Viva a Natureza Viva… na ‘Teoria do Caos’

“A natureza é o “espírito adormecido” que emerge da evolução, até                               tomar consciência de si mesma…no Homem.” (Friedrich Schelling)

http://pt.gdefon.com/download/ramo_folhas_natureza/510554/1920x1200

De todos caminhos viáveis da desordem… a ‘natureza’ escolhe apenas alguns…Ao carregar vida e consciência (por um fluxo aleatório de energia em desequilíbrio) forma padrões universais de ‘estruturas complexas’, em perene instabilidade…

Nela…nem acidente, nem intenção…podem explicar uma tão espantosa universalidade de formas, reunidas ao longo do tempo…’Leis físicas‘, baseadas na perspectiva dos inúmeros sistemas dinâmicos…é quem deve tal satisfação…

A natureza do Caos… O surgimento espontâneo de uma dinâmica ‘autorganizacional’ em sistemas não-lineares é uma forma de conciliar livre-arbítrio com determinismo.”

A vida floresce no limite da instabilidade. Para compreender como a mente humana percebe o caos, certamente, precisaríamos compreender como a desordem produz a universalidade na natureza. Na biologia, Darwin definiu através da “adaptação“, a     causa final, ou funcional, do sistema evolutivo. Porém, as folhas de uma árvore, por exemplo, possuem um nº determinado de formas as quais, aparentemente, não são definidas (apenas) por sua funcionalidade.

causa final (ou funcional) -> pressupõe uma intenção -> a roda                                           é redonda para — diminuindo o atrito…  facilitar seu transporte;

causa eficiente (ou física) -> corresponde a um efeito -> a Terra                                         é redonda — porque a ‘gravidade’ é a mesma em todas as direções.

Espaços de Fase

O  ‘Espaço de Fase’  é uma das invenções mais ‘poderosas’ da ciência moderna. Proporciona uma maneira de transformar números em imagens, extraindo todas               as informações essenciais de um sistema mecânico, ou fluido, ao traçar um mapa               de todas as suas possibilidades.

Qualquer estado de um sistema… em um momento ‘congelado’ no tempo – pode ser representado por um ponto em um ‘espaço de fase’…pois toda informação sobre sua posição, ou velocidade, se encontra inclusa nas coordenadas daquele ponto. Quando           o sistema, de alguma modo, se modifica…este ponto se move para uma nova posição     deste espaço…e, quando se modifica continuamente… — o ponto traça sua trajetória.

polar16

Existem muitas semelhanças, de natureza matemática, entre a oscilação de uma partícula e o translado da mesma em uma órbita circular. Embora fisicamente sejam coisas distintas, matematicamente podemos pensar na oscilação como sendo a projeção de um movimento orbital (Similaridades entre os modelos)

Por exemplo… a trajetória pelo ‘espaço de fase’ de um pêndulo oscilando regularmente, de um lado para outro é um ‘círculo fechado’ (‘loop’) que se repete à medida que o sistema realiza a mesma sequência de posições… – várias vezes.

Nesse caso, o movimento oscilatório regular de um relógio pendular (p/qualquer ponto inicial) adquirindo energia pela mola … e a dissipando pelo atritoé uma órbita estável, representada no ‘espaço de fase‘ … por um ‘loop’ fechado.

Quando um sistema dinâmico chega a um ‘regime estacionário‘ … — se repetindo indefinidamente, o comportamento do sistema é representado, graficamente, por pontos fixos, ou ciclos limites…caracterizando um Atrator. Com o tempo, porém, no exemplo acima, o relógio pára…significando que o sistema possui 2 atratores – um deles… o ‘loop fechado‘, e o outro…um ‘ponto fixo’ (menor potencial).

Enquanto que, à ‘turbulência’ se exigem modos infinitos de dimensão e liberdade…os atratores – por definição…possuem uma importante propriedade…a ‘estabilidade‘.

http://gip.li/es/Atmospheric-turbulence?page=0%2C0%2C0%2C0%2C1

Dimensões e Graus de liberdade

Toda parte de um sistema dinâmico que se pode mover, independentemente – é outra variável – outro ‘grau de liberdade’… Cada grau de liberdade exige nova dimensão no espaço de fase, para que… um único ponto, contenha informação suficiente… capaz de determinar o ‘estado do sistema‘… de uma única forma.

O Atrator em um ‘Espaço de Fase                                                                                        A curto prazo … qualquer ponto no ‘espaço de fase’ pode representar o comportamento possível do sistema dinâmico; mas a longo prazo, esses únicos locais são os atratores.

No espaço de fase, o conhecimento total sobre um sistema dinâmico, num instante único de tempo, se resume a um ponto; esse ponto, é o sistema dinâmico, naquele instante…No instante seguinte, porém, o sistema terá se modificado – e assim… o ponto se movimenta.

A ‘história dinâmica do sistema’ pode ser registrada num gráfico… – através desse ponto móvel, traçando-se sua órbita pelo espaço de fase, com o tempo.

http://copy4u.com.br/2a/fisica2.html

Mudança de Fase

Como grande parte do próprio ‘caos as  ‘transições de fase’  envolvem uma espécie de comportamento macroscópico, que parece de difícil previsão pelo exame dos detalhes microscópicos. Quando um sólido é aquecido…suas moléculas vibram pelo acréscimo de energia; pressionam para fora, contra suas ligações, e forçam a substância a expandir-se.

Quanto mais calor, mais expansão…Porém, a uma certa temperatura e pressão, a transformação, de repente…torna-se súbita – e, descontínua.

Uma corda que se estava esticando, rompe…a forma cristalina se dissolve… As moléculas se afastam umas das outras, obedecendo à lei dos fluidos – que não poderia ser deduzida de nenhum aspecto sólido… – A energia atômica média quase não muda, mas o material, ora um líquido… ora um ímã… ou um supercondutor… entra em um ‘novo estado‘.

Geometria Fractal

Antes de tudo… ‘fractal‘ significa  ‘autossemelhança’, isto é, simetria através das ‘escalas de recorrência’ de um padrão…dentro de outro.

Em  valores  estéticos… – a nova matemática da geometria fractal põe a ciência exata em harmonia com a real natureza (‘selvagem’).

As estruturas que proporcionam a ‘chave’ da dinâmica não-linear são fractais…Para a imaginação…essa é uma maneira de ‘ver o infinito’.

[texto extraído (e adaptado) do livro “Caos, a criação de uma nova Ciência”  de James Gleick] 

***********************TEORIA de GAIA…(revisitada)***********************         “O universo parece ter algum parentesco com o livro “Mil e Uma Noites” … no qual, Shehrazade narra histórias que se ligam uma às outras – a história da cosmologia,           a história da natureza, história da vida, da matéria, das sociedades humanas, etc.”   (Ilya Prigogine – ‘Ciência, Razão e Paixão’)    

A teoria de Gaia foi proposta na década de 1970 pelo cientista James Lovelock, a partir de estudos realizados no começo da década de 1960 para a NASA, objetivando de detectar vida em outros planetas … em especial, Marte.

Lovelock, em parceria com a filósofa Dian Hitchcock…tentou elaborar experimentos para a deteção de vida  suficientemente gerais – ou melhor … – independentes do ‘particular’ tipo de vida surgida aqui … na Terra (assim… poderiam ser aplicados na busca de qualquer forma de vida; mesmo que substancialmente diferente da nossa.)

Um dos testes elaborados por Lovelock e Hitchcock, consistia em comparar a composição química da atmosfera de outros planetas, como Marte e Vênus, com a atmosfera terrestre. A base teórica do teste era simples — se um planeta não apresentasse vida…a composição química da sua atmosfera seria determinada somente por ‘processos físico-químicos’… e, desse modo, deveria estar próxima ao estado de equilíbrio químico.

Em contraste, a atmosfera de um planeta com vida apresentaria uma espécie química de assinatura característica… uma combinação especial de gases indicando uma atmosfera em estado de constante desequilíbrio… Esta assinatura seria resultante da presença de organismos vivos que usariam a atmosfera (bem como oceanos, solos…etc.) como fontes de matéria-prima, e depósitos para resíduos de seu metabolismo.

Nossos vizinhos no Sistema Solar

Ao analisarem as composições químicas das atmosferas de Marte e Vênus — Lovelock e Hitchcock chegaram à conclusão de que nossos vizinhos no Sistema Solar não possuem vida… – pois suas atmosferas se encontram num estado bastante próximo ao equilíbrio químico – sendo dominadas por dióxido de carbono (acima de 95%)…possuindo pouco oxigênio e nitrogênio; e nenhum metano.

Comparando-se as atmosferas de Marte e Vênus com a da Terra,  diferenças significativas são encontradas em suas composições químicas.  Nitrogênio (78%)  e  oxigênio (21%)  são os gases dominantes na atmosfera terrestre, enquanto ‘dióxido de carbono’ contribui com apenas 0,03% (embora a ação antrópica esteja hoje, trazendo um aumento desses níveis). – Além disso, a ‘atmosfera terrestre’ possui vários outros gases, todos altamente reativos.

Esta situação instável de desequilíbrio se mantém na atmosfera terrestre há longo tempo — o que não seria esperado… caso a composição química atmosférica só fosse resultado da ação de mecanismos físicos e químicos.

De fato… essa composição atmosférica reflete a dinâmica de trocas gasosas entre a atmosfera terrestre e os organismos vivos. Ou seja, o que leva a atmosfera terrestre             a ter uma composição química singularmente diferente daquela de Marte ou Vênus             é simplesmente o fato trivial de que a Terra possui vida.

Se toda a vida fosse eliminada do planeta – repentinamente, as moléculas dos gases atmosféricos reagiriam entre si, o que resultaria numa atmosfera com a composição química muito próxima à de Marte ou Vênus. A atmosfera da Terra é, portanto, um produto biológico, sendo constantemente construída e consumida pelos seres vivos.

Lovelock e Lynn Margulis então, propuseram a existência de uma “rede complexa“…de alças de retroalimentação que relacionariam ambiente físico-químico e seres vivos intimamente… assim resultando em uma “auto-regulação” própria do sistema planetário.  

Através desses ‘mecanismos de controle‘ … — os “seres vivos” seriam capazes de alterar o próprio ambiente, de modo a manter as condições físico-químicas adequadas à sua própria sobrevivência.

Uma crítica importante

Uma crítica importante à teoria Gaia tem como alvo a afirmação de que…a vida na Terra busca condições adequadas à si mesma. – Isto porque essa afirmação não define de maneira clara quais seriam essas condições adequadas, ou os benefícios para a biosfera como um todo…Afinal, o que é bom para uma espécie, pode ser ruim para outra.

Como organismos com interesses divergentes, e até conflitantes podem agir em sinergia…para a produção de condições ótimas para o conjunto total de seres vivos sobre a Terra?… Não há uma condição…ou conjunto delas que sejam adequadas para seres vivos como um todo. – Por exemplo, enquanto organismos aeróbicos precisam de oxigênio atmosférico para sobreviver… — os anaeróbicos ‘estritos’…têm seu crescimento inibido por esse gás.

Lovelock não foi capaz de responder a essas críticas… Entretanto — mais recentemente, respostas interessantes foram propostas por alguns autores. Por exemplo, Axel Kleidon propôs – em 2002…que é possível definir alguns objetivos muito gerais…que poderiam corresponder a condições adequadas para toda a biota…como, por exemplo, aumentos    da produtividade primária bruta, da diversidade…ou da entropia do ambiente ao redor.

Estes não seriam, portanto, benefícios para uma espécie                                   em particular – mas sim, para a biosfera como um todo.

Uma quantidade crescente de pesquisadores de vários “campos do conhecimento” têm se dedicado à articulação teórica…e ao teste de previsões derivadas de Gaia. Atualmente já é possível encontrar uma verdadeira comunidade formada em torno das questões relativas   à teoria Gaia…com destaque para nomes como Timothy Lenton, Tyler Volk, Axel Kleidon, Stephen Schneider, entre muitos outros.

Provenientes de áreas tão diversas como Biologia Evolutiva, Biogeoquímica, Climatologia, eles constituem uma comunidade multidisciplinar vigorosa  –  que se ocupa de problemas teóricos e empíricos de importância central na teoria Gaia… Porém, muitos deles rejeitam algumas das proposições iniciais de Lovelock, como a de que a Terra é um organismo vivo.

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Hipótese CLAW

A teoria Gaia já deu contribuições importantes para a compreensão dos ciclos biogeoquímicos, das ‘relações evolutivas’ … entre organismos e ambiente – e, em estudos sobre o clima global.

Um estudo empírico que utilizou a teoria Gaia, como base… – contribuindo para a ‘teoria de Lovelock‘ … se ocupou da relação entre algas oceânicas…liberando gás sulfeto de dimetila… e a formação de nuvens sobre os oceanos.

As nuvens – por serem brancas, refletem boa parte da radiação solar que                           vem do espaço, esfriando a superfície oceânica, e o planeta como um todo.

A partir dessa constatação, Lovelock e colaboradores propuseram… o que ficou conhecido como hipótese CLAW (iniciais dos nomes dos autores do artigo em que foi apresentada). Esta hipótese propõe que o resfriamento da superfície oceânica causado pelas nuvens, leva a uma queda na liberação de DMS pelas algas, o que por sua vez reduz a taxa de formação das próprias nuvens… — Isso permite que mais radiação solar atinja a superfície oceânica, causando maior liberação de DMS pelas algas – fechando assim o ciclo.

Os autores da hipótese propõem então, que há um mecanismo de controle do clima… baseado numa alça de retroalimentação negativa que conecta algas e nuvens ao resto da biosfera. Obviamente, outros organismos também se beneficiariam com tal mecanismo, o que abre a questão de se as algas estariam, ou não, agindo altruisticamente … de modo a contribuir para regular o ‘clima global‘… — ao beneficiar… igualmente… outras espécies.

Biólogos evolutivos, frequentemente… têm criticado a ‘teoria Gaia‘ nesse ponto.               Eles questionam como a competição entre organismos poderia dar origem a um               tal altruísmo — em escala global — conforme proposto por esta ‘singular’ teoria.

Ou seja…por que razão as algas liberariam o                                                 DMS, se não fosse para seu próprio benefício.

Os defensores da teoria Gaia respondem a estas críticas apresentando possíveis vantagens para as algas individuais, como a maior dispersão de esporos, e maior oferta de alimentos, resultado da presença de mais nuvens sobre os oceanos.

Apesar das polêmicas em torno da hipótese CLAW, e da teoria Gaia, é importante notar que as investigações de Lovelock sobre o DMS levaram à criação de toda uma nova área   de pesquisas, conhecida como ‘conexão algas-nuvens’, na qual se avalia se a alça de retroalimentação proposta, corresponde, de fato, a um mecanismo de controle do clima.

Tendência contemporânea

Uma tendência atual  tem sido estudar Gaia como um “sistema cibernético, avaliando suas propriedades emergentes, como a… “auto-regulação do clima”.

A partir desta nova perspectiva, estudos têm enfocado a utilização de — modelos matemáticos derivados da vida artificial,   e da ‘teoria da complexidade‘… para  analisar as “alças de retroalimentação“, que ligam, de acordo com a teoria, vida ao ambiente físico-químico… – sendo, portanto, responsáveis pela capacidade de auto-regulação de Gaia…Desta perspectiva, Gaia não é considerada um ‘organismo vivo’ – mas, antes…um ‘sistema complexo’; o que julgamos       ser muito mais apropriado.

Assim, é interessante notar que…as pesquisas atuais sobre Gaia têm mudado o foco         para questões que podem ser testadas empiricamente, evitando compromissos com       teses controversas de difícil comprovação… — como a de que a Terra (Gaia) é viva.  

A proposição de que a Terra é viva… continua sendo mal vista pela maior parte da comunidade científica, por ser expressamente incompatível com conceitos centrais         do pensamento biológico. Contudo isso não torna os estudos atuais acerca de Gaia menos interessantes…Ao contrário, eles parecem altamente promissores, podendo contribuir, efetivamente, para a investigação — em campos de grande interesse, e relevância social, como, por exemplo, estudos sobre mudanças climáticas globais.

Grupo de Pesquisa em História, Filosofia e Ensino de Ciências Biológicas                           do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia.  (‘texto base’) *******************(texto complementar)*****************************

Epistemologias ecológicas  (abril/2014)                                                                              O ‘saber humano’ é o experimentar o mundo em sua existência objetiva”.            

O conceito epistemologias ecológicas é necessariamente plural, na medida em que pretende determinar uma ‘área de convergência’…de novos horizontes de compreensão de um “sujeito humano” cognoscente, no mundo da natureza… livre de seus objetos de conhecimento. Este conceito nos parece plausívelao   se referir a um “reposicionamento” do humano… – em uma ‘rede de relações’ simétricas e reciprocas…dando voz ao mundo — ao considerar nessa relação,   a autonomia das ‘coisas’…na natureza.

Esse tipo de ‘imaginação ecológica‘, ao atravessar a vida social como ‘potência criativa’ redefine a paisagem que habitamos, em nossas relações com outros organismos e objetos, ao mesmo tempo em que cria práticas cotidianas de ‘preservação ambiental’, em atitudes   e predisposições que se impõem aos indivíduos… e ‘grupos sociais’ — como um ‘habitus‘.

Este horizonte imaginativo no entanto, não se esgota na criação e reprodução constante   de modos de ser e viver… mas também – incide sobre as formas pelas quais pensamos e conhecemos o mundo…Nosso modo de habitar o planeta não está separado do modo de conhecê-lo… Conhecer é fundamentalmente uma habilidade que adquirimos na relação com outros organismos e seres que coabitam o mesmo palco.

             Torna-se, assim, impossível dissociar a mente do corpo,                                      a cultura da natureza … o conhecimento da experiência.

Reconhecer essas “epistemologias” acaba por situar-nos num universo que se mostra diverso daquele que se estabeleceu pela ‘hegemonia’ da “narrativa científica“…

…Talvez pudéssemos imaginar que habitamos ‘multiversos‘…Porém, insistimos na singularidade de um único universo…real…e ‘dinâmico’.

Por consequência… – esta condição de “localização no universo” — nos permite falar de ‘cosmologia’, como um desdobramento…das modernas epistemologias científicas… – tanto no campo social, quanto no político.

Ao reconhecer a ciência como… “produtora de cosmologias“… estamos, de alguma forma, situando-a no campo da imaginação e produção de sistemas de organização, que habitam o cosmos.

Nessa perspectiva, poderíamos situar a ciência… ao lado da cultura, enquanto invenção do falar sobre o outro e entendê-lo… – dentro de       nossa própria “chave de leitura”.

Com isso, ainda que diversas dessas culturas tenham sido produzidas pelo totemismo dos aborígenes australianos, ou o animismo dos povos ameríndios…a cosmologia racionalista dos modernos aparece – sob o prisma da relativização da ciênciacomo complementar, e simétrica a todas as formas de conhecimento dos organismos que criam, e mantêm a vida.

Sob esta perspectiva, percepção e ação são entendidas como comuns a todos organismos. E, sendo assim, devemos concluir que outras fontes de sentidos…para além ou aquém da cultura ‘civilizada’… são possíveis. Ou seja, não se trata de apropriar-se do ambiente pela mediação da cultura – incorporando-o em nossa teia de significados humanos … mas, de reconhecer a singularidade das várias perspectivas dos organismos…no habitar o mundo.

Natureza x Cultura

Considerando que a tensão entre natureza e cultura é — fundadora da ‘epistemologia moderna’ … os saberes contemporâneos – sob argumento da especialização, criaram um abismo no diálogo … entre ciências da natureza, e humanas.

Ao propormos epistemologias ecológicas, postulamos o desvio…da epistemologia e ontologia clássicas – que se pretenderam universais… em direção a epistemologias locais… – entre as quais a diferença se dá principalmente, na mudança no estatuto dos sujeitos de conhecimento, agora não mais exclusivamente humanos.

Por consequência, a questão da natureza ganha um ponto de partida para o saber, não mais distanciado e excludente…mas, ao contrário, com o sujeito engajado no mundo e no coração da matéria pela participação   e compartilhamento de uma experiência comum…Assim, a ciência, não mais referendada como o único reduto da verdade, surge como um regime de produção social, entre outros.

Perdendo seu fórum privilegiado e inquestionável que a posicionava acima das culturas, como a única instância autorizada a falar em nome de uma ‘razão universal’ – a ciência desce de seu pedestal sagrado…tornando-se ‘humana’ e ecológica; dividindo com outros regimes de produção da verdade … – a sua tarefa e missão, de ‘validar o conhecimento’.

“Caixa de Pandora”

Ao abrir a sua ‘Caixa de Pandora’…a ciência não só permite que outros ‘modos de saber‘ possam reivindicar a legitimidade de suas narrativas… e discursos sobre a realidade, como também vê-se permeável àquelas ‘heterodoxias‘, que emergem da sociedade… – junto ao ‘movimento ecológico’.

Ainda assim… – esse novo ‘paradigma‘ tem por objetivo…buscar novos caminhos ao impasse da relação natureza/cultura… inscrito no horizonte antropocêntrico das ciências modernas. A partir daí…uma fusão de histórias – humana e natural, faz de todos nós…humanos e não humanos, convivas de um mesmo híbrido mundo global.

A assunção de uma simetria no processo de conhecimento, que transcende o humano ou cultura, nos leva então, ao processo criativo de incorporação de habilidades a ser partilhado com outros seres habitantes do mesmo mundo.

Esta referência fundamental para as epistemologias ecológicas, no entanto, não postula, necessariamente a igualdade entre todos seres habitantes do universo… – Isto é… o fato   de estarmos todos – humanos e não humanos…submetidos ao mesmo processo criativo   de ‘interações contínuas’… – que nos permite a aquisição e incorporação de habilidades, não elimina nossa diferenciação… — como ‘organismos’ … por meio de uma diversidade   de combinações possíveis no ambiente…servindo como guia à nossas trajetórias de vida.

As ‘epistemologias ecológicas propõem assim… um novo modo de operar, em termos do conhecimento, que – pelo processo de objetivação do real, nos conduz ao engajamento no mundo imediato e material da experiência. – Conhecer torna-se assim, não apenas um esforço para imaginar o mundo da forma como ele é imaginado por outras culturas…mas, a possibilidade de se estender nossa experiência… – para a diversidade da imaginação de outras espécies que partilham conosco a incrível aventura do existir cósmico. (texto base)  ***********************************************************************************

Projeto Gênesis ‘semeando vida em outros planetas’  –  14/10/2016

Será que a vida pode ser levada para ‘corpos celestes’ que estão fora do nosso Sistema Solar?…Esta ideia, mais conhecida como ‘terraformação‘ … tem sido…comumente explorada na ficção científica, como no filme ‘Aliens, o resgate’… – e na série Jornada     nas Estrelas… o ‘Projeto Gênesis’. – No entanto… – nem todos os planetas podem ser transformados de acordo com nossa vontade…pois não temos a menor ideia de como aspectos geológicos, geoquímicos e meteorológicos alienígenas se comportariam com         as mudanças exógenas.

O professor Cláudio Gros da Universidade de Frankfurt, Alemanha, decidiu-se a estudar   se já não teríamos a tecnologia necessária para dar um passo inicial no espalhamento da vida pela galáxia. – A ideia de Gros é, fundamentalmente, estabelecer os princípios para semear vida naqueles corpos celestes, que apresentem condições para abrigá-la… – mas não desenvolvê-la autonomamente. Nesse sentido, baseia suas análises na variedade de condições dos exoplanetas que vêm sendo descobertos às centenas — nas mais diversas condições climáticas. E assim justifica o pesquisador…

“É certo que vamos descobrir um grande número de exoplanetas que são habitáveis de forma intermitente, mas não permanentemente… – A vida seria de fato possível nesses planetas, mas não teria tempo para crescer       e se desenvolver de forma independente”.

Assim, ele investigou se seria possível plantar a vida nesses planetas com habitabilidade transitória, condição esta que pode ser devida a modificações…como mudanças na zona habitável por variações na estrela mãe, instabilidades orbitais…ou processos no próprio planeta, como tectônica de placas ou alterações atmosféricas.

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A ideia é usar nanonaves ou micronaves, dentro das quais haveria biochips – verdadeiros microlaboratórios genéticos – capazes de lançar os microrganismos no planeta desabitado.[Imagem: Ben Bishop]

Teste da teoria de Darwin

Para Gros, de um ponto de vista técnico… – a ‘missão Gênesis’ já poderia ser realizada, dentro de algumas décadas, com o auxílio de micronaves…não-tripuladas.

Ao chegar ao seu destino — um laboratório genético a bordo da sonda sintetizaria uma série de organismos unicelulares… com     um objetivo… desenvolver uma ecosfera de microrganismos no planeta-alvo… A partir daí, eles poderiam se autodesenvolver, e eventualmente, gerar formas de vida mais complexas… Seria o teste definitivo da teoria da evolução natural das espécies… ainda que vá levar muito tempo para ver os resultados…ao menos algumas dezenas de milhões de anos…como explicou Gross… E, ele assim concluiu:

“Desta forma, poderíamos saltar aproximadamente 4 bilhões de anos… – que teriam sido necessários na Terra…para chegar à fase pré-cambriana de desenvolvimento – a partir da qual o mundo animal se desenvolveu, há cerca de 500 milhões de anos atrás”. (texto base)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
Esse post foi publicado em cosmobiologia, Teoria do Caos e marcado , , . Guardar link permanente.

4 respostas para Viva a Natureza Viva… na ‘Teoria do Caos’

  1. JMFC disse:

    “Na natureza, nem o acidente, nem a intenção, podem explicar a espantosa universalidade de formas reunidas ao longo dos tempos. As leis físicas, baseadas na perspectiva dos sistemas dinâmicos, é que devem tal satisfação.”
    A única resposta não esotérica admissível.
    Quanto à Vida em si própria ela é a forma mais desorganizada da natureza, no entanto, tem a particularidade de organizar, construir sistemas bem organizados à custa de um aumento significativo de degradação de energia, do aumento da entropia do ambiente.
    Parece incrível mas esta mesma Vida atingiu a integibilidade e a capacidade do autoconhecimento e das suas mais longínquas raízes!

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  2. Cesarious disse:

    Esperemos que as conquistas espaciais, biológicas, assim como as transformações da engenharia terrestre, não se dêem às custas de sua própria degradação.

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