Navegando em Universos Paralelos

O homem tem, provavelmente, a chance de estar em comunicação com a totalidade do Universo… Andrômeda está a mais de 2 milhões de anos-luz da Terra, mas o viajante, deslocando-se a uma velocidade próxima à da luz – apenas envelheceria alguns anos.       O espaçotempo… com efeito  —  joga um jogo diferente do habitual…  (Louis Pauwels)

Na noite de 6 de dezembro de 1979, o cosmólogo Alan Guth estava sentado no gabinete da sua casa de campo, situada perto do Acelerador Linear de Stanford, na Califórnia. – Abriu seu caderno e escreveu…

“Gostaria de considerar os efeitos de uma constante cosmológica,                    e o congelamento de graus de liberdade na evolução do universo.”

Por baixo, colocou as equações convencionais de um cosmos em expansão. Por volta de 1 da madrugada… após 3 horas de cálculos… descobriu um acontecimento fantástico na história do universo…passados apenas 10-³² segundos do seu início (ou seja, logo após     o Big Bang), havia aumentado quase mil vezes de tamanho. – Guth deu a esse processo incrível de expansão o nome de “inflação”.

A ‘teoria inflacionária’ é uma extensão da teoria Big Bang, que lhe dá mais consistência, amarrando algumas pontas soltas, como por exemplo…por que o Universo é tão grande, tão uniforme e tão plano? … Esta, e outras dúvidas podem ser explicadas de uma só vez,   se pensarmos numa rápida expansão inicial do espaço… — prevista em várias teorias de partículas elementares — e, confirmada por todas evidências disponíveis. Estando certa,    o cosmos é mais vasto do que podemos imaginar. – Em menos de um piscar de olhos, o “universo visível” – aquele que logramos alcançar com nossos telescópios, teria brotado     de um resquício do Big Bang do tamanho do próton.

Se somarmos a isso, o fato de que a informação viaja, no máximo, à velocidade da luz no vácuo, temos uma consequência verdadeiramente peculiar… – podem haver regiões que estejam causalmente desligadas da nossa, com características ligeiramente distintas das que observamos na nossa parte acessível do universo. – A razão é óbvia…qualquer troca    de informação entre duas partes do universo ocorre à “velocidade da luz”… Tendo nosso universo 13,8 bilhões de anos… — qualquer ponto que estiver além desse valor (em anos-luz) ficará para sempre desligado de nós… pois sua luz não terá tempo de chegar à Terra.

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Presos numa bolha

Alguns cientistas pensam que o universo ­real é formado por diferentes regiões desconexas entre si, chamadas ‘bolhas de Hubble’, contendo o universo observável de seus habitantes.  De acordo com Max Tegmark,  físico do MIT — tais bolhas se encontrariam a uma distância de 10… elevado a 10 elevado a 118 metros; distância absurda.

Estas bolhas estão infinitamente afastadas da Terra. Ninguém jamais chegaria lá, mesmo viajando indefinidamente à velocidade da luz…Isto acontece porque o espaço entre nossa bolha e suas vizinhas… — se expande mais rápido do que você poderia viajar através dele.

No entanto, se deixássemos passar tempo suficiente…daríamos à luz a possibilidade de viajar até tão longe que essas bolhas de Hubble começariam a interagir entre si. – Pode parecer incongruência… mas, a relatividade de Einstein só proíbe à matéria…de ir mais depressa do que a luz — nada diz sobre a velocidade a que se expande o próprio espaço.

Os multiversos de Max Tegmark

Assim, Max Tegmark propôs classificar os multiversos em função da sua natureza                e complexidade… – com todos se encontrando para além do “universo observável”.

Nível I – Trata-se de uma estrutura integrada por bolhas desconexas entre si. Cada     uma contém o seu próprio universo. Todas elas contam com leis muito semelhantes.

Nível II – O universo real é composto por diferentes universos…todos nascidos do Big Bang, mas com propriedades diferentes. Em cada um encontraremos cosmos de nível I.

Nível III – Cada alternativa quântica em qualquer ponto do universo provoca                     a sua divisão em dois ramos… – o que forma uma autêntica ‘rede de cosmos‘.

Nível IV – Este multiverso é composto de todos os universos possíveis…cada um               com as estruturas matemáticas que o descrevem. Estes cosmos não se encontram               no mesmo espaço… – Cada qual… tem a sua própria estrutura de espaço e tempo.

A inflação caótica de Linde

Pouco depois de Guth ter sugerido o modelo inflacionário, um físico teórico de origem russa, Andrei Linde, propôs uma variante conhecida por “inflação caótica”… Segundo   esta versão, não houve uma única explosão criadora no universo, seguida do processo inflacionário que envolveu todo o universo real… — e, sendo assim… podemos sempre encontrar – a qualquer tempo (e lugar)… uma região do cosmos em “fase de inflação“.

Isso cria uma cascata de possíveis universos… desligados uns                          dos outros, com características, e valores das suas constantes                    fundamentais – como a carga do elétron, totalmente distintos.

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O modelo “Queijo Suíço”

O espaço, como um todo, está se distendendo – e, provavelmente, assim continuará para sempre… Porém… algumas regiões param de se distender e formam bolhas separadas; como bolhas de ar na massa de pão fermentando – surgindo aleatoriamente.

Tal multiverso, como explica o físico Brian Greene, seria como uma espécie de queijo suí­ço, com os seus buracos característicos. Podemos assim, associar cada vazio a uma região do universo em que a inflação se deteve – e se iniciou uma evolução normal; enquanto as zonas com queijo são regiões que ainda se mantêm no processo inflacionário…Um desses buracos corresponde ao nosso universo. Nele, seres humanos habitariam uma das muitas bolhas de Hubble.

Dito de outro modo, viveríamos num ‘mega-universo’, composto de universos paralelos inflacionários, em forma de “bolhas de Hubble”…que variam, não só em suas condições iniciais…mas também, em aspectos semelhantes…e imutáveis da natureza. – Cada uma delas é um embrião de um multiverso de nível 1… – com “dimensão infinita” … e, preenchido por matéria depositada pelo “campo de energia” que provocou a “inflação“.

A cada universo um buraco (negro)      “Na evolução criadora há criação perpétua, não apenas de realidades… mas, de possibilidades”.  (Henri Bergson)

Se Stephen Hawking, Lee Smolin, e Poplawski tiverem razão, dentro de cada buraco negro do nosso próprio universo observável pode surgir outro universo (…em função da quantidade de sua massa inicial)…com leis físicas totalmente distintas. Esta ideia – proposta pelo físico Lee  Smolin do Perimeter Institute, Waterloo (Can) envolve um multiverso de diversidade nível 2, criando novos universos por “buracos negros”.

Cosmologia Quântica                                                                                                              A evolução temporal da função de onda deve ser unitária.”                                                 

No início do século 20 a mecânica quântica revolucionou a física, ao explicar que o  mundo atômico não obedece às leis clássicas da mecânica newtoniana… Não obstante      os êxitos da teoria… — surgiu um debate “caloroso”… em torno do seu real significado.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Equa%C3%A7%C3%A3o_de_Schr%C3%B6dinger

A teoria define o ‘estado do Universo, não em termos clássicos de posição e velocidade de todas as partículas – mas…em termos de um recurso matemático chamado Ψ… a ‘função de onda‘. De acordo com a ‘equação de Schrödinger‘, esse estado evolui no tempo de uma forma unitária‘, ou seja… a função de onda percorre um espaço abstrato de dimensões infinitas… — chamado espaço de Hilbert.

Embora a mecânica quântica seja comumente descrita como ‘inerentemente aleatória e incerta’, a função de onda evolui de forma determinística…Quanto a isso não há dúvida, ou aleatoriedade. – A parte mais complicada está em se conseguir associar esta função de onda ao que é observado… – Muitas funções de onda legítimas correspondem a situações ‘contra-intuitivas’… como é o caso do gato de schrödinger que – ao mesmo tempo – está vivo e morto, na chamada ‘superposição quântica‘.

Na década de 20…os físicos tentaram justificar esses fatos estranhos… afirmando que a função de onda colapsava em certos casos clássicos bem definidos toda vez que alguém fazia uma observação. Esse postulado – que deveria servir para explicar as observações, tornou-se uma teoria unitária dentro de uma outra teoria não-unitária. A aleatoriedade intrínseca normalmente atribuída à mecânica quântica… é o resultado desse postulado.

A ‘visão clássica’ é que há somente uma função de onda… – Ela evolui suavemente…e de forma determinista ao longo do tempo sem nenhum tipo de divisão…ou paralelismo… O mundo quântico abstrato descrito por essa função de onda envolvente contém em si um número enorme de linhas clássicas de histórias paralelas, continuamente se dividindo e misturando – assim como muitos fenômenos quânticos…classicamente descritos. Como consequência… observadores percebem somente uma pequena fração de toda realidade. Eles conseguem ver seu próprio universo – mas…em um processo de decoerência  que “simula” o colapso da “função de onda”…e – ao mesmo tempo… – preserva sua unidade.

Dessa forma – as características das partículas elementares, e muitas das constantes físicas…na dimensão ‘espaçotempo’… resultam de processos de ‘quebra de simetria’… – Sendo que este processo não produz um resultado único – mas… ao contrário – uma ‘superposição’… de todos os resultados.

http://busca-interior.blogspot.com.br/2013/12/buracos-negros-chave-de-tudo.html

Buracos Negros x Informação

Até agora – experimentalmente, nenhuma falta de…”unitariedade“…foi constatada. Nas últimas décadas… inclusive… esta tem sido confirmada, até em sistemas maiores, como moléculas de carbono 60, fulerenos,   e fibras óticas…com kms de comprimento.

Com efeito, a hipótese da “unitariedade” – do ponto de vista teórico, foi reforçada pela descoberta da ‘decoerência‘… porém, alguns teóricos da ‘gravidade quântica‘ têm questionado a unitariedade. Um dos argumento é que:

a evaporação de buracos negros deve destruir a informação,                       o que se poderia configurar em um ‘processo não-unitário‘. 

Contudo, a correspondência AdS/CFT sugere que até a ‘gravidade quântica’ é unitária. E, se isto for verdade, os BNs não destroem a informação, apenas a transmitem…para outro lugar. – Ademais, considerando a ‘perspectiva unitária‘…também mudaria a nossa atual  concepção sobre como as flutuações quânticas funcionavam nos primórdios do Big Bang.  Estas flutuações não produziram condições iniciais ao acaso… – Ao contrário… gerariam uma “superposição quântica” de todas as possíveis condições iniciais de coexistência… A decoerência se encarregaria então…de dispor estas condições iniciais de comportamento clássico, em ramos quânticos separados.

A distribuição de respostas em ramos quânticos diversos… a dado volume de Hubble – é igual à distribuição de respostas…em diferentes volumes de Hubble … dentro de um único ramo quântico… — Na mecânica estatística, essa propriedade das flutuações quânticas é chamada de…”ergodicidade.

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“Um por Todos, todos por Um” (Alexandre Dumas)

‘Outras Estruturas Matemáticas‘…                      A matemática, criação da mente é menos arbitrária que a biologia, ou física … criações da natureza – as criaturas que imaginarmos em outros mundos, com outra biologia…e outra física… terão a possibilidade    de desenvolver uma matemática que – em essência,      é a mesma que a nossa.’ (Alan Bishop)

As condições iniciais e as constantes físicas podem variar…contudo, as ‘leis fundamentais da natureza’ permanecem as mesmas. – Mas por que parar por aqui?… Por que não permitir…que as próprias leis possam variar?… – Que tal conceber um universo,      que obedeça às leis da física clássica sem nenhum efeito quântico? E se ‘por acaso’ o tempo passasse     em intervalos discretos, como ocorre para os computadores…em vez de ser contínuo?

Numa famosa entrevista em 1959… o físico Eugene Wigner argumentou que… – “a intensa utilidade da matemática em ciências naturais é algo que beira o mistério“. De fato… – elas satisfazem um critério básico de existência objetiva… – são as mesmas… independente de quem as utilize. Um teorema é verdadeiro seja ele demonstrado por       uma pessoa, um computador ou por um golfinho inteligente. Civilizações alienígenas inteligentes poderiam dispor das mesmas estruturas matemáticas que nós… Por isso, matemáticos dizem que não criaram as estruturas matemáticas, mas as descobriram.

Nesse sentido, na correspondência entre a matemática e a física…há dois paradigmas válidos… — mas…diametralmente opostos, numa dicotomia, cujo argumento remonta a Platão e Aristóteles.

Pelo paradigma aristotélico… ‘a realidade física é fundamental – e a linguagem matemática – é uma aproximação útil’.

Já conforme o paradigma platônico,        ‘a estrutura matemática é a realidade verdadeira, e os observadores a percebem de forma imperfeita’. (em outras palavras, os 2 paradigmas discordam no que é essencial)

Quando éramos crianças… muito antes de ouvirmos falar em matemática, fomos todos doutrinados com o paradigma de Aristóteles. A visão platônica foi um gosto adquirido.   Os físicos teóricos modernos tendem a ser platônicos suspeitando que a matemática     seja uma descrição muito boa do Universo — por ser este… inerentemente matemático.  Conforme este pensamento, tudo na física se resume… – em última instância… – a um problema matemático… – Um matemático, com uma inteligência e recursos ilimitados, poderia, em princípio… – calcular quantos “observadores autoconscientes” o Universo contêm… – o que percebem, e que linguagem inventam pra descrever suas percepções.

A estrutura matemática – portanto… é um conceito abstrato,                         uma entidade imutável que existe além do espaço e do tempo.

http://www.zazzle.com.br/pi_no_ceu_boton-145358723776413629?pt=autocolante-217439020941824228

Pi in the Sky                                                      “A realidade é somente… – um caso particular do possível” (H. Bergson) 

O ‘paradigma platônico‘ levanta a questão de — por que o Universo é como é… Ao pensador aristotélico isto é insignificante… – o universo simplesmente existe… Já ao platônico, não há  nada a fazer, só divagar sobre por que ele não poderia ser diferente… Mas, se o universo for inerentemente matemático, então por que só  uma de suas várias estruturas foi eleita para descrevê-lo?… — Parece haver…no âmago da realidade… – uma “assimetria fundamental”.

Para resolver esse conflito, uma simetria matemática completa seria válida – assim, todas estruturas matemáticas – da mesma forma – teriam existência física… – E, cada estrutura matemática corresponderia a um universo paralelo. Como os elementos desse ‘multiverso’ não se encontram no mesmo espaço…existiriam fora do espaço e tempo – provavelmente, sendo muitos deles desprovidos de observadores…Esta hipótese pode ser considerada um tipo de platonismo radical, ao afirmar a existência física das formas matemáticas…dentro do mundo das ideias de Platão.

Com efeito…isto é muito parecido com o que o cosmólogo John Barrow (Cambridge) se refere como…PI no céu“, e que o filósofo de Harvard,        Robert Nozick…chamou de “principio da fecundidade”, ou ainda, o que          o filósofo de Princeton… David K. Lewis denominou…realismo modal‘.

Como os matemáticos costumam categorizar as estruturas matemáticas … eles supõem que a estrutura que descreve nosso mundo seja consistente com nossas observações…e,     a mais genérica possível. Analogamente, nossas observações futuras devem ser as mais genéricas – coerentes com observações passadas… e, compatíveis com nossa existência.  Uma característica valiosa e encorajadora dessas estruturas é que – as propriedades de ‘simetria e ‘invariância  responsáveis pela simplicidade…e organização do nosso Universo, tendem a ser genéricas, ou seja…são mais a regra que a exceção… – E, via de regra… as “estruturas matemáticas” tendem a tê-las por default (‘padrão básico’).

Contudo, quantificar o significado de ‘genérico’ é um problema                 sério, e esta questão começou a ser pesquisada somente agora.

Mas, o que Diz Occam?  (“Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem”)

Na próxima década – ‘medições cósmicas’ extremamente melhoradas da radiação de microondas de fundo, e da distribuição de matéria em larga escala … sustentarão, ou refutarão a ‘teoria da inflação caótica  por uma melhor definição da curvatura, e topologia do espaço.

Os progressos – tanto na astrofísica, quanto na física de altas energias … também poderão esclarecer até que ponto as constantes físicas estão bem sintonizadas. – Se esforços atuais para construir ‘computadores quânticos’ forem bem-sucedidos medições fornecerão mais evidências, basicamente, em simulações na computação paralela Caminhando nesse sentido, o sucesso ou fracasso do grande desafio da física moderna…unificação da ‘teoria geral da relatividade com a ‘teoria quântica dos campos‘…  — vai dividir opiniões. Ou encontraremos uma estrutura matemática exatamente ajustada ao nosso Universo, ou chegaremos ao limite de expectativas da “efetividade matemática”… e abandonaremos, de vez, esse “barco teórico”. 

“E entãovocê perguntariadevemos acreditar em universos paralelos?

O principal argumento contra, sustenta que eles são um desperdício. Afirma que a teoria de Multiverso é vulnerável ànavalha de Occam – porque supõe a existência de outros mundos que nunca poderemos observar. ‘Porque seria a natureza tão perdulária a ponto de incorrer no exagero de dispor de uma infinidade de inalcançáveis mundos diferentes?’

Contudo, esse argumento pode ser revertido com um “contra-argumento”…a favor do ‘multiverso… O que exatamente a natureza estaria desperdiçando? Certamente não seria o espaço, a massa ou átomos. – O multiverso já contém uma quantidade infinita        de todos eles. Então, quem se importaria se a natureza desperdiçasse um pouco mais?

O AUTOR: Max Tegmark é professor de física e astronomia da Pennsylvania University, especialista na análise da ‘radiação cósmica de fundo’ e aglomerado galácticos. A maior parte de seu trabalho trata do conceito de universos paralelos, dedicando-se à avaliação das evidências do ‘espaço infinito’… e, da ‘inflação cosmológica’ – desenvolve insights da ‘decoerência quântica’…estudando a possibilidade de que a ‘amplitude das flutuações da radiação cósmica de fundo’, a dimensionalidade do espaçotempo e as leis fundamentais da física possam variar de lugar a lugar. (Scientific American Brasil, nº 13 – jun/2003)

textos p/ consulta: ‘Teoria dos Multiversos’  Proposta existência de Universos Paralelos  # Vazamento de Energia revela Universos Paralelos # ‘Universos paralelos em colisão 1’      # ‘Universos paralelos em colisão 2’ *************(textos complementares)************

Cosmologia Medieval                                 Uma das principais ‘teorias cosmológicas’ foi redescoberta num autor medieval; inspirando cientistas a melhorarem suas teorias atuais”…

Os cientistas gostam de chamar a ‘Idade Média’ de ‘era da escuridão’, ‘noite medieval’…e outras denominações pouco elogiosas…Em oposição à queda do ‘paradigma religioso’ … em termos de explicação da natureza… emergiu a ‘idade das luzes‘… esta batizada pelos próprios cientistas.

Obviamente que a ciência moderna surgiu nos ombros dos pioneiros medievais…herança que não pode ser esquecida, sob pena de se desprezar que, grande parte deles…pagou com a própria vida, seu amor ao saber. – O restabelecimento desses laços…ganhou agora nova força, quando físicos da Universidade de Durham (ING), traduziram um texto em latim,    do século 13… Transformando ideias em equações matemáticas – eles descobriram que um teólogo inglês (Robert Grosseteste) previu a ideia dos “multiversos“… já em 1225.  *********************************************************************************

Poeira na teoria… sai inflação, entram multiversos  (set/2014)                                      David Parkinson e colegas da Universidade de Queensland, afirmam que – fora a poeira, qualquer sinal de ondas gravitacionais que possa ter sido detetado pelo BICEP2 — a dita ‘polarização de modos B’ — descarta toda a ‘forma razoável’ de uma teoria inflacionária.

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O mapa do céu gerado pelo Planck mostra regiões mais empoeiradas (vermelho) e menos empoeiradas (azul). A região observada pelo BICEP2 (retângulo preto) não está entre as menos empoeiradas, o que deve explicar uma porção substancial dos resultados interpretados como ondas gravitacionais (polarizações de modos B).[Planck Team]

Após o ‘falso alarme’ do registro de  “ondas gravitacionais primordiais”,  desmentido agora, em Junho deste ano, resultados do “Plack” revelam que a área observada pelo BICEP2 possui “poeira cósmica”…da nossa própria galáxia… – suficiente para negar as intempestivas conclusões.  Contudo, a surpresa maior foi que alguns outros físicos – analisando      os resultados obtidos … passaram a descartar a ‘inflação cósmica‘, vital ao ‘Big Bang’, para reforçar a tese contrária…dos “multiversos“.

Não é tão simples assim              “O que a inflação cósmica prevê é justamente o reverso do que descobrimos. Quantos modelos inflacionários os dados descartam?… – A maioria deles … para ser honesto”.

Ocorre que a teoria inflacionária é constituída, essencialmente, de modelos matemáticos, os quais, alguns físicos afirmam ser tão “ultrassimplificados“… que não poderiam sugerir qualquer indício…experimentalmente detetável…aí incluídas “ondas gravitacionais”. E a equipe afirma que mesmo os melhores desses modelos são descartados…nas observações.  Além disso… de acordo com Katherine Mack – astrofísica da Universidade de Melbourne:

“Encaixar os modelos de inflação cósmica nos dados do BICEP2 exige tantos ‘truques matemáticos’… que se perde a chamada ‘relação de consistência‘ da inflação; algo tão básico…que correlaciona a ‘amplitude‘ das ondas gravitacionais primordiais…à distribuição de matéria no Universo“.

Já Paul Steinhardt da ‘Princeton University’, e um dos criadores da teoria inflacionária,   em uma entrevista à revista ‘New Scientist’ defende que não vale a pena introduzir “um multiverso de possibilidades” para explicar a inflação… pois esta não seria a explicação simples e convincente que todos estão procurando. E assim complementou suas ideias:

O problema maior… – é que… uma vez que a inflação começa… – ela não termina da forma como estes cálculos simplistas sugerem…Em vez disso, devido à física quântica, ela leva a um multiverso… onde o universo se divide em um nº infinito de fragmentos.  Os fragmentos incluem todas propriedades concebíveis… conforme você vai de um…a outro…Assim, não faz nenhum sentido dizer o que a inflação prevê… – a não ser dizer que ela prediz tudo… – E, se for fisicamente possível, aí então acontece no multiverso“.

Steinhardt entende que todos terão que aguardar os resultados do Planckpara saber quais truques matemáticos preservar para manter viva sua teoria de preferência, e quais ceder às evidências. No momento, a comunidade ‘multiversos‘ parece estar ganhando força. (texto)  ************************************************************************************

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E, por falar em Multiverso“…

Um dos temas quentes da Física hoje, é o controvertido conceito de MultiversoDados os problemas quase insolúveis – que extrapolam aoModelo Padrão‘ – sua tentativa de explicaçõesa todo custo, vem  fazendo sucesso na Física…junto a uma outra questão emblemática… o problema dofine tunning‘, que fala da incrível precisão com que as constantes naturais estão estabelecidas… – para que a vida… – e o Universo de um modo geral possam existir.

Uma leve diferença na constante de estrutura fina já inviabilizaria a possibilidade de existência de vida em qualquer parte do Universo…Ou então, um pequeno desvio na       massa do elétron…ou nas massas dos quarks…ou na constante gravitacional G, etc…

Qual a explicação para estes valores observados coincidirem, nas várias constantes utilizadas no Modelo Padrão da Física de Partículas?… 

Uma das possibilidades é exatamente o conceito de Multiverso. Existindo uma coleção de universos possíveis, um deles poderia apresentar as mesmas contantes físicas com as que observamos no nosso próprio Universo. É uma explicação quase que estatística. — Então, cada uma destas formas de arranjar as tais constantes…poderia representar um Universo diferente. E o problema desse imenso número de possibilidades trazidos no ‘bojo teórico’, se transforma (repentinamente) em uma solução.

Tudo muito bonito… mas, e a Ciência, onde fica?

Não interessa, do ponto de vista científico, que uma certa teoria seja auto-consistente. O que se exige cientificamente é que existam evidências que corroborem as hipóteses. Não existem evidências para supercordas ou para multiverso… — Pode-se discutir à vontade, mas é fundamental que a discussão seja voltada também para a busca de evidências — o que a comunidade de “cordistas” parece desprezar — com um certo ar de superioridade.

O Multiverso é uma excelente explicação para o problema do fine-tunning… mas, para ser considerado Ciência, devem existir evidências de sua existência. Sem elas a simples hipótese da “criação divina” é muito mais simples e econômica  –  para a existência do Universo como o observamos… Portanto, vamos às evidências, por favor. (texto base)  *********************************************************************************

“Esquisitices quânticas” como resultado da interação de “mundos paralelos” 

Um físico químico da Universidade de Tecnologia do Texas, EUA…conseguiu desenvolver uma nova teoria quântica, que não apenas presume…a existência de “mundos paralelos”… mas também que a sua ‘mútua interação’ é o que dá origem a todos “efeitos quânticos”…já observados na natureza…A teoria, em 2010 publicada pelo físico Bill Poirier, tem atraído a atenção da comunidade científica, o levando a um sumário na conceituada… “Physical Review X”.

Segundo a teoria… a “realidade quântica” não é semelhante a ondas, mas é composta de vários mundos clássicos… Em cada um desses mundos, cada objeto tem atributos físicos muito definidos… tais como ‘posição’ e ‘momento’. – Dentro de determinado mundo…os objetos interagem uns com os outros de forma clássica. – Todos os efeitos quânticos, por outro lado, manifestam-se como interações entre mundos paralelos que estão ‘próximos’.

A ideia de muitos mundos não é nova. Em 1957, Hugh Everett III publicou o que agora é chamada de “Interpretação de Muitos Mundos” da mecânica quântica… – Mas, assegura Poirier…“Na ‘teoria de Everett’ os mundos não são bem definidos porque a matemática subjacente é a da teoria quântica padrão, baseada em ondas”. Já na ‘Teoria dos Muitos Mundos Interagindo’ de Poirier os mundos são desde o início elaborados na matemática. Mas…será que isso prova algo definitivo sobre a natureza da realidade?…Poirier refutou:

“Ainda não. Observações experimentais são o teste final de qualquer teoria. Até agora… a nossa faz as mesmas previsões que a teoria quântica padrão, então, tudo que podemos dizer no momento … é que ela pode estar correta”.

Poirier teve sua ideia de forma inesperada…ao buscar um objetivo muito mais prático:  “Na verdade… eu estava tentando desenvolver um método computacional eficiente… usando trajetórias quânticas…quando me ocorreu que podemos obter tudo, desde as trajetórias (ou seja, os mundos próprios), sem realmente precisar de qualquer onda”.

Poirier publicou, tanto a nova matemática, como a nova interpretação em um artigo na “Chemical Physics”, em 2010…em colaboração com Jeremy Schiff , matemático da Universidade de Bar-Ilan, Berlim. – Sendo que, sua re-publicação em 2012 no “Journal of Chemical Physics” é um dos mais acessados “artigos”… — na história do periódico.

O trabalho, tem atraído atenção da comunidade em geral…e, em especial, de outros físicos, e até mesmo filósofos. – Um destes pesquisadores, é Howard Wiseman…da Universidade de Griffith, Brisbane, Austrália. Ele comenta que… “Poirier usa a ideia, em uma abordagem discreta de um conjunto finito…mas extremamente grande de partículas… — Ou, melhor dizendo … mundos”.

Wiseman…e colegas, apresentaram recentemente um artigo sobre a nova teoria, para publicação na “Physical Review X”. E, em relação aos desenvolvimentos matemáticos incluídos nesse artigo, Poirier afirma…“São grandes ideias…não só conceitualmente,    mas também, em relação a novos avanços técnicos por vir… – Foi proporcionada à comunidade da física fundamental uma nova interpretação da mecânica quântica;      esse novo trabalho, nos oferece um método computacional promissor”. (texto base)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
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