Navegando em Universos Paralelos

O homem tem, provavelmente, a chance de estar em comunicação com a totalidade do Universo… Andrômeda está a mais de 2 milhões de anos-luz da Terra, mas o viajante, deslocando-se a uma velocidade próxima à da luz – apenas envelheceria alguns anos.       O espaçotempo… com efeito  —  joga um jogo diferente do habitual…  (Louis Pauwels)

Na noite de 6 de dezembro de 1979, o cosmólogo Alan Guth estava sentado no gabinete da sua casa de campo, situada perto do Acelerador Linear de Stanford, na Califórnia. – Abriu seu caderno e escreveu…

“Gostaria de considerar os efeitos de uma constante cosmológica,                    e o congelamento de graus de liberdade na evolução do universo.”

Por baixo, colocou as equações convencionais de um cosmos em expansão. Por volta de 1 da madrugada… após 3 horas de cálculos… descobriu um acontecimento fantástico na história do universo…passados apenas 10-³² segundos do seu início (ou seja, logo após     o Big Bang), havia aumentado quase mil vezes de tamanho. – Guth deu a esse processo incrível de expansão o nome de “inflação”.

A ‘teoria inflacionária’ é uma extensão da teoria Big Bang, que lhe dá mais consistência, amarrando algumas pontas soltas, como por exemplo…por que o Universo é tão grande, tão uniforme e tão plano? … Esta, e outras dúvidas podem ser explicadas de uma só vez,   se pensarmos numa rápida expansão inicial do espaço… – prevista em várias teorias de partículas elementares – e confirmada por todas evidências disponíveis.

Estando certa, o cosmos é mais vasto do que podemos imaginar … Em menos de um piscar de olhos, o ‘universo visível’ – aquele que conseguimos alcançar com os nossos telescópios, teria brotado de um resquício do Big Bang do tamanho do próton.

Se somarmos a isso, o fato de que a informação viaja, no máximo, à velocidade da luz no vácuo, temos uma consequência verdadeiramente peculiar… – podem haver regiões que estejam causalmente desligadas da nossa, com características ligeiramente distintas das que observamos na nossa parte acessível do universo.

A razão é óbvia … — qualquer troca de informação entre 2 zonas do universo ocorre à velocidade da luz. Tendo nosso universo 13,8 bilhões de anos de idade, qualquer ponto que se encontre além desse valor (em anos-luz) estará desligado de nós, pois a luz não terá tempo para chegar à Terra.

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Presos numa bolha

Alguns cientistas pensam que o universo ­real é formado por diferentes regiões desconexas entre si, denominadas ‘bolhas de Hubble’… — que contêm o ‘universo observável’ dos que as habitam.

… De acordo com o cosmólogo Max Tegmark…do Instituto de Technologia de Massachusetts (MIT) – poderíamos encontrar uma dessas estruturas a uma distância de 10 elevado a 10 elevado a 118 metros…  —  Uma distância que torna-se…literalmente…inimaginável‘.

Estas bolhas estão infinitamente afastadas da Terra. Ninguém jamais chegaria lá, mesmo viajando indefinidamente à velocidade da luz…Isto acontece porque o espaço entre nossa bolha e suas vizinhas… — se expande mais rápido do que você poderia viajar através dele.

No entanto, se deixássemos passar tempo suficiente…daríamos à luz a possibilidade de viajar até tão longe que essas bolhas de Hubble começariam a interagir entre si. – Pode parecer incongruência… mas, a relatividade de Einstein só proíbe à matéria…de ir mais depressa do que a luz — nada diz sobre a velocidade a que se expande o próprio espaço.

Os multiversos de Max Tegmark

Assim, Max Tegmark propôs classificar os multiversos em função da sua natureza e complexidade… (… com todos se encontrando para além do universo observável.)

Nível I – Trata-se de uma estrutura integrada por bolhas desconexas entre si. Cada     uma contém o seu próprio universo. Todas elas contam com leis muito semelhantes.

Nível II – O universo real é composto por diferentes universos…todos nascidos do Big Bang, mas com propriedades diferentes. Em cada um encontraremos cosmos de nível I.

Nível III – Cada alternativa quântica em qualquer ponto do universo provoca                     a sua divisão em dois ramos… – o que forma uma autêntica ‘rede de cosmos‘.

Nível IV – Este multiverso é composto de todos os universos possíveis…cada um               com as estruturas matemáticas que o descrevem. Estes cosmos não se encontram               no mesmo espaço… – Cada qual… tem a sua própria estrutura de espaço e tempo.

A inflação caótica de Linde

Pouco depois de Guth ter sugerido o modelo inflacionário, um físico teórico de origem russa, Andrei Linde, propôs uma variante conhecida por “inflação caótica”… Segundo   esta versão, não houve uma única explosão criadora no universo, seguida do processo inflacionário que envolveu todo o universo real… — e, sendo assim…podemos sempre encontrar – a qualquer tempo (e lugar)… uma região do cosmos em ‘fase de inflação‘.

Isso cria uma cascata de possíveis universos desligados uns dos outros, com características e valores das suas constantes fundamentais – como a carga do elétron, totalmente distintos.

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O modelo “Queijo Suíço”

O espaço, como um todo, está se distendendo – e, provavelmente, assim continuará para sempre… No entanto… — algumas regiões param de se distender, e formam bolhas separadas — como bolhas de ar na massa de pão que está fermentando – surgindo aleatoriamente.

Tal multiverso, como explica o físico Brian Greene, seria como uma espécie de queijo suí­ço, com os seus buracos característicos. Podemos assim, associar cada vazio a uma região do universo em que a inflação se deteve – e se iniciou uma evolução normal; enquanto as zonas com queijo são regiões que ainda se mantêm no processo inflacionário.

Um desses buracos corresponde ao nosso universo. – Nele, os seres humanos habitariam uma das muitas bolhas de Hubble. Dito de outro modo… viveríamos num mega-universo composto de universos paralelos inflacionários, em forma de “bolhas de Hubble“… – que variam – não só em suas condições iniciais… – mas também, em aspectos semelhantes, e imutáveis da natureza.

Cada uma delas é um embrião de um multiverso de nível 1: com dimensão infinita – e, preenchido por matéria depositada pelo campo de energia que provocou a inflação.

A cada universo, um buraco (negro)      “Na evolução criadora há criação perpétua, não apenas de realidades… mas, de possibilidades” (Henri Bergson)

Se Stephen Hawking, Lee Smolin, e Poplawski tiverem razão, dentro de cada buraco negro do nosso próprio universo observável pode surgir outro universo (…em função da quantidade de sua massa inicial)…com leis físicas totalmente distintas.

Esta ideia, proposta pelo físico Lee Smolin do Perimeter Institute, Waterloo/Canadá, envolve um multiverso com diversidade semelhante ao de nível 2 – que modifica, e faz surgir novos universos… por meio de “buracos negros“.

Cosmologia Quântica                                                                                                              A evolução temporal da função de onda deve ser unitária.”                                                 

No início do século 20 a mecânica quântica revolucionou a física – ao explicar que o reino atômico não obedece às leis clássicas da mecânica newtoniana. Apesar dos êxitos da teoria, surgiu um debate caloroso em torno do seu real significado.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Equa%C3%A7%C3%A3o_de_Schr%C3%B6dinger

A teoria define o ‘estado do Universo…não em termos clássicos da posição e velocidade de todas partículas… – mas sim, em termos de um ‘recurso matemático’, chamado…Ψ… a ‘função de onda‘.

De acordo com aequação de Schrödinger‘ (acima), esse estado evolui no tempo…de uma forma que os matemáticos denominam unitário… o que significa que a função de onda percorre um espaço abstrato de dimensões infinitas, ou seja, um espaço de Hilbert.

Embora a mecânica quântica seja comumente descrita como ‘inerentemente aleatória e incerta’, a função de onda evolui de forma determinística…Quanto a isso não há dúvida, ou aleatoriedade. – A parte mais complicada está em se conseguir associar esta função de onda ao que é observado… – Muitas funções de onda legítimas correspondem a situações ‘contra-intuitivas’… como é o caso do gato de schrödinger que – ao mesmo tempo – está vivo e morto, na chamada ‘superposição quântica‘.

(…Na década de 20… os físicos tentaram justificar esses fatos estranhos afirmando que a função de onda colapsava em certos casos clássicos bem definidos, toda vez que alguém fazia uma observação. Esse postulado – que deveria servir para explicar as observações, tornou-se uma teoria unitária dentro de uma outra teoria não-unitária. A aleatoriedade intrínseca normalmente atribuída à mecânica quântica… é o resultado desse postulado.)

A ‘visão clássica’ é que – há somente uma função de onda… Ela evolui suavemente… e de forma determinista ao longo do tempo sem nenhum tipo de divisão, ou paralelismo. – O mundo quântico abstrato descrito por essa função de onda envolvente contém em si, um número enorme de linhas clássicas de histórias paralelas, continuamente se dividindo e misturando – assim como muitos fenômenos quânticos…classicamente descritos. Como consequência…observadores percebem somente uma pequena fração de toda realidade. Eles conseguem ver seu próprio universo… – mas…em um processo de decoerênciaque ‘simula’ o colapso da ‘função de onda’… – e, ao mesmo tempo… – preserva sua unidade.

Dessa forma – as características das partículas elementares, e muitas das constantes físicas…na dimensão ‘espaçotempo’… resultam de processos de ‘quebra de simetria’… – Sendo que este processo não produz um resultado único – mas… ao contrário… – uma ‘superposição’ de todos os resultados.

http://busca-interior.blogspot.com.br/2013/12/buracos-negros-chave-de-tudo.html

Buracos Negros x Informação

Até agora – experimentalmente, nenhuma falta de “unitariedade foi constatada … Nas últimas décadas… inclusive… esta tem sido confirmada, até em sistemas maiores, como moléculas de carbono 60, fulerenos,   e fibras óticas…com kms de comprimento.

Com efeito, a hipótese da unitariedade – do ponto de vista teórico … foi reforçada pela descoberta da ‘decoerência‘… porém, alguns teóricos da ‘gravidade quântica‘ têm questionado a unitariedade. Um dos argumento é que:

a evaporação de buracos negros deve destruir a informação,                       o que se poderia configurar em um ‘processo não-unitário‘. 

Contudo, a correspondência AdS/CFT sugere que até a ‘gravidade quântica’ é unitária. E, se isto for verdade, os BNs não destroem a informação, apenas a transmitem…para outro lugar. – Ademais, considerando a ‘perspectiva unitária‘…também mudaria a nossa atual  concepção sobre como as flutuações quânticas funcionavam nos primórdios do Big Bang.

Estas flutuações não produziram condições iniciais ao acaso… – Ao contrário, gerariam uma “superposição quântica” de todas as possíveis condições iniciais de coexistência… A decoerência se encarregaria então, de dispor estas condições iniciais de comportamento clássico…em ramos quânticos separados.

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“Um por Todos, todos por Um” (Alexandre Dumas)

Eis aí um ponto crucial… a distribuição de respostas em ramos quânticos diferentes…em dado volume de Hubble… – é idêntica à distribuição de respostas em diferentes volumes de Hubble – dentro de um único ramo quântico…Propriedade das flutuações quânticas conhecida em mecânica estatística como ergodicidade.

‘Outras Estruturas Matemáticas‘…                      A matemática, criação da mente é menos arbitrária que a biologia, ou física … criações da natureza – as criaturas que imaginarmos em outros mundos, com outra biologia e outra física … terão a possibilidade de desenvolver uma matemática que… em essência,   é a mesma que a nossa.’ (Alan Bishop)

As condições iniciais e as constantes físicas podem variar… mas as ‘leis fundamentais da natureza’ permanecem as mesmas…Mas, por que parar por aqui?…Por que não permitir que as próprias leis possam variar? — Que tal conceber um universo que obedeça às leis     da física clássica sem nenhum efeito quântico?… – E se o tempo passasse em intervalos discretos, como ocorre para os computadores, em vez de ser contínuo?…

Numa famosa entrevista em 1959  –  o físico Eugene Wigner argumentou…”a intensa utilidade da matemática nas ciências           naturais é algo que beira o mistério“.

De fato… elas satisfazem um critério básico de existência objetiva… — são as mesmas, independente de quem as utilize. Um teorema é verdadeiro seja ele demonstrado por       uma pessoa, um computador ou por um golfinho inteligente. Civilizações alienígenas inteligentes poderiam dispor das mesmas estruturas matemáticas que nós… Por isso, matemáticos dizem que não criaram as estruturas matemáticas, mas as descobriram.

Nesse sentido, na correspondência entre a matemática e a física…há dois paradigmas válidos… — mas, diametralmente opostos, numa dicotomia…  —  cuja argumentação remonta a Platão e Aristóteles.

Pelo paradigma aristotélico ‘a realidade física é fundamental – e a linguagem matemática… é uma aproximação útil’.

Já conforme o paradigma platônico   ‘a estrutura matemática é a realidade verdadeira, e os observadores a percebem de forma imperfeita’…(Em outras palavras, os 2 paradigmas discordam no que é essencial.)

Quando éramos crianças… muito antes de ouvirmos falar em matemática, fomos todos doutrinados com o paradigma de Aristóteles. A visão platônica foi um gosto adquirido.   Os físicos teóricos modernos tendem a ser platônicos suspeitando que a matemática     seja uma descrição muito boa do Universo — por ser este… inerentemente matemático.      

Conforme este pensamento, tudo na física se resume, em última instância, a um problema matemático… – Um matemático…com uma inteligência e recursos ilimitados, poderia, em princípio… – calcular quantos observadores autoconscientes o Universo contêm… – o que percebem, e que linguagem inventam pra descrever suas percepções.

A estrutura matemática – portanto… é um conceito abstrato,                         uma entidade imutável que existe além do espaço e do tempo.

Pi in the Sky                                                “A realidade é somente… – um caso particular do possível” (H. Bergson) 

O ‘paradigma platônico‘… – levanta a questão de…por que o Universo é como é. Para um aristotélico, isto é insignificante:     o Universo simplesmente existe… Já para     o platônico não há nada a fazer — apenas divagar sobre por que ele não poderia ser diferente. Se o Universo for inerentemente matemático, então por que apenas uma de suas várias estruturas, foi selecionada para descrevê-lo?… Parece que há, no âmago da realidade uma assimetria fundamental.

Para resolver esse conflito, uma simetria matemática completa seria válida – assim, todas estruturas matemáticas – da mesma forma – teriam existência física… – E, cada estrutura matemática corresponderia a um universo paralelo. Como os elementos desse “multiverso” não se encontram no mesmo espaço, existiriam fora do espaço e tempo – provavelmente… sendo muitos deles, desprovidos de observadores.

Esta hipótese pode ser considerada, um tipo de platonismo radical, ao afirmar a existência física das formas matemáticas no mundo das ideias de Platão… – Com efeito…isto é muito parecido com o que o cosmólogo John Barrow (Cambridge) se refere como… “PI no céu“; e, que o filósofo de Harvard Robert Nozick chamou “principio da fecundidade”…ou ainda,   o que o filósofo de Princeton, David K. Lewis, denominou… ‘realismo modal‘.

A hierarquia de multiversos se encerra, porque qualquer teoria física básica autoconsistente pode ser descrita por algum tipo de estrutura matemática.

Como os matemáticos continuam a categorizar as estruturas matemáticas, eles supõem que a estrutura que descreve nosso mundo seja consistente com nossas observações…e,     a mais genérica possível. Analogamente, nossas observações futuras devem ser as mais genéricas – coerentes com observações passadas… e, compatíveis com nossa existência.

Contudo, quantificar o significado de ‘genérico’ é um problema                 sério, e esta questão começou a ser pesquisada somente agora.

Uma característica valiosa e encorajadora das ‘estruturas matemáticas’ é que as propriedades de simetria e invariância – responsáveis pela simplicidade…e organização do nosso Universo, tendem a ser genéricas… são mais a regra que a exceção. As estruturas matemáticas tendem tê-las por default (padrão básico).

Mas, o que Diz Occam?…  (“Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem”)

Na próxima década – ‘medições cósmicas’ extremamente melhoradas da radiação de microondas de fundo, e da distribuição de matéria em larga escala … sustentarão, ou refutarão a ‘teoria da inflação caótica  por uma melhor definição da curvatura, e topologia do espaço.

Os progressos – tanto na astrofísica, quanto na física de altas energias … também poderão esclarecer até que ponto as constantes físicas estão bem sintonizadas. – Se esforços atuais para construir ‘computadores quânticos’ forem bem-sucedidos medições fornecerão mais evidências, basicamente, em simulações na computação paralela.

Finalmente, o sucesso ou fracasso do grande desafio da física moderna – a unificação da ‘teoria geral da relatividade’ com ateoria quântica dos campos’… vai dividir opiniões. – Ou vamos encontrar uma estrutura matemática que se ajuste exatamente ao nosso Universo … ou chegaremos ao limite de expectativas da efetividade matemática, e abandonaremos, de vez, esse almejado nível teórico. 

“E então você deveria acreditar em universos paralelos?

O principal argumento contra, sustenta que eles são um desperdício. Afirma que a teoria de Multiverso  é vulnerável à ‘navalha de Occam — porque supõe a existência de outros mundos que nunca poderemos observar…

‘Porque a natureza seria tão perdulária e incorreria nesse exagero               de dispor de uma infinidade de inalcançáveis mundos diferentes?’

Esse argumento pode ser revertido com um contra-argumento a favor domultiverso. O que exatamente a natureza estaria desperdiçando? Certamente não seria o espaço, a massa ou os átomos. O multiverso já contém uma quantidade infinita de todos eles…Então, quem se importaria se a natureza desperdiçasse um pouco mais?…

O AUTOR: Max Tegmark é professor de física e astronomia da Pennsylvania University, especialista na análise da ‘radiação cósmica de fundo’ e aglomerado galácticos. A maior parte de seu trabalho trata do conceito de universos paralelos, dedicando-se à avaliação das evidências do ‘espaço infinito’… e, da ‘inflação cosmológica’ – desenvolve insights da ‘decoerência quântica’…estudando a possibilidade de que a ‘amplitude das flutuações da radiação cósmica de fundo’, a dimensionalidade do espaçotempo e as leis fundamentais da física possam variar de lugar para lugar.  

Extraído da revista Scientific American Brasil – nº 13…de junho de 2003   complemento: ‘O Enigma do Multiverso’ ### consulta: ‘Teoria dos Multiversos’  ### Proposta existência de Universos Paralelos # Vazamento de Energia revela Universos Paralelos ## ‘Universos paralelos em colisão 1’ ## ‘Universos paralelos em colisão 2’     ****************************(texto complementar)******************************  

Poeira na teoria… sai inflação, entram multiversos  (29/09/2014)

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O mapa do céu gerado pelo Planck mostra regiões mais empoeiradas (vermelho) e menos empoeiradas (azul). A região observada pelo BICEP2 (retângulo preto) não está entre as menos empoeiradas, o que deve explicar uma porção substancial dos resultados interpretados como ondas gravitacionais (polarizações de modos B).[Planck Team]

Após o ‘falso alarme’ …em março deste ano — do registro de ondas gravitacionais  primordiais… que reforçariam a teoria do ‘Big Bang’, com a comprovação experimental da ‘inflação cósmica’ (desmentido em Junho do mesmo ano)…agora, resultados do ‘Planck‘ confirmam que a área observada pelo BICEP2 possui ‘poeira cósmica’… da nossa própria galáxia… – suficiente para negar as “conclusões apressadas“.

Contudo, a surpresa maior é que alguns outros físicos… passaram a defender que … — além de não comprovar a ‘inflação cósmica‘, os resultados obtidos, descartando esse processo essencial ao modelo Big Bang… reforçam uma hipótese oposta – a chamada teoria dos multiversos.

David Parkinson e colegas da Universidade de Queensland, Austrália, afirmam que – fora a poeira, qualquer sinal de ondas gravitacionais que possa ter sido detectado pelo BICEP2 — a dita ‘polarização de modos B’ — descarta toda ‘forma razoável’ de teoria inflacionária.

Não é tão simples assim

Ocorre que a teoria inflacionária é constituída, essencialmente, de ‘modelos matemáticos’, os quais alguns físicos afirmam ser tão ‘ultrassimplificados’… – que não poderiam sugerir qualquer indício, experimentalmente detetável – aí incluídas “ondas gravitacionais”. E a equipe australiana afirma que, mesmo os melhores desses modelos são descartados pelas observações … como disse Parkinson:

“O que a inflação cósmica prevê é justamente o reverso do que descobrimos. Quantos modelos inflacionários os dados descartam? …  — A maioria deles, para ser honesto”.

Katherine Mack…astrofísica da Universidade de Melbourne, concorda que encaixar os modelos de inflação cósmica nos dados do BICEP2 exige tantos ‘truques matemáticos’,   que se perde a chamada “relação de consistência” da inflação … — algo considerado absolutamente básico… — pois correlaciona a ‘amplitude’ das ‘ondas gravitacionais’ primordiais à distribuição de matéria no Universo disse ela.

Já Paul Steinhardt, da ‘Princeton University’, e um dos criadores da teoria inflacionária,   em uma entrevista à revista ‘New Scientist’ defende que não vale a pena introduzir “um multiverso de possibilidades” para explicar a inflação… pois esta não seria a explicação simples e convincente que todos estão procurando. E assim complementou suas ideias:

O problema mais profundo é que, uma vez que a inflação começa, ela não termina da forma como estes cálculos simplistas sugerem… Em vez disso, devido à física quântica, ela leva a um multiverso … onde o universo se divide em um nº infinito de fragmentos. Os fragmentos incluem todas as propriedades concebíveis, conforme você vai de um a outro. Assim, não faz nenhum sentido dizer o que a inflação prevê… — a não ser dizer que ela prediz tudo… – E, se for fisicamente possível, aí então acontece no multiverso.

Steinhardt entende que… opiniões à parte – o fato é que todos terão que aguardar ansiosamente os resultados do Planck  no mês que vem, e então ver quais truques matemáticos serão possíveis para manter viva sua teoria de preferência — e quais         delas terão que ceder às evidências. Por enquanto, a comunidade dos multiversos       parece estar ganhando força. (texto base)  ****************************************************************************

infinity

Multiverso (20/11/2014)

Um dos temas quentes da Física hoje é o controvertido conceito de … ‘Multiverso‘.

Dados os problemas quase  insolúveis… – pós ‘Modelo Padrão‘…sua tentativa de explicações…a todo custo vem fazendo sucesso na Física, associado a outra questão emblemática: o problema       do ‘fine tunning‘… que relata a incrível precisão com que as constantes da natureza       estão estabelecidas para que a vida, e o Universo de um modo geral possam existir.

Uma leve diferença na constante de estrutura fina já inviabilizaria a possibilidade de existência de vida em qualquer parte do Universo… Ou então um pequeno desvio na       massa do elétron…ou nas massas dos quarks…ou na constante gravitacional G, etc…

Assim…qual a explicação para estes valores observados nas várias constantes utilizadas no Modelo Padrão da Física de Partículas? 

Uma das possibilidades é exatamente o conceito de Multiverso. Existindo uma coleção de universos possíveis, um deles poderia apresentar as mesmas contantes físicas com as que observamos no nosso próprio Universo. É uma explicação quase que estatística. Mas qual teoria temos em que o conceito de Multiverso surge de forma natural? Ora…Superstrings!

Com efeito, afirmando a existência de 10 dimensões espaciais, mais uma temporal…e explicando a forma que estas 7 dimensões extras podem estar configuradas… — (pelo conceito devariedades de Calabi Yau”… com seus “vácuos” possíveis)… a Teoria das ‘Supercordas’ possibilita um nº de combinações absurdamente grande… – da ordem de 10e500 possibilidades.

Então – cada uma destas formas de arranjar as ‘dimensões extras’ poderia representar um Universo diferente. E o problema desse imenso número de possibilidades trazidos no bojo da teoria se transforma (repentinamente) em uma solução… – explicando o ‘Multiverso‘.

Tudo muito bonito… mas, e a Ciência, onde fica?

Não interessa, do ponto de vista científico, que uma certa teoria seja auto-consistente. O que se exige cientificamente é que existam evidências que corroborem as hipóteses. Não existem evidências para supercordas ou para multiverso… — Pode-se discutir à vontade, mas é fundamental que a discussão seja voltada também para a busca de evidências — o que a comunidade de “cordistas” parece desprezar — com um certo ar de superioridade.

O Multiverso é uma excelente explicação para o problema do fine-tunning… mas, para ser considerado Ciência, devem existir evidências de sua existência. Sem elas a simples hipótese da “criação divina” é muito mais simples e econômica  –  para a existência do Universo como o observamos… Portanto, vamos às evidências, por favor. (texto base)  *********************************************************************************

Buracos negros podem ser janelas para universos paralelos (23/12/2015)

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Universos seriam bolhas – assim como o nosso inflou, outros teriam inflado por toda parte. [Imagem: Garriga et al]

É difícil dizer qual o elemento mais interessante de uma nova teoria sobre ‘universos paralelos’… ‘multiverso inflacionário’… e… ‘buracos negros’.

Jaume Garriga (Universidade de Barcelona), Alexander Vilenkin e Jun Zhang… da Tufts University  –  nos oferecem múltiplas opções.

Talvez a melhor delas seja a ideia de que buracos negros escondem universos bebês dentro deles – inflando seus próprios “espaços-tempos“… – em ‘exo-universos’ – ligados ao nosso universo…por ‘buracos de minhoca’.

Ou também pode ser porque, de acordo com os autores… os astrônomos brevemente poderão ser capazes de encontrar provas para confirmar a teoria dos multiversos.

E os autores afirmam ainda ter encontrado as ‘sementes‘ que deram origem aos buracos negros supermassivos no centro das galáxias – cuja origem permanece um mistério…Só completando, alguns dos cenários estudados lançam novas ideias para a ‘matéria escura’, os 75% de matéria do nosso universo… — que parecem estar faltando serem observados.

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Universos Bolhas

A análise é baseada na ‘teoria da inflação’, a ideia de que nosso Universo passou por uma breve fase de expansão inflacionária no início de sua história.

Esta é uma noção largamente aceita hoje pois resolve diversosmistérios” sobre o estado atual do nosso Universo, havendo um grande apoio observacional para essa hipótese nas diferenças de temperatura da radiação cósmica de fundo… – em microondas.

Um pouco mais controversa é a sugestão de que a inflação acarreta em um multiverso de universos vizinhos… com parâmetros físicos muito diferentes daqueles do nosso cosmos. Isto seria uma decorrência – defendem os 3 físicos… de que seja muito improvável que a inflação cósmica tenha sido um evento único.

Assim como o pedaço do nosso ‘espaço de Hobble’ — em determinado momento inflou para criar o vasto cosmos… outros pedaços vizinhos provavelmente inflaram ao redor… – criando ‘universos paralelos’…       todos crescendo como bolhas… – lado a lado.

A ideia dos ‘multiversos’ tem sido criticada, sobretudo porque é difícil testá-la… – Quase por definição, essas bolhas paralelas de universos são espaços-tempos independentes do nosso – por isso não podemos interagir com eles diretamente, ou observá-los… Contudo, isto não tem impedido que cosmólogos apresentem maneiras criativas de tentar detectá-los. Por exemplo… duas bolhas vizinhas poderiam colidir e deixar uma cicatriz no nosso Universo…  —  que poderiam ser identificadas pela… radiação cósmica de fundo.

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Pela nova teoria, os buracos negros são janelas para buracos negros em outros universos – devidamente unidos por um buraco de minhoca. [Imagem: Garriga et al.]

Buracos Negros como ‘Bolhas’

Em seu artigo… — os autores investigaram outra possível consequência da tese que eles defendem, de uma ‘cosmologia inflacionária‘ – que fornece um novo mecanismo … para estudar a formação dos maiores buracos negros do nosso Universo.

Há muitos dados sobre buracos negros de massa estelar – que se formaram a partir do colapso de estrelas… Mas…há também BNs supermassivos, que se acredita existirem no centro das galáxias, que podem ter massas bilhões de vezes a do Sol.

De acordo com a nova teoria… os buracos negros poderiam ter se formado por pequenas bolhas de vácuo naquilo que chamamos de universo primordial…Elas teriam se expandido durante a fase inflacionária… – conforme o ‘espaço cósmico’ foi crescendo ao redor.

Quando terminou a inflação, essas bolhas – dependendo da sua massa inicial… poderiam ter colapsado para uma singularidade (um ponto infinitamente denso que acreditamos haver no centro do buraco negro) ou, sendo mais pesadas que determinada massa crítica, o interior da bolha iria continuar a inflar para criar um universo bebê inteiramente novo.

Esse universo olharia para nós, do lado de fora, na forma de um buraco negro…e seria conectado ao nosso universo por um ‘buraco de minhoca’.

“Notamos que as distribuições da massa dos buracos negros resultantes de paredes de domínio e bolhas de vácuo devem ser diferentes, e podem, a princípio ser distinguidos observacionalmente. – Se uma população de buracos negros produzida por bolhas de vácuo — ou “paredes de domínio”… for descoberta — poderia ser uma evidência para       a existência de um multiverso”… – concluíram os autores em seu artigo…(texto base) ********************************************************************************  

Cosmologia Medieval                                Uma das principais ‘teorias cosmológicas’ foi redescoberta num autor medieval; inspirando cientistas a melhorarem suas teorias atuais”…

Os cientistas gostam de chamar a ‘Idade Média’ de ‘era da escuridão’, ‘noite medieval’…e outras denominações pouco elogiosas…Em oposição à queda do ‘paradigma religioso’ … em termos de explicação da natureza… emergiu a ‘idade das luzes‘… esta batizada pelos próprios cientistas.

Obviamente que a ciência moderna surgiu nos ombros dos pioneiros medievais…herança que não pode ser esquecida, sob pena de se desprezar que, grande parte deles…pagou com a própria vida, seu amor pelo conhecimento.

O restabelecimento desses laços agora ganhou “nova força” — quando físicos da Durham University /GRB, traduziram um texto em latim do século 13… Transformando ideias em equações matemáticas, descobriram que um teólogo inglês (Robert Grosseteste) previu a ideia dos multiversos… – em 1225. 

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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Uma resposta para Navegando em Universos Paralelos

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