‘Memória’…a seta psicológica do tempo

Recentemente, foi publicado um artigo descrevendo critérios para um novo modelo termodinâmico … onde uma “seta psicológica do tempo” (memória) se alinharia com a bem definida “seta termodinâmica do tempo” (entropia).

quinta-dimensão

Enquanto “especulações” sobre       o que é o tempo se multiplicam, físicos e filósofos … continuam pesquisando sobre o assunto…

A experiência comum nos leva a imaginar o tempo, como fluindo sempre para frente – apesar das equações…que descrevem nosso universo… não exigirem sentido único… Há, porém – em termos termodinâmicos…indicações de uma direção preferencial… dada pela “entropia crescente(‘2ª lei termodinâmica’).

Os princípios da termodinâmica mostram que, grandes coleções de partículas – sempre se movem em direção a arranjos mais desorganizados. Por exemplo, bebidas quentes tendem a esfriar…até atingir a temperatura ambiente, porque as moléculas de água quente para se manterem aglutinadas em local mais frio, precisam de muita organização. – Físicos dizem que tais arranjos têm baixa entropia…enquanto os mais desorganizados, têm alta entropia.

No entanto, as equações que os físicos usam para descrever movimentos simultâneos de um grande número de partículas são igualmente válidas…se o tempo corre para a frente,   ou para trás. Por isso, quase todo arranjo complexo da matéria vai ganhar entropia, não importa em que direção o tempo possa fluir.

Existem muitas visões filosóficas e científicas diferentes do tempo. Alguns filósofos creem que o tempo é independente dos ‘eventos’ … e que estes ocorrem … como se passassem de uma forma sequencial... – Outros, acreditam que apenas o presente é real… – E, ainda há quem acredite que todos eventos…passados, ​​presentes e futuros… sejam igualmente reais.

Sem dúvida… o tempo nos é importante. Nosso moderno mundo global exige medidas de tempo precisas e consistentes… – Nesse sentido… melhores relógios, são os que possuem periodicidades mais regulares… Partimos de relógios baseados na rotação da Terra sobre seu próprio eixo, como “relógios de Sol” … e planejamos durações de tempo com base na translação da Terra ao redor do Sol… e da Lua sobre a Terra. – Em seguida, construímos relógios pendulares, e os mais modernos… baseados em oscilações de cristais de quartzo.

Nesse ponto, cientistas têm se esforçado com sucesso, em criar modelos   que descrevam observações mensuráveis do tempo sob vários aspectos objetivos… – Há…porém, algumasdificuldades persistentes’ em tentar conciliar nossa experiência cotidiana de tempo… com as teorias físicas.

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Um “méson B vermelho” se transforma em um “méson B azul”: os dados indicam que o a transformação de vermelho em azul ocorre em um ritmo diferente da transformação de azul em vermelho.[ Greg Stewart/SLAC]

Tempo e Simetria

Nosso espaço é considerado ‘tridimensional‘, com 3 coordenadas distintas… – em 3 linhas numéricas ortogonais, com valores positivos e negativos (x, y e z), a partir de uma origem arbitrária. Com este quadro de coordenadas, você pode facilmente descrever a localização de um corpo qualquer.

Os eventos porém…exigem, não apenas uma localização específica… – como também, um tempo particular. – Para isso… imagina-se o tempo como uma outra ‘dimensão‘. Mas, há certa dificuldade com a ‘simetria’ desse eixo.

Embora possamos discutir o passado e o futuro como 2 direções temporais, não podemos visitar qualquer destas “localizações”… Só podemos ter memórias e gravações do passado, bem como expectativas e previsões do futuro. Portanto, ‘tempo’ é um pouco diferente das nossas outras coordenadas.

Quase nada é mais óbvio do que o fato do tempo fluir do passado (…que nos lembramos) para o futuro (que não temos). Cientistas e filósofos chamam isso de “seta psicológica do tempo”. O café quente deixado numa mesa esfria, nunca se aquece por conta própria… o que reflete a… “seta termodinâmica do tempo”… – Em um trabalho publicado na revista científica “Physical Review E”…2 físicos argumentam que essas 2 noções independentes   de tempo; uma com base psicológica, e outra termodinâmica…devem sempre alinhar-se.

Cones de luz, e a seta termodinâmica do tempo

Light Cone

Duplo cone de luz (Wikimedia Commons)

Os tempos possíveis do passado e presente podem ser descritos como… “cones de luz”. Isso porque, a velocidade da luz no vácuo é o nosso limite superior de velocidade física. Como, de acordo com a ‘relatividade’, nada deve ir mais rápido do que a luz…não pode haver memória do passado, ou expectativa de futuro…alcançáveis para nós, que fique fora dos limites desses … “cones de luz.

A ‘2ª lei termodinâmica‘ tem acumulado fortes evidências… – de que os processos naturais tendem… ao longo do tempo… a aumentar sua ‘entropia’… ou seja, o nível     de desordem (‘aleatoriedade’) do sistema.

Mesmo nós, seres humanos – entidades altamente evoluídas e organizadas, criamos muito desperdício e desordem ao nosso meio ambiente, fornecendo um aumento global de entropia… durante todo o tempo de nossa existência.

Poder-se-ia pensar numa situação idealizada, na qual em um sistema especialmente isolado, fosse efetuado nele um “processo reversível”, sem aquecer o meio ambiente.   Neste caso, é possível que a entropia permaneça a mesma… (embora seja altamente improvável que a entropia diminua durante um processo natural, teoricamente não             é proibido que isto ocorra.)

Processos naturais, com efeito…são eventos que ocorrem no tempo, com tendencia a uma maior desordem. – Assim… a quantidade total de entropia (dessa desordem) fornece uma direção temporal aos fenômenos – a qual chamamos de… “seta termodinâmica do tempo”. Esta, por sua vez, é uma das razões pela qual se acredita que houve muita ordem no início cosmológico do universo. E, embora muitos perguntem sobre…”O que houve antes do big bang?”…”Por que havia tanta ordem?”, ou…”O que acontecerá, quando o universo atingir sua máxima desordem?”… essas questões ainda trazem consigo respostas muito diversas.

O nosso universo aparentemente, começou com o “Big Bang“, que era uma combinação especial de baixa entropia. Isso dá origem à seta termodinâmica do tempo, conforme os cosmólogos observam, uma vez que o universo está evoluindo…de um passado de baixa entropia… – para um futuro de maior entropia.

Considera-se o ‘suspiro final‘ do universo, quando este atingir sua máxima desordem, e consequentementetoda energia torna-se indisponível para realizar qualquer trabalho produtivo. – Isso se daria…quando o universo atingisse seu “equilíbrio termodinâmico”. No entanto, nunca é demais ressaltar que embora a 2ª lei termodinâmica indique que a entropia tende a aumentar durante processos naturais…não há violação de qualquer lei fundamental da física…se a entropia diminuir – apesar de sua notória improbabilidade.

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Escultura de Salvador Dali (A Dança do Tempo II) em frente ao ‘ArtScience Museum’ de Singapura.

A seta psicológica do tempo

A ‘seta psicológica do tempo‘ é a ‘memória’… – ou recordações de eventos passados… – Mas, como saber…se ela está “caminhando” mesmo para trás?… – Ou, se ela sempre corresponderá à…”seta termodinâmica do tempo“?

Este problema…da inversão da direção da seta termodinâmica do tempo… — por um processo de redução de entropia…(que é fisicamente permitido…mas extremamente improvável) foi recentemente analisado pelos físicos Todd Brun – Universidade da Califórnia, Los Angeles … e Leonard Mlodinow – do Instituto de Tecnologia da Califórnia… – Através de exemplos clássicos do cotidiano … os cientistas perguntaram o que aconteceria com a “seta psicológica do tempo” nestes casos. Será que poderíamos alinhar a nossa seta do tempo… – à seta termodinâmica do tempo?

Como os pesquisadores argumentam em seu artigo…se a “seta psicológica do tempo” for alinhada à seta termodinâmica, deve haver um aumento na entropia quando um registro de eventos (memória) é apagado. – Portanto…uma memória ou registro de eventos deve dissipar energia… – e se tornar assim… – um ‘sistema irreversível‘.

Desse modo, foi desenvolvido um novo modelo para descrever ‘critérios de memória’ baseado nas clássicas leis fundamentais da física. – A partir daí, ficou provado, sob         esses critérios…que a “seta psicológica do tempo” sempre irá se alinhar com a “seta termodinâmica do tempo”… – seja o “sistema de memória”… – irreversível, ou não.

Sistema Experimental de Memória

Para realizar seu experimento… – os cientistas criaram um “modelo reversível”…que descreve tanto um “processo natural”… – com sua “seta termodinâmica do tempo“, quanto uma forma (‘memória) de registrar eventos, identificando também… – a suaseta psicológica do tempo’.

O modelo teórico consiste em… N partículas de gás, num recipiente com 2 câmaras…separadas por uma interligação, em que um rotor registra cada passagem da partícula de um lado a outro.

O rotor possui M posições marcadas…de zero a M-1, havendo muito mais posições nele, do que o número médio de partículas… que passariam em determinado “intervalo de tempo”… — Isso significa que…enquanto observarmos o rotor dentro desse intervalo de tempo, poderemos ver quantas partículas, ao todo, foram de um lado para outro.

O modelo, idealmente, isola o recipiente do meio ambiente, garantindo que as partículas sofram apenas ‘interações elásticas’ (sem energia dissipada), e que a velocidade média da partícula seja tal…que é bastante improvável que o rotor gire em mais do que uma posição.

Para ter alguma ‘seta de tempo’, as partículas são colocadas inicialmente em um dos lados do recipiente. Uma vez que a entropia provavelmente aumentará, espera-se das partículas, que com o tempo, sejam distribuídas, igualmente … em cada lado do recipiente. Enquanto isso… o rotor acompanhará o número total de partículas que passarem de um lado a outro.

É apurado assim o número total de partículas que se deslocaram, durante determinado intervalo de tempo… Esse intervalo deve ocorrer antes que o sistema atinja o equilíbrio. Após certo período de tempo… – o equilíbrio será atingido… – e… as partículas estarão distribuídas igualmente de ambos os lados – provavelmente se deslocando de um para       o outro lado…a uma mesma taxa média. – Os pesquisadores…então – impuseram… ao subsistema de memória, a “generalidade”…exigência de que uma ‘memória’ seja capaz     de lembrar de mais do que um objetivo. – Para o…’rotor‘…esta transferência de momentumpoderia então, ser capaz de girá-lo… – alterando seu número. 

E, de fato, essas 2 situações correspondem a de uma ‘partícula’ … indo de um lado para o outro. Na prática…isso significa a obrigação de que o registro não só seja correlacionado com eventos do sistema…mas também, que interaja diretamente com o próprio sistema.

Em outras palavras … um aparelho que não interaja diretamente com as partículas com que está lidando, pode ser um “registro contábil” mas nunca poderá ser uma “memória”.

O requisito de ‘generalidade’ resulta em que — se alguém perturbar o estado inicial do sistema, isso não destrói a correlação da memória com o rotor…No entanto, se o rotor (memória) não estiver interagindo diretamente com partículas … os resultados já não ficarão bem correlacionados… – Se alguém olhasse para o futuro…em vez do passado,     esses resultados já não seriam correlacionados por pequenas perturbações… a menos     que se conhecesse exatamente o estado de cada partícula no sistema … durante todos instantes, para…lentamente…fazer avançar e recuar o tempo para as todas partículas.

Por isso, um sistema de memória que lembre o futuro não pode satisfazer a ‘generalidade’ – e portanto … deve seguir a ‘seta termodinâmica do tempo’.

Os pesquisadores mostram em seu artigo, que isso pode ser comprovado para o sistema de 2 câmeras descrito acima… e generalizado para sistemas clássicos deterministas, com uma seta de tempo termodinâmica bem definida. Nestes casos a seta psicológica do tempo deve se alinhar com a seta termodinâmica do tempo… E, dessa maneira…para qualquer sistema com um subsistema que atue como memória…e o restante do sistema consistindo em todo o resto (menos memória)… – o subsistema… como memória… deve satisfazer 4 condições:

1. A leitura da memória e o estado de medida do sistema devem ser “rudimentares”             em relação aos finos detalhes do subsistema de memória do sistema.

2. A leitura precisa corresponder ao que é suposto ser gravado, ou seja, a memória deve corresponder a muitos dos estados do sistema… – ao longo de um ‘intervalo de tempo’.

3. A memória deve satisfazer a “generalidade”…interagindo com o sistema.

4. Seta termodinâmica de tempo bem definida (o equilíbrio ainda não foi alcançado)

Nessas condições, os pesquisadores mostraram que ambos os sistemas: ‘irreversíveis‘ (filmes, tecnologia eletrônica ou digital)… e ‘reversíveis‘ (“máquina de Turing”) têm a “seta psicológica de tempo” — se alinhando com a “seta termodinâmica do tempo”.

O que nos aguarda o futuro?                                                                                             Ambas as setas do tempo são tão intuitivas que                                                                             fica difícil perceber sua distinção…(Todd Brun)

No século passado, físicos e filósofos começaram a tentar unir as setas termodinâmica e psicológica. – Pesquisadores observaram que os objetos do mundo real que armazenam memórias… – como cérebros humanos e discos rígidos de computadores…muitas vezes aquecem conforme operam… – A geração de calor aumenta a entropia, e é um processo irreversível – por isso…as leis da termodinâmica exigem que tais objetos só possam ser executados em uma direção: do passado para o futuro.

Mas… – as lembranças não precisam gerar calor…dizem Brun e Mlodinow. Por exemplo, ondas na lagoa registram uma pedra caindo n’água…e ainda poderiam, a princípio, fazer o sentido inverso… Os pesquisadores então, se perguntaram… se tal memória lembraria o futuro… – ao invés do passado.

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Para responder esta pergunta…Brun e Mlodinow recorreram … ao já bem conhecido experimento… “Demônio de Laplace” – em que…nessa versão ‘maxwelliana‘… – uma câmara com partículas verdes…se acopla a outra, de partículas vermelhas…através de uma abertura… pela qual partículas podem passar… — uma de cada vez.

Embora as partículas possam atravessar – de um recipiente ao outro,         a termodinâmica garante que, com o tempo, as 2 câmaras vão conter eventualmente, números aproximadamente iguais… das 2 partículas.

Se um rotor está configurado para girar cada vez que uma partícula passa através do túnel, e cada volta do rotor é registrada… – este registro iria mostrar o arranjo de partículas…em qualquer momento no passado. Porém…de acordo com as leis do movimento, localizações futuras de partículas são completamente determinadas por suas trajetórias atuais, e se em algum momento o fluxo do tempo se invertesse… – as partículas retornariam à sua inicial configuração de baixa entropia. – Por isso, os autores escrevem que o rotor pode ser visto também como um registro do futuro do sistema – uma particularidade apontada mais de 200 anos atrás pelo matemático francês Pierre-Simon de Laplace.

Mas Mlodinow e Brun dizem que há um porém. Se fosse para ajustar apenas um pouco o estado futuro do sistema, alterando a posição ou a velocidade de uma ou mais partículas,   e depois executá-lo na ordem reversa, o sistema já não diminuiria sua entropia, mas sim, aumentaria… – As partículas começariam a se mover como um filme sendo reproduzido     ao contrário… – Em todo caso, exceto nos sistemas mais simples, as partículas alteradas logo colidiriam com as outras…e causariam uma reação em cadeia. Qualquer registro do sistema, em breve… já não se assemelharia ao quadro correspondente do ‘filme original’.

Só a organização exata das partículas resultantes de um estado inicial de baixa entropia poderia evoluir de trás para frente no tempo para chegar a um estado com um alto grau     de ordem como esse…escrevem os autores. Mesmo reorganizações menores no sistema, não importa o quão semelhantes… irão – ao invés disso…evoluir de trás para frente em direção a maior entropia.

Em outras palavras, para qualquer condição inicial, o rotor será capaz de “lembrar” apenas um futuro que não viole a seta termodinâmica do tempo.

Os pesquisadores argumentaram que esta especificidade contradiz a definição de uma memória, pois esta deve ser capaz de incluir todas as maneiras pelas quais um sistema pode evoluir; e não apenas uma em particular. Por exemplo, seu cérebro será capaz de gravar praticamente qualquer série de eventos… que aconteçam nas próximas 3 horas.       Se fosse capaz de gravar apenas determinada série de eventos – como um velocímetro         preso numa única velocidade…o cérebro não teria uma memória funcional. – Por isso, mesmo…uma “memória reversível” só grava o passado termodinâmico, e não o futuro.

Mlodinow e Brun salientam no artigo, que seu trabalho é orientado sob uma “perspectiva clássica” de subsistemas de memória com ‘estados’ muito bem definidos no tempo. – Contudo…suas ideias não são aplicadas, diretamente a “sistemas quânticos” que envolvem ‘estados emaranhados’ pois estes são estados ‘não-definidos’ num instante. “Ipso facto” … os pesquisadores estão trabalhando em um modelo quântico.

Segundo Craig Callender… filósofo de física na Universidade da Califórnia em San Diego (EUA), com a sua experiência de pensamento, Mlodinow e Brun criaram uma nova e útil definição de memória…Já Lorenzo Maccone, da Universidade de Pavia (Itália), concorda que a pesquisa dos autores levanta um ponto importante, salientando que… mesmo uma memória reversível deve ter uma seta do tempo. Porém, ele acha que o experimento dos autores não descreve, exatamente…como o rotor iria gravar as futuras configurações das partículas. – Sem tal descrição…Maccone alega não estar completamente convencido da explicação oferecida pela dupla.

Andreas Albrecht… – cosmólogo da Universidade da Califórnia, em Davis (EUA), gostaria que os autores questionassem as premissas por trás da seta termodinâmica do tempo. Em recente artigo… – publicado no portal arxiv.orgAlbrecht argumentou da possibilidade de haver maneiras de se obter uma seta termodinâmica do tempo, sem a necessidade de que toda matéria do universo comece numa combinação altamente incomum… – Ao usar esta proposta como um dado, Mlodinow e Brun teriam perdido uma oportunidade de explorar outras configurações iniciais possíveis. ## (texto original) Jun, 2014 (texto traduzido) ## **************************(texto complementar)*************************************

A direção do tempo e a relatividade

Acontece que o tempo é relativo… Primeiro, temos o ‘relativismo clássico’… onde as velocidades envolvidas são muito menores que a velocidade da luz no vácuo, não há aceleração, e tempo e espaço são considerados os mesmos, para todos observadores. Porém, há problemas com a relatividade clássica (‘Galileu’)…por não bem descrever resultados medidos de certas observações — além do que… as equações de Maxwell,           dos fenômenos eletromagnéticos, não seguem tal metodologia. – Einstein, em 1905, apresentou então arelatividade especial‘, justamente para corrigir esses problemas.

teoria-da-relatividadeEm vez de manter espaço e tempo fixos, para todos os sistemas de referência, ele fixou a velocidade da luz no vácuo, para todos sistemas de referência inerciais…

Assim, uma ‘onda eletromagnética’ não pode viajar mais rápido do que a luz…e todos observadores, seja qual for o seu “sistema de referência inercial” (…sem aceleração) medem mesma velocidade.

Se a luz se origina de uma lanterna num trem se movimentando em relação à estação, ou de uma nave espacial à rápida aceleração…cada observador mede a mesma velocidade da luz em cada sistema de referência. – Trabalhando nesse critério… Einstein descobriu que relógios em movimento funcionavam mais devagar – bem como barras…encurtavam seu próprio tamanho. – Ou seja…as medidas de tempo e espaço são alteradas…se estivermos num sistema de referência em movimento – mas a diferença não é perceptível…a menos que viajemos à velocidades próximas à da luz…Já sistemas de referência ‘acelerados’ são sistemas de referência não-inerciais…cujas implicações são vistas na “relatividade geral”.

Com efeito, um princípio importante na ‘R.G.‘…é que estar em um sistema de referência com aceleração uniforme, é equivalente a estar em um sistema de referência com atração gravitacional constante. – Com base nesse “princípio de equivalência”, Einstein postulou que a luz interage com ‘campos gravitacionais’ – em um ‘sistema de referência acelerada’, parecendo curvar para um “observador” nesse sistema. – Este efeito foi confirmado por medições em 1919, e verificado muitas vezes desde então.

Na teoria atual, consideramos os 2 lados da situação…. A luz pode seguir caminhos curvos devido à atração de objetos massivos próximos, e/ou a luz viaja ao longo de uma trajetória no espaço-tempo, que pode ser curvada pela atração desses objetos massivos. – E daí, fica então em aberto uma questão…existiria a possibilidade dessa curva se fechar em um loop? ************************************************************************************

Consciência & Memóriana filosofia de Bergson                                                       Será a “realidade” um controle do imaginário? … É possível sua contração (no intensivo do cone) em formas até então inéditas…ou “impossíveis”?…E como ficaria, nesse caso, a autorganização?…Quais os seus desígnios…Qual a sua Ética?

De acordo com as ideias de Bergson… – ‘o presente é o que passa‘…e o passado e futuro seriam a coexistência na totalidade do tempo. O que Bergson faz a partir de sua crítica à teoria da Relatividade, é de certa forma compatibilizá-la com nossa experiência comum,     o “sistema de referência adotado”. – Bergson afirma que o tempo coexiste…e o presente funda nossa experiência do aqui e agora… – ‘O tempo que coexiste é a memória‘.

A propósito, o filósofo já considerava, desde seu primeiro livro em 1889 que o tempo era uma 4ª dimensão. – O que o filósofo fez…foi criar um modelo de consciência compatível com esta ideia… – O cérebro procura uma imagem no tempo…para atuar no presente da melhor forma possível… – preparando o  ‘sensório-motor’  para alguma específica tarefa.

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“Cone da memória” (Bergson)

O ponto “S” é o presente, que contrai no virtual toda a multiplicidade da duração…então experimentada pela consciência. É preciso lembrar que “consciência” aqui não é a de um indivíduo…sujeito…mas uma ‘relação‘, um “campo” entre sujeitos, concebido a posteriori da relação…(Os segmentos… AB, A’B’ e A’’B’’ mostram o processo de contração ainda no virtual). Dessa forma, podemos entender a relação do virtual ao real…como uma espécie de “energitismo“… onde o aumento de densidade é inversamente proporcional ao acréscimo de velocidade. Como aplicação teórica…relacionamos   o ponto “S” de Bergson com a mônada de Leibniz, ou seja…a mônada… – como um ‘intensivo bergsoniano’.

Aqui então o “fractal” é o intensivo, e o “colapso” de onda é a passagem do virtual ao atual   (a formação da “função de onda” seria o inverso)… — Um outro fenômeno que Bergson…a partir de conceitos que envolvem o cone, tenta explicar…é a experiência de “déjà vu”. Para ele, essa paramnésia ocorre quando a lembrança do presente é muito próxima – como um personagem…ao ator. (texto base)

Segredos de uma Mente…”Vazia”                                                                                           O cérebro não processa informações, não recupera conhecimento,                                     nem armazena memórias… – Em resumo…não é um computador!

Por mais que se esforcem neurocientistas e psicólogos cognitivos jamais encontrarão uma cópia da 5ª Sinfonia de Beethoven no cérebro … ou, cópias de palavras… imagens… regras gramaticais…ou qualquer outro tipo de estímulos ambientais. O cérebro humano não está realmente vazio, é claro. Mas não contém a maioria das coisas que as pessoas pensam que sim – nem mesmo coisas simples, como “memórias”.

Nossa má interpretação sobre o cérebro tem profundas raízes históricas…mas a invenção dos computadores, na década de 1940… nos confundiu especialmente…Há mais de meio século… – psicólogos, filósofos, linguistas… neurocientistas … e outros especialistas em comportamento humano têm afirmado que     o “cérebro humano” funciona…assim como um computador. Mas, será isso verdadeiro?

Para se ter uma ideia … considere os ‘cérebros dos bebês’. Graças à evolução, recém-nascidos humanos, bem como recém-nascidos de todas as outras espécies de “mamíferos”… – nascem preparados para interagir efetivamente com o mundo… – A visão de um bebê é embaçada, mas presta especial atenção aos rostos … sendo rapidamente capaz de identificar sua mãe.

Ele prefere o som de vozes a sons aleatórios, e pode distinguir           basicamente um som de voz de outro…E isso quer dizer que…                         nós somos concebidos – justo… para fazer “conexões sociais”.

Um ‘recém nascido’ saudável… – também já é possuidor de mais de uma dúzia de reflexos, condicionados a certos estímulos importantes para sua sobrevivência. Ele gira a cabeça na direção de algo que toque sua bochecha, para em seguida… sugar o que entre em sua boca. Segura a respiração quando submerge na água… Agarra as coisas colocadas em suas mãos com tanta força, que quase pode suportar seu próprio peso. Mas, talvez o mais importante seja que ‘recém nascidos’ carregam consigo poderosos mecanismos de aprendizagem, que lhes fazem…rapidamente, interagir cada vez mais melhor com o seu mundo – mesmo que esse mundo seja diferente daquele que seus antigos ancestrais ​​enfrentaram.

Sentidos, reflexos…e ‘mecanismos de aprendizagem’ – é isso que herdamos… E, se não tivéssemos alguma dessas capacidades ao nascer… provavelmente teríamos problemas para sobreviver… – Mas aqui está o que não herdamos… informações, software, regras, conhecimento, léxicos, representações, processadores, programas, modelos, memórias, imagens, sub-rotinas, codificadores, decodificadores, algoritmos, e símbolos. — Não só não nascemos com essas coisas… — como também… não as desenvolvemos… — nunca!

Nós não armazenamos … palavras ou regras, que nos digam como ‘manipulá-las’… – nem criamos representações de estímulos visuais — as armazenamos numa estrutura de curto prazo… para, em seguida, transferi-las a um “dispositivo de memória” … de longo prazo.

Também não recuperamos informações, imagens ou palavras… — de registros da memória. — Computadores fazem todas essas coisas… — mas os organismos não.

Os computadores, basicamente, processam informações – números, letras, palavras, fórmulas, imagens… – Mas… para isso acontecer, a informação precisa ser codificada em uma linguagem de programação… – o que significa padrões de zero e hum (‘bits’) organizados em pequenos grupos (‘bytes‘)… – Normalmente cada byte é composto por 8 bits, onde cada número – ou letra, corresponde a certo padrão desses bits configurados lado a lado — formando quantidades numéricas, palavras…frases e imagens… – representadas em padrões especiais…por milhões desses bytes (megabytes), acompanhados por certos caracteres, especificando a opção de figura … em vez de palavra.

Esses  padrões se movem de um lugar para outro, em diferentes áreas de armazenamento físico, gravados em componentes eletrônicos. – Às vezes, também copiam padrões…ou os transformam de várias maneiras – por exemplo… quando corrigimos erros de escrita…ou retocamos uma fotografia (fotoshope). – As regras seguidas para mover, copiar…e operar essas matrizes de dados também são armazenadas nos computadores. O conjunto dessas regras é chamado de ‘programa’, ou ‘algoritmo’. Um grupo de algoritmos, que juntos nos ajudam em alguma operação específica é chamado “aplicativo”, ou abreviadamente ‘app’.

Os computadores operam com representações simbólicas, armazenando, recuperando e processando dados, utilizando memórias físicas…e, sendo guiados, em tudo o que fazem… – sem exceção – por algoritmos… – Tais procedimentos, por outro lado… os seres humanos nunca tiveram… nem poderão ter. Somos organismos, não computadores. Nunca teremos que nos preocupar com a mente humana viajando pelo ciberespaço, e nunca conseguiremos a imortalidade através do download. *** (texto original)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em cosmologia, física, Teoria do Caos e marcado . Guardar link permanente.

Uma resposta para ‘Memória’…a seta psicológica do tempo

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