‘Superposição’ e ‘Decoerência’ na fronteira do Mundo Quântico

A perda de coerência (“decoerência“) é uma das razões fundamentais por que objetos macroscópicos não costumam apresentar fenômenos quânticos, como ‘interferência‘.

De acordo com… – refinados estudos experimentais em interferometria, na transição do “mundo quântico, ao clássico”, moléculas com mais de 100 átomos…coerentemente sobrepostos, podem se repartir … por 2 caminhos,  para depois – novamente se juntar…  num dos aspectos mais incomuns da teoria quântica, provando assim que ‘objetos complexos‘, também podem assumir a “superposição” de estados.  

Esta “não-localidade” de natureza tanto ondulatória, quanto corpuscular é muitas vezes descrita comoum único objeto…estando em 2 lugares diferentes ao mesmo tempo; no entanto, esta descrição é sem sentido. Para saber o porquê, considere o experimento de Young da “fenda dupla” (figura abaixo)…onde, inicialmente, a luz de uma lâmpada passa por uma única fenda…para, depois, atravessar outras 2 muito próximas entre si antes de se projetar num anteparo. (caso a)

(a) Thomas Young's classic double-slit experiment is the simplest two-path interference device and was used by him in 1801 to establish the wave nature of light. A single slit creates cylindrical wavefronts that then pass through two other slits, positioned very close together, before creating an interference pattern on a projection screen. In 1909 Geoffrey Ingram Taylor used a similar set-up to prove that a weak light source that emits photons one at a time can still create an interference pattern. (b) The Talbot-Lau interferometer can be used to study the interference of atoms and molecules. It has an array of slits, each of which corresponds to the illuminating slit in the Young set-up. The second grating takes on the diffracting role of the double slit, while the third grating is a

(a) O clássico experimento da dupla fenda de Young é o mais simples dispositivo de interferência (de 2 caminhos), e foi usado por ele em 1801 para estabelecer a natureza ondulatória da luz.  (b) O interferômetro Talbot-Lau pode ser utilizado para estudar a interferência de átomos e moléculas. Ele tem uma série de fendas, cada uma das quais corresponde à fenda iluminada na configuração de Young. A 2ª grade assume o papel de difração da fenda dupla, enquanto que a 3ª grade é uma “máscara”. Tem o mesmo espaçamento que o padrão de interferência, e permite que as franjas sejam identificadas. — Este dispositivo também tem sido usado para mostrar que a interferência desaparece, se as moléculas colidem com outras partículas de gás (círculo verde), ou se elas emitem fótons (linha vermelha). Esta é a assinatura da decoerência.

Sendo – as fendas, suficientemente estreitas, e as pequenas ondulações   de luz que emergem…”coerentes, isto é, com “relação de fase bem definida, sobre uma extensa região do espaçotempo…então um padrão de franjas…brilhantes/escuras será produzido na tela, correspondendo   a áreas de ‘interferência’ das ondas,  de forma construtivae destrutiva.  Para verificarmos se realmente a interferência ocorreu – precisamos fechar uma das duas fendas…o que fará com que o ‘padrão’ desapareça.  Mas…como Taylor mostrou pela 1ª vez em 1909 – se diluirmos a fonte      de luz no anteparo – para apenas 1 fóton de cada vez … ainda vemos o ‘padrão de interferência’ completo, ao esperarmos o ‘tempo suficiente’.

Mas, nesse caso, o que exatamente estará interferindo? Precisando de pelo menos 2 reduzidas ondasna geração do padrão de interferência, poderia serque um único fóton estivesse atravessando…ao mesmo tempo  por“ambas as fendas”?

Infelizmente… estas questões são – a princípio – impossíveis de se responder… mesmo porque, não podemos ter ambas…franjas de interferência perfeitas…e total informação, sobre qual caminho seguido pelo fóton; só podemos ter um ou outro. Ou seja, se ambas       as fendas estão abertas obtemos interferência, mas não temos informação sobre qual fenda o fóton passou… – Por outro lado… fechando uma das fendas – para obtermos as informações do caminho… destruímos, completamente, o  ‘padrão de interferência’.

Este é o ‘exemplo clássico’… — daquilo que Niels Bohr                                           denominou…“princípio da complementaridade”.

É importante notar que, se tivermos informações parciais sobre o caminho – ou seja, se pudermos distinguir os caminhos com uma…”probabilidade definida”…é possível obter interferência – muito embora … o contraste entre as franjas já não seja assim tão nítido. Assim, não podemos atribuir qualquer realidade à posição do fóton, enquanto este viaja através do ‘interferômetro’ porque não temos nenhuma forma de verificar seu caminho, isto é…sua natureza material, sem afetar o ‘padrão de interferência‘, ou seja, sua natureza ondulatória. – Só sabemos se 1 fóton atinge o detector – e, nesse caso, que   há uma probabilidade bem determinada dele ter passado por qualquer uma das fendas.

Como diz Richard Feynman“Ninguém, jamais foi capaz de definir satisfatoriamente a diferença entre interferência e difração. É somente uma questão de linguagem, e não há diferenças físicas específicas ou importantes entre elas”…  Entretanto, é comum definir-se o fenômeno da ‘difração‘ como resultado de uma “flexão ondulatória” por obstáculos; já a ‘interferência‘ refere-se a uma interação entre 2 ou mais “fenômenos ondulatórios”.

Interferência x Difração & Decoerência                                                                         “As observações podem parecer estranhas, mas se tornam ainda mais contra-intuitivas quando lidamos com a interferometria de partículas massivas, tais como: moléculas“.

Moléculas…a princípio, poderiam estar em 2 lugares ao mesmo tempo e mostrar “interferência de ondas” … pois qualquer partícula… – pode ser associada a uma ondulação – cujo ‘comprimento de onda’, determinado por De Broglie, é  λ=h/mv, onde ‘h‘ é a ‘constante de Planck’, ‘m‘ é a massa da partícula, e ‘v‘…sua velocidade.  Porém – para algo tão grande como uma bola de futebol, por exemplo, nesse caso,  o λ…de De Broglie será muito pequeno, tornando a experiência impossível… – já que as franjas se colariam uma às outras.

Embora seja possível observar interferência com objetos menores, tais como elétrons, átomos e moléculas…temos que considerar que estes podem interagir com seu ambiente circundante, ao colidir com outras moléculas…ou por troca de radiação eletromagnética.   O estado do ambiente fica – assim, emaranhado com o objeto quântico… o que significa que informações sobre o seu paradeiro são…rapidamente…espalhadas no meio.  Como resultado, os 2 sistemas ficam correlacionados mesmo após a interação acontecer. E, ainda que pudéssemos, a princípio, obter esta informação…em considerando que, até hoje…nenhum observador conseguiu… – o “padrão de interferência” desaparece.

Por serem tão grandes, interagem fortemente com o ambiente, perdendo sua ‘coerência’ muito rapidamente. Ou seja… a falta de um “comportamento quântico” no mundo macro surge naturalmente, porque – com o aumento de tamanho e complexidade, se torna cada vez mais difícil isolar esses objetos de seu ambiente… Assim, surpreendentemente, é essa natureza quântica da interação com o meio ambiente… – além da informação transferida resultante… – que conduz ao comportamento clássico…de um objeto quântico.

Muito embora Heisenberg…Einstein, Bohr – e outros fundadores da teoria quântica tenham se debruçado sobre    a questão da destruição do “padrão de interferência”…ao se conhecer informações do “caminho” do objeto quânticopor um longo tempo, esta se tornou uma “questão filosófica” abstrata…Só recentemente avanços técnicos viabilizaram estudos sobre “efeitos externos” produzidos por ‘interferência’ de átomos/moléculas.

Estes experimentos não são apenas de fundamental importância para a compreensão        do ‘mundo clássico’  em que vivemos… – eles são úteis também aos ‘computadores quânticos‘ através do princípio da…”superposição quântica“. – Nesse sentido, o fenômeno da ‘decoerência’ é considerado como o ‘principal obstáculo’ com vistas a            se transformar em realidade prática — a efetiva criação do… computador quântico.

Interferômetros para medir ondas moleculares                                                              Para se conseguir resultados na difração de dupla fenda de partículas massivas,              as fendas teriam que ser extremamente finas…e os feixes…muito bem colimados.

Nos últimos anos vários grupos de pesquisa têm conseguido realizar experimentos de interferência com ‘ondas moleculares‘ em uma grande variedade de objetos, desde elétrons…até aglomerados de moléculas. – No entanto, não é nada fácil realizar testes      de fenda dupla para estudar a interferência de tais partículas… O problema real é que partículas muito massivas possuem comprimentos de onda extremamente reduzidos.        

Apesar das dificuldades experimentais…em 1991, Olivier Carnal e Jürgen Mlynek, da Universidade de Konstanz/Alemanha, conseguiram observar interferência com átomos, em um experimento de dupla fenda. E nessa mesma época…David Pritchard, do MIT,     e equipe – mostraram que uma maior quantidade de experimentos poderiam ser feitos, com um outro dispositivo… — conhecido como… —interferômetro de Mach-Zehnder“.

interferômetro

Neste dispositivo…um feixe de átomos…passa através de uma série de… “ranhuras verticais”, onde é dividido…em ao menos    2 “frentes coerentes” de ondas, separadas por… no máximo 17 mícrons… Ambas frentes…em seguida… — passam por outra sequência idêntica de ‘fendas’,  que as faz se juntar outra vez. A interferência cria uma variação periódica na densidade    de átomos num plano por trás da 2ª grade… Esta variação é então, medida por uma 3ª grade, projetada de tal forma que a distância entre as fendas é igual ao ‘período padrão’    de interferência esperado…Ao mover perpendicularmente a grade, em relação ao feixe,  uma variação constante na taxa de átomos transmitidos… — pode então ser observada.

Usando deste dispositivo…a equipe de Pritchard obteve, com sucesso, franjas de interferência com ‘átomos de sódio’ – prova inconteste da superposição de “estados quânticos” em átomos livres…Pergunta-se    então, o que aconteceria ao se investigar um único átomo, viajando            ao longo de um dos 2 possíveis caminhos — antes da interferência?              (A teoria sugere a possível destruição do ‘padrão de interferência’)

Em 1995 Pritchard e colaboradores investigaram essa questão, aplicando luz de laser em um feixe de átomos…viajando entre a 1ª e a 2ª grade. – Sempre que eles posicionavam o laser de modo que o caminho dos átomos fosse oticamente delineado por qualquer fóton espalhado para fora do feixe – o “padrão de interferência atômica”…de fato, desaparecia;  exatamente como prevê o “princípio da complementaridade de Bohr“. – Essa ‘decoerência’ então se explicaria, considerando o comprimento de onda do fóton inferior ao dobro da distância entre as frentes de onda atômicas… Por esse motivo, o fóton então teria informação suficiente para saber qual caminho destruirá o ‘padrão de interferência’.

Esta experiência, na Universidade de Viena, prova que objetos tão grandes como moléculas podem interferir. Imagem: Robin Riegler.

Esta experiência, na Universidade de Viena, prova que objetos tão grandes como moléculas podem interferir com o ambiente, revelando sua “natureza quântica”. [Imagem: Robin Riegler].

Decoerência em interferometria molecular

Experimentos em interferência de ‘ondas moleculares’ têm progredido a passos largos nos últimos anos. Mas quais seriam os limites experimentais, tecnológicos, e físicos da ‘decoerência‘ da matéria? Será que Massa, Temperatura e Complexidade das partículas possuem influência sobre sua própria interferência? Partículas geometricamente “assimétricas”, ou com permanente “momento de dipolo elétrico”…interagiriam, tão mais fortemente com o ambiente a ponto de mais depressa se tornarem ‘decoerentes’?…Tais perguntas, em 1998, nos incentivaram a experimentos de “interferometria molecular”…na Universidade austríaca de Innsbruck. Após nossa transferência para Viena, em 1999…estas pesquisas continuaram nos mostrando que – mesmo “moléculas complexas” são capazes de interferir com      o ambiente, revelando assim sua “natureza quântica”.

Sendo moléculas normalmente consideradas objetos bem definidos, que podemos observar, mesmo através de microscopia de alta resolução, quais seriam os efeitos            que provocam sua “decoerência destruindo o… “padrão de franjas“?… Há          pelo menos 2 mecanismos relevantes que tornam isto possível, ao medir a posição            de uma molécula: O  envolve colisões com outras partículas…como moléculas              de gás‘; enquanto que o se refere à radiação térmica, emitida pela molécula.

Molecules that interact with their environment by colliding with other gas molecules or emitting thermal radiation can no longer create interference patterns. They lose their quantum behaviour because information about the molecules is now, in principle, available - even if an observer does not actually extract that information. These graphs show the loss of interference with carbon-70 molecules in a Talbot-Lau interferometer in terms of the

Moléculas que interagem com seu ambiente, ao colidir com outras moléculas de gás, ou emitindo radiação térmica, não podem mais criar padrões de interferência. Elas perdem seu comportamento quântico porque a informação sobre as moléculas está agora, a princípio, disponível – mesmo se um observador, na verdade, não extraia essa informação. Estes gráficos mostram, em um interferômetro Talbot-Lau, a perda de interferência (decoerência) entre moléculas de carbono-70, em termos de ‘visibilidade normatizada(que é a medida de contraste entre as faixas claras e escuras do padrão de interferência).(a) Se o gás é adicionado ao interferômetro, a visibilidade cai exponencialmente, à medida que aumenta a pressão do gás; (b) Se as moléculas são aquecidas por um laser de potência crescente, elas ficam mais quentes, e emitem mais fótons, o que provoca a ‘visibilidade relativa’ cair lentamente, mas de forma não linear.

Interferômetro Talbot-Lau

Para descobrir como tais processos, destruindo o ‘padrão de interferência’ … podem levar a um “comportamento clássico” – adicionamos gás à câmara do … interferômetro Talbot-Lau“, gradualmentepor experimentos utilizando moléculas de carbono-70 (…figura ao lado…).

Descobrimos que, ao adicionar gás…o nível de contraste entre as franjas de interferência caía exponencialmente — e, que as franjas sumiam, quase que por completo… assim que a pressão alcançasse – exatamente… 10-6 mbar. – Este resultado, quantitativamente…estava em total concordância com processos de espalhamento.

Embora uma única colisão com uma molécula de gás não possa desviar o massivo ‘fulereno‘  (carbono-70) para fora de seu caminho… no ‘interferômetro’ – é o bastante para destruir o “padrão de interferência”…já que este carrega consigo informação suficiente…para indicar o caminho…que a ‘molécula interferida’ tomou.  O decaimento exponencial é diretamente relacionado à…”probabilidade de colisão”… o  envolvimento ao ‘meio ambiente’…é mediado por moléculas em colisão (a)…e pela emissão térmica de fótons…(b). Moléculas com massa atômica de até 1 milhão de unidades/mol não sofreriam “decoerência por colisão” … em um interferômetro Talbot-Lau, à pressão de 10-10 mbar (tais pressões são plenamente viáveis – com as tecnologias de vácuo existentes hoje.)

A importância da “temperatura interna” na interferometria molecular            “O conceito de ‘temperatura interna’ não é importante para átomos ou elétrons,          mas sim, para moléculas, que são ‘objetos complexos’…Ele descreve a distribuição              de energia de seus muitos — vibracionais…e rotacionais — graus de liberdade“.

Objetos aquecidos emitem fótons térmicos, que por sua vez, são absorvidos pelo meio ambiente, transferindo momentum no processo. Ou seja, a princípio, cada fóton pode transferir informações sobre a posição do objeto emissor, passível de medição. De fato à medida que a temperatura interna de moléculas do carbono-70 cresce acima de 1000ºK,   o contraste entre as franjas de interferência desapareceram lentamente (figura b-acima).  Desenvolvemos, então, um ‘modelo teórico – adaptado da ‘lei de Planck‘ – para explicar estas taxas de decoerência observadas, ao descrever o aumento da emissão de fótons de curto comprimento de onda, com o aumento da temperatura interna da molécula.

Tudo o que é preciso para a molécula destruir suas franjas de interferência                            é emitir – ou sequências de fótons de longo comprimento de ondaou um                          único fóton com comprimento de onda menor que o dobro da separação                          entre a divisão de “coerentes ondulações moleculares”. – Esta separação (a                            distância entre 2 grades vizinhas) é cerca de 1 mícron em nosso dispositivo.                            A boa concordância entre o valor esperado e a taxa de decoerência medida                      indica que as moléculas de ‘carbono-70‘ emitiram alguns ‘fótons visíveis’,                            ao serem aquecidas a temperaturas internas acima de 2.500º K.

Este experimento prova 3 conceitos importantes:

a) o fenômeno da decoerência devido à radiação                                                             de calor…pode ser quantitativamente equacionado.

b) confirma o ponto de vista de que decoerência é causado pelo fluxo de informações no ambiente. Eminterferômetros de ondas moleculares’, nos quais apenas se observa o movimento individual do centro de massa, a informação só pode ser mediada por uma transferência de momentum.

c) mostra que a decoerência térmica é relevante – para objetos, verdadeiramente, macroscópicos. (Em futuros experimentos de interferometria com grandes moléculas, agregados ou ‘nanocristais’ – tais objetos terão de ser substancialmente refrigerados,   para torná-los coerentes, e por conseguinte suprimir a emissão de radiação térmica.)

Informação de percurso sem transferência de momentum

Outra maneira de se estudar a decoerência é codificando as informações “percurso” do interferômetro em um sistema externo… – Por exemplo, Serge Haroche…e seus colegas da Ecole Normale Supérieure/Paris, usaram um feixe de átomos de rubídio… no qual um raio laser havia excitado seu elétron externo a um nível muito mais alto de energia, a fim de criar ‘átomos de Rydberg‘. Contudo a experiência não envolveu o envio destes para diferentes caminhos. Em vez disso verificou-se a evolução interna dos diferentes estados.

Nesteinterferômetro de Ramsey’ (acima) um pulso de radiação de microondas cria uma superposição coerente de um átomo individual de Rydberg, entre seu estado básico     e o excitado. Um 2º campo de microondas localizado ao longo do feixe então recombina diferentes estados, para criar franjas de interferência… – quando o efetivo comprimento padrão for alterado no interferômetro. – A equipe de Haroche…neste caso… foi capaz de extrair informação sobre o estado interno dos átomos, colocando entre 2 pulsos…um ‘ressonador de microondas. Uma vez que a fase do seu campo de microondas troca      ao interagir com um átomo… – as informações sobre átomos que atravessam o aparelho tornam-se codificadas no campo ressonador, entrelaçando ‘campo & estado atômico’, sem acarretar transferência significativa de “momentum”. [Quando a cavidade estava vazia, de tal modo que nenhuma informação de rota pudesse ser depositada, o grupo de Paris viu “franjas de interferência atômica” (em alto contraste). Mas, adicionando      ao ressonador um pequenocampo coerentecontendo, em média…9 fótons…as franjas tornaram-se menos acentuadas – significando que, a nivel mesoscópico, a interferência havia sido destruída pelo “emaranhamento”…com a fase do campo coerente de fótons.]

Vários outros pesquisadores têm explorado a possibilidade de codificar informações sobre a posição dos ‘estados internos’ da própria partícula interferida. – Em 1987…por exemplo, Helmut Rauch, em Viena, usando um interferômetro de Mach-Zehnder… com neutrons polarizados codificou o caminho das partículas utilizando seus próprios spins. – Gerhard Rempe, do Instituto Max Planck de Óptica Quântica em Garching/Muniche, por sua vez… recentemente utilizou em interferometria atômica 2 estados fundamentais diferentes de rubídio…para determinar sua trajetória. – Ambos os experimentos confirmam a ideia de que a interferência molecular ondulatória desaparece, se os 2 diferentes ‘estados de posição’ do objeto interferido se correlacionarem com estados internos ortogonais. O ‘entrelaçamento‘ entre uma partícula quântica e seu ambiente, todavia, não é a única maneira de destruir interferência… O “ruídodevido à nossa incapacidade de controlar suficientemente bem todos os requisitos experimentais  também pode ser um problema. 

Em particular… técnicos especializados terão que lutar contra o fato de que “flutuações aleatórias” na diferença de comprimento relativo entre os 2 braços do interferômetro… podem tender a colapsar opadrão de interferência“. – Além disso… à medida que crescem as moléculas o comprimento de onda de DeBroglie encolhe — e experimentos  se tornam cada vez mais enormemente sensíveis a tais efeitos. No nosso atual interferômetro molecularo relativo comprimento do braço é estável — para mais que 1 milésimo do diâmetro das moléculasE, embora as exigências experimentais se tornem cada vez maiores… pensamos que estas barreiras… possam ser gradualmente superadas.

‘Decoerência’… A fronteira entre quântico e clássico                                                  As características quânticas da interação do ambiente, e sua transferência                      inevitável de informação, levam à aparência clássica dos objetos quânticos.

http://hypescience.com/quase-um-seculo-depois-e-provado-que-einstein-estava-errado/

‘Se é admissível que uma partícula quântica esteja em diversos lugares ao mesmo tempo, por que todos objetos macroscópicos obedecem à física clássica?’

Desde os primórdios da teoria quântica, cientistas da área têm se esforçado… na tentativa de conciliar – a estranheza de     suas leis…à nossa experiência cotidiana.

As primeiras gerações de físicos quânticos, liderada por Bohr, Heisenberg…  e, Von Neumann…insistiam numa bem definida  separação entre o mundo clássico… – e, os domínios quânticos – embora admitissem que a fronteira não é fixada por leis físicas.  O ‘ponto de vista’ era que a passagem para  o mundo clássico é efetuada…pelo próprio “ato da observação“, ou seja…a ideia de que a ‘função de onda’ “colapsa” para um certo valor…quando acontece ‘observação’.

Para evitar o papel, aparentemente decisivo, desempenhado pelo observador, foram apresentadas muitas teorias e interpretações alternativas. Muitas vezes isso foi feito         ao custo da introdução de quantidades ainda não observadas em mecânica quântica,         as assim chamadas variáveis ocultasDessa forma, a questão…”Quando é que um colapso ocorre?“…é devidamente contornada… sob o argumento de que, todos os macro-objetos, inclusive o aparelho medidor, respondem à equação de Schrödinger.

Por outro lado, teoricamente, a decoerência baseia-se firmemente no aspecto convencional da mecânica quântica…  E, apesar de não resolver o problema                     filosófico de compreender a ‘percepção humana em uma realidade particular’,               consegue explicar…a contento, o ‘surgimento do mundo clássico’ – quando um                 objeto perde suas características quânticas. – Nessa situação…o ponto crucial é       reconhecer que nenhum objeto quântico é completamente isolado… – mas sim, incorporado em um ambiente composto de…partículas de gás…fótons… e afins.

O ‘estado ambiental’ é facilmente correlacionado ao objeto quântico – o que faz com que informações sobre o paradeiro do objeto quântico sejam logo disseminadas no ambiente. Assim, a ausência de comportamento quântico no mundo macro é consequência natural do fato de que… – objetos maiores e mais complexos são muito mais difíceis de se isolar.

Imagem feita por pesquisadores austríacos que mostra a superposição de feixes de luz e evidencia que eles estão entrelaçados. (imagem: Zeilinger et al/ Science)

Imagem de uma superposição de feixes de luz, evidenciando seu entrelaçamento. (Zeilinger/ Science)

O fator chave‘…das transições (de fase)

O que parece ser – o “fator chave“… na transição do ‘comportamento quântico’…    ao clássico, é a troca de informação entre    o ‘sistema quântico’, e o ‘mundo exterior’.

Experimentos com ondas moleculares, mostram que, não há um limite fixo entre os mundos clássico e quântico. Um objeto pode se comportar conforme a “mecânica quântica” em um ambiente experimental,   e do modo clássico… em outros lugares.

Esta transição só depende da instalação experimental permitir — ou não — a revelação da informação sobre o sistema quântico. No caso de experimentos de ‘interferência‘, o que importa é ser, a princípio, a informação “qual caminho“…disponível ao mundo exterior.  A “interferometria de ondas materiais” deverá ser viabilizada para grandes objetos, tais como proteínas, vírus, e pequenos nanocristais, com massas atômicas de até 106 unidades. Extrapolando tais resultados…à temperaturas mais elevadas e maiores massas, acreditamos que, nesses casos…nem “colisões”, ou “decoerência térmica” será empecilho.

Ainda não existe um limite fundamental de ‘interferência quântica’ à vista,                            contudo…há muito trabalho a ser feito na manipulação de feixes coerentes                            de partículas supermassivas. Tais experimentos são desafios permanentes.

Markus Arndt and Anton Zeilinger – Institute for Experimental Physics, Vienna University… Klaus Hornberger – Department of Physics… University of Munich.    ************ ‘Probing the limits of quantum world’  (Março/2005) ************

Observando… “DECOERÊNCIA”  “Efeitos de interferência quântica em elétrons, átomos e pequenas moléculas já tinham sido observados… mas, até então, nunca em… objetos macroscópicos“.

A temperaturas abaixo d0s 1000º Kelvin, as moléculas de fulereno (C-70) demonstram comportamento quântico … quando passam através de uma…fenda dupla…Contudo, a temperaturas mais elevadas as moléculas tornam-se gradualmente clássicas – e o… “padrão de interferência” — sinal clássico de um…”comportamento quântico“…torna-se mais fraco. Com efeito, os pesquisadores Markus Arndt e Anton Zeilinger – da “Universidade de Viena” – já havia mostrado queo fenômeno da ‘decoerência’ é causado por “emissão térmica” de fótons moleculares.

(a) o globular carbono-70; (b) a biomolécula tetrafenilporfirina em forma de panqueca (TPP) C44H30N4; e (c) a molécula C60F48 – fulereno fluorado. TPP foi a 1ª biomolécula a mostrar sua natureza ondulatória. C60F48 tem massa atômica de 1632, e detém o recorde atual para a molécula mais massiva e complexa a mostrar interferência.

Em 1999…o grupo de Viena observou interferência molecular no carbono-  60 e carbono-70… – Com diâmetro de cerca de 1 nanômetro… — à época, foram os maiores objetos… a mostrar ‘interferência quântica’. Desde então, moléculas mais complexas — como atetrafenilporfirina… com diâmetro de quase 2 nanômetros…presente na clorofila e hemoglobina…já puderam mostrar “propriedades ondulatórias”.

Arndt e colegas, primeiro enviaram um feixe de moléculas de carbono-70 através de um sistema de laser que as aquecia até cerca de 5000º K. Enquanto as moléculas esfriavam, emitindo fótons…foram encaminhadas através de um interferômetrocom 3 conjuntos    de ‘grades de difração’. A grade produzia feixes coerentes de moléculas; a criava o padrão de interferência e a fotografava este padrão…(as fendas nas grades tinham aproximadamente 500 nanômetros de largura, enquanto a grade, mil de separação.) Os físicos então descobriram que abaixo de cerca de 1000º Kelvin um padrão de alta qualidade de…”franja de interferência” (característico do comportamento quântico) era observado. – Contudo, estes padrões desapareciam gradualmentecom o aquecimento    das moléculas começando a emitir…”radiação térmica“. Uma vez que estes fótons,      a princípio podem ser detetados  revelando assim por qual fenda a molécula passou, imediatamente o “comportamento quântico ondular” das moléculas…desaparecia.

texto base: Looking at decoherence – Belle Dumé at PhysicsWeb (18/02/2004)                  outras fontes: ‘Ionização X Excitação’ # ‘Emaranhamento quântico na Biologia’    **************************************************************************

Mecânica quântica aplica-se ao movimento de macroobjetos (abr/2010)              Cientistas da Universidade de Santa Bárbara – EUA…mostraram que a…”mecânica quântica” pode aplicar-se ao ‘movimento mecânico’…de um “objeto macroscópico”.

Uma das coisas mais marcantes da ‘mecânica quântica’…é a lei que diz que um objeto          pode estar em dois lugares ou duas configurações ao mesmo tempo…Andrew Cleland,        da Universidade de Santa Bárbara, Califórnia, argumenta que: “isso é sem sombra de dúvidas muito estranho para qualquer um…acostumado à realidade, como ela parece        ser…E num 1º momento, a quântica só era pensada para partículas de escala atômica, quando muito moléculas muito pequenas. Mas agora, conseguimos observar efeitos quânticos em…”moléculas complexas” com cerca de 60 átomos de tamanho…Tais estruturas, invisíveis a olho nu, são gigantescas em relação ao tamanho de um átomo”. 

quantumuniverse

O experimento…abre um mundo de novas questõese possibilidades, sendo a maior delas…e a mais fundamental de todas: Será possível replicar em objetos macroscópicos, a propriedade dosobjetos quânticos de estarem simultaneamente em 2 estados, ou 2 lugares diferentes?… O fato…é que tais objetos, podem se comportar tanto como partículas, quanto ondas…o que as permite estar em vários lugares – ao mesmo tempo.

Um elétron, por exemplo, pode estar em qualquer lugar, dentre as possibilidades              descritas por sua função de onda. Mas, ao medir sua posição – a função de onda imediatamente colapsa – fazendo com que este mesmo elétron se manifeste…tão                  somente naquele exato local justamente onde a medição está sendo realizada.

Interface com o “mundo quântico”                                                                                    “O grande problema… — é que a quântica não explica porque coisas                                          grandes não se comportam como átomos e a…’física newtoniana                                      não explica porque átomos não se comportam como coisas grandes”.

Cleland entende do assunto; em sua linha de pesquisa, ele tenta encontrar a fronteira        onde leis de newton deixam de fazer sentido, e então, passa-se a adotar leis quânticas. Tecnicamente falando Cleland e seus colegas usaram ‘raios microondas’ para analisar    estruturas, que são previamente resfriadas a temperaturas próximas do zero absoluto (0°Kelvin). Para eles…o limite entre as 2 leis físicas, está em estruturas com diâmetro próximo ao de um fio de cabelo… talvez menores… Todavia, os cientistas ainda não chegaram a um consenso sobre o tema. – Markus Aspelmeyer, físico da Universidade        de Viena, diz que há uma divisão de opiniões sobre a questão – de saber se há ou não,      um limite superior para leis quânticas…“Não acho que exista um limite superior”, diz      ele, “mas acho que há algo muito profundo e fundamental nas leis da física quântica”.

Foi justamente o grupo do Markus Aspelmeyer … quem havia chegado mais perto de conectar o ‘mundo quântico’…ao ‘mundo macroscópico’, quando em agosto de 2009, estabeleceu uma interação entre fóton e ressonador micromecânicopelo chamado acoplamento forte, capaz de transferir efeitos quânticos para o mundo macroscópico (p/consulta: Mundo quântico comunica-se com o mundo macro pela primeira vez).      Mas agora Aaron O’Connell, John Martinis e Andrew Cleland comprovaram que um ressonador mecânico – pequena fita metálica que pode vibrar livrementeresfriada          até seu estado fundamental de energia (ground state), funciona em nível macro, de          acordo com as probabilidades quânticas. — O simples fato de por um sistema no seu estado fundamental de energia já bastaria para colocar o trabalho nos anais da física.

Estado fundamental de energia (em um ressonador mecânico)                                    Nível fundamental de energia equivale ao menor nível de vibração previsto pela mecânica quântica…Uma partícula nunca chega a ter um nível zero de energia…o que lhe daria uma velocidade e uma posição definidas, contrariando o ‘princípio da incerteza’ de Heisenberg. 

Para alcançar o ‘estado fundamental’ eles construíram um ressonador mecânico na    frequência das ‘micro-ondas’. – Seu funcionamento é fundamentalmente o mesmo dos ressonadores mecânicos encontrados na maioria dos…’telefones celulares’ — operando      a frequência mais alta. – O aparelho foi ligado fisicamente a um ‘qubit supercondutor’:    sistema quântico controlável com grande precisão, usado em computadores quânticos.      O conjunto foi então resfriado até próximo ao zero absoluto‘. Utilizando o qubit como termômetro quântico, os pesquisadores demonstraram que o ressonador não continha nenhuma vibração extraOu seja, ele havia sido resfriado até um nível equivalente ao    seu estado fundamental de energia. Com efeito a medição garante ao sistema seu nível fundamental por certo tempo. Por mais que o sistema esteja ‘parado’ há sempre forças residuais, e um tipo de… meio quantum – que parece sempre quebrar sua harmonia.

mecanica-quantica

Num experimento histórico, cientistas provaram que uma pequena fita, visível a olho nu, vibra e não vibra ao mesmo tempo, e só escolhe seu estado de energia ao ser observada. [O’Connell et al./Nature]

Com o ressonador mecânico o mais próximo possível de estar perfeitamente parado … ou seja — parado até ao nível das oscilações dos seus átomos…os cientistas adicionaram a ele um único quantum de energia: um fónon, a menor unidade física de ‘vibração mecânica’.

Provocando-lheo menor grau de excitação possíveleles então observaram o conjunto, conforme esse quantum de energia circulava entre o qubit e o ressonador mecânico. – Ao trocar essa unidade fundamental de energia, o qubit e o “ressonador” então tornaram-se quanticamente entrelaçados, o que significa que qualquer alteração no “estado quântico” de um será imediatamente sentido no outro.

Ou seja, o ressonador respondeu precisamente conforme previsto pela mecânica quântica – quando os cientistas mediam a energia no qubit,            o ressonador mecânico ‘escolhia’ o estado vibracional no qual deveria permanecer. Medições seguidas provaram, que os resultados seguem exatamente as… “previsões probabilísticas“… da mecânica quântica.

Noutro teste, os cientistas colocaram o ressonador mecânico em superposição quântica, um estado no qual ele tem um estado de excitação, ou vibração, que é simultaneamente igual a zero e igual a um; ambos ao mesmo tempo. – Este é o equivalente energético de uma partícula estar em dois lugares ao mesmo tempo. O seja, simultaneamente… o ressonador vibrava e não vibrava. Mas não é de fato possível ver o efeito, pois o simples fato de olhar para o ressonador tira-o da superposição, da mesma forma que a medição      de um elétron colapsa sua função de onda, e o faz decidir-se por uma posição. – O mais simples olhar para o ressonador – faz com que ele escolha entre vibrar ou não vibrar.

Nanomecânica                                                                                                                              “Esta é uma validação importante da teoria quântica – assim como                                          um impulso significativo ao campo da nanomecânica.” (Cleland)

O experimento é tão marcante quanto sensível… A temperatura na qual ele funciona é de apenas 25 milikelvin, e o efeito dura apenas alguns nanossegundossendo afetado pelas mais sutis influências do mundo ao seu redorA diferença com experimentos anteriores da mecânica quântica é que a fita metálica mede 60 micrômetros de comprimento – e…é grande o suficiente para ser vista a olho nu. Na verdadeé muito difícil proteger os mais simples sistemas quânticos…dos ruídos externos, fazendo-os funcionar por muito tempo (pelo menos no estado atual da tecnologia). — Entretanto, a comprovação inequívoca do funcionamento da mecânica quântica em ‘objetos macroscópicos’ — abre a possibilidade teórica de objetos em escala humana — no futuro — serem superpostos, ou entrelaçados.

Seria possível…por exemplo, ter fónons, fótons e elétrons…em quantidades bem definidas, ou quantizadosmesclados, e operando conjuntamente dentro de um aparato como um chip…com possibilidades de exploração inimagináveis. Mas muitos físicos alertam que leis físicas da natureza… ainda não descobertas… podem simplesmente impedir que objetos realmente grandes atinjam estados quânticos como a superposição e o entrelaçamento. Só há um jeito de saber quem tem razão – repetindo o experimento agora realizado usando objetos cada vez maiores e verificaraté quando os resultados se manterão. (texto base^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^(texto complementar)^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

Compactador ZIP deteta fronteira da física quântica (abr/2016)                              Nós descobrimos uma nova maneira — de ver a troca entre o ‘mundo                                    quântico’ e o ‘clássico’… usando apenas um programa de compressão“.

atomo

A física quântica tem a reputação de misteriosa… – e, até fantasmagórica, sobretudo depois da confirmação do “Efeito do Observador”. – Isso torna ainda mais ‘surpreendente’ que uma nova técnica de “definição quântica” dependa de uma ferramenta… – tão familiar: um programa do tipo ‘Zip‘,  usado na ‘compactação de arquivos’, que costumamos ver instalado… em nossos computadores… como assim nos explicaDagomir Kaszlikowski, professor do Centro de Tecnologias Quânticas … da Universidade Nacional de Cingapura.

Hou Shun Poh, aluno de Kaszlikowski descobriu que o software de compressão, quando aplicado a dados experimentais…revela quando um sistema cruza a fronteira clássica do nosso Universo convencional…para o quântico; a chamada “fronteira clássico-quântica”.

“Teorema de Bell”                                                                                                                        A técnica detecta, em particular…a evidência do ‘entrelaçamento quântico’ entre 2  partículas. O fenômeno já foi comprovado em vários experimentos, mas essa nova abordagem faz isso sem uma ‘suposição prévia’ geralmente adotada nas medições.

Partículas entrelaçadas apresentam um comportamento “coordenado”, de uma forma que não pode ser explicada por sinais trocados entre si, ou propriedades estabelecidas a priori. Os experimentos geralmente são realizados com pares de partículas (fótons, por exemplo) entrelaçadas. – Medir uma das partículas trará resultados aparentemente aleatórios, com uma chance de 50% de que o fóton tenha polarização apontando para cima, ou para baixo.  Mas, ao surgir o “entrelaçamento”, a medição do 2º fóton do par produzirá resultado, não mais aleatório, e sim inversamente correspondente ao 1º. Uma relação chamada ‘teorema de Bell’ diz que a física quântica permite esta coincidênciacom probabilidade maior que  na física clássica…Contudo, enquanto os físicos calculam probabilidades estatisticamente, medindo muitos pares de partículas — este teorema é derivado apenas para um único par.

As situações (para cada par de partículas) são equivalentes – apenas se                                são idênticas e independentes de todas as outras — uma situação dita                                “suposição i.i.d” (independentes e identicamente distribuídos).

funcao-onda-eletron

a função de onda hoje é considerada como uma entidade real da mecânica quântica.

“Teorema ZIP”                                                    Algoritmos de compressão como no programa Zip, procuram padrões nos dados para detetar repetições…e codificá-los mais eficientemente. 

Usando o “programa Zip” as medições são realizadas da mesma forma no entanto, os resultados são analisados de modo diferente.  Em vez de convertê-los em “probabilidades”,      os dados brutos…na forma de listas de (1)s e (0)s – correspondentes aos valores medidos    de cada partícula…alimentam diretamente o programa de “compressão de dados”como ‘bits‘ de um arquivo comum de computador.

Quando aplicado aos dados do experimento, o algoritmo deteta efetivamente as correlações resultantes do entrelaçamento quântico… numa forma de relação          similar ao “teorema de Bell”com base na diferença de compressão entre os subconjuntos de dados, normalizada. – Se o Universo fosse totalmente clássico,                    o valor gerado pela equação deveria ficar abaixo de zero Já o comportamento              quântico permite valores de até 0,24. Como foi encontrado um valor superior a                zero (0,0494 ± 0,0076) ficou provado que o sistema medido cruzou a fronteira                  clássico-quântica. Mas como a compressão não atinge o limite teórico previsto,                ‘estados quânticos’ associados não podem ser gerados/detetados com precisão.

Ainda não está claro se a nova técnica vai encontrar ‘aplicações práticas’ mas, os cientistas creem que a “abordagem algorítmica” se enquadra bem no quadro maior          sobre como pensar a física uma vez que eles derivaram a equação…considerando            as correlações entre partículasproduzidas por um algoritmo alimentado por um experimento – produzido por uma outra… “máquina computacional”. (‘texto base’*****************************************************************************

A Física Quântica pode ser ainda mais estranha do que parece (maio/2018)    “Novo experimento sugere uma… – “mecânica oculta”… de superposições quânticas”.

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Um fóton (amarelo à esquerda) é enviado simultaneamente numa superposição através de 3 caixas (A, B e C), para verificar se é encontrado em alguma delas. Se for, o fóton é refletido, informando indiretamente onde está. O fóton é colocado numa superposição, que faz com que sua localização dentro das caixas varie com o tempo. No instante 1 ele está em A e C; em 2…C; e em 3, nas caixas B e C. O teste então demonstra que a superposição do fóton original não está em todos lugares ao mesmo tempo. [Amanda Montañez]

O que realmente acontece em uma superposição é questão central na mecânica quântica … – mas ainda, ninguém sabe a resposta. – Qual a circunstância peculiar … pela qual partículas parecem estar em 2, ou mais lugares…ou “estados”… – ao mesmo tempo?…

Mas agora, em recente artigo, uma equipe de pesquisadores em Israel,  e Japão … propôs um experimento que pode enfim…nos dizer alguma coisa sobre a natureza do ‘enigma’. Tal experimento… que segundo os pesquisadores…pode ser realizado em alguns meses — permitiria aos cientistas uma evidência, de onde uma única partícula de luz (fóton) pode ser ‘efetivamente’ localizada, quando em uma…”superposição“.  E…os pesquisadores preveem que tal resposta…quando chegar, será ainda mais…chocante, do que a trivial 2 lugares ao mesmo tempo.

O exemplo clássico de uma superposição, envolve disparar fótons sobre 2 fendas em um anteparo. – Nesse caso… caracterizando um aspecto fundamental da mecânica quântica, micropartículas podem se comportar como ondas, de modo que as que passam por uma fenda…“interferem”…com as que passam pela outra…fazendo com que suas ondulações aumentem – ou se anulem…para criar um padrão característico – na tela de um detetor.  O mais estranho é que essa interferência ocorre mesmo quando apenas uma partícula é disparada de cada vez. Ou seja, a partícula parece…de alguma forma, passar por ambas    as fendas, simultaneamente, interferindo em si mesma…numa “superposição”…E pode ficar ainda mais estranho – pois o “ato de medir” por qual fenda tal partícula atravessa, invariavelmente indicará que ela passa apenas por uma – mas então, a interferência de onda desaparece. Nesse caso…o próprio ato de medir parece “colapsar” a superposição.  Sobre isso…diz o físico Avshalom Elitzur…do ‘Instituto Israelita de Pesquisa Avançada’:

“Numa superposição…sabemos que algo suspeito está acontecendo, mas não temos ‘permissão’ para detectá-lo…E é isso que torna a mecânica quântica…tão diabólica“.

Há tempos, pesquisadores se encontram nesse aparente paradoxo. Eles não podem dizer exatamente o que é uma superposição, sem olhar para ela; mas se tentam observá-la, ela desaparece… – Uma solução em potencial … desenvolvida pelo físico Yakir Aharonov, da Chapman University, Califórnia – EUA…e colaboradores – sugere uma forma de deduzir algo sobre partículas quânticas, mesmo antes de medi-las. – Essa abordagem é chamada  ‘two-state-vector formalism(TSVF), e postula que eventos quânticos são de certo modo, determinados por “estados quânticos”, não apenas no passado mas também no futuro. Dessa perspectivacausas aparentariam se propagar em direção ao passado, ocorrendo após seus efeitos. Porém, nesse caso, em vez de simplesmente calcularmos o ponto final    da trajetória de uma partícula, poder-se-ia pela TSVF, conhecer o histórico do ocorrido num…”sistema quântico”…escolhendo um local específico – ao selecionar seu resultado.

É a chamada ‘pós-seleção‘, fornecendo mais informações do que qualquer                          observação clássica jamais conseguiria; pois o estado da partículaa todo                          instante, até a mediçãoé avaliado retrospectivamente, em todo histórico.

A “estranheza” ocorre – porque parece que o pesquisador – simplesmente optando por procurar um resultado específico – faz com que esse resultado aconteça. Mas isso é um pouco como concluir que…ao ligarmos a televisão no horário de um programa favorito, nossa ação fará com que o programa seja transmitido naquele exato momento. E sobre isso, David Wallace, filósofo da ciência na USC (University of Southern California) dos EUA, estudioso do campo da física…de “interpretações da mecânica quântica”, explica:

“É geralmente aceito que, teoricamente, a matemática da TSVF equivale à da                ‘mecânica quântica padrão’…mas, ela conduz a certas conclusões incomuns”.

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Tomemos…como exemplo – a versão do experimento da ‘dupla fenda‘ idealizado por Aharonov e seu colega Lev Vaidman em 2003, interpretado pelo ‘TSVF’. Eles descreveram (mas não construíram) um sistema ótico…onde um único fóton age como um…“obturador” – fechando uma ‘fenda’ ao fazer com que um outro fóton “virtual” dela se aproxime…para depois  ser refletido de volta…do jeito que veio… Aplicando o método ‘pós-seleção’ às medições    do fóton virtual, Aharonov e Vaidman mostraram ser possível distinguir o ‘fóton’ numa superposição que fechava ambas (ou na verdade, muitas) fendas simultaneamente. Em síntese, esse…experimento mental…teoricamente, permitiria garantir que o fóton está “aqui” e “” (do obturador) ao mesmo tempo. Embora tal situação pareça paradoxal, a partir de nossa experiência cotidiana, é aspecto bem estudado das propriedades…“não-locais” das partículas quânticas, onde toda definição de “localidade espacial”…é refeita.

Em 2016, os físicos Ryo Okamoto e Shigeki Takeuchi – da Universidade de Kyoto, Japão, verificaram experimentalmente as previsões de Aharonov e Vaidman usando um circuito de luz onde o “fóton obturador” é criado usando um “roteador quântico”, dispositivo que permite que um fóton controle o caminho – seguido por outro – como comentou o físico Eliahu Cohen – da Universidade de Ottawa, Canadá…“Este foi um experimento pioneiro que permitiu inferir a posição simultânea de uma partícula…em dois lugares diferentes”.

E agora, Elitzur e Cohen se uniram a Okamoto e Takeuchi para criar uma experiência ainda mais surpreendente. Eles acreditam que assim terão…com certeza, algo a dizer,    sobre a localização de uma ‘partícula superposta’, numa série de diferentes pontos no tempo, antes de ser efetivada qualquer medida real. – Desta vez, a rota do fóton seria dividida por semi-espelhos…em 3. – Ao longo de cada um desses caminhos … o fóton original pode interagir com um ‘fóton obturador’…em superposição… Tais interações podem ser consideradas como acontecendo dentro das caixas… A, B e C … cada uma, situada ao longo de uma das 3 rotas possíveis do fóton. – Vendo a ‘auto-interferência’      no fóton original… podemos retrospectivamente concluir com certeza que a partícula        do obturador estava refletida…numa determinada caixa, em um momento específico.

O experimento é projetado para que o fóton original somente apresente interferência,      ao interagir com o ‘fóton obturador’…numa sequência particular de lugares e tempos;      ou seja…se o fóton obturador estava nas caixas A e C – em algum momento (1), então, num tempo posterior (2) estava apenas em C, e num tempo ainda mais tarde (3)…em          B e C. Assim, a interferência no fóton original seria um sinal definitivo de que o fóton obturador fez essa sequência surreal de intempestivos surgimentos, entre as caixas, a diferentes momentos…uma ideia que Elitzur, Cohen e Aharonov haviam proposto no      ano passado (2017)…para uma única partícula espalhada por 3 caixas. E, ainda sobre      esse assunto, o físico Ken Wharton, da “San Jose State University” também comenta:

“Eu gosto do modo como este artigo trata a questão de como as coisas acontecem em termos de ‘histórias completas’, em vez de instantâneos. Falar sobre… ‘estados’… é um antigo…’lugar comum’… – ao passo que histórias completas são geralmente muito mais ricas e interessantes.”

Essa riqueza…como Elitzur e seus colegas argumentam, é o que o modelo TSVF tem a oferecer. – O aparente desaparecimento de partículas em um tempo e lugar…e seu reaparecimento noutros tempos e lugares sugere uma nova…e extraordinária ‘visão’ dos processos subjacentes, envolvidos na ‘não-localidade‘ das partículas quânticas.

Pelas lentes da ‘TSVF’… diz Elitzur – essa permanente existência oscilante pode ser entendida como uma série de eventos em que…a presença de uma partícula em um lugar é de alguma forma “cancelada”, por sua própria ‘contraparte’ no mesmo local.

Ele compara isso…com a noção introduzida pelo físico Paul Dirac, que na década de 1920, argumentou que as partículas possuem suas antipartículas, e…se reunidas…a partícula e sua antipartícula se aniquilariam uma à outra. Essa imagem, a princípio, parecia apenas uma imagem de retórica, mas logo levou à descoberta da ‘antimatéria‘. Nesse novo rumo teórico, o desaparecimento de partículas quânticas não é ‘aniquilação’, mas algo análogo, assim como Elitzur postula… ”tais supostas contrapartes, devem possuir energia e massa negativas, permitindo que sejam canceladas suas partes originais”. Assim, muito embora    a visão tradicional da superposição, como…“2 lugares ao mesmo tempo” pareça bastante estranha…é possível que a superposição seja uma coleção de estados ainda mais bizarros.    A mecânica quântica apenas informa sobre sua ‘média’. – Nesse sentido…a “pós-seleção” então permitiria isolar e inspecionar com maior resolução, apenas alguns desses estados.

Tal interpretação do comportamento quântico seria…revolucionária…porque implicaria um até aqui inesperado zoológico de estados reais (muito estranhos) subjacentes a contra-intuitivos fenômenos quânticos. A realização do experimento exigirá um…”ajuste fino” no desempenho de seus…”roteadores quânticos” – cujo sistema espera-se pronto para rodar, dentro de 3 a 5 meses. Por enquanto, outros cientistas já comentam que…“O experimento está fadado a funcionar”…diz Wharton…“mas não convencerá ninguém de nada, já que os resultados são previstos pela mecânica quântica padrão”… Ou seja…não haveria qualquer razão convincente para interpretar o resultado em termos do TSVF; ao invés de uma das muitas outras maneiras, pelas quais o comportamento quântico costuma ser interpretado.

Elitzur concorda que o experimento poderia ser concebido usando a visão convencional da mecânica quântica que prevaleceu décadas atrás – mas, nunca foi… “E essa não é uma boa indicação de coerência do TSVF?”, pergunta ele. E se alguém acredita poder formular uma imagem diferente do que…”realmente acontece“…neste experimento – usando a mecânica quântica padrão…então ele diz: “Bem, deixe-os tentar!”… Philip Ball (‘scientific-american’)

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
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Uma resposta para ‘Superposição’ e ‘Decoerência’ na fronteira do Mundo Quântico

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