Consciência & Hiperespaço (com Saul-Paul Sirag)

“Qualquer tecnologia alienígena mais avançada                                                    seria indistinguível da magia”  (Arthur Clarke)

A ‘Rede Intuitiva’  —  canal alternativo de assinatura, apresenta a seguir,                             uma transcrição da série ‘Pensamentos Possíveis’, com Jeffrey Mishlove…

JEFFREY MISHLOVE:  Benvindos e boa noite.  Nosso tópico esta noite  é  ‘realidade multidimensional’, ou o que os físicos chamam de ‘hiperespaço‘.  Meu convidado, Saul-Paul Sirag, físico norteamericano, que desenvolveu teorias sobre idade e tamanho     do universo, assim como a estrutura matemática de partículas subatômicas.  Saul-Paul, bem-vindo ao programa.

Sirag: É um prazer estar aqui.

Mishlove:  É  um prazer tê-lo aqui, também. Você sabe, o hiperespaço é um conceito muito confuso.  Eu  me lembro, quando jovem estudante na faculdade — talvez 20 anos atrás, as pessoas falavam (sorrindo) sobre  a possibilidade de que houvesse mais de 3 dimensões.

E, agora – ao meu ver – os físicos já consideram a noção de hiperespaço, ou  ‘realidade multidimensional’, como sendo uma matéria de fato.

Sirag:  Bem, talvez não ‘matéria de fato’  ainda,  mas eles estão levando isso tão a sério,  que,  do meu ponto de vista,  já  é  questão  consolidada. Mas, é interessante você mencionar que houve uma grande nuvem de confusão ao longo dos anos sobre o hiperespaço.

 Com efeito, a ideia moderna de hiperespaço remonta ao matemático do  século XIX   Charles Hinton — quem primeiro pensou sobre um espaço de    4 dimensões  –  ideia que foi…  de certa forma,  suplantada pela teoria de Einstein do espaçotempo, em meados do século seguinte.

Em outras palavras,  Einstein  mostrou  que  espaço e tempo  estavam conectados em um sistema de 4 dimensões – e, por causa disso, as pessoas passaram a ridicularizar as ideias anteriores de uma 4ª dimensão espacial, porque diziam – bem, a 4ª dimensão realmente não é espacial, é temporal… Porém, mais recentemente, descobrimos na física que o que estávamos há muito tempo chamando de  ‘espaços internos das partículas subatômicas’ são, realmente espaços, assim como o espaçotempo.

Na verdade, o quadro que emergiu agora, o qual é muito interessante, é que, na verdade, há um sistema dimensional muito maior, do que apenas uma ou 2 dimensões a mais. Há muitas dimensões extras; e, dependendo de como você contar dimensões, e de como sua teoria funciona, você pode ter 10 dimensões, 26 dimensões, ou até muito mais que isso.

Mishlove: Estas são consideradas, literalmente, dimensões do espaço, de fato?

Sirag:  Os  físicos que trabalham com essas teorias as consideram dessa maneira, sim. E toda a ideia, realmente, é que o ‘espaçotempo’ – o sistema de 4 dimensões de Einstein, é, na verdade, apenas um subespaço deste espaço dimensional muito maior.

Isso me lembra muito a alegoria de Platão sobre o mundo das sombras dentro  de  uma  caverna  —  mais  conhecida  como  ‘mito da caverna’.

Platão disse que o povo acorrentado nesta caverna  –  sem poder mover a cabeça, ou os seus membros  –  identificaria sua própria consciência, e a si mesmos, com as sombras bidimensionais.  Claro que,  obviamente,  Platão estava tentando dizer que somos mais       do que seres tridimensionais,  porém,  tendemos a nos identificar com nossas sombras tridimensionais, ou seja, nossos corpos.

É certo que a geometria não estava tão desenvolvida – estava então, apenas começando, e por isso ele não tinha a linguagem para falar sobre o hiperespaço da forma como fazemos hoje, mas eu acho que ele teve a ideia, intuitivamente.

planolandia

Mishlove: Nós temos, agora, uma noção semelhante –   os ‘planolândios’, não é?     

Sirag:  Sim… bem,  na verdade,  a ideia de  Planolândia foi criada no século XIX – pelo reverendo  Edwin Abbottpara tentar fazer mais compreensível a noção do reino espiritual —  de acordo com um conceito ainda mais antigo que o de Platão — de que há um reino espiritual – hiperespaço, em nossa terminologia moderna.

Um domínio hiperespacial é certamente um território em que o cotidiano é apenas uma visão parcial da realidade – assim como o mundo espiritual possui um alcance, e uma riqueza muito maior. E isto, lógico, depende daquele domínio para sua própria existência.

E esta é bem a maneira como a teoria do campo unificado vê o mundo, hoje em dia. Assim, as diferentes vertentes desta teoria — e, há muitas versões diferentesem certo sentido, implicam, cada uma, um tipo diferente de hiperespaço.

Mishlove: Supradimensional…

Sirag: Diferentes dimensões acarretam diferentes estruturas daquele espaço.

Mishlove: Então, o que eles estão discutindo é sobre a natureza das dimensões                 superiores do espaço  —  e, não, se dimensões superiores existem, ou não.

Sirag: Sim, e da forma como testar essas teorias.

A verdade é que cada dimensão corresponde, de acordo com a teoria clássica, a um tipo diferente de partícula subatômica. Então, essa é a maneira que poderíamos testar essas teorias  —  encontrando provas da existência destas partículas subatômicas. Mas, estas partículas subatômicas não são nada parecidas com ‘mini Big Bangs’…  Aliás, são muito diferentes — razão porque poderiam, de fato, corresponder à dimensões hiperespaciais. Porém, explicar isto nos levaria – talvez, numa direção demasiadamente matemática.

Mishlove: Bem, é certo que não queremos seguir esse caminho. – Deixe-me, então, lhe lançar outra pergunta. Nós olhamos para a consciência humana, que, normalmente, parece ter estranhas dimensões de tempo e espaço. Fechamos nossos olhos, e sonhamos; e, todos nós temos fantasias, e imagens mentais de vários tipos … – Com a velocidade do pensamento, podemos ir, por exemplo, do Egito a Atenas, num piscar de olhos. Existiria, assim, algum sentido em que o espaço interior – como nós o experimentamos, possa ser descrito na mesma linguagem a que você está se referindo – hiperespaço?

Sirag: Bem, isso é realmente o que eu acredito. E acredito nisso, a partir da noção total de ‘hiperespaço’ — seja quantas dimensões for — e, em certo sentido, o é… provavelmente, de dimensão infinita. Existem muitas projeções – subprojeções, poderíamos dizer, a partir de um espaço de dimensão infinita — digamos, um espaço de 192 dimensões, para um espaço 96 dimensões, e daí para um espaço de 48 dimensões; para, em seguida, uma redução a 12 dimensões; até o conhecido espaçotempo quadridimensional. Sendo que, cada uma dessas projeções implica diferentes condições sendo deixadas de lado – por assim dizer.

http://labellateoria.blogspot.com.br/2007/03/espacios-fibrados-y-renglones-torcidos.html

Gordian Knot – John Robinson

Mishlove: Estamos falando agora da ‘teoria das cordas, ou ‘teoria dos fibrados’?

Sirag: Bem,teoria dos fibradosrepresenta a matemática por trás disso. Já ‘teoria das cordas’ é um conceito que, agora, está sendo usado na física unificada de partículas, e certamente, quase todo mundo que trabalha em ‘teoria do campo unificado’  hoje, está, em essência, trabalhando em alguma versão da ‘teoria dos fibrados’, matematicamente falando.

Mishlove: Com essas várias dimensões se reduzindo, ou se projetando uma na outra, como você acabou de dizer…

SIRAG: Sim.

Mishlove: Agora, uma coisa que temos de deixar claro para nossos telespectadores… O que significa a teoria do campo unificado’?… Por que é tão importante?

Sirag: Bem, na verdade, toda a história da física tem sido a busca de unificar as forças da natureza. Newton – por exemplo, unificou o que chamavam de gravidade celestial com a gravidade terrestre  –  em outras palavras, a força que faz a terra girar ao redor do sol, e a lua em torno da Terra — que chamamos degravidade celestial’ — com a força que faz as pedras caírem.

Ele  unificou  essas  2  forças  em  um  belo  esquema…  Essa é a mecânica newtoniana. E, mais tarde, no século XIX, James Clerk Maxwell unificou eletricidade, magnetismo, e luz, em uma única teoria — assim, ele estava unificando 3 coisas muito diferentes.

Mishlove: No que chamamos de eletromagnetismo.

Sirag: Eletromagnetismo… Portanto, a luz é uma onda eletromagnética.  E, bem mais recentemente, fomos capazes de unificar o eletromagnetismo, com o que chamamos de força nuclear fraca  —  a força que controla, por exemplo, o decaimento radioativo. Então, decaimento radioativo é apenas um aspecto da força eletrofraca, assim como       a chamamos agora. Ademais, há outra força nuclear, denominada força forte, a qual mantém o núcleo do átomo unido contra a repulsão elétrica – que estamos tentando unificá-la com as outras forças.

As interações spin-spin de longo alcance (linhas azuis) permitem que os elétrons na superfície

As interações spin-spin de longo alcance (linhas azuis) permitem que os elétrons na superfície “sintam” seus parentes no interior da Terra, a milhares de quilômetros de profundidade.[Imagem: Marc Airhart (UTexas-Austin)/Steve Jacobsen (Northwestern University)]

O maior problema de todosé claro, é unificar a gravidade com todas essas forças, e também descobrir se existem outras forças — deixadas de fora desse modelo…  à  espreita  de  novos  dados experimentais.

Por exemplo, eu e alguns colegas temos razões para acreditar que há outra força, que, às vezes, é chamada de 5ª força, ou força virtual; e, que precisaria também ser unificada   —   junto com as demais.

Agora – é lógico que a razão para isso,     é que sempre procuramos uma forma mais abrangente – que, consideramos uma visão mais simples da realidade. E a ironia da situação é que, a fim de alcançar este ponto de vista mais simples da realidade – algo tem que se compensar – e, esse algo, é a dimensionalidade do sistema, que torna-se muito mais complicada em um sentido, mas muito mais bonita, em outro.

Mishlove: Então, a teoria unificada final seria aquela em                                                       que a consciência também se encaixa no esquema, não é?

Sirag: Bem, não só se encaixa no esquema.

O que eu realmente penso sobre consciência, é que, no fundo, de alguma forma, em algum tipo de sentido realmente cósmico, há apenas uma consciência, e isso é verdadeiramente a coisa toda… Noutras palavras, o hiperespaço é a consciência agindo sobre si mesma; e, o ‘espaçotempo’ é, apenas, uma espécie de  ‘oficina sideral’  para que ele possa encenar suas várias obras. E, certamente, essa ideia é o arquétipo de mil diferentes tradições espirituais.

Mishlove: Uma mente cósmica… Mas, o que você está dizendo é que, usando                     apenas as ferramentas da física moderna, você pode chegar a essa conclusão?…

Sirag:  Sim… Bem, basicamente o processo que estamos fazendo, atualmente, é descrever esse domínio. Pode-se dizer que estamos descrevendo o domínio espiritual, se você quiser. Apesar da maioria dos físicos – obviamente, ainda não enxergar dessa forma, eu acho que daqui há algumas décadas, verão, com certeza.

Mishlove: Se não me engano, você foi citado na ‘Newsweek’ dizendo algo semelhante, no sentido de que a física é produzida pela mente humana  –  e, obviamente, está se referindo à consciência.

Sirag:  Bem, não foi isso exatamente o que eu disse …  Eu comentei que, tudo o que já descobrimos – e, o que ainda temos a descobrir em físicaé, na verdade, a estrutura final de nossas próprias mentes. E, esta é uma ideia que não modifico … Eu a obtive a partir de outros físicos  –  como Eddington  –  que a tinham muito bem consolidada.

Eddington, na verdade, era meio que ridicularizado à época  –  mas, essa é uma ideia que faz muito mais sentido, na física, no contexto do que estamos trabalhando hoje. Pena que Eddington não mais esteja por perto,  para curtir o que está acontecendo — já que ele era muitíssimo interessado em teoria de campo unificado.

Mishlove: Então, recapitulando: teoria do campo unificado traz consigo essas noções     de hiperespaço e dimensões múltiplas; e, de alguma forma, nós estamos olhando para       a estrutura – não só do universo físico, mas da própria mente humana.

Sirag: Sim, mas a mente humana é apenas uma parte. Assim como o ‘espaçotempo  é apenas uma parte do hiperespaço, a mente humana é apenas uma pequena parte de uma mente muito superior, que pode-se chamar ‘mente cósmica‘ se lhe agrada (ainda não temos muitas palavras para definí-la).

Mishlove: Bem, há muitos teóricos falando sobre superconsciência, inconsciente coletivo, e assim por diante. Ao olhar para a física e matemática de ‘espaços multidimensionais’, e a maneira em que os projetamos – reduzidamente – como você diz… de infinitas dimensões, para até, finalmente, chegarmos ao que consideramos como nossa realidade cotidiana — 3 dimensões de espaço, mais 1 de tempo – percebi que o que você está sugerindo, de alguma forma, é a possibilidade de uma descrição matemática da maneira pela qual a consciência cotidiana está relacionada com esta mente superior.

Sirag:  Sim… Na filosofia há algo chamado ‘problema mente/corpo…  O problema, é que o mundo físico, lá fora, parece ser tão diferente do mundo que experimentamos internamente, que  —  como fazer essas 2  coisas terem algo a ver uma com a outra?

E, assim, algumas pessoas tentam resolver o problema dizendo:  —  Bem,  a coisa toda é a mente!… tudo é mente…  —  Essa é a solução idealista. E depois, há a solução materialista, que quer dizer que tudo é matéria — e, os fenômenos mentais são essencialmente…

Mishlove: … um epifenómeno,                   —  um subproduto da matéria.

Sirag:  Esta maneira de ver as coisas é uma forma um pouco menos rigorosa,                     no sentido em que se pode inclinar mais na direção de uma posição idealista.

Mas, a bem da verdade, pode-se considerar esta, também, uma ‘solução materialista’ — haja visto, estar se desenvolvendo, agora, uma ‘física do hiperespaço’

Mishlove: Você está dizendo, então, que matéria                                                                     não é o que estamos acostumados a pensar que seja…

Sirag:  Sim, certamente. Com efeito, a matéria tem adquirido, ao longo do tempo, e cada vez mais, influências mentais… Por outro lado, as pessoas que estudam a mente por meio das técnicas convencionais de biologia, neurociência, etc, encontram mais e mais formas materiais de explicação, para aquilo que considerávamos,  tradicionalmente,  fenômenos mentais.  

Então, neste momento da história, os 2 lados se encontram em uma espécie de encruzilhada  —  e, eu acho que a solução para o ‘problema mente-corpo’ será encontrada neste ‘panorama hiperespacial de mundo‘.

Em outras palavras  —  pela antiga ideia espiritual  de que a mente não está no corpo, você pode imaginar a mente cósmica sendo este hiperespaço –  se a mente está no corpo, então você definitivamente tem um problema mente/corpo — mas, é o corpo que está na mente. Assim, o corpo é apenas uma sombra que se projeta – por assim dizer, no hiperespaço; e por isso, então,  em certo sentido… tudo bem,  porque nossa experiência interna não está apenas ligado ao hiperespaço – é uma peça intrínseca ao hiperespaço.

(Nossas próprias mentes são projeções de uma                                               mente muito superior… — e, assim por diante.)

Mishlove: Quais poderiam ser algumas das consequências práticas deste ponto de vista? Como ele deveria mudar minha vida – para que eu possa ser capaz de compreender isso?

Sirag: Bem, quero dizer, há maneiras éticas de avaliação. Por exemplo, se estou projetado a  partir  de  uma  ‘mente superior‘  –  assim como você  –  estamos juntos no hiperespaço.

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Mishlove: Esses corpos seriam como pequenos fantoches, com o mesmo ‘mestre superior’, ou algo assim…

Sirag: Sim. E, claro, pessoas que  adquirem  experiências psíquicas reivindicam para si, diretamente, este tipo de fenômenouma espécie de ligação mental com outra pessoa.

Claro que, imersos noreino dos sonhos‘, nós também experimentamos certo tipo de unidade, possivelmente, diferente daquela que ordinariamente vivenciamos.

Mishlove:  E, o que você deve estar sugerindo, então, é que este                                             reino de sonhos é parte dessa noção matemática de hiperespaço…

Sirag: Bem, o reino dos sonhos é definitivamente um reino mental, eu diria.

Mishlove: Que poderia até, seguir as leis as quais você pudesse delinear…

Sirag: Sim, definitivamente. Veja, os físicos nunca levaram a sério o ‘mundo dos sonhos’  – ou mundos (existem muitos, provavelmente…). — Quero dizer, que é um estado muito parecido com um ‘estado físico’, porque, até certo ponto, as coisas fazem sentido em um mundo de sonho e, até certo ponto, já não fazem mais …  — Imagine que, um dos reinos dos sonhos, fosse para fazer experimentos de física — é de se supor que chegasse a uma física diferente, por assim dizer. De modo que, seria uma projeção diferente – digamos.

Seria uma projeção diferente do espaçotempo, muito diferente da que experimentamos; porque no reino dos sonhos, por exemplo, sua identidade pode mudar muito rapidamente. Como se eu pudesse ter um sonho em que você aparecesse – e, de repente, eu fosse você... e você fosse eu – ou qualquer outra pessoa; e, isto pode mudar muito rapidamente. Nesse momento, nós não experimentamos a realidade dessa maneira; mas isso não quer dizer que essa possibilidade não possa ser real.

Mishlove: Há alguns casos na literatura da parapsicologia como este.                                 … Além dos casos  ‘clássicos’  de múltiplas personalidades — até hoje.

Sirag: Sim. Portanto, este tipo de acontecimento faz mais sentido, se a realidade for, verdadeiramente, um hiperespaço; e há toda sorte de tipos de projeções acontecendo.       E, talvez, mesmo assuntos como ‘reencarnação’ poderiam ser reinterpretados em tal modelo – com as necessárias adequações em suas noções mais ingênuas.

Mishlove: ‘Como eu entendo a sua teoria’… Saul-Paul, posso adiantar um pouco aqui          – todo o universo físico – como nós experimentamos, é, em certo sentido, fisicamente regido pela propriedade matemática da  constante de estrutura fina  o ‘número 137’;        a partir da qual, tudo emerge. E, outros níveis de hiperespaço, universos paralelos, de certa forma  –  ou, outras dimensões … poderiam, igualmente, ser atributo de outras constantes matemáticas. Isso está, basicamente, correto?

Sirag:  Sim… Estamos muito impressionados com certas constantes na física  —  que desempenham um papel muito fundamental. Anteriormente, quando eu mencionei a unificação das forças, eu poderia ter falado sobre o que isto significa … É que todas as forças têm mesma potência, em algum nível do hiperespaço. A constante de estrutura       fina é uma medida da intensidade da força elétrica; e, em suma, a ideia é que todas as forças têm a mesma energia  —  uma energia unificada  —  ao nível de ‘hiperespaço’.

Agora, se essas forças foram sempre tão ligeiramente diferente; quer dizer, 1% diferentes; então, um mundo totalmente (causalmente) diferente do nosso, poderia ocorrer.  Porém, isso pode ser exatamente o que os mundos de sonho se parecem – eles são simplesmente uma espécie de física, com uma constante de estrutura fina diferente.

Mishlove: Então – usando a matemática apresentada aqui, você poderia prever o que as outras realidades deveriam parecer; ou, pelo menos, como as leis físicas deveriam operar…

Sirag:  Bem – a princípio – se poderia tentar fazer isso; mas estamos falando aqui, de um programa de muito longo prazo. Nós, realmente, estamos falando sobre para onde a física deverá se encaminhar no século XXI…

Você sabe que as equações de Maxwell foram escritas no século XIX – na verdade, no início de 1865; e, ainda que todos esses maravilhosos fenômenos elétricos, que são a nossa alta tecnologia atual, surgiram a partir de um conjunto de equações… Assim, no século XX se deu, tecnologicamente, a exploração dessa bela unificação das forças eletromagnéticas.

Mishlove: Isso aconteceu há mais de 100 anos atrás.

Sirag: Sim. Pois bem, o que estou  dizendo  é  que,  neste novo século (XXI),  evoluirá  uma  tecnologia  bem  mais sofisticada que a tecnologia eletromagnética.

E a consciência estará, creio  eu – intimamente envolvida com esses desenvolvimentos tecnológicos, graças à total unificação das forças, tais como as conhecemos hoje.

E, isso será extremamente emocionante.

Porém, com isso não estou dizendo que a física está chegando a qualquer tipo de final, em virtude dessa unificação… É mais como um recomeço – e, em certo sentido, até mesmo, o verdadeiro início de uma nova tecnologia.

Mishlove: E, quais são algumas das coisas que você prevê?

Sirag:  Bem, eu posso tentar adivinhar algumas coisas; mas, deixe-me lembrá-lo que uma das últimas coisas no mundo que Maxwell teria previsto — seria a televisão saindo de suas equações… Veja bem, a partir de equações de Maxwell, pode-se descobrir que, além da luz visível, tinha que haver luz invisível. Mas, quão grande era esse espectro (eletromagnético) da luz invisível – ninguém realmente sabia. E, em seguida, foram descobertas as ondas de rádio, num tipo, e raios-X, em outro. E, Maxwell não previu nenhuma dessas descobertas, especificamente.

Portanto, é bem difícil prever; se você é físico, apenas transcrevendo algumas equações. Mas, a principal previsão já feita por mim, é que, a partir do hiperespaço projetamos o espaçotempo. Então, na minha opinião, o que já poderíamos estar aprendendo a fazer, tecnologicamente, é, de fato, pesquisar os domínios do hiperespaço.

Em outras palavras, nós estamos vivendo em um filme 3-D agora… OK?  Então, o que nós devemos aprender é a fazer os nossos próprios filmes, por assim dizer, ao invés de apenas atuar no filme de outra pessoa. Nós devemos estar caminhando para desempenhar ‘papel principal‘ na produção de nossos próprios filmes. Então, basicamente, essa é apenas uma maneira de dizer que devemos jogar o jogo todo mais conscientemente.

Mishlove: Parece que você está dizendo é que nos tornaremos como deuses, ou como nós imaginamos serem os deuses hoje em dia… Esta noção de criar vida através da engenharia genética, não é uma gota no oceano, em comparação com o que seria possível, se nos fosse permitido dominar a tecnologia do hiperespaço?…

Sirag: Claro que vai ser apenas um pequeno passo em direção ao hiperespaço, e sempre haverá muitas dimensões além da nossa — e, talvez, então, devessemos falar sobre ‘seres divinos’ – que, para além de nós, teriam posto mais alto na hierarquia da consciência; e, assim por diante. E, todo um novo vocabulário evoluiria, se tornando muito mais preciso.

O ‘lance’ é que a matemática para pensar sobre isso já está desenvolvida, tanto quanto me consta. E nisso, os matemáticos estão muito à frente, no sentido de que eles não precisam de experimentos para testar suas teorias. O único teste de um teorema matemático é uma prova lógicae, assim… se desenvolve muito mais rapidamente.

http://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/mario-novello-e-o-surgimento-da-massa-inercial

Novas ideias, em matemática, fluem muito rápido. Por exemplo, a ‘teoria dos fibrados’, que começou a ser trabalhada na década de 30 – se desenvolveu rapidamente na de 50, mas, só agora – realmente – é que estamos começando a aplicá-la, em larga escala … na ‘física topológica’.

Assim, portanto, os matemáticos estão bem na nossa frente…e, deles – creio eu, aqueles que criam coisas novas, bebem de sua água.

Mishlove: Bem, isso é interessante. Quando eu era criança, me disseram que seriam 12 pessoas no planeta que realmente compreendiam Einstein porque leva um tempo para novas e brilhantes ideias serem filtradas para o entendimento das massas. Porém, agora, suspeito que há mais de 12 pessoas que entendem as teorias da relatividade. E você está falando, também, do que parecem ser teorias de vanguarda… Eu – portanto, não ficaria surpreso se houvesse apenas 12 pessoas, hoje, no planeta, que entendessem seu trabalho.

Sirag:  Bem – até onde saiba, o que eu tenho visto é que os matemáticos com quem falo, geralmente, a compreendem muito bem  —  especialmente, se eles tem conhecimento de uma área da matemática chamada ‘teoria de grupos.  E, quando conhecem também ‘teoria dos fibrados‘… então, eles a dominam de verdade.

É evidente que, ambas são áreas enormes da matemática, na qual os físicos – geralmente – encontram muitas dificuldades em acompanhar… Por exemplo, eu apresentei minha teoria em uma reunião especial dos departamentos de física e matemática — na Universidade de Georgetown; e físicos – de modo geral, não participaram (assim como não a entenderam). Já os matemáticos, a seguiram muito bem.

Mishlove: Mas, é aos físicos que você está tentando se dirigir…

Sirag: Claro. Mas eu entendo muito bem por que os matemáticos podem acompanhar.

Mishlove: Mas, se os físicos agora estão tendo dificuldade em acompanhar seu trabalho, pode levar, como você diz, 100 anos, até que ele seja, enfim, compreendido pelas pessoas comuns.

Sirag: Bem, talvez não 100 anos. As coisas, hoje em dia, mudam um pouco mais rápido   do que nos tempos de Maxwell, e a tecnologia se move muito mais rápido, ainda. A ideia de hiperespaço seduzirá – definitivamente, a nova geração de físicos, e eles irão adotá-la imediatamente, eu acho.

Mishlove: Bem, Saul-Paul, se suas teorias são como você acredita, e se tornarem reconhecidas a esse nível, então terá sido uma grande honra para mim, e acredito,             para os nossos ouvintes e telespectadores, receber você hoje no programa.  Muito obrigado, por estar conosco esta noite.

Sirag: Obrigado. Foi um prazer.

http://www.intuition.org/txt/sirag.htm                                                                                        ***************(texto complementar)********************************

As primeiras luzes do ‘esqueleto cósmico’  (November 3, 2009)                         

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Essa desconhecida ‘fábrica de galáxias’, localizada há quase 7 bilhões de anos-luz de nós, foi descoberta pela combinação de 2 dos mais poderosos telescópios terrestres. Esta é a primeira observação de tal estrutura galática no Universo distante – fornecendo uma visão mais aprofundada da rede cósmica, e de como esta se formou.

Teias cósmicas

“A matéria não está distribuída  uniformemente  no universo.  —  Em nossa vizinhança cósmica, estrelas se formam nas galáxias, e estas se encontram, normalmente, em grupos e aglomerados. As teorias cosmológicas mais aceitas preveem também, que a matéria se aglutina – em larga escala, sob umateia cósmica– na qual galáxias… imersas em filamentos, crescendo  entre vazios, criam uma gigantesca estrutura.” (Masayuki Tanaka /ESO).

Astrônomos conseguiram mapear uma enorme estrutura filamentar, identificando vários grupos de galáxias que cercam o aglomerado principalEstes filamentos possuem milhões de anos-luz de comprimento, e constituem o ‘esqueleto do Universo’ – galáxias se reúnem em torno deles  —  e, enormes aglomerados de galáxias se formam em suas intersecções, assim como aranhas gigantescas à espreita de mais matéria para digerir.

Cientistas estão tentando determinar como elas emergem para a existência. Embora astrônomos tenham – muitas vezes, observado espessas estruturas filamentosas à distâncias relativamente próximas, uma prova sólida de sua existência no universo mais distante, estava faltando – até agora.

As galáxias localizadas na estrutura recém-descoberta são mostrados em vermelho. Galáxias que estão ou na frente ou atrás da estrutura estão representadas em azul. (ESO / Subaru / Observatório Astronômico Nacional do Japão / M. Tanaka)

As galáxias localizadas na estrutura recém-descoberta são mostrados em vermelho. Galáxias que estão ou na frente ou atrás da estrutura estão representadas em azul. (ESO / Subaru / Observatório Astronômico Nacional do Japão / M. Tanaka)

As primeiras observações

Quando a equipe liderada por Tanaka descobriu, em imagens obtidas anteriormente… uma ampla estrutura ao redor de um remoto aglomerado de galáxias — eles utilizaram 2 grandes telescópios terrestres para estudar essa estrutura em maior detalhe, medindo distâncias à Terra de mais de 150 galáxias;  e  –  obtendo assim… uma visão tridimensional da estrutura.

As observações espectroscópicas foram realizadas com o instrumental ‘VIMOS’,                 no telescópio da ESO; e ‘FOCAS’  —  no Telescópio Subaru  —  do Observatório Astronômico Nacional do Japão.

Graças à estas e outras observações, os astrônomos foram capazes de determinar um verdadeiro estudo demográfico da estrutura, identificando vários grupos de galáxias à volta do aglomerado de galáxias principal. Eles puderam distinguir dezenas desses objetos – cada um, em média, 10 vezes mais massivo que a Via Láctea sendo alguns, até mil vezes mais massivos; enquanto estimavam a massa total do aglomerado em, ao menos 10 mil vezes a massa da nossa galáxia. Alguns dos filamentos, sob a ação gravitacional do aglomerado – inevitavelmente, acabarão sendo absorvidos por ele.

“Esta é a 1ª vez que observamos uma estrutura tão rica e proeminente no universo longínquo.  Podemos agora, passar da demografia à sociologia,     e estudar como as propriedades das galáxias dependem de seu ambiente, num momento em que o Universo tinha apenas  2/3  de sua idade atual”, concluiu Tanaka.

P.S.   O filamento fica a cerca de 6,7 bilhões de anos-luz de nós,  e  se  estende  por,  pelo menos 60 milhões de anos-luz. A estrutura recém descoberta, provavelmente se estende mais longe, para além do campo investigado. Futuras observações já estão planejadas,  a fim  de se obter uma medida definitiva de seu tamanho.

http://www.eso.org/public/australia/news/eso0941/         

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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Uma resposta para Consciência & Hiperespaço (com Saul-Paul Sirag)

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