Epistemologia da Complexidade (Bachelard & Morin)

“A existência de algo que não podemos penetrar; a percepção da mais profunda razão,   e da radiante beleza do mundo à nossa volta – que apenas nas formas mais primitivas nos são acessíveis… é esse conhecimento/emoção que constitui a legítima religiosidade. Nesse sentido, e apenas nesse… sou um homem profundamente religioso”. (A. Einstein)

A humanidade vive um complexo processo de transformações…atuando em escala local     e global, integrando e conectando comunidades e as pessoas que as compõem em novas combinações de espaço e tempo…redefinindo as identidades, compreensões, e o ‘papel‘ dos indivíduos. Este conjunto de mudanças pode ser sintetizado como ‘globalização. Tal fenômeno contemporâneo está associado ao “multiculturalismo”…entendido como       a tensão entre diferença e igualdade, ou melhor… entre a exigência de reconhecimento       da diferença, e a exigência da redistribuição… – que permita a realização da igualdade.

globalização

Fomentada pela globalização — e, pelo multiculturalismo – brota uma nova reflexão acerca da filosofia e do papel que esta exerce sobre a ciência revisando seus fundamentos…e, mais que isto, seu dever  social – como garantia desta nova ordem.

Tal reflexão… – conduz às teorias de Gaston Bachelard e Edgar Morin… Seus estudos acerca da epistemologia, analisam os rumos da história ao mostrar que, sendo a verdade circunstancial… – a intersubjetividade… e a consensualidade – não asseguram a certeza.

OBJETIVO

A pretensão do presente estudo está voltada à ‘problematização’ do pensamento científico, e para tal… buscar-se-á a visão de ciência… e de construção do conhecimento, nos escritos desses autores, uma vez que suas teorias convergem em muitos sentidos… – dentre eles… à crítica a aspectos da ciência clássica, e à afirmação da necessidade de construção de um pensamento complexo para a ciência…com um novo posicionamento do indivíduo diante da realidade.

O projeto de Bachelard consiste em ‘dar às ciências a filosofia que elas merecem’. Neste intento, o presente trabalho revisita sua epistemologia, preocupando-se com as temáticas e categorias fundamentais…principalmente discutindo a produção do conhecimento… e a descontinuidade da ciência em seu ‘processo de ruptura’… – o ‘racionalismo aplicado‘.

Edgar Morin, por sua vez… propõe uma ‘epistemologia da complexidade‘… ou seja, uma epistemologia adequada ao ‘pensamento complexo‘, que rompendo com a matriz moderna…propõe um ‘novo posicionamento do indivíduo diante da realidade’, e portanto, nova forma de conhecimento. Nesta perspectiva, opõe-se diretamente à ‘ciência moderna’, que se funda, para ele, num ‘paradigma da simplificação‘ que tem como princípios, a disjunção, a redução, e a abstração.

1) O QUE É EPISTEMOLOGIA?

O termo ‘epistemologia’ provém do grego “episteme” … que significa ciência e logos (teoria). Em termos gerais…é a disciplina que incorpora as ciências como objeto de investigação…com o intuito de reagrupar   a crítica do conhecimento científico, com a ‘filosofia’ … — e a ‘história das ciências’.

O conceito de ‘epistemologia’, serve para designar, seja na teoria do conhecimento, seja em restritos estudos concernentes, a gênese e a estruturação das ciências…Em um caso, terá ‘natureza filosófica’… – no outro… estará mais voltada às ‘ciências naturais’. As reflexões atuais sobre o conhecimento e a diversidade de suas questões têm-se voltado à epistemologia, pois nela, ciência e filosofia se encontram.

Percebe-se que a epistemologia é ‘multiforme‘…pois de acordo com o contexto, pode se classificar como lógica, filosofia do conhecimento, sociologia, psicologia, história… mas… sempre possuindo como questão central, estabelecer se o conhecimento se reduzirá a um puro registro…pelo sujeito…de modo autônomo, dos dados já anteriormente organizados no mundo exterior – ou, se o sujeito intervirá ativamente… no conhecimento dos objetos.

Assim, mesmo que se busquem simplificações … ainda se encontra em aberto a questão acerca de qual seria seu domínio de saber. Essa resposta depende de sua relação com o conjunto de ciências das quais mais se aproxima … Teoria do Conhecimento… Filosofia das Ciências… Metodologia… Ciências Humanas.

1.1 TEORIA DO CONHECIMENTO

Por ‘Teoria do Conhecimento entende-se… a disciplina filosófica que tem por objeto, estudar os problemas levantados da relação entre sujeito cognoscente e objeto conhecido. Neste sentido, a Epistemologia, que trata somente do conhecimento científico, poderia ser entendida como parte da teoria do conhecimento. Porém, ocorre que…no caso do empirismo lógico, que entende que a “linguagem da física” constitui um ‘paradigma para todas as ciências… – (passíveis de alcançar uma ciência unificada)… – só pode ser reconhecido como conhecimento – aquele científico.

1.2 FILOSOFIAS DA CIÊNCIA                                                                                      

Captar o pensamento científico na sua dialética…realçar o carácter inovador da ciência contemporânea…com o espírito de síntese que a anima — tal é o propósito de Bachelar. Para isso…sugere uma epistemologia não-cartesiana que apreenda o ritmo alternativo entre… realismo e positivismo… descontínuo e contínuo… racionalismo e empirismo…próprio da história científica…Bachelard então assume a Epistemologia como uma filosofia das ciências que trata da relação entre sujeito cognoscente e objeto conhecido, adequada às ciências contemporâneas. – Não aceita a ‘filosofia’ como uma síntese dos resultados gerais do pensamento científico, voltada às primeiras verdades, acabadas e definitivas, propondo um modelo aberto não dogmático…para vencer seus obstáculos.

http://www.fnac.pt/O-Novo-Espirito-Cientifico-Gaston-Bachelard/a218582

Aos cientistas Bachelard mostra a necessidade de uma reforma subjetiva‘, pois…o pensamento científico transforma os próprios princípios do conhecimento“.

Aos filósofos…ele propõe considerar… o conhecimento       como uma evolução do espírito que permite variações‘.         Propõe assim uma epistemologia ligada à filosofia, não submetida ao sistema clássico…mas com instrumentos teóricos – próprios à cultura científica contemporânea.   Busca assim conciliar o discurso filosófico ao científico.

Avalia ele que para o cientista, a filosofia é “um resumo dos resultados gerais do pensamento científico prático”;     e quanto ao filósofo, que “a filosofia da ciência tem   por missão articular ‘princípios da ciência’… com princípios de um pensamento puro, desinteressado dos problemas de aplicação efetiva”Porém, tais posicionamentos são ‘obstáculos epistemológicos’ que colocam limitações ao pensamento, pois…de um lado valorizam o geral – e de outro…o imediato.

Para isso, propõe operar dialeticamente os valores experimentais e os valores racionais, característica da contemporaneidade, onde… o empirismo precisa ser compreendido…e o racionalismo, precisa ser aplicado”. Um empirismo sem leis               claras, coordenadas e dedutivas…não pode ser pensado/ensinado – enquanto, sem       provas palpáveis e aplicação imediata, o racionalismo não convence plenamente.

O valor de uma lei empírica, prova-se fazendo dela a base de um raciocínio. Legitima-se a um raciocínio… — fazendo dele…   a base de uma experiência.

Na dialética dos conceitos construídos e reconstruídos pelo pensamento científico, nada é definitivo e imutável – assim… a ‘filosofia da ciência assume um pluralismo filosófico, capaz de servir tanto à experiência quanto à teoria… Utilizando um ‘perfil epistemológico, Bachelard adota um ‘realismo-empírico-racional ao caracterizar as diversas regiões filosóficas, dando a entender que… ‘o conhecimento pode vir numa filosofia particular, mas não pode fundar-se em uma filosofia única…já que seu progresso implica aspectos filosóficos variados’.

Bachelar defende uma… ‘razão aberta e evolutiva‘ … contrária à ‘razão imutável’, entendendo como ‘objetivo primordial do racionalismo’…refletir sobre o atual conhecimento científico em sua atividade racional e técnica por meio da dialética do racional/experimental. Considera porém, que o ‘vetor epistemológico‘…ao tratar         do ‘saber científico’… sempre vai do racional ao real… – nunca em sentido contrário.

Os pressupostos epistemológicos de Bachelard fundam-se em uma nova Filosofia da Ciência, cujo papel é intervir junto à ciência quando esta produz conceitos; pensando         a produção do saber científico… oferecendo “instrumentos teóricos” para superar suas dificuldades… – salientando as ‘rupturas epistemológicas’ necessárias à verificação da descontinuidade existente entre o conhecimento comum, e o conhecimento científico;         e estabelecendo os conceitos fundamentais de uma nova epistemologia.

Tal como Bachelard, Edgar Morin também afirma que o método determinista, próprio da ciência moderna, era justificado pela ‘necessidade de um mundo ordenado       e regulado, afastando a desordem, a incerteza e o erro…que também estão presentes    nos fenômenos’… Tal método tem como fundamento a divisão entre filosofia e ciência, visando a redução do complexo ao simples, para uma ordem universal dos fenômenos.

“O ‘conhecimento científico clássico’ – usando do ‘rigor matemático’, desintegrou a realidade… e, para poder quantificá-la, separou-a em disciplinas. Ao negar a multiplicidade dos fenômenos, anulando sua diversidade…fez do paradigma científico moderno… a simplicidade”.

frase-morin

‘Um paradigma…que põe ordem no universo, reduzindo-se a uma lei…um princípio. A simplicidade quer o uno e o múltiplo, mas não vê que o Uno pode ser ao mesmo tempo… – Múltiplo.

O ‘paradigma da simplicidade’…nem separa o que está ligado (‘disjunção’)… – nem unifica o que está disperso (‘redução’). Percebe-se assim que ao tratar do tema, Morin reconhece os grandes avanços da ciência, tais avanços, porém…ao reduzirem o complexo ao simples… – levaram às consequências nocivas percebidas no século XX…  –  “A compartimentalização da realidade provocou a cegueira em relação ao global.”

1.3  METODOLOGIA  

Tradicionalmente…parece não haver nada em comum entre Metodologia e Epistemologia, visto que a 1ª trata do estudo dos ‘métodos científicos, enquanto a 2ª representa o estudo crítico dos princípios, hipóteses e resultados das diversas ciências; no entanto, percebe-se que o estudo sobre estes princípios…deve levar em conta o método empregado por aquela.

O ‘empirista lógico‘ coloca epistemologia e metodologia em planos diferentes. Já aos analíticos, estas possuem a mesma concepção, no que     se refere ao rigor na produção do conhecimento.

Como a racionalização da experiência metodológica é a sua “epistemologia”, esta seria o campo teórico onde se produz o saber sobre o objeto da metodologia. Assim, nesse caso, a metodologia, ao refletir histórica e criticamente a produção do saber científico, analisa     os fundamentos da ciência, e suas produções, pois o método delimita os parâmetros da realidade onde o objeto será construído… – sendo então, validado pela epistemologia.

Bachelard, em sua filosofia da ciência, não especifica as duas disciplinas. – Admite que o racionalismo, permanentemente almejado, exige a multiplicação e mudança constante de métodos  —  tornando a ciência cada vez mais ‘metódica‘… Observa também – que o conhecimento científico deve ser dinâmico, portanto… todo pensamento científico deve mudar diante de uma nova experiência”. Por isso não há métodos perenes… e discursos sobre eles serão sempre circunstanciais…(“Racionalismo aplicado”)… – quer dizer…

o pensamento muda com novas experiências, e estas                                       estão – sempre – atualizando o conjunto das teorias”.

Na mesma linha… – Morin diz que pretende conduzir um discurso não acabado, situado num lugar em movimento – num pensamento complexo que liga a teoria à metodologia, à epistemologia, e até à ontologia. Tal teoria permite a passagem de níveis do físico ao biológico, e deste ao antropológico… descrevendo — em uma metodologia aberta, e específica — ‘unidades complexas‘ .

1.4 CIÊNCIAS HUMANAS

Uma ‘epistemologia integral‘, tem por objeto o conhecimento científico em geral, além de seus problemas específicos setoriais. Mas, ocorre que, embora os objetos das ‘ciências regionais‘ sejam específicos, a ‘epistemologia integral’ não cabe a uma ciência específica… Daí, a seguinte questão:

A ‘epistemologia’ – vista como um todo –         não dependeria das ciências humanas?…

Acerca desta relação surgem 2 posicionamentos: para o ‘empirismo lógico‘ – a epistemologia é entendida como análise lógica das ciências … ou seja … sua linguagem é limitada ao que pode ser captado objetivamente; enquanto que – por seu lado… as “ciências humanas” se vinculam ao conhecimento de fatos situados no espaço e tempo.

Bachelard, partindo da ‘psicanálise do conhecimento objetivo’, relaciona epistemologia e ciências humanas… – destacando o valor da história das ciências e psicologia na reflexão sobre a reprodução do saber…

  “É preciso um incessante construir e reconstruir dialético da                  história passada, e da história sancionada pela ciência atual”.

Desta ‘contextualização epistemológica‘ surgem noções como obstáculo epistemológico e atos epistemológicos — essenciais à dialética proposta por Bachelard na compreensão do desenvolvimento científico. Nesta compreensão pois, a ‘epistemológica bachelardiana se configura como uma reflexão que ocorre pela constante volta ao passado… – a partir das certezas do presente, conforme a um contínuo processo de retificação do saber científico.

Neste contínuo movimento… – Bachelar se utiliza da ‘psicologia do conhecimento objetivo’ para desvelar o ‘processo de conhecimento’.

Morin, por sua vez, prega a necessidade de desenvolver uma ‘epistemologia da complexidade que possa convir ao conhecimento do homem…Em seus escritos,           deixa evidente a busca concomitante da ‘unidade da ciência’… e de uma teoria   subjacente da complexidade humana… – Entende ele que…“a ciência humana               não possui um princípio que enraíze o fenômeno humano no universo natural,             nem método apto a apreender a extrema complexidade…que o distinga de um             outro qualquer fenômeno natural conhecido”.

Em consonância com a ideia de epistemologia integral e regional de Bachelard, busca uma unidade das ciências, as quais teriam como objeto, não fragmentos estanques da realidade, mas sua totalidade. Pondera ele, no entanto, que a ideia da necessidade de uma unidade da ciência é incompatível com o quadro atual de fragmentação…

“É impossível, no quadro onde grandes disciplinas parecem corresponder às essências e matérias heterogêneas: o físico, o biológico, antropológico; mas é possível dentro do campo transdisciplinar da physis generalizada”.

Gaston Bachelard (1884-1962)

Gaston Bachelard

2) A Epistemologia de GASTON BACHELARD

Gaston Bachelard nasceu na região de Champagne, na França, em 1884. De origem humilde…trabalhava, enquanto estudava… Pretendia formar-se engenheiro, até que veio a 1ª Guerra Mundial… e impossibilitou a conclusão deste projeto. – Após o conflito, leciona no curso secundário as matérias de física e química.

Aos 35 anos, inicia seus estudos de filosofia… Suas 1ªs teses foram publicadas em 1928…  —  ‘Ensaios sobre o conhecimento aproximado’ e ‘Estudo sobre a evolução do problema físico da propagação térmica dos sólidos’.

Seu nome passa a se projetar, e é convidado, em 1930, a lecionar na Faculdade de Dijon. Mais tarde, em 1940, vai para a Sorbonne, onde passa a lecionar cursos… que são muito disputados pelos alunos…devido ao espírito livre, original e profundo deste filósofo que, antes de tudo, sempre foi um professor. – Bachelard ingressa em 1955 na Academia das Ciências Morais e Políticas da Françae em 1961 é laureado com o ‘Prêmio Nacional de Letras‘.

Bachelard morreu em 1962. Dentre suas obras diurnas, destacam-se  “O novo espírito científico”, de 1934; “A formação do espírito científico”, de 1938; “A filosofia do não”,       de 1940; “O racionalismo aplicado”, de 1949 … e “O materialismo racional”, de 1952. Dentre as obras noturnas destacam-se “A psicanálise do fogo”, de 1938; “A água e os Sonhos”…de 1942; “O ar e os sonhos”…de 1943; “A terra e os devaneios da vontade”,         de 1948; e “A poética do espaço”, de 1957.

Objetivos e normas teóricas:

a) O filósofo deve ser contemporâneo à ciência de sua própria época;

b) tanto o empirismo, de tradição ‘baconiana’…quando o racionalismo                                   idealista, são incapazes de dar conta da prática científica real e efetiva;

c) a ciência é fato essencialmente histórico;

d) a ciência possui irresistível caráter social.

2.1 PRINCIPAIS INSTRUMENTOS TEÓRICOS 

Bachelard é considerado o pai da epistemologia contemporânea… tendo lançado as bases do chamado ‘racionalismo aberto‘…que tem seus fundamentos na renovação histórica das descobertas científicas, através da crítica da epistemologia tradicional…Em sua teoria, desenvolve ‘instrumentos teóricos’, a que ele chama de… — ‘psicanálise do conhecimento objetivo’… ‘racionalismo aplicado’… e ‘materialismo técnico’.

Trabalha também com algumas noções fundamentais à sua epistemologia – tais como… corte epistemológico‘, ‘descontinuidade‘ … obstáculos’ … perfil’ … e…região epistemológica‘… elaborando um novo racionalismo…   que…como diz Hilton Japiassu em seu livro… “Para       Ler Bachelar”…“Se constrói instaurando uma ‘ruptura’ entre o saber comum e o conhecimento científico. Não     há verdades primeiras… — mas sim … erros primeiros. Quando se apresenta à ‘cultura científica’ — ‘o espírito nunca é jovem’, pois tem a idade de seus preconceitos. Submeter-se à ciência é aceitar uma ‘mutação brusca‘,   que deve contradizer o passado…

…Para o espírito científico, todo conhecimento responde a uma questão. – Se não há questão, esse conhecimento não pode existir… – Porque nada é dadoTudo é construído”.

Em sua obra “Conhecimento Comum e Conhecimento Científico” Bachelard coloca esta ruptura nítida e evidente… Entre o conhecimento comum e o conhecimento científico, a ruptura parece tão nítida, que estes tipos de saber não poderiam ter a mesma filosofia”.

O empirismo é a filosofia que convém ao conhecimento comum, encontrando aí sua raiz, suas provas, seu desenvolvimento. O conhecimento científico, ao contrário, é solidário com o racionalismo… que, quer se queira ou não, reclama fins científicos. Pela atividade científica, com efeito, o racionalismo conhece uma atividade dialética, que exige constante extensão de seus métodos.

2.2 O ‘conhecimento aproximado’ (por tentativa e erro)

Em 1927…Bachelard lança sua teoria acerca do “conhecimento aproximado, na qual utiliza o conceito de aproximação ao invés de identidade, ao referir-se ao conhecimento     da realidade… Afirma que o conhecimento científico constrói-se a partir de retificações, que o vão aproximando do real… – É a ‘filosofia do trabalho‘… – da ‘tentativa e erro’.

tentativa-e-erro

Na obra supracitada… ele desenvolve a ideia de que  ‘a abordagem do “objeto científico”  deve ser feita através do uso sucessivo de diversos métodos, um superando outro, para a evolução do saber’

A esta constante superação chamou de proximacionismo’, conceito fundamental em sua epistemologia. O espírito científico é essencialmente uma retificação do saber…um alargamento dos quadros do conhecimento…que julga o seu passado condenando-o. A sua estrutura é a consciência dos seus erros históricos’…

“Cientificamente, pensa-se o verdadeiro como a retificação histórica de um longo erro…e a experiência… – como retificação de uma 1ª ilusão comum”.

2.3 Filosofia & Ciência (a ‘história recorrente’)

A epistemologia proposta por Bachelard é tão flexível quanto o conhecimento científico, que se constrói a partir de constantes retificações. Na teorização de sua ‘razão aberta‘, por exemplo… Bachelard propõe uma evolução em consonância com o saber científico… Para isso… cria a noção de “história recorrente” — que permite à epistemologia uma projeção sobre o passado das ciências – a partir dasluzes do presente‘…de modo que a filosofia evolua nos mesmos moldes… compatíveis com o espírito científico.

O autor busca fundamentos para sua epistemologia nas mais diversas áreas…da química, matemática e física. – Em especial, a física relativística de Einstein e a física quântica, as quais…ao discutir conceitos como espaço…tempo…e causalidade – confirmam a ideia de que a ciência avança com as rupturas epistemológicas (paradigmas).

Nesse sentido, Bachelard faz uma subdivisão – em 1º lugar trata de problemas específicos da física, da matemática, e da química – para, em seguida… – tratar da proposta filosófica de uma ‘filosofia da ciência‘, elaborada conforme a concepção evolutiva do conhecimento, e de acordo com uma epistemologia histórico e crítica.

“A razão deve obedecer à ciência – a geometria, a física, a química… e a aritmética são ciências – A doutrina tradicional de uma razão absoluta, imutável – nada mais é…senão uma filosofia (… que já teve sua época)“.

Seguindo esta ideia, o conhecimento é histórico‘… pois o espírito tem estrutura variável, logo…“o instrumento para a investigação científica não é a lógica, como dizia o neopositivismo, mas sim, a história da ciência“.

O autor penetra no mundo da descoberta científica como uma atividade filosófica nova, que se propõe a acompanhar a evolução do conhecimento científico. Para tal, parte dos conceitos atuais, e faz uma releitura da história científica buscando os conceitos que se mantêm, e aqueles que são ultrapassados…

2.4 Os obstáculos epistemológicos

Se o conhecimento científico avança por sucessivas ‘rupturas epistemológicas‘, a busca da verdade nada mais é… que um constante ‘aproximacionismo’… onde a função da ciência se faz presente numa constante retificação… superando os obstáculos epistemológicos.

Ao buscarmos as condições psicológicas do ‘progresso científico’, chegamos logo à convicção de que o problema do saber científico, deve ser colocado em termos de obstáculos. E, estes não se tratam de externos; a lentidão e as disfunções, por exemplo, surgem no interior do próprio ato cognoscitivo.

É aí que podemos mostrar causas de estagnação…e até repressão – e assim descobrir aquelas “causas de inércia”…ditas… “obstáculos epistemológicos”.

Em termos simples, poder-se-ia dizer que os ‘obstáculos epistemológicos são ideias que impedem ou bloqueiam outras ideias, pois implicam uma parada do pensamento, isto é, um ‘contrapensamento’… Afirma Bachelard que é através deles que se analisam as condições psicológicas do progresso científico… – O ato de ‘conhecer’ dá-se contra um conhecimento anterior… – destruindo conhecimentos mal estabelecidos.

Um exemplo destas ideias-obstáculo são os ‘dogmas ideológicos‘… — que sustentam…e legitimam o discurso científico. Tais empecilhos proliferam-se nas formas de pensamento do ‘racionalismo idealista’, e ‘realismo ingênuo’.

Para superar os obstáculos das ciências…toma-se a ideia de ‘racionalismo aplicado‘ para designar a ciência trabalhada pela inteligência; se opondo ao puro formalismo, ao convencionalismo… e idealismo absoluto… do positivismo, pragmatismo, e empirismo. Assim, Bachelar propõe como método, para identificação e remoção de obstáculos que bloqueiam o desenvolvimento do ‘espírito científico’… a ‘psicanálise’ do conhecimento científico, que baseada numa epistemologia própria, rompe com a tradicional ideia da ‘filosofia da ciência’, que procurava estabelecer conhecimentos universais e absolutos.

Para ele, é na ‘historicidade das ciências‘ que emerge o conhecimento científico…retificando-se constantemente… – numa dialética profícua do já constituído, com o –       ‘a constituir-se’… “O conhecimento vulgar é feito de respostas … já o conhecimento científico, vive da agitação dos problemas”.

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3) A (ousada) Epistemologia de EDGAR MORIN “Conhecer não consiste necessariamente, em construir sistemas sobre ”bases pré-determinadas”… — trata-se, sobretudo… em dialogar com a incerteza… 

Edgar Morin, pseudônimo de Edgar Nahoum, nasceu em Paris em 8 de Julho 1921 – é sociólogo e filósofo francês de origem judaico-espanhola (sefardita). Pesquisador emérito do CNRS  (Centre National de la Recherche Scientifique).

É considerado um dos principais pensadores sobre a complexidade. Autor de dezenas de livros… entre eles: O método(6 volumes); ‘Introdução ao pensamento complexo’; ‘Ciência com consciência’; e ‘Os 7 saberes necessários para a educação do futuro.

A apresentação dos escritos de Morin – acerca do ‘pensamento complexo‘ expõe bem seu ponto de partida. – No mesmo viés de Bachelard, e em direta afronta ao pensamento científico moderno, enfaticamente… Morin apresenta a metodologia com a qual sua obra   a respeito do “pensamento complexo” pretende tratar… — “Pedimos … legitimamente ao pensamento, que dissipe as brumas da obscuridade – colocando ordem e clareza no real.”

A palavra complexidade exprime nosso embaraço e incapacidade em definir as coisas de maneira simples — de pôr ordem em nossas ideias… E, é justamente sobre ela  não como ‘chave’… mas como ‘desafio’ – ainda mais especificamente… como ‘desafio do pensamento na revelação da complexidade’, à que se dedica Morin. – Se complexidade é o tema em sua obra… – nela, num paralelo à Bachelard, se buscará sua epistemologia. Antes porém, duas observações são necessárias… — uma a título de ‘conceituação’… – outra…como ‘ressalva’. 

Quanto à ‘conceituação‘, Morin define complexidade como aquilo que não se pode resumir a uma ‘palavra mestra‘… O que não pode reduzir-se a uma lei ou a uma ideia simples… Portanto…’complexidade‘ é uma palavra problema, e não uma solução.

Sua ideia fundamental é denunciar a “metafísica da ordem” … vista como princípio do pensamento que julga o mundo… e não como deveria ser… 

princípio revelador da                  essência do mundo

E, Morin argumenta… ainda existir ‘ressalvas‘ a serem feitas quanto à necessidade de se dissipar 2 ilusões:

A primeira é crer que a complexidade conduz à eliminação da simplicidade. (A complexidade aparece somente onde o pensamento simplificador falha… enquanto este desintegra a complexidade do real – o pensamento complexo integra — o mais possível… os diferentes modos simplificadores de pensar.)

A 2ª ilusão é confundir complexidade com completude…  – o pensamento complexo aspira ao conhecimento multidimensional… enquanto que a totalidade é a ‘não-verdade’; ou seja… ‘a complexidade não é a chave do mundo… – mas…o desafio a ser enfrentado.’

E, tendo em vista que o pensamento complexo busca revelar…e por vezes ultrapassar o desafio… – a epistemologia do pensamento complexo rompe com a ‘matriz moderna’ … propondo um novo posicionamento do indivíduo diante da realidade, e portanto…uma nova forma de ver o mundo.

3.1 A RUPTURA com a Epistemologia da CIÊNCIA MODERNA

Para tratar da ‘epistemologia‘… Morin faz uma retomada às circunstâncias do século XIX, dizendo que os físicos ensinavam o princípio da desordem tendente ao mundo, a arruinar qualquer coisa organizada… enquanto os historiadores e biólogos pregavam um princípio de progressão das coisas organizadas… De modo que, parece haver um contraponto entre as ciências… – se umas tendem à ‘decadência’… – outras tendem ao ‘progresso’.

Assim, o autor se questiona acerca de como seria possível associar as 2 visões sobre a mesma realidade … e dá a entender que não é esta que é fragmentada, e sim… as leituras que se fazem dela é que são limitadas.

maquiavel

A ruptura com a concepção de ciência moderna é evidente na filosofia formulado por Descartesao separar o sujeito pensante (ego cogitans) e a coisa extensa (Res extensa)…e… pôr como ‘princípio da verdade’ … o próprio … “pensamento disjuntivo“.

O resultado é a “compartimentalização” na busca da “hiperespecialização”. Neste viés… ‘a função da ciência moderna é de compartimentar a realidade, em busca da universalização de suas leis’.

Na leitura de Morin, o ideal do conhecimento científico clássico era descobrir a ordem perfeita escondida por detrás da simplicidade aparente dos fenômenos. Tal concepção    leva a uma inteligência cega, pois…“destrói o conjunto das totalidades, isolando todos objetos daquilo que os envolve… – As ‘realidades chaves’ são desintegradas, passando entre as fendas que separam as disciplinas”. Para o autor, tal leitura não é condizente   com a necessidade de unir a ciência com a complexidade humana…

“Afinal, de que serviriam todos os saberes parciais, senão para formar uma configuração que responda nossas expectativas… nossos desejos… – nossas interrogações cognitivas?”… E para isso é preciso uma nova epistemologia!

3.2 A EPISTEMOLOGIA DA COMPLEXIDADE

Morin parte da ideia de que a própria necessidade do tipo de pensamento complexo que sugere, exige a reintegração do observador em sua observação. Desse modo, a ciência do homem não possui um princípio que enraíze o fenômeno humano no universo natural – nem um método apto a apreender a extrema complexidade… que o distinga de qualquer outro fenômeno natural conhecido.

Trata-se, portanto, de…’reintegrar o homem entre os ‘seres naturais’,       para distingui-lo neste meio… mas, não… para reduzi-lo a este meio.’

E assim, desenvolver uma teoria, uma lógica…uma “epistemologia da complexidade que possa convir ao conhecimento do homem. Portanto o que se busca aqui é a ‘unidade da ciência‘  em termos de uma ‘teoria da complexidade humana’, onde a ciência encontre seus fundamentos…no consenso do conflito, se desenvolvendo com base em 4 elementos independentes e interdependentes:

a racionalidade … o empirismo … a imaginação … e a verificação.

Racionalidade e empirismo‘ são antagônicos – à medida que as descobertas empíricas destroem e atualizam as construções racionais; ao passo que ‘verificação’ e ‘imaginação’   se adicionam…“a complexidade científica é representada na presença do observador”. Esta imbricação entre científico e não-científico, entre elementos demonstráveis, e não demonstráveis, acarreta que a ciência nunca chega ao objeto que procura…Para Morin:

“Há…com efeito, não apenas níveis e escalas — há igualmente os ângulos de visão, o ponto de vista do observador, além dos níveis de organização. E em diferentes níveis de organização emergem certas qualidades e propriedades características desses níveis”.

congestionamentoA essência da ‘complexidade’ é pois…a impossibilidade de se homogeneizar, e reduzir… Nesse sentido … Bachelard  defende a necessidade de uma ‘teoria da complexidade‘ na ciência… mais apta às necessidades da ‘atualidade‘…

“Enquanto que a ciência de inspiração cartesiana tratava, ‘mui logicamente’, o complexo como simples … – o ‘saber  científico contemporâneo’ tenta encontrar o pluralismo…imerso na identidade”.

Do delírio da lógica à ‘hipercomplexidade’                                                                      

De acordo com Morin“A razão não é um dado a priori, podendo autodestruir-se por processos internos, isto é… pela própria racionalização. – Este é o ‘delírio da lógica’ de uma coerência que deixa de ser controlada pela realidade empírica”. De tal ideia brota     a ‘racionalidade’…“que, reconhecendo a incomunicabilidade, dialoga com o irracional.”

Tal racionalidade é profundamente tolerante aos mistérios. Porém, a humanidade vive uma época de transição na concepção de espaço e tempo…antes, parâmetros fixos, que permitiam a ‘ideia de certeza’ das ciências – mas, agora…’complexos‘… exigindo uma nova “perspectiva dimensional”.

‘O espaço e o tempo não são mais entidades absolutas e independentes’… Não só não há mais uma base empírica simples, como também uma base lógica simples, com noções claras e distintas, realidade não ambivalente, não contraditória, estritamente definida…para formar o substrato físico.

Wladimir Kush - 'On this way'

Wladimir Kush – ‘On this way’

Resulta daí uma consequência capital: o ‘simples’ (categoria da “física clássica” – modelo de qualquer ciência), não é mais fundamento de todas coisas — mas uma passagem, da complexidade microfísica,        à macrocósmica…  —  A nova conduta… adequada à nova realidade…é, não mais       negar o que…não pode ser classificado… simplificado… – mas, o reconhecimento       da realidade complexa…e a procura por uma complexidade ainda mais fecunda.

Noutros termos, o conhecimento científico deve evoluir, não do simples ao complexo, mas para uma complexidade cada vez maior… — uma ‘hipercomplexidade‘… onde o ‘simples‘ não passa de um… “aspecto momentâneo“… entre várias complexidades.

Tendência à ‘autorganização’

Considerando a tendência à ‘complexificação’ crescente, em função dos desenvolvimentos da autorganização (autonomia, individualidade, criatividade etc.) chegamos, enfim…ao ‘cérebro humano’, onde se dão os fenômenos da mais alta complexidade… Para Morin…a humanidade vive um contraponto – entre o processo global…e a consciência individual. Analisa ele…que o mundo vive a ‘idade de ferro planetária’, enquanto o ‘espírito humano’ vive a sua ‘pré-história’… estando ainda no início do plano consciente – vivendo em uma época de transição de fim de um tempo, e esperança em outro.

‘idade de ferro planetária’ indica que entramos na era planetária, onde todas as culturas, todas as civilizações… estão doravante, em uma interconexão permanente… E, ao mesmo tempo indica que, através das telecomunicações … assistimos a uma barbárie total das relações entre raças, culturas, etnias, potências, e nações.

3.3 CONCLUSÃO

O presente estudo deixa evidente que, uma das principais marcas de congruência entre     os  autores estudados… – é o fato de ambos criticarem o pensamento científico clássico, evocando a ideia da complexidade na ciência.

Ao tratar da epistemologia como reflexão histórico/crítica da produção de conhecimento científico… — tanto Bachelard quanto Morin propõem uma reconstrução do pensamento filosófico, visto que nos moldes modernos, este está enraizado em sistemas fechados que pretendem traçar os limites do conhecimento científico…mas, em nada contribuem para     as circunstâncias atuais de uma ciência aberta e dinâmica.

Bachelard critica no pensamento moderno, uma leitura simples e absoluta dos elementos, em que a “natureza do objeto se encontra  separada totalmente das relações com outros objetos; e propõe que se ponha em evidência, ao invés da epistemologia cartesiana, o ideal de ‘complexidade’ da ciência contemporânea, que se constrói, desenvolve e progride — por meio de uma ‘ruptura’ com o saber anterior.

Morin… retomando muitos aspectos da   ‘epistemologia  bachelardiana’, destaca que   o pensamento determinista…quantitativo e mecanicista, isola e fragmenta o saber, o que permite que especialistas alcancem alto desempenho, em áreas específicas. – No entanto, distanciando-se da realidade social – e dos problemas, uns dos outros, de modo a perder a ‘visão global’ do contexto planetário … da real complexidade dos ‘problemas humanos’. 

Diante disso, os 2 defendem que o discurso filosófico precisa estar vinculado aos discursos das diversas ciências… e, mais que isso… que cada ciência deve ter a sua própria filosofia. Em conformidade com este raciocínio… a cada problema do pensamento científico devem existir diferentes elementos de reflexão filosófica… – de modo que, cada problema…cada experiência, exigiria sua própria filosofia… Outrossim, ambos evocam a necessidade do pensamento científico trabalhar com a realidade coletiva.

Ao criticar o método da individualização mecânica, que trata seu objeto como individual, separado e distinto, os autores propõem que o pensamento cientifico deva ser percebido, definido e inserido em um “grupo”. Esta noção de grupo permite a inclusão da noção do particular e do geral, do uno e do múltiplo.

Nesta nova perspectiva, em última análise, Bachelard e Morin propõem uma ruptura no conhecimento científico…tornando-o apto a atender ao conjunto de mudanças da globalização, e ao consoante posicionamento multicultural exigido. Jean Mauro Menuzzi (texto base) ## (Dez/2008)

consulta / ilustração: ‘Contribuições de Bachelard à Epistemologia da Ciência’  # ‘Gaston Bachelard e o Novo Espírito Científico’O fenômeno Criador na Poesia  # ‘Edgar Morin’   ]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]]](texto complementar)[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[[

Sistemas Complexos e o Caos Determinístico (trecho)

Até recentemente, sistemas dinâmicos eram classificados em 3 categorias…segundo       o  padrão de variação no tempo das grandezas que caracterizam os seus estados… a) estáveis, convergindo para um valor fixo; b) periódicos, estabelecendo-se em       oscilações periódicas; c) imprevisíveiscaracterizado por flutuações irregulares.

Porém, em 1963, Edward Lorenz, enquanto estudava um modelo de previsão do tempo,   fez uma descoberta que surpreendeu o mundo. Seu modelo seguiu um curso que não se enquadrava como randômico, periódico, ou convergente; exibindo um comportamento bem complexo — embora definido apenas por poucas, e simples ‘equações diferenciais’.

A dinâmica gerada pelo modelo exibia uma característica não usual;         2 pontos localizados a uma distância ínfima, seguiam rotas temporais bastante divergentes. – Esta observação levou Lorenz a concluir que a previsão do tempo, num intervalo de longo prazo … não seria possível.

Sistemas – como o de Lorenz…são chamados ‘caótico determinísticos’, ou seja  …  —  embora apresentem comportamento aperiódico… bem como imprevisível… sua dinâmica complexa é obtida em diferenciais equações determinísticas simples.

(a química tem enfatizado estudos     de ‘fenômenos não-lineares’ – por aproximações lineares simples…)

A divergência de rotas muito próximas… observada por Lorenz, é uma das características principais de sistemas complexos, que exibem resposta caótica. Este efeito é denominado ‘sensibilidade crítica às condições iniciais’… – Um famoso exemplo…é o chamado ‘efeito borboleta’, que diz que pequenas flutuações no ar – causadas pelo bater de asas de uma borboleta… podem gerar consequências inimagináveis.

A “sensibilidade crítica às condições iniciais” é a característica fundamental… que difere   os ‘sistemas complexos caótico determinísticos’ dos sistemas que apresentam ‘respostas randômicas ou estocásticas’. Para estes sistemas (randômicos ou estocásticos), a mesma condição inicial pode conduzi-los a estados bastante distintos – em pequenos intervalos   de tempo… o que não ocorre nos sistemas ‘caótico-determinísticos’.

Quando se mede um sinal temporal discreto, sempre se deseja encontrar as equações que governam a dinâmica deste sistema. Se este sinal for caótico…deseja-se determinar se o sistema é caótico determinístico, ou randômico… – No caso de um ‘sistema caótico-determinístico’ descreve-se sua dinâmica por um conjunto finito de equações diferenciais.

Sendo o sistema ‘randômico’, este seria descrito por funções probabilísticas… – devido ao seu elevado grau de liberdade.

Atualmente… a ‘Teoria do Caos‘ é utilizada como uma “ferramenta de observação” de fenômenos previamente mal compreendidos do ponto de vista determinístico, tais como fenômenos meteorológicos, turbulência em fluidos, fluxo de calor…ritmos biológicos… e geológicos, movimentos econômicos, etc. ** Marcelo C. Gandur (texto base) * ago/2001

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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2 respostas para Epistemologia da Complexidade (Bachelard & Morin)

  1. SOLANGE disse:

    Adorei a reflexão, continue.

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