Consciência & Hiperespaço (com Saul-Paul Sirag)

“Qualquer tecnologia alienígena mais avançada                                                    seria indistinguível da magia”  (Arthur Clarke)

JEFFREY MISHLOVE:  Boa noite, e bem vindos à ‘Rede Intuitiva‘. Nosso tópico         esta noite é ‘realidade multidimensional’, ou ainda … o que os físicos chamam             de “hiperespaço“. Meu convidado, Saul-Paul Sirag, físico norteamericano que desenvolveu teorias sobre idade e tamanho do universo… – assim como “estrutura matemática” de partículas subatômicas… – Saul-Paul, bem-vindo ao programa…

Sirag: É um prazer estar aqui.

Mishlove:  É  um prazer tê-lo aqui, também. Você sabe, o hiperespaço é um conceito muito confuso… Eu me lembro, quando jovem estudante na faculdade — talvez 20 anos atrás, as pessoas zombavam da possibilidade de mais que 3 dimensões. – E agora, ao meu ver a noção de ‘hiperespaço’, ou ‘realidade multidimensional‘…já   é considerada pelos físicos… – uma “questão consolidada”

Sirag: Bem… – talvez ainda não… totalmente ‘consolidada’ , mas eles estão levando isso bastante a sério. Mas, é interessante que você tenha mencionado uma grande confusão,   há anos, sobre o “hiperespaço“…

 Com efeito, a ideia moderna de hiperespaço remonta ao matemático do  século XIX…Charles Hinton — quem primeiro pensou sobre um espaço de    4 dimensões – ideia que foi… de certa forma…suplantada pela teoria de Einstein do espaçotempo, em meados do século seguinte.

Em outras palavras…Einstein mostrou que, espaço e tempo estavam conectados em um sistema de 4 dimensões – e por causa disso, as pessoas passaram a ridicularizar as ideias anteriores de uma 4ª dimensão espacial, porque diziam – bem, a 4ª dimensão realmente não é espacial, é temporal… Porém, mais recentemente…descobrimos na física que o que estávamos há muito tempo chamando de ‘espaços internos das partículas subatômicas’, são realmente espaços, assim como o “espaçotempo“.

Na verdade, o quadro que emergiu agora, o qual é muito interessante, é que, na verdade, há um sistema dimensional muito maior do que apenas uma ou 2 dimensões a mais. Há muitas dimensões extras; e dependendo de como você contar dimensões, e de como sua teoria funciona, você pode ter 10 dimensões, 26 dimensões…ou até muito mais que isso.

Mishlove: Estas são consideradas, literalmente, dimensões do espaço, de fato?

Sirag:  Os  físicos que trabalham com essas teorias as consideram dessa maneira, sim. E toda a ideia, realmente, é que o ‘espaçotempo’ – o sistema de 4 dimensões de Einstein, é, na verdade, apenas um subespaço deste espaço dimensional muito maior.

Isso me lembra muito a alegoria de Platão sobre o mundo das sombras         no interior de uma caverna… mais conhecida como o ‘mito da caverna’.

Platão disse que o povo acorrentado nesta caverna… – sem poder mover a cabeça … ou seus membros – identificaria sua própria consciência… e a si mesmos, com as sombras bidimensionais. – Claro que, obviamente Platão estava tentando dizer que somos mais       do que seres tridimensionais – porém, tendemos a nos identificar com nossas sombras tridimensionais, ou seja, nossos corpos.

É certo que a geometria não estava tão desenvolvida – estava então, apenas começando, e por isso ele não tinha a linguagem para falar sobre o hiperespaço da forma como fazemos hoje, mas eu acho que ele teve a ideia, intuitivamente.

planolandia

Mishlove: Nós temos agora, uma noção semelhante – os   “planolândios”… não é?     

Sirag:  Sim… – bem, na verdade … a ideia de Planolândia foi criada no século XIX… – pelo reverendo Edwin Abbott, para tentar fazer mais compreensível … a noção do “reino espiritual“, de acordo com um conceito ainda mais antigo que o de Platão…adaptado à nossa terminologia moderna.

Um domínio hiperespacial é certamente um território em que o cotidiano é apenas uma visão parcial da realidade… assim como o mundo espiritual possui um alcance, e uma riqueza muito maior. E isto, lógico… depende do domínio de sua própria existência.

E esta é bem a maneira como a “teoria do campo unificado” vê o mundo, hoje em dia… – Onde as diferentes vertentes desta teoria… – e há várias dela – em certo sentido…implicam, cada uma, certo tipo de hiperespaço.

Mishlove: Supradimensional…

Sirag: Diferentes dimensões acarretam diferentes estruturas daquele espaço.

Mishlove: Então, o que eles estão discutindo é sobre a natureza das dimensões                 superiores do espaço… – e não, se dimensões superiores existem, ou não…certo?

Sirag: Sim, e da forma como testar essas teorias.

A verdade é que cada dimensão corresponde, de acordo com a teoria clássica, a um tipo diferente de partícula subatômica. Então, essa é a maneira que poderíamos testar essas teorias… – encontrando provas da existência destas partículas…Mas, elas não são nada parecidas com ‘mini Big Bangs’… Aliás, são muito diferentes — razão porque poderiam,   de fato, corresponder à dimensões hiperespaciais. Mas…explicar isto nos levaria talvez, numa direção demasiadamente matemática.

Mishlove: Bem, é certo que não queremos seguir esse caminho. – Deixe-me, então, lhe lançar outra pergunta. Nós olhamos para a consciência humana, que, normalmente, parece ter estranhas dimensões de tempo e espaço. Fechamos nossos olhos e sonhamos;   e, todos nós temos fantasias, e imagens mentais de vários tipos… – Com a velocidade do pensamento, podemos ir, por exemplo, do Egito a Atenas, num piscar de olhos. Existiria, então algum sentido em que o espaço interior… – assim como nós o experimentamos, possa ser descrito nessa mesma linguagem a que você está se referindo…hiperespaço?

Sirag: Bem, isso é realmente o que eu acredito. E acredito nisso, a partir da noção total de ‘hiperespaço’ — seja quantas dimensões for — e, em certo sentido, o é… provavelmente, de dimensão infinita. Existem muitas projeções – subprojeções, poderíamos dizer, a partir de um espaço de dimensão infinita — digamos, um espaço de 192 dimensões, para um espaço 96 dimensões, e daí para um espaço de 48 dimensões; para, em seguida, uma redução a 12 dimensões; até o conhecido espaçotempo quadridimensional. Sendo que, cada uma dessas projeções implica diferentes condições sendo deixadas de lado… – por assim dizer.

http://labellateoria.blogspot.com.br/2007/03/espacios-fibrados-y-renglones-torcidos.html

Gordian Knot – John Robinson

Mishlove: Estamos falando agora da ‘teoria das cordas’, ou ‘teoria dos fibrados’?

Sirag: Bem, ‘teoria das cordas’ é um conceito que está sendo agora usado na ‘física unificada de partículas’. – Já ‘teoria dos fibrados’ significa a matemática por trás disso. Certamente quase todo mundo que trabalha em teoria do campo unificado hoje está…em essência, trabalhando em alguma versão da ‘teoria dos fibrados’, matematicamente falando. 

Mishlove: Com essas várias dimensões se reduzindo, ou se projetando uma na outra, como você acabou de dizer…

SIRAG: Sim.

Mishlove: Agora, uma coisa que temos de deixar claro para nossos telespectadores é… O que significa a teoria do campo unificado’?…Por que ela é tão importante?

Sirag: Bem, na verdade, toda a história da física tem sido a busca de unificar as forças da natureza. Newton – por exemplo, unificou o que chamavam de gravidade celestial com a gravidade terrestre – em outras palavras…a força que faz a terra girar ao redor do sol, e a lua em torno da Terra — que chamamos degravidade celestial’ — com a força que faz as pedras caírem.

Ele  unificou  essas  2  forças  em  um  belo  esquema…  Essa é a mecânica newtoniana. E, mais tarde, no século XIX, James Clerk Maxwell unificou eletricidade, magnetismo, e luz, em uma única teoria – assim…ele estava unificando 3 coisas muito diferentes.

Mishlove: No que chamamos de eletromagnetismo…

Sirag: Claro… Portanto, a luz é uma onda eletromagnética… E, bem mais recentemente, fomos capazes de unificar o eletromagnetismo, com o que chamamos de “força nuclear fraca – a força que controla, por exemplo, o decaimento radioativo. Então, decaimento radioativo é apenas um aspecto da “força eletrofraca“, assim como a chamamos agora.

Ademais, há outra força nuclear, denominada “força forte“, a qual mantém o núcleo do átomo unido contra a repulsão elétrica – que estamos tentando unificá-la… Mas, o maior problema de todos é unificar a “gravidade” com todas essas forças, e também descobrir se existem mais forças, de fora desse modelo… – à espera de novos dados experimentais.

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As interações spin-spin de longo alcance (linhas azuis) permitem que os elétrons na superfície “sintam” seus parentes no interior da Terra, a milhares de quilômetros de profundidade.[Imagem: Marc Airhart (UTexas-Austin)/Steve Jacobsen (Northwestern University)]

Por exemplo, eu e alguns colegas temos razões para acreditar que há outra força, que, às vezes, é chamada de 5ª forçaou força virtual; e, que precisaria também ser unificada…  –  junto com as demais.

Agora, é lógico que a razão para isso é sempre procurarmos uma forma mais abrangente – que consideramos, uma visão mais simples da realidade.

E a ironia é que para alcançar este nível mais simples da realidade, algo tem que se compensar… e esse algo, representa a dimensionalidade do sistema que se faz, em certo sentido, bem mais complicada.

Mishlove: Então, a teoria unificada final seria aquela em                                                       que a consciência também se encaixa no esquema, não é?

Sirag: Bem, não só se encaixa no esquema.

O que eu realmente penso sobre consciência, é que, no fundo, de alguma forma, em algum tipo de sentido realmente cósmico, há apenas uma consciência, e isso é verdadeiramente a coisa toda… Noutras palavras, o hiperespaço é a consciência agindo sobre si mesma; e, o ‘espaçotempo’ é, apenas, uma espécie de  ‘oficina sideral’  para que ele possa encenar suas várias obras. E, certamente, essa ideia é o arquétipo de mil diferentes tradições espirituais.

Mishlove: Uma mente cósmica… – Mas, o que você está dizendo é que, usando               apenas as ferramentas da ‘física moderna’, você pode chegar a essa conclusão?…

Sirag:  Sim… Bem, basicamente o processo que estamos fazendo, atualmente, é descrever esse domínio. Pode-se dizer que estamos descrevendo o domínio espiritual, se você quiser. Apesar da maioria dos físicos – obviamente, ainda não enxergar dessa forma, eu acho que daqui há algumas décadas, entenderão, com certeza.

Mishlove: Se não me engano, você foi citado na ‘Newsweek’ dizendo algo semelhante, no sentido de que a física é produzida pela mente humana – e, obviamente…está se referindo à consciência.

Sirag:  Bem… não foi isso exatamente o que eu disse… – Eu comentei que… tudo o que já descobrimos…e, o que ainda temos a descobrir em física – é, na verdade, a estrutura final de nossas próprias mentes. E esta é uma ideia que não modifico. – Eu a obtive a partir de outros físicos… – como Eddington… que a tinham muito bem consolidada.

Eddington, na verdade…era meio que ridicularizado à época… – mas, essa é uma ideia que faz muito mais sentido na física, no contexto do que estamos trabalhando hoje.

Pena que Eddington não mais esteja por perto … para curtir as novidades,   já que ele era “superinteressado” em …”teoria de campo unificado“…

Mishlove: Então, recapitulando… ‘teoria do campo unificado’ carrega   essas noções de ‘hiperespaço’ e ‘múltiplas dimensões’, e de alguma forma, nós estamos olhando para a estrutura… – não só do universo físico…mas da própria mente humana.

Sirag:  Sim, mas a ‘mente humana’ é apenas uma parte… – Assim como o ‘espaçotempo’ é apenas uma parte do ‘hiperespaço’…a mente humana é apenas uma pequena parte de uma mente muito superior… – que pode-se chamar ‘mente cósmica’ … se lhe agrada (ainda não temos muitas palavras para defini-la).

Mishlove: Bem, há muitos teóricos falando sobre superconsciência, inconsciente coletivo, e assim por diante. Ao olhar para a física e matemática de ‘espaços multidimensionais’, e a maneira em que os projetamos – reduzidamente – como você diz… de infinitas dimensões, para até, finalmente, chegarmos ao que consideramos como nossa realidade cotidiana — 3 dimensões de espaço, mais 1 de tempo – percebi que o que você está sugerindo, de alguma forma, é a possibilidade de uma descrição matemática da maneira pela qual a consciência cotidiana está relacionada com esta mente superior.

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Sirag: – Sim… Na filosofia há algo que chamamos ‘problema mente/corpo‘. Ou seja, o mundo físico, lá fora, parece ser tão diferente do mundo vivenciado internamente… – que pensamos como fazer… para que essas duas realidades tenham algo a ver — uma com a outra.

E, assim, algumas pessoas tentam resolver o problema dizendo… – Bem… a coisa toda é a mente!… tudo é mente… – Essa é a solução idealista…E depois…há a solução materialista, que quer dizer que tudo é matéria – e… os fenômenos mentais são essencialmente…

Mishlove: … um ‘epifenómeno… – subproduto da matéria.

Sirag:  Esta maneira de ver as coisas é uma forma um pouco menos rigorosa… no sentido em que se pode inclinar mais na direção de uma posição idealista. Mas, a bem da verdade, pode-se considerá-la também uma ‘solução materialista’…haja visto, estar se construindo, agora, uma ‘física do hiperespaço’.

Mishlove: Você está dizendo, então…que a matéria                                                                 não é o que estamos acostumados a pensar que seja?

Sirag:  Sim, certamente. Com efeito, a matéria tem adquirido ao longo do tempo, e cada vez mais, influências mentais…Por outro lado, as pessoas que estudam a mente por meio das técnicas convencionais de biologia, neurociência, etc, encontram mais e mais formas materiais de explicação, para aquilo que considerávamos…tradicionalmente, fenômenos mentais.  

Então, neste momento da história, os 2 lados se encontram em uma espécie de encruzilhada  —  e, eu acho que a solução para o ‘problema mente-corpo’ será encontrada neste ‘panorama hiperespacial de mundo‘.

Em outras palavras…pela antiga ideia espiritual de que a mente não está no corpo, pode-se imaginar a mente cósmica sendo este hiperespaço – se a mente está no corpo, então temos definitivamente um problema mente/corpo… – Mas é o corpo que está na mente. Assim, o corpo é apenas uma sombra que se projeta – por assim dizer… no hiperespaço… – e então, em certo sentido… tudo bem!… porque nossa experiência interna não está ligada… apenas ao hiperespaço… – ela é, na verdade…uma peça intrínseca ao hiperespaço.

(Nossas próprias mentes são projeções de uma                                               mente muito superior… – e…assim por diante.)

Mishlove: Quais poderiam ser algumas das consequências práticas deste ponto de vista? Como ele deveria mudar minha vida – para que eu possa ser capaz de compreender isso?

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“When I was dead”…(ELYPhAS)

Sirag: Bem, quero dizer, há maneiras éticas de avaliação. Se eu estou… – por exemplo, sendo projetado…a partir de uma ‘mente superior’, então estamos agora todos juntos no “hiperespaço“.

Mishlove: E esses corpos seriam como ‘fantoches‘, com um mesmo ‘mestre superior’, ou algo assim.

Sirag: Sim. – E…claro, pessoas que  adquirem  experiências psíquicas reivindicam para si, diretamente, este tipo de fenômeno; uma espécie de ligação mental com outra pessoa… – Imersos no “reino dos sonhos”… nós também experimentamos certo tipo de unidade… possivelmente… diferente daquela         que ordinariamente vivenciamos.

Mishlove:  E, o que você deve estar sugerindo, então… é que este                                             reino de sonhos é parte dessa noção matemática de hiperespaço…

Sirag: Bem, o reino dos sonhos é definitivamente um reino mental, eu diria.

Mishlove: Que poderia até, seguir as leis as quais você pudesse delinear…

Sirag: Sim, definitivamente. Veja, os físicos nunca levaram a sério o ‘mundo dos sonhos’  – ou mundos (existem muitos…provavelmente)… – Quero dizer…que é um estado muito parecido com um ‘estado físico’…porque, até certo ponto, as coisas fazem sentido em um mundo de sonho…e até certo ponto, já não fazem mais … – Imagine que…um dos reinos dos sonhos, fosse para fazer experimentos de física. – É de se supor que chegasse a uma física diferente, digamos assim. De modo que, seria como que… uma projeção diferente.

Seria uma projeção do espaçotempo, muito diferente da que experimentamos; porque no reino dos sonhos, por exemplo, sua identidade pode mudar muito rapidamente. Como se eu pudesse ter um sonho em que você aparecesse – e… de repente, eu fosse você… e você fosse eu – ou qualquer outra pessoa… e isto pode mudar muito rapidamente.

Nesse instante…não experimentamos a realidade dessa maneira;             mas isso não quer dizer que essa possibilidade não possa ser real.

Mishlove: Há alguns casos na literatura da parapsicologia como este.                                 … Além dos casos “clássicos”… de múltiplas personalidades – até hoje.

Sirag:  Sim. Portanto, este tipo de acontecimento faz mais sentido se a realidade for, verdadeiramente, um hiperespaço; e há toda sorte de tipos de projeções acontecendo.       E, talvez…mesmo assuntos como ‘reencarnação’ poderiam ser reinterpretados em tal modelo – com as necessárias adequações em suas noções mais ingênuas.

Mishlove: ‘Como eu entendo a sua teoria’… Saul-Paul, posso adiantar um pouco aqui   que, todo o universo físico, como nós experimentamos, é em certo sentido, fisicamente regido pela propriedade matemática da constante de estrutura fina   o ‘número 137’;        a partir do qual, tudo emerge… E outros níveis de hiperespaço, universos paralelos, de certa forma… – ou, outras dimensões… poderiam, igualmente… ser atributo de outras constantes matemáticas… – Isso está, basicamente, correto?

Sirag:  Sim… Estamos muito impressionados com certas constantes na física… – que desempenham um papel muito fundamental. – Anteriormente… quando mencionei a unificação das forças, eu poderia ter falado sobre o que isto significa … É que todas as forças têm mesma potência, em algum nível do hiperespaço. A constante de estrutura       fina é uma medida da intensidade da força elétrica…e em suma, a ideia é que todas as forças têm a mesma energia… – uma “energia unificada”… – ao nível de ‘hiperespaço’.

Agora, se essas forças foram sempre tão ligeiramente diferente; quer dizer 1% diferentes; então, um mundo totalmente (causalmente) diferente do nosso, poderia ocorrer…Porém, isso pode ser exatamente o que os mundos de sonho se parecem – eles são simplesmente uma espécie de física, com uma constante de estrutura fina diferente.

Mishlove: Então – usando a matemática apresentada aqui, você poderia prever o que as outras realidades deveriam parecer; ou pelo menos, como as leis físicas deveriam operar?

Sirag:  Bem – a princípio – se poderia tentar fazer isso; mas estamos falando aqui, de um programa de muito longo prazo. Nós, realmente, estamos falando sobre para onde a física deverá se encaminhar no século XXI…

Você sabe que as equações de Maxwell foram escritas no século XIX – na verdade… no início de 1865; e, ainda que todos esses maravilhosos fenômenos elétricos, que são a nossa alta tecnologia atual, surgiram a partir de um conjunto de equações… Assim, no século XX se deu, tecnologicamente…a exploração dessa bela unificação das forças eletromagnéticas.

Mishlove: Isso aconteceu há mais de 100 anos atrás.

Sirag: Sim. Pois bem, o que estou dizendo é que, neste novo século (XXI) ….. evoluirá uma tecnologia bem mais sofisticada que a “tecnologia eletromagnética”… – E… como consequência, a consciência estará … creio eu — intimamente envolvida — com todos esses desenvolvimentos tecnológicos, pela total ‘unificação’ das forças já conhecidas.

E isso será extremamente emocionante…

Porém, com isso não estou dizendo que a física está chegando a qualquer final, em virtude dessa unificação… – É mais como um recomeço – e, em certo sentido… – até mesmo, o verdadeiro início de uma nova tecnologia.

Mishlove: E, quais são algumas das coisas que você prevê?

Sirag:  Bem, eu posso tentar adivinhar algumas coisas; mas, deixe-me lembrá-lo que uma das últimas coisas no mundo que Maxwell teria previsto — seria a televisão saindo de suas equações… Veja bem, a partir de equações de Maxwell, pode-se descobrir que, além da luz visível, tinha que haver luz invisível. Mas, quão grande era esse espectro (eletromagnético) da luz invisível – ninguém realmente sabia. E, em seguida, foram descobertas as ondas de rádio, num tipo, e raios-X, em outro. E, Maxwell não previu nenhuma dessas descobertas, especificamente.

Portanto, é bem difícil prever…se você é físico, apenas transcrevendo algumas equações. Mas, a principal previsão já feita por mim, é que… a partir do hiperespaço projetamos o espaçotempo. – Então, na minha opinião o que já poderíamos estar aprendendo a fazer, tecnologicamente, é, de fato, pesquisar os domínios do hiperespaço.

Em outras palavras, nós estamos vivendo em um filme 3-D agora, OK?…Então, o que nós devemos aprender é a fazer os nossos próprios filmes… ao invés de apenas atuar no filme de outra pessoa. Nós devemos estar caminhando para desempenhar “papel principal” na nossa própria produção… – Então, basicamente essa é apenas uma maneira de dizer que devemos jogar o jogo todo mais conscientemente.

Mishlove: Parece que você está dizendo é que nos tornaremos como deuses, ou como nós imaginamos serem os deuses hoje em dia… Esta noção de criar vida através da engenharia genética, não é uma gota no oceano, em comparação com o que seria possível, se nos fosse permitido dominar a tecnologia do hiperespaço?…

Sirag: Claro que vai ser apenas um pequeno passo em direção ao hiperespaço, e sempre haverá muitas dimensões além da nossa – e, talvez então…devessemos falar sobre ‘seres divinos’, que teriam um posto mais alto na hierarquia da consciência; e assim por diante. E, todo um novo vocabulário evoluiria, para se tornar bem mais preciso.

O ‘lance’ é que a matemática para pensar sobre isso já está desenvolvida, tanto quanto me consta. E nisso, os matemáticos estão muito à frente, no sentido de que eles não precisam de experimentos para testar suas teorias. O único teste de um teorema matemático é uma prova lógicae, assim… se desenvolve muito mais rapidamente.

Novas ideias, em matemática, fluem muito rápido. Por exemplo, a ‘teoria dos fibrados’, que começou a ser trabalhada na década de 30 – se desenvolveu rapidamente na de 50, mas, só agora – realmente – é que estamos começando a aplicá-la — em larga escala… na “física topológica“.

Assim, portanto, os matemáticos estão bem à nossa frente… e os que deles, criam coisas novas… – creio eu … – bebem de sua água.

Mishlove: Bem, isso é bem interessante. Quando eu era criança…me disseram que seriam 12 pessoas no planeta que realmente compreendiam Einstein…porque leva um tempo para novas e brilhantes ideias serem filtradas para o entendimento das massas. – Porém, agora suspeito que há mais de 12 pessoas que entendem as teorias da relatividade. E você está falando também, do que parecem ser teorias de vanguarda. Eu, portanto…não ficaria surpreso se hoje, apenas         12 pessoas no planeta entendessem seu trabalho.

Sirag:  Bem…até onde saiba, o que eu tenho visto é que os matemáticos com quem falo, geralmente, a compreendem muito bem… – especialmente se eles tem conhecimento de uma área da matemática chamada ‘teoria de grupos‘. – E, se conhecem também ‘teoria dos fibrados‘… então, a dominam de verdade.

É evidente que, ambas são áreas enormes da matemática…na qual os físicos – geralmente, encontram muitas dificuldades em acompanhar…Por exemplo, eu apresentei minha teoria numa reunião especial dos deptos. de física e matemática na Georgetown University/EUA; e os físicos, em geral, não participaram (ou, não a entenderam)… – Já os matemáticos … a seguiram muito bem.

Mishlove: Mas, é aos físicos que você está tentando se dirigir…

Sirag: Claro. Mas eu entendo muito bem por que os matemáticos podem acompanhar…

Mishlove: Mas, se os físicos agora estão tendo dificuldade em acompanhar seu trabalho, pode levar, como você diz, 100 anos, até que ele seja, enfim, compreendido pelas pessoas comuns.

Sirag: Bem, talvez não 100 anos. As coisas, hoje em dia, mudam um pouco mais rápido   do que nos tempos de Maxwell, e a tecnologia se move muito mais rápido, ainda. A ideia de hiperespaço seduzirá – definitivamente, a nova geração de físicos, e eles irão adotá-la imediatamente, eu acho.

Mishlove: Bem, Saul-Paul, se suas teorias são como você acredita, e se tornarem reconhecidas a esse nível, então terá sido uma grande honra para mim, e acredito,             para os nossos ouvintes e telespectadores, receber você hoje no programa…Muito obrigado, por estar conosco esta noite.

Sirag: Obrigado. Foi um prazer.

texto p/ consulta: Hyperspace Reality by Saul-Paul Sirag                                                   *************(texto complementar)*******************************************

'Hubble Deep Field'

‘Hubble Deep Field’

O nosso universo observável

A parte do universo que hoje podemos ver, já foi muito pequena (do tamanho   de uma ervilha.. – como dizem alguns cosmólogos). Depois…foi-se esticando, infinitamente… em todas as direções.

Se o espaço não estivesse em expansão, o objeto mais distante que poderíamos ver, estaria a cerca de 14 bilhões de anos luz de nós…(…distância que a luz poderia ter percorrido desde o big bang).

Mas, como o espaço está se expandindo – a distância percorrida por um fóton durante sua viagem, expande-se atrás dele. Por isso, a distância percorrida será cerca de 3 vezes maior. Assim… 46 bilhões de anos luz é a distância do mais afastado objeto que podemos ver.

No entanto, só os fótons que caminham em nossa direção, e estão a menos de 14 bilhões   de anos-luz (a distância de Hubble) de nós, têm uma velocidade… (a velocidade da luz) que consegue vencer a velocidade de expansão do espaço. Fótons mais distantes, nunca poderão chegar até nós, e a sua fonte, para um observador terrestre, ficará para sempre indetectável.

Como a taxa de expansão cósmica parece estar acelerando, estamos rodeados por uma  fronteira – horizonte de acontecimentos cósmicos – para além do qual ocorrem acontecimentos que nunca veremos.

A luz emitida por galáxias que estão além desse ‘horizonte de eventos, nunca chegará aqui… Nossa distância a ele é estimada presentemente como sendo de 16 bilhões de anos-luz – número superior à distância de Hubble – porque, como o espaço percorrido por um fóton, durante sua viagem… se expande atrás dele… — os fótons vindos de galáxias que já estiveram a essa distância… – e, hoje estão para além dela… – conseguem chegar até nós.

Portanto, seremos ainda capazes de ver acontecimentos que ocorreram nessas galáxias, antes delas atravessarem o ‘horizonte’… — no entanto, acontecimentos posteriores … nunca poderão ser visualizados por nós.

(Texto baseado num artigo de Charles H. Lineweaver e Tamara M. Davis: Misconceptions about the Big Bang… Scientific American – Março 2005.)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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