4 Razões para Crer num ‘Lado B’ do Big Bang

O ‘big banga sopa ultra-densa de partículas quânticas que ‘explodiu’…expandindo-se e  esfriando…dando origem ao universo em que vivemos…pode não ser o começo de tudo. Cálculos atuais indicam que…antes deste, teria havido outro universo, idêntico ao nosso, a não ser pelo detalhe de suas galáxias, com o tempo…se aproximarem umas das outras.

Nesta concepção artística do modelo de universo de Ashtekar, o tempo evolui na vertical e a superfície representa a curvatura do espaço em cada instante. Teria havido outro universo que se contraiu até chegar ao big bang.

Nesta concepção artística do modelo Big Bounce, o tempo evolui na vertical e a superfície representa a curvatura do espaço em cada instante. Teria havido outro universo que se contraiu até chegar ao big bang.

1) Estudo aponta para um outro Universo antes do nosso (maio/2006)

Abhay Ashtekar,  Tomasz Pawlowski  e  Parampreet Singh,  do  Instituto de Física e Geometria Gravitacional, da Universidade da Pensilvânia /EUA, construiram um modelo simples do universo a partir de uma teoria – ainda sem comprovação experimental – que procura entender o efeito das partículas elementares no espaço, no tempo, e vice-versa: a LQG (Loop Quantum Gravity, ou seja, Gravidade Quântica de Laços).

Para descobrir se a LQG poderia resolver o mistério do que exatamente acontece no big bang, a equipe de Ashtekar fez cálculos divulgados na Physical Review Letters de 12 de abril…E, eles chegaram sempre à mesma conclusão…  –  Mostramos que… no lugar de   um ‘big bang’ clássico…há na verdade um salto quântico. Ficamos tão surpresos ao descobrir outro ‘universo clássico’ – antes do big bang … que repetimos as simulações     com valores diferentes para os parâmetros, durante vários meses.

Campo escalar                                                                                                                             O campo escalar define, pontualmente, as transformações locais de simetria.

A viagem da equipe de Ashtekar rumo ao big bang começou montando um cenário, que é a descrição simplificada do estado atual do universo.  Nesse cenário, o espaço se expande constantemente – em contraste com a expansão acelerada em escalas cósmicas do espaço verdadeiro. O único ator aí, é o tipo de matéria mais simples que um físico teórico é capaz de imaginar: partículas que surgem de umcampo escalar”.

Campos escalares não existem de fato, eles são apenas uma simplificação que facilita os cálculos necessários para se obter conclusões de difíceis equações…como as da LQG. Essas equações são uma tentativa de adaptar as leis da relatividade geral ao mundo quântico das partículas elementares. Na relatividade geral, a natureza da força da gravidade…do espaço e tempo estão intimamente relacionadas. A gravidade da matéria, influencia a passagem do tempo, bem como a geometria do espaço ao redor. 

Portanto…quando os pesquisadores usaram a LQG para rebobinar a “fita do filme” do seu modelo de universo, não viram apenas o campo escalar mudando de estado. Eles também observaram o próprio cenário espaçotempo interagindo com o ator – o campo escalar.

Os limites do espaçotempo                                                                                                  Também se dá o inverso… a geometria do espaçotempo define como a matéria se move.

Os pesquisadores ajustaram o campo escalar de modo que, inicialmente, só existisse uma partícula sozinha no cenário. O plano deles era usar as equações da LQG para seguir essa partícula de volta no tempo e descrever a sua história, do presente até o momento do big bang. Nesse caminho em direção ao big bang, com o espaço se contraindo, e a densidade do campo escalar aumentando, a noção de partícula elementar começa a perder sentido; conforme explica Ashtekar… — é melhor pensar diretamente em termos de um campo quântico, do que em partículas.

Até a noção de tempo perde o sentido, porque o próprio tempo tem uma natureza mutável — um paradoxo que os pesquisadores resolveram … — ao pensar apenas em relações entre variáveis associadas ao espaçotempo, e campo escalar, como assim justifica o pesquisador:

“Já que não existe nenhum relógio externo ao universo fazendo tic-tac e registrando sua evolução, nós fazemos perguntas relacionais, tais como… – Se o volume de universo era assim quando o campo escalar tinha valor X… – qual seria seu volume quando o campo escalar tinha um valor Y?”…

Essas correlações fornecem uma evolução temporal efetiva.  Quanto mais próximo do  big bang, mais longe de nossa realidade sensível o universo fica. De acordo com leis abstratas da geometria quântica, não dá para visualizar direito o que acontece.  Espaço e tempo  se “dissipariam” em seus constituintes mais fundamentais…É como se existissem partículas elementares de espaço e de tempo; não existiria nada menor que uma partícula de espaço, nem nada mais breve que uma partícula de tempo.

A geometria quântica da LQG

Se o modelo seguisse as equações teóricas da “cosmologia quântica” dos anos 1970, a ‘viagem’ acabaria antes de se alcançar o ‘big bang. Para estas equações, haveria uma lei fundamental que nos proibiria de ‘rebobinar a fita’ até o começo.

LQG é uma teoria mais refinada… desenvolvida na década dos 1990. Ashtekar e sua equipe … queriam saber se ela também nos imporia o mesmo limite que ocultava o início do big bang… – E, com efeito, suas contas mostraram que, para a LQG, a contração do espaço tem um limite que é alcançado, justamente, no big bang.

‘Nesse limite, a força da gravidade torna-se repulsiva’… Com essa nova propriedade, os pesquisadores não só calcularam os valores do campo, exatamente no big bang — como descobriram não haver impedimento     para continuar a ‘viagem’.

Além do big bang, havia mais fita para ser rebobinada. Prosseguindo com os cálculos para explorar esse outro lado do big bang, eles verificaram que a densidade do campo diminuía, o espaço se expandia… para, finalmente… – se chegar a um cenário praticamente idêntico ao inicial – uma só partícula ocupando espaço infinito, porém… em processo de contração.

Para Ashtekar… “A geometria quântica serve como uma ‘ponte’ entre 2 grandes universos clássicos – um se contraindo, e o outro se expandindo.”

Teria existido, portanto, um universo infinito muito parecido com o nosso, que sofreu uma contração fatal até um limite máximo, quando começou a se expandir e deu origem ao espaçotempo que conhecemos.

Em busca de um modelo mais realista

Ashtekar conta que agora trabalha em um ‘modelo mais realista‘…para verificar se suas simplificações não afetaram suas conclusões…Mesmo assim, resta o fato de que as leis da LQG não foram testadas ainda — já que seus efeitos só poderiam ser percebidos em uma escala absurdamente pequena:  10e-³³cm (escala de Planck)…uma fração de centímetro com 33 zeros depois da vírgula…Um próton é 10e²º (20 ordens de magnitude) maior que isso… – E, por fim, conclui o pesquisador:

Alguns pesquisadores sugerem até, que as propriedades observáveis da RCFM poderiam ser explicadas por efeitos previstos pela LQG… embora  esses cálculos ainda sejam bem preliminares”  texto base (maio/2006)  **************************************************************************

2) O ‘Grande Ricochete’  (Julho/2007)

O que aconteceu na noite anterior ao Big Bang? O que deixou de existir para que o novo universo pudesse surgir? – Questões como essas poderiam ser rapidamente catalogadas como filosofia, ou até metafísica…mas não para Martin Bojowaldda Universidade da Pensilvânia / EUA… Para ele, essas são algumas das questões mais importantes a serem respondidas pela Física.  

Bojowald acaba de apresentar uma teoria que complementa a ideia do Big Bang — para ele, o que houve foi um ‘Big Bounce (um grande ‘ricochete‘)… — como assim explica:

Meu artigo introduz um novo ‘modelo matemático’ que pode encontrar novos detalhes acerca das propriedades de um ‘estado quântico‘… à medida que este evolui através do ‘Salto‘… substituindo a ideia clássica de um ‘Big Bang‘ como o início dos tempos.” 

A nova teoria também sugere que…embora seja possível descobrir muitas propriedades dos momentos iniciais do universo, sempre haverá uma incerteza sobre algumas dessas propriedades, resultante de extremas forças quânticas existentes durante o ‘Big Bounce’.

de acordo com a teoria do Big Bang (e com a Relatividade Geral de Einstein) o nosso universo surgiu de uma singularidade no espaçotempo (um ponto com dimensão zero, e densidade infinita).

de acordo com a teoria do Big Bang (e com a Relatividade Geral de Einstein) o nosso universo surgiu de uma singularidade no espaçotempo (um ponto com dimensão zero, e densidade infinita).

Os limites do Big Bang

Assim como a ideia relativista de uma velocidade constante e imutável da luz,  o conceito de ‘Big Bang nada tem de intuitivo.

Mas os físicos sabem que esse é o melhor modelo existente hoje, e que esse modelo trouxe avanços científicos…comprovados independentemente…da intuição…ou, do bom senso. — E, também sabem, que um modelo é menos do que uma teoria…que, por sua vez…é menos do que a realidade.

Einstein descreveu o ‘Big Bang’ como uma singularidadetermo do jargão científico para absurdo. Essa ‘entidade’ teria volume zero, e densidade infinita, contendo, ipso facto, energia também infinita.

Essa “sujeira varrida para debaixo do tapete” da Física                                           reapareceu … quando surgiu a ‘Mecânica Quântica‘.

Conforme explica Bojowald“A Teoria da Relatividade Geral de Einstein não inclui a física quântica, a qual descreve as energias extremamente altas que dominaram o universo durante seus primeiros momentos de evolução… — Estas 2 teorias parecem irreconciliáveis, sendo a forma de melhor compatibilizá-las, o maior desafio para os físicos da atualidade”.

No caso do Big Bang… quando cientistas utilizaram as equações da Teoria Quântica para estudar o nascimento do nosso universo, descobriram que os resultados apontavam para um ‘átomo primordial‘… cujo volume não é zero, e cuja energia contida não é infinita. Assim, portanto… é possível continuar os cálculos para antes da ocorrência do Big Bang, rompendo os limites que a singularidade até então representava.

Foi com essa alternativa que Bojowald chegou a suas conclusões sobre o período anterior ao ‘início oficial’ do Universo. – A teoria por ele utilizada é a ‘Loop Quantum Gravity (gravidade quântica de laços), e sua função básica é reescrever… em termos compatíveis  com o resto do ‘mundo quântico’…a famosa ‘teoria da relatividade geral’ de Einstein.

Partindo dessa versão da ‘gravidade quântica’ é possível sondar a ‘singularidade’e aí os cientistas ficam livres para brincar com a hipótese de que o Big Bang pode não ter sido o verdadeiro início do Universo… — Com  efeito… talvez o cosmos nem tenha um início no tempo – possivelmente ele sempre foi e sempre será – alternando apenas em seu estado. 

‘O Big Bang clássico representa apenas um momento no tempo em que o               Universo passou de um estado de contração para um estado de expansão’.

Boas, e más notícias

Considerando essa hipótese válida, Bojowald traz boas notícias. Segundo seus cálculos,   é possível que alguma informação sobre o ‘estado do Universo pré-Big Bang’ … possa ter vazado para dentro da versão atual, quando a expansão (re)começou. Isso quer dizer que, com as observações certas…talvez seja possível obter provas de que o ‘Big Bang não foi o início de tudo – e até mesmo revelar algumas características dessa pré-fase’ do Universo.

Agora, a má notícia… segundo o físico da Pensilvânia, esse quadro da “vida anterior” do Universo nunca estará completo…Se, de um lado, há a possibilidade de encontrar alguma evidência do que veio antes, por outro lado, cálculos mostram que, ao passar pelo gargalo do Big Bang, o Universo sofre de uma espécie de “amnésia cósmica“…

– Muitos dos detalhes do que veio antes, simplesmente são apagados, sem deixar resquícios… – já que o cosmos ‘renasce

Claro que… alguns físicos mais céticos, podem argumentar … ‘se essa amnésia cósmica é realmente inevitável, a nova teoria não faz muito mais que a antiga versão ‘Big Bang’…para explicar o que teria vindo antes’. Bojowald responde: Esse pode parecer um retorno… à já  tradicional imagem do Big Bang, em que falar de ‘antes do Big Bang’ não tem significado… Mas, é muito mais sutil. — Na imagem tradicional, o Big Bang é precedido por uma singularidade em que a teoria se quebra… – A singularidade, portanto, é uma limitação técnica, e não um início físico. A ‘gravidade quântica’ usada aqui pode dar soluções que vão além da ‘singularidade clássica‘… — E assim…limitações para a determinação de algumas propriedades pré-Big Bang, agora são derivadas da teoria, e não término  da teoria”…(“Nature Physics”).

Loop Quantum Gravity

A ‘Teoria quântica da gravidade em laços’ foi criada…e está sendo desenvolvida, pelo ‘Instituto de Física Gravitacional e Geometria da Universidade da Pensilvânia’ … EUA, sendo hoje, uma das principais teoria de unificação entre relatividade e física quântica.

Cientistas, que a utilizam para retroagir o nosso universo na escala temporal, descobriram que seu volume inicial não é zero, muito menos sua energia máxima infinita. Sendo assim, as equações da teoria continuam a produzir resultados matemáticos válidos, para além da singularidade do Big Bang, dando aos cientistas uma janela para o tempo antes do ‘Salto‘.

A teoria sugere que o tecido do espaçotempo possui uma ‘geometria atômica formada por  ‘fios quânticos unidimensionais’.  Reagindo  violentamente,  sob  as  condições extremas,  dominadas pela física quântica perto do Big Bounce,  essas  propriedades do espaçotempo fazem com que a gravidade se torne fortemente repulsiva, de modo que, em vez de desaparecer no infinito, como previsto pela Relatividade Geral, o Universo se refaz no Big Bounce, dando luz ao nosso universo em expansão.

A teoria revela um universo em contração — antes do ‘Big Bounce’,                                     com uma geometria de espaçotempo semelhante à do universo atual.

O modelo de Bojowald

As equações diferenciais do modelo original da gravitação quântica… exigiam sucessivos cálculosincluindo pequenos incrementos de tempo.

O “modelo de Bojowaldporém, consiste num sistema integrável em que é possível especificar um período cumulativo de tempo — comportando todas mudanças incrementais.

As equações do modelo necessitam de parâmetros, que descrevam o estado do universo de forma precisa, o que significa que os cientistas podem usá-lo para viajar matematicamente de volta no tempo; dando uma marcha-a-ré na evolução do universo, e descobrindo como ele era em seus momentos iniciais.

As equações também contêm alguns ‘parâmetros livres’, que não são ainda conhecidos com precisão, mas são necessários para descrever certas propriedades. Para Bojowald:      “A grande vantagem com este novo modelo é que agora temos uma melhor noção do comportamento… e influência dessas variáveis.”

A incerteza cósmica

O modelo de Bojowald fornece o desenvolvimento de uma expressão matemática que contém todos esses parâmetros independentes, possibilitando uma visão imediata da influência de cada um. Após a resolução das equações, chegar às conclusões…a partir         dos resultados, foi imediato.

Bojowald descobriu que 2 destes parâmetros são complementares — um é relevante quase exclusivamente após, e o outro, quase exclusivamente antes do Big Bounce, e representam a ‘incerteza quântica referente ao volume total do universo, antes e depois do Big Bang.

Estas incertezas são os parâmetros adicionais que se aplicam quando um sistema é posto em um ‘contexto quântico’ … tal como a ‘teoria quântica da gravitação. — Como um destes parâmetros, essencialmente… não tem influência sobre cálculos do universo atual, Bojowald concluiu que não poderia ser usado como ferramenta para cálculos regressivos de valores do universo anterior.

“É semelhante às relações de incerteza na física quântica, onde existe complementaridade entre a posição de um objeto, e sua velocidade –           se você medir uma… — não pode medir a outra… simultaneamente.”

O estudo de Bojowald indica que há complementaridade entre ‘fatores de incerteza‘  para o Big BounceE, ele assim comentou – Para todos os efeitos práticos, o fator de incerteza preciso para o volume do universo anterior — nunca será determinado por     um procedimento de cálculo retroativo… a partir das condições do universo atual — mesmo com as medições mais precisas que sejamos capazes de fazer“.

Esta restrição implica em novos limites para descobrir se a matéria, no universo anterior ao Big Bang — foi dominada mais fortemente…por propriedades quânticas…ou clássicas.

números aleatórios

A nova teoria ‘joga por terra‘ um comportamento  já levantado por outros cientistas…que o universo “renasceria” seguidas vezes — contraindo e expandindo sempre com as mesmas características.

Pelo menos um dos parâmetros que se referem ao universo anterior não sobrevive à passagem — através do ‘Grande Salto’, o que caracteriza o esquecimento cósmico

– “A eterna recorrência de universos absolutamente idênticos torna-se (…felizmente) impossibilidade devido à existência de uma aparente amnésia cósmica intrínseca”.

‘E se não houve um princípio’ (2009) ‘Dicas do que havia antes do Big Bang’ (07/2007) ‘Before The Big Bang’ (##) ‘O que aconteceu na Noite anterior ao Big Bang?’ (07/2007) #######################################################

3) Procurando ‘nós’ na ‘Radiação Cósmica de Fundo’ (05/01/2009)

Até agora, acreditava-se que a ‘explosão’ que deu origem ao universo foi forte o suficiente para eliminar qualquer traço do que existia antes. Mas, uma nova interpretação de dados dos instantes iniciais pós-Big Bang pode lançar alguma luz sobre o que existia antes…e o que exatamente explodiu.  A nova teoria de  Marc Kamionkowski (Caltech),  procura explicar as “anomalias” verificadas nos dados, que mostram variações no que deveria ser uma distribuição perfeitamente uniforme da radiação e da matéria no Universo.

A teoria atual baseia-se em um fenômeno chamado inflação cósmica… que propõe que o espaço expandiu-se exponencialmente no instante seguinte ao ‘Big Bang’. O problema é que isso resultaria em um universo perfeitamente uniforme. Contudo, todas observações indicam que há variações gigantescas entre as diversas longínquas regiões do Universo.

Anomalia com certificado

Além disso,  os cientistas detectaram uma  anomalia nos dados  da  Radiação Cósmica de Fundo (CMB, em inglês), radiação na faixa das microondas,  que inundou o Universo  380 mil anos depois do Big Bang. A CMB é uma espécie de brilho do Big Bang, que decaiu para microondas à medida que o Universo se expandia — ao longo dos 13,8 bilhões de anos que se seguiram desde o seu surgimento.  Se nossos olhos conseguissem enxergar nessa faixa de radiofrequências, nós veríamos um céu inteiramente brilhante.

Dados da sonda espacial WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) – da NASAmostram que a amplitude nas flutuações da ‘RCFM’que seria consistente com o modelo da inflação espacial, na verdade não é a mesma em todas as direções. Como assim explica Kamionkowski… “É uma anomalia ‘adequadamente certificada’ — mas, como a inflação cósmica parece lidar bem com tudo o mais, seria prematuro descartá-la”… Com isso, os pesquisadores inseriram a assimetria (verificada nos dados) no cerne da própria ‘teoria da inflação cósmica‘.

Inflaton e curvaton

Até agora haviam sido propostos 2 novos tipos de campos de energia como sendo os motores da inflação do Universo…O 1º, chamado inflaton, não passou nos testes da         nova teoria. Mas, a coisa funcionou com o 2º campo, chamado curvaton, que havia       sido proposto anteriormente para explicar as flutuações observadas na RCFM.

Variações no campo curvaton afetam somente, a forma como a temperatura varia de um lugar para outro no Universo, mas, conservando seu valor médio, mantém a consistência do modelo da ‘inflação cósmica’. O novo modelo prevê uma maior quantidade de pontos frios do que quentes na RCFM… — o que poderá ser testado pela ‘sonda espacial Planck‘.

A perturbação que os físicos introduziram no valor do curvaton ofereceu um ganho adicional: ela oferece o primeiro vislumbre sobre o que existia antes do Big Bang. Isso porque a perturbação pode ser a resultante do efeito herdado por uma época anterior       ao início da inflação cósmica. Segundo Kamionkowski… “Em termos observacionais,         tudo isto está escondido por um véu… – Se nosso modelo for confirmado, teremos a 1ª chance de olhar além desse véu.”  texto base… ‘O que existia Antes do Big Bang’  #####################################################

4) Cientistas apresentam novos modelos do universo primordial  (Nov, 2012)  Cientistas da Universidade da Pensilvânia/EUA … usando técnicas de física quântica, desenvolveram uma nova compreensão dos primeiros tempos da história do universo. 

O recente patamar da Teoria Quântica em Loop mostra que…as estruturas em larga escala que vemos hoje no universo evoluíram de flutuações fundamentais na essência da natureza quântica do ‘espaçotempo’. Assim, é fornecida uma nova estrutura conceitual e matemática para descrever a exótica “geometria quântica do espaçotempo primordial“.

O novo paradigma mostra que o universo foi comprimido até densidades inimagináveis, tais que o seu comportamento deixou de ser governado pela ‘física clássica’ da teoria da relatividade de Einstein — em favor de uma teoria mais fundamental … que incorpora a estranha dinâmica da mecânica quântica. A densidade da matéria era 10e94 gramas por centímetro cúbico (densidade de Planck)…um valor absurdo – levando em consideração que a densidade do núcleo atômico é (10e¹4 gr/cm³).

RCFM

A radiação cósmica de fundo (em microondas)…foi detectada – quando o universo tinha apenas 380 mil anos de idade… – Após esse período houve uma expansão moderada.

A densidade do universo…no início da inflação foi um trilhão de vezes menor do que durante a sua primeira idade… por essa razão a influência dos fatores quânticos é ínfinitesimal, na dinâmica de larga escala da matéria, e do espaçotempo… Observações da ‘radiação cósmica de fundo mostram que o universo teve, predominantemente, uma consistência uniforme após a inflação.

O paradigma inflacionário padrão para descrever o universo primordial trata do espaçotempo como um suave contínuo – tendo notável sucesso na explicação das características observadas da ‘radiação cósmica de fundo’.

No entanto, este modelo está incompleto. Ele contém a ideia de que o universo – do nada, explodiu em um Big Bang, o que, naturalmente, resulta da incapacidade do paradigma da física da relatividade geral, em descrever as situações extremas da mecânica quântica… É necessária portanto uma teoria quântica da gravidade – como a ‘cosmologia quântica em loop’ para ir além de Einstein… a fim de capturar a física perto da origem do universo.

Trabalhos anteriores sobre a cosmologia quântica de laços já haviam atualizado o conceito de Big Bang…junto ao novo paradigma de um Big Bounce evidenciando a possibilidade de que o universo surgisse de uma massa ‘supercompactada‘ de matéria.

Quando os cientistas usaram o ‘paradigma inflacionário’, juntamente com as equações de Einstein – para modelar a evolução das áreas de “semeadura espalhadas pela radiação cósmica de fundo, eles deduziram que as irregularidades representavam as sementes que se desenvolveram ao longo do tempo.

Utilizando-se então essa nova origem de paradigma da LQT nas equações quântico-cosmológicas, descobriu-se que as ‘flutuações fundamentais’ da própria natureza do espaço, no momento do Big Bounce, evoluiram até às estruturas semeadoras…vistas         na ‘radiação cósmica de fundo‘.

Cosmic Background Radiation X Loop Quantum Gravity

Cosmic Background Radiation X Loop Quantum Gravity

O artigo empurra para trás a gênese da estrutura cósmica do universo…do caminho da época inflacionária até o Big Bounce — cobrindo cerca de   11 ordens de magnitude, em densidade de matéria… – e, curvatura do espaçotempo.

Para o físico Abhay Ashtekar, da Universidade de Chicago/ EUA…o mais interessante é que, em breve…poderão ser testadas diversas previsões,     a partir das (Big Bounce & RCFM) em relação à descoberta de futuras teorias. E conclui:

“Nosso novo trabalho mostra que, restringindo as condições iniciais que poderiam existir no Big Bounce… — a evolução dessas condições está de acordo com observações atuais da RCFM…e, naturalmente, acarretam     na estrutura em larga escala que observamos hoje”.

‘The beginning of Everything’ # ‘New Insights into Early Universe’ # hypescience – ‘O que havia antes do big bang’ superinteressante – ‘Antes do Big-Bang’

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
Esse post foi publicado em cosmologia, física e marcado , . Guardar link permanente.

3 respostas para 4 Razões para Crer num ‘Lado B’ do Big Bang

  1. JMFC disse:

    O Modelo Cosmológico Padrão traduz bem o atual conhecimento científico do Universo, no entanto, a Inflação mas, particularmente, a Singularidade, são o seu alicerce fraco. Porém, ainda nada de concreto, rejeição ou admissão, se pode afrmar. A investigação encontra-se nos primeiros bilionésimos do primeiro segundo…em que tudo terá começado. Chegar até lá, a grande aposta, o grande desafio.
    Aliás, o artigo que publicou trata disso, não a uma singularidade mas a algo aproximado com dmensões finitas. E o modelo proposto, daí resultante da LQG, do Big-Bounce leva-nos a uma outra hipótese de realidade, que na origem do nosso Universo esteve um outro Universo contracionário. No fundo, uma forma mais elegante de um Universo Oscilante. De notar que este modelo é rejeitado pelo facto da matéria conhecida ser insufucente para a gravidade vir, posteriormente, parar a sua expansão e levá-lo a contrair até um ponto inical (algo como uma singularidade…), e de novo a expandir-se numa sucessão infinita de ciclos.
    A questão que se colocaria é sempre a do
    aumento da entropia e em que e até onde afetaria esta oscilação.
    Há quem defenda que os buracos negros criam ordem, logo diminuem a entropia, e que o fm do Universo será em buracos negros que se irão, sucessivamente, fundindo.
    No estado atual do conheciento pode-se não descartar a sua formação mas quanto à sua fusão total penso que se trata apenas de uma mera especulação já que a aceleração da expansão do Universo a rejeitará.
    Boas Festas e Feliz Ano Novo.
    JMFC

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    • Cesarious disse:

      concordo que, com a aceleração da expansão, o modelo do Grande Colapso – em sua forma absoluta – colapsou… mas, isso não quer dizer que não existam “Grandes Atratores” por aí…

      “Boas Festas e Feliz Ano Novo” a Todos!…

      Curtir

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