Lembranças Eternas de um Futuro Inacabado

O conhecimento atual acerca da Natureza vem demonstrando ser o universo uma vasta e imensa rede informacional quantum-holográfica, harmonicamente organizada em todos os níveis da complexidade cósmica. Esta interconectividade universal não é limitada pelo espaçotempo… se constituindo num ‘campo de informação não-local’ que a tudo permeia, e nos interliga instantaneamente a todo o cosmos.

David Bohm postulou … em sua teoria quântico-holográfica que o universo possui características não-locais de indivisibilidade as quais podem ser observadas em sistemas – tão diferentes entre si, quanto a distribuição de matéria no Universo, as redes neurais, os padrões climáticos, a formação das galáxias… – a frequência dos terremotos… a radiação cósmica de fundo, em microondas… os sistemas sociais e econômicos… – os conflitos e guerras, o fluxo de trânsito nas cidades, a bolsa de valores, e até mesmo na internet…

Padrões harmônicos“… – geometricamente fragmentados e ‘autossemelhantes’…subjazem a todos estes fenômenos…se repetindo em escalas progressivamente maiores e menores, através de todo universo.

Foi o matemático Benoit Mandelbrot – ao estudar sistemas aparentemente sem relação entre si…como as formas das linhas litorâneas, e flutuações dos preços nos mercados de ações… quem descobriu essas “relações harmônicas holográficas”… a quem Mandelbrot denominou ‘fractais‘. – Dava-se início assim…ao novo campo da ‘geometria fractal‘, mostrando a profunda e harmônica ordem holográfica fractal, permeando todo cosmos.

Porém, sob o aparente caos dos “sistemas complexos“…existem harmônicos de natureza holográfica que já haviam sido intuídos e demonstrados…No século XIII, por exemplo, o matemático italiano Fibonacci demonstrou a existência de uma relação harmônica entre   a soma de cada numero pelo anterior…na sequência que passou a ser conhecida pelo seu nome…(0,1,1,2,3,5,8,13,21,34,55,89..).

vitru

Esta relação universal, encontrada por toda a natureza; nas espirais das conchas… nos redemoinhos, na forma como os galhos das árvores surgem nos troncos, nos embriões e nas galáxias…é chamada “razão áurea”… ou “proporção áurea”, nome cunhado por Fra Luca Pacioli, no século XV … que a ensinou a Leonardo da Vinci — que a utilizou no “Homem Vitruviano“. – Revelando esta relação… nas proporções da ‘anatomia humana’ … Fra Luca então afirmava…  –  “ser a proporção áurea, assim como Deus… sempre semelhante   a si mesma”.

Na matemática a proporção Phi (1,61803) é definida como um número transcendental, sendo considerada uma constante universal de crescimento e evolução da natureza. Os harmônicos de Φ são um exemplo dosprincípios holográficossubjacentes a todo Cosmos. Em todos os sistemas da natureza constatamos esta invariância em relação à escala, e padrões harmônicos geométrico-fractais subjacentes.

Sistemas holográficos                                                                                                   Fractais são a assinatura dos “padrões holográficos” — presentes em todos                         os níveis de organização…revelando um universo harmônico e holográfico,                   pleno de autossimilaridades, em todas escalas de complexidade do cosmos. 

Tais sistemas são geradores de imagens tridimensionais, onde uma ‘imagem virtual‘, ou ‘holograma’ é criada quando…por exemplo, a luz de um laser incide sobre certo objeto, e este o reflete sobre uma ‘placa receptora‘… Se sobre essa placa incidir um segundo laser, produzindo uma mistura das ondas do 1º laser… com as do 2º, o padrão de interferência     de ondas resultante… armazenará a informação acerca da forma e volume do objeto — e, será refletido pela placa no espaço… — gerando uma “imagem tridimensional” do objeto.

Nos sistemas holográficos cada parte do sistema contém a informação do todo, e portanto, a informação completa sobre o objeto… Se quebrarmos uma placa holográfico em pedaços, cada um desses pedaços refletirá no espaço, a imagem tridimensional do objeto… — assim mostrando que o todo está nas partes… onde cada parte representa um pedaço desse todo.

Esta propriedade fundamental dos sistemas holográficos, foi descrita por Dennis Gabor, ganhador do Prêmio Nobel de Física (1971), com uma descrição matemática holográfica, cujo avanço tecnológico se deu – a partir dos anos 60. – Metaforicamente falando…“um cosmos holográfico simboliza uma ‘infinita interrelação’ entre todas suas partes…com cada uma delas definindo todas as outras. Pode-se assim, considerar o universo como um organismo ‘auto-referente’ e ‘auto-sustentável’. Nesta concepção… é também ‘não-teleológico’ – pois…não existe um início do tempo, nem um conceito de criador, muito menos questionamento sobre a razão de tudo… O universo concebido sem hierarquia, não tem centro, ou talvez supondo sua existência — este centro esteja em toda parte”.

‘Ruptura espontânea de simetria’                                                                  instabilidade’ (caos) -> ‘probabilidade’ -> ‘irreversibilidade’

A altas temperaturas, um sistema magnético se mostra ‘paramagnético’, onde pequenos ímãs se orientam ao acaso. A baixas temperaturas porém, temos ‘ferromagnetos‘… com todos estes “micro-ímãs”…privilegiando uma única direção… – em uma menor simetria das equações iniciais. – Na física quântica… partículas e antipartículas desempenham o mesmo papel, com um início aleatório (caótico) em elevada temperatura e uma ‘quebra   de simetria’, com a prevalência de partículas no nosso universo atual — em um sistema caótico, com leis probabilísticas irreversíveis.

As divergências (infinitos) de Poincaré são eliminadas introduzindo-se as propriedades dissipativas temporais (autovalores complexos) tornando suas equações integráveis, ao nível das funções de distribuição de probabilidades… – Quanto maior a ‘complexidade’, maior a irreversibilidade (seta do tempo).

A “atualização das potencialidades” portanto, não depende mais do observador, mas sim da instabilidade do sistema… — O “colapso da função de onda” é causado pelo efeito das “ressonâncias de Poincaré” no sistema físico, tornando assim, a descrição probabilística irredutível, e levando o sistema, de quântico a clássico. (Ilya Prigogine, “As leis do Caos”) **********************************************************************************

Um Universo de Informação e Entropia                                                                             O estado inicial do universo antes do Big Bang era um estado informacional             extremamente desordenado…a partir do qual…toda a existência se originou.

Holograma é a forma mais compacta conhecida na Natureza de se armazenar informação, permitindo o desenvolvimento de uma extraordinária ‘memória holográfica’…dependente da ‘entropia’…propriedade fundamental, descrita por Boltzmann, e definida à época como a unidade que mede o grau de desordem de um sistema.

Quanto maior a entropia, maior o grau de desordem do sistema… – e inversamente, quanto menor… maior a sua organização.

A entropia em nosso universo cosmológico vem crescendo desde o Big Bang por meio de uma “seta do tempo”…direcionada do passado ao futuro… – A tendência assim, é concluir que o início do universo ocorreu a partir de um estado de ‘entropia mínima’… ou informação máxima.

Aí…poderíamos então perguntar – como se estruturaram os sistemas biológicos e a consciência que evoluem sempre para formas mais ordenadas e complexas de informação, a partir de uma célula embrionária?… – A evolução dos sistemas biológicos em direção a uma complexificação informacional cada vez maior… ocorre por estes sistemas se desenvolverem em ‘bolsões de ordem’… – ricos em átomos de carbono, nitrogênio e oxigênio … em pequenos planetas situados a certa distância de suas estrelas, que permitam temperaturas amenas… – para assim, induzir ao aparecimento de moléculas d’água.

Teoria (clássica) da informação

Em 1948, Claude Shannon publicou “A Mathematical Theory of Communication”, importante artigo científico enfocando o problema de qual é a melhor forma para         codificar a informação que um emissor queira transmitir para um receptor. Neste       artigo – trabalhando inclusive, com as ferramentas teóricas utilizadas por Wiener,             na origem da teoria das comunicações, Shannon propôs com sucesso uma medida             de incerteza (entropia da informação) em uma mensagem.

Já em 1949… – em co-autoria com o também matemático Warren Weaver… – publicou o livro Teoria Matemática da Comunicação (The Mathematical Theory of Communication), contendo reimpressões do seu artigo científico de 1948 de forma acessível também a não-especialistas – popularizando assim os seus próprios conceitos.

Posteriormente, Leon Brillouin (1959), a partir de trabalhos de Leó Szilard, desenvolveu um célebre teorema, que demonstra a equivalência entre informação (ordem) e entropia negativa… que também representa ordem. O grau de ordem – portanto… se relaciona ao conteúdo de ‘informação‘ do sistema. Norbert Wiener havia colocado esta identidade na base conceitual da Cibernética, afirmando que ‘informação representa entropia negativa’,   e profeticamente enfatizando que “informação é informação, não é matéria nem energia”.

Até que, ao final do século XX…o filósofo da mente David Chalmers, retomando as ideias do filósofo e antropólogo Gregory Bateson, desenvolve os conceitos antagônicos de “hard problem” e “easy problem”…relativos à questão da “consciência” – afirmando ser este…o caminho natural para a conexão entre ‘sistemas físicos‘ e ‘estados informacionais‘.

Na “Teoria clássica da Informação” de Shannon, as definições de ordem e informação são probabilísticas, e dependem do conceito de ‘entropia’…numa ‘homogeneização estatística’. Como consequência, deixam ausente, ou bem reduzida a imensa riqueza das significações naturais (que não são de natureza estatística). Nessa teoria, organização (ordem expressa pela quantidade de informação do sistema, representada pela função H de Shannon)…é   a medida da informação que nos falta…ou a incerteza sobre o sistema. – Além do que…

A noção de ‘informação’ implica em uma certa ambiguidade; podendo significar a capacidade em bits de um ‘sistema físico’ (como na teoria da informação clássica…Shannon) e/ou o conteúdo semântico (significado) conduzido pelos bits durante uma comunicação. 

A Complexidade na Informação                                                                                                “a entropia não deve ser compreendida como uma medida da desordem, mas muito mais como a medida da complexidade de uma dialética, entre informação e ordem molecular”.

Ao relacionar a ambiguidade e incerteza da informaçãoà variedade e não-homogeneidade do sistema, Henri Atlan conseguiu resolver certos paradoxos lógicos da auto-organização e complexidade, ampliando o alcance da “teoria de Shannon”… – Ele definiu a ‘organização‘ de modo quantitativamente formal, mostrando que uma ordem do sistema, corresponde a um vínculo entre o conteúdo informacional máximo (variedade máxima), e a redundância máxima do sistema.

Esta “ambiguidade” também pode ser descrita como uma “função do ruído” (no sentido de desordem), ou mesmo do tempo … considerando seus efeitos como relacionados a fatores aleatórios acumulados pela ação do ambiente. 

Esta ambiguidade…característica dos sistemas auto-organizadores biológicos, pode se manifestar de forma negativa (‘ambiguidade-destrutiva’) com o significado clássico de efeito desorganizador… ou de forma positiva (‘ambiguidade produtora de autonomia’)    que aumenta a autonomia relativa de uma parte do sistema em relação às outras…isto         é… diminui a redundância geral do sistema, ao aumentar seu conteúdo informacional.

Além de ser entendida como uma medida da desordem, e da quantidade de informação, a entropia pode também ser descrita, como a probabilidade de um sistema se encontrar em um “estado energético” … desde o nível quântico de Planck … até ao nível cosmológico de todo universo. Levando-se em conta uma mesma equação holográfica descrevendo todos estes modelos, demonstra-se ser informação, mais fundamental do que a própria energia.

A ‘teoria auto-organizadora‘ de Atlan foi desenvolvida para explicar a complexidade dos sistemas biológicos. Erich Jantsch, estudando o universo, provou que a “evolução cósmica” é também um processo auto-organizador, onde a microevolução dos sistemas individuais… co-evolui para estruturas macrosistêmicas coletivas mais organizadas.

É importante ainda lembrar, que as probabilidades descritivas de um sistema…nunca são aleatórias, como é frequente, e erroneamente interpretado – demonstrando sempre, uma quantidade harmônica de informação…seja a nível quântico ou cosmológico. – Todo este processo auto-organizador representa, portanto, uma expressão universal de uma maior aquisição de variedade, ou conteúdo informacional, devido à redução da redundância na totalidade do sistema.

A equivalência…identidade entre ordem, entropia, e informação… – é a “trilha”, que nos permitirá fundamentar e compreender todo o fluxo irredutível e natural de transmissão de ordem e informação quântico-holográfica a se auto-organizar de forma significativa e inteligente no universo, se manifestando de uma forma autoconsciente – na vida…nas sociedades, e organizações.

Auto-organização, Consciência & Informação                                                              A conceituação mais abrangente dos conceitos de ordem, organização, e informação é essencial para o desenvolvimento de um modelo informacional quantum-holográfico e auto-organizador do universo e da consciência’. 

Para levarmos essa ‘aventura’ do conhecimento adiante, devemos ultrapassar a “visão clássica” de informação, elaborada nos anos 40 do século XX… por Shannon, com sua ‘Teoria da Informação’; que na verdade se trata de uma ‘teoria das comunicações’, criada para melhorar a transmissão nas linhas telefônicas do cabo transatlântico.

Shannon demonstrou que a ‘quantidade máxima de informação‘ em um sistema pode ser descrita pela mesma equação de Boltzmann que descreve a ‘entropia energética’. Brillouin então…a completou com o ‘teorema de equivalência’ entre informação e entropia negativa. Esta equação, que descreve tanto a entropia energética de Boltzmann, como a quantidade de informação de Shannon…é logarítmica (‘matematicamente’…harmônica e holográfica).

Relações holográficas são expressas de modo logarítmico, e possuem ‘leis de potência’, que são invariantes em relação à escala. Um exemplo muito conhecido é a Escala Richter de terremotos em que a potência de energia que estes fenômenos naturais liberam…é proporcional à uma frequência.

Segundo William Seager (1995)… utilizando como fundamento…a capacidade em bits do sistema, a teoria de Shannon é incapaz de fornecer uma conexão adequada à uma ciência da Informação Quântica. – Consciência, auto-organização e informação…se conectam ao nível da significação semântica, e não ao nível da capacidade em bits… – e, como a teoria clássica se situa a nível da capacidade em bits, seria incapaz de se conectar à consciência. Dessa forma…seria preciso uma visão mais radical da informação – para uma percepção mais fundamental da natureza da consciência.

Seager ainda nos faz notar que no clássico experimento quântico das ‘2 fendas’, o que está em jogo não é a capacidade em bits, mas a significatividade da correlação semântica entre sistemas físicos distintos, informacionalmente carregados de modo não-causal. Esta visão tem sustentação nos atuais desenvolvimentos de Wojciech Zurek – na chamada “física da informação“, com o conceito de informação não-local, e unidade ‘observador-processo de observação-observado’. Zureck propõe que a “entropia física” é uma combinação dessas 2 magnitudes, que se compensam uma à outra:

1- a ignorância do observador medida pela entropia estatística de Shannon;

2- o grau de desordem do sistema observado medido pela entropia algorítmica…que é o menor número de bits necessário para registrá-la na memória. Durante a mensuração a ignorância do observador é reduzida como resultado do aumento do numero de bits em sua memória, permanecendo contudo constante a soma destas 2 magnitudes, ou seja, a entropia física.

Teoria Holo-informational da Consciência                                                 “Consciência é um aspecto irredutível do universo, assim como espaço, tempo e matéria” 

holografia

David Bohm argumentou que o universo unificado, possui uma natureza holográfica – em uma totalidade não-local indivisível.

John Wheeler… compreendendo como a informação é importante neste contexto…descreveu então um elegante modelo de universo informacional-participativo … que é o mais brilhante e fundamental modelo de interação cérebro/mente & cosmos descrito na ciência da consciência. Com seu famoso conceito “it from bit” conseguiu unir a teoria da informação quântica… – à consciência… – e, à física.

Wheeler desenvolveu seu modelo “it from bitestudando as “teorias unificadas” de gravidade quântica nos ‘buracos negros’. Dessa maneira, tal como proposto por Tom Stonier, e David Chalmers… ele considera a “informação quântica” como sendo mais fundamental que energia, matéria, e ‘espaçotempo’… – De acordo com suas palavras:

“Cada coisa…cada partícula…cada campo de força…mesmo o continuum espaço-tempo deriva sua função…sua verdadeira existência… às questões de escolhas binárias… “sim-ou-não”, ou seja… bits. – “It from bit”… simboliza a ideia de que cada item do mundo físico tem… bem lá no fundo – uma fonte de explicação imaterial… – que faz com que a chamada “realidade” surja, em última análise, da colocação da questão ‘sim/não’, e do registro de respostas detectadas por um aparelho. Em suma…que todas ‘coisas físicas’, na realidade… – são ‘informações teóricas’… – e que este é um universo participativo”.

Nesta visão “informacional quântico-holográfica não-local do universo”  —  o observador permanece como parte do sistema – enquanto o universo se transforma … porque a mente desse observador desencadeia uma transferência de informação, a nível subatômico… cujo resultado é uma Lei de Conservação da Informação, tão ou mais fundamental do que a Lei de Conservação da Energia.

Podemos dizer então, como afirma Tom Stonier (1993) que “Informação é o Princípio Organizacional Cósmico… com ‘status’ igual à matéria e energia”.

Chalmers define consciência (“consciousness”)… – como… “um aspecto irredutível do universo, assim como espaço, tempo e massa”; sendo a informação…“sua propriedade intrínseca não-local, capaz de gerar ordem, auto-organização e complexidade”… Em um universo gerador de vida e consciência…podemos entender melhor aspectos paradoxais   da consciência pela dualidade energia/informação; estados quânticos/consciência … tal como no início do século XX, físicos modernos conceberam a dualidade ‘onda/partícula’.

O universo concebido como informação quântica não-local nos revela uma visão muito mais abrangente da natureza…do que a clássica concepção científica cartesiana. Por sua natureza quantum-holística – capaz de integrar mente/universo… um cosmos quântico-holográfico não-local é interconectado continuamente – em cada ato consciente … auto-organizando (e criando) nós mesmos e o próprio cosmos, de um modo “autoconsciente”.

A “Teoria Holo-informational da Consciência” propõe uma natureza informacional quântico-holográfica para a consciência… como uma propriedade intrínseca, irredutível, e não-local do universo… capaz             de gerar ordem, auto-organização…e complexidade.

No momento mesmo de sua geração, já se manifesta como informação não-local, sendo uma dimensão primária tão básica… e incorporada à organização do universo, quanto a energia, a matéria, e o espaço-tempo. – A teoria fundamenta-se na física da informação quântica, na física holográfica, e ‘neurociência‘ da consciência…conforme demonstrado experimentalmente por Karl Pribram… neurocientista – professor emérito da ‘Stanford University’ … e criador da Teoria Holonômica (holográfica) do funcionamento cerebral.

O fato da física quântica demonstrar ser o observador, com sua consciência uma unidade indivisível…com o processo observação/observado influenciando as medidas, demonstra   a correlação direta – comprovada experimentalmente…da consciência com a informação quântica não-local – o que conduz à constatação que ‘consciência‘, em sua emergência, é geração espontânea de informação…e evidencia uma correlação íntima e profunda, entre informação não-local, consciência e o processo de auto-organização do cosmos, e da vida.

Caos, Estruturas Dissipativas e Ordem por Flutuações                                             “A ciência é obra humana… e não um destino implacável – uma obra que não pára de inventar o sentido da dupla imposição que provoca e que a fecunda, a herança da sua tradição e o mundo que ela interroga” ……………….ILYA PRIGOGINE……………………….

Para explicar a consciência, necessitamos…além de uma nova concepção de informação, também de um desenvolvimento unificado da física quântica…capaz de explicar a auto-organização dos sistemas complexos dinâmicos “longe-do-equilíbrio“. Este formalismo, que unificou física quântica, sistemas auto-organizadores ‘fora do equilíbrio’, ‘teoria do Caos’, ‘lógica da complexidade’, e consciência … foi a proeza intelectual, e o trabalho de vida de uma das maiores inteligências do século XX… – o físico-químico Ilya Prigogine, Prêmio Nobel de Química em 1977.

Seus estudos sobre processos irreversíveis, fenômenos não-lineares, e sistemas complexos, permitiram o desenvolvimento de uma extensão da termodinâmica clássica… criando toda um nova física, e uma nova matemática acerca do comportamento dos sistemas ‘longe-do-equilíbrio’. – Sua “Teoria dos Sistemas Dissipativos” explica como sistemas complexos são estruturados durante a formação de um estado de dissipação energética…a partir do ‘caos’.

Demonstrou assim, como a 2ª lei da termodinâmica (lei da entropia sobre a desordem de um sistema) pode conduzir – nos processos auto-organizadores…à emergência de novas estruturas de ordem a partir do caos. Este tipo de auto-organização gera estruturas – por ele denominadas… “estruturas dissipativas“, criadas e mantidas através de intercâmbios de energia com o ambiente, em condições de não-equilíbrio…São processos dependentes de uma nova ordem, denominada por Prigogine…”ordem por flutuações”… — que vem a corresponder a uma… ‘flutuação gigante’… estabilizada afinal… pelas trocas com o meio.

Nestes processos auto-organizadores…a estrutura é mantida por meio de uma dissipação de energia, na qual a energia se desloca gerando simultaneamente a estrutura, através de um ‘processo contínuo’…Quanto mais complexa a estrutura dissipativa, mais informação   é necessária para manter interconexões… tornando-a assim mais vulnerável à flutuações internas – gerando maior potencial de instabilidade … e possibilidades de reorganização.

Se as flutuações são pequenas… o sistema as acomoda, não modificando a sua estrutura organizacional. – Se, no entanto…as flutuações atingem um tamanho crítico, desencadeiam um desequilíbrio no sistema, ocasionando novas interações, e reorganizações intra-sistêmicas.

‘Estranhos Atratores’                                                                                                             “Antigos padrões interagem entre si de novas maneiras, e estabelecem novas conexões. As partes se reorganizam em um novo todo… – E o sistema alcança…uma ordem mais elevada.” (Ilya Prigogine, 1979).

chaoscope

No processo de desenvolvimento de sua teoria Prigogine percebeu a necessidade de criar um modelo de “teoria quântica” que pudesse explicar os fenômenos que surgiam, e assim unificou o conceito de não-localidade à física da informação… complementando aí a teoria ‘quântico-holográfica‘ de David Bohm.

O modo como ‘informação/energia’ gera fenômenos físicos harmônicos quântico-holográficos, e fractais no universo… – é dependente de padrões arquetípicos pré-existentes, chamados ‘atratores’… Sendo que… existem 4 tipos de atratores…ou 4 modos de comportamento dos sistemas em geral, seja ele um sistema físico, humano, organizacional ou político:

1-Atrator Linear, em que o processo repete o comportamento anterior, diferentemente do ser humano que nunca repete exatamente um comportamento… – Tarefas industriais repetitivas tentam imitar este tipo de comportamento.

2-AtratorTórus–Símile … em que o sistema evolui com pequenas variações previsíveis.  Comportamentos individuais e sociais que podem variar discreta e previsivelmente, como por exemplo o comportamento diário, repetitivo, de barbear.

3-Atratores tipo Borboleta, ocorrem quando o sistema é capaz de se adaptar a novos comportamentos conduzidos por atratores denominados “estranhos”. Nestes sistemas o potencial para interferência humana é mais elevado… – entrelaçando linearidade e não-linearidade, com comportamentos adaptativos.

4-Caos profundo… — quando o processo extrapola todas probabilidades evolutivas possíveis, ultrapassando a possibilidade de interferência humana, e emergindo numa forma inteiramente nova de ordem e complexidade.

Num cosmos evolutivo como o nosso… a complexificação progressiva das estruturas que fundamentam esse universo – incluído aí a informação… a energia… a matéria… a vida e consciência, depende da geração de códigos informacionais auto-organizadores, capazes de gerar ordem a partir do caos. – Esta complexificação informacional tem significado, e reflete a relação entre a organização (entropia)… e a capacidade de variedade do sistema.

A ‘complexidade’ no universo cresce progressivamente…a partir das forças gravitacionais e nucleares, intensificando-se com a emergência dos sistemas macromoleculares (DNA,RNA e Proteínas)…incluídos na ‘biosfera‘ – até alcançar um “estado altamente ordenado“… de grande complexidade… variedade… e de um ‘conteúdo informacional’ quase infinito…com a emergência da ‘consciência‘, e da ‘noosfera (o mundo das ideias…do conhecimento).

Não-localidade & Teorias quântico-holográficas

Para compreender como a informação, a energia e a matéria vão se complexificando progressivamente, e adquirindo significação cada vez mais complexa…até alcançar a hipercomplexidade da “consciência“…precisamos de uma teoria quântica que inclua,   além de interações mecanicísticas locais comuns, um desdobramento informacional quântico não-local, instantâneo.

Esta teoria é a teoria quântico-holográfica do universo desenvolvida por David Bohm que em seu arcabouço conceitual inclui um processamento informacional não-local, chamado “holomovimento”…que auto-organiza de forma holográfica e significativa a informação, a energia, a matéria, a vida, e a consciência.

Recentemente Vlatko Vedral sugeriu… em seu livro “Decoding Reality”  –  que o universo é estruturado como informação, e que tudo o que existe, inclusive nós…pode ser entendido em termos informacionais. Ele assim … retoma a “profunda correlação” entre o conceito de entropia (como desordem), e o conceito de informação (ordem) segundo Brillouin… e aplica esta analogia reformulada ao ‘universo quântico.

Na Teoria da Informação Quântica…o ‘bit(definido pelas escolhas binárias sim/não) é transformado em ‘qbit(quantum bit)…que permite possibilidades de escolher ambos (sim e não), devido ao fenômeno do ‘emaranhamento quântico’ (entanglement), que faz com que partículas que interagiram em certa época, permaneçam correlacionadas (“entrelaçadas”) para sempre, por uma informação instantânea não-local.

A existência deste tipo de informação foi negada por Einstein, que a denominava “ação fantasmagórica à distância”. – Hoje sabemos que a não-localidade é uma propriedade fundamental do universo, comprovada experimentalmente no mundo quântico, e mais recentemente … no “mundo macroscópico” … demonstrando a existência de interações instantâneas (não-locais) entre todos os fenômenos do universo.

Karl Pribram propôs sua ‘hipótese holográfica’ de criação da memória no início da década de 1960, introduzindo a noção de ‘coerência’. Hiroomi Umezawa, em analogia à formação do laser propôs uma teoria do campo quântico de “memória” em 1967…incluindo tanto as noções de ‘campo’ quanto a de ‘coerência’… — É uma consequência desta teoria quântico-fractal (não-local) … – desenvolvida por Umezawa – unificar os campos eletromagnético, nuclear e gravitacional em uma ‘totalidade indivisível subjacente’. Desse modo, sua teoria explica fenômenos microscópicos e macroscópicos…como o laser, e a supercondutividade.

O campo quântico não existe fisicamente no ‘espaçotempo’, como os campos gravitacional e eletromagnético da física newtoniana clássica, apesar de ser matematicamente similar a eles. Isto lhe dá um caráter peculiar não-local, ou seja, não se localiza em nenhuma região do espaçotempo. Com efeito, quando um fenômeno não-local acontece, instantaneamente influencia o que ocorre em qualquer outra região do espaço-tempo, sem que para isso seja necessário nenhuma troca de energia, ou informação entre essas regiões.

Segundo a física clássica, a ‘relatividade’, e o nosso bom senso… – seria impossível existir a ‘não-localidade’… – Isso gerou a célebre controvérsia ‘Einstein/Bohr‘, em 1927, na ‘5ª Conferência Solvay’, Bélgica. Einstein não admitia os fenômenos ‘não-locais’…pois em sua “Teoria Especial da Relatividade” — publicada em 1905 — a velocidade da luz, cerca de 300 mil km/s foi definida numa constante universal ‘c‘, impossível de se ultrapassar fisicamente.

Esta controvérsia acabou originando o célebre ‘Paradoxo Einstein-Podolski-Rosen’, no qual Einstein e seus colaboradores demonstraram, com um ‘experimento mental’…que devido à esta impossibilidade de uma partícula viajar mais rápido do que a luz, a física quântica estaria incompleta… Postularam ainda a existência de ‘variáveis ocultas’, que seriam propriedades desconhecidas daqueles sistemas que explicassem a discrepância.

Mas, contrariamente ao esperado, foi demonstrado matematicamente por John Bell em 1964, que Einstein estava errado… – pois, após um átomo emitir 2 partículas com spins opostos… – se o spin de uma delas for alterado…mesmo que elas estejam separadas por anos-luz de distância…o spin da outra se modifica instantaneamente – revelando assim, uma ‘interação não-local’ entre elas…e a existência de uma unidade cósmica subjacente.

Desde então, a existência da “não-localidade” têm sido convincentemente comprovada nos experimentos da física moderna. – O ‘golpe de misericórdia’ foi dado em 1982 pelo físico francês Alain Aspect – que comprovou experimentalmente, a existência de ações não-locais entre 2 fótons emitidos por um átomo. – Já em julho de 1997, Nicolas Gisin demonstrou a existência desta ‘ação quântica não-local’ em escala macroscópica…em uma “transmissão instantânea” entre 2 localidades na Europa.

Potencial Quântico, e o ‘Código Cósmico Holográfico’                                                 O potencial quântico é descrito por Bohm como um novo tipo                                                   de campo… – ‘não-local’… – que não decai com a distância, e                                                 não depende da amplitude, mas da forma da função de onda.  

David Bohm aplicou a matemática da organização holográfica à teoria quântica… ao desenvolver um modelo de universo no qual o espaço e o tempo estão ‘embrulhados’     numa dimensão espectral de frequências (…ordem oculta… implícita… sem relações espaço-temporais)… – Quando neste “campo de frequências” surgem flutuações, as ondulações mais intensas – com padrões semelhantes aos holográficos, estruturam       uma dimensão espaço-temporal (ordem explícita) similar a este universo manifesto.

Bohm afirma que na ordem implícita, tudo está introjetado em tudo. Todo universo está introjetado em cada uma de suas partes, por meio do “holomovimento“. – O processo de introjeção não é meramente superficial ou passivo, e cada parte está fundamentalmente, inter-relacionada em suas atividades básicas … ao todo … e a todas as suas outras partes.

De acordo com Bohm, em seu modelo da mecânica quântica De Broglie descreve um novo tipo de campo…no qual a atividade depende do conteúdo informacional que é conduzido a todo o campo experimental. Adicionando às equações deste campo um Potencial Quântico que satisfaz à “equação de Schrödinger”, Bohm elaborou um modelo quântico-holográfico, no qual este potencial conduz a “informação ativa”…que guia a partícula em sua trajetória.

Nesse modelo quântico-holográfico…a ‘evolução cósmica’ se processa por meio da emergência de códigos informacionais não-locais, que auto-organizam os padrões         básicos da estrutura do universo. Este ‘código cósmico’ se constitui por patamares evolutivos… – correspondendo…cada um…ao surgimento no universo de um novo mecanismo de memória mais complexo … com códigos informacionais específicos.

Estes códigos constituem um vasto reservatório de informação, uma ordem informacional significativa…comparável a uma “consciência universal“.

A partir do Big Bang…ou o que tenha iniciado esta imensa cosmogênese… essa linguagem informacional cósmica se complexificou progressivamente e se auto-organizou em alguns bilhões de anos, em termos de energia, matéria, vida e consciência – numa embriogênese cósmica… – que já dura cerca de 13,8 bilhões de anos… e da qual somos parte consciente.

Cada um destes códigos informacionais corresponde a uma ruptura evolutiva no surgimento de um sistema de memória auto-organizador no universo, onde cada             um deles gera um domínio cósmico específico… – os reinos da ‘evolução cósmica’. 

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Os Reinos da Evolução Cósmica 

1-A Cosmosfera (nível físico)

Neste 1º nível de ‘complexificação’… temos a emergência de um processo auto-organizador baseado no código atômico-nuclear… – um processo de memória ‘quântico-holográfica‘ que estrutura a energia, informação… e matéria no universo.

2-A Biosfera (nível biológico e biossocial)

É o 2º nível de complexificação do universo, onde observamos a emergência de um processo auto-organizador baseado na interação de 2 tipos de macromoléculas…os       ácidos nucléicos (DNA e RNA) e as proteínas (estruturais e funcionais), controlado         por um tipo de memória ou código genético… – que estrutura… – e mantém a vida.

3- A Noosfera (nível tecno-social)

É o domínio das ideias… o 3º nível de complexificação cósmica, que emerge na evolução da vida como um processo auto-organizador… baseado no “código neural”. – É também dependente do DNA e do RNA, acrescido dos neurotransmissores, e de íons como sódio, potássio, cálcio e magnésio, que permitem a interconectividade neuronal. Este processo que organiza e mantém o funcionamento do cérebro e da mente — corresponde ao nível neuropsicológico, histórico, e sociocultural. Em nossa época… este nível de organização vem se bifurcando em uma Tecnosfera estruturada em nanotecnologias, biotecnologias,     e nano-robótica…com a informação armazenada em hardwares, softwares e na internet.

4- A Conscienciosfera (nível espiritual)

O mais elevado e complexo nível de evolução alcançado pelo universo. É um processo auto-organizador gerador de consciência…baseado em campos quântico-holográficos constituídos pelos dendrons (redes de dendritos gerando campos eletromagnéticos)      de John Eccles… – e os teledendrons de fibras finas… – descritos por Karl Pribram.

Estes campos são os responsáveis pela interconectividade holoinformacional… – local (newtoniana clássica) e não-local (quântica holística), entre o cérebro-mente humano         e a mente-universo. Todo este fluxo universal de holoinformação, ou seja, esta ordem transmitida de modo significativo … por todos os níveis de complexidade do universo, modela os processos auto-organizadores, geradores de consciência na mente humana.

O reencontro entre ‘Ciência & Consciência’ Existe toda uma experiência interna em jogo nos nossos corações e mentes (o “hard problem”) que não é físico, mas fenomenológico, mais kantiano do que científico. 

O “hard problem”… – (dualismo mente/matéria) como descrito pelo filósofo David Chalmers, vem se arrastando na cultura ocidental desde quando Descartes…no século XVII, dividiu o homem em ‘corpo mental’ e ‘corpo material’ (‘res cogitans’ e ‘res extensa’)…Esta dicotomia, desencadeou um ‘esquizofrênico’ movimento filosófico-cultural… que penetrando de forma sub-reptícia em todos     ‘meandros tecnológicos’ da civilização ocidental, nos isolou do cosmos.

E hoje…ela ainda subjaz nas produções científicas e culturais… – que transformaram esta filosofia, e suas variantes, em complexo linguajar dogmático.

Contudo… desde os anos 70 do século XX… vem ocorrendo um renascimento do interesse científico sobre a natureza da consciência, que se acelerou imensamente nos anos 90, com a moderna tecnologia de ‘neuro-imagem’, que utiliza sistemas de tomografia com emissão de pósitrons, ressonância magnética, etc… e que nos descortinou o “fluxo da  consciência”, descrito por William James, no século XIX.

E, nesses mesmos anos 90, filósofos da mente, como David Chalmers, clamaram que o “substrato neural” da consciência, não é a mesma coisa que a consciência em si… e que devemos estar alertas para o “hard problem” e o “easy problem”. Este último, que aliás, não é tão fácil assim,­ como pensam os filósofos … refere-se ao que entendemos sobre o funcionamento do cérebro, e a ‘experiência consciente’…no uso da moderna tecnologia.

Já o “hard problem” se trata da nossa experiência interior, ao vermos, por exemplo, uma rosa vermelha, ou seja…a qualidade da nossa experiência consciente. — A rosa vermelha que admiramos…tocamos e percebemos seu odor característico… – não é o mesmo que o substrato neural desta experiência. A ‘vermelhitude’ e a forma da rosa, não são somente os comprimentos de onda (easy problem) que nossos computadores estão descrevendo!!

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Modelo Holoinformacional da Consciência Leibinitz, em sua ‘Monadologia’…foi o 1º a propor um modelo matemático ‘holográfico’ da realidade.

Neste modelo…fenômenos paranormais, mediúnicos e religiosos passam a ser entendidos como processos normais da própria estrutura “quantum-holográfica” do universo – e assim…consciência e espiritualidade são compreendidas como um fluxo de informação de natureza quantum-holográfica que religa de imediato, o cérebro ao Cosmos.

Este modelo unifica as neurociências e abordagens psicoterapêuticas transpessoais, com tradições espirituais, fundamentando cientificamente uma nova cosmovisão holística da consciência, mais abrangente do que o “paradigma cartesiano”…predominante ainda na ciência acadêmica do século XXI. – Ao ser capaz de explicar todos desenvolvimentos do antigo paradigma, e ir além explicando o fenômeno da consciência, podemos…tal como descrito por Kuhn, estar vivendo uma troca de “visão de mundo” na história da Ciência.

Nesta nova visão paradigmática, nosso cérebro é compreendido como parte de uma vasta mente espectral quântico-holográfica, que assemelha-se à própria organização do cosmo, mas de modo diferente ao proposto pelo panpsiquismo. Somos muito mais vastos do que nossas consciências individuais, e partes ativas de uma complexa estrutura holística… na qual cada consciência contém a informação do todo…e pode acessá-la através de estados elevados de consciência que otimizam o tratamento holográfico da informação neuronal.

Nestes estados alterados de consciência podemos interagir com a ordem espectral ‘oculta’, descrita na ‘Teoria da Ordem Implícita’ de David Bohm, e ainda com uma ordem superior ‘superimplícita’, proposta por ele… – talvez o objeto final de nossa busca… da qual somos feitos… “à imagem e semelhança”… – tal como…o “objeto real”…que gera o holograma!…

Este tipo de interpretação da consciência é baseada em um modelo quantum-holográfico da interação ‘cérebro-consciência-universo’, e se apoia em 3 pilares da ciência moderna:

1- O modelo dos campos neurais quântico-holográficos… de John Eccles e Karl Pribram; 2- A interpretação causal holográfica da teoria quântica desenvolvida por David Bohm; 3- As propriedades não-locais do campo quântico… elaboradas por Hiroomi Umesawa.

O conceito dinâmico de consciência baseado em um fluxo de informação não-local quântico-holográfico interconecta as redes neurais clássicas e a dinâmica quântica cerebral holográfica com a natureza quântico-holográfica do universo… Este fluxo       auto-organizador é gerado pelo “modo holográfico” da informação neuronal… que         pode ser harmonizado, por ex… em práticas de meditação profunda… entre outras.

Estudos de mapeamento cerebral realizados durante a ocorrência desses estados elevados de consciência, demonstram um estado altamente sincronizado e perfeitamente ordenado das ondas cerebrais, que formam ondas harmônicas únicas…como se todas as frequências de todos os neurônios…  –  de todos os centros cerebrais…  –  tocassem a mesma sinfonia.

Este estado cerebral… altamente coerente… gera o campo informacional e holográfico cortical não-local, interconectando o cérebro humano ao cosmos quântico-holográfico descrito na teoria quântica de Bohm…A informação holográfica é distribuída por todo sistema, tal como nas transmissões de rádio e TV…em que toda a informação de todas estações de rádio, e canais de televisão estão distribuídas em toda rede — podendo ser acessada em qualquer local onde houver um receptor.

Campos neurais holográficos

Karl Pribram dedicou toda sua vida à comprovação experimental, de que o funcionamento cerebral — além das conhecidas “redes neurais”… possui também uma “natureza holográfica”.

Sua teoria holonômica da atividade cerebral comprovou a existência de um modo de análise holográfica da informação no “córtex cerebral“, denominado “holograma neural multiplex“…que utiliza neurônios   de circuitos locais, cujos finos prolongamentos… – os “teledendrons” … não transmitem impulsos nervosos comuns… “São neurônios que agem no ‘modo ondulatório’…sendo…sobretudo… – responsáveis pelas conexões horizontais das camadas do ‘tecido neural’, nas quais… ‘padrões holográficos de interferência’… podem ser construídos”.

Pribram descreveu uma “equação de onda neural”, resultante do funcionamento das redes neurais holográficas, similar à equação de onda de Schrödinger, a equação fundamental da teoria quântica. Este holograma neural é feito pela interação dos campos eletromagnéticos dos ‘teledendrons’ e dos ‘dendritos’ dos neurônios…de um modo semelhante ao que ocorre durante a interação das ondas sonoras em um piano.

Quando tocamos as teclas de um piano, estas percutem as cordas provocando vibrações sonoras que se misturam…gerando um padrão de interferência de ondas. A mistura das frequências sonoras é o que cria a harmonia, a música que ouvimos. Pois bem, Pribram demonstrou que um processo similar está ocorrendo continuamente no córtex cerebral, pela interpenetração dos campos eletromagnéticos dos neurônios adjacentes… gerando     um campo harmônico de frequências eletromagnéticas.

Este campo, constituído por padrões de interferência de ondas harmônicas, tal como no exemplo do piano descrito acima, pode ser calculado pelas transformações de Fourier, e funciona tal como o holograma descrito pelo método de Gabor, que se baseia no cálculo inverso… — É um “campo holográfico” distribuído simultaneamente por todo o cérebro, codificando e armazenando em vasto ‘biocampo’ de informação, memória e consciência.

Tal como no piano, a harmonia da música que ouvimos, não está localizada no piano, mas no campo ressonante que o circunda… – as memórias de um indivíduo não estão localizadas somente no cérebro … mas, também no campo de informação holográfica que o envolve, se interconectando de modo não-local ao campo holográfico universal.

Uma Teoria Unificadora da Mente e Matéria

As formulações matemáticas que descrevem a curva harmônica…resultante das interferências das ondas, são transformações de Fourier as quais Denis Gabor aplicou na criação do ‘holograma‘ – realçando estas transformações com um modelo … no qual o padrão de interferência…refaz a “imagem virtual” do objeto, pela aplicação do processo matemático inverso… Ou seja… — de uma ‘dimensão espectral’ de frequências, refaz-se…matematicamente e experimentalmente, o objeto na dimensão espaço-temporal.

Segundo Denis Gabor …  —  Um novo método de se formar imagens óticas pode ser obtido em 2 etapas. Inicialmente…um objeto é iluminado por uma onda monocromática coerente … sendo o padrão de difração resultante da interferência da onda secundária, proveniente do objeto com o fundo coerente, registrado numa placa fotográfica…Se a placa, devidamente processada, é a seguir colocada em sua posição original, e iluminada só com o fundo coerente, aparecerá uma imagem do objeto por detrás dela” (…dando a sensação de profundidade.)

Como Pribram demonstra de forma brilhante… – “Um modo de interpretar o diagrama de Fourier é ver a matéria como sendo uma “ex-formação”, uma forma de fluxo externalizada (extrusa)… Por outro lado, o pensamento, e sua comunicação (mentalização) seriam como a consequência de uma forma ‘internalizada’ (“negentrópica”) de fluxo, sua “in-formação”.

Pribram considera esta dimensão informacional espectral do pensamento uma “dimensão pré-espaço-temporal”…e, segundo ele, existem 2 importantes vantagens conceituais nesta formulação: 1) a mente ‘inefável’ se transforma em ‘in-formação’ definida pelas descrições quantitativas de Gabor e Shannon relacionadas à termodinâmica; e 2) a compreensão que a matéria como a experienciamos é uma ‘ex-formação’: conceitualização espaço-temporal, definida em um contexto mental específico.

E assim, os processos quânticos distribuídos por todo cérebro e organismo nos permitem conceber uma teoria unificada da mente e matéria — tal como a ‘totalidade indivisível’ de David Bohm, e interpretar… o universo…nosso corpo…e a consciência, como uma vasta e dinâmica rede holo-informacional inteligente de troca de informações, energia e matéria.

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Photo credit: NASA’s Goddard Space Flight Center

Walter Schemp… criador da teoria ‘quantum-holonômica’, que hoje é a base da técnica de  “imagens por ressonância magnética” … postula que todas as informações sobre os objetos no universo…mesmo suas formas tridimensionais…derivam de flutuações no chamado Campo de “Energia do Ponto Zero” … um gigantesco campo de energia de vácuopreconizado por Puthoff.

Na “Teoria Info-Holográfica” esse campo de energia é informacional, correspondendo ao campo quântico-holográfico universal, ou campo ‘akashico‘…conforme a terminologia de Ervin Laszlo… onde o ‘vácuo quântico’, por conter toda informação…do ‘Big Bang‘ até os dias de hoje… – é também considerado… – assim como uma…”consciência cósmica“.

Schempp conseguiu calcular… recuperar e reestruturar essas informações, codificadas no campo holoinformacional em forma de imagens, nas máquinas de ressonância magnética usando, além das transformações de Fourier, e a matemática holográfica de Gabor… uma complicada matemática que ele denominou “simpletic spinor vector”. E assim… constrói um gráfico mostrando como a informação é processada no cérebro; confirmando a teoria de Pribram.

Schemp e Marcer acreditam que nossas memórias, seriam o fluxo dinâmico holoinformacional entre cérebro e cosmos, no ‘Campo quântico-holográfico do Ponto-Zero’.

Lynne McTaggart, em seu livro “The Field” afirma que Pribram poderia, perfeitamente,   ter proposto que nossas memórias fossem uma emissão coerente de ondas vindas desse Campo… e que as memórias… – a longo prazo, seriam grupos estruturados de ondas de informação. – Isso poderia explicar a instantaneidade deste tipo de memórias, que não precisam de mecanismos de rastreamento para localizar informação ao longo do tempo.

Seja qual for o mecanismo de recepção no cérebro, que como demonstraram Pribram, Yasue e Scott Hagan, está distribuído também por todo o corpo humano, por meio da função holográfica de Gabor, ele está continuamente acessando e sendo acessado por       um Campo Cósmico Holoinformacional.

A interação cérebro-universo   

Por esta interação, obrigatoriamente, ter que ser uma “conexão não-local“, isso nos conduz em direção ao modo “holoinformacional”… onde padrões quânticos cerebrais, com suas redes neurais e campos holográficos… são parte ativa do campo informacional quântico-holográfico cósmico… Por isso… — mantêm uma interconexão conjuntamente “quântico-holística” (não-local), e clássica (local), isto é, “holoinformacional.

Aplicando a propriedade matemática básica dos sistemas holográficos… em que cada parte do sistema contem a informação de todo ele, mais dados matemáticos da física quântica de Bohm… com dados experimentais das teorias quântica e holográfica de John Eccles, e Karl Pribram, foi proposto que esta interconectividade universal baseada em campos quânticos não-locais de Umezawa, nos permite  acessar toda a informação codificada nos padrões de interferência de ondas existentes no universo… — desde sua origem… — pois… a ‘natureza holográfica’ distribuída do universo…faz com que cada parte – cada “cérebro-consciência”, contenha a informação do todo… — tal como nas “mônadas” de Leibnitz.

Este fluxo holo-informacionalmente/universo” modela os processos auto-organizadores, geradores de inteligência, consciência e espiritualidade na mente humana. Sendo que, esta última é aqui definida como aquilo que nos religa (do latim ‘religio‘, ‘religare‘ – origem da palavra ‘religião’) à nossa fonte cósmica – podendo… portanto – ser interpretada como de natureza informacional quantum-holográfica. Assim, podemos estar conseguindo, pela 1ª vez, explicar cientificamente a espiritualidade!

Participamos da co-criação desse universo que habitamos, por meio de uma programação cósmica em que o cérebro humano, assim como um teclado, faz a interface informacional mente-universo. Somos parte interativa deste universo quântico-holográfico…e, na teoria ‘holoinformacional’ da consciência…confirmamos a afirmação de John Wheeler — de que este é um universo participativo.

Bergson

Campo unificado da consciência

O cosmos é constituído por… matéria vida e consciência, que são atividades significativas… referentes a processos informacionais, ordenados através da evolução cósmica. Um universo auto-organizado…”holo-quanticamente”… pleno de informação local e não-local (‘holoinformacional’) é um universo inteligente, que funciona mais como uma mente, do que uma grande máquina.

Este campo ‘quântico-holográfico’ universal pode ser compreendido como uma rede cósmica inteligente. Poderíamos então, compreender esta rede inteligente universal     como uma Mente Cósmica?… Ou talvez uma “Consciência Holográfica Universal”…     similar à uma ‘Consciência Cósmica’?

Nesta concepção ‘holoinformacional’ do cérebro e do universo, consciência e inteligência são compreendidos como informação… “ordem significativa” no processo mesmo de sua geração, que se auto-organiza e se complexifica progressivamente durante a evolução do Cosmos. Consciência e inteligência são possivelmente níveis de complexidade diferentes, mas podemos afirmar que a dimensão ‘inteligência-informação‘ sempre esteve presente, em todos os níveis de organização da natureza.

Matéria, vida e consciência não são entidades separadas, capazes de serem analisadas em um arcabouço conceitual cartesiano, ‘analítico-reducionista‘…mas uma unidade holística indivisível… um campo quântico ‘holoinformacional’, inteligente e auto-organizador, que vem se desdobrando há bilhões de anos, em uma infinita e dinâmica “evolução cósmica“.

Einstein costumava dizer… “conhecendo os pensamentos de Deus… o resto são detalhes”. Estes códigos informacionais que in-formam o Universo são os verdadeiros pensamentos de Deus; aquilo que verdadeiramente nos religa à nossa fonte!…Foram colocados à nossa disposição…oferecidos como uma dádiva que não temos como entender!… Sua utilização correta pela espécie humana, imersa neste todo gerador de vida e consciência, deve estar direcionada para a preservação desta linguagem universal … por meio de uma Ética pela Vida!… Esta é a nossa grande responsabilidade moral! (Francisco Di Biase)…(texto base) **********************************************************************************

Bibliografia: Francisco Di Biase… “Information Self-Organization and Consciousness — Toward a Holoinformational Theory of Consciousness”, artigo publicado em 1999 — no “The Noetic Journal”/USA e “World Futures, The Journal of General Systems”, Europa; editada por Erwin Laszlo, tido como a maior autoridade mundial em sistemas. Também publicado em 2000, como capítulo, no livro “Science and the Primacy of Consciousness, Intimation to a XXI Century Revolution”, pela Noetic Press,USA. **************************(texto complementar)***********************************

Fractais: A Chave do Universo                                                                                             Os mistérios por trás dos fractais podem trazer à tona uma evidência sobre a realidade que nos rodeia…Eles podem ser o primeiro passo da Teoria Unificada, que a Física tanto almeja, como também… – a resposta para ‘questões universais’ que nos atormentam?”

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Imagem gerada utilizando fractais através da infinita repetição de padrões similares. Cada pequena parte é similar ao todo.

A ‘ciência fractal‘ apresenta estruturas geométricas de grande complexidade e beleza infinita…ligadas às formas da natureza… ao desenvolvimento da vida… – e à própria compreensão do universo… Imagens de objetos abstratos possuem o caráter de onipresença…pela característica do todo… – infinitamente multiplicada dentro de cada parte, escapando assim da compreensão em sua totalidade pela mente humana.

Essa geometria nada convencional, tem raízes no século XIX… e algumas indicações neste sentido vêm de muito antes na Grécia Homérica, Índia, China, etc…  Contudo, somente há pouco vem se consolidando… com o auxílio dos computadores, e de novas teorias da física, biologia, astronomia e matemática… O termo “fractal” foi criado     em 1975 por Benoît Mandelbrot… – o “pai dos fractais”.

Diferentes definições de Fractais surgiram com o aprimoramento de sua teoria. A noção que serve de fio condutor foi introduzida por Mandelbrot pelo neologismo ‘Fractal‘, que surgiu do adjetivo latino ‘fractus’, que significa ‘irregular’…’quebrado’. Uma 1ª definição matemática, pelo próprio Mandelbrot, diz: – “Um conjunto é dito Fractal se a dimensão Hausdorff-Besicovitch deste conjunto for maior do que sua dimensão topológica”…Com     o passar do tempo verificou-se que esta definição, apesar de pertinente…era por demais restritiva. Uma definição simples seria… “Fractais são objetos gerados na repetição de   um mesmo processo recursivo – exibindo auto-semelhança e complexidade infinitas.”

Os fractais podem apresentar uma infinidade de formas diferentes, não existindo uma aparência consensual. Contudo, existem 2 características muito frequentes nesta geometria:

Complexidade Infinita: Uma propriedade dos ‘fractais’… – que significa que nunca conseguiremos representá-los completamente, pois a quantidade de detalhes é infinita. Sempre existirão reentrâncias e saliências cada vez menores.

Auto-similaridade: Um fractal costuma apresentar cópias aproximadas de si mesmo em seu interior…Um pequeno pedaço é similar ao todo…Vista em diferentes escalas, a imagem de um fractal sempre parece similar.

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A imagem ao lado (“A Curva de Koch”) é um bom exemplo geométrico da construção de um fractal…

Um mesmo procedimento é aplicado por diversas vezes sobre um mesmo simples objeto, gerando uma imagem complexa.

Cada pedaço da linha foi dividido em 4 partes menores, idênticas ao pedaço original, com cada um  deles sendo 3 vezes menor que o tamanho original… Assim, usando o novo conceito dimensional… – calcula-se a dimensão fractal deste objeto como sendo:

D = log(n.cópias)/log(escala) = log(4)/log(3) = 1,26185.

Desse modo, uma nova geometria (fractal) e um novo conceito de dimensão (fractal) precisaram ser criados para explicar a natureza … dessas intrincadas formas geométricas.

CAOS E ORDEM – “O Caos não pode ser imaginado; é um espaço que só pode ser conhecido pelas coisas que nele existem, e ele contém o universo infinito.” (F. Yates)

Chaos (do grego…khaos) na mitologia grega, refere-se ao vazio sem forma ou estado, que precede à criação do universo … ou cosmos,       pela separação original entre o céu e a terra.

O estudo dos fractais se liga à teoria do caos que busca “padrões organizados de comportamento” dentro de um sistema ‘aparentemente’ aleatório.

Nos dias de hoje … com o desenvolvimento das ciências matemáticas, a ‘Teoria do Caos’ surgiu para compreender as “flutuações erráticas“…e irregulares da natureza…resíduos da formação primordial vinda do… “grande ovocaótico.

Sistemas caóticos são encontrados em padrões que mostram “estrutura ordenada” no sistema.

Uma característica de um sistema caótico é que ele sempre mostra…“sensibilidade às condições iniciais”, isto é, qualquer perturbação no estado inicial do sistema…não importando quão pequena seja…levará rapidamente a uma grande mudança no estado final – fazendo com que a previsão do futuro torne-se muito difícil… Mas, entender o comportamento caótico, torna possível entender como o sistema se comportará como um todo ao longo do tempo.

Apesar das inúmeras aplicações e utilidades…os fractais ainda têm um longo caminho pela frente. Faltam muitas ferramentas e vários problemas continuam sem solução. Uma teoria completa e unificada se faz necessária … e a pesquisa prossegue neste sentido. (texto base)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
Esse post foi publicado em cosmobiologia, filosofia, Teoria do Caos e marcado . Guardar link permanente.

Uma resposta para Lembranças Eternas de um Futuro Inacabado

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