Questões Cosmológicas

“Consciência quântica” (no Vácuo da Teoria)

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‘A consciência é um singular… – cujo plural nos é desconhecido’ … (Erwin Schrödinger)

Talvez — a melhor oportunidade para uma breve revisão das futuras bem como atuais correntes do pensamento sobrepossíveis “processos globais do cérebro“… (que poderiam estar por trás da ‘consciência),  tenha sido apresentada em uma “corajosa” conferência interdisciplinar…realizada em 1994, no… “Centro de Ciências Médicas”…localizado na… “Universidade do Arizona”,    cidade de Tucson /EUA… O encontro de 5 dias sob o auspicioso tema “Consciência    – por uma base científica“…conseguiu  atrair 46 oradores, entre eles … filósofos e “teóricos da complexidade“… além de neurobiologistas… físicos quânticos … etc.  Na certeza de não perder… qualquer nova perspectiva… — havia até mesmo…alguns ‘analistas Jungianos’…e pesquisadores de

estados alterados da consciência.

E ainda… para aqueles que não tivessem a chance de falar durante a reunião oficial, havia sessões à tarde, bem disputadas pela maioria dos 300 participantes presentes.

Campo…ou processo?                                                                                                                 Ambos os pontos de vista têm longa tradição no pensamento filosófico…nos levando a ideias bem diferentes sobre tudo o que há na consciência, que precisam ser explicadas’.

Um grande número de ideias foi apresentado à conferência – sendo que delas…uma clara divisão emergiu. Os oradores tendiam a 2 pólos opostos de explicação; ou eles concebiam   a consciência como alguma forma especial de ‘campo‘… presença misteriosa, reflexiva, gerada pelo cérebro…(ou residindo como uma ‘alma‘ dentro dele) – ou… eles tratavam a consciência como um ‘processo cerebral‘… o padrão de informação criado sempre que   o cérebro funciona. – Em uma visão conservadora, a consciência é vista como algo fluido,  e sem emendas, um ‘campo inquebrantável’ de energia mental…Este “campo consciente”    pode existir em diferentes graus de força – variando em intensidade – entre humanos…e animais, ou mesmo entre sono e vigília…mas, de alguma modo, no fundo é sempre igual.

O ‘grande enigma’ então é saber o que faz com que o nosso cérebro, de repente se ilumine… – com o brilho mágico da “experiência subjetiva”.

Por outro lado, os que tomam partido do processo de consciência”, procuram por um tipo bem diferente de definição. Eles veem a “consciência” – não como uma coisa em si…ou um ‘brilho misterioso‘, e sim… – como uma ‘tapeçaria passageira’ de conexões nervosas, numa temporária “teia de informação”… – criada por uma premente necessidade momentânea…de processamento…Nesta perspectiva, falar sobre consciência é como um salto no ar.

A consciência é simplesmente uma descrição do comportamento do sistema, um verbo que diz o que o sistema está fazendo…Tratar a atividade de um sistema como algo possuidor de uma existência própria – é como se o giro pudesse existir separado do pião… – ou a mente, independente do cérebro… – Na verdade… – se trata de cometer um erro linguístico grave.

Um uso imperfeito da linguagem conduziu a uma falsa distinção entre o cérebro e suas ações — ficando tão impregnado em nossa cultura — que agora achamos difícil tratar a consciência apenas como um “produto do cérebro”. Ver a consciência apenas como um processo neural, significa que não há nenhuma necessidade especial de um interruptor psíquico, um poder ou esquema misterioso – ligando o cérebro biológico à consciência.

Físicos & biólogos                                                                                                                          Mas é tolo pensar na consciência como tendo algum mecanismo central simples‘.

Falando sobre diferenças…em “estilos conceituais”, durante um dos intervalos para almoço em Tucson, o neurocientista Christof Koch, sobre o contraste entre físicos e biólogos, fez esta observação: “Físicos esperam achar o segredo da consciência em        alguma grande ‘surpresa fundamental’ nas leis da natureza; e com grandes reflexos            nas ciências básicas, creem que a resposta seria profundamente simples, e bela…Já aqueles inclinados à biologia, se acostumaram a respostas complicadas, até mesmo bagunçadas… Assim como a vida, acreditam que a consciência não é o produto de          um único processo, ou mecanismo, mas sim de uma imensa profusão de processos.            E tal como em biologia essa complexidade exige diferentes níveis de explicação (de moléculas DNA…a ecossistemas), a mente abrigaria arranjos de múltiplas teorias”.

Desse modo, a consciência seria um fenômeno autodefinido como…a soma de toda e qualquer atividade neural acontecendo no cérebro — num dado momento particular.    Longe de ser um campo sem costuras da consciência, a mente se tornaria algo ‘assaz periclitante’…repleta de afazeres…formada dos mais diversos padrões…saltando por      sobre os circuitos do cérebro, a cada momento particular. – E assim, eventualmente,    talvez até pudesse ser possível considerar – com toda habilidade disponível – muito    desses detalhes, dentro de algum conceito estatístico, incrivelmente bem formulado.

Assim como a “teoria da evolução” consegue capturar a dinâmica essencial de sistemas vivos, a “teoria de complexidade” está dizendo algo sobre ‘sistemas autorganizados’ em geral. É claro, acrescenta Koch, na verdade poderia muito bem ser um pouco de ambos.

A mente poderia ser a soma de suas partes – num jogo de padrões de processamento, surfando nos circuitos do cérebro… em um dado momento. Contudo, também poderia      ter uma ‘reviravolta’ nessa história…algo que revelasse processos do cérebro, ligados a “estados conscientes“…dos muitos outros…que nunca chegam a um nível privilegiado.

As duas tendências opostas – a física…e a biológica – a ‘visão de campo’…e a ‘visão de processo’ são bem fundamentadas…na história das tentativas de explicação da mente.      No século XVII a ideia de consciência como algo extra aos fios cegos do cérebro físico estava clara no dualismo entre o filósofo René Descartes … e sua visão Cristã da alma humana – e a escola associacionista britânica…inspirada em Thomas Hobbes e John Locke … tentando converter a vida mental a termos de micro-acumulações orgânicas.

No século XX, a divisão continuou… – Várias escolas de pensamento, como                        psicologia Gestalt… e o movimento ‘Nova Era‘ – representando a ‘visão                          de campo‘ – enquanto behaviorismo, ciência cognitiva…e a filosofia ‘funcionalista‘…têm sido os mais árduos defensores da visão processual. 

Em Tucson, os 2 pontos de vista estavam presentes em suas versões mais modernas, e atualizadas. Metade da conferência foi tomada por uma intrincada ‘explicação mental’    da… ‘mecânica quântica‘ – na qual se pensava que regiões do cérebro poderiam se iluminar, e se tornar introspectivamente conscientes, através do fenômeno conhecido como “coerência quântica”Enquanto isso a outra metade da conferência foi tomada igualmente pela satisfatória promessa de uma nova visão orgânica da menteachada cientificamente nas redes neurais via ‘teoria da complexidade.  Estas ciências pareciam querer mostrar como a natureza da ordem mental; a partir de uma massiva conexão de bilhões de células nervosas no cérebro… — insolitamente… poderia surgir.

“Conexionismo Neural”                                                                                            ‘Pensamentos e sensações não escorrem para um fundo mental, visão que o filósofo Daniel Dennett descarta como…’a falácia de teatro Cartesiano‘.                   Ao invés disso são todos nossos pensamentos e sensações de um momento,    amontoados juntos, quesurpreendentemente — definem nossa consciência’.  

Se ‘scanners de cérebro’ estão fornecendo a ‘evidência experimental’… e reaproximação entre psicologia e neurologia, permitindo o clima necessário a uma pesquisa produtiva,   espera-se que o “conexionismo neural,     de certa forma — seja a teoria (processual)  que finalmente, explicará a “consciência“.  Entretanto…o encontro de Tucson – assim como várias outras conferências sobre este tema, naquele ano, fervilhava de excitação, com a mais recente onda de explicações da ‘mente’… – a partir da teoria quântica.

O claro objetivo, ao menos para alguns cientistas, era saber porque aqueles “scanners cerebrais se tornariam quase…irrelevantes em relação às questões mais profundas sobre a ‘consciência humana‘. – A ideia de que o estranho mundo quântico pudesse conter respostas para a consciência…possui longa história. Pensamentos nesse sentido, datam de… pelo menos tão cedo, quanto à publicação do livro …Quantum Theory“, escrito pelo físico David Bohm, em 1951. – Mas, recentemente, a especulação chegou a ponto de se tornar quase uma crença popular, como argumenta o físico Roger Penrose:

‘O que mais poderia explicar os mais intangíveis aspectos da mente…como livre arbítrio, intuição, criatividade, e a unidade subjetiva da experiência?’

Durante a sessão de abertura, no auditório do hospital universitário — iluminado pela luz ambiente do deserto, o filósofo da…’Washington University’… David Chalmers – resumiu de forma excelente…a expectativa da conexão quântica  – quando disse… em tom irônico:

A consciência é um mistério, a mecânica quântica é outro. Quando você                          tem 2 mistérios… bem, talvez haja apenas um… Talvez, sejam o mesmo“. 

Um esboço da física quântica                                                                                                É como se, desfocados pelo espaço e tempo – elétrons e fótons… podendo                          explorar toda gama de possíveis valores acessíveis… colapsassem em um                          estado definido de ser, quando alguém – com uma pinça – os alcançasse”. 

A física quântica esboça um quadro estranho do universo. De acordo com suas equações, matéria e energia assumem 2 personalidades; às vezes se comportam como partículas, e outras como ondas – de acordo com o modo como são medidas. – Como resultado desta dualidade fundamental, matéria e energia se tornam indeterminadas em muitas de suas qualidades…como velocidade, posição e giro – até que sejam fixadas pelo ato de medida.

Até mesmo — mais paradoxalmente, quando dois objetos quânticos são o resultado da mesma interação — tal como o par de ‘raios gama’ emitidos pela aniquilação – pósitron/elétron, eles interagem de forma que, medir umdeterminará todas qualidades  do outro … não importa quão longe estejam. – Poderiam estar viajando em direções oposta da galáxia … há milhões de anos… que ainda assim, se conectariam… – imediatamente.

Esta interação não-local, ou ‘coerência quântica, parece violar a teoria da relatividade de Einstein… em sua proibição de qualquer evento acontecer mais rápido que a velocidade da luz… É como se a partícula gêmea ‘soubesse’ imediatamente sobre a medida – ou, como se o ato futuro de medida tivesse sido previsto – de alguma forma, no momento em que os raios se separaram. ‘Enquanto tais estranhezas fazem a física quântica difícil de se aceitar;  matematicamente… – é uma ‘visão do Universo‘ que funciona excepcionalmente bem’.

Usando a…”ferramenta estatística” conhecida como “função de onda”, se pode descrever – por exemplo…  o estado espalhado de um elétron com precisão total…através de um  … “gráfico de probabilidades“.  Assim, mesmo não podendo dizer, sem a medição… exatamente onde um quantum… em dado momento, está…temos uma probabilidade de encontrá-lo; e também saber quão rápido estaria se movendo…e qual tipo de giro, seria o mais provável.

Uma das características mais importantes dessas equações de “função de onda”… – é que podem ser usadas – não só para descrever o envoltório  de possibilidades contendo uma partícula individual… – mas também, sistemas inteiros como átomos, moléculas, cérebro, e o próprio Universo.

O problema da consciência                                                                                                        A consciência – ao inventar signos… se desenvolveu apenas sob pressão da necessidade humana de comunicação… Sob a influência do conhecimento crescente – e, na tarefa de incorporar o saber em si, um hábito herdado cede lugar a outro, tornando-o instintivo.’   (W. Stegmaier – “Do Pensamento de Nietzsche”)

Há muitos modos de interpretar os enigmas da física quântica. Num deles, as dificuldades se originam de tentar preservar a ideia da partícula…quando – em realidade, a única coisa que existe a nível subatômico de efeitos quânticos são ondulações no tecido espaçotempo.  Às vezes estas ondulações parecem se comportar como partículas… suas cristas se cruzam, criando o que parecem movimentos e colisões. – Porém, a ‘energia’ e a ‘massa’ de tal onda permanecem incertas… – impossibilitando medir simultaneamente… – e com exatidão, a posição e velocidade de uma ‘partícula’ individual…Outros, no entanto…interpretaram as estranhezas da física quântica de forma bem diversa…pensando não ser nossas tentativas de preservar a ficção de partículas subatômicas que estão erradas – mas sim…o problema do observador que tem alguma ligação profunda e misteriosa com a ‘consciência humana’.

A física quântica nos diz que toda partícula existe, aparentemente, como um monte de ‘possibilidades superpostas’… – um estado caótico de energia, seguindo todo caminho possível — até que haja um ‘ato de medida’   para fazer ‘colapsar a função de onda‘. 

Alguns físicos, no entanto…acreditam que uma ‘interação’… entre partículas – como, por exemplo… uma “colisão“… – se trata    de um processo ‘auto-suficiente‘, isto é, independente do ‘observador (onde cada colapso … proporciona um novo rastro de possibilidades quânticas…todas descritas    através de uma ‘função de onda’ original).

Mas também — há vários físicos acreditando que partículas só se tornam ‘reais como o resultado da observação humana. — É apenas quando um observador sabe (se tornou consciente) do resultado de uma experiência quântica…que, de fato uma função de onda “colapsa”. Levando esta ideia ao extremo… o Universo requer testemunhas humanas – até para existir. 

Antes mesmo da mente humana surgir – presume-se que o Universo deva ter vagado em uma espuma não resolvida de possibilidades. Mas agora, felizmente, a evolução   da vida humana ‘senciente’… o colapsou em forma!” … (de uma máxima ‘criacionista’)

Entretanto…até mesmo aqueles que acham demais pensar que o universo poderia se dobrar perante a existência humana…percebem que os paradoxos da teoria quântica sugerem algo sobre nossa consciência. – Precisamente como um sistema quântico, a mente humana criativa … parece provar muitos caminhos e resultados … correndo à      frente de si mesma com palpites e intuições; antes de colapsar sua função de onda, e  formar o ‘estado resolvido‘: nosso próprio fluxo lógico, focalizado no pensamento.

Parece plausível que a consciência humana seja resultado do cérebro descobrir — no decurso da evolução … a lidar com efeitos quânticos sutis…  Enquanto o cérebro do…’mais simples’…animal        pode ser verdadeiramente autômato…não mais        que um computador biológico cego…conosco, e alguns outros “parentes próximos“…chipanzés,      por exemplo, foram encontrados acessos a uma eventual formação de um campo de…’coerência quântica’, envolvendo o cérebro como um todo,        de modo ‘globalmente consciente‘…E temos, da          vida – o maior desejo em entender…aquele seu        íntimo mistério: — “Como surgiu essa faísca de    razão…numa consciência trancada a 7 chaves?”

Ao olharmos os últimos séculos de ciência e filosofia, não obtemos muitas respostas. Pior ainda… – as teorias oficiais, até onde alcançam… são extremamente mecanicistas, ao nos tratar – seres humanos, como pacotes de reflexos, ou máquinas calculadoras vazias. Elas ainda não conseguem nos contar…o que realmente queremos saber… Como ajustarmos um panorama contínuo de sensações, sentimentos e ideias… dentro de nossas cabeças? 

A física quântica, não apenas parece pronta para oferecer uma resposta ao modo como os ‘sombrios mecanismos‘ de circuitos do cérebro poderiam, pela consciência, de repente se iluminar… – ela também parece apta a responder… por algumas das qualidades especiais associadas ao ser humano…a saber… criatividade, imprevisibilidade, e liberdade. Quanto mais ‘cientistas cognitivos’ tentam nos empurrar…”fluxogramas computadorizados”…ou neurologistas, diagramas de obscuros circuitos de plasma…mais clamamos uma razoável explicação de um…’mecanismo‘ – que faça a consciência surgir dentro de nossas cabeças.

John McCrone…‘Going Inside – a tour around a single moment of consciousness’      capítulo bônus (tradução: Kentaro Mori — ago/2009) “Como o cérebro funciona”  ***************************************************************************

Podem efeitos quânticos do cérebro explicar a consciência?                                      A ideia de que a consciência surge no cérebro…a partir de fenômenos                            quânticos é intrigante, mas carece de evidências…dizem os cientistas.

O físico Roger Penrose — da Universidade de Oxford, e o anestesiologista Stuart Hameroff, da Universidade do Arizona…propõem que o cérebro atua como um computador quântico; uma máquina computacional, que faz uso de fenômenos da mecânica quântica (tal como    a superposição (capacidade das partículas, de estarem em 2 lugares – ao mesmo tempo); para desse modo realizar cálculos complexos.

No cérebro – fibras dentro dos neurônios podem formar unidades básicas da computação quântica, relataram Penrose e Hameroff no ‘Congresso Internacional Global Future 2045’. A ideia é atraente porque a ‘neurociência’…até agora, não tem uma explicação satisfatória para a ‘consciência’ (estado autoconsciente de ter experiências e pensamentos sensoriais). Mas muitos cientistas são céticos – citando falta de evidências experimentais para a ideia.

O modelo Orch OR

Penrose e Hameroff desenvolveram suas ideias de forma independente, mas passaram        a colaborar no início dos anos 1990 … para desenvolver o modelo, que eles chamam de “redução objetiva orquestrada” (Orch OR). O trabalho de Penrose baseia-se em uma interpretação do teorema da incompletude do matemático Kurt Gõdel, que afirma que certos resultados não podem ser provados por um algoritmo computacional. Penrose argumenta que os matemáticos são capazes de provar os assim chamados…’resultados improváveis’ ​​de Gõdel, e portanto…’cérebros humanos’ não podem ser descritos como computadores típicos. — Em vez disso, argumenta elepara atingir essas habilidades superiores, os processos cerebrais precisam contar com a ajuda da mecânica quântica.

Mas a teoria de Penrose, de fato, não explicava como ocorria essa “computação quântica”    dentro do cérebro apenas que o fenômeno seria necessário para resolver determinadas equações matemáticas. Hameroff então, ao ler o trabalho de Penrose, sugeriu que ‘micro estruturas fibrosas’ – que dão às células seu suporte estrutural – mais conhecidas como “microtúbulos, podem ser capazes de realizar computações quânticas. Microtúbulos são constituídos por unidades da proteína ‘tubulina‘ – contendo regiões onde os elétrons giram muito próximos uns dos outrosHameroff propôs que esses elétrons poderiam se tornar…quânticos emaranhados – ou seja, em um ‘estado’ em que duas … ou mais partículas mantêm uma conexão instantânea, de modo que, uma ação realizada em uma, afeta a outra, mesmo quando as duas estão separadas por uma não desprezível distância.

No modelo Orch OR as probabilidades matemáticas que descrevem estados quânticos desses elétrons emaranhados nos microtúbulos, tornam-se instáveis ​​no espaço-tempo. Tais probabilidades são chamadas de funções de onda…e nesse cenário, elas entram      em colapso, passando de um estado probabilístico para uma realidade específica. – Aí,      os microtúbulos de um neurônio…poderiam ser ligados aos de outros neurônios – por meio de conexões elétricas conhecidas como “junções comunicantes”. – Essas junções permitiriam aos elétrons…‘tunelar’…para outras regiões do cérebro resultando em ondas de atividade neural — que são percebidas como uma… “experiência consciente”.

Problemas com o modelo                      “Penrose contribuiu com um mecanismo para a consciência, e eu com a estrutura” (Hameroff)

Computadores quânticos são extremamente sensíveis ao…”ruído”…Para minimizar estas perturbações no sistema – é preciso isolar o sistema e mantê-lo bem frio (porque o calor faz com que as partículas acelerem, e gerem ruído)Construí-los portanto, é um grande desafio, mesmo em condições cuidadosamente controladas… Por esse motivo, por mais interessante que possa parecer, o modelo Orch OR, mesmo ainda não experimentalmente testado, já é rejeitado por muitos cientistas. Christof Koch e Klaus Hepp, da Universidade de Zurique, num ensaio publicado em 2006 na ‘Nature’, disseram: “Toda essa dificuldade sugere um quadro desolador à computação quântica…dentro do cérebro úmido e quente”.

Outro problema tem a ver com as escalas de tempo envolvidas na ‘computação quântica’.    O físico do MIT, Max Tegmark, ao calcular esses efeitos quânticos no cérebro, descobriu que os supostos estados quânticos cerebrais durariam muito pouco tempo para permitir um processamento cerebral significativo. Tegmark considerou ‘vago’ o modelo Orch OR, afirmando que os tempos encontrados por ele para modelos mais concretos, estariam muito aquém do razoável. – E comentou: “Muitas pessoas parecem pensar que, sendo a consciência um mistério…e a mecânica quântica outro – então…estariam relacionados”.

O modelo Orch OR também atrai críticas dos neurocientistas. Para Bernard Baars,            CEO da Sociedade para Ciências da Mente e do Cérebro em “Falls Church”, EUA:              “O modelo afirma que as flutuações quânticas dentro dos microtúbulos produzem consciência. Mas, microtúbulos também são encontrados nas células das plantas”,                e acrescentou: “E plantas, pelo que sabemos, não são conscientes”. Tais críticas, a princípio não excluem a consciência quântica, mas sem evidências experimentais,            muitos cientistas permanecem incrédulos; como disse Baars: “se alguém fizer um             único experimento, provando a consciência quântica…abandono meu ceticismo.”

Adendo: (1 de julho de 2013)

Em resposta às críticas ao modelo Orch OR citadas neste artigo, Stuart Hameroff                oferece várias evidências… Sobre a objeção de que o cérebro é muito quente para computações quânticas, Hameroff cita um estudo de 2013…dirigido por Anirban Bandyopadhyay no ‘Instituto Nacional de Ciências Materiais’ (NIMS) – Tsukuba,                  Japão, que descobriu que“os microtúbulos tornam-se basicamente condutores                quânticos… — quando são estimulados em ‘específicas’ frequências ressonantes”.

Em resposta à crítica de que os microtúbulos também são encontrados em (não conscientes) células vegetais, Hameroff explicou que as plantas têm apenas um                  pequeno número de microtúbulos…provavelmente muito poucos para atingir o                limite necessário à consciência…Mas, ele também observou que Gregory Engel,                      da Universidade de Chicago, observou ‘efeitos quânticos’ na fotossíntese das                  plantas. E, sobre o assuntoHameroff comentou: “Se um tomate pode utilizar                    ‘coerência quântica’ a alta temperatura – por que nosso cérebro não poderia?”.

Em resposta às objeções gerais da falta de evidências para sua teoria, Hameroff citou          um estudo de 2013 elaborado por Rod Eckenhoff — da ‘Universidade da Pensilvânia’,        que sugere que os anestésicos (que só interrompem a atividade cerebral consciente)      agem através de microtúbulos. Esses estudos dão algum suporte ao modelo Orch OR.      Mas, como acontece a toda hipótese científica, um modelo deve acumular evidências significativas, a fim de obter ampla aceitação da comunidade. (texto basejun/2013 *****************************************************************************

O cérebro humano, esse ilustre desconhecido (jul/2013)                                                  Sendo tão complexo e dinâmico, nosso cérebro ainda é… em boa parte… uma hermética ‘caixa preta’… cujos segredos esperam por ser revelados. – Dele… nossa compreensão é absolutamente rudimentar, em comparação com nosso entendimento de outros órgãos.

O ‘cérebro humano é a estrutura biológica mais complexa na Terra…Ele tem cerca de 100 bilhões de neurônios…Cada neurônio, tem milhares de ‘conexões‘ entre si – mas, podem também secomunicar à distância‘. Mudando ao longo do tempo — como pelo mecanismo daplasticidade cerebralsuas conexões sempre se alteram à medida que aprendemos, nos socializamos…passamos por estresse – ou…”variações ambientais”.

Isso quer dizer que nossos cérebros são… anatômica e fisiologicamente… constantemente alterados por experiências físicas e intelectuais… comuns no dia-a-dia – ou… por práticas explícitas, como ameditação“. Lesões cerebrais também podem provocar vários tipos de alterações na anatomia e na fisiologia do cérebro – para compensar a função perdida…ou maximizar “funções perenes”… – Somos assim, sempre submetidos a novas experiências.

Em busca de uma teoria do cérebro                                                                                  Nós simplesmente não sabemos o que acontece no cérebro quando o organismo                  pensa…interage com o mundo…recebe uma informação sensorial… – ou dorme.

Apesar dos grandes avanços tecnológicos na pesquisa do cérebro…durante as últimas décadas, os cientistas ainda não conseguiram nem mesmo descrever todos os tipos de células que compõem o cérebro e determinar as suas funções. – Para complicar ainda          mais as coisas… “o cérebro é mais do que a soma das suas partes”… Isto é, seus vários componentes não funcionam isoladamente – eles se comunicam uns com os outros, e trabalham juntos processando a informação, e produzindo memórias, pensamentos e comportamentos. Entretanto, os cientistas ainda não entendem como a informação é organicamente processada – seja no complexo cérebro humano … seja em um ínfimo verme…cujo sistema nervoso é composto por apenas algumas centenas de neurônios.

“craniac-grey” – Michael Dubois

Em outras palavras  os cientistas não têm uma teoria sobre como um cérebro saudável funciona, capaz de explicar como pensamentos, memória e comportamentos surgem… a partir de atividades dinâmicas – no cérebro… qualquer que seja. — E este vácuo teórico’ tem persistido ao longo da históriaainda que suas atividades moleculares, celulares e neuronais estejam, continuamente, sendo estudadas, assim como o comportamento das muitas espécies…incluindo “seres humanos”.

Entretanto, as relações entre estes dois tipos de fenômenos…fisiológico e comportamental,    bem como a sequência de eventos – que traduz um noutro — continuam sendo um…”mistério”.

Ao fornecer um método de prever como micro-eventos cerebrais          produzem comportamentos, e vice-versa…uma teoria da função            cerebral estaria para a…’neurociência’…assim como a teoria da          evolução está para a biologia – a ‘tectônica de placas’ está para                      a geologia… ou a teoria da relatividade está para a cosmologia.

Mas, incapazes de explicar como um cérebro normal funciona – os cientistas ainda não conseguem entender como lesões traumáticas e doenças, tais como Alzheimer, autismo, esquizofrenia e epilepsia, prejudicam seu funcionamento, nem por conseguinte, podem determinar como devem ser tratadas. E John Wingfield, diretor da “Fundação Nacional      de Ciências” (NSF) dos EUA… deu um sentido final… – à suma importância da questão:

“Quando os cientistas afinal descobrirem… como o cérebro funciona;            não importa quanto tempo isso demore – tal conquista … deverá ser considerada o maior feito científico de toda história da humanidade”.

A NSF está por trás de um esforço anunciado recentemente pelo governo dos EUA,        para tentar compreender o cérebro humano. A ideia…na verdade…é uma tentativa            de alcançar outros grupos mais avançados – como o… Projeto Cérebro Humano,          que tenta recriar um “cérebro virtual”… – em um “supercomputador”. (texto base*****************************************************************************

Teoria quântica da mente ganha sustentação experimental (28/01/2014)              Uma nova teoria sobre a consciência… ainda controversa no meio científico, ganha      apoio experimental… – Os novos dados mostram… que a consciência deriva de um        nível mais profundo de atividades… – em escala ainda menor do que os neurônios.

Na verdade, essas atividades ocorrem dentro dos próprios “neurônios”, mas não…nos processos celulares normais,  ou nas conexões entre eles;  e sim, em uma interação molecular, onde as leis físicas que operam são reguladas pela ‘mecânica quântica’. Os resultados do estudo…foram publicados…na revista científica … “Physics of Life Reviews”. 

A teoria é denominada “Orch-OR”… sigla para “orchestrated objective reduction”…ou ‘redução objetiva orquestrada’…O responsável por esta nova “teoria da mente” é Stuart Hameroff…em parceria com um dos atuais expoentes da física… Roger Penrose. – Eles defendem a tese de que, as assim chamadas computações vibracionais quânticas nos microtúbulos se dispõem de forma orquestrada (Orch) por entradas sinápticas,      e memórias armazenadas nestes microtúbulos; finalizadas por uma redução objetiva (“OR“).

A recente descoberta de vibrações quânticas em microtúbulos, dentro dos neurônios do cérebro dá sustentação a esta teoria. – De acordo com Hameroff e Penrose… a consciência surge de alguma coisa… — ‘além das computações‘… — que a ciência ainda não descobriu, eventualmente, porque não admite a possibilidade de sua existência… Os 2 pesquisadores sugerem que ritmos de ondas cerebrais…normalmente gravados por eletroencefalograma, também derivam de vibrações (num nível mais profundo) dos microtúbulos (componente principal do esqueleto estrutural celular), e que na prática tratar suas vibrações cerebrais, trará benefícios a uma série de pacientes com doenças mentais, neurológicas e cognitivas.

“Deve haver algum truque, algum mecanismo secreto, e talvez sobrenatural, que negocie a transferência da matéria inanimada, para a mente animada”.

Origens da consciência

Desde o seu lançamento, a teoria “Orch-OR” foi muito criticada… — com base no argumento de que o cérebro seria quente,  barulhento… e “molhado” demais – para assim sustentar… “processos quânticos”.  Todavia…experimentos já comprovaram uma… “coerência quântica quente“,  na fotossíntese de plantas…nos sistemas  de navegação no cérebro de pássaros, no olfato humano, e em microtúbulos… nas células cerebrais…criando a consciência, como um “efeito quântico gravitacional”.

Hameroff e Penrose foram questionados sobre isso da seguinte forma… “Se a origem da consciência reflete o nosso lugar no universo, a natureza da nossa existência; será que a consciência evoluiu a partir de cálculos complexos entre neurônios do cérebro…como a maioria dos cientistas afirma?…Ou será que a consciência, em certo sentido tem estado aqui o tempo todo … como abordagens espirituais defendem?”… – E eles responderam:

“Isso abre uma potencial ‘Caixa de Pandora‘, mas a nossa teoria acomoda os dois pontos de vista, sugerindo que a ‘consciência’ deriva das vibrações quânticas nos microtúbulos – proteínas poliméricas dentro dos neurônios   do cérebro – que tanto governam as funções neuronal e sináptica, quanto conectam os processos cerebrais aos processos autorganizados em escala mais fina… – em uma estrutura quântica ‘protoconsciente‘ da realidade.” 

(A descoberta das vibrações quânticas de elevada temperatura nos ‘microtúbulos’,             dentro dos neurônios cerebrais foi realizada no Instituto Nacional de Ciências dos Materiais – Tsukuba /Japão pela equipe de Anirban Bandyopadhyay) ‘texto base’  ******************************************************************************

A Física Quântica na Consciência          “Consciência é a memória inserida no tempo” (Fernando Pessoa) 

A tese que pretendemos examinar…com maior cuidado não é o papel da consciência na “teoria quântica”, mas sim…o papel da teoria quântica, nas ‘teorias materialistas da consciência‘.  Nesse caso, os principais argumentos em favor    da tese de que a ‘física quântica’… é essencial à “consciência“, podem ser classificados como:

a) O cérebro como computador quântico. Conceito defendido pelo físico David Deutsch. O problema neste argumento é que o cérebro é muito quente para tal computação ocorrer.

b) O cérebro computaria “funções não-recursivas”. Computadores clássicos e quânticos só podem computar funções recursivas, mas o pensamento humano (por exemplo, a intuição matemática) extrapolaria esta limitação…Segundo Roger Penrose, uma solução inovadora ao problema do colapso na mecânica quântica, talvez solucionasse também esse problema da consciência. – Entretanto, ainda não ficou “rigorosamente” provado que o pensamento humano possa ter a…”capacidade intrínseca”…de computar funções não-recursivas.

c) Um fenômeno quântico semelhante àcondensação de Bosepoderia ocorrer no cérebro. (Ian Marshall). Tal fenômeno é observado a baixas temperaturas quando um grande nº de partículas se comporta identicamente. – Foi inclusive proposto um modelo biológico deste fenômeno de ‘coerência’ à temperatura ambiente, envolvendo moléculas dipolares. Alguns pesquisadores afirmam ter “evidências” da ocorrência deste mesmo fenômeno, no cérebro.

d) O cérebro seria regido por leis análogas às da mecânica quântica. – Em “neurociência” existe uma abordagem…supondo que a dinâmica convencional do neurônio e da sinapse, não é fundamental, e que funções cerebrais seriam descritas por um “campo dendrítico“, obedecendo as equações da ‘teoria quântica de campos’… Tal abordagem matemática foi inspirada no modelo “holonômico” proposto por Karl Pribram (anos 60), para o cérebro.

É de se notar no entanto, o fato de que leis análogas às da ‘mecânica quântica’ possam descrever ‘funções cerebrais’ – não implica que tais funções constituam um fenômeno quântico. Ademais… em tais modelos não se introduzem medições que possam causar “colapsos” – o que sugere que a descrição destes autores é meramente…”ondulatória”.

e) A liberação de ‘neurotransmissores’ é um ‘processo probabilístico’ … que seria descrito apenas pela física quântica. Tal liberação – chamada de … “exocitose” ocorreria, dentro de uma probabilidade relativamente baixa (a cada 5 ‘impulsos nervosos’ chegando à vesícula sináptica de “células piramidais” do ‘neocórtex‘, apenas 1 liberaria o neurotransmissor).

Segundo John Eccles, a mente (que em sua visão…não dependeria do cérebro) poderia alterar levemente tais probabilidades de ‘exocitose’…o que constituiria um mecanismo      de ação da mente sobre o cérebro. Filosoficamente…rejeitamos aqui, esse dualismo de Eccles. Em todo caso, se ele estiver correto, e a exocitose puder ser descrita pela teoria quântica, faltaria comprovar que a mecânica quântica é necessária para descrever este fenômeno, e de que forma este fenômeno está ligado com a emergência da consciência.

f) A nível subneuronal ocorreria processamento de informação. – Nos anos 70, descobriu-se que as células possuem uma delicada estrutura formada de ‘micro túbulos‘ de proteína, produzindo um “citoesqueleto“… É citada, de fato, alguma evidência experimental de sua função cognitiva…ligada à memória; além da função estrutural…e de transporte. – Como tais microtúbulos são cilindros com diâmetro de apenas 25 nanometros (ou seja…25 x 10.  e-9 m)…é provável que eles só possam ser adequadamente descritos pela ‘física quântica’.

De tudo isso, conclui-se que, alguns autores partem do princípio de que a consciência exerceria uma influência direta sobre processos naturais, e tentam mostrar como um modelo quântico da consciência daria conta deste – e de outros tipos de fenômenos…contudo ainda não há uma evidência concreta de que a física quântica seja necessária    para explicar a consciência… Este é um campo em que os pré-julgamentos filosóficos possuem bastante peso. – E mesmo que tais hipóteses se confirmem, permaneceria a questão de… – se a consciência… a ser caracterizada de maneira precisa…faria uso de maneira essencial das características quânticas dos ‘processos cerebrais’. (texto base*******************************************************************************

Consciência, Complexidade e Física Quântica                                                            Pesquisas recentes combinando neurociência e matemática demonstram que nosso    cérebro cria estruturas neurais com até 11 dimensões, quando processa informação. Dimensão, definida como espaços matemáticos abstratos, não outros planos físicos.

The Neocortical Microcircuitry (BBP)

Henry Markram, diretor doBlue Brain Project“, e responsável pela pesquisa em questão… — diz que, nosso cérebro regularmente, cria espaços e formas geométricas “multi-dimensionais” que se parecem com…”castelos de areia”. A equipe encontrou uma “organização neural” … naquilo que antes era tido, como um “padrão caótico”. – No experimento…as estruturas se organizaram em um todo ‘altamente dimensional’… uma “cavidade“… – Depois que a informação era processada… — a estrutura sumia. Isso quer dizer – que nossos ‘neurônios’ reagem a estímulos…de maneira extremamente organizada, sempre…construindo, destruindo e reconstruindo suas estruturas, dando uma mínima possibilidade de tentar entender… um dos maiores mistérios da neurociência…a ligação entre a estrutura cerebral, e a forma como processamos todas “informações”.

Alguns cientistas acreditam que já sabemos o que é a consciência, ou que ela é mera ilusão. Outros invocam a física quântica para tentar explicá-la. Entretanto…explicar          um mistério com outro, nem sempre é bem visto… Inúmeras tentativas foram feitas        para negar essas explicações que parecem um tanto místicas. Porém elas resistem e, continuam retornando… cada vez mais fortes. – Na nova era de se desenhar futuros quânticos na computação – o interesse pelo funcionamento de ‘coisas inexplicáveis’,        que nosso cérebro é capaz de fazer, se desenvolve. – O “efeito do observador” sobre              o experimento…por exemplo…foi uma das primeiras descobertas a chocar o mundo científico…trazendo à tona a ideia de que não somos separados do ‘mundo objetivo’.

Nesse sentido, uma boa pergunta… é saber se o modo como o mundo se comporta,    depende de como – e se – olhamos para ele… ou seja… o que significa “realidade”?

Alguns cientistas consideram – que… – para entendermos… a ‘realidade’ e a ‘consciência’ precisamos da física quântica – e vice-versa.  Tudo ainda é especulativo mas essas teorias nos forçam a pensar de maneiras diferentes, encontrar novas possibilidades… Em alguns experimentos partículas se comportam, não só… como soubessem ser observadas – mas, como se adivinhassem, o que queremos ver.

A ideia de que nossa percepção altera o mundo a nosso redor … e nos altera – não é nada nova. Práticas milenares como Tai Chi Chuan, Yoga, meditação, acupuntura entre outras já nos dizem isso há mais de 3 mil anos. – Na filosofia, correntes como a “fenomenologia existencial” também nos falam do conceito de “Dasein, como “Ser-já-sendo-no-mundo-com-outros”. Construir, desconstruir…e reconstruir novas estruturas, assim como nosso cérebro… – é uma possibilidade sempre aberta … em nossas vidas. (texto base) fev/2017  **********************************************************************************    

Consciência Quântica ou Consciência Crítica?  (Roberto Covolan)                                  A compreensão do cérebro é absolutamente rudimentar, em comparação                          com o nosso próprio entendimento – de outros órgãos do corpo humano. 

O advento da…’Física Quântica causou e tem causado, enormes mudanças na vida de todos nós. Nem sempre…e nem todos somos conscientes dos modos pelos quais uma tal…”revolução científica”, iniciada há cem anos – pode nos afetar ainda hoje, mas – provavelmente já ouvimos falar sobre o seu impacto na evoluçãoda própria Física, e de toda controvérsia – advinda da ‘dificuldade conceitual’ na interpretação de tais… “fenômenos quânticos”.  Seus efeitos se estenderam — para além da Física, desdobrando-se na Química (‘orbitais quânticos’), com implicações em ligações químicas; e Biologia (com a estrutura do DNA, e a genética molecular).

Mas, mesmo sabendo disso, estaríamos preparados para a possibilidade da própria consciência operar com base em ‘princípios’…ou ‘efeitos quânticos’?

Pois é o que andam conjecturando algumas das mentes mais brilhantes de nosso tempo, e alguns franco-atiradores também. – A descoberta do mundo quântico…que tanto impacto teve nas ciências e tecnologias, ameaça agora envolver o “etéreo” universo da psique. Mas, é preciso dizer que, na verdade…essa história não é tão nova assim… – Já ao início de sua formulação, a Física Quântica apresentou uma dificuldade essencial… a necessidade de se atribuir um papel fundamental à figura do ‘observador’ (aquele que realiza o experimento quântico). – Isso decorre do fato da teoria quântica ser de caráter não determinístico… ou seja, trata-se de uma teoria para a qual a fixação do estado inicial de um sistema quântico (um átomo, por exemplo) não é suficiente para determinar com total certeza, qual será o resultado de uma dada medida … posteriormente efetuada… – sobre esse mesmo sistema.

Pode-se porém, determinar a probabilidade de que tal ou qual resultado venha a ocorrer. Mas, quem define o que estará sendo medido, e tomará ciência de qual resultado se obtém-se com uma determinada medida é o observador. Diante disso, nas palavras de E. P. Wigner…“foi necessário        incluir a ‘consciência‘ – para complementar a mecânica quântica“.

A introdução de elementos subjetivos na Física Quântica… embora defendida por físicos notáveis como von Neumann, além do próprio Wigner, é considerada indesejável, tendo sido tentadas diferentes formas para contornar esse ‘problema‘ – que…aliás, é objeto de debate ainda hoje. – Contudo, não é tanto esse caráter epistemológico que se quer focar aqui, mas sim a possibilidade de certos efeitos quânticos, como parte do funcionamento    do cérebro, estarem envolvidos na ‘manifestação’ da consciência. Mas, antes de ir direto    ao ponto, convém frisar alguns aspectos da ‘dinâmica cerebral’ mais aceitos atualmente.

De forma resumida … pode-se dizer que descrições mais ‘convencionais’ apontam a consciência como sendo uma propriedade emergente das tarefas computacionais… efetuadas pelas ‘redes de neurônios cerebrais’. O cérebro, basicamente é como um ‘computador’, ao qual as excitações neurais (sinápticas) seriam estados de informação fundamentais (bits).

A partir desse mecanismo – certos padrões de atividades neurais teriam “estados mentais” correlatos, onde oscilações sincronizadas no tálamo e no córtex cerebral produziriam uma conexão temporária dessas informações – e a consciência surgiria como uma propriedade singular, emergente da complexidade computacional das redes neurais em sincronicidade.

Em geral, os enfoques quânticos não excluem o funcionamento do cérebro através de redes neurais (seria negar o óbvio), mas consideram que, apenas a complexidade não explica tudo, e situam “efeitos quânticos” como centrais à descrição da “emergência”,        ou geração do ‘eu consciente’. – Aliás, alguns desses modelos negam que consciência      seja uma propriedade emergente de redes neurais…operando além de um certo nível crítico de complexidade – todavia…consideram que a dinâmica cerebral, na verdade, organiza e faz aflorar algo, que já é…’propriedade intrínseca’ da natureza. (texo base*******************************************************************************  Consulta: ‘Seria a Física Quântica necessária para explicar a Consciência?’ (Osvaldo Pessoa Jr./1994) ## “Teoria da Cosciência” de David Chalmers (1997) ## “O Mito da Consciência Quântica” (Victor J. Stenger) ### “Consciência Quântica” – (Wikipédia)          ****************************(texto complementar)*****************************

Interpretações idealistas da física quântica…ou…De Volta à ‘Estrada Perdida’ No contexto da física quântica — uma ‘interpretação idealista‘ é aquela que outorga à consciência humana um ‘papel essencial’ no desdobramento dos fenômenos quânticos”.

A mecânica quântica é uma teoria científicaque descreve muito bem ‘experimentos microscópicos’ — com átomos, moléculas, e suas interações com a radiação (por exemplo… a luz). Nos últimos anos entretanto, ela tem sido incorporada a ‘visões de mundo’ místicas, sustentando ideias, como a de conectar a nossa ‘consciência‘ – à uma hiper “consciência cósmica“.

A extensão da teoria quântica a essas visões de mundo é possível, porque…da forma como é usada na física, só faz previsões sobre o que se observa, ou… é registrado em laboratório.  Todos físicos aceitam o formalismo mínimo da mecânica quântica, com regras e leis que fornecem todas previsões da teoria…sobre as probabilidades de se obter os mais diversos resultados de medições. Mas, a física quântica não diz nada sobre o que acontece por trás das “observações (as causas ocultas dos fenômenos)ou, sobre como uma observação é efetuada (os detalhes do processo de medição, ligando o objeto quântico…ao observador).

Isso faz com que cientistas e filósofos busquem ‘interpretar’ a mecânica quântica, de modo a construir uma visão de mundo coerente a respeito        da realidade… por trás das aparências… – e, do papel do “observador”.

Há muitas dezenas de interpretações propostas na literatura científica… mas todas têm uma ou outra “esquisitice” (algum aspecto contra-intuitivo)– O fato de sempre haver alguma esquisitice faz com que nenhuma interpretação seja hegemônica. Dentre essas dezenas de interpretações… – algumas delas podem ser classificadas como idealistas.

O termo ‘idealista’ poderia se referir a alguém com um ideal…mas não é este    o significado… – por aqui empregado. Queremos usar o termo para designar qualquer corrente filosófica, em que a mente (‘ideia) tenha papel essencial, na formação do mundo…da realidade. Em geral — são essas “interpretações idealistas” da teoria quântica que são incorporadas pelas ‘visões de mundo’ místicas, exotéricas, e espiritualistas.

Na década de 1930, alguns autores, especialmente dois físicos chamados London e Bauer, propuseram que a consciência humana seria responsável pelo colapso da onda quântica…sendo esta, apenas uma das interpretações possíveis da teoria quântica…(a própria noção de “colapso” não é aceita por todas as interpretações)… – Não é proibido a alguém … com uma ‘visão mística’ de mundo…olhar para a “física quântica” … em busca de novas ideias ou modelos; contudo… é errado sugerir que essa ‘visão idealista‘ seja a única maneira de interpretá-la…A mecânica quântica não implica necessariamente no idealismo.

A maioria dos cientistas ortodoxos (positivistas) interpreta a mecânica quântica sem tirar consequências idealistas – porém, mesmo estes terão que admitir que uma ‘interpretação idealista’…que se mantenha consistente com o formalismo mínimo da teoria quântica – é irrefutável… – e, portanto, precisa ser admitida como uma possível explicação do mundo.

O físico Amit Goswami, no entanto, deu um passo além… ao defender (entre outras coisas) que a ‘consciência humana’ pode influenciar as probabilidades da ocorrência de resultados de medição, indo em sentido contrário ao que diz o formalismo mínimo da teoria quântica. Com essa…”cartada” – Goswami sai do terreno puramente filosófico das interpretações…e adentra o terreno científico das “afirmações testáveis”. *** texto base (Osvaldo Pessoa Jr.)  ************************************************************************************

Universo autoconsciente? (mai/2020)

Esta é uma audaciosa conversa… com o Dr. Johannes Kleiner, matemático e físico do… “Centro de Filosofia Matemática de Munique”, que trabalha na vanguarda de uma questão intrigante: um “universo consciente”.

O que você quer dizer sobre um ‘universo consciente’, ou ‘experimentar consciência’?

Para explicar isso…preciso dizer que minha pesquisa se preocupa com os chamados “modelos de consciência”; teoria científica que procura explicar como a experiência consciente e o domínio físico (estados cerebrais…etc.) se conectam com a realidade.        Nos últimos 30 anos … muitas ideias sobre como modelos de consciência poderiam          ser construídos, foram sugeridas. Alguns deles… baseados em resultados empíricos          da neurociência ou psicologia – outros, apoiados em propostas puramente teóricas.

A grande maioria desses modelos não é de natureza matemática…no entanto, nesta        última década alguns modelos de natureza mais formal foram propostos, entre eles          um modelo chamado “Teoria da Informação Integrada” – com grande sucesso. Isso          me levou, junto com alguns colegas, a estudar modelos matemáticos de consciência. Investigamos, por exemplo, que vantagem ferramentas matemáticas têm no estudo científico da consciência – em comparação com metodologias não matemáticas – e,        quais implicações certos recursos característicos têm para estes modelos científicos.

Modelos matemáticos de consciência

O ingrediente principal na construção e estudo destes modelos matemáticos de consciência…é representar a experiência consciente em termos matemáticos. – É isso que os dá… “praticidade”. Usa-se assim o espaço matemático, na tradução do conteúdo de uma “experiência consciente”.

Uma vez fornecida uma descrição matemática do domínio físico (rede neural do cérebro, por exemplo), pode-se então aplicar um ‘modelo de consciência’ para calcular qual a sua experiência consciente possível. Agora, o importante aqui, é que qualquer sistema físico que possa (a princípio) ser representado matematicamente – pode ser “conectado” a um modelo de consciência…para calcular, conforme tal modelo, a experiência consciente do sistema. – E essa poderia ser uma descrição matemática, não só do cérebro…mas de um computador, uma grande rede, ou até…a descrição matemática aproximada do universo.

Modelos matemáticos de consciência nos permitem calcular a experiência consciente        de todos os tipos de sistemas. – E, enquanto um ‘veredicto final’ ainda está pendente,      da escolha de qual modelo de consciência descreva a realidade corretamente – é uma possibilidade que o universo como um todotenha alguma experiência consciente.

Você poderia explicar a “Teoria da Informação Integrada” de uma forma simples?

Então, deixe-me tentar Ateoria da informação integradaé um modelo matemático      de consciência, que tem como entrada uma descrição matemática de um sistema físico,        e fornece como saída, descritos em termos matemáticos, o conteúdo e a intensidade da experiência consciente desse sistema. – O que na terminologia matemática é chamado        de ‘mapeamento’ de sistemas físicos…aqui chamamos de…“espaços de experiência consciente”. O fundamental desta teoria é definir especificamente esse mapeamento.

Pense no seu computador Ele recebe sinais da operadora e os converte                                em textos que podem ser lidos no navegador Atualmente esse processo                              é descrito em termos de informaçõesO computador as recebe via cabo,                              para após convertê-las adequadamente, as exibir no navegador da web.

Fundamentalmente…existem várias modos diferentes…pelos quais informações podem ser convertidas. Enquanto em alguns casos, a transformação é relativamente… “direta”; em outros, seria mais complicada, exigindo do computador na navegação, o retorno da informação no processadorde uma parte para outras, várias vezesEssa maneira de processar a informação é dita…’recorrente’, e um ‘sistema’ que realize muito deste tipo de processamento é chamado…’integrado.

Isso é o suficiente para explicar a principal intuição por trás da “Teoria da Informação Integrada”…construída de tal forma, que os sistemas executam regularmente este tipo      de processamento integrado – exibem um grau maior de consciência – em relação aos sistemas que não executam qualquer forma significativa de processamento recorrente.  Explicar isso em detalhes… assim como explicar como a teoria define o conteúdo da consciência em termos de informação integrada, requer um bom método matemático.    Mas o que importa, no caso, é a intuição fundamental de que: “quanto mais integrado         o processamento de informações de um sistema – maior a sua própria…consciência”.

Se concluirmos que o universo (incluindo coisas inanimadas) pode experimentar a consciência – como isso mudaria nossa percepção do Universo… e, a nos mesmos?

A maioria dos cientistas pensa que tudo o que existe são coisas físicas: átomos, moléculas,  e coisas do gênero, compondo todo Universo, e tudo o que podemos ver e interagir. O que chamamos de…”consciência seria então totalmente determinado pelo mundo (físico) material; não diferenciando as multiformas como o Universo poderia funcionar. Tal visão éepifenomenalista‘, enquanto o ‘fisicalismo’ faz da consciência a propriedade específica que alguns sistemas físicos podem ter, por exemplo, de representar o mundo exterior de uma forma eficiente. De fato, se houvesse alguma evidência conclusiva da consciência ter desempenhado “papel causal” na formação do Universo (tal como um ‘valor físico’)isso poderia resultar numa revolução científica maior que a de Copérnico ou Galileu Galilei.

Onde esse entendimento de ‘universo consciente’ se encaixa no debate                                  entre a “teoria das cordas”, e a “teoria da gravidade quântica em loop”?

Tanto uma teoria quanto a outra, competem no desenvolvimento de uma descrição unificada da realidade física…Estando o “epifenomenalismo” errado…de modo que              a…’experiência consciente’…induza uma mudança na evolução dos sistemas físicos, nenhuma das 2 teorias poderia afirmar ser ela – a descrição completa da realidade. 

O Problema da Consciência                                                                                                        Durante muito tempo, lidamos com odifícil problema de consciência‘,                                  esta nova teoria pode nos ajudar a transcender isso?…E se sim, como?

Existem muitas concepções diferentes do que se pretende dizer…na utilização do termoproblema difícil“. Por exemplo, uma definição predominante entre os filósofos assume existir a possibilidade metafísica – de que a experiência consciente se “ligue” ao mundo físico – de uma forma completamente diferente do que realmente é — Então, para tal argumento deve haver leis da natureza que especifiquem como a consciência realmente      se conecta ao domínio físico. – Essas são as chamadas leis denecessidade nomológica“.

A caracterização deste problema é um tanto confusa, pois podemos perguntar o que exatamente justifica a ‘afirmação inicial’ da … “possibilidade metafísica”.  Mas o novo teorema como proposta de uma “lei da natureza” — com certeza poderia desenvolver o trabalho exigido para formular … uma tal compreensão. 

Alguns pensam o problema da consciência em termos de inteligibilidade. O desafio, segundo essa concepção — é que precisamos torná-lo inteligível … pois a consciência existe, e por ela se ligar ao domínio físico, justamente, da maneira que existe. – Aqui,      sou um pouco menos otimista em relação à nossa teoria – pois, ao meu ver – mesmo      estando totalmente correta, não conseguiria responder à fundamental pergunta “por        que?”. – Portanto, seria apenas um fato sobre a natureza – que deveríamos levar em consideração, e poderia não satisfazer plenamente à nossa…sombra de curiosidade.

Minha concepção favorita deste…“problema” – é em termos do que costuma ser chamado “lacuna explicativa”Aqui, a ideia é que a experiência consciente possa ser um fenômeno com certas propriedades que a tornam incompatível com cada um dos tipos de explicação usados ​​nas “ciências naturais”. – Nesse caso…nem saberíamos como começar a explicá-la cientificamente. Haveria então uma lacuna entre a “experiência consciente” e as “ciências naturais”, quando se trata de uma explicação científica…ou seja, uma ‘lacuna explicativa’. Isso não significa nunca podermos explicar a experiência consciente, mas exige correções na chamada explicação científica, podendo levar a ‘novas abordagens’…Com uma “lacuna explicativa”, a ‘teoria da informação integrada’ não resolveria o ‘problema da consciência’.

Ao fazer uso da maneira clássica de explicar as coisas – é uma teoria científica semelhante  a muitas outras teorias em outros campos. Contudo sua estrutura matemática poderia ser adaptada a modos mais avançados de explicação. – Portanto, certamente há esperança!…  Na ciência, não há outro problema tão profundo…intrigante e misterioso… quanto o da consciência, e muito poderá ser ganho, se avançarmos na pesquisa desse grande mistério. A estrada pode ser longa, mas provavelmente, o esforço será recompensador. (texto base)

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