Crimes e Castigos do “Determinismo”

“Some kind of determinism is required — if we want to have free will”…  (David Hume)

determinismo

Duzentos anos depois… À luz da mecânica quântica… das teorias da ‘complexidade’ … e, do ‘caos’, sabemos, que Laplace … era por demais ‘otimista’… — Nem uma ‘inteligência superior’… poderia conhecer a posição e velocidade exatas de todas as partículas do universo, e mesmo conhecendo, não poderia calcular…a rigor, o passado, e… futuro do universo.

Apesar disso…a ideia de que o movimento da matéria seria determinado por seu passado, e condições iniciais (ideia surgida muito antes de Laplace)…parece chocar-se com outra – também a princípio muito evidente… de que… – “somos capazes de decidir nossas ações“.

O “mundo determinista”                                                                                                            Quem reflete sobre esses temas – se encontra logo numa encruzilhada                                de 3 vias –  ou a livre escolha é mera ilusão, ou devemos reinterpretar                                profundamente seu significado…ou, ainda… – a matéria não é de fato                                  determinista. – O pior é que, todas as opções são difíceis de se aceitar.

A grosso modo, o determinismo afirma que, a maneira como as coisas estarão futuramente… é o resultado de como as coisas estão agora…e, do funcionamento              das leis da natureza a partir dessas “condições iniciais”…Portanto, afirmar que o          mundo é determinista, requer acreditar que o futuro é o resultado necessário de             condições preexistentes…Ou ainda, pelaStanford Encyclopedia of Philosophy“:  

Determinismo causal…é a ideia de que qualquer evento acontece – necessariamente, devido a causas anteriores, regidas por leis naturais… assim, dado um modo como, num certo instante, as coisas estão – a forma como estarão mais tarde … se torna previsível”.

a_portrait_of_determinism_by_relaxeder

“Se a matéria é determinista, são as condições em que o universo se encontra hoje, quem determinam sua evolução amanhã.” (a portrait of determinism by relaxeder – deviantart.com)

Determinismo não é o mesmo que fatalismo. Para os fatalistas, o futuro é decidido (pelos deuses, por exemplo). Já para o determinista, o que Édipo faz hoje… é determinado por seu passado, e determina seu futuro… – Para os fatalistas, o que Édipo faz ou fez, não importa… “ele está destinado a cumprir sua tragédia“… O determinismo, ao contrário do fatalismo… – parece em acordo com inúmeros fatos empíricos…regidos por regularidades internas perceptíveis. Mesmo assim, quando pensamos em seres humanos; para o filósofo Elliott Sober…parece absurdo, pois:

“Se as partículas elementares são deterministas, então também o será, tudo que for feito destas partículas…Se a mente de uma pessoa for algo material, então… – seus desejos e comportamento são regidos por leis deterministas”.

Eis a “encruzilhada”… – É possível decidir por levantar ou não um braço?… – Se sim, os átomos de nosso braço podem fazer uma coisa ou outra, em função de uma livre escolha      de nossa vontade… Então, ou nossa “livre escolha” está determinada, ou os átomos de nosso cérebro e corpo, podem fazer algo não determinado pelo passado, ou leis da física.

A primeira possibilidade parece chocar-se com a mais forte das sensações – de que, a cada instante, podemos tomar decisões…Mas, a segunda possibilidade parece chocar-se com as ciências naturais. Se nosso pensamento pode causar mudanças no mundo material, a cada instante as leis da física parecem ser violadas bilhões de vezes. Um milagre…E, de um tipo muito estranho, pois todos instrumentos baseados em leis físicas – funcionam muito bem:

Se átomos podem fazer coisas não inclusas nas equações da física… — por    que satélites, computadores…e telefones funcionam com enorme precisão,  independentemente de nossos pensamentos?… — Eis a grande enxaqueca.

mente cérebro e ciência

Alguns dizem que a ‘física quântica‘… atenua o problema, mostrando que o comportamento dos átomos só pode ser descrito em termos de probabilidade. Mas, para o filósofo John Searle, nem a mecânica quântica nos liberta… como escreveu em seu livro… – “Mente, Cérebro e Ciência”:  “Mesmo se no comportamento de partículas físicas há um elemento de ‘indeterminação‘, isso não dá, por si próprio, livre curso à liberdade humana da vontade. Isto porque o  ‘indeterminismo’ não constitui evidência, de uma energia mental da liberdade humana – que deslocasse moléculas para direções as quais, de outro modo…não se moveriam.   Assim, é como se tudo o que sabemos sobre a física…nos forçasse de algum modo à negação da liberdade humana”.

Estamos, portanto, perante um ‘enigma filosófico‘ característico. – Por um lado, um conjunto de argumentos poderosos nos força à conclusão de que a livre vontade não      existe no universo. Por outro lado, uma série de argumentos poderosos nos inclina à  conclusão de existir alguma ‘liberdade de vontade‘…pois todos a experimentamos, a      todo momento. – E…por outras palavras… – Elliot Sober, chega à mesma conclusão:

“Se nossas ações são determinadas não apenas por desejos e crenças…mas por desejos, crenças e a roda de uma roleta, isso não nos torna mais livres”.

Essa é uma encruzilhada que atormenta cientistas e filósofos há gerações.                        Como fazer então… — para conseguirmos sair dessa… “sinuca de bico”?…

Deterministas e Libertários                                                                                                     “O que cabe hoje ao Homem em sua relação com a verdade, como nunca antes em sua história, é uma extraordinária medida de liberdade e responsabilidade.” (F. Nietzsche)

Baruch-Benedict-Spinoza-frases

Filósofos e cientistas se dividem … sobre o problema da relação entre ‘livre arbítrio’ e ‘determinismo’… Para os deterministas, devemos admitir… que a livre escolha é só uma ilusão. — O filósofo Baruch Spinoza, por exemplo… – já escrevia em sua ‘Ética‘:

“Não há na mente… – ‘vontade livre’…ou absoluta – pois a mente é determinada a querer isto ou aquilo por uma causa, que por sua vez… — é determinada por outra causa, e essa por outra… e assim ad infinitum”…“Os homens se consideram livres porque estão cônscios das suas volições e desejos…mas são ignorantes das causas pelas quais são conduzidos a querer e desejar”.

Por que os leitores estão lendo este texto?… Porque querem… é a reposta fácil. Mas, querer alguma coisa, perguntaria Spinoza, é uma escolha livre?… Sendo nossas decisões definidas por nosso querer…ou não querer – ou seja – por nossas crenças e desejos… que dependem do ambiente…de nossa história…da biologia, etc…podemos não querer o que queremos?…

No lado oposto do front há os filósofos chamados “libertários”, que creem na existência do livre arbítrio, e que o mundo…de fato, não é determinista. – Alguns estudiosos… inclusive, consideram liberais as ideias de Kant (1724-1804), e Fichte (1762-1814). – Contudo, há  ainda outra curiosa vertente… – É possível sustentar que… ‘determinismo’, e ‘liberdade de escolha’ possam existir juntos… tal ideia se chama ‘compatibilismo, e foi historicamente a posição de muitos filósofos… – Os ingleses David Hume (1711-1776), e John Stuart Mill (1806-1873) por exemplo, foram considerados defensores do “compatibilismo”, baseando-se em argumentações bastante sutis – como a de que, mesmo tendo causas determinadas, nossas escolhas não seriam constrangidas, isto é, obrigatórias.

Até em áreas bem deterministas da ciência…como a física clássica, são estudados diversos exemplos em que o determinismo parece ter falhas. E, mesmo no contexto da relatividade geral… mecânica quântica… ou teoria da evolução, filósofos e cientistas… depois de gastar muito tempo pensando nas implicações da relação entre “determinismo” e “livre arbítrio”; muitas vezes chegaram a uma conveniente acomodação, entre ambos os “pontos de vista”. 

livrearbítrioDeterminismo & Livre Arbítrio

Hoje em dia… é de lei denegrir determinismos. Sabe-se que é simplório, ingênuo… tendencioso atribuir as causas do “comportamento humano” … às condições econômicas, genéticas, ao ambiente em que vivemos,  ao clima, etc. Nenhum desses fatores, por si só, pode definir o procedimento cultural de ‘grupos humanos’ e…talvez, nem todos juntos… – Entretanto… mesmo considerando o “determinismo causal”… como um modo, às vezes grosseiro, de formular hipóteses… — é difícil imaginar um… “saber acumulativo”… — sem algum tipo de bisturi.

O ‘determinismo causal‘ tornou-se associado com ideias profundamente impopulares, tais como o determinismo racial ou biológico. Contudo, sua premissa básica, qual seja…’o que acontece no futuro é determinado…de certa forma, pelo que se passou antes’, é quase essencial para que a vida e o mundo a nosso redor façam algum sentido. — Muito embora queiramos acreditar que algum tipo de ‘livre arbítrio‘ existe – ou agir como se existisse (especialmente ao atribuirmos culpas) – é difícil imaginar como poderíamos agir… senão,  assumindo que existe algum tipo de…”determinismo” oculto por trás dos acontecimentos.

Determinismo quando ‘escolha’ e ação humanas…não são fruto do ‘livre-arbítrio’, o que todavia não significa uma ‘incompatibilidade’…à noção de liberdade – mas sim, à sua espontânea concepção, cujo conceito abarca “ato voluntário”. – Indeterminismo…uma condição considerada necessária para o livre-arbítrio, mas não suficiente…é a tese de que escolha e ação humanas não são efeitos de eventos cósmicos. Já o Livre-arbítrio é um tipo de liberdade, que pode ser visto como um “ato voluntário”… independente de causas cósmicas anteriores… – Liberdade, por sua vez, muitas vezes é confundida com…”livre-arbítrio”, e por isso se diz que a liberdade individual é incompatível com o determinismo.

Compatibilismo é a posição, segundo a qual o “determinismo cósmico” é logicamente compatível com uma concepção de liberdade que dá conta satisfatoriamente do conceito de responsabilidade moral. O ‘compatibilismo estrito’ não afirma o ‘determinismo’, mas defende a compatibilidade do mesmo – com a “liberdade”, e a “responsabilidade moral”. Incompatibilismo é a posição segundo a qual o determinismo cósmico é logicamente incompatível com uma concepção de liberdade…que incorpora ‘responsabilidade moral’.

changeO problema da relação entre…liberdade, determinismo e responsabilidade moral é conhecido como o…’problema do livre arbítrio’ … e consiste no conflito entre 2 teses fundamentais… o “determinismo”, e a “liberdade”. A primeira sustenta que tudo o que há no universo…todo evento,  incluindo-se as “ações humanas” – está determinado por ‘leis causais’. Uma vez que toda ocorrência de um evento…é precedida por causas necessárias e suficientes a ele,  a ocorrência de qualquer evento…obrigatoriamente, será resultado de sua causa anterior.

Para o determinismo, uma vez que tudo, inclusive a ação humana, é resultado de leis causais, o sentimento que temos de que somos livres, de que poderíamos ter agido de outra forma…é ilusório, e advém da incapacidade em conhecermos causas anteriores,      que determinem nossas ações…Uma das dificuldades na defesa dessa tese, é mostrar, diante disso, como podemos ser moralmente responsáveis. Ora… se não somos livres        em nossas decisões … então também não podemos ser ‘responsáveis morais’ por elas.  *******************************************************************************

Ética, moral, liberdade e determinismo                                                                            A palavra “moralidade” vem do latim e significa costumes.                                                  A palavra “ética”… vem do grego – e significa modos de ser’.

Nas conversas diárias, muitas vezes falamos de “ética” e “moral” como se fossem palavras sinônimas. Embora originalmente tenham um sentido parecido…é possível diferenciá-las. Nós vivemos numa sociedade com normas estabelecidas do que é certo, e do que é errado. Percebemos assim, que a moral é um conjunto de normas ou valores, por meio do qual as pessoas guiam seu comportamento. De acordo com esses valores, suas ações são julgadas.

A ética pode ser entendida como uma reflexão sobre o comportamento moral, que analisa os fatos a partir das noções do bem e do mal; do justo e injusto. Ela não diz a      forma como as pessoas devem comportar-se…mas sim, pretende elaborar princípios        de vida para orientar com “responsabilidade”, as ações humanas. – Quando falamos      que alguém é responsável… ou, tem responsabilidade sobre alguma coisa – significa        que essa pessoa tem condições de pensar (do latim…’respondere‘) sobre seus atos –      tanto no passado quanto no presente, tendo assim liberdade para escolher a melhor      forma de agir no futuro. Dentro da discussão filosófica…há pensadores discutindo a liberdade humana acima das determinações, como Sartre, e aqueles que analisam a ‘relação’, a partir do Ser humano livre e determinado, assim como Marx e Espinoza.

crisis_moral.

Liberdade x Determinismo

a) O ser humano é sempre livre

Os pensadores que defendem essa ideia sabem que há determinações externas e internas – fatores sociais… e subjetivos,  mas a liberdade de decidir sobre suas escolhas… é superior à qualquer dessas forças… – Segundo Jean-Paul Sartre… – O homem está condenado a ser livre Condenado, pois não criou a si próprio; e livre porque uma vez ao mundo,        é responsável por seus atos”. Sem determinismo o homem é pura liberdade”.

b) O ser humano é livre e determinado ao mesmo tempo

Entre os pensadores que defendem uma relação entre liberdade e determinismo, estão Espinoza e Marx…Segundo eles, as ideias de liberdade e determinismo não se excluem.    Se há fatores objetivos que limitam a liberdade humana… como leis, normas…situação social, é possível uma ação para expandir esses limites. Para isso, precisamos conhecer    os “determinismos”…e, quanto maior for nosso conhecimento a respeito deles – maior será nosso poder de ação. Para Karl Marx: “Os homens fazem sua própria história mas    não a fazem como querem… como circunstâncias de sua escolha – e sim… sob aquelas condições, legadas e transmitidas pelo passado – com que se defrontam diretamente.”

(texto base) Yurij Castelfranchi, 2007 outras fontes “Determinismo & Livre Arbítrio”  ‘Determinismo & Liberdade’  ‘Idealização e Abstração’ ‘Ética, Liberdade e Determinismo’  ***********************************************************************************

determinismoO que é Determinismo?

A origem do termo “determinismo”, vem do verbo “determinar” — do latim “determinare” – que significa “não-terminar”…ou…“não-limitar”. De forma geral…é uma corrente de pensamento baseada na ideia … de quedecisões e escolhas humanas não decorrem de um livre-arbítrio. Assim, todas nossas escolhas e decisões estão atreladas a relações de casualidades maiores do que vemos. Portanto, segundo o determinismo, tudo que existe no universo está limitado a leis imutáveis, e todos os fatos e ‘ações humanas’ são predeterminas pela natureza. A chamada “liberdade de escolha” não passa de uma ilusão.

O determinismo é um princípio filosófico, onde tudo no universo é determinado pelas leis da natureza e acontecimentos préviosonde até a vontade e comportamento humano são predeterminados por esses acontecimentos – o que torna a liberdadeapenas uma ilusão subjetiva. – Contudo, para entender isso melhor precisamos esclarecer o significado de “acontecimento”…que – nesse contexto – deve ser entendido de uma forma totalmente abrangente…podendo ser, tanto uma ação da natureza, quanto humana…como um desejo.

Sendo assim…todos acontecimentos se determinam por causas anteriores. Então, pelo determinismo, é o mesmo que dizer que eles não poderiam ter sido diferentes, devido as causas que os precederam…e a leis da natureza.

Classicamenteesse pensamento foi usado como conceito para explicar o universo, especialmente para tentar explicar os fenômenos naturais. Pela teoria determinista,      seria possível “prever” acontecimentos futuros baseados em fatos atuaispois toda realidade estaria… “interligada”… por propósitos em comum. Assim…a realidade      seria… “imutável” – pois tudo o que estava previsto para acontecer… – aconteceria.

Tipos de Determinismo                                                                                                    Existem vários conceitos para definir o ‘determinismo’ – de acordo                                  como a casualidade e a determinação são entendidas. Assim temos:

behaviorismoa) Pré-determinismo

O pré-determinismo é visto como um ‘determinismo mecanicista’…ou seja, a determinação das ‘causas’, se encontra          no passado. Acontecimentos presentes            e futuros são causados por ‘fenômenos’ explicados em suas ‘condições iniciais’.

Elementos do pré-determinismo são encontrados napsicologia behaviorista…onde a mente humana é um sistema mecânico, cujos estímulos resultam em precisas reações.

b) Pós-determinismo

O ‘pós-determinismo’ é baseado na “teleologia” (doutrina baseada em metas) dos  propósitos e finalidades. Esse conceito se funda na alegação de que a determinação          dos fatos está no futuro. Noutras palavras, tudo acontece por um motivo, propósito          ou razão de alguma entidade metafísica. Como “a vontade de deuses”, por exemplo.

c) Co-determinismo

O ‘co-determinismo’ defende a ideia de uma ‘relação ocasional de causas’ como geradora    de novas realidades. Assim, os efeitos de uma causa podem se transformar nas causas de outros efeitos, de uma realidade diferente das causas anteriores, e assim sucessivamente.

Nessa concepção, o determinismo não é posto nem no futuro, nem no passado,                mas sim no presente…ou na “simultaneidade” dos processos e acontecimentos.            Dessa maneira, tal ideia também se encontra dentro da…teoria do caos…que              prevê que a aplicação de erros resultam em múltiplos resultados imprevisíveis.

d) Determinismo Genético

Essa vertente se baseia na afirmação genérica, de que os genes,                                                    e as condições genéticas de uma pessoa determinam a sua vida.

e) Determinismo Geográfico

No determinismo geográfico, é o “meio ambiente quem determina o                              comportamento dos indivíduos que nele vivem. O geógrafo e antropólogo                      Friedrich Ratzel, no entanto, pontua que através da utilização de recursos                      naturais e da cultura é possível transpor efeitos deterministas desse meio.

f) Determinismo Social

Esse é uma aplicação do determinismo geográfico, porém nos meios sociais capitalistas das sociedades urbanizadas industriais. Portanto, essa concepção acredita que o meio social que o indivíduo nasce determina a sua vida e as suas ações. Desse modo, pessoas que nascem em meio a lugares violentos, tendem a ser violentos, por exemplo.

Hoje em dia o determinismo social é usado como uma forma de explicar a classificação social dos indivíduos. Essa que fomenta o preconceito e a exclusão de determinados grupos sociais.

liberdadeDeterminismo e Liberdade

O conceito de “determinismo” é bastante criticado entre pesquisadores e filósofos que defendem a ‘livre escolha’, livre-arbítrio ou uma “não-casualidade”. Tais críticos baseiam seu ponto de vista na ideia de que o espíritoa alma, o desejo, a escolha, e vontade humana não podem coexistir no mesmo “universo casual“…e assim, não são regidos pelas mesmas ‘leis imutáveis’ da natureza. Os deterministas, por sua vez, rebatem essas alegações com o argumento de que dessa forma, eles ignoram o “co-determinismoOu seja, a ideia fundamental de que existem diversas relações entre várias realidades diferentes, seja molecular, social, planetária, psíquica, etc.

Apesar disso, existem vários estudiosos, como Nietzsche e Deleuze, que não enxergam        o determinismo e a liberdade como ideias contraditórias. Isso porque, a liberdade não    seria “livre-arbítrio”, mas sim uma capacidade de “criação”. Portanto, o ‘livre-arbítrio’ seria apenas uma escolha… entre opções — que já foram anteriormente determinadas.

Alguns (principais) Autores Deterministas

Friedrich Ratzel: geógrafo e antropólogo alemão, acreditava que o meio                        determinava a vida e as ações das pessoas. Apesar de ser um dos nomes                                mais respeitados do determinismo, tal palavra não aparece em sua obra.

Friedrich Nietzsche: filósofo e filólogo alemão, que acreditava numa força                        criativa natural que geraria todo o movimento da vida. – Ele chamou essa                          força de “vontade de poder“…e ela seria a força motriz – causa de tudo.

Charles Darwin: biólogo, criador da teoria da evolução das espécies,                                      não mencionou diretamente determinismo‘, nem se preocupou em                                defender o ‘determinismo’. Todavia, sua teoria denota um princípio                                determinista, qual seja: a sobrevivência de uma espécie depende de                                      seu poder de adaptação ao meio (se há adaptação há sobrevivência).

Baruch de Espinosa: para o filósofo holandês… — qualquer ação de um                                    ser humano não é uma ação isolada, mas resultado de ações anteriores                                que ele mesmo tomou – sendo estas ações – resultados de mais outras.                                Assim, o ser humano se vê numaespiral sem fim até a sua morte.

Gilles Deleuze: inspirado por Nietzsche e Espinosa, Deleuze afirma que a                        liberdade é a capacidade de criar – e o pensamento que distingue o…”ser                        humano” dos demais animais, é também fruto desse poder de criar. Tal                          capacidade, contudo, não exime o ser humano de medidas de forçanas                          suas ações, e de outros, o que lhe dá infinitas possibilidades. (texto base******************************************************************

Behaviorismo (a matriz comportamental)                                                                          A doutrina da “finalidade” – sob sua forma extrema – tal como a encontramos                      em Leibniz, por exemplo – implica que as coisas e seres não façam mais – que                realizar um programa já previamente traçado” (Bergson, A Evolução Criadora)

F. Skinner considerava olivre arbítriouma ilusão, e a ação humana, dependente das consequências de ações anteriores. Se estas fossem ruins, havia uma grande chance da ação não ser repetida — se as consequências fossem boas…a probabilidade da ação ser repetida se torna mais forte. Skinner chamou isso de “princípio do reforço” E, como consequência desse tipo de comportamento, criou o termo condicionamento operanteConsequências que têm valor de sobrevivência ao organismo…têm as respostas que as geraram reforçadasaumentando a probabilidade de que a mesma volte a ocorrer em contexto semelhante; ao passo que consequências que trazem prejuízos têm respostas punidas, reduzindo assim, a probabilidade de sua reincidência…num contexto similar. Desse modo o behaviorismo radical deduz o comportamento do organismo humano e demais seres, como uma interação entre estímulos do ambiente, e respostas do corpo.  ********************************************************************************

“Causalidade” (origens históricas)

A primeira sistematização do conceito de ‘causa‘ se encontra na filosofia de Aristóteles, sistema predominante por toda Idade Média, distinguindo 4 tipos: A “causa material”    e a “causa formal” se entendem – respectivamente… como a matéria e a forma que se combinam para dar existência às coisas e aos seres. – A “causa eficiente” equivale ao agente que determina diretamente o fenômeno considerado. Já a “causa final“, ligada    ao “objetivo” da consequência… – é o…”propósito…para que um ato possa então se realizar… – “finalidade de algo…ou razão por que este algo exista… ou passe a existir.

spinoza1

“Espinoza e a Filosofia Prática”… (Gilles Deleuze)

‘Causalidade prática’

Desse modo, pode-se explicar, por exemplo, uma ‘casa‘… Sua “causa material são os tijolos… e demais materiais, sua “causa formal“…é o projeto; sua “causa eficiente“…é o trabalho do pedreiro, e sua “causa final“…é a finalidade da casa…sua função, a de prover abrigo. Sendo que causas ainda se dividem em:

Causalidade acidental‘…é uma causa que pode ou não ocasionar um efeito, do qual a causa não depende (acaso). Exemplo: uma cadeira pode ser de madeira, ferro ou plástico; mas para ser cadeira não depende de qual desses materiais foi escolhido para construí-la.

Causalidade essencial‘…é uma causa cujo efeito é necessário e de cujo efeito a própria causa depende… – Exemplo: ser um “ser humano”… – acarreta…necessariamente, o efeito de ser um “bípede”; ou ainda – uma cadeira, para tal, deve ser algo em que se possa sentar.

A partir do Renascimento, principalmente com o desenvolvimento da ciência moderna (sobretudo astronomia e física…da época de Copérnico, Galileu e Newton) a relação de causa e efeito passa a responder uma indagação científica…como se dão os fenômenos    de mudança? A procura da causa eficiente cedeu lugar à busca de leis gerais, ou seja…a ideia de relação de causalidade entre fenômenos foi substituída por “sistemas teóricos”.

Como consequência, podem-se distinguir na tentativa de conceituar a causalidade duas perspectivas gerais e opostas: a ‘racionalista‘ de Descartes, Spinoza e Leibniz, tende a relacionar causa e razão: a causalidade é uma relação real e necessária, apreensível pela faculdade racional humana. Já a visão ‘empirista‘, com Hobbes e Hume…ao contrário, identifica ‘causalidade’ com uma sucessão de fatos no tempo; onde a relação de causa e efeito entre fenômenos…não pode ser comprovada – apenas consagrada pelo ‘costume’.

Kant então, assimilou as ideias de Hume, dando ao problema uma solução original, preservando a importância da explicação causal… – a causalidade é uma categoria fundamental do entendimento humano, portanto, não caberia demonstrá-la… mas, simplesmente aplicá-la à observação dos “fenômenos transcendentais”. (texto base)

clarice-lispector1Causalidade & Determinismo

As investigações sobre ‘causalidade’                  que ocorrerão depois de Aristóteles,                  até o Renascimento, consistirão em                    impor uma hierarquia favorita para                  as 4 causas. Por exemplo… “final >                    eficiente > material…> formal”                    (São Tomás de Aquino) … ou ainda, restringindo toda…causalidade…às                      causas material, e eficiente (Bacon),                  ou só considerando causalidade,                  causas eficientes…(determinismo).

Desde o ‘Renascimento’, esta última concepção de causalidade foi retomada, em oposição ao aristotelismo. Hobbes…em sua “doutrina da causalidade“, por exemplo, reformula conceitos provenientes da tradição ‘aristotélico-escolástica’ objetivando a substituição de uma concepção da “natureza qualitativa”… – por uma física estritamente “mecanicista“. A causalidade não mais é entendida como um processo linear (causa anterior explicando um efeito presente, ou finalidade “divina” explicando presente e passado), mas como um “processo complexo(causas simultâneas interagem, e tem como efeito outro nível de existência, p. ex…a interação no nível molecular formando um outro nível de realidade, a vida, ou a interação entre indivíduos formando um outro nível de realidade, a sociedade).

A relação entre causalidade (ou determinação), e liberdade é um dos assuntos mais debatidos em filosofia. Muitos vêem a causalidade como sinônimo de mecanicismo (tal como no modelo de causalidade linear) e acreditam que nenhuma determinação (como relação de causalidade) pode explicar a “liberdade humana”…ou o “livre-arbítrio“. Esta posição fundamenta o “dualismo“, onde causalidade e liberdade são inconciliáveis…tal como 2 substâncias bastante diferentes… ou 2 universos irremediavelmente separados.

Os deterministas argumentam que, se a “inteligibilidade” de qualquer fenômeno supõe sempre apreender suas características (modo específico no qual os eventos surgem e se relacionam), então afirmar que a liberdade se opõe à determinação…é também afirmar que esta não é inteligível, o que seria um absurdo. Para eles, o “acaso(falta de causa)      de um fenômeno é apenas uma aparência que se origina, quando ignoramos a maneira como eventos surgem…e se relacionam. A ‘liberdade’ não seria sinônimo de acaso, mas    um modo de determinação – fundamentado noutros modos de determinação (os quais    não podem ser explicados pela…”pré-determinação“…como fazia o “mecanicismo”).

O entendimento aristotélico da ‘causalidade‘ foi predominante no pensamento ocidental – por quase 2 mil anos até a época do  “renascimentoeiluminismo“. A “explicação causal” de então, era toda baseada em uma ideiamecanicista… de causalidade linear, que entende todo efeito, como já sendo completamente presente na ‘causa precedente’, que por sua vez, é resultado de uma outra anterior… – e assim por diante “sucessivamente”.

Dessa forma, ‘cosmologicamente‘ … a “determinação” é colocada no passado, numa única linha ou cadeia causal totalmente explicada pelas condições iniciais do universo, que teria sido posto em movimento por um 1º motor imóvel…uma “causa sem causa“…Esse motor imóvel também era considerado o responsável pela existência de ordem no universo – ao colocar “causas finais” (teleológicas) em cada evento que surgisse … na “cadeia causal”.

Contudo… desde o fim do “iluminismo”… – a ideia de… “causalidade linear”                  tende a ser considerada insuficiente para explicar a maioria dos fenômenos                  (naturais… sociais… biológicos… existenciais… psicológicos…etc.)  que se                        provaram melhor explicáveis… – por vários outros modelos de causalidade.

A ideia de causalidade ou de determinação que predomina desde o fim do iluminismo…é a de “causalidade complexa“, segundo a qual nem todo efeito está totalmente contido na causa anterior…isto é, que o próprio efeito pode simultaneamente interagir (causalmente) com outros efeitos – podendo inclusive, acarretar um nível de realidade diferente do nível das causas anteriores (por exemplo…a interação no nível molecular, formando outro nível de realidade…a vida; ou entre indivíduos formando outro nível de realidade…a sociedade).

A ‘teoria do caos‘ e a ‘teoria da emergência‘…por exemplo, apresentam a ideia de redes de determinações simultâneas… que engendram diversos níveis de realidade. Estes diversos níveis (molecular, biológico, psíquico, social, planetário, etc.), exibem variados modos de causalidade, possuindo, cada um, uma consistência que lhe dá autonomia…sem contudo, jamais deixar de interagir com outros níveis…ou mesmo, de desaparecer, ou surgir neles.

evoluo-das-espciesEssa “causalidade complexa”… vê a determinação ocorrendo, não só no passado…mas também no presente, numa simultaneidade de processos, ou eventos. Um bom exemplo pode ser visto na “teoria da evolução das espécies“. Nela…a determinação de uma espécie não é explicada, como um efeitototalmente contido” em uma causa anterior. Pelo contrário, cada espécie se diferencia… evolui, ou se extingue através da interação entre diversos organismos (e climas) que existem…simultaneamente. Há uma constante “deriva genética(mutação genética aleatória), mas apenas são preservadas as mutações que melhor adaptam o organismo…na interação com outros…em um ‘ecossistema‘…que, por sua vez… também se modifica… – pelas novas “interações” desse “novo organismo“.

A causalidade complexa também se faz presente no âmbito da mecânica quântica; onde as reduções das ‘funções de onda‘ ao ocorrerem, determinam a realidade do passado, e essas, para serem possíveis, não só dependem do contexto histórico do sistema – de um passado já configurado…determinando as existências dos próprios sistemas hoje “emaranhados”… – como também… das “interações instantâneas” dos sistemas – em escala universal (“não localidade”), reduzindo as “funções de onda”… que tomam lugar no presente. (Wikipédia*********************************************************************************** 

Consciência, Liberdade & Destino…segundo Sartre                                                   “O Homem tem uma dimensão subjetiva (projeção de si próprio), e pode ter plena consciência disso…O que se chama ‘subjetividade’, de fato, é a própria consciência               de ser consciente…Mas, segundo Sartre… – para isso acontecer é preciso que essa consciência se qualifique de algum modo. E esse modo leva o Homem a pressupor             o efeito de suas próprias escolhas… por uma intuição reveladora”.  (Isaias Sczuk) 

Sartre

Sartre não universaliza a escolha do agir – dessa… ou daquela maneira, mas coloca que esse ou aquele modo de vida…pode ou não ser possível. É cada um que deve escolher seu caminho.. – E portanto… seja para o bem, ou para o mal … o sujeito estará sozinho nessa decisão.

Se for bom para ele… pode não ser bom para os demais, mesmo assim será sua escolha. Sendo que pode não ser bom aos demais – e…nem mesmo a si próprio – porém, outra vez ele será o único responsável por isso — já que foi exercida sua própria liberdade – no exato momento desse decidir… – Seu agir em meio à sociedade – então o levará às últimas consequências dessa ação… – assim como a novas escolhas – até, enfim…auto-construir-se.

Por isso, o ‘existencialismo‘ de Sartre, nos diz que educar é – possibilitar a construção dessa…’essência humana’…através da liberdade, transformando o ser humano…’inautêntico’ – para um ser… “consciente”; desde que…ele próprio…seja o agente dessa escolha.

Tirando-o da massa social…cheia de determinismos e dogmatismos; fazendo-o correr o risco – de tornar-se diferente dos demais… e ser muitas vezes punido por isso; de angustiar-se com isso…mas possibilitando-o construir a si próprio. (Simone Grama)  (p/consulta*************************************************

“Pensamento filosófico”…                                          (Uma boa maneira de se pensar o mundo)                                                                         A filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos, um sistema acabado, fechado em si mesmoA filosofia é uma maneira de      pensar…e é também uma postura diante do mundo. Antes de mais nada, ela é uma      forma de observar a realidade, pensando os acontecimentos além da sua aparência imediataPode voltar-se a qualquer objeto pode pensar a ciência, seus valores e métodospensar a religião, a arte; e até o próprio Homemem sua vida cotidiana.

Quando surgiu entre os gregos, no século 6 a.C… a filosofia englobava tanto a indagação filosófica propriamente dita, quanto aquilo que hoje chamamos conhecimento científico.    O filósofo refletia e teorizava sobre todos os assuntos, procurando responder…não só ao porquê das coisas, mas também, ao como, ou seja, ao modo pelo qual elas acontecem ou “funcionam”. – Euclides, Tales e Pitágoras, por exemplo, foram filósofos que também se dedicaram ao estudo da geometria. Aristóteles por sua vez, investigou problemas físicos,    e astronômicos…na medida em que esses problemas também interessavam à cultura e à sociedade de sua época. Apenas a partir do século 17 com o aperfeiçoamento do método voltado à observação, experimentação e matematização dos resultados…a ciência, como entendemos hoje, começou a se constituir como uma forma específica de abordagem do real que se destacava…ou desprendia da filosofia propriamente dita. – O conhecimento fragmenta-se entre as várias ciências, pois cada uma se ocupa somente de uma parte do real. Estudam os fenômenos que pertencem à sua área específica, e pretendem mostrar, como estes ocorrem…e, como se relacionam com outros fenômenos. – A posse do saber sobre fenômenos naturais e humanos – gera a possibilidade de prevê-los e controlá-los.

Qualquer que seja o problema a reflexão filosófica considera cada um de seus aspectos, relacionando-o ao contexto dentro do qual ele se insere, e restabelecendo a integridade do universo humano. É impossível…por exemplo, considerar os problemas econômicos de um país, apenas a partir de princípios de economia… É necessário relacioná-la com interesses das diversas classes sociais… interesses políticos… interesses nacionais…etc. 

“Pensamentos libertários”                                                                                                        Os ideais de Rousseau influenciaram a Revolução Francesa (1789), que fundou a noção dos direitos civis… e, reconheceu a liberdade como uma dos princípios fundamentais da revolução (liberdade, igualdade e fraternidade). Para ele, o povo, não o rei, deveria ter o verdadeiro poder, o que afrontava o absolutismo vigente na época”.

revoluçãoJean-Jacques Rousseau (1712-1778) afirmou que os homens nascem livres – e a liberdade não existe sem igualdade. Não poderia haver democracia…sem a livre circulação de ideias. Ele difundiu o conceito de que, a liberdade é igualmente um direito e um dever…Para ele, um “pacto social” manteria a liberdade do cidadão. Nesse pacto, fruto da vontade geral, o povo faria parte do processo de elaboração  e execução das leis…em um ato de liberdade.

No final do século 19, Karl Marx (1818-1883) criticou a liberdade e sua relação com o capitalismo. Para ele…quando a sociedade é dividida em proletários e capitalistas, as pessoas se tornam meras ‘ferramentas de produção’, e a atividade produtiva se torna coerção, a vida humana se reduz à sobrevivência. É o que ele chama de ‘necessidade’.  Quem tem de comer a qualquer custo…fará todo esforço para isso, e está no domínio        da necessidade. Quando conseguimos nos livrar da necessidade, a ideia de liberdade acontece… numa diminuição da jornada de trabalho – condição ao desenvolvimento      pleno da personalidade e capacidade humana.

eternoretornoO “eterno retorno” em um breve resumo

Friedrich Nietzsche (1844-1900) cogitava… que o…”pensamento racional”… – não é superior às sensações e experiências. Ele também dizia que existem limites para o livre-arbítrio e o homem não faz sempre o que quer…Para ele, nenhuma ação é totalmente livre…porque a escolha, ou o desejo de algo — são acomodados às condições da natureza, regras e eventos sociais…’relações de poder’… – e ‘interpretações‘ sobre o mundo.

Mas, o homem livre pode superar a si mesmo, praticando uma                  espécie de desconstrução de si. E assim, da força transmutada,                criar novos valores – “mergulhado”… na eternidade do tempo.

A liberdade de pensamento, em seu sentido estrito…é inalienável, inquestionável. Reivindicar a “liberdade de pensar” … significa lutar pela liberdade de exprimir o pensamento. Voltaire ilustra bem essa liberdade, dizendo… “Não estou de acordo            com o que você diz, mas lutarei até o fim para que você tenha o direito de dizê-lo”.  Hobbes afirmava que o…“homem livre é aquele que não é impedido de fazer o            que tem vontade, e pode fazer por sua força e capacidade”… – Kant, por seu lado,              diz que… “ser livre é ser autônomo… é dar a si mesmo as regras a serem seguidas racionalmente” Enquanto para Jean-Paul Sartre… “a liberdade é uma condição ontológica do ser humano…O homem é “nada” antes de definir-se como algo, e é absolutamente livre para definir-se, engajar-se, encerrar-se, esgotar a si mesmo”. 

À primeira vista, o peso da liberdade depositado no homem pelos filósofos existencialistas pode parecer excessivamente pessimista… fatalista… – de uma solidão extrema, no íntimo de nossas decisões. Mas, ao contrário, o “existencialismo” coloca o futuro em nossas mãos, nos dá total autonomia moral, política e existencial…além da responsabilidade por nossos atos. Crescer não é tarefa das mais fáceis…Para o existencialista, não há desculpas, não há Deus ou natureza a quem culpar por nosso fracasso.

Por isso a filosofia incomoda…pois ela questiona o modo de ser das pessoas, sociedades, do mundo… – Discute práticas política, científica, técnica, ética, econômica, cultural… e artística. Não há área onde não se meta, não indague, não perturbe. E assim a filosofia pode ser perigosa…subversiva… pode virar a ordem estabelecida de cabeça para baixo.

‘consciência & liberdade’ # “O tema da liberdade” # “O homem está condenado a ser livre” *******************************(texto complementar)********************************

O cérebro humano está no limite do caos                Conforme o presente estudo…feito por uma equipe da Universidade de Cambridge, a dinâmica das redes do “cérebro humano”…tem muitos elementos em comum com alguns sistemas bastante diferentes na natureza.

Pesquisadores descobriram novas evidências de que o cérebro humano vive ‘no limite do caos’, em um ponto crítico entre a aleatoriedade e a ordem. — O estudo … publicado no jornal acadêmico…’PLoS Computational Biology’ fornece dados experimentais sobre uma ideia até agora repleta de especulações teóricas…O “ponto crítico” de uma auto-organização…onde sistemas organizam-se espontaneamente…para operar em um ponto crítico entre a ordem, e a aleatoriedade – pode emergir a partir de complexas interações…em variados sistemas físicos – entre os quais      se incluem… – avalanches… – terremotos… – incêndios florestais – e…ritmos cardíacos.

Os pesquisadores utilizaram técnicas de ‘imageamento cerebral‘ de última geração para captar micro-alterações na sincronização de atividades…entre diferentes regiões da rede funcional do…”cérebro humano”… – Os resultados sugerem que o cérebro opera em um “estado crítico auto-organizado”… Para sustentar essa ideia, estudou-se a sincronização dessas atividades por “modelos computacionais”, demonstrando-se assim, que o “perfil dinâmico” encontrado no cérebro é expresso de uma “forma exata”… – nesses modelos.

Os resultados do imageamento cerebral, em conjunto com suas simulações,                      fornecem fortes evidências em favor da ideia de que a dinâmica do cérebro                      humano — “situa-se em um ponto crítico… entre a ordem e o caos“.

“Redes computacionais” que apresentam essas características… também atingem capacidades ótimas de memória (armazenamento de dados), e processamento de informações. Sistemas críticos são capazes de responder bem rapidamente, e de modo amplo – a pequenas variações em seus inputs. – E, para o pesquisador M. Kitzbichler:

“Devido a essas características… a ‘criticalidade auto-organizada‘…é, intuitivamente atrativa, como um modelo para a funções cerebrais – como a percepção e a ação, que nos permite alternar rapidamente entre ‘estados mentais’… – a fim de responder a condições ambientais variáveis”.  (texto base) … p/consulta…  ‘determinismo’  ##  ‘teoria do caos’

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em filosofia e marcado , . Guardar link permanente.

3 respostas para Crimes e Castigos do “Determinismo”

  1. JMFC disse:

    De acordo com o texto parece poder se concluir que Stuart Mill e David Hume andarão mais próximos da realidade…

    Curtir

    • Cesarious disse:

      De acordo com o texto, sim; mas as palavras da Clarice Lispector me parecem reveladoras…’só podemos ser livres dentro dos parâmetros do nosso próprio destino’… (ao reconhecermos os nossos limites, diria eu…)
      O grande benefício que a teoria do caos (determinístico) trouxe, foi uma abordagem aos sistemas não-lineares… onde os componentes interagem entre si… o que traz a imprevisibilidade a longo prazo – e que corresponde à maioria dos sistemas vivos, e reais.

      Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s