Memória, a ‘seta psicológica’ de Bergson

Recentemente, foi publicado um artigo descrevendo critérios para um novo                      modelo termodinâmico … onde uma “seta psicológica do tempo” (memória)                        se alinharia com a bem definida “seta termodinâmica do tempo” (entropia).

quinta-dimensão

Enquanto “especulações” sobre       o que é o tempo se multiplicam entre os físicos e filósofos… — a         “experiência comum” … nos faz imaginar o… tempo“… fluindo sempre para frente. Apesar das equações, que descrevem nosso universo…não exigirem sentido único…a ‘entropia crescente‘      (“2ª lei termodinâmica”) indica        a direção preferencial de tempo.

Os princípios da termodinâmica mostram que, grandes coleções de partículas – sempre se movem em direção a arranjos mais desorganizados. Bebidas quentes por exemplo tendem a esfriar…até atingir a temperatura ambiente, porque as moléculas de água quente para se manterem aglutinadas em local mais frio, precisam de muita organização. – Físicos dizem que tais arranjos têm baixa entropia; enquanto os mais desorganizados, têm alta entropia.  Contudo as equações usadas para descrever movimentos simultâneos de um grande nº de partículas são igualmente válidas, se o tempo corre para frente ou para trás. Assim, quase todo arranjo complexo da matéria ganha entropia, em qualquer direção que o tempo fluir.

Existem muitas visões filosóficas e científicas diferentes do tempo. Alguns filósofos creem que o tempo é independente dos ‘eventos’ … e que estes ocorrem … como se passassem de uma forma sequencial... – Outros, acreditam que apenas o presente é real… – E, ainda há quem acredite que todos eventos…passados, ​​presentes e futuros… sejam igualmente reais.  Sem dúvidas…o tempo nos é importante. Nosso moderno mundo global exige medidas de tempo precisas e consistentes… – Nesse sentido… melhores relógios, são os que possuem periodicidade mais regular… – Partimos então… de relógios ‘sincronizados’ na rotação da Terra sobre seu próprio eixo – para assim planejarmos durações de tempo… com base na translação da Terra ao redor do Sol…e da Lua sobre a Terra. – Em seguida…construímos relógios pendulares… e os mais modernos…baseados em oscilações de cristais de quartzo.

De fato… os cientistas têm se esforçado, com sucesso, em criar modelos                              que descrevam observações mensuráveis do tempo sob vários aspectos                              objetivos… – Há, porém…algumas ‘dificuldades persistentes’ em tentar                                conciliar nossa experiência cotidiana de tempo… com as teorias físicas.

Tempo e Simetria                                                                                                                          Embora possamos discutir o passado e o futuro…como 2 direções temporais,                  não podemos visitar qualquer destas localizações. Só podemos ter memórias                    e…gravações do passado… – bem como expectativas, e… previsões do futuro. 

Nosso espaço é considerado ‘tridimensional’,  com 3 coordenadas distintas… – em 3 linhas numéricas ortogonais, com valores positivos  e negativos (x, y e z), a partir de uma origem arbitrária. Com este quadro de coordenadas, você pode facilmente descrever a localização de um corpo qualquer. — Os eventos porém, exigem…não apenas “localização específica”, como também…um tempo particular. Nesse caso … imagina-se o tempo como uma outra ‘dimensão’…o que acarreta certa dificuldade com a própria noção de ‘simetria’ desse eixo.

Quase nada é mais óbvio do que o fato do tempo fluir do passado (…que nos lembramos) para o futuro (que não temos). Cientistas e filósofos chamam isso de “seta psicológica do tempo”. O café quente deixado numa mesa esfria, nunca se aquece por conta própria… o que reflete a… “seta termodinâmica do tempo”… – Em um trabalho publicado na revista científicaPhysical Review E…2 físicos argumentam que essas 2 noções independentes   de tempo; uma com base psicológica, e outra termodinâmica…devem sempre alinhar-se.

Light Cone

Duplo cone de luz (Wikimedia Commons)

Os tempos possíveis do passado e presente podem ser descritos como… “cones de luz”. Isso porque, a velocidade da luz no vácuo é o nosso limite superior de velocidade física. Como, de acordo com a ‘relatividade’, nada deve ir mais rápido do que a luz…não pode haver memória do passado, ou expectativa de futuro…alcançáveis para nós, que fique fora dos limites desses — “cones de luz.

Outrossim, a 2ª lei termodinâmica guarda fortes evidências… – de que os “processos naturais”…tendem…ao longo do tempo…a aumentar sua ‘entropia’ … ou seja, o nível     de desordem (‘aleatoriedade‘) do sistema.

A seta termodinâmica do tempo                                                                                              Mesmo nós…seres humanos entidades altamente evoluídas e organizadas,                criamos muito desperdício e desordem ao nosso meio ambiente, fornecendo                      um aumento global de entropia … durante todo o tempo de nossa existência.

Poder-se-ia pensar numa situação idealizada, na qual em um sistema especialmente isolado, fosse efetuado nele um “processo reversível”, sem aquecer o meio ambiente.   Neste caso, é possível que a entropia permaneça a mesma… (embora seja altamente improvável que a entropia diminua durante um processo natural, teoricamente não             é proibido que isto ocorra). Processos naturais com efeito, são eventos que ocorrem            no tempo, tendendo a uma maior desordem. Assim…a quantidade total de entropia    fornece uma direção temporal aos fenômenos – chamada…”seta termodinâmica do tempo”…uma das explicações para muita ordem no início cosmológico do universo.

O nosso universo aparentemente, começou com o “Big Bang”…que era uma combinação especial de baixa entropia, gerando da evolução do universo…uma “seta termodinâmica    do tempo”… – de um passado de baixa entropia… – para um futuro… de maior entropia.  Já o ‘suspiro final‘ do universo…ocorrerá quando este atingir sua máxima desordem…e, consequentemente, toda energia tornar-se indisponível para realizar qualquer trabalho produtivo. – Isso se daria…quando o universo atingisse seu “equilíbrio termodinâmico”. No entanto, nunca é demais ressaltar que embora a 2ª lei termodinâmica indique que a entropia tende a aumentar durante processos naturais…não há violação de qualquer lei fundamental da física…se a entropia diminuir – apesar de sua notória improbabilidade.

melting clock-top

Escultura de Salvador Dali (A Dança do Tempo II) em frente ao ‘ArtScience Museum’ de Singapura.

A seta psicológica do tempo  Como saber se a “memória” está mesmo “caminhando” para trás? Ou se ela sempre corresponderá à seta termodinâmica do tempo? 

O caso da inversão na direção da “seta termodinâmica do tempo“, por um processo de…redução de entropia (fisicamente permitido, mas, extremamente improvável)  foi recentemente…analisado por Todd Brun – físico da California University, e Leonard Mlodinow do Instituto de Tecnologia da Califórnia… Através de exemplos clássicos do cotidiano, os cientistas perguntaram o que aconteceria com a “seta psicológica do tempo” nestes casos. Será que poderíamos alinhar a nossa seta do tempo… – à seta termodinâmica do tempo?

Como os pesquisadores argumentam em seu artigo… se a “seta psicológica do tempo”        for alinhada à seta termodinâmica, deve haver um aumento na entropia quando um registro de eventos (memória) é apagado… – Portanto, uma memória ou registro de eventos deve dissipar energia…e se tornar assim – um “sistema irreversível”… Desse modo, foi então desenvolvido um novo modelo para descrever ‘critérios de memória’ baseado nas clássicas leis fundamentais da física. – A partir daí…ficou provado, sob         esses critérios … que a “seta psicológica do tempo” sempre irá se alinhar com a “seta termodinâmica do tempo”… – seja o “sistema de memória”… – irreversível… ou não.

“Sistema Experimental de Memória”                                                                                    O modelo isola idealmente o recipiente do meio ambiente, de forma que as partículas sofram apenas interações elásticas; sem energia dissipada…a uma velocidade média    tal – que seja bastante improvável para o rotor… girar em mais do que uma posição.

Para realizar seu experimento, os cientistas criaram um “modelo reversível”, que          descreve tanto um…”processo natural”, com sua “seta termodinâmica do tempo”,        quanto uma forma (memória) de registrar eventos…identificando também a sua            “seta psicológica do tempo”…O modelo teórico consiste em…N partículas de gás,            num recipiente com 2 câmarasseparadas por uma interligação, onde um rotor          marca partículas passando de um lado a outro. Com M posições disponíveis…nº          superior a média de partículas que em dado período transporiam o rotor…nesse          intervalo, poderemos então saber quantas partículasao todo – o atravessaram.

Para ter alguma ‘seta de tempo‘, as partículas são colocadas inicialmente em um dos lados do recipiente. Uma vez que a entropia provavelmente aumentará, espera-se das partículas, que com o tempo, sejam distribuídas, igualmente … em cada lado do recipiente. Enquanto isso… o rotor acompanhará o número total de partículas que passarem de um lado a outro, em determinado intervalo de tempo, antes que o sistema atinja o equilíbrio… Quando isso ocorrer – as partículas se distribuirão igualmente de ambos os lados – provavelmente…se deslocando de um lado para outro…a uma mesma taxa média. – Os pesquisadores…então impuseram ao subsistema de memória… – a “generalidade“…exigência de que esta seja capaz de lembrar de mais do que um objetivo. – Para o…’rotor‘… esta transferência de momentumpoderia então, ser capaz de girá-lo… – alterando seu número. 

E, de fato, essas 2 situações correspondem a de uma ‘partícula’ … indo de um lado para o outro. Na prática…isso significa a obrigação de que o registro não só seja correlacionado com eventos do sistema…mas também, que interaja diretamente com o próprio sistema.

Em outras palavras… – um aparelho que não interaja diretamente com as partículas com que está relacionado,  pode ser um “registro contábil” mas, nunca poderá ser uma… “memória“.

Condições para uma memória “generalizada”                                                        Não apenas o sono é importante para a consolidação da memória e aprendizagem — os sonhos podem ser como uma espécie de reflexo da atividade cerebral intensa em tarefas dessa consolidação, disparando uma série de eventos paralelos…na finalidade de fazer o cérebro processar, integrar e compreender novas informações”. (“Sonhos Construtores“)

O requisito de “generalidade” resulta em que…se alguém perturbar o estado inicial do sistema, isso não destrói a correlação da memória com o rotor. No entanto, se o rotor (memória) não estiver interagindo diretamente com partículas … os resultados já não ficarão bem correlacionados… – Se alguém olhasse para o futuro…em vez do passado,     esses resultados já não seriam correlacionados por pequenas perturbações… a menos     que se conhecesse exatamente o estado de cada partícula no sistema … durante todos instantes, para…lentamente…fazer avançar e recuar o tempo para as todas partículas.

Os pesquisadores mostram em seu artigo, que isso pode ser comprovado para o sistema de 2 câmeras descrito acima… e generalizado para sistemas clássicos deterministas, com uma seta de tempo termodinâmica bem definida. Nestes casos a seta psicológica do tempo deve se alinhar com a seta termodinâmica do tempo… E, dessa maneira…para qualquer sistema com um subsistema que atue como memória…e o restante do sistema consistindo em todo o resto…(menos memória)…o subsistema… – como memória…deve satisfazer 4 condições:

1. A leitura da memória e o estado de medida do sistema devem ser “rudimentares”.

2. A memória, num intervalo de tempo, deve equivaler a muitos estados do sistema.

3. A memória deve satisfazer a… – “generalidade“… – interagindo com o sistema.

4. Seta termodinâmica de tempo bem definida (equilíbrio ainda não foi alcançado.)

Nessas condições, os pesquisadores mostraram que ambos os sistemas: ‘irreversíveis‘ (filmes, tecnologia eletrônica ou digital)… e ‘reversíveis‘ (“máquina de Turing”) têm a “seta psicológica de tempo”…se alinhando com a…”seta termodinâmica do tempo”.

Lembranças do futuro?…                                                                                                          Ambas as setas do tempo são tão intuitivas, que                                                                     fica difícil perceber sua distinção”…(Todd Brun)

No século passado, físicos e filósofos começaram a tentar unir as setas termodinâmica e psicológica. – Pesquisadores observaram que os objetos do mundo real que armazenam memórias… – como cérebros humanos e discos rígidos de computadores…muitas vezes aquecem conforme operam… – A geração de calor aumenta a entropia, e é um processo irreversível – por isso…as leis da termodinâmica exigem que tais objetos só possam ser executados em uma direção…do passado para o futuroMas, lembranças não precisam gerar calor; dizem Brun e Mlodinow. Por exemplo ondas na lagoa registram uma pedra caindo n’água…e ainda poderiam – a princípio…fazer o sentido inverso. – Os cientistas então, se perguntaram se tal ‘memória reversa’ lembraria o futuro, ao invés do passado.

Maxwells_Demon

Para responder esta pergunta…Brun e Mlodinow recorreram … ao já bem conhecido experimento… “Demônio de Laplace” – em que…nessa versão ‘maxwelliana‘… – uma câmara com partículas verdes…se acopla a outra, de partículas vermelhas…através de uma abertura… pela qual partículas podem passar… — uma de cada vez.

Embora as partículas possam atravessar – de um recipiente ao outro,         a termodinâmica garante que, com o tempo, as 2 câmaras vão conter eventualmente … números aproximadamente iguais das 2 partículas.

Se um rotor está configurado para girar cada vez que uma partícula passa através do túnel, e cada volta do rotor é registrada…este registro iria mostrar o arranjo de partículas… – em qualquer momento no passado. No entanto, de acordo com as leis clássicas de movimento, localizações futuras de partículas são totalmente determinadas, por suas trajetórias atuais. Assim, se em algum momento o fluxo do tempo se invertesse…as partículas retornariam à sua inicial configuração de baixa entropia… – Por esse motivo…os autores escrevem que o rotor também poderia ser visto como um registro do futuro do sistema; particularidade já apontada há mais de 200 anos…pelo “demoníaco” matemático…Pierre-Simon de Laplace.

Mas Mlodinow e Brun dizem que há um porém. Se fosse para ajustar apenas um pouco o estado futuro do sistema, alterando a posição ou a velocidade de uma ou mais partículas,   e depois executá-lo na ordem reversa – o sistema não diminuiria sua entropia… mas sim,  a aumentaria…As partículas começariam a se mover como num filme sendo reproduzido     ao contrário. E…dessa forma – exceto nos sistemas mais simples, as partículas alteradas logo colidiriam com as outras… causando uma reação em cadeia. – Qualquer registro do sistema, em breve… já não se assemelharia ao quadro correspondente do ‘filme original’.

Só a organização exata das partículas resultantes de um estado inicial de baixa entropia poderia evoluir de trás para frente no tempo para chegar a um estado com um alto grau     de ordem como esse. Mesmo reorganizações menores no sistema – não importa o quão similares – ao invés disso… – fatalmente irão retroceder – em direção a maior entropia.

Em outras palavras…para qualquer condição inicial, o rotor será capaz de “lembrar” apenas um futuro que não viole a seta termodinâmica do tempo.

Os pesquisadores argumentaram que esta especificidade contradiz a definição de uma memória…pois esta deve ser capaz de incluir todas maneiras… pelas quais um sistema pode evoluir; e não apenas uma em particular. Por exemplo, seu cérebro será capaz de gravar praticamente qualquer série de eventos… que aconteçam nas próximas 3 horas.       Se fosse capaz de gravar apenas determinada série de eventos – como um velocímetro         preso numa única velocidade…o cérebro não teria uma memória funcional. – Por isso, mesmo uma “memória reversível”…só grava o passado termodinâmico, e não o futuro.

Mlodinow e Brun salientam no artigo, que seu trabalho é orientado sob uma perspectiva clássica … de subsistemas de memória com ‘estados‘ muito bem definidos no tempo. – Portanto…suas ideias não são aplicadas, diretamente a ‘sistemas quânticos’…que envolvem ‘estados emaranhados’, pois estes são estados ‘não-definidos’ num instante. Mas…agora – os pesquisadores estão trabalhando em um modelo quântico.

Comentários finais

Segundo Craig Callender… filósofo de física na Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), com a sua experiência de pensamento, Mlodinow e Brun criaram uma nova e útil definição de memória…Já Lorenzo Maccone, da Universidade de Pavia (Itália), concorda que a pesquisa dos autores levanta um ponto importante, salientando que… mesmo uma memória reversível deve ter uma seta do tempo. Porém, ele acha que o experimento dos autores não descreve, exatamente…como o rotor iria gravar as futuras configurações das partículas. – Sem tal descrição…ele alega não estar totalmente convencido da explicação.

Andreas Albrecht… – cosmólogo da Universidade da Califórnia, em Davis (EUA), gostaria que os autores questionassem as premissas por trás da seta termodinâmica do tempo. Em recente artigo… – publicado no portal arxiv.orgAlbrecht argumentou da possibilidade de haver maneiras de se obter uma seta termodinâmica do tempo, sem a necessidade de que toda matéria do universo comece numa combinação altamente incomum… – Ao usar esta proposta como um dado, Mlodinow e Brun teriam perdido uma oportunidade de explorar outras configurações iniciais possíveis. ## (texto original) Jun, 2014 (texto traduzido) ## ***********************************************************************************

teoria-da-relatividade

Relatividade, e a direção do tempo

Em vez de manter espaço e tempo fixos, a todos sistemas de referência, Einstein fixou a velocidade da luz no vácuo, para todos “sistemas de referência inerciais”.  Assim…uma onda eletromagnética não pode viajar mais rápido do que a luz…e todos observadores, seja qual for o seu “sistema de referência inercial”… (‘sem aceleração’) medem mesma velocidade.

Acontece que o tempo é relativo… Primeiro, temos o ‘relativismo clássico’… onde as velocidades envolvidas são muito menores que a velocidade da luz no vácuo, não há aceleração, e tempo e espaço são considerados os mesmos, para todos observadores. Porém, há problemas com a relatividade clássica (‘Galileu’)…por não bem descrever resultados medidos de certas observações — além do que… as equações de Maxwell,           dos fenômenos eletromagnéticos, não seguem tal metodologia. – Einstein, em 1905, apresentou então a ‘relatividade especial‘, justamente para corrigir esses problemas.

Se a luz se origina de uma lanterna num trem se movimentando em relação à estação, ou de uma nave espacial à rápida aceleração…cada observador mede a mesma velocidade da luz em cada sistema de referência. – Trabalhando nesse critério… Einstein descobriu que relógios em movimento funcionavam mais devagar – bem como barras…encurtavam seu próprio tamanho. – Ou seja…as medidas de tempo e espaço são alteradas…se estivermos num sistema de referência em movimento – mas a diferença não é perceptível…a menos que viajemos à velocidades próximas à da luz…Já sistemas de referência ‘acelerados’ são sistemas de referência não-inerciais…cujas implicações são vistas na “relatividade geral”.

Com efeito, um princípio importante na ‘R.G.‘…é que estar em um sistema de referência com aceleração uniforme, é equivalente a estar em um sistema de referência com atração gravitacional constante. – Com base nesse “princípio de equivalência”, Einstein postulou que a luz interage com ‘campos gravitacionais’ – em um ‘sistema de referência acelerada’, parecendo curvar para um “observador” nesse sistema. – Este efeito foi confirmado por medições em 1919, e verificado muitas vezes desde então.

Na teoria atual, consideramos os 2 lados da situação…. A luz pode seguir caminhos curvos devido à atração de objetos massivos próximos, e/ou a luz viaja ao longo de uma trajetória no espaço-tempo, que pode ser curvada pela atração desses objetos massivos. – E daí, fica então em aberto uma questão…existiria a possibilidade dessa curva se fechar em um loop? ************************************************************************************

O TEMPO COMO DURAÇÃO                                                                                                Medir o tempo com as regras das unidades de medidas das grandezas é uma prática da ciência, logo uma convenção. É atribuir ao tempo as características próprias do espaço; mas o tempo que dura não é mensurável.

H.BergsonO filósofo francês Henri Bergson discute…em sua obra…“Duração e Simultaneidade”…uma noção de tempo…sustentada pela experiência análoga ao fluxo interno de nossa consciência, alicerçada na faculdade da memória. Bergson, ao tentar entender a noção de tempo da teoria relativística… percebeu que o tempo científico tinha um aspecto de “impessoalidade”…assim como o do ‘senso comum’, que possui na base de seus argumentos e crenças…a ideia de que, sendo todas as consciências humanas da mesma natureza; percebem da mesmo modo…e vivem a mesma duração. – Dessa forma, para Bergson, a ciência assumiu o compromisso de representar… “fielmente“…a realidade do mundo… – por meio de seus procedimentos.

Contudo, o filósofo descobriu que o mundo…admitido pela ciência,                  para que possa ser estudado…é adaptado aos seus procedimentos          próprios – ao invés destes se adaptarem á… ‘realidade do mundo’.

Uma das questões explícitas com relação a essa afirmação…é justamente a do tempo. A faculdade da inteligência e o raciocínio procuram, através do método analítico, medir a passagem do tempo, e desta forma, tomam-no como uma grandeza a ser medida, como uma extensão a ser mensurada… – Mas… será o “tempo”…uma grandeza a ser medida?

É exatamente aos procedimentos da medição científica que Bergson lançou sua resposta, afirmando que o tempo não pode ser medido – pois a “mensurabilidade”…destina-se aos deslocamentos dos corpos no…“espaço” – medir o tempo… é portanto, medir o espaço, e assim atribuímos unidades de medidas ao tempo… – em estrita analogia ao que fazemos quando mensuramos grandezas espaciais. Mas, como Bergson chega a essas conclusões?

ImaginaçãoA NOÇÃO DE TEMPO BERGSONIANA

O tempo definido por Bergson, corresponde ao fluxo de nossa consciência… “Não há dúvida de que o tempo… inicialmente… confunde-se para nós, com a continuidade de nossa vida interior”. O tempo é um fluxo… passagem… escoamento, uma continuidade ininterrupta… – Portanto, a experiência humana com o tempo é entendida, naturalmente… assim como uma… “duração“.

Bergson acreditava no grande poder da faculdade da intuição, que alcança a realidade pelo lado de dentro… – assim como na “metáfora da melodia”… pela qual poderíamos acessar a “realidade do mundo”…e a “fluidez do tempo”…Uma fluidez…que quase coincide com a da melodia que percebemos de olhos fechados…do fluxo interior de nossa “consciência“…seu escoamento, sua passagem…sua “continuidade”. – Mas, o que é essa continuidade?…

– A de um escoamento…ou, de uma passagem…que se bastam a si mesmos; uma vez que o escoamento não implica uma coisa que se escoa… bem como a passagem não pressupõe estados pelos quais se passa…a coisa e o estado, não são mais que ‘instantâneos da transição’ artificialmente capturados, e essa transição, a única naturalmente experimentada é a própria ‘duração’.

Essa continuidade…essencialmente “subjetiva”… – que não é acessível por meio dos procedimentos objetivos da ciência…é o “tempo bergsoniano”… – cuja “transição”…            marca do desenrolar…é continuidade temporal; prolongamento do que já passou no        que está se desenrolando, só possível pela presença da memória, pois sem ela, não identificaríamos o antes; não saberíamos do agora; nem esperaríamos pelo amanhã.

A SOLIDARIEDADE ININTERRUPTA                                                                                  A memória é a fonte gerenciadora da experiência humana com o tempo,                                e…é a partir dela (como consciência) que devemos estudá-lo; e defini-la.                      

bergson1A forma como Henri Bergson entende a “configuração    dos instantes”, reforça sua tese de combate ao…tempo objetivo, impessoal, universal e absoluto Admitir os instantes de modo isolado – é tomá-los como…“puros instantâneos…que aparecem e desaparecem em um presente que renasceria incessantemente”. Bergson buscou garantir que através da memória ocorre o prolongamento e a continuidade…do antes no depois, impedindo assim que o momento inicial e o posterior sejam entendidos de maneira isolada e independente.

Mesmo que Bergson defenda que cada instante é único      e“novo”, ele sempre carrega atrás de si o conteúdo já vivido. A memória é a “base elementar”…dessa ligação, caso contestada como um dado pessoal da consciência.

Bergson refuta o aspecto antropomórfico dado à memória, ou o que poderia ser visto como pessoalidade, dizendo que se pudéssemos conceber o 1º instante do desenrolar do universo, e seu instante imediatamente sucessivo…momento este totalmente desprovido de consciência, ainda assim pressuporíamos uma memória – pois o instante posterior, se desdobrou necessariamente do que ocorreu no instante inicial… – ocorrendo assim, uma ordem nesse desenrolar. Portanto mais uma vez é o presente que permite a possibilidade de uma base inicial para o passado, e de condição ao “contínuo”, daquilo que está por vir.

O ‘fio condutor’ é a chance da memória relembrar e presentificar o          passado…que já não existe mais… Os instantes configurados dessa        maneira são interconectados, interpenetrados e interdependentes.

Se observarmos que a ciência opera exclusivamente com medidas, perceberemos que…no que concerne ao tempo, a ciência conta instantes…anota simultaneidades…mas, continua sem domínio sobre o que se passa nos intervalos. Anotar instantes é tomá-los justapostos, como pontos geométricos inseridos numa reta linear – isolados, e independentes entre si; enquanto anotar simultaneidades é correlacionar o deslocamento de um corpo no espaço, ao deslocamento angular – por exemplo…do pino de um relógio…em uma circunferência.

O PRINCÍPIO DE NÃO-CONTRADIÇÃO (E O TEMPO CONTÍNUO)                                          “Uma proposição não pode ser verdadeira e falsa, ao mesmo tempo”.

O “princípio de não contradição”, como usualmente formulado, só é valido para instantes isolados, justapostos, e entre si desconexos…Contudo, considerando o tempo assim como um fluxo contínuo temporal…como definir este ‘princípio’?… Pressupondo que os objetos possam ser…“paralisados”…em momentos – estes, por sua vez, seriam “pinçados” de um ‘fluxo temporal contínuo’. – Neste fotográfico instantefora do contínuo temporal, é que  a…”interdição…dada pelo “princípio de não-contradição“…se faz veementemente.  No entanto, uma vez que a impossibilidade de atribuição simultânea de contraditórios se fundamente na noção de instante isolado…então, nada garante que tal princípio continue com sua força coercitiva intacta em um domínio temporal não fragmentável em instantes isolados; um domínio desta natureza… poderia ser o próprio “fluxo da consciência”. – Na “duração bergsoniana”, com efeito…pode-se perfeitamente postular a vivência de estados de coisas divergentes, como a atribuição simultânea de propriedades contraditórias a um objeto. (LIVRE ADAPTAÇÃO DO TEXTO ORIGINAL) Karine Krewer/PPGECCO/UFMT ******************************(texto complementar)*******************************

Consciência & Memóriasegundo a filosofia de Bergson (texto base)                        Será a realidade…um controle do imaginário?… – É possível sua contração                        em formas até então inéditas…ou impossíveis?… – E, se assim for… – como                        ficaria a autorganização?… – Quais os seus desígnios… – Qual a sua Ética?

De acordo com as ideias de Bergson… – ‘o presente é o que passa‘…e o passado e futuro seriam a coexistência na totalidade do tempo. O que Bergson faz a partir de sua crítica à teoria da Relatividade, é de certa forma compatibilizá-la com nossa experiência comum,     o “sistema de referência adotado”. – Bergson afirma que o tempo coexiste…e o presente funda nossa experiência do aqui e agora… – ‘O tempo que coexiste é a memória‘.

A propósito, o filósofo já considerava, desde seu primeiro livro em 1889 que o tempo era uma 4ª dimensão. – O que o filósofo fez…foi criar um modelo de consciência compatível com esta ideia… – O cérebro procura uma imagem no tempo…para atuar no presente da melhor forma possível… – preparando o  ‘sensório-motor’  para alguma específica tarefa.

cone-of-memory

“Cone da memória” (Bergson)

O ponto “S” é o presente, que contrai no virtual toda a multiplicidade da duração…então experimentada pela consciência. É preciso lembrar que “consciência” aqui não é a de um indivíduo…sujeito…mas uma ‘relação‘, um “campo” entre sujeitos, concebido a posteriori da relação…(Os segmentos… AB, A’B’ e A’’B’’ mostram o processo de contração ainda no virtual). Dessa forma, podemos entender a relação do virtual ao real…como uma espécie de “energitismo“… onde o aumento de densidade é inversamente proporcional ao acréscimo de velocidade. Como aplicação teórica…relacionamos   o ponto “S” de Bergson com a mônada de Leibniz, ou seja…a mônada… – como um ‘intensivo bergsoniano’.

Aqui então o “fractal” é o intensivo, e o “colapso de onda”…a passagem do virtual ao atual (a formação da “função de onda” seria o inverso)… – Um outro fenômeno que Bergson…a partir de conceitos que envolvem o “cone”, tenta explicar… – é a experiência paramnésica do “déjà vu”, onde a lembrança do presente é tão próxima; como um personagem, ao ator. ***********************************************************************************

A invenção da Duração                                                                                                              “O antes não é um instante puro que nasce, e imediatamente                                              morre, sem deixar como resíduo, algum conteúdo no depois”.

Hugo Cabret

O universo dura… -– E… quanto mais nos aprofundamos na natureza do tempo, mais compreendemos que duração significa invenção, criação de formas, elaboração contínua do absolutamente novo. (Henri Bergson)

Vivemos o tempo de um jeito mas geralmente, o pensamos de outro – esse enunciado…banal apenas na aparência – deu esteio a paradoxos reincidentes na história da filosofia. – De fato, nos condicionamos a pensar o tempo como uma dimensão quantitativacujos elementos internos são homogêneos, e pré-definidos o que nos permite balizar o tempo, por meio de unidades de medida, segundo a ‘conveniência’ da nossa própria necessidade. Dessa maneira, por costume — além de imposições práticas e fundamentais de ‘sobrevivência’, definimos o tempopor uma linha sequencial de eventos. Então – como consequência – construímos instrumentos e técnicas, a fim de mensurá-lo, orientando nossas atividades… partindo de segmentações apropriadas… seja no uso do relógio de césio, da ampulheta, do calendário  do azimute do sol ou do ciclo das marés.

Entretanto, no interior de nossa experiência vivida, sentimos o fluxo do tempo como uma multiplicidade indivisível e heterogênea, que a cada instante se altera, se dilata…e contrai, reconfigurando instantes já passados, criando expectativas para instantes futuros…Assim, por maior que seja nossa capacidade de antecipação … vivemos sob a torrente criadora da imprevisibilidade e da mudança o que não nos impede de agir e pensar com regimes específicos de previsibilidade. Tal constatação — que sentimos na experiência mais trivial do nosso dia a dia, poderia ser finalmente resumida assim: os instantes, em instrumentos como o relógio…são sempre iguais entre si – mas, quando vividos…são sempre diferentes.

Desde já…reconhecemos portanto, 2 formas de definir a noção de tempo… Por um lado,  há o tempo considerado numa dimensão quantitativa; que pode ser medido, representado conceitualmente, submetido a cálculos e previsões — o tempo objetivo…que, afinal, não depende de nossa condição particular… — Por outro…há o tempo considerado como fluxo qualitativo, íntimo, ligado aos estados internos da nossa consciência, e por isso, refratário ao cálculo e ao conceito o tempo subjetivo… que corresponde à efetiva passagem dos instantes em nossas variadas situações de vida. Não se trata de dualismo, mas 2 modos distintos para melhor entendermos o que designamos singularmente pela palavra ‘tempo’.

Não seria exagerado dizer, que toda a obra filosófica de Henri Bergson (1859-1941) apoiase na “descoberta” de uma tal realidade. Por mais singela que possa parecer, esta distinção entre 2 modalidades de compreensão do tempo convida a uma reforma complexa e radical do pensamento. Daí então, surge a ‘grande armadilha’ na filosofia de Bergson…com a qual eventualmente se deparam tanto o leitor iniciante quanto o especialista. Sua linguagem às vezes mostra-se fácil e acessível na superfície das frases … nas metáforas balanceadas pela argumentação formal e impecável, na textura cristalina da prosa, num registro meditativo. Nesse sentido, não é casual que tenha recebido o Nobel de Literatura em 1927, sem nunca ter escrito uma obra de ‘ficção’…Todavia, pelo alcance de seu conteúdo e profundidade da reforma que ambiciona — a complexidade de seu projeto o coloca entre os precursores do pensamento contemporâneo; um dos pensadores mais ambiciosos da história da filosofia.

Sem dúvida, uma ousadia quase messiânica permeia a originalidade do gesto teórico de Bergson – pois…tomando a confrontação do tempo como ponto de partida para o ato de filosofar, o pensamento bergsoniano visa, não só a revisão de uma filosofia específica…o que perpetuaria o “anátema de Kant”, segundo o qual, a metafísica se reduz a um eterno palco de disputas entre doutrinas, mas ambiciona a revisão da filosofia em geral. Para Bergson…“filosofar consiste em inverter a marcha habitual do pensamento”… Mas, para que tal inversão ocorra faz-se necessário reenquadrar metodicamente alguns problemas clássicos da metafísica – como…da liberdade…do ser, da necessidade e contingência, da relação entre corpo e alma – segundo parâmetros oriundos da “descoberta da duração”.

Ilusões da percepção                                                                                                                    No torvelinho dessa confusão – a ‘metafísica ocidental’ colocou                                                para si uma série de dificuldades intransponíveis, que invadem                                              nosso raciocínio, de uma maneira não enunciada e sub-reptícia.

maurice-merleau-ponty-fraseUsamos a palavra duração…provavelmente o termo mais importante do pensamento de Bergson — e menos saturado de sentido…do que a palavra…“tempo”. Seu significado não poderia ser mais diretorefere-se ao tempo qualitativo…de uma natureza contínua. Nas palavras do filósofo, trata-se do que sempre se percebeu como um tempoindivisível.

Bergson aponta para a confusão histórica estabelecida entre ‘duração’ (tempo qualitativo), intraduzível por símbolos, representações ou conceitos, e a…”medida da duração” (tempo quantitativo, espacializado). Já na Antiguidadedefinia-se o tempo como mudançaque seria, afinal, ilusões da nossa percepção e degradação de essências, pois o verdadeiro é o que não muda. Mas, para Bergson, os famosos “paradoxos de Zenão” já apontavam para    o equívoco caracterizado pela ausência de distinção entre “tempo quantitativo”, e “tempo qualitativo”, ou seja, pela identificação exclusiva do tempo com projeção espacializada de instantes; equivocidade que se perpetuaria, por exemplo, na cisão platônica entre mundo inteligível e mundo sensível (“cogito cartesiano”), ou nas antinomias descritas na “Crítica da Razão Pura” (Kant)fundamentalmente – a que opõe “liberdade”a “determinismo”.

Para além de paradoxos e antinomias…o que Bergson procura detetar historicamente na filosofia, e também na ciência de seu tempo, é tanto o privilégio ontológico concedido às formas estáveis (imobilidade, representações conceituais…) quanto a desconfiança em relação aos sentidos … à mobilidade … à fluidez instável do devir … às sensações…que se transfiguram na consciência…como fontes autênticas do conhecimento…Em “Duração e Simultaneidade”, livro que se propõe a debater, em solo científico, nada menos do que o conceito implícito de tempo, assimilado na relatividade de Einstein como 4ª dimensão    do espaço – para o filósofo – um tal exame da teoria justifica-se na medida em que toda formalização científica carrega consigo … os pressupostos de uma ‘metafísica particular’.

Mas, em só se tratando de filosofia, inverter a marcha habitual do pensamento significa mostrar…antes de mais nada – que boa parte de suas questões clássicas seria dissolvida como “falsos problemas”, mediante o reconhecimento da natureza qualitativa do tempo. Para tanto, o método bergsoniano exige um “pensar intuitivamente” em “duração”…Tal método comportaria duas etapas indissociáveis: a “etapa crítica” e a “etapa propositiva”.

Pensar em duração                                                                                                              “Nenhuma questão foi mais desprezada pelos filósofos…quanto a                                            do tempo, e porém, todos concordam em declará-la fundamental.                                            Na verdade, a ‘chave‘ dos maiores problemas filosóficos…está aí”.

Na etapa crítica…cuja forma mais acabada seria uma revisão na “história dos sistemas”, que Bergson realiza no último capítulo de sua obra mais conhecida…”Evolução Criadora”, descreve-se a progressiva…”racionalização do tempo”…com o ocultamento de seu aspecto qualitativo, no campo do conhecimento. Assim, o filósofo considera que o próprio embate epistemológico entre idealismo e realismo, se contaminou dos vícios de um jogo de ideias abstratas – que não aderem à realidade – ignorando a presença substancial da duração.

HBergsonEvidentemente o jogo não é gratuito, pois há uma “propensão natural” do pensamento… à dimensão prática da ‘existência humana’ – que favorece a ação…o que faz a ciência e o ‘senso comum’ considerar o tempo e espaço como sendo coisas que pertencem ao  mesmo gênero (…”dimensional”).

Por isso, aliás, ao dizer que podemos “medir”, “localizar” e “situar” um momento qualquer na “linha do tempo” – às vezes, não nos damos conta de que esses termos se aplicam não à duração em si, mas a uma “projeção espacializada” da duraçãona qual seria possível até “voltar” no tempo. Ocorre que a inclinação pragmática do pensar … que sobrepõe um feixe de conceitos e ideias à realidade, contamina a especulação metafísica – forçada a se dispor aos hábitos de uma linguagem…que estabiliza e cristaliza o devir…em conceitos e palavras.

Na etapa crítica, é preciso pois denunciar a intrusão de uma concepção espacializada de tempo lá onde menos se espera Assim, em sua obra, Bergson empenha-se na depuração crítica das concepções espacializadas de duração… — que permeiam o campo filosófico. A partir daí…o filósofo reposiciona nosso modo de entender liberdade, memória, percepção, existência, linguagem, e evolução vital. – Já a etapa propositiva do métodoparalela à crítica, trata de afirmar que…”tempo é processo”, justamente aquilo que impede que tudo seja dado de uma só vez. Pensar em duração…é pensar a própria transição vivida entre os instantesé ver na elaboração do tempo a indeterminação das coisas. Ao conceder maior estatuto ontológico àquilo que muda e se diferencia, isto é, dando mais “Ser” ao “Tempo”, do que às “Formas”, Bergson encontra na duração, não mais o receptáculo formal e vazio    a ser preenchido pelo conteúdo da experiência (como no relógio), mas simredescobre a duração como experiência imediata à consciência, forma e conteúdo inseparáveiso que traz implicações para um conhecimento com base em conceitos e formas — que não mais reconstrói a realidade – mas que adere às “sinuosas” diferenças qualitativas da realidade.

A tarefa parece difícil. “Sim, o tempo é um enigma singular, difícil de resolver”, sentenciava Thomas Mann em “A Montanha Mágica”...No entanto…tal enigma                      se dissipa quando resolvemos inverter a marcha habitual do pensamento. – Ao reencontramos, afinal, nem que seja por um tempoa interioridade vivida dos              ruídos e silêncios… – inerentes ao próprio tempo. “Revista Cult” (texto base)

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em Cibernética e marcado . Guardar link permanente.

Uma resposta para Memória, a ‘seta psicológica’ de Bergson

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s