risco a Marte.”

Lua e Marte têm muito em comum. A Lua tem apenas um sexto da gravidade da Terra; Marte, um terço. A Lua não tem atmosfera; a atmosfera marciana é altamente rarefeita.     A Lua pode ficar muito fria – tão fria como -240 ºC nas zonas não iluminadas pelo Sol;     as temperaturas em Marte variam entre – 20 ºC e – 100 ºC.

Ainda mais importante, ambos os planetas são cobertos com uma poeira fina de lama seca, chamada regolito…     O  ‘regolito lunar’  foi criado pelo bombardeamento incessante de micrometeoritos,  raios cósmicos,  e  partículas do vento solar  —  desfazendo  as  rochas durante bilhões de anos.  O ‘regolito marciano’ resultou de impactos de meteoritos mais maciços e mesmo de asteroides, além das eras de erosão diária pela água e pelo vento.

Há locais, em ambos os planetas, onde o regolito tem mais de 10 metros de profundidade. Operar equipamento mecânico na presença de tanta poeira é um desafio formidável.

Ao lado:  —  Poeira voa dos pneus de um veículo lunar, conduzido pelo astronauta Gene Cernan da Apollo 17. Estas esteiras de poeira causaram problemas – que os astronautas resolveram utilizando uma placa defletora.

No último mês passado (Fevereiro/2005) Metzger dirigiu um simpósio sobre o tema: “Materiais granulares  na exploração lunar e marciana“, ocorrido no Kennedy Space Center.

…Os participantes se envolveram com questões  —  desde o transporte básico (‘Que tipo de pneus necessita um veículo em Marte?‘)…  —  à mineração… (‘Até que profundidade se pode cavar antes do buraco desabar?‘)… e às tempestades de poeiras…  —  naturais ou artificiais… (‘Quanta poeira levantará um foguete no pouso?‘).

Daqui da Terra…responder a estas questões não é fácil.                             Poeira lunar e poeira marciana são muito… ‘estranhas’.

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A poeira lunar é bem diferente da poeira da Terra…  “É quase como fragmento de vidro ou coral… — formas invulgares que podem ser cortantes e interligadas”… diz Metzger.

Como diz Masami Nakagawa, professor em Engenharia Mineral na Colorado University:

– “Mesmo após curtos passeios na Lua, os astronautas da Apollo 17 descobriram que as partículas de poeira tinham bloqueado as juntas do ombro de seus trajes espaciais.  A poeira lunar penetrou nas válvulas de fecho, levando à perda de alguma pressão de ar nos trajes espaciais…

…  Nas áreas banhadas pelo Sol, a poeira fina levitava acima do joelho dos astronautas, e, mesmo acima das suas cabeças  –  porque as partículas individuais eram carregadas eletrostaticamente pela luz ultravioleta do Sol… Tais partículas de poeira…ao entrarem no traje espacial dos astronautas, irritava-lhes os olhos e os pulmões. – É um problema potencialmente sério.”

poeira lunarImagem ao lado: Um astronauta da Apollo 17 cava uma vala para estudar o comportamento mecânico da poeira lunar.

A poeira também é onipresente em Marte – embora a poeira de Marte provavelmente não seja tão abrasiva como  a  poeira lunar…  A  ‘meteorização’  alisa  os contornos.   Além  disso,  as  ‘tempestades  de  poeira marcianas’  projetam  estas  partículas  a  50 m/s … esfregando e desgastando toda a superfície exposta.

Os veículos Spirit e Opportunity revelaram que a poeira marciana – como a da Lua… é, provavelmente, eletricamente carregada …    Agarra-se  aos  painéis solares, bloqueia a luz solar e reduz a quantidade de energia que pode ser gerada para uma missão na superfície.

Por estas razões, a NASA está financiando o ‘Project Dust de Nakagawa’, um estudo de 4 anos dedicado a descobrir formas de mitigar os efeitos de poeira na exploração humana e robótica…variando, desde desenhos de filtros de ar a revestimentos de películas finas que repelem a poeira dos trajes espaciais e maquinaria.

A Lua é também um bom local de testes, para o que os planejadores da missão chamam “maximização de recursos locais“… Os astronautas em Marte irão querer extrair certas matérias primas localmente: oxigênio para respirar, água para beber, e combustível pra viagem de regresso (essencialmente hidrogênio e oxigênio.)“Nós podemos primeiro, tentar isto na Lua”, diz Metzger.

permafrost lunar

lunar permafrost map (LRO)

Tanto na Lua como em Marte pensa-se terem água em estado sólido no subsolo. A evidência para tal é indireta. Sondas da NASA e da ESA detectaram hidrogênio – presumivelmente água, no solo marciano. Possíveis depósitos de gelo espalham-se desde os pólos marcianos até quase o equador.

O gelo lunar, por sua vez, está localizado próximo dos pólos Norte e Sul, a grande profundidade — no interior das crateras onde o Sol nunca brilha, segundo dados similares das sondas ‘Prospector’ e ‘Clementine’  —  que mapearam a Lua em meados da década de 90. Se este gelo puder ser escavado, derretido, e decomposto em hidrogênio e oxigênio… Voilà! Suprimentos instantâneos.

O Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA, com lançamento previsto em 2008, usará sensores modernos para procurar depósitos, e localizar possíveis locais de mineração.

“Os pólos lunares são um local frio, portanto nós temos trabalhado com técnicos especializados para ver como pousar nos solos gelados, e como escavar no permafrost para extrair água”…como explicou Metzger.

Os ‘desafios-chave incluem maneiras de pousar naves, e construir habitações em solos congelados, sem que o seu calor derreta a superfície, e esta colapse sob o seu peso.  Testar toda esta tecnologia na Lua – que está a 2 dias da Terra, é muito mais fácil do que testá-la em Marte, a 6 meses de distância. Portanto, vamos para Marte! Mas antes, de volta à Lua.

‘texto base’ p/consulta: ‘Melhor rota para Marte inclui reabastecimento na Lua’ (out/2015)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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