Provando a Receita da “Sopa Cósmica Primordial”

“No início do universo…quando a temperatura equivalia a 100 mil vezes a do núcleo solar  —  os quarks tinham energia suficiente para se mover em liberdade, em relação aos glúons” (‘Fronteiras do Universo’ – P. Halpern)

Jun Takahashi (FAPESP)

Jun Takahashi (FAPESP)

O professor Jun Takahashi chegou ao “Instituto de Física  Gleb Wataghin”, da UNICAMP, em 2005, aceitando convite para trabalhar em ‘física de partículas’ no Departamento de Raios Cósmicos, assim como, participar de mais um projeto internacional em sua carreira: o ‘Observatório Pierre Auger’, na Argentina. Takahashi porém traçou um objetivo paralelo; formar na Universidade um grupo de pesquisa em “física de altas energias” – focado em… ‘QGP‘… sigla, em inglês, para plasma de quarks e glúonsestado da matéria também conhecido por ‘sopa primordial‘, pois esse plasma é feito de “partículas fundamentais” – superdensas e ultraquentes,  chocando-se livres, entre si… durante a origem do universo.  Conhecer como aconteceu essa “transição de fase”…de uma ‘sopa primordial‘ de quark/glúons para matéria de prótons      e neutrons, aglomerados em núcleos… é de suma importância ao conhecimento científico. 

Essa sopa escaldante, a temperaturas na ordem de bilhões de graus centígrados, teria sido a forma inicial da matéria…existente nos primeiros 10 microssegundos que sucederam ao “Big Bang“… há 13,8 bilhões de anos atrás. – Passado este ‘instante infinitesimal’…a sopa começou a esfriar tão rapidamente quanto se expandia… aprisionando os quarks e glúons, permanentemente, dentro de prótons e neutrons – num conjunto denominado hádrons. Formavam-se assim as ‘partículas fundamentais’, que interagindo entre si, resultaram em toda matéria agora presente no universo… – E, Takahashi complementa…explicando que:

“Na física de partículas, geralmente se promove a colisão entre prótons; que são partículas elementares. – Mas, há uma área chamada ‘física de íons pesados relativísticos’, onde núcleos pesados… – como de ouro…ou chumbo, são colididos, a fim de criar um sistema energético elevado ao extremo, em condições semelhantes às presentes logo após o Big Bang”. 

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Estas colisões altamente energéticas, são provocadas por enormes aceleradores de partículas…assim como o RHIC (‘Colisor Relativístico de Íons Pesados’) — situado  no “Laboratório de Brookhaven”…/EUA.  Com 2 anéis interconectados, em 3,8 km de circunferência o acelerador produz feixes de ‘núcleos pesados’… guiados em sentidos opostos … conduzidos por duas fileiras de 870 ímãs supercondutores…à  temperaturas próximas de zero absoluto… Há 6 pontos onde os anéis se cruzam, e feixes de núcleos se chocam…praticamente à velocidade da luz, gerando rajadas muito quentes    e densas de matéria e energia – como “mini-bangs”…diz Takahashi, lembrando evento recente, de grande repercussão no meio científico…

“Foi no RHIC que pensamos ter reproduzido o plasma de quarks e glúons,  a partir da colisão de átomos de ouro…Os hádrons (prótons e neutrons), simplesmente derreteram…transformando-se então na ‘sopa primordial’.

O professor da Unicamp acrescenta que…nos pontos de colisão, foram realizados 4 experimentos por meio de sofisticados detetores… — que registravam os destroços subatômicos. Batizados de Brahms, Phobos, Phoenix e Star… cada experimento foi projetado, construído e operado por equipes internacionais independentes…Todos experimentos já foram encerrados…mas Takahashi ainda participa do ‘STAR’ (que        havia possibilitado seu doutorado na USP … baseado na construção de um detetor,      utilizando uma nova tecnologia de silício).

Experimento Star – experimento de milhões de dólares, que reúne 550 colaboradores de 12 países, representando cerca de 50 instituições.

Experimento Star – experimento de milhões de dólares, que reúne 550 colaboradores de 12 países, representando cerca de 50 instituições.

Takahashi observa que, na área da ‘física de partículas’…trabalha-se sempre com muitos parceiros de várias partes do mundo, o que sempre exige uma forma rápida e barata na troca de ideias e informações. Foi pensando nisso aliás, que cientistas do CERN criaram  a World Wide Web, ou internet. E explica:

“Embora nosso objetivo seja entender as leis fundamentais da natureza, muita tecnologia é gerada em tais experimentos. Pode ser que não haja aplicações imediatas – mas…com a demanda … criamos a tecnologia necessária, que muitas vezes…se torna útil à sociedade”.

Takahashi antecipa que o mesmo Laboratório CERN está preparando – o que seria uma 2ª etapa da internet, uma rede denominada Grid, conectando computadores do mundo inteiro. – A inspiração veio de outra demanda dos experimentos… como ele exemplifica:

“No meu computador pessoal… analisar todos os dados                                gerados no experimento Alice demoraria anos…Mesmo                                    mil máquinas empregadas, ainda seriam insuficientes”. 

Ele lembra que na sua própria tese de doutorado, envolvendo um novo detector de silício para o acelerador Rhic, recorreu a uma tecnologia semelhante à das câmeras digitais… A mesma tecnologia que está sendo adaptada para radiografia, já que o detetor é bem mais sensível que o filme de raio-X… evitando assim, uma dose maior de radiação ao paciente.  Também em laboratórios da Alemanha, Japão e EUA… “aceleradores de prótons”…estão sendo construídos…a fim de depositar o feixe diretamente nos tumores…afetando assim, uma região bem menor do paciente. E, este “tiro no tumor pode ser ainda mais certeiro, caso o feixe de antiprótons, em testes no CERN, seja liberado para este tipo de aplicação.

A próxima fronteira, para o professor do IFGW/Unicamp…está no experimento “Alice“,    a ser realizado no LHC (“Large Hadron Collider”) – o novo e descomunal acelerador de partículas do Laboratório CERN…que deve entrar em operação no próximo ano… – Seu anel tem circunferência de 27 km…a 100 metros abaixo do solo. – E, Takahashi conclui:

“Vamos dar continuidade aos estudos do plasma de quarks e glúons, mas agora, em regime de energia cerca de 30 vezes maior…produzindo raras partículas, como as que contêm quarks ‘charmososeBottom’, em maior frequência – registrando assim … maior volume de informação”(2007)  ********************************************************************

Universo era líquido… logo após ao Big Bang  

Logo depois do Big Bang, nos primeiros instantes de sua existência, o Universo não era apenas muito quente e denso, mas também tinha uma consistência líquida…Este é o 1º resultado dos mini Big Bangs…reproduções em escala reduzida daquilo que deve ter acontecido no surgimento do Universo — gerados quando íons de chumbo começam a colidir, depois de acelerados nos 27 km do anel do ‘Grande Colisor de Hádrons’ (LHC).

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Esta é uma imagem de uma colisão real de núcleos de chumbo, captada pelo experimento ALICE. Os traços representam o caminho das partículas, os “cacos” que voam para todos os lados depois da colisão.[CERN]

experimento ALICE, um dos 4 grandes sistemas do LHC, construído sob medida para estudar os mini ‘Big Bangs’, detetou após cada colisão entre ‘íons de chumbo’,  cerca de 18 mil partículas. – A previsão é que os ‘choques‘ gerem temperaturas, de até 10 milhões ºC. Desse modo…calcula-se que a matéria derreta – numa espécie de plasma de quark/glúons, também conhecido, como… sopa primordialResultados preliminares descartam… de antemão uma série de modelos teóricos; incluindo a previsão de comportamento gasoso… dentro destes níveis de energia.

Embora pesquisas anteriores feitas no acelerador RHIC, em energias mais baixas, indicassem que as ‘bolas de fogo’ produzidas nas colisões nucleares se comportassem como um líquido… muitos físicos ainda esperavam que o “plasma de quark-glúons“…nas energias muito mais elevadas do LHC,  se comportasse como um gás… — Mas… não foi bem isso o que aconteceu.

Na física de partículas, geralmente se promove a colisão de prótons com prótons…que são partículas minúsculas. Porém, há uma área chamada ‘física de íons pesados relativísticos, onde se colidem núcleos pesados – como ouro ou chumbo, a fim de criar um sistema com energia extremamente elevada – em condições similares àquelas, logo após o “Big Bang“.

“Assim como, quando a água na chaleira, colocada para ferver, vira vapor, supunha-se que a matéria… sob temperaturas extremas  –  se comportasse como um gás idealde quarks e glúons. Entretanto, o QGP medido se comportou mais como um… ‘líquido perfeito‘… – com viscosidade zero, explicou David Evans… – coordenador do experimento ALICE. (nov/2010)  **********************************************************************

coletivo LHC

Embora a referência seja sempre feita ao LHC, que é o acelerador como um todo, suas peças principais são os sensores que detectam os resultados dos impactos das partículas que colidem. São 4 aparelhos: ALICE (A Large Ion Collider Experiment), LHCb (LHC Beauty), ATLAS (A Toroidal LHC Apparatus) e CMS (Compact Muon Solenoid). [Imagem: CERN]

A ‘sopa primordial’ (nov/2013)

A descoberta mais famosa do ‘Grande Colisor de Hádrons’ … (LHC/CERN) foi sem sombra de dúvidas, a deteção da partícula elementar do ‘bóson de Higgs‘, que explica a origem massiva de todas partículas elementares. Mas, essa não é a única novidade…surgida das colisões produzidas…desde 2009.

Enquanto o “BH” foi descoberto pela análise das colisões “próton x próton”, parte dos cientistas … envolvidos nos experimentos do LHC… – estão mais interessados em núcleos atômicos de chumbo colidindo uns com os outros.

A energia dessas colisões desfaz os prótons e neutrons em seus componentes elementares, partículas indivisíveis chamadas quarks e glúons. – Por um brevíssimo instante, após a colisão, os quarks e glúons formam um estado pouco conhecido…o plasma de quarks e glúons, atingido quando prótons e neutrons se dissolvem em um denso líquido… 250 mil vezes mais quente que o Sol. – Como explica Jun Takahashi, físico da Unicamp, que integra a equipe do “Alice“…(único detector do LHC projetado para colisões de chumbo).

“A energia extrema dessas colisões recria as mesmas condições da matéria nuclear…nos primórdios do Universo. Estudar o ‘comportamento coletivo’ dos quarks e glúons, portanto, ajuda a entender como o Universo evoluiu”. 

Os físicos acreditam que … até cerca de 10 milionésimos de segundo após o Big Bang,  há 13,8 bilhões de anos… – o Universo era preenchido por um…”mar de quarkse glúons” – ou “sopa primordial – que, ao esfriar, originou os prótons e neutrons.  O fato da matéria do Universo atual estar unida em galáxias, estrelas…e planetas, e não dispersa no espaço… em uma nuvem uniforme de gás e poeira… é graças – em parte, à ondulações na “sopa primordial”.

Um outro mistério que envolve a interação entre quarks e glúons é a origem da massa. O “bóson de Higgs” explica a massa das partículas elementares… — como elétrons, múons,  e os 6 tipos conhecidos de quarks…além de suas correspondentes ‘antipartículas‘.

Como os elétrons são extremamente leves, a massa dos átomos vem quase toda do núcleo, feito de prótons e neutrons. Essas partículas são compostas da união de trios de quarks  ligados pela força nuclear forte… transmitida por partículas sem massa  –  os glúons, emitidos e absorvidos por quarks. A soma da massa dos quarks do prótonou do neutron, representa apenas 1% de sua massa total… A ‘energia de interação entre seus quarks e glúons responde pelos 99% restantes. Com efeito, desde os anos 1970 os físicos acreditam ter encontrado as leis gerais que descrevem a “força nuclear forte” – todavia, ninguém entende bem os detalhes do movimento coletivo dos quarks e glúons. — Sobre isso, assim comenta Takahashi:

“É como o caso da água. – Sabemos que é feita de moléculas de H²O,              mas conhecer isso não nos diz como a água se transforma em vapor;            que, de fato…é resultado do comportamento coletivo das moléculas”.

No Universo atual, quarks e glúons nunca estão isolados…Tanto os quarks, quanto suas antipartículas (antiquarks) estão sempre unidos em partículas compostas, que recebem     o nome de hádrons – esses hádrons podem ser, como os prótons e neutrons…feitos de trios de quarks (bárions) ou de pares de quarks e antiquarks (mésons). A razão desse “enlace fatal”…é que – ao contrário das demais “forças fundamentais” da natureza…que perdem intensidade com a distância, a ‘força nuclear forte’ aumenta à medida que 2 quarks se afastam um do outro… – Como explica David Chinellato…físico da ‘Unicamp’:

“Pense em 2 bolas conectadas por um elástico. Quando uma se afasta da outra… – a tensão no elástico aumenta… e, quando elas se aproximam o suficiente, a tensão desaparece, e então, as bolas se movimentam livres”. 

Plasma2
O objetivo das colisões de núcleos pesados é comprimir prótons e neutrons até que seus quarks e glúons fiquem soltos por um instante. A energia da colisão também cria novos pares de quarks e antiquarks, além de outras partículas elementares… – Em seguida…a temperatura e densidade no ponto de colisão…diminuem – e os quarks se recombinam, formando milhares de novos hádrons… cujas trajetórias são registradas pelos detetores.

Em novembro de 2010, o LHC interrompeu suas colisões entre prótons isolados, e realizou por 1 mês suas primeiras colisões de núcleos de chumbo – com uma energia cerca de 14 vezes maior que a das colisões no RHIC. Em novembro de 2011…e no início de 2013…mais colisões de chumbo se repetiram. Alguns modelos teóricos previam, nesse nível de energia, que quarks e glúons se comportariam como gás, o observado porém, foi um estado líquido semelhante ao registrado no RHIC.

Estima-se que as gotas do plasma de quarks e glúons…produzidas no LHC, sejam duas vezes maiores que as do RHIC, com sua temperatura chegando aos sete trilhões de graus (…250 mil vezes a temperatura do núcleo do Sol).

As colisões de chumbo no LHC são estudadas por quase 1.200 pesquisadores de 36 países que trabalham no detetor ‘ALICE’. A participação brasileira no experimento é coordenada pelo físico Alejandro Szanto de Toledo, que trabalhou no RHIC até 2006. Ele, e os colegas Alexandre Suaide e Marcelo Munhoz, da USP… estudam hádrons feitos de quarks do tipo  charm e bottom… – milhares de vezes mais pesados que os quarks up e down…elementos constituintes dos prótons e neutrons. E Munhoz ainda complementa:

“O interessante é que esses quarks precisam de muita energia para se formar. Eles surgem bem no início da colisão…e por isso podem contar   toda sua história … pela interação com tudo que se forma em seguida”. 

Uma expectativa dos pesquisadores era que os hádrons de quarks mais pesados perderiam menos energia que os de quarks mais leves ao atravessar o plasma, assim como uma pedra gigante sofre menos a ação da correnteza do rio, que um pedregulho. Contudo, isso não foi ainda observado no RHIC…nem no LHC… – Segundo Munhoz:

“Ou não entendemos direito como os quarks perdem energia,                             ou desconhecemos … algumas das propriedades do plasma”. 

Takahashi e Chinellato se concentram em analisar os hádrons feitos de quarks mais leves, produzidos em maior quantidade nas colisões. Chinellato coordena os trabalhos de estudo dos hádrons com o quark strange…cerca de 100 vezes mais pesado que quarks up e down.   Em artigo divulgado em julho no ArXiv, os pesquisadores do ALICE observaram que…em certa faixa de momentum (grandeza de energia das partículas)…as colisões de chumbo tendem a produzir mais bárions (trios) contendo quarks strange do que mésons (duos) de quarks strange, efeito esperado por algumas teorias…Mas, inesperadamente…também foi observado efeito semelhante – de intensidade menor…em colisões de ‘núcleos de chumbo contra prótons’, nas quais – a princípio, o plasma não deveria se formar…Para Takahashi:

“Há vários mecanismos físicos possíveis para a explicação.                          Ainda estamos tentando entender…qual o mais adequado”. 

http://ippog.web.cern.ch/resources/2010/cms-photo-book-compact-muon-solenoid-experiment-lhc

Novos  fenômenos… — envolvendo ‘núcleos pesados também estão sendo pesquisados … em um outro detetor do LHC, o ‘Compact Muon Solenoid’ (‘CMS‘), com a presença de 3 mil cientistas — de 40 países;  incluindo os grupos da UFABC, a cargo de Sergio Novaes…e Unesp, onde a física Sandra Padula aplica técnicas, às trajetórias produzidas nas colisões…para uma estimativa do tamanho e movimento coletivo de partículas, e suas propriedades.

Um dos efeitos observados em colisões entre… núcleos de ouro no RHIC… – e núcleos de chumbo no LHC foi o surgimento de uma estrutura que lembra uma cordilheira (ridge), gerando várias tentativas de explicação. Uma delas considera que essa estrutura surge porque o plasma se assemelha a um líquido, que escoa sem viscosidade…e as partículas que se formam refletiriam tal comportamento coletivo. Nas colisões frontais de núcleos atômicos – com efeito…produz-se mais partículas sub-atômicas do que alguns modelos teóricos previam. A “bola de fogo” resultante da colisão dura apenas um período muito curto de tempo. – Mas, quando a ‘sopa’ esfria… os pesquisadores então, são capazes de ver milhares de partículas brilhando… – É o caminho dessas partículas que é visto nas imagens… – Analisando tais detritos, tiram-se conclusões do comportamento da ‘sopa’.

Indícios de que quarks poderiam se libertar de hádrons e mésons começaram a surgir nos anos 1980 e 1990 no acelerador Super Próton Synchrotron do CERN… Porém, a descoberta do ‘plasma de quarks e glúons’ só veio a ocorrer em 2005, quando pesquisadores do “Colisor de Íons Pesados”…(RHIC)…EUA,   anunciaram evidências suficientes da produção de um estado em que quarks e glúons estariam livres do confinamento dentro de ‘hádrons’, não tão soltos…no entanto, assim como “moléculas de um gás ideal”.

Para surpresa de todos, os quarks e os glúons pareciam formar uma      gota de líquido capaz de fluir perfeitamente…quase sem viscosidade.

Agora, físicos teóricos descobriram a 1ª solução matemática que descreve a expansão dessa gota de plasma de quark e glúons. Apelidado de ‘sopa primordial cósmica’, esse plasma é criado, quando núcleos atômicos pesados colidem nos grandes aceleradores    de partículas…tipo LHC e RHIC. – As propriedades da gota de plasma em expansão, porém…só podem ser calculadas, aproximadamente…em simulações computacionais.      ‘A Receita da Sopa Primordial’#‘Universo Primordial Líquido’#“Sopa de quark/glúons”  *********************************************************************************

Encontrada solução exata para modelar o Big Bang (dez/2014)

solucao-exata

A solução se aplica a uma grande variedade de contextos da física, das colisões de partículas subatômicas às colisões de galáxias.[Gabriel S. Denicol et al]

Ao contrário da matemática, é raro encontrar soluções exatas aplicáveis em problemas da física…que – normalmente… se contentam com aproximações. Apesar disso, uma solução exata aos primeiros instantes do Universo, acaba de ser apresentada por uma equipe – da qual faz parte o físico Jorge Noronha da USP. O grupo formulou a primeira solução exata que descreve um sistema se expandindo a velocidades relativísticas longitudinais/radiais, como se acredita ter ocorrido no início da história do Universo… – logo após o “Big Bang”.

A equação agora resolvida… foi criada originalmente pelo físico Ludwig Boltzmann…em 1872, para modelar a dinâmica de fluidos e gases. Boltzmann estava bem à frente de seu tempo, uma vez que…quando propôs a equação – ele apenas supunha que a matéria era atômica por natureza, e que a dinâmica dos sistemas poderia ser entendida, analisando apenas, os processos de colisões entre conjuntos de átomos (só aceitos bem mais tarde).

Hidrodinâmica com e sem equilíbrio

O modelo mais aceito para o início do Universo (“Big Bang”) contempla a rápida expansão de uma singularidade, quando o próprio espaçotempo nasceu e expandiu-se…numa época conhecida como “inflação cósmica“… – Nesse modelo…de 20 a 30 microssegundos após a explosão o Universo era um mar de “plasma de quarks e glúons, com temperaturas e densidades elevadíssimas. — Os físicos acreditam que esse plasma tinha características de um fluido, e usam equações da hidrodinâmica para estudá-lo. Para Michael Strickland, da Universidade de Kent, EUA, e orientador da equipe:

“Na última década tem havido muito trabalho modelando a evolução do plasma de quarks e glúons usando a hidrodinâmica … onde esse plasma        de quarks e glúons é considerado…com tendo consistência de um fluido”. 

Segundo ele, a equação de Boltzmann não está limitada ao caso de um sistema que se encontra em equilíbrio térmico, ou mesmo próximo desse equilíbrio. Os dois tipos de expansão (com…e sem equilíbrio) ocorrem em colisões de íons pesados relativísticos, devendo-se incluir ambos em uma descrição dinâmica realista. E Strickland explicou:

“A nova solução exata tem os dois tipos de expansão e pode ser                          usada para nos dizer qual quadro hidrodinâmico é o melhor.”

sopaprimordial

plasma de quarks e glúons criado pela colisão de núcleos atômicos pesados no CERN

A solução expansiva da Sopa Primordial

Físicos teóricos descobriram a ‘primeira solução matemática’ que melhor descreve a expansão de uma gota do plasma de quark e glúons… — mais conhecido por… “sopa cósmica primordial“; estado que a matéria alcança, quando prótons e neutrons de núcleos atômicos…se dissolvem em um líquido 250 mil vezes mais quente que o Sol.  Esse plasma é criado em pequenas quantidades quando ‘núcleos atômicos pesados’ colidem nos aceleradores de partículas, como ‘LHC’ e ‘RHIC’.

Para Noronha…“pela complexidade dos cálculos, não havia como garantir a qualidade dos resultadosAs propriedades da gota de plasma em expansão…só podiam ser calculadas de modo aproximado por simulações…como descrito em novembro/2013. Agora… é possível verificar se os cálculos estão corretos… – Nossa solução…afinal, virou um teste padrão”.

Segundo a equipe…a solução encontrada se aplica a grande variedade de contextos físicos, e ajudará os pesquisadores a criar melhores modelos estruturais de galáxias, explosões de supernovas, e colisões de partículas de alta energia, como as produzidas no LHC… Nestas colisões de partículas… em especial, os aceleradores criam um plasma de quarks e glúons de alta temperatura e curta duração, muito similar ao que se acredita ter sido o estado do Universo, milissegundos após o Big Bang. #### (texto base 1) #### (texto base 2) #### ****************************(texto complementar)**********************************

Brasileiros no LHC tentam confirmar previsão de Lattes  (abr/2008)                Neste caso, as partículas incomuns não vinham de um acelerador, mas da colisão de raios cósmicos de alta energia… – que chove do espaço…sobre a atmosfera terrestre.

Estudante de física Diego Figueiredo, 23, no detector CMS; pesquisadores esperam encontrar o centauro previsto por Lattes

Estudante de física Diego Figueiredo, 23, no detector CMS; pesquisadores esperam encontrar o centauro previsto por Lattes

O Brasil, apesar de não ser país-membro do CERN, possui cientistas e estudantes contribuindo…em quase todos ‘detetores’ do LHC… – Um deles…de especial valor, pode ajudar na explicação do ‘fenômeno’ descoberto pelo físico César Lattes – em 1975, nas montanhas da Bolívia.

O LHC vai usar ímãs supercondutores para acelerar núcleos de átomos… – e fazê-los se chocarem entre si (núcleos     são compostos de prótons e nêutrons, partículas da classe dos hádrons).

O choque produz uma quantidade grande de energia, que então, dá origem a uma série de partículas. Algumas são bastante triviais, como os elétrons. Outras, não existem soltas em meio à matéria ordinária. – Vários físicos brasileiros no entanto, estão em busca de outro fenômeno…Na caverna onde está o detetor ‘CMS‘ (“Solenoide Compacto de Múons”) eles esperam achar um “centauro“…partícula mitológica – batizada por Lattes… ao observar estranhos jatos de partículas … em raios cósmicos, utilizando placas de um filme especial.

Como o ‘centauro’ é um evento registrado poucas vezes na natureza…e nunca em laboratório, um grupo internacional de físicos quer tentar usar a energia do LHC            para provar que ele não é só um mito – e talvez assim…explicar de onde vem. Ao            usar dois subdetetores batizados de “Castors“, idealizados pelo físico Apostolos Panagiotou…eles esperam extrair informações sobre sua natureza – das colisões            entre prótons. – O problema todavia, é que só um dos Castors, que ficam dentro                do CMS deve ficar pronto neste ano. Um outro, que dobraria a probabilidade de          deteção dos centauros, ainda depende de financiamento… Para Alberto Santoro,          físico da UERJ — que há 2 anos tenta patrocínio pra construção deste aparelho:

“Isso poderia ser uma possibilidade do Brasil – se nós conseguíssemos um                        financiamento adequado, já que seu custo seria da ordem de US$ 500 mil.” 

Sem dinheiro para o detetor, o Brasil não poderá ‘apitar’ nos projetos que darão prestígio aos eventuais primeiros criadores de um ‘centauro’…Mesmo assim, Santoro tem ajudado na melhora da qualidade do CastorSeu aluno de doutorado Dilson Damião por exemplo, participa dos testes de calibragem do 1º detetor, que entrará em operação ao final do ano.

Em princípio, seria um trabalho relativamente simples, porque existe uma aparelhagem criada para isso, mas Damião está tendo de criar uma estratégia nova para a calibragem. “Depois que o detetor estiver todo construído … não haverá mais espaço físico para esse tipo de medida”… concluiu ele. – O que seria algo trivial…virou desafio tecnológico, que deve ser devidamente superado… — para que umcentaurodê as caras. (texto base)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em cosmologia, física e marcado . Guardar link permanente.

2 respostas para Provando a Receita da “Sopa Cósmica Primordial”

  1. JMFC disse:

    Muito interessante a descoberta do plasma de quarks-gluões ter o comportamento de um líquido perfeito(quase).
    Por outro lado já não se aceleram apenas protões no LHC mas núcleos de ouro e chumbo para mais nos aproximarmos do Instante da Criação!
    O LHC começou ontem, Sábado de Páscoa/Domingo a trabalhar de novo. Oxalá novas descobertas nos traga de modo a ainda mais nos aproximarmos do conhecimento desta realidade?!… (cada vez mais virtualidade) de que somos parte.
    JMFC

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