O Universo Indivisível de Bohm

“As nossas teorias devem ser consideradas — não como um conhecimento absolutamente verdadeiro das coisas, mas, primariamente, como formas evolutivas de se observar o universo… como um Todo”…     (David Bohm)

david-bohm frase

David Bohm  (1917-1992), nascido nos EUA, se tornou PHD em Física…  no ano de 1943  –  na Berkeley/UCLA, sob orientação de J. Robert Oppenheimer…  E…a partir de 1946 passa a lecionar na ‘Universidade de Princeton’.

Publicou, na época, uma série de artigos a cerca de variados temas da física  –  em especial, ‘Oscilações do plasma nos campos magnéticos‘, chegando a desenvolver uma teoria relevante nos estudos da fusão… em um fenômeno, hoje conhecido comoDifusão Bohm.

Aprofundando o interesse emergente pelos fundamentos da ‘teoria  quântica‘, elaborou artigos reinterpretando-a…tendo, inclusive, marcado a história das interpretações desta teoria, no trabalho intitulado … Uma proposta de interpretação da teoria quântica em termos de variáveis ocultas’  –  no qual, buscava uma descrição causal e objetiva para os fenômenos quânticos.

Em 1949, atingido pelo ‘McCarthysmo’… pouco antes da elaboração do artigo, Bohm perdeu sua condição de trabalhar nos EUA. Quando o trabalho foi publicado ele já se encontrava no Brasil trabalhando na USP, onde permaneceu – de outubro de 1951, a janeiro de 1955.

Para a física brasileira foi também o período da consolidação institucional da pesquisa. Bohm colaborou neste processo, ministrando cursos, proferindo seminários, escrevendo sobre a física e seu ensino no Brasil – e interagindo com físicos brasileiros, em função do desenvolvimento de seu programa científico.

Seu primeiro livro Quantum Theory’, publicado em 1951, é considerado, até hoje, um clássico no assunto — utilizado amplamente em universidades de todo mundo — assim como Casualidade e Acaso na Física Moderna’ , de 1957 …  Dos estudos sobre as ‘variáveis ocultas’ – em uma nova interpretação da Mecânica Quântica  emergiu a sua teoria da ordem implícita’…

propondo que uma  ‘ordem oculta‘  atua — sob o aparente  ‘caos‘  da falta de continuidade das partículas individuais da matéria,  descritas   pela mecânica quântica. Bohm, a exemplo de Einstein, mas por razões diferentes, rejeitava e refazia as interpretações quânticas emergentes.

A ordem implícita (do vácuo)

Associadas ao domínio de microdistâncias e elevadas energias, esse novo tipo de teoria abre caminho a novas possibilidades na eliminação de fundamentais divergências, tais como efeitos infinitos em ‘flutuações quânticas

Além disso, a demonstração da possibilidade de umateoria das variáveis ocultas‘ pode servir – de um modo filosófico – para nos lembrar das incertezas nas conclusões, baseadas na suposição de completa universalidade… em certas características de uma dada teoria, à revelia de seu domínio de validade.

A ideia básica é que – naordem implícita‘ – não somente lidamos, sempre, com o todo (como faz a ‘teoria de campo’), mas também, dizemos que as conexões do todo nada têm a ver com a localização no espaço e no tempo, mas com uma qualidade inteiramente diversa, denominada abrangência.

Em geral, a totalidade da ‘ordem abrangente‘ não se manifesta para nós – apenas um certo aspecto dela. Quando trazemos essa ‘ordem abrangente’ para o aspecto manifesto… — verifica-se uma experiência de “percepção“; mas a totalidade da ordem não é apenas aquilo que se manifesta.

Segundo Bohm, a matemática moderna da teoria quântica considera a partícula como um “estado quantizado do campo”… Isto é, um ‘campo’ espalhado no espaço… e – de alguma forma ‘misteriosa‘…dotado de um ‘quantum‘ de energia…  —  em que cada onda do campo apresenta certo quantum  de energia proporcional à sua frequência.

Por exemplo…no ‘campo eletromagnético’  do espaço vazio, cada ponto possui aquilo que se chama… energia do ponto zero, abaixo da qual não pode descer — mesmo não havendo qualquer energia disponível.

Porém… se pudéssemos juntar todas as ondas em uma região, por menor que seja, iríamos descobrir estarem dotadas de uma quantidade infinita de energia – já que é possível um nº infinito de ondas…Contudo, caso se avaliasse a quantidade de energia no espaço, com essa onda de comprimento mínimo – concluiríamos que a energia existente em um centímetro cúbico ultrapassa, em muito, a energia total da matéria conhecida no universo.

A teoria moderna explica tal excentricidade, afirmando que o vácuo contém toda a energia, até então ignorada (pelos físicos)…por não poder ser mensurada por instrumentos. Porém, em termos estritos (‘positivisticamente’ falando)  –  apenas o que pode ser mensurado por instrumentos deve ser considerado real (apesar do fato de algumas informações físicas sobre a existência de ‘partículas virtuais’ … serem ‘absolutamente’ não-mensuráveis por qualquer instrumento).

Assim, o que se pode dizer é que o atual estágio da física teórica implica a aceitação de que o espaço vazio possui esta energia.  E a matéria, muito embora dotada de relativa estabilidade; e revestida de ‘caráter manifesto‘, não passa de uma minúscula onda, nesse portentoso oceano, que não está primordialmente no tempo… nem no espaço  — mas, precisamente… na ordem implícita – ‘não manifesta’, que … supõe-se ser a fonte última e imensurável…  fora do alcance de nosso conhecimento.

A mecânica ‘bohmiana‘… “Por sermos capazes de ordenar o que fazemos – podemos desempenhar um papel funcional na produção de uma ordem superior, que…sem nós…seria inviável. Não apenas a modificamos levemente…mas, principalmente  —  embora provoquemos minúsculas mudanças no todo…isso é crucial para que essa ordem possa transformar-se em algo novo, capaz de por em ação o seu potencial… – Somos parte do movimento, somos parte da maneira com que a vida molda a si própria” (David Bohm)

O modelo construído por Bohm trata um sistema quântico – o elétron, por exemplo, como uma partícula com posição e momento bem definidos, em todos os instantes; e, submetida a um campo físico real análogo, mas não idêntico, ao campo eletromagnético – que estaria na origem de suas propriedades quânticas. Reescrevendo a função de onda que é solução da equação de Schrödinger, ele busca analogias com a física clássica, especialmente com o formalismo hamiltoniano da mecânica quântica.

equação de schrödinger

Um obstáculo a esta analogia é que,   a energia mecânica total do sistema, representada pelo  ‘Hamiltoniano’, comparece nas equações derivadas por Bohm com um 3º termo (além das energias cinética e potencial), que, não possui análogo clássico.

Bohm propõe então… interpretar literalmente este termo como um ‘potencial não clássico’ — que ele denomina de potencial quântico‘.

Assim, neste modelo, a ‘mecânica newtoniana clássica não perde a validade, no domínio quântico, e Bohm a expressa escrevendo a 2ª lei de Newton para uma partícula quântica. Com a equação de movimento dada pelas leis de Newton… e mais as condições iniciais – tem-se, então, recuperado o conceito de – trajetória no espaçotempo – que perdeu seu sentido exato na interpretação usual da teoria quântica.

No modelo de David Bohm, as variáveis… ‘momento‘ e ‘posição‘ de uma partícula, bem definidas com relação à teoria quântica, são denominadas suas  variáveis ocultas’.

Elas têm existência simultânea, porém não aparecem explicitamente no processo, a não ser na forma do ‘potencial quântico’…Conseguindo reproduzir, com seu modelo, alguns dos principais resultados da teoria quântica não-relativística Bohm obteve êxito em seu propósito básico, o de demonstrar a possibilidade de uma…

‘interpretação causal para os fenômenos quânticos’.

A interpretação de Bohm…                                                                                                    ‘A natureza, sob determinados aspectos, cria através da evolução’

Como se sabe a teoria quântica não admite uma definição simultânea (em medida) das variáveis momento e posição. Na interpretação clássica da teoria quântica elas estão condicionadas às relações de ‘indeterminação‘ de Heisenberg… — Devido à finitude do quantum de ação expresso pela constante de Planck… – a descrição no espaçotempo – trajetórias bem definidas; e as leis de conservação do momento e da energia – que não dependem das trajetórias – são abordagens complementares…na visão de Niels Bohr.

A interpretação bohmiana da teoria quântica se baseia nos conceitos da ‘não-localidade’, ‘potencial quântico’ e ‘informação ativa’. É uma interpretação que pela não existência do dualismo partícula/onda (o elétron é uma partícula real, guiada por um campo potencial quântico real) nega as características centrais (clássicas) da mecânica quântica, gerando, não somente uma nova (apesar de radical) interpretação, como descrevendo um mundo onde conceitos como causalidade, posição e trajetória têm significado físico concreto; e, onde experimento e experiência englobam um todo indivisível.

Nesse novo modo de ver — através de uma ‘teoria ontológica da matéria‘… não há necessidade de dividir o mundo em um domínio quântico e outro clássico… – os fatos concretos existem…”ab initio”.

Os efeitos quânticos são gerados por um novo potencial não local, chamado potencial quântico (Q), que decorre, naturalmente, da ‘equação de Schrödinger’, ou da equação de Wheeler-DeWitt, não assumindo valor zero no infinito… se tornando, portanto, uma alternativa da Mecânica Quântica à ‘interpretação de Copenhage‘, que pode se adequar perfeitamente à Cosmologia Quântica.

Bohm também propôs, que nosso universo teria surgido do colapso de um ‘universo de luz’; que seria um universo sem espaço nem tempo, que não existem à velocidade da luz.

(… um universo só de luz não teria espaço nem tempo – seria um não-instante/não-lugar, onde todos instantes são um só… e, todos os pontos do universo se encontram  no mesmo lugar, infinitamente pequeno.)  

– A relatividade restrita nos diz que o espaçotempo se contrai à medida que aceleramos. Em nossa percepção – à velocidade da luz…todo espaço do universo se contrairia num único ponto infinitamente pequeno, que não ocupa espaço…e todos instantes – do mais remoto passado, ao mais distante futuro… seriam somente um   ‘não-instante‘. Assim, definiríamos um raio de luz… como:

“O meio através do qual o universo inteiro se concentra em si mesmo. – É energia e informação; conteúdo, forma e estrutura. É o potencial de tudo”.

Do ponto de vista da moderna teoria de campo, oscampos fundamentais seriam os dotados de energia superior (eles poderiam se mover à velocidade da luz) … nos quais a massa pode ser negligenciada – a massa…por sua vez, seria uma espécie de efetivação de um fenômeno originado da conexão dos raios luminosos – em seus avanços e recuos.

A matéria se constituiria da condensação de ondulações eletromagnéticas (ou gravitacionais)  –  sujeitas a velocidades médias  –  inferiores à da luz.

http://www.altering-perspectives.com/2013/08/expanding-our-awareness-to-see-multi.html

Potencial quântico é uma função no ‘espaço de configurações’ que se encontra determinada pela ‘função de onda‘ …  —  Isso sugere que a “Mecânica Bohmiana” requer uma peculiar dependência dinâmica quanto à probabilidade (na Mecânica Bohmiana, as velocidades não são independentes de suas posições… – como ocorre na ‘Mecânica Clássica’).

Sabendo que a equação de Schrödinger define o movimento do elétron… e indica respostas para questões sobre a sua natureza e comportamento – inicialmente… Bohm dividiu a equação de Schrödinger em 2 partes… — A primeira era uma recapitulação da física newtoniana clássica  —   e a 2ª… um ‘campo informativo‘ semelhante a ondas… — Logo após… em oposição a Niels Bohr e à escola de Copenhage (complementaridade onda/partícula), postulou que:

‘o elétron se comporta como uma partícula clássica comum,                        mas, tendo acesso à informação sobre o resto do universo.’

Bohm então, denominou o segundo termo de ‘potencial quântico‘… um campo informativo funcional que fornece ao elétron informações sobre o resto do universo físico. Demonstrou que a influência desse potencial quântico dependia apenas da forma – e não da magnitude desse tipo de função de onda… – sendo, portanto – independente da separação no espaço:

‘… todo ponto no espaço contribui com informação para o elétron’.

(Esta explicação para o comportamento do elétron tem relação com o fenômeno EPR – com o conceito de holomovimento – e, com as ordens implícita e explícita que o compõem)

Teoria da onda piloto                                                                                                   Enquanto os fundadores se debatiam sobre a questão – partícula ou onda, De Broglie, em 1925, propôs a resposta óbvia: partícula & onda … — “Não está claro… a partir da diminuta cintilação na tela, que se trata de uma partícula?…E também não está claro,     a partir dos padrões de difração e interferência  –  que o movimento da partícula   é orientado por uma onda?”… 

“Assim… De Broglie mostrou, em detalhes, como o movimento da partícula, passando por apenas um, de 2 buracos em um anteparo, seria influenciado por ondas se propagando através dos 2 buracos; de tal modo, que esta não vai para onde as ondas se cancelam, mas é atraída para onde cooperam.” (J. Bell) 

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trajetória do experimento das 2 fendas, de acordo com a Teoria de Bohm

A interpretação de Bohm generaliza a teoria da onda piloto de Louis de Broglie (de 1927), a qual afirma que ambas (onda e partícula) são reais.

A função de onda evolui de acordo com a equação de Schrödinger, e, de algum modo ‘guia’ a partícula… Isto, se considerarmos um universo ‘não- dividido’ (ao invés da interpretação de muitos mundos) — e, portanto, numa ‘visão determinística’.

Bohm mostrou, como parâmetros poderiam  –  explicitamente  –  ser introduzidos na mecânica ondulatória não-relativista…com a ajuda dos quais a descrição indeterminista se tornaria determinista – de tal maneira que…a ‘subjetividade’ da versão ortodoxa (a referência necessária ao ‘observador’) fosse assim eliminada.

O detalhe é que a ‘Mecânica Bohmiana’ não é a Mecânica Clássica com um termo adicional de força. Na Mecânica Bohmiana as velocidades não são independentes das posições como o são classicamente, mas estão restritas pela equação guia.

Isto significa que o ‘estado do universo evolui ‘suavemente‘ através do tempo, sem o colapso da função de onda quando a medição ocorre (interpretação de Copenhague).     Contudo deve-se assumir a existência obrigatória de um grande número de variáveis ocultas, as quais nunca podem ser diretamente mensuradas.

É importante frisar que, sendo o modelo de Bohm ‘determinístico’ e ‘não-local‘, as suas ‘variáveis ocultas evitam (pelo seu caráter não-local) a “prova de impossibilidade” de Von Neumann, como bem observou John Bell, em 1966.

Variáveis ocultas

Cabe notar que a teoria proposta por Bohm, implica a mesma propriedade contida na interpretação usual (não-localidade) para ‘sistemas entrelaçados’ — espacialmente separados — propriedade esta, aliás… criticada por Einstein em seu argumento EPR.

Sendo extensiva aos processos de medida — também incorpora “variáveis ocultas nos próprios aparelhos de medida, incluídas no ‘Hamiltoniano’ da interação aparelho/sistema. Assim, a não-localidade no modelo de Bohm, é decorrência de considerar, no resultado das medidas de grandezas físicas… – interações dos sistemas com os aparelhos de medida.

O  ‘princípio de Heisenberg‘… ao expressar a impossibilidade de se fazer medições de precisão ilimitada no domínio quântico, deve ser considerado – basicamente… como uma expressão do grau incompleto de autodeterminação de todas entidades definíveis ao nível quântico-mecânico – pois, ao medirmos tais entidades –  utilizamos todos processos que ocorrem nesse nível…  o que acarreta os mesmos limites no seu grau de indeterminação.

Comparação das medidas de flutuação na temperatura da radiação do fundo do Universo com as previsões do modelo inflacionário, através da decomposição em esféricos harmônicos das flutuações observadas. Os observadores mediram a diferença de temperatura entre duas regiões do céu, separadas por um certo ângulo, e calcularam o quadrado desta diferença: (T1-T2)², medida em microkelvins² [(10-6K)²]. Calculando-se a média desta quantidade para diferentes pares de direções, obtém-se uma medida estatisticamente significativa. Se o Universo é aberto, as flutuações devem ser máximas em escalas de 0,5°

Exemplo: Comparação das medidas de flutuação na temperatura da radiação de fundo do Universo com previsões do modelo inflacionário – por meio de esféricos harmônicos das flutuações observadas… Foram medidas a diferença de temperatura entre 2 regiões   do céu – separadas por um certo ângulo – e, calculado o quadrado desta diferença: (T1-T2)², medida em microkelvins².

Calculando-se a média desta quantidade – para diferentes pares de direções – obtém-se uma medida estatisticamente significativa.  Se o Universo é aberto, as flutuações devem ser máximas em escalas de 0,5°… Sendo o Universo fechado, as flutuações deveriam ser máximas em escalas maiores que 1°.  Se o Universo é plano, as flutuações devem ser máximas em escalas de 1° ($\ell$=180º)… como observado. 

Obs. A separação angular é dada por \theta=\frac{180^o}{\ell} (http://astro.if.ufrgs.br/univ/)

Já os picos são reflexos das oscilações acústicas no plasma. Podemos assim, associá-los com os modos harmônicos desta oscilação. O primeiro pico representa o ‘harmônico fundamental’ a maior onda que poderia aparecer no meiodefinindo…portanto, o tamanho do Universo observável, ou escala angular do horizonte.

Os outros picos estão ligados aos outros harmônicos… A consequência dessa associação é que podemos determinar algumas das quantidades fundamentais do Universo; tais como idade, composição, geometria – com base no número, largura, altura e posição dos picos. Por que é importante estudar a RCFM?

Obviamente, processos subquânticos envolverão, basicamente, novos tipos de entidades, tão diferentes dos elétrons e prótons, quanto estes, dos sistemas macroscópicos. Assim, métodos inovadores, dependentes do uso de interações envolvendo leis subquânticas, deverão ser desenvolvidos para observá-los.

A partir de efeitos não limitados – em seu grau de autodeterminação…pelas leis da teoria quântica será possível obter uma correlação mais precisa, da que atualmente é permitida pelas relações de Heisenberg – entre um evento de larga escala observável… – e o estado de alguma variável subquântica.

Assim, respondemos às críticas de Bohr e Heisenberg, de que um nível mais profundo de ‘variáveis ocultas‘ — no qual o ‘quantum de ação‘ fosse divisível, jamais poderia ser revelado em qualquer fenômeno experimental. – De fato, somos também capazes de, em princípio, revelar a existência, e as propriedades de um nível subquântico, cujas relações com o nível clássico… — por seus efeitos nesse nível… — sejam relativamente indiretas…

E, objetivamente, podemos mostrar que o nível subquântico está lá… junto com suas leis, para ser pesquisado… — E, que essas leis podem explicar… e prever as propriedades dos macrossistemas em melhor precisão e maiores detalhes, do que as teorias atuais. 

http://www.dbohm.com/

O Universo Indivisível

Em seu livro póstumo, Bohm apresenta uma elegante e completa descrição do ‘mundo físico’… – a qual, em muitos aspectos, pode-se considerar mais satisfatória que a  ‘interpretação de Copenhague‘ … onde há uma esfera de realidade clássica para grandes objetos (com grandes nºs quânticos), e outra esfera quântica separada.

Uma novidade das abordagens mais recentes (Bell  inclusive) é a não utilização do conceito de ‘potencial quântico’… — que incorpora a “não-localidade da teoria… – satisfazendo-se, apenas, com uma equação que fornece as velocidades das partículas… tornando  assim irrelevantes… — os problemas decorrentes da extensão da teoria ao ‘domínio relativístico’.

A reescritura que Bohm fez da ‘equação de Schrödinger’ — por variáveis que parecem interpretáveis em ‘termos clássicos’ — não é feita sem custos… e o mais óbvio deles é o aumento de ‘complexidade‘…O próprio ‘potencial quântico’ para Bohm, parecia um tanto estranho e arbitrário…  — Além do que… não seria muito satisfatório pensar na ‘revolução quântica’ como equivalente ao insight de que, afinal…a natureza é clássica (exceto por existir).

consulta:  ‘Mecânica Bohmiana’  # ‘Bohm – estadia no Brasil’ # ‘Bohm e a controvérsia do Mundo dos Quanta’ # ‘Interpretação da Onda Piloto’ # ‘D. Bohm’ (Saindo da Matrix)  ‘Interpretação de Bohm’  # Entrevista com Bohm # David Bohm Society # ‘Medição Fraca’  **************************(texto complementar)**************************************

David Bohn – “Totalidade e a Ordem Implicada” (resumo do livro)    

Krishnamurti

‘A parte e o Todo’    

O ‘pensamento’ é um processo material, cujo conteúdo consiste… na reação total da memória – incluindo os sentimentos, reações mecânicas; e, mesmo sensações físicas…que se originam no individuo, e são incorporadas…ao próprio ambiente da atividade humana. 

Guiado por uma visão, provinda de um hábito – quase universal…de abordar o conteúdo do pensamento como se fosse uma descrição do mundo como ele é —    o homem passa a agir de tal forma, que tenta romper consigo mesmo – e, com o mundo que o rodeia, para que tudo venha a corresponder com sua forma de pensar.

Nessa cotidiana rotina – nosso pensamento é visto como se correspondesse…diretamente, à realidade objetiva. Mas, considerando que o pensamento está carregado de diferenças, e distinções – o que se vê…é que tais hábitos têm nos levado a considerar o mundo como se fragmentado fosse…Não percebemos que a relação entre o pensamento, e a realidade que esse pensamento representa, é bem mais complexa… — do que a mera ‘correspondência‘.

Em oposição a uma visão estática e fragmentária, que não trata do conhecimento como sendo um processo de vida… – e, que separa o conhecimento…do restante da realidade, apenas uma ‘visão de conhecimento‘ — como uma parte integrante do fluxo total desse processo, pode levar a uma abordagem mais ordenada… — e harmoniosa de vida.

Nesse processo… – não estamos apenas falando sobre o movimento do conhecimento, como se estivéssemos olhando do lado de fora. Estamos,       na realidade…fazendo parte dele, e conscientes de que isso é o que está acontecendo de fato. Nesse sentido, a questão-chave é: “Podemos estar conscientes da fluente realidade infindável do processo do saber… sem     nos enganarmos entre…o que se origina de nosso próprio pensamento,     do que se origina da realidade exterior?”…

            ‘Relatividade x Teoria quântica’

Para enfrentar o desafio fundamental da dualidade/probabilidade… matéria/energia, Einstein propôs que o conceito de ‘partícula’, não mais deveria ser considerado como primário. Ao contrário, a realidade deveria ser tomada desde o princípio como sendo constituída de ‘campos‘, obedecendo às exigências das leis da relatividade. 

A teoria do campo unificado de Einstein constituída por equações não-lineares, nega a possibilidade de uma derradeira análise do mundo distribuído em componentes autônomos…pois a noção da possibilidade de um sinal (eletromagnético) desempenhar uma função básica implica numa forma mais abstrata de análise…baseada num tipo de conteúdo de informação independente e diferente para cada região (um campo escalar).

Por essa razão — a noção básica relativística do sinal  ‘c (velocidade da luz no vácuo) simplesmente não se ajusta de forma coerente ao contexto quântico, já que tal sinal não     é compatível com o tipo de totalidade indivisível… implicada pelateoria quântica de campo (fenômeno EPR). 

Por outro lado, a mecânica quântica, com suas características de descontinuidade, dualidade, e ‘não-localidade‘…também contém uma ligação implícita com um certo tipo muito abstrato de análise… – que não está em harmonia com a forma de totalidade indivisível implicada pela teoria da Relatividade. 

Entretanto… na ‘teoria matemática’ – uma ‘função de onda‘ ainda é vista como uma descrição das potencialidades estatísticas gerais, consideradas como autônomasEm outras palavras…o objeto real e individual da física clássica é trocado por um tipo mais abstrato de objeto…potencial e estatístico – correspondente ao ‘estado quântico‘, ou  função de onda do sistema… — geralmente… um vetor… no ‘espaço de Hilbert’.  

Ocorre que a consistência matemática desse espaço depende da linearidade da equação de onda correspondente…pois a equação básica para o vetor de estado no espaço de Hilbert é sempre considerada como linear… Tal linearidade de equações permite que consideremos os ‘vetores de estado’ como tendo um tipo de “existência autônoma“…

Supõe-se então… — que essa autonomia completa do estado quântico de um sistema se mantenha apenas enquanto ele não estiver sendo observado… — Durante a observação, assumimos que devemos lidar com 2 sistemas inicialmente autônomos que entram em interação. – Um deles é descrito pelo ‘vetor de estado do objeto observado‘… e o outro pelo ‘vetor de estado do aparelho de observação‘.

A_TOTALIDADE_E_A_ORDEM_IMPLICADA

No que se refere a essa interação — certas características inovadoras são introduzidas…permitindo a possibilidade de atualização das potencialidades do sistema observado (…às custas de outros sistemas — que não podem ser, ao mesmo tempo atualizados.)

Esse tipo de procedimento – justamente…é que não é coerente com a ordem básica descritiva da…‘teoria da Relatividade’…tendo em vista esta não ser compatível com tal tipo de análise fragmentária. 

Assim… – os conceitos básicos da teoria da relatividade e da teoria quântica se contradizem – na totalidade… Logo, não é surpresa o fato dessas duas teorias jamais terem se unificado de forma consistente, parecendo mais provável que tal unificação jamais ocorra. 

Com efeito, abandonar o papel fundamental do sinal relativístico, ou aquele do ‘estado quântico‘… – não é pouca coisa. Talvez seja necessário encontrar uma nova teoria da qual ambas devam derivar por aproximações e casos limite; exigindo para isso, é lógico…noções radicalmente inovadoras de… ordem, medição e estrutura.         ***************************(Adendo conjectural)************************************  A ‘conjectura de Poincaré‘ postula que para qualquer conjunto trivial 3D contido em uma esfera tridimensional…a superfície dessa esfera é o único espaço fechado 3D onde todos os caminhos (contornos) poderiam encolher, até um ponto.[ao considerarmos cada ponto um observador, podemos – inversamente…deduzir um fluxo inflacionário isotrópico para o universo finito e ilimitado] #######Conjectura de Poincaré (Vídeo -IF/USP)#######  *******************************(adendo geométrico)*********************************

James Gleick – ‘Caos, a criação de uma nova Ciência’

Formas que mantém a mesma aparência… exibem – aproximadamente… o mesmo tipo de comportamento. Ao ver a forma de um sistema, portanto…podemos estar compreendendo seus próprios fundamentos.

Topologia Estudo das propriedades de um sistema que                   permanecem inalteradas quando suas formas se modificam.
Equações diferenciais Descrevem a maneira pela qual,                 constantemente — os sistemas se modificam com o tempo…

Henry Poincaré as considerava como 2 faces da mesma moeda…‘relacionar uma à outra, é criar a possibilidade de usar a forma, para ajudar na visualização de um sistema dinâmico’. ********************************************************************************

Ignorância quântica (conhecer as partes não garante o conhecimento do todo?)

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Há séculos, os métodos indutivo e dedutivo têm permitido que os cientistas caminhem do todo para as partes… e, das partes ao todo  –  aprimorando o conhecimento do mundo natural a cada passo dado nessas caminhadas.

Essa aquisição de conhecimento é possível … porque há uma estreita ligação entre o conhecimento do todo, e o respectivo conhecimento das partes – ou seja, quanto mais partes você conhece, mais entende do todo, e quanto mais você entende o todo, maior compreensão tem de cada uma de suas partes.

Mas, a esquisita teoria quântica nos garante que nada é garantido – o mundo quântico… ao contrário do mundo clássico permite que você responda questões corretamente, mesmo não tendo toda a informação que precisaria ter.

Uma questão central do nosso entendimento do ‘mundo físico‘ é …  —  o quanto nosso conhecimento do todo se relaciona com nosso conhecimento das partes individuais. Ou, ao inverso… — o quanto nossa ignorância sobre o todo impede o conhecimento de… ao menos, uma de suas partes.

Baseando-nos puramente na intuição clássica…certamente estaríamos inclinados a conjecturar que — uma grande ignorância do todo não pode vir sem uma significativa ignorância de – ao menos…uma de suas partes. Curiosamente, porém, essa conjectura     é falsa na teoria quântica… – onde uma grande ignorância do todo pode coexistir com um saber, quase perfeito, de cada uma dessas partes. (texto base) 

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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2 respostas para O Universo Indivisível de Bohm

  1. Pingback: De Volta à ‘Estrada Perdida’ | Questões Cosmológicas

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