“Seleção Cosmológica Natural” (Tempo & Realidade)

“Cada objeto no espaço tem um tempo próprio, determinado por seu          campo gravitacional. O fluir desse tempo é intrínseco ao mundo… e,              faz parte das ‘relações quânticas’…entre os eventos”. (Carlo Rovelli)

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Heráclito de Éfeso, que viveu na Grécia entre os séculos VI e V a.C…via o Universo em um processo contínuo de mudança… — com todas as coisas em perpétuo estado de fluxo‘… – Um de seus mais famosos aforismos diz…no mesmo rio entramos e não entramos, somos e não somos Ou seja, não podemos nos banhar 2 vezes no mesmo rio pois na 2ª vez as águas do rio (em “fluxo perpétuo”) já não serão iguais…bem como também teremos mudado.  Contudo, o escrutínio filosófico…e as formalidades físicas… não logram determinar a existência de um fluxo temporal único, contínuo e objetivo… Faltam respostas para descobrirmos qual a velocidade do tempo?(exceto talvez, para um personagem do escritor José Saramago ao afirmar que o tempo passa a uma velocidade de 60 minutos por hora…)

Esse incômodo beco sem saída tem levado à concepção do tempo, como um bloco único. O espaçotempo de Minkowski conteria toda a eternidade: passado, presente e futuro nesse bloco mapeados. Embora a sensação de um agora’ desempenhe ‘papel central’ em nossa vida…a nossa intuição é subvertida por ‘concepções relativísticas’, segundo as quais todos instantes desse “tempo blocado” são igualmente reais. – O fluir do tempo… do passado ao futuro, passando pelo ‘agora’…que nitidamente sentimos, surgiria em nosso cérebro como resultado de uma observação, ativa e consciente, desse “bloco espaçotemporal”. Para cada observador, tal observação corresponderia a uma fatia do bloco contendo a cota de espaço que chamamos…’aqui‘…aliado ao instante de tempo, que costumamos chamar… ‘agora.

Uma possível evolução histórica na noção de tempo                                                      “É impossível progredir sem mudanças; e os homens que congelam suas                                  mentes…não conseguem transformar nada a sua volta.”  (Bernard Shaw)

A visão minkowskiana se aproxima da idealizada por Platão, que no século IV a.C, em um de seus diálogos (“Timeu”) nos diz que… o tempo é uma imagem móvel da eternidadeJá a concepção ‘neurocientífica’, nos leva ao pensamento de Santo Agostinho, que viveu 8 séculos mais tarde…e para quem, passado e futuro não existiam… Quando olhamos o passado, ele já se foi… é uma memória… E, quando procuramos o futuro – ele ainda não chegou…é uma expectativa. Portanto, somente o presente existe, conclui o filósofo.  O tempo seria uma criação da mente humana – quando medimos uma extensão temporal estamos na verdade medindo memórias passadas e expectativas futuras. Santo Agostinho é o primeiro pensador ocidental a destacar, claramente… – o “caráter subjetivo do tempo”.

É possível que as múltiplas faces do tempo tenham individualidade própria. E que os “múltiplos tempos”, tenham portanto, de ser tratados de forma particularizada, pelo respectivo nível descritivo abordado. Seria preciso considerar as diferentes naturezas       da ‘fibra’ do tempo, por exemplo, com a qual seriam tecidos em diferentes planos, os múltiplos e distintos tempos físico, biológico, neural, e social… – Mas, enquanto isso, continuaremos a enfrentar o desafio de tentar entender como o tempo flui através da mente… já que, fora dela… – o rio de Heráclito existe mas está congelado.

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Já para David Humefilósofo do século XVIIIa crença na relação causal entre 2 eventos decorre apenas do fato de nos habituarmos a vê-los numa dada ordem temporal…Daí viria então, a sólida, porém ilusória ideia de causa & efeito de que toda consequência é precedida por uma causa“.

No século XX, Hans Reichenbach introduziu o conceito de cadeias causais como forma de ordenar eventos no tempo.  Seguindo em determinado sentido os eventos ordenam-se de acordo com um princípio decausalidade‘ – no sentido oposto, ao de ‘finalidade’… – Já a definição de um ‘sentido’ (seta do tempo), ou a escolha da causalidade em detrimento da finalidade…é, na visão do filósofo, consequência da 2ª lei termodinâmica, onde a entropia (grau de desordem) de um ‘sistema isolado‘ tende a aumentar… – ‘definindo assim…o sentido da seta do tempo’.

Entropia termodinâmica (a “seta do tempo”)                                                                        Com a mecânica quântica…segundo a qual observador e observado                                  unem-se indissociavelmente na mensuração de um dado “estado físico”                              descrito por uma função de onda, o ato de observar e medir um evento                              passou a ter um papel relevante na determinação da ‘seta do tempo‘.

Quando assistimos a um filme em que cacos de vidro espalhados no chão se aproximam, para, finalmente se juntar, sabemos imediatamente que ele está sendo projetado de trás para frente. Do ponto de vista termodinâmico, a desordem (entropia) do copo aumenta quando ele se quebra, espalhando cacos pelo chão… Assim, o aumento da entropia seria uma indicação segura da direção do tempo, jamais retrocedendo… pelas mesmas razões que a entropia não poderia diminuir. – Há no entanto, problemas sutis nesse raciocínio, vistos em fins do século XIX pelo físico Ludwig Boltzmann… – Numa minuciosa análise termodinâmica, ele notou que – partindo de um dado instante no tempo…a entropia de um sistema deve aumentar…tanto em direção ao futuro, quanto em direção ao passado.

boltzmannEntretanto…de acordo com a “2ª lei termodinâmica”, com o aumento da entropia hoje, esta mesma entropia, no passadonecessitaria ser menor. Logo, o problema da ‘seta do tempo’  na física… implicaria considerações cósmicas sobre o ‘universo original’.

A necessidade de um tempo absoluto na Física                                                                “Mecanismos pelos quais o cérebro percebe a passagem do tempo evocam princípios da física enunciados nas teorias da relatividade, e quântica…Será o ‘tempo’ a linha que irá costurar…as ‘leis quânticas’…com as ‘leis da relatividade geral’ – em uma peça única?”. 

Um dos pilares da física moderna é a obra monumental de Isaac Newton (1642-1727). Em um mesmo modelo teórico…Newton concebeu um sistema mecânico que unificou a física dos corpos em movimento — de maçãs, caindo de árvores — a órbitas de planetas.    A metafísica de Newton adotava a visão de tempo e espaço absolutos. – Em relação    ao espaço defendia uma forma de espaço como ‘substância’, visão oposta à adotada por Leibniz, seu contemporâneo, que considerava o espaço como uma ‘relação de eventos’.  Dentro dessa concepção newtoniana de espaço absoluto, um movimento uniforme com velocidade constante exigiria o fluir (eterno) de um tempo absoluto… – como o próprio Newton afirmou em sua mais famosa obra principal…o“Principia mathematica”: 

“O tempo absoluto…verdadeiro e matemático, por si mesmo e por sua própria natureza…flui uniformemente, sem relação a qualquer causa externa… Todos os movimentos podem ser acelerados… ou reduzidos,          porém, o fluxo do ‘tempo absoluto’ não é sujeito a qualquer mudança”.

Desse modo, um único “agora” preencheria todo o espaço… – desde o local em que nos encontramos, até uma estrela distante na borda da galáxia… ou, nos confins do universo. E, mesmo despertando certas críticas, essa “cosmovisão” persistiu por mais de 200 anos.

Em meados do século XIX… James Clerk Maxwell (1831-1879) colocou, ao lado da mecânica de Newton, uma síntese do eletromagnetismo, igualmente unificadora,       que expressava…por meio de 4 elegantes equações, todo um conjunto de resultados empíricos relativos a fenômenos elétricos e magnéticos. Com base nas ‘equações de Maxwell’… e precisos experimentos realizados no final do século XIX – mostrou-se        que a velocidade de uma onda eletromagnética (e portanto, da luz) no vácuo…era a    mesma – em qualquer direção… – pouco mais de 1 bilhão de km/h. Tais resultados,      com efeito… conduziram a uma inconveniente contradição entre as 2 teorias físicas      mais bem-sucedidas até então… – Como consequência… – o início do século XX foi marcado por abalos, que dilaceraram os até então firmes alicerces da física clássica.

einsteinO tempo relativístico                                                        Em decorrência, conceitos temporais como                  duração e simultaneidade… – ou espaciais,                      como comprimento e distância, tornam-se                          relativos a um dado referencial inercial.

Personagem principal desse fecundo capítulo da história da ciência…Albert Einstein protagonizou a demolição da física newtoniana…Com suas ‘teorias da relatividade‘ (a especial -1905… e a geral -1916)…  propôs um modelo de Universo em que espaço e tempo não são absolutos nem independentes, mas se fundem num único espaçotempo quadridimensional… – no qual a ‘onda eletromagnética’ propaga-se com uma velocidade constante… a qualquer referencial inercial em que seja medida. (no vácuo=c)

Com as teorias de Einstein, a unidade e coerência da física foram preservadas e, de quebra, uma visão radicalmente nova do universo, tomou o lugar das concepções “absolutistas” de espaço e tempo. E, logo um pouco após o surgimento da teoria da relatividade, o professor de matemática de Einstein, Hermann Minkowski propôs uma formalização em que tempo e espaço passassem a fazer parte de uma única estrutura geométrica – formada pela fusão de 3 dimensões espaciais e 1 temporal… – Surge o ‘espaçotempo quadridimensional’.

Viajando no tempo – para princípios do século XX…  o notável matemático Kurt Gödel obteve solução para as equações do campo gravitacional, propostas por Einstein em sua teoria da relatividade geral. Sob certas condições para Gödel seria possível a existência   de ‘órbitas fechadas‘ ao longo do espaçotempo quadridimensional; isto é…um objeto, numa viagem ao longo dessa trajetória, voltaria no tempo. Tais resultados trazem então      à tona…o relevante papel do conceito de causalidade na ciência (um divisor de águas).

Embora mantenha suas peculiaridades – espaço e tempo…de acordo                                      com a relatividade, devem ser considerados em conjunto, oferecendo                                  um “arcabouço único” responsável pela descrição dos eventos físicos.

“Fenômeno físico” x “neurociências”                                                                        Nenhum fenômeno elementar é um ‘fenômeno’,                                                                        até que seja observado…ou ao menos registrado.”

Sob o prisma das…’neurociências‘… a assimetria entre eventos já gravados…e aqueles ainda a serem registrados em nossa memória… parece oferecer, mesmo sem maior rigor matemático, satisfatória distinção entre passado e futuro, e qual deles se daria primeiro.  Com base nessa premissa, o físico/escritor Paul Davies se viu inclinado a acreditar que      o fluxo do tempo é resultado de um processo subjetivo explicado pelas neurociências,    e não pela física. Nesse sentido pelo menos 2 interessantes conexões existiriam entre os objetos de estudo das 2 disciplinas. A 1ª delas é o ato da ‘observação‘, que transforma      as probabilidades descritas pela ‘função de onda’…num valor ou estado físico definido e único…vinculando assim – um observador consciente…ao fenômeno por ele observado.

A 2ª conexão…entre física e neurociências – é a semelhança matemática e conceitual existente entre a definição de ‘entropia proposta por Boltzmann, e a definição de informação, apresentada pelo matemático Claude Shannon em 1948. – A entropia         seria uma medida de nossa ignorância sobre determinado sistema, sendo a aquisição       de informação sobre o mesmo, equivalente a uma redução de sua entropia (entalpia).      Dessa analogia, o atrativo é que…’enquanto “entropia” é um clássico ingrediente de formulações termodinâmicas; “informação” é a matéria prima – por excelência, da atividade neural.’ (texto base) ## ‘Tempo termodinâmico retroage dentro de BNs’  *******************************************************************************

Lee Smolin e a ‘natureza do Tempo’                                                              “O tempo é fundamental, e a experiência que todos sentimos…de ser realidade no momento presente não é uma ilusão, mas a pista mais profunda que temos – de uma natureza fundamental da realidade”.

Muitos físicos argumentam, que o tempo é uma ilusão… mas, Lee Smolin desafia essa ortodoxia no seu novo livro ‘Time Reborn’E, se o tempo… for mesmo algo real?  Se você não é um físico teórico, a pergunta colocada por Smolin, pode soar como uma grande bobagem… — Dentro do mundo da física fundamental, porém, a noção de que   o tempo possa ser real é radical. Em uma conversa com o neurocientista… W. Meck,  da ‘Universidade de Duke’, o físico teórico Lee Smolin (‘Instituto Perimeter’/Canadá) defendeu a ideia, de que o tempo é real.

A ideia é que, ao vivenciamos o tempo como uma sensação que flui, marcamos uma linha divisória entre o passado imutável e o futuro ainda a ser escrito, acreditando que vivemos em um momento especial, chamado presente…sendo constantemente atualizado… Assim, de acordo com a sabedoria convencional; ou com aquele tipo peculiar de sabedoria pouco convencional da física quântica e cosmológica, o tempo não passa de uma representação ficcional“, da atuação em larga escala de algo mais fundamental. – Como resume Smolin:

“É comum na filosofia e ciência presumir que… as coisas mais profundas e verdadeiras sobre o mundo estão fora do tempo. A questão fundamental é:  o tempo é real…ou seria uma ilusão? – Experimentamos a vida como uma sequência de momentos… – mas, será que o mundo é realmente assim?…”

Smolin prefere continuar defendendo a realidade do tempo. Porém, para isso ele deve superar um grande obstáculo…as teorias da relatividade parecem implicar o oposto. Na visão clássica de Newton… a física funciona obedecendo ao “tique-taque” de um relógio universal invisível. Einstein, no entanto… descartou esse ‘relógio-mestre’ … quando em sua ‘teoria da relatividade especial’…argumentou não haver 2 eventos verdadeiramente ‘simultâneos‘… – a menos que entre eleshaja uma relação de causalidade‘.  Então, se a simultaneidade (a noção do ‘agora‘) – é relativa… – o “relógio universal” deve ser fictício…e o próprio tempo — uma aproximação ao movimento e mudança dos objetos no universo. E assim, conforme a ‘relatividade geral‘ de Einstein…o tempo,      subjetivo e ilusórioé apenas uma outra dimensão transversal no espaço.

A noção de um ‘tempo real e global’, entretanto, é a hipótese de partida para os novos trabalhos de Smolin. Ele espera superar um dos maiores problemas não resolvidos da física e da cosmologia – unir as leis da física quântica com as leis da relatividade geral. clock10

Relógio cósmico & “Realidade temporal”  “Se  fosse possível ‘lidar’ as leis da física, com a ajuda de um relógio fundamental, poderíamos verificar se estas leis… – variaram no passado.”

Smolin espera que esta sua nova visão do tempo ajude a desvendar … o que aconteceu no “cosmo primordial”. Até agora, é difícil distinguir as leis da natureza atuais… daquelas condições iniciais do universo…a serem formuladas – numa ainda discutível ‘gravidade quântica‘…Por outro lado, é fácil distinguir entre 2 testes laboratoriais… já que estes…podem ser repetidos…sob diferentes “condições iniciais“. – Os cosmólogos… todavia, jamais poderiam … “reinicializar” … o universo.

A ideia de que as leis da física possam evoluir com o tempo só faz sentido num quadro em que o tempo é fundamental. Para entender o porquê, imagine um jogo de futebol, no qual as regras são programadas para mudar a cada minuto. — Se o próprio relógio também for governado por essas regras flutuantes, os pobres jogadores e árbitros estariam presos em um “loop lógico” infinito… – Todavia, segundo Smolin … esses experimentos produziram  resultados que restringem algumas teorias quânticas da gravidadee, portanto… “mesmo não sendo capazes de responder se o tempo é ‘real’… limitam opções sobre sua natureza.”

Variação cosmológica…’Universos Bebês

A teoria da “Seleção Natural Cosmológica“, idealizada por Smolin, gira em torno do fato de que processos darwinianos se aplicam…mesmo à extrema macroescala do universo, bem como entidades não biológicas. Sendo o Cosmo, uma potencial unidade de replicação, estaria sujeito a pressões seletivas. – Assim, quase tudo o que se faz no universo, volta-se para sua replicação.

Como disse Smolin: “É um cenário que explica como as leis da natureza são escolhidas… Sendo minha teoria for correta… esses parâmetros – no nosso universo são voltados para maximizar o número de buracos negros feitos”.

Os buracos negros e suas ‘singularidades cosmológicas’ são centrais para a teoria de Smolin. Estas são regiões do espaço-tempo nas quais as quantidades utilizadas para        medir campos gravitacionais ou de temperatura tornam-se infinitas…e portanto – a “relatividade geral” (teoria clássica na qual existe uma singularidade dentro de cada buraco negro) deixa de ser útil…Mas, tanto a ‘teoria das cordas’ quanto a ‘gravidade quântica’ sugerem que as singularidades de BNs podem ser eliminadas … e, quando        isso acontece…pode-se descrever a evolução futura da região do espaço-tempo nele.

Seleção Cosmológica Natural

“Tudo o que cai em um buraco negro — não atinge a singularidade cosmológica… e para de evoluir (de modo que o tempo simplesmente chega ao fim) – na verdade, o tempo continua… e assim, tudo o que cai no buraco negro teria um futuro. Tal região é o que chamamos de um universo bebê.” (Lee Smolin)

‘Universos bebês’ são imunes a tudo o que acontece nos ‘universos pais’, incluindo          aí…inflação eterna, e sua morte térmica. – Seguindo a “teoria de Darwin”…Smolin             supõe que ‘universos bebês’ são um pouco diferentes dos seus ‘pais’. De modo que,            essa pequena “mutação cosmológica” nos parâmetros da natureza … pode resultar              em um novo universo, melhor ou pior em termos de capacidade de replicação. Por exemplo…se a constante cosmológica e a velocidade da luz forem um pouco alteradas, e/ou a lei da gravidade se tornar mais fraca ou forte, o novo universo      poderia se ver prejudicado em sua capacidade de gerar estrelas massivas Em tal universo, a matéria pode ser incapaz de fundir-se em estrelas…ou formar galáxias.

Portanto, dentro desse modelo, um “universo adequado” evoluiria de tal forma,                que a sua capacidade de produzir buracos negros fosse otimizada. E isso pode                  ser explicado por um universo rico de estrelas gigantes – onde cada uma é uma        tentativa de fazer um universo bebê. A ideia da variação cosmológica‘, todavia,                      é pura conjectura… “É uma hipótese”, admite Smolin…que também não sabe          quantos universos bebês cada buraco negro é capaz de produzir – mas suspeita                    que seja 1 p/ buraco negro; dependendo de uma “teoria quântica da gravidade”.

Vida humana: acidente?                                                                                                          Se o propósito do universo é criar o máximo de universos bebês possível, a vida            humana é apenas umacidente? Os seres humanos e todos os outros organismos                são um mero epifenômeno, um espetáculo à parte de um processo muito maior?”

“Se a hipótese da…”seleção natural cosmológica” for verdadeira, então a vida…e o universo amigável à ela, é uma consequência deste ser bem adequado à produção de…buracos negros… — produzindo para tanto, muitas estrelas massivas”… assim disse Smolin. — Outros cientistas, argumentam que as ‘leis naturais’ parecem orientadas para a “vida”. Alguns até sugerem que essa é a finalidade do universo… – “gerar organismos biológicos”.

Mas o problema então, é o risco de se cair nas “garras” do Princípio Antrópico – a noção de que qualquer análise do universoe do que acontece dentro dele, PRECISA levar em conta a presença de observadores (ou seja, “vida inteligente”). – Sob essa ótica, estamos sujeitos a um efeito de…”seleção observacional“…argumentam eles – o que significa que só podemos considerar um universo… – que seja plenamente…”amigável“…à vida.

Smolin por outro ladodeixa essas linhas de argumentação de lado, dizendo que os cosmólogos devem estudar e compreender as propriedades do universo de uma forma desconexa à vida. Segundo ele…o Princípio Antrópico é incapaz de fazer uma previsão falsificável para qualquer tipo de experimento testável (uma teoria só é científica — se existe a possibilidade de se conceberem testes que possam provar sua ‘falseabilidade’), enquanto, nesse ponto…a ‘seleção natural cosmológica‘ é plenamente capaz disso.

Além do mais, as leis do universo podem ser explicadas sem referência alguma a vida.    Não é uma coincidência que vivemos num mundo, que tem muito carbono e oxigênio.        Segundo Smolin – a presença destes elementos aparentemente adequados à vida… se justifica muito bem fora do paradigma biofílico, por criarem as condições necessárias        à eficiente formação de estrelas suficientemente grandes que formam buracos negros.

Críticas & Conclusões                                                                                                                       “Não devemos forçar teorias à nossa…’intuição‘… – mas                                                              sim…mudá-la, para melhor entendê-las”. (Carlo Rovelli) 

A teoria de Smolin parece extraordinária…mas não passou longe das críticas de outros cientistas. O cosmólogo Joe Silk, por exemplo, diz que o universo que observamos está longe de ser um produtor ideal de buracos negros. Ele especula que outras versões de universo, nesse sentido, poderiam ter um rendimento muito melhor. Da mesma forma, Alexander Vilenkin argumenta que a taxa de formação de ‘buracos negros’ poderia ser incrementada através do aumento do valor da…”constante cosmológica”… – Para ele… Smolin está errado em teorizar que os valores atuais de todas constantes da natureza‘,    são perfeitamente ajustados – apenas para maximizar a produção de “buracos negros”.

Ruediger Vaas indica que, o 1º erro de Smolin foi fazer analogias com processos darwinianos…A aptidão dos universos de Smolin – para Vaas… não é limitada pelo ambiente – mas sim…pelo nº de buracos negros. Além disso, embora os universos      de Smolin assumam diferentes taxas de replicação“, não existe competição entre      si; componente considerado crucial para qualquer tipo de processo darwiniano.

Por sua vez, Leonard Susskind, professor de física teórica da “Universidade de Stanford” (EUA) pensa que, para Smolin, constantes da natureza se definem pela sobrevivência do mais forte (o mais apto a se reproduzir)…isto é…as propriedades que levam à maior taxa de reprodução dominarão a população de universos, e assim, nesse caso a probabilidade esmagadora é vivermos em tal universo – mas essa lógica, levaria a conclusões ridículas. Considerando “inflação eterna”…a previsão seria de que nosso universo tem a constante cosmológica máxima possível, pois a taxa de reprodução é justamente a taxa de inflação.

Smolin reconhece todas objeções, e diz que muitas dessas preocupações foram abordadas em seu livro, “A Vida do Cosmos” (editora UNISINOS)… e que seu próximo livro – “Time Reborn”, vai também enfrentar muitas dessas questões“Minha impressão, é que minha ideia ainda não foi refutada, embora várias pessoas tenham tentado… – Isso não significa que seja verdadeira, mas sim que continua resistindo às inúmeras tentativas de falseá-la”.

Time RebornDe acordo com Smolin, a parte mais importante da sua reivindicação, é que é um argumento científico.    A ideia em si não é o principal… Ela incorpora uma ‘reivindicação geral’ … de que… para explicarmos o universoteremos que mostrar por que utilizamos certas leis da naturezae outras não…A alegação é que esta questão pode de fato…ser cientificamente respondida – o que nos leva a fazer previsões, para concluir se as leis da natureza não são fixas, mas evoluem. Segundo Smolin…“Esse é o ponto chave”.

Embora em boa parte de sua carreira tenha explorado as propriedades atemporais do Universo, Smolin se convenceu que o tempo é mais realdo que o próprio espaço. Para o físico evolucionista, esta noção realista do tempo, pode…”abrir as portas”…das “leis naturais”.

A sua explicação para isso é que…“Se as leis estão…fora do tempo – ou seja… Se uma lei simplesmente é… então elas são inexplicáveis. – Se quisermos entender direito, então a lei deve evoluir…se transformar – e para isso… deve estar sujeita ao tempo. A lei surge do tempo e a ele está sujeita, e não o contrário”. Nesse ponto particularSmolin admite objeções a essa ideia; recorrendo no caso, ao que ele denomina… dilema da metalei“: 

“Se as leis da física estão sujeitos ao tempo, e evoluem com ele, então deve                        haver alguma lei maior que oriente a sua evolução. Mas então…não teria                          essa lei de estar além do tempo… – para definir suas variações inclusas?”

Smolin admitiu ser este hoje, um ponto de atrito…mas, não de impossíveis soluções.    Além de acreditar numa possível solução para o ‘dilema metalei’… pensa também        que o próprio rumo da cosmologia do século 21, dependerá de uma correta resposta      para essa fundamental questão. – Ele e Warren Meck (Duke University) analisaram            as consequências do que isso significaria para a nossa compreensão da “consciência humana” e do “livre arbítrio”. – Para Smolin, uma implicação da ideia do tempo ser      uma “ilusão”…é a noção do futuro ser tão decidível quanto o passado. E, ele explica:

“Se você acha que o futuro…já está escrito… – então as coisas mais valiosas sobre o Ser humano…juntamente com o tempo, são ilusões. Mas ainda aspiramos a fazer ‘escolhas’ na vida…que é uma parte valiosa da nossa humanidade. Entretanto, se a ‘imagem real metafísica’ é que somente existem átomos se movendo no vazioentão, nada é novo ou surpreendente, apenas um rearranjo de átomos… E o que há… é ‘só’ uma irresponsável perda da dignidade humana”. texto base 1 (2011) texto base 2 (2013) texto base 3 (2013)  p/consulta… ‘ O futuro pode influenciar o presente’ (ago/2011) ‘O futuro pode afetar o passado?’ (ago/2012) “Causalidade quântica” (out/2012) ‘Em que direção está o futuro?’  (mar/2013) ‘No mundo quântico – o futuro… efetivamente… afeta o passado’ (fev/2015)    *******************************(texto complementar)*******************************

Relógio atômico conecta diretamente…o tempo à matéria                                          Quando perguntaram a Einstein o que era o tempo, ele respondeu: “Tempo é aquilo que os relógios marcam, nada mais.”  – Uma resposta animadora, porque traz a esperança de saída desse beco – através de uma nova questão imediata: “E o que é um relógio?…”

Ao longo da história…os homens têm medido o tempo, contando ‘oscilações de fenômenos’ que apresentam movimentos regulares como o Sol, um pêndulo, o tiquetaque dos relógios mecânicos, e vibrações em cristal de quartzo. Recentemente… – na procura por oscilações cada vez mais rápidas…e um tempo definido com precisão cada vez maior … – as luzes se voltaram para oscilações dentro dos átomos, em ‘relógios atômicos‘, que hoje definem    o que é o tempo. — Com efeito… no Sistema Internacional de Unidades (SI), 1 segundo é definido como a duração de… 9.192.631.770 períodos da radiação – relativa à…transição entre 2 níveis do átomo de césio 133 em seu estado fundamental. Todavia, Shau-Yu Lan,    e colegas da UCLA, Berkeley, EUA; acabam de nos revelar uma outra ‘imagem’ do tempo.

O tempo acaba de ser definido a partir da matéria propriamente dita;                                sem nem mesmo ser necessário… – converter… ‘massa em energia‘.

Tempo & matéria…interligados                                                                                              Dessa mistura de massa, relatividade e mecânica quântica foi                                          derivada uma medição do tempo tão precisa – que poderá até                                            ajudar na reconstrução da própria definição oficial de ‘tempo’.                                           

A equipe de Lan construiu um novo tipo de relógio cujos tique-taques não dependem da frequência de transição de um átomo, mas da massa do próprio átomo de césio… Assim, o grupo demonstrou que massa e tempo estão diretamente relacionados… – e que um “relógio atômico de massa” pode ser ainda mais preciso que os tradicionais relógios atômicos oscilatórios – se tornando assim – o relógio mais fundamental…jamais criado.

Eles fizeram isto usando um ‘pente de frequências‘ — dispositivo que emite uma série contínua de pulsos de luz  —  e…um interferômetro onda/matéria – para medir uma determinada propriedade do átomo de césio, conhecida como frequência de Compton.    Tal frequência, também conhecida como ‘comprimento de onda de Compton’ faz uma associação entre energia de um fóton, e a massa de uma partícula, estabelecendo uma limitação fundamental na medição de uma partícula… quando se leva em conta, tanto mecânica quântica, quanto relatividade especial. A frequência Compton é 100 bilhões      de vezes mais rápida que a da luz visível…o que torna sua medição um grande desafio.

tempo-e-peso

Mesclando mecânica quântica e relatividade, físicos demonstraram que a massa pode ser usada para medir o tempo e vice-versa. [Pei-Chen Kuan]

Os cientistas valeram-se então do ‘paradoxo dos gêmeos’… – derivado da relatividade de Einstein… que afirma que o gêmeo viajando em uma nave espacial muito rápida … — irá envelhecer menos que seu irmão…que ficou na Terra. A equipe usou um ‘interferômetro’ para dividir em 2 partes, a ‘onda de matéria’ do átomo de Césio, com uma “estacionária”, enquanto a outra se movia… — para depois, recombiná-las novamente. — Isso permitiu medir a diferença entre elas… algo na faixa dos 100 KHz…Como esse valor é função da massa do átomo, na prática funciona como    o tique-taque do relógio (tempo decorrido).

Redefinição de quilograma

Mas o experimento traz implicações adicionais. A unificação entre tempo e massa significa que o novo relógio também pode funcionar como balança – medindo a massa com base na frequência de Compton – com uma precisão de 4 x 10e-9. – Em teoria, isso significa que o quilograma (massa) poderá ser vinculado ao segundo (tempo) usando-se para isso os bem definidos valores da constante de Planck e velocidade da luz. E isto…para um único átomo.

“Ficou então estabilizado um relógio…para a massa em repouso de uma partícula, evidenciando a íntima conexão entre massa e frequência. Dessa forma, partículas massivas podem servir como referência de frequência – sem exigir que sua massa            se converta em energia – como ‘ilustração explícita’ de um princípio fundamental            da mecânica quântica”… — disseram os pesquisadores. # ‘texto base’ # (jan/2013)  *****************************************************************************      Desde Platão, na antiguidade, pensava-se o tempo como universal…linear, absoluto            e imutável, mas com a revolução científica capitaneada pela ‘Teoria da Relatividade’          de Einstein, hoje sabemos que o tempo varia ciclicamente, conforme ao observador.        Ademais, para um dos mais respeitados cientistas russos: Nikolai Kozyrev, o tempo          não é apenas a sequência de causas e efeitos, mas sim, a forma única e universal de energia que transporta seus eventos através de um canal de comunicação: o “calor”.            Essa energia quantificável pode então ser medida…como o fluxo de água num tubo,          ou o fluxo de elétrons num condutor, ou ainda o ‘fluxo magnético’ no núcleo de um transformador. Segundo Kozyrev toda forma de vida seria formada de um invisível            “modo espiralado” de energia girando no sentido horário… Ele teorizou que coisas,          como o crescimento espiral da concha do caracol – ou o lado do corpo humano em            que se coloca o coração, são determinadas pela direção desse fluxo. – Essa “espiral logarítmica” do tempo … é uma geometria espiral perfeita. (tempo termodinâmico)  *****************************************************************************

dimensão temporal.jpgNo princípio era o tempo (jan/2015)

Em 2015 – os físicos estão comemorando o centenário da… “Relatividade Geral“, de Albert Einstein – que … entre outras coisas, aposentou a ideia do tempo e espaço, como entidades absolutas, dando lugar ao espaço-tempo, uma ‘entidade elástica’ que se curva sob ação da ‘massa/energia’ – dando origem à gravidade. Porém, mesmo com o sucesso extraordinário da teoria em sua capacidade de explicar e fazer previsões… – a verdade é que nenhuma teoria explica tudo…como, por exemplo, o surgimento do próprio espaço-tempo. – Assim é que, após 100 anos, já são vários os questionamentos sobre o assunto.

O físico Lee Smolin, por exemplo, há algum tempo defende que o tempo é uma entidade fundamental da natureza, enquanto a física portuguesa Marina Cortês, por sua vez, vem defendendo uma alternativa ao Big Bang, baseada na teoria dos multiversos. Quando os      2 resolveram trabalhar em conjunto, no “Perimeter Institute”, Canadá… era de se supor que o resultado seria marcante. E, com efeito, as ideias da dupla acabam de receber o “Prêmio Buchalter”, como estímulo a “trabalhos inovadores teóricos, observacionais ou experimentais em cosmologia, que desafiem, estendam ou iluminem os modelos atuais, e/ou ajudem a explicar a expansão cósmica acelerada a partir dos princípios básicos”.

Conjuntos causais energéticos”                                                                                                A dupla desenvolve sua teoria analiticamente – ilustrando-a por meio de simulações numéricas de um modelo simplificado de universo onde o espaço só tem 1 dimensão.

No artigo que lhes deu o 1º lugar…”O Universo como um Processo de Eventos Únicos”,        é proposto um novo quadro para a Cosmologia, então chamado de “Conjuntos Causais Energéticos”, partindo da hipótese de que o tempo é fundamental e irreversível – uma afirmação ousada, uma vez que a maioria dos físicos, na esteira de Einstein, entende o tempo como uma propriedade que “emerge” a partir de leis físicas mais fundamentais.  Segundo eles, a causalidade – também chamada ‘seta do tempo‘ – resulta diretamente dessa irreversibilidade; o futuro é criado continuamente a partir do presente por meio          da atividade do tempo – da mesma forma … energia e momento são propriedades fundamentais… –  o espaço-tempo… e as partículas que se deslocam no seu interior, emergem através da atividade do tempo … mais uma vez, em oposição direta ao ponto        de vista predominante entre os físicos… Nesse novo quadro … cada evento tem uma ‘impressão digital‘ única – a soma das assinaturas dos eventos… que o precederam.      Tais fundamentos resultam então…em um universo tão “assimétrico” quanto possível.

Em dois artigos subsequentes … a dupla elabora melhor as proposições apresentadas, desenvolvendo uma versão quântica da sua teoria dos Conjuntos Causais Energéticos,          a vinculando numa proposta já existente para unir mecânica quântica e espaçotempo,        a Gravidade Quântica em Circuito Fechado  (Loop Quantum Gravity)O novo quadro teórico traz implicações diretas à física fundamental, onde a primazia do tempo e sua irreversibilidade, devem ser incorporados à física contemporânea – a fim de permitir progressos em questões fundamentais que se mantêm não resolvidas… incluindo, em última instância…a unificação da mecânica quântica com a ‘relatividade’. (texto base*******************************************************************************

Relógios primordiais podem mostrar como Universo começou – (fev/2016)          A abordagem mais promissora tem sido a de procurar ondas gravitacionais geradas durante o Universo primordial que poderiam ter afetado a radiação cósmica de fundo, explicando assim as microvariações…além de criar um fundo de ondas gravitacionais”. 

relogios-quanticos-universo

Partículas oscilantes surgidas logo após o Big Bang podem servir como relógios que permitirão remontar a história do Universo. [Yi Wang/Xingang Chen]

Como o universo começou?… E o que havia antes do Big Bang?…Astrônomos e astrofísicos já tinham essas perguntas na ‘ponta da língua‘… – muito antes da descoberta da ‘expansão do universo‘… Porém, as respostas não têm sido fáceis de encontrar… Não contando as teorias que descartam, no todo, a ideia do “Big Bang”, o cenário teórico mais aceito do início cósmico é a ‘inflação‘…que prevê  a expansão exponencial ao universo na 1ª fração de segundo após o “Big Bang”.

No entanto, várias alternativas têm sido sugeridas, entre elas, algumas prevendo um Big Crunch (“Grande Colapso”), anterior ao Big Bang, em    um “Universo elástico”que se contrai… e se expande… continuamente.

A dificuldade é encontrar medidas que possam indicar quais desses cenários encontram mais respaldo nas observações astronômicas… A fonte de informações preferida sobre o início do Universo é a radiação cósmica de fundo (CMB)… o brilho remanescente do Big Bang que permeia todo o espaço. Esse brilho parecia ser homogêneo e uniforme nas 1ªs  observações, mas após uma inspeção mais cuidadosa se viu que, não apenas variava em sua extensão… como também mostrava um ‘supervazio’ no Universo, ainda inexplicado.

“Dimensão temporal”                                                                                                                  É como tentar colocar em ordem os quadros de um filme, sem levar em                                conta sua sequência temporal… e ainda querer que o filme faça sentido”.

Ainda que estudos experimentais e teóricos tenham identificado variações espaciais na radiação cósmica de fundo, eles não têm o elemento-chave (tempo)…Sem um relógio para medir a passagem do tempo … não é possível saber qual estrutura surgiu primeiro … – e a história evolutiva do Universo primordial não pode ser determinada de ‘forma inequívoca’. Então, nesse sentido, uma ‘abordagem alternativa’ está sendo proposta por Xingang Chen, e Mohammad Hossein Namjoo do Centro Harvard-Smithsoniano, e Yi Wang (‘Hong Kong University’). Os 3 pesquisadores defendem que tais relógios existempodendo ser usados para medir a ‘passagem do tempo’, no momento do nascimento do Universo…e como seus acontecimentos se estamparam no quadro atual da “radiação cósmica de fundo”. Isso se explica, considerando as variações na ‘radiação cósmica de fundo’ – como provenientes de “flutuações quânticas“…presentes no nascimento do Universo – esticadas – conforme o Universo se expande. Assim, os “relógios primordiais” assumiriam a forma de partículas pesadas, previstas em “teorias de tudo“…unificando a ‘quântica’, com ‘relatividade geral’.

Partículas subatômicas pesadas se comportam como um ‘pêndulo‘…oscilando para trás e para frente de forma universal e padronizada. Elas podem até mesmo se sacudir quantum-mecanicamente, sem precisarem ser inicialmente empurradas. Essas oscilações quânticas funcionariam como tique-taques de um relógio… sincronizando aquela pilha de quadros… na analogia com a…”sequência temporal”…de um filme… – como assim explicou Yi Wang:

“Os ‘tique-taques’ desses…”relógios-padrão primordiais” – criariam sacudidelas – correspondentes às medições da ‘radiação cósmica de fundo’… cujo padrão é único para cada cenárioOs dados atuais          não têm suficiente ‘precisão’ para detectar essas ‘ínfimas variações’,        mas testes em andamento podem  melhorar muito…o quadro atual;      sendo tais oscilações — fortes ‘o suficiente’ — para uma detecção”.

Elementos para sustentar a nova teoria podem vir também, de outras linhas investigativas, como mapas da estrutura em larga escala do Universo, incluindo as galáxias e o hidrogênio cósmico. – E uma vez que os relógios-padrão primordiais fariam parte da “teoria de tudo“, encontrá-los também forneceria indícios para uma física além do Modelo Padrão, em uma “escala de energia”…inacessível para os atuais… “aceleradores de partículas”. (‘texto base’************************************************************************************

O que poderia ter acontecido antes do Big Bang? (mar/2019)                                        Uma equipe de cientistas propôs um novo e criterioso teste para a inflação – a teoria de que o universo se expandiu dramaticamente em uma fração de segundo logo após o Big Bang. O objetivo é fornecer uma visão consistente de como era o universo antes do ‘BB’.

beforebigbang

Uma representação artística mostrando padrões gerados por sinais do modelo primordial em diferentes teorias

Embora a inflação cósmica seja bem conhecida ao resolver alguns mistérios relevantes sobre estrutura/evolução do universo, outras diversas teorias também podem explicar esses mistérios. Em algumas dessas teorias, o estado do universo anterior ao Big Bang,      ao invés da expansão, estava se contraindo, e o Big Bang fazia parte de um Big Bounce.

Para ajudar a decidir entre a inflação e essas outras ideias – surgiu inevitavelmente a questão da falsificabilidade…isto é, se uma teoria        pode ser testada – para demonstrar definitivamente que ela é falsa.

Alguns pesquisadores – incluindo Avi Loeb – do Centro de Astrofísica da Harvard & Smithsonian (CfA), em Cambridge…Massachusetts, levantaram preocupações sobre            a inflação; sugerindo que sua adaptabilidade… aparentemente irrestrita… torna praticamente impossível testá-la adequadamente. – Sobre isso…Loeb assim explica:

“A falsificação deve ser uma característica de qualquer teoria científica. O conceito        atual da… “inflação”… é que é uma ideia tão flexível … que não pode ser falsificada experimentalmente. – Não importa o valor medido por algum atributo observável,              a verdade é que… sempre existem modelos de inflação que podem explicar isso”.

Mas agora, uma equipe de cientistas liderados por Xingang Chen, da CfA, juntamente com Loeb e Zhong-Zhi Xianyu, do Departamento de Física da “Harvard University” aplicaram uma ideia chamada por eles de relógio primordial padrão, à teorias não inflacionárias de modo à estabelecer um ‘método experimental’…que pode ser usado para…’falsificar‘…a inflação. Nesse esforço para encontrar alguma característica que possa destacar a inflação, de outras teoriasa equipe começou identificando uma propriedade definidora das várias teorias, ou seja, a evolução do tamanho do…’universo primordial’… – E Xianyu comentou:

“Segundo a teoria inflacionário, o tamanho do universo primordial cresce de um modo exponencial. — Entretanto, noutras teorias este tamanho se contrai…Algumas o fazem lentamente, outras com rapidez. Atributos propostos na medição, até agora … tinham dificuldade em distinguir teoriaspor não se relacionarem diretamente à evolução métrica do universo primordial… — Nosso objetivo então, era descobrir que atributos observáveis ​​poderiam ser – diretamente vinculados – a essa…propriedade padrão”.

Os sinais gerados pelo relógio padrão primordial podem servir a esse propósito. Tal relógio é qualquer tipo de partícula elementar pesada no universo primordial. Essas partículas devem existir em quaisquer dessas teorias e suas posições devem oscilar… de forma a manter alguma regular frequência… – assim como o “tique-taque” de um relógio pendular. Com efeito – o universo primordial não era inteiramente uniforme – exibindo pequenas irregularidades na densidade em micro-escalas, que se tornaram as sementes da estrutura em larga escala observada no universo atual. Essa é a principal base de informações que os físicos confiam para aprender sobre o que aconteceu antes do “Big Bang”. Tique-taques do relógio padrão geraram sinais impressos na estrutura dessas irregularidades…Relógios padrão – conforme diferentes teorias do universo primordial, preveem diferentes padrões de sinais, porque…na verdade…essas histórias evolutivas do universo são todas diferentes.

Segundo Chen: “Todas informações que aprendemos até agora sobre o que aconteceu antes do Big Bang, se imaginarmos, estão em um rolo de quadros de filme – o relógio padrão então nos diz como esses quadros devem ser reproduzidos… — Sem nenhuma informação do relógio, não sabemos se o filme deve ser reproduzido para frente … ou        para trás, rápido ou devagar, assim como não temos certeza se o universo primordial estava inflando ou contraindo, e com que rapidez o fez…Esse é o problema. O relógio padrão – contudo é capaz de identificar – em cada um desses quadros – quando a película é filmada antes do “Big Bang” e ainda nos dizer como reproduzir o filme”.

A equipe calculou como esses sinais de “relógio padrão” deveriam parecer em teorias não inflacionárias, e sugeriu como eles deveriam ser pesquisados ​​em observações astrofísicas, como disse Xianyu — “Se um padrão de sinais, representando um universo em contração, fosse encontrado, isso falsificaria toda teoria inflacionária”. E como o sucesso dessa ideia depende de observações experimentais concluiu Chen: “Tais sinais serão tão sensíveis, que talvez tenhamos que procurá-los de várias formas em muitos lugares diferentes. A ‘radiação cósmica de fundo em microondas’ é um desses locais, e a ‘distribuição galática’, outro. Já iniciamos a procura desses sinais, mas precisamos de mais dados”. (texto base)  ***********************************************************************************

NASA inicia atividades do “relógio atômico do espaço profundo” (26/ago/2019)

relógioatômicoespaçoprofundo

O “Deep Space Atomic Clock” da NASA, a primeira tecnologia semelhante a GPS para o espaço profundo, iniciou sua missão espacial de um ano nesta sexta-feira. Se a tecnologia for bem-sucedida, relógios atômicos semelhantes serão usados ​​para a navegação automática das próprias espaçonaves. Crédito: General Atomics Electromagnetic Systems

Um relógio atômico que poderia abrir caminho para viagens espaciais autônomas acaba de ser ativado com sucesso na semana passada, e está pronto para começar sua demonstração tecnológica de um ano, confirmou a equipe da missão. Lançado em junho, o Relógio “Deep Space” da ‘NASA’ é um passo fundamental para permitir uma segura “navegação espacial”, zerando o ‘tempo de espera‘ do lento processo de receber o retorno de instruções da Terra.

Desenvolvido no ‘Laboratório de Propulsão a Jato’ da NASA em Pasadena, Califórnia, o cronômetro portátil é o primeiro marcador estável o suficiente para mapear a trajetória      no espaço profundo – em pleno voo a bordo da espaçonave. – Sua estabilidade permite operações mais afastadas da Terra, com a precisão necessáriaao eliminar os períodos mais longos de resposta, similar ao de satélites artificiais terrestres. ‘Relógios atômicos’, como estes dos ‘satélites GPS’ medem a distância entre objetos, cronometrando quanto tempo leva um sinal para ir do ponto A ao ponto B…Entretanto, na exploração espacial    relógios atômicos devem ser extremamente precisos; o erro de 1 s, significa a diferença entre pousar num planeta como Marte … ou perdê-lo por centenas de milhares de kms.

Programado numa estabilidade superior em mais de 50 vezes a dos relógios atômicos nos “satélites GPS” – o “Deep Atomic Space Clock”      perde 1 s a cada 10 milhões de anos, como comprovado em testes na          Terra. – Essa incrível precisão, agora poderá ser testada no espaço.

Atualmente… a navegação espacial na Terra usa relógios atômicos do tamanho de um refrigerador para identificar a localização de uma espaçonave. Essa operação, quando    um sinal é enviado da Terra à espaçonave, antes de retornar à Terra…quando é usado      para criar instruções que são enviadas de volta à espaçonave – pode custar, de alguns minutos…a horas. – Um relógio a bordo… permitiria que a espaçonave calculasse sua própria trajetória – em vez de esperar que os navegadores da Terra…enviassem essas informações. Esse avanço liberaria missões para viajar mais longe…e, eventualmente, transportar humanos em segurança para outros planetas…E ainda sobre esse mesmo assunto, Todd Ely, pesquisador chefe do projeto “Deep Space Clock” no JPL explicou:

“O objetivo atual do experimento é aplicar o “Deep Space Clock” no            contexto de uma espaçonave em operação… sintonizado com todas    nuances que afetam a estabilidade … e precisão de um cronômetro,            para assim, conferir seu funcionamento ao nível esperado; ordens              de magnitude acima… da estabilidade dos relógios convencionais”.

Nos próximos meses será medida a eficiência do relógio em intervalos de nano-segundos. Os resultados inauguram a “contagem regressiva”, para o dia em que a tecnologia poderá ajudar os astronautas … a navegar com segurança … para outros mundos. (texto original***********************************************************************************

Dentro do Universo tem um relógio quântico fundamental (jul/2020)                    A proposta pode parecer estranha e difícil de entender – mas foi assim também                      quando a mecânica quântica surgiu… há quase 100 anos – quase todo o mundo                  continua sem compreender muito bem a ‘mecânica quântica’. – No entanto, ela                  funciona às mil maravilhas, como nossa ‘era tecnológica’ pode bem demonstrar.download

A ideia de um trio de físicos da “Universidade do Estado da Pensilvânia”…EUA,                      é que…se tudo no reino quântico é discreto…composto de minúsculas unidades                  individuais (quanta), então seria possível entender o tempo da mesma forma.

Pela proposta, o tempo não seria algo contínuo, fluindo suavemente do passado                para o futuro; em vez disso, se o olharmos “de perto” o suficienteveremos que                    é formado por unidades individuais – “quanta de tempo” – minúsculos tique-                    taques de um relógio que faz parte da própria estrutura do Universo, mantendo continuamente tudo funcionando em harmonia. A ideia…defendida por Garrett                  Wendel, Luis Martínez e Martin Bojowald já tem inclusive calculado…quanto                  dura esse…”átomo de tempo” 10-33 segundo (maior que o “tempo de Planck”).

O relógio fundamental permearia o Universo, algo como o campo de Higgs                          da física de partículas…que dá massa às partículas. – De modo semelhante                          poderia interagir com a matéria, inclusive, modificando fenômenos físicos.

Relógio universal fundamental                                                                                              Eles ainda não entendem – e nem tentam explicara natureza do tempo; e o que dá          corda nesse intrínseco relógio cósmico ainda parece mais misterioso, mas acreditam        que pensar nesse relógio fundamental pode ajudar a resolver o…”enigma do tempo”.

enigma do tempoEmbora 10-33 segundo seja uma fração de tempo extremamente fora do alcance dos mais precisos… “relógios atômicos” – eles pensam que estas ‘maravilhas de precisão’ possam colaborar no teste da ideia de um tempopulsando naturalmente“, na estrutura do Universo. Nesse modelo, são consideram 2 osciladores agindo como pêndulos quânticos…oscilando em taxas diferentes. — O mais rápido, representa o “relógio universal fundamental”, e o mais lento – um sistema mensurável…de teste, como o “átomo” de um “relógio atômico”.

Quando os 2 osciladores são postos para interagir…a natureza dessa relação é diferente do que acontece com os ‘osciladores clássicos’…que são acoplados por uma força comum. Em vez disso – este novo acoplamento é imposto pela necessidade de que a“energia líquida” deles permaneça constante no tempo, condição diretamente advinda da relatividade geral.  Cálculos indicam que a interação induz uma lenta perda de sincronia entre os osciladores.

Comprovando a teoria por“dessincronização” 

Esta dessincronização significa que torna-se impossível para qualquer relógio físico manter indefinidamente tiquetaques de um período constante, impondo assim, um          limite fundamental à precisão de qualquer relógio. Como resultado…os tiquetaques          de 2 relógios atômicos idênticos – por exemplonunca irão coincidir com exatidão          total, se puderem ser observados com a precisão suficiente. E é aqui que entra o tal        limite de 10-33 segundo – a precisão absoluta…na qual o tempo seria desmascarado, revelando sua verdadeira personalidade o fato dele, como tudo o mais no reino quântico, não ser contínuo mas discretofeito de unidades mínimas irredutíveis.

Contudo, vai demorar para testar a teoria, pois 10-33 é um intervalo pelo menos 1015 vezes menor do que o que pode ser medido pelo mais preciso “relógio atômico” – e mesmo 1010 vezes menor do que o tempo de Planck – atual proposta para menor unidade mensurável de tempo…Mas não é para desistir… Ocorre que medir a diferença de sincronização entre dois osciladores, é algo que não exige que se chegue ao limite da unidade fundamental do tempo, podendo ser feito em tiquetaques muito maiores. Com efeito, tal possibilidade de aferição traz o tempo — pela primeira vez — para a bancada de laboratório — permitindo discuti-lo em termos experimentais, e não mais apenas filosóficos. (texto base) ‘consulta’

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em cosmologia, física, filosofia e marcado , , . Guardar link permanente.

2 respostas para “Seleção Cosmológica Natural” (Tempo & Realidade)

  1. JMFC disse:

    Particularmente interessante a nova e mais rigorosa proposta para a “medição” do tempo e até da massa. Desconhecia.
    Continuamos na mesma, ainda não se encontrou uma resposta definitiva para a sua existência, embora as leis termodinâmicas o sugiram, e a relatividade geral de Einstein diga que é relativo…
    Muito linda e emblemática esta sua proposta musical para o “tempo”…

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