Consciência & Hiperespaço (com Saul-Paul Sirag)

“Caminhamos para um amanhã… que não pode ser conhecido em sua                            plenitude…pois a imagem que temos dele é incessantemente corrigida                                pela experiência” (K. Jaspers, ‘Panorama das Ideias Contemporâneas’)

http://quantumtantra.blogspot.com.br/2011_10_01_archive.htmlJEFFREY MISHLOVE: Boa noite…e bem vindos à ‘Rede Intuitiva’. Nosso tópico de hoje é…‘realidade multidimensional’…ou, o que os físicos chamam de ‘hiperespaço‘. Meu convidado… Saul-Paul Sirag físico norte-americano…colaborador da “teoria das cordas”.  Saul-Paul… seja bem-vindo.

Você — mais que ninguém — sabe que o hiperespaço é um conceito bem confuso.  Me lembro, quando jovem estudante na faculdade… mais ou menos uns 20 anos atrás — a zombaria com a ideia de mais que 3 dimensões espaciais, e a comparo hoje, com a noção de… “hiperespaço“,  já praticamente consolidada pela Física.

Sirag: Bem, talvez ainda não totalmente ‘consolidada’; mas uma questão sendo levada bastante a sério. Mas, é interessante que você tenha mencionado uma grande confusão,   há anos, sobre o “hiperespaço“. Com efeito, a ideia moderna de hiperespaço remonta    ao matemático do século XIX Charles Hinton, quem primeiro pensou sobre um espaço,    de 4 dimensões… – ideia que foi…de certa forma, suplantada pela teoria de Einstein do espaçotempo, em meados do século seguinte…Noutras palavras, Einstein mostrou que, espaço e tempo estavam conectados em um sistema de 4 dimensões…e por causa disso,      as pessoas passaram a ridicularizar as ideias anteriores…de uma 4ª dimensão espacial, porque diziam…“bem, a 4ª dimensão realmente não é espacial, é temporal”. Mas, mais recentemente…concluímos que – aquilo que há muito tempo chamávamos de “espaços internos das partículas subatômicas“…são realmente espaços – como o “espaçotempo”.

Na verdade, o quadro que emergiu agora, o qual é muito interessante, é que, na verdade, há um sistema dimensional muito maior do que apenas uma ou 2 dimensões a mais. Há muitas dimensões extras; e dependendo de como você contar dimensões, e de como sua teoria funciona, você pode ter 10 dimensões, 26 dimensões…ou até muito mais que isso.

Mishlove: Estas são consideradas, literalmente, dimensões do espaço, de fato?

Sirag:  Os  físicos que trabalham com essas teorias as consideram dessa maneira, sim. E toda a ideia, realmente, é que o ‘espaçotempo’ – o sistema de 4 dimensões de Einstein, é, na verdade, apenas um… sub-espaço (móvel) – deste espaço dimensional… muito maior.

Isso me lembra muito a alegoria de Platão sobre o mundo das sombras         no interior de uma caverna… mais conhecida como o ‘mito da caverna’.

Platão disse que o povo acorrentado nesta caverna… – sem poder mover a cabeça … ou seus membros – identificaria sua própria consciência… e a si mesmos, com as sombras bidimensionais. – Claro que, obviamente Platão estava tentando dizer que somos mais       do que seres tridimensionais – porém, tendemos a nos identificar com nossas sombras tridimensionais, isto é, nossos corpos. Claro que a geometria não era tão desenvolvida; apenas começava, e por isso ele não tinha a linguagem para falar sobre hiperespaço da forma como fazemos hoje… – mas eu acredito que ele teve a ideia… – “intuitivamente”.

planolandia

Mishlove: Nós temos hoje em dia, uma noção bem semelhante… – os “planolândios“… – não é mesmo?     

Sirag:  Sim… – bem, na verdade … a ideia de Planolândia foi criada no século XIX… – pelo reverendo Edwin Abbott, para tentar fazer mais compreensível … a noção do “reino espiritual“, de acordo com um conceito ainda mais antigo que o de Platão…adaptado à nossa terminologia moderna.  Um domínio hiperespacial é certamente um território em que o cotidiano é apenas uma visão parcial da realidade… onde o mundo subjetivo possui um alcance e uma riqueza muito maior. E isto…em função do domínio da existência.

E esta é bem a maneira como a “teoria do campo unificado” vê o mundo,                              hoje em dia… – Onde as diferentes vertentes desta teoria… – e há várias                              dela – em certo sentido…implicam, cada uma, certo tipo de hiperespaço.

Mishlove: Supradimensional…

Sirag: Diferentes dimensões acarretam diferentes estruturas daquele espaço.

Mishlove: Então, o que eles estão discutindo é sobre a natureza das dimensões                 superiores do espaço – e não…se dimensões superiores existem, ou não… certo?

Sirag: Sim, e da forma como testar essas teorias… – A verdade é que cada dimensão corresponde – segundo a teoria clássica, a um tipo diferente de partícula subatômica. Então…essa é a maneira que poderíamos testar essas teorias: encontrando provas da existência destas partículas. Mas, elas não são nada parecidas com…’mini Big Bangs’, Aliás, são bem diferentes… – razão porque poderiam corresponder à hiperespaciais dimensões. Mas explicar isto nos levaria talvez, em direção por demais matemática.

Mishlove: Bem, é certo que não queremos seguir esse caminho. – Deixe-me, então, lhe lançar outra pergunta. Nós olhamos para a consciência humana, que, normalmente, parece ter estranhas dimensões de tempo e espaço. Fechamos nossos olhos e sonhamos;   e, todos nós temos fantasias…e imagens mentais de vários tipos. – Com a velocidade do pensamento, podemos ir, por exemplo, do Egito a Atenas num piscar de olhos. Existiria, então algum sentido em que o…espaço interior – assim como nós o experimentamos, possa ser descrito nessa mesma linguagem a que você está se referindo: hiperespaço?

Sirag: Bem, isso é realmente o que eu acredito. E acredito nisso, a partir da noção total de ‘hiperespaço’ — seja quantas dimensões for — e, em certo sentido, o é… provavelmente, de dimensão infinita. Existem muitas projeções – subprojeções, poderíamos dizer, a partir de um espaço de dimensão infinita — digamos, um espaço de 192 dimensões, para um espaço 96 dimensões, e daí para um espaço de 48 dimensões; para, em seguida, uma redução a 12 dimensões; até o conhecido espaçotempo quadridimensional. Sendo que, cada uma dessas projeções implica variadas condições que acabam sendo deixadas de lado, por assim dizer.

http://labellateoria.blogspot.com.br/2007/03/espacios-fibrados-y-renglones-torcidos.html

Gordian Knot – John Robinson

Mishlove: Falamos da ‘teoria das cordas’, ou ‘fibrados’?

Sirag: Bem, ‘teoria das cordas’ é um conceito que está sendo agora usado na ‘física unificada de partículas’. –teoria dos fibradossignifica a matemática por trás disso. Certamente quase todo mundo que trabalha em teoria do “campo unificado“… – hoje está trabalhando, em alguma versão da teoria dos fibrados…matematicamente falando. 

Mishlove: Com essas várias dimensões se reduzindo, ou se projetando uma na outra, como você acabou de dizer…

SIRAG: Sim.

Mishlove: Agora, uma coisa que temos de deixar claro, é: O que significa a importante “teoria do campo unificado”?

Sirag: Bem, na verdade, toda a história da física tem sido a busca de unificar as forças da natureza. – Newton, por exemplo, unificou o que chamavam de gravidade celestial com a gravidade terrestre – em outras palavras…a força que faz a terra girar ao redor do sol, e a lua em torno da Terra, chamada ‘gravidade celestial’ – com a força que faz pedras caírem.  Ele unificou essas 2 forças em um belo esquema…Essa é a mecânica newtoniana. E, mais tarde, no século XIX, James Clerk Maxwell unificou eletricidade, magnetismo…e luz; em uma única teoria. Com efeito, na verdade ele estava unificando 3 coisas muito diferentes.

Mishlove: No que chamamos de eletromagnetismo…

Sirag: Claro… Portanto, a luz é uma onda eletromagnética… E, bem mais recentemente, fomos capazes de unificar o eletromagnetismo, com o que chamamos de “força nuclear fraca – a força que controla, por exemplo, o decaimento radioativo. Então, decaimento radioativo é apenas um aspecto da “força eletrofraca“, assim como a chamamos agora.  Ademais, há outra força nuclear, denominada “força forte“, a qual mantém o núcleo do átomo unido contra a repulsão elétrica – que estamos tentando unificá-la… Mas, o maior problema de todos é unificar a “gravidade” com todas essas forças, e também descobrir se existem mais forças, de fora desse modelo… – à espera de novos dados experimentais.

Por exemplo…eu e alguns colegas temos razões para acreditar que há outra força, que, às vezes, é chamada de 5ª força, ou força virtual; eque precisaria também ser unificada… — junto com as demais.  A razão para isso é sempre procurarmos uma forma mais abrangente que seria uma visão mais simples da realidade…E    a ironia é que tal ‘compensação de nível’ se dá na “dimensionalidade” do sistema.

Mishlove: Então, a teoria unificada final seria aquela em                                                       que a consciência também se encaixa no esquema…não é?

Sirag: Bem, não só se encaixa no esquema.

O que eu realmente penso sobre consciência, é que, no fundo, de alguma forma, em algum tipo de sentido realmente cósmico, há apenas uma consciência, e isso é verdadeiramente a coisa toda. – Noutras palavras…o hiperespaço é a consciência agindo sobre si mesma…e, o ‘espaçotempo é, apenas, uma espécie de oficina sideral para que ele possa encenar suas várias obras. E, certamente, essa ideia é o arquétipo de mil diferentes tradições espirituais.

Mishlove: Uma mente cósmica… – Mas, o que você está dizendo é que, usando               apenas as ferramentas da ‘física moderna’, você pode chegar a essa conclusão?…

Sirag:  Sim… Bem, basicamente o processo que estamos fazendo, atualmente, é descrever esse “domínio espiritual”, se você quiser. Apesar da maioria dos físicos, obviamente, ainda não enxergar dessa forma, acho que daqui a algumas décadas… entenderão – com certeza.

Mishlove: Se não me engano você já foi citado na “Newsweek” dizendo algo parecido, no sentido de que a física é produzida pela mente humana – isto é, se referindo à consciência.

Sirag:  Bemnão foi isso exatamente o que eu disse… – Eu comentei que… tudo o que já descobrimos…e, o que ainda temos a descobrir em física – é, na verdade, a estrutura final de nossas próprias mentes. E esta é uma ideia que não modifico. Eu a obtive a partir de outros físicos… – como, por exemplo…Eddington… – que a tinha muito bem consolidada.

Eddington, na verdade…era meio que ridicularizado à época… – mas, essa é uma ideia que faz muito mais sentido na física, no contexto do que estamos trabalhando, hoje. – Pena Eddington não estar mais por perto…para curtir as novidades atuais… pois ele era um superfã da teoria de campo unificado.

Mishlove: Então, recapitulando…a “teoria do campo unificado” carrega  consigo tais noções de ‘hiperespaço,      e ‘múltiplas dimensões’, e de algum modo, olhamos a estrutura – não só do universo físico…mas da própria mente humana.

Sirag:  Assim como o ‘espaçotempo’ é só uma parte do ‘hiperespaço’…a mente humana é apenas uma pequena parte de uma mente muito superior … que podemos chamar ‘mente cósmica’. Mas é o corpo que está na mente Assim, o corpo é apenas uma sombra que se projeta, por assim dizer, no hiperespaço E então, em certo sentido — nossa experiência interna é uma peça intrínseca a ele. — Nossas mentes são projeções de algo bem superior.

Mishlove: Bem, há muitos teóricos falando sobre superconsciência, inconsciente coletivo, e assim por diante. Ao olhar para a física e matemática de ‘espaços multidimensionais’, e a maneira em que os projetamos – reduzidamente – como você diz… de infinitas dimensões, para até, finalmente, chegarmos ao que consideramos como nossa realidade cotidiana — 3 dimensões de espaço, mais 1 de tempo; o que você sugere, é descrever matematicamente a forma pela qual a consciência cotidiana poderia se relacionar com esta‘mente superior’?

Sirag: – Sim…Na filosofia há algo que chamamos “problema mente/corpo“. – Ou seja…o ‘mundo físico’…lá fora, parece ser tão diferente do mundo vivenciado internamente – que pensamos como fazer para que essas 2 realidades tenham algo a veruma com a outra. E assim… algumas pessoas tentam resolver o problema…dizendo… Bem… a coisa toda é a mente!… tudo é mente… – Essa é a solução idealista…E depois…há a solução materialista, que pretende dizer que tudo é matéria e, os “fenômenos mentais” sãoessencialmente, umepifenômeno (subproduto da matéria). Essa maneira de ver as coisas é uma forma  um pouco menos rigorosa – no sentido de uma posição idealista. Mas, pode-se considerá-la também uma ‘solução materialista’ao se construir agora, uma ‘física do hiperespaço’.

Mishlove: Você está dizendo, então…que a matéria                                                                 não é o que estamos acostumados a pensar que seja?

Sirag:  Sim, certamente. Com efeito, a matéria tem adquirido ao longo do tempo, e cada vez mais, influências mentais…Por outro lado, as pessoas que estudam a mente por meio das técnicas convencionais de biologia, neurociência, etc, encontram mais e mais formas materiais de explicação, para aquilo que considerávamos tradicionalmente…”fenômenos mentais”. Então, neste momento da história, os 2 lados se encontram numa espécie de encruzilhada – e eu acho que a solução para o ‘problema mente-corpo’…será encontrada neste ‘panorama hiperespacial de mundo’…Em outras palavras; pela antiga ideia, de que    a mente não está no corpo, pode-se imaginar tal hiperespaço como uma ‘mente cósmica’.  E, se a mente está no corpo – então temos…definitivamente, um problema mente/corpo.

Mishlove: Quais poderiam ser algumas das consequências práticas deste ponto de vista? Como ele deveria mudar minha vida – para que eu possa ser capaz de compreender isso?

Sirag: Bem, há maneiras éticas de avaliação…Se eu estou, por exemplo, sendo projetado    a partir de uma ‘mente superior’…então estamos…agora…todos juntos no “hiperespaço“.

Mishlove: E tais corpos seriam como ‘fantoches’ de um mesmo ‘mestre’, ou algo assim?

bibilicoteca-holograficaSirag: Sim. – E…claro, pessoas que adquirem…”experiências psíquicas”,  reivindicam para si…este fenômeno,  numa espécie de “ligação telepática” com outras pessoas… — Imersos no ‘reino dos sonhos’ experimentamos também…um certo tipo de unidade,  possivelmente — diferente daquela, que “ordinariamente” vivenciamos.

Mishlove:  E, o que você deve estar sugerindo, então… é que este                                             reino de sonhos é parte dessa noção matemática de hiperespaço…

Sirag: Bem, o reino dos sonhos é definitivamente um reino mental, eu diria.

Mishlove: Que poderia até seguir leis as quais você pudesse delinear…

Sirag: Sim, definitivamente. Veja, os físicos nunca levaram a sério o ‘mundo dos sonhos’, ou mundos (existem muitos…provavelmente). Quero assim dizer, que é um estado muito parecido com um ‘estado físico‘…porque, até certo ponto…as coisas fazem sentido – num mundo de sonho…e – até certo ponto…já não fazem mais.  – Imagine que, um dos reinos dos sonhos…fosse para fazer experimentos de física. — É de se supor que chegasse a uma física diferente…digamos assim. De modo que, seria como que…uma ‘projeção diferente’.  Seria uma projeção do espaçotempo muito diferente da que experimentamos, porque no reino dos sonhos, por exemplo, sua identidade pode mudar muito rapidamente. Como    se eu pudesse ter um sonho onde você aparecesse – e… de repente, eu fosse você…e você, fosse eu, ou qualquer outra pessoa; e isto podendo mudar rapidamente. – Apesar de não experimentamos assim a realidade‘…isso não é motivo para eliminar essa possibilidade.

Mishlove: Há alguns casos na literatura da parapsicologia como este.                                Além dos casos “clássicos”… de múltiplas personalidades…  – até hoje.

Sirag:  Sim. Portanto…este tipo de acontecimento faz mais sentido — se a realidade for, verdadeiramente, um…’hiperespaço’…com toda sorte de tipos de projeções acontecendo.    E, nesse sentido, talvez até assuntos como ‘reencarnação’ pudessem ser reinterpretados.

Mishlove: Saul-Paul…”Como eu entendo a sua teoria“, posso adiantar um pouco aqui   que, todo o universo físico, como nós experimentamos, é em certo sentido, fisicamente regido pela propriedade matemática da constante de estrutura fina   o ‘número 137’;        a partir do qual, tudo emerge. E, nesse caso, outros níveis de ‘hiperespaço’…’universos paralelos’… – ou, inclusive… de certa forma, outras dimensões… igualmente poderiam      ser atributo de outras constantes matemáticas… — Basicamente… isso estaria correto?

Sirag:  Sim… Estamos muito impressionados com certas constantes na física… – que desempenham um papel muito fundamental. Anteriormente… quando mencionei a unificação das forças, eu poderia ter falado sobre o que isto significa … É que todas as forças têm mesma potência, em algum nível do hiperespaço. A constante de estrutura       fina é uma medida da intensidade da ‘força elétrica’…Em suma, a ideia é que todas as forças têm a mesma energia… – uma ‘energia unificada’… – ao nível de ‘hiperespaço’.  Agora, se tais forças foram sempre tão ligeiramente diferente, ou seja…1% diferentes; então, um mundo totalmente (causalmente) diferente do nosso poderia ocorrer. Mas        isso pode ser exatamente o que os “mundos de sonho” se parecem… simplesmente,      uma espécie diferente de Física, com uma ‘constante de estrutura fina‘ diferente.

Mishlove: Então, usando a matemática apresentada aqui – você poderia prever o que as outras realidades deveriam parecer…ou, pelo menos, como “leis físicas” deveriam operar?

Sirag:  Bem, a princípio – se poderia tentar fazer issomas estamos falando aqui, de um programa de muito longo prazo…sobre para onde a física deverá se encaminhar no século XXI. Você sabe que as equações de Maxwell foram escritas no século XIX, na verdade, no início de 1865…e, ainda que todos esses maravilhosos fenômenos elétricos – que são a nossa tecnologia atual, surgiram a partir de um conjunto de equações. – E que, no século XX se deu, tecnologicamente, a exploração dessa unificação das ‘forças eletromagnéticas’.

Mishlove: Isso aconteceu há mais de 100 anos.

Sirag: Sim. Pois bem, o que estou dizendo é que, neste novo século (XXI) ….. evoluirá uma tecnologia bem mais sofisticada que a “tecnologia eletromagnética” E portanto, com esse avanço tecnológico, a consciência estaráintimamente envolvida” pela total unificação das forças já conhecidas. E, isso será extremamente emocionante. Para a física, essa ‘unificação’ é um recomeço … e, em certo sentido…até mesmo o verdadeiro início de uma nova “era tecnológica”.

Mishlove: E, quais são algumas das tecnologias que você prevê?

Sirag:  Bem, eu posso tentar adivinhar algumas coisas; mas, deixe-me lembrá-lo que uma das últimas coisas no mundo que Maxwell teria previsto — seria a televisão saindo de suas equações… Veja bem, a partir de equações de Maxwell, pode-se descobrir que, além da luz visível, tinha que haver luz invisível. Mas, quão grande era esse espectro (eletromagnético) da luz invisível – ninguém realmente sabia. E, em seguida, foram descobertas as ondas de rádio, num tipo, e raios-X, em outro. E, Maxwell não previu nenhuma dessas descobertas, especificamente… – Portanto…se você é físico, é bem difícil prever, apenas transcrevendo algumas equações. – Mas, minha principal previsão já feita, é que a partir do hiperespaço projetamos o “espaçotempo“… – Nesse sentido, então… – aquilo que já poderíamos estar aprendendo a fazer, tecnologicamente, é…de fato, pesquisar os domínios do ‘hiperespaço’.

Em outras palavras…nós estamos vivendo em um filme 3-D agora, OK? Então, o que devemos aprender…é a fazer os nossos próprios filmes, ao invés de apenas atuar no filme de outra pessoa. Devemos desempenhar        o “papel principal” na nossa própria produção…Basicamente, essa é só uma maneira de dizer que devemos jogar o jogo mais conscientemente.

Mishlove: Parece que você está dizendo é que nos tornaremos como deuses, ou como        nós imaginamos serem os deuses hoje em dia… — Mas esta noção de criar vida através        da “engenharia genética” – não é uma… “gota no oceano” – em comparação com o que seria possível — se acaso nos fosse permitido dominar a tecnologia do…”hiperespaço”?

Sirag: Claro que vai ser apenas um pequeno passo em direção ao hiperespaço, e sempre haverá muitas dimensões além da nossa – e, talvez então…devêssemos falar sobre ‘seres divinos’, que teriam um posto mais alto na hierarquia da consciência; e assim por diante.  E todo um novo vocabulário evoluiria, para se tornar bem mais preciso. O ‘lance’ é que a matemática para pensar sobre isso já está desenvolvida…tanto quanto me consta. – E aí, os matemáticos estão muito à frente… no sentido em que não precisam de experimentos para testar suas teorias. O único teste de um teorema matemático é uma prova lógica…e, assim… a confirmação ou não de suas hipóteses, se desenvolve muito mais rapidamente.

Novas ideias, em matemática, fluem muito rápido. Por exemplo, a ‘teoria dos fibrados’, que começou a ser trabalhada na década de 30 – se desenvolveu rapidamente na de 50, mas, só agora – realmente – é que estamos começando a aplicá-la… — em larga escala, na física topológica…Assim, dessa forma,  matemáticos estão bem a frente… de todos      os demais teóricos… e, os que deles…criam coisas novas, creio eu, ‘bebem de sua água’.

Mishlove: Bem, isso é bem interessante. Quando eu era criança…me disseram que seriam 12 pessoas no planeta que podiam entender EinsteinMas agora…suspeito    que há mais de 12 pessoas entendendo          a relatividade. E você fala também, o que parecem ser… “teorias de vanguarda“.

Assim, não me surpreenderia se hoje só 12 ‘apóstolos’ no planeta entendessem suas ideias.

Sirag:  Bem, até onde saiba, o que eu tenho visto é que os matemáticos com quem falo, geralmente, a compreendem muito bem – especialmente…se eles tem conhecimento de uma área da matemática chamadateoria de gruposE se conhecem também ‘teoria dos fibrados‘, então a dominam de verdade. É evidente que ambas são áreas enormes      da matemática – na qual os físicos…em geral, encontram extraordinária dificuldade em acompanhar. – Como exemplo… minha tese foi apresentada numa reunião especial dos departamentos de física e matemática na Georgetown University /EUA; e os físicos, em geral não participaram (ou não entenderam). Já os matemáticos a seguiram muito bem.

Mishlove: Mas, é aos físicos que você está tentando se dirigir…

Sirag: Claro. Mas eu entendo muito bem por que os matemáticos podem acompanhar.

Mishlove: Mas, se os físicos agora estão tendo dificuldade em acompanhar seu trabalho, pode levar, como você diz, 100 anos, até que ele seja enfim compreendido pelos ‘mortais’.

Sirag: Bem, talvez não 100 anos… – As coisas, hoje em dia, mudam um pouco mais rápido – do que nos tempos de Maxwell – e a tecnologia se move muito mais rápido, ainda. A ideia de ‘hiperespaço‘…definitivamente…seduzirá a nova geração de físicos.

Mishlove: Bem, Saul-Paul, se suas teorias são como você acredita, e se tornarem reconhecidas a esse nível, então terá sido uma grande honra para mim, e acredito,             para os nossos ouvintes e telespectadores, receber você hoje no programa…Muito obrigado, por estar conosco esta noite.

Sirag: Obrigado. Foi um prazer. (texto base******************************************

Uma Breve História do “Hiperespaço”                                                                                “Inteligências espaciais, ao invés de um planeta distante,                                                    surgiriam de uma… dimensão superior (Ted Owens)

curvatura_da_luz                  Albert Einstein, em 1915, introduziu a ideia de que a gravidade deve ser explicada          como a deformação do “espaçotempo quadridimensional” (4-d). – Quaisquer que      fossem as dúvidas que os físicos tivessem (e havia muitas) sobre a realidade desta dimensionalidade espaço-temporal (um todo geométrico unificado e deformável)        foram negligenciadas pela confirmação em 1919, da Teoria Geral da Relatividade,                a teoria da gravidade de Einstein – quando um grupo de astrônomos – liderados              por Arthur Eddington mediu a curvatura da luz das estrelas no Sol… durante um        eclipse solar… Naquele mesmo ano, o físico Theodore Kaluza teve a ideia de que,              não apenas a teoria da gravidade de Einstein…mas também o eletromagnetismo,      incluindo a teoria eletromagnética da luz de Maxwell, poderiam ser derivados da suposição do…espaçotempo…como uma estrutura geométrica distorcida. Com                  a inestimável ajuda de Einsteina teoria de 5-d de Kaluza foi publicada em 1921.

A década de 1920 foi a década mais revolucionária em física e astronomia. Vale mencionar apenas alguns destaques… Na física quântica – a dualidade onda-partícula de deBroglie; a mecânica matricial…e o “princípio da incerteza” (Heisenberg); a “complementaridade” de Bohr; o “princípio de exclusão” de Pauli; a equação da ‘função de onda’ de Schroedinger; a equação da antimatéria de Dirac ( unificando a teoria quântica com a relatividade especial de Einstein). – Na astronomia… a teoria da constituição interna das estrelas de Eddington (incluindo o sol); a descoberta de galáxias além da “Via Láctea”; as observações de Hubble da expansão do universo; e a teoria da expansão do universo … de Friedmann & Lemaitre.  Em meio a essa revolução, Einstein contribuiu com artigos seminais sobre a estatística da teoria quântica, e a emissão estimulada de ‘fótons atômicos’… que desaguaram em muitos desenvolvimentos posteriores, incluindo o laser. Mas, Einstein estava mesmo interessado no que ele chamou de…“teoria do campo unificado” – que significava a unificação da gravidade com o eletromagnetismo. A versão 5d de Kaluza de tal teoria unificada, foi uma conquista incrível, mas tinha o… “grande defeito”… de não conseguir explicar por que não vemos a 5ª dimensão (que…supostamente…é espacial). Outra falha foi nada prever sobre  o surgimento da… “mecânica quântica”… – que estava…bombando…na década de 1920.

what_is_a_black_holeO físico Oscar Klein em 1926 falou sobre ambas questões ao publicar sua versão da teoria … na qual a 5ª dimensão não é visível para nós, porque é uma dimensão compacta, reduzidíssima, onde cada ponto do espaçotempo 4-d é substituído por um pequeno círculo cujo raio equivale ao comprimento de Planck (10-33 cm), isto é…20 ordens de magnitude menor que o próton (10-13 cm)Max Planck definiu esta distância como a unidade quântica básica. 

O “círculo de Klein”…com o comprimento de Planck – como um candidato à 5ª dimensão, relaciona tanto a ‘relatividade geral’ de Einstein (aplicada ao espaço-tempo 5-d), quanto a ‘teoria quântica’…ao considerar esta reduzida dimensão extra. – Como um bônus, a teoria também fornece uma explicação geométrica para a quantização da carga elétrica…que faz padronizar a mesma carga, para todo elétron. Essa teoria 5d (”teoria Kaluza-Klein”) ficou esquecida no mundo da física por várias décadas; durante as quais a fronteira da física se tornou a exploração do núcleo atômico, de onde duas novas forças foram descobertas…as ‘forças nucleares forte e fraca’. Estas eram tão interessantes de se explorar…que qualquer proposta de ‘teoria do campo unificado’ estaria incompleta sem levá-las em consideração.

A força forte mantém o núcleo unido apesar da repulsão elétrica dos prótons constituintes… – todos carregando “carga positiva” idêntica (lembre-se…cargas iguais repelem)…A força fraca causa o tipo mais      comum de decaimento nuclear… – mudando um tipo de átomo para      outro – em uma intempestiva espécie de… “alquimia”… do século 20. 

Com o surgimento da “teoria das supercordas”, em 1971, com suas 10 dimensões de espaçotempo, de repente os físicos começaram a ler os velhos trabalhos teóricos de Kaluza-Klein (e os traduziram para o inglês). – Em 1975, ficou provado que a teoria        das supercordas unifica tanto a teoria da gravidade de Einstein, quanto a mecânica quântica… prevendo ainda, a unificação de todas as 4 forças… – eletromagnetismo, gravidade, e forças nucleares fortes e fracas. – Até que…em 1979, John Schwarz… e Michael Green provaram ser a ‘supercordas‘ auto-consistente com uma “gravidade quântica”, incluindo a ‘relatividade geral’ e a ‘mecânica quântica’ como sub-teorias.

platão-cavernaA dimensão histórica do hiperespaço

A ideia do hiperespaço remonta a Platão (427-347 aC), que sugeriu em sua “alegoria da Caverna”, que somos como que prisioneiros do… “mundo 3-d“… – ao nos identificarmos com nossas “sombras bidimensionais”.

Platão nunca usou a palavra “hiper-dimensional”, mas essa ideia está subentendida em sua história, projetada nas paredes de uma caverna. – Os prisioneiros…por estarem tão seguramente acorrentados, se identificam com suas sombras lançadas pelo fogo… atrás deles; e acreditam em seuanimismo“. Todavia…um dos prisioneiros se liberta de suas amarras…e escapa para o mundo exterior, podendo agora interagir com outras pessoas,      e objetos tridimensionais. Porém, ao voltar, para tentar resgatar seus ex-companheiros    da prisão, estes zombam dele, e o desafiam a dizer o que ele acha que vê, em seu antigo mundo sombrio. – Por ter estado sob a luz brilhante do sol fora da caverna…seus olhos têm dificuldade em enxergar novamente aquele mundo de sombras em que vivem seus companheiros de prisão. E isso é a prova, para eles, que ele é, simplesmente, um louco.

Embora Platão tivesse dito que em sua Academia: “Ninguém entra aqui sem geometria”, foram necessários muitos séculos…até que esta se estendesse à 4ª dimensão… Tal feito    de geometrização do reino platônico, foi postulado como um portal (4ª dimensão) pelo filósofo Henry More, influente colega de Isaac Newton, na Universidade de Cambridge.      A esse portal a partir do qual o reino espiritual se estendia ele chamou espontaneidade.

mobiusstrip-01

No entanto, esse tipo de pensamento só ocorreu, quando os matemáticos começaram a explorar a “geometria de espaços dimensionais superiores”. Destes desbravadores — August Moebius (1790-1868) é mais conhecido … por sua descoberta dafaixa de  Moebius– uma superfície que só tem um lado. Mas, em 1827…ele descreveu como um objeto tridimensional (tipo … um sapato destro), poderia então…se tornar sua imagem espelhada (sapato canhoto)…girando-o por um espaço 4-d.

A maioria dos matemáticos — despreocupados na aplicação de suas ‘descobertas’,  seguiram explorando geometrias, muito além da ‘quarta dimensão’; no caso mais                geral – qualquer nº de dimensões. O termo “hiperespaçofoi cunhado na década                de 1890…ao matemáticos explorarem geometrias…então definidas por Bernhard              Riemann (1826-1866) que não eram apenas “não-euclidianas” (com “curvatura”),                mas também tipos de “espaços” definidos…por qualquer “número de dimensões”.               O próprio Riemann chegou a proporque o espaço 3-d curvo (“não-euclidiano”)                pudesse explicar a gravidade… E ele estava quase certo… — Einstein…em 1915,                  mostrou que a gravidade poderia ser explicada em um espaçotempo curvo 4-d

“Geometria projetiva” (a matemática das dimensões superiores)                            Uma vez que a ‘relatividade geral’ e a ‘teoria quântica’…são mundos gigantescos em si mesmos (e dificilmente se comunicam um com outro), não é de surpreender que para unificá-las, como sub-teorias de uma teoria mais ampla – tenha-se imaginado muitas novas possíveis consequências…dentre elas…o espaço-tempo hiperdimensional (10d).

Hipercubo 5- Grafo de CoxeterPara descrever este hiperespaçotempo … assim como outros espaços que devem interagir com ele, algumas das recentes descobertas mais emblemáticas (e belas) da matemática devem ser utilizadas pelos físicos… E, dentre estas – a poderosa unificação…das categorias matemáticas oferecida pelos ‘gráficos de Coxeter‘, talvez seja a ferramenta mais apropriada — para ser utilizar na modelagem da teoria de campo unificado, proposta pelas “supercordas“, em sua generalização mais recente… à uma — “teoria das membranas“.

O gráfico de Coxeter A.D.E (criado pelo matemático Harold Coxeter) é um conjunto      de nós unidos por linhas – consolidado em um só tipo…de 3 padrões. — Há um número infinito de padrões A’s…e um número infinito de padrões D’s… mas apenas 3 padrões E’s. – Tais gráficos são as ferramentas mais poderosas para explorar o “hiperespaço”. O número de nós em um diagrama, é o número de dimensões em um tipo de espaço, mais conhecido, por… “espaço de reflexão”… mas, que a maioria dos matemáticos chama de…espaço dual … de uma sub-algebra de Cartan … de uma álgebra de Lie.

Em 1935, Coxeter usou esses diagramas ao descrever generalizações hiperdimensionais dos sólidos platônicos (tetraedro, cubo, octaedro, dodecaedro e icosaedro) e mais outros objetos geométricos altamente simétricos, que ele chamou de “politópicos“. São reflexos nos espelhos do hiperespaço que transformam esses polítopos em si mesmos. – Mas, os polítopos de menor dimensão…são sub-estruturas fractais daqueles de maior dimensão,    e assim, os “gráficos de Coxeter”, que geram os espelhos para estas reflexões, controlam, pela sua estrutura hierárquica, a incorporação dos politopos de menor dimensão nos de maior. Isto é, na projeção dos objetos da dimensão inferior, pelos de dimensão superior.

hypersphere5Os físicos ficaram interessados ​​nesses gráficos, quando descobriram que as cargas observáveis ​​(elétricas…fracas, e fortes) então associadas às partículas…assim as definindo, correspondem aos vértices dos ‘polítopos’, descritos por esses ‘gráficos de Coxeter’. Além disso, na teoria das “supercordas“…que faz da gravidade, parte da ‘unificação‘…é preciso incorporar os polítopos que descrevem cargas de partículas…(A4 e D5, por exemplo) no tipo E-polítopo. E tal método    é compatível com a dimensionalidade (10), do espaçotempo… — na “teoria das supercordas”.

Na versão E8 da teoria das supercordas, os 8 nós do gráfico E8 correspondem aos 8 graus vibracionais de liberdade da “membrana” varrida pelas supercordas vibrantes – análoga à linha traçada por uma partícula pontual. Assim, as 2 dimensões da membrana em si mais suas 8 dimensões de vibrações, cujos harmônicos são estados de partículas…somam as 10 dimensões do espaçotempo. Sendo que estas, implicitamente, poderiam representar uma unificação, onde a hierarquia das estruturas inclusivas sugere uma ‘consciência universal’.

Como o modelo da hiper-realidade deve ser o vasto objeto matemático subjacente descrito por toda a ‘série A-D-E’, cada categoria de objeto matemático descrita por esses gráficos, é apenas outra janela para esse objeto subjacente. Destas janelas matemáticas, aqueles cuja relevância é óbvia – tanto para a física…quanto à consciência – são…”grupos de simetria“; “álgebras, e grupos de Lie“; “álgebras de Heisenberg“; “instantons gravitacionais“; “teoria de catástrofes“; “códigos de correção de erros“; “codificação analógico-digital”; ‘teorias de campo conforme’; e ‘Grupos McKay’…tetraédrico (E6), octaédrico (E7) e icosaédrico (E8).

Estes últimos grupos remontam ao diálogo de Platão – o “Timeu”… onde os sólidos regulares (platônicos) descobertos pelos pitagóricos são discutidos. Por esta razão,          o matemático russo Vladimir Arnold, que liderou com mais ênfase a exploração da “hierarquia A.D.E”…chama este estudo de “platônico”. Saul-Paul Sirag (texto base)         ***************************(texto complementar)*******************************

A teoria das cordas (EM CONSTRUÇÃO)                                                                            Embora a nova teoria das cordas possa nunca corresponder às expectativas iniciais, suas ferramentas inovadoras têm ajudado há décadas… – e o melhor pode ainda estar por vir. 

Andrew Strominger, físico da Universidade de Harvarde um dos expoentes da “teoria das cordas”, lembra o entusiasmo inicial da teoria…Diz ele… “Na época de sua aparição, havia uma expectativa de que…com a ajuda dela…todos os problemas da física estavam resolvidos, com uma teoria final em mãos”. Strominger sabia, mesmo com toda euforia, que tais afirmações eram exageradas E, com certeza, o ceticismo se infiltrou ao longo dos anos. Ninguém ainda concebeu um experimento que possa, em definitivo, verificar    ou refutar a “teoria das cordas”. A reação contrária pode ter atingido seu pico em 2006, quando vários livros e artigos conceituados atacaram a teoria. – Mas, embora ela tenha desaparecido dos holofotes não desapareceu do campo teórico como assim afirma Juan Maldacena físico teórico do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, New Jersey… – “A teoria ainda está evoluindo… – e ficando cada vez melhor compreendida”.

Hoje em dia muitos dos teóricos das cordas adotaram uma “abordagem utilitária”,                de modo a se concentrar menos no potencial abrangente da teoria, e mais em suas possibilidades práticas, ao aplicar técnicas das cordas a problemas de ‘matemática        pura’ Enquanto Strominger trabalha para garantir uma compreensão conceitual          mais profunda dos buracos negrosoutros ainda tentam obter a ajuda inesperada            da teoria das cordascom cálculos ligados à física de partículas e estados exóticos            da matéria. Emergindo dessa diversificação de trabalhos, segundo Strominger, há            um novo consenso de que: “a teoria das cordas pode não ser uma fabulosa      teoria de tudo então criada, mas definitivamente é uma teoria de algo”.

Espaço Calabi-Yau – 6d, 10-33 cms, escondendo dimensões extras.

Strominger nunca gostou da rotina. Ele abandonou Harvard 2 vezes na década de 1970 – para viver em comunidades em New Hampshire e na China antes    de retornar à faculdade empenhado em sondar o universo através da física teóricaComo estudante    de pós-graduação do MIT, Strominger foi instruído      a evitar assuntos arriscados…como a própria teoria das cordas…mas ignorou o conselho… E a aposta valeu a pena. Em 1985, 3 anos após obter seu Ph.D, Strominger foi coautor de um artigo seminal sobre      o assunto… – que, por sinal…fez parte da chamada “primeira revolução das cordas“.

Uma premissa central da teoria é que as cordas, unidade básica da natureza, vibram em um universo de 10 ou 11 dimensões. As 3 dimensões familiares mais o tempo formam 4,      o que significa que 6 ou 7 dimensões espaciais extras devem permanecer ocultas…tão reduzidamente pequenas que não podemos percebê-las. Tais microdimensões precisam ser “compactadas” de uma maneira específica, para reproduzir a física que observamos.      E sendo assim, Strominger e seus colegas determinaram o que essa forma tinha que ser um objeto matemático de 6 dimensões, mais conhecido como“espaço de Calabi-Yau”.

A “massa” de uma partícula, a “intensidade” de uma dada “força”, e outras quantidades fundamentais dependem da geometria deste espaço convoluto.

Mas os teóricos das cordas logo fizeram uma descoberta notável Girando um espaço        de Calabi-Yau de uma maneira especial, eles podiam produzir uma espécie de imagem espelhada, todavia bastante deformada. – E a maior surpresa, foi que essas profundas disparidades aparentes de formas tinham um parentesco oculto…cuja origem se devia        à uma mesma estrutura física. Os teóricos denominaram o fenômeno de “simetria espelhada”…E, rapidamente descobriram que poderia ser aproveitada para resolver vários quebra-cabeças matemáticos. Em 1991, por exemplo, o físico Philip Candelas e colegas conseguiram resolver um problema secular por meio da contagem do número      de esferas que poderiam caber dentro de um “espaço de Calabi-Yau”. Os matemáticos então aproveitaram essa nova simetria deformada‘, para lidar com outros problemas pendentes emgeometria enumerativa, geralmente envolvendo a contagem de linhas          e curvas em complicadas superfícies…e espaços tridimensionais. – A técnica ajudou a renovar o campo de estudo – com uma inédita linha de pesquisaainda efervescente.

De acordo com o matemático Bong Lian, da Universidade de Brandeis:                   “Durante os últimos anos, tem sido feito um certo progresso no sentido                                  de encapsular essa ideia em uma fórmula (não obstante…complicada).                                E o resultado daí encontrado…é que imagens geométricas…algébricas,                          como físicas desta nova simetria, estão todas começando a convergir”.

Revelações do “buraco negro”

Muito embora, Strominger tenha sido coautor de um artigo de 1996, onde matematicamente explicava o funcionamento desse novo tipo de simetria… sua ênfase – nas últimas 2 décadas, tem sido o uso da “teoria das cordas” para assim obter “insights” sobre “buracos negros”.

Com efeito, numa incursão por estes domínios, ele e seu colega de ‘Harvard’, Cumrun Vafa exploraram uma descoberta intrigante do início dos anos 1970 … trazida à luz pelos físicos Jacob Bekenstein e Stephen Hawking. — Até então, os buracos negros eram classicamente considerados objetos simplesliteralmente buracos no espaço, completamente descritos por apenas 3 variáveis: sua massa, rotação e carga. Usando a relatividade geral (teoria da gravidade de Einstein)…’termodinâmica‘…e mecânica quântica‘…Bekenstein e Hawking, surpreendentemente lograram desenvolver uma fórmula…que demonstrava uma entropia excessivamente alta para os “buracos negros” – ou seja, uma medida de quantas maneiras partículas podem se organizar dentro dele. Noutras palavras, a estrutura interna de um buraco negro era muito complexa – podendo assumir um grande nº de estados potenciais. A fórmula de Bekenstein-Hawking rendeu um número preciso à entropia … quantificando os possíveis estados interiores sem contudo, indicar o conteúdo desses variados estados.

A “entropia” é descrita como uma medida da “desordem” dentro de um    sistema macroscópico. Mas também pode ser definida como a quantidade máxima de informação que pode ser “empacotada” dentro de um objeto.

Em 1996, Strominger e Vafa recorreram à teoria das cordas para fornecer uma perspectiva microscópica dos buracos negros…Sua forma de proporcionar uma visão interna, como no trabalho de Candelas… era semelhante a contar o “número de esferas” que poderiam ser configuradas dentro de um…”espaço de Calabi-Yau”. E a resposta a que Strominger e Vafa chegaramconcordou perfeitamente com o resultado Bekenstein-Hawking. Este foi um grande triunfo para a ‘teoria das cordas’porque assim, ela estava oferecendo algo (pistas sobre a composição interna de um buraco negro), que nenhuma outra abordagem poderia. Além disso do seu trabalho com Vafa … Strominger mostrou que os buracos negros em rotação rápida têmsimetria conforme, o que significa que certas propriedades físicas são independentes do tamanho do buraco negro‘. Ele também percebeu que a presença dessa simetria – não reconhecida anteriormente… poderia ser usada para suportar uma série de previsões… – Para tanto Strominger atualmente está tentando calcular a intensidade da radiação eletromagnética que emana da vizinhança de um buraco negro. Em poucos anos, diz ele, assim que a rede conhecida como…Event Horizon Telescope… estiver online, os astrônomos poderão testar essas estimativas de radiação por meio de medições diretas.

O futuro interferômetro espacial a laser (eLISA) poderá ajudar em previsões da teoria das cordas empregando ondas gravitacionais.

Fazendo previsões

Com técnicas similares, inspiradas na teoria das cordas, o grupo de Strominger calculou o espectro de ondas gravitacionais emitidas, quando objetos compactos como estrelas caem em buracos negros gigantes … previsões que poderiam ser verificadas pelo interferômetro espacial a laser eLISA (‘LISA Pathfinder’). Strominger também acredita que evidências de “simetria conforme” podem emergir do ‘LIGO’…detector das 1ªs ondas gravitacionais, em 2016. – E, com base nesses argumentos, ele ainda se arriscou a uma previsão…“Em breve, astrônomos poderão estar se ‘afogando’ em tantos dados, que deles…será impossível uma total interpretaçãoÉ aí então, que as ideias da teoria das cordas poderiam ajudar nisso”.

Vários outros físicos, por sua vez, estão empregando metodologias das cordas em estudos sobre estados extremos da matéria desde os plasmas intensamente quentes produzidos em colisores de partículas, até materiais criados em laboratório a temperaturas próximas do zero absoluto. O físico Andrew Green, da ‘University College London’, que investiga as estranhas fases da matéria surgidas em temperaturas ultrafrias…nunca pensou empregar    a teoria das cordas, mas acabou descobrindo sua utilidade. Como ele disse: “Embora esta possa ainda não oferecer uma abrangência da realidade … deu início ao desenvolvimento de um novo conjunto de técnicas matemáticas, bastante úteis em amplas áreas da física”.    Muitas dessas abordagens envolvem geometria de dimensões superiores…acrescenta ele, “permitindo desenhar imagens geométricasdo que antes eram formulações algébricas”.

Green chama a teoria das cordas de “um novo cálculo”, dizendo que suas ideias acabarão por se juntar ao kit de… “ferramentas padrão da física teórica”. – E Strominger concorda. Embora os físicos possam não ter tropeçado na teoria definitiva de tudo há 30 anosele  vê a teoria das cordas como um ponto de partida do qual tal teoria ainda pode emergir. Não obstante a forma como a busca acabejá é uma ferramenta comprovada, sugerindo “como coisas aparentemente irreconciliáveis podem se encaixar”. E, à medida que novas aplicações seguem sendo exploradase corroboradas, fica cada vez mais evidente, que a única coisa que a “teoria das cordas” não é…é uma teoria obsoleta. (texto base) jun/2016

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
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Uma resposta para Consciência & Hiperespaço (com Saul-Paul Sirag)

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