Epistemologia Contemporânea; Metafísica pós-Moderna

“Em grego, theoria é repouso puro, a mais alta energia, o modo mais elevado de colocar-se na obra, excetuando-se todas atividades práticas”. (‘A Utilidade do Inútil’…Nuccio Ordine)

A ‘Teoria do Conhecimento’ – ao ser sistematizada no século XVII, possibilitou saltar da gangorra metafísica de Sócrates – para uma estabilidade epistêmica, a qual permaneceu inconteste até os efervescentes anos 70, quando o movimento pós-moderno, apresentou sua crítica à teoria… ocasionando, aparentemente… – uma ruptura epistemológica total.

teoria-do-conhecimento

Uma Teoria do Conhecimento é feita a partir das necessidades do homem em sobreviver – considerando que … para fazer frente ao…”mundo ao redor“… o primeiro passo é compreendê-lo…Isso direciona esforços à produção de cada vez mais… “sofisticados mecanismos”, suficientes às nossas necessidades, e à indagação, sobre o que mais podemos fazer a respeito. – Desse processo…ao longo do tempo, surgiram as questões filosóficas da teoria do conhecimento,  a respeito dos aspectos, que seriam os mais relevantes: experiência ou razão,  realidade ou consciência — sujeito ou objeto, entre outros temas…Questões essas que se tornaram um ‘arcabouço apropriado’, para tal…”visão teórica”.

A “Grande Sistematização”

No século XVII… tentando encontrar respostas às dúvidas sobre a origem e essência do conhecimento, ocorreu uma grande “sistematização” das metodologias…buscando uma posição filosófica de princípios e fundamentos racionais. A partir daí…uma ‘Teoria do Conhecimento‘ passou a nortear o domínio da ciência, se tornando mais um ramo da filosofia – priorizando o… ‘sujeito do conhecimento‘… e afirmando sua ‘capacidade cognoscente’ para uma realidade exterior ao pensamento…e assim, atingir a “verdade”.

Essa ‘visão racional’, considerada um marco para a filosofia… assim como para as diversas ciências particulares, no entanto, não passou incólume por mudanças e transformações de cenário, com tão peculiares circunstâncias, que fizeram surgir teorias, doutrinas, escolas e pensamentos vários, sob a ótica do interesse de cada segmento…para afinal, concordar ou, discordar sobre o formulado à época. – Por isso…analisa-se a interpretação de suas várias ‘correntes filosóficas’ em um permanente debate acerca de seus…”critérios de validade”.

Empirismo, racionalismo, intuicionismo…idealismo…’fenomenologia’,                        materialismo dialético, pragmatismo, estruturalismo…construtivismo,                                    e ainda ‘pós-modernismo’…são algumas dessas abordagens filosóficas,                    determinantes na construção de uma… “Teoria do Conhecimento“. 

oscar-wildeSurgimento da ‘modernidade’ 

O fato da razão humana ser ou não capaz de representar a…’realidade’ adequadamente…é o cerne de uma “reflexão fundamental”…visando a tentar legitimar o “conhecimento”.

Sobre isso…pensadores do século XVIII chegaram à conclusão de que não existiria uma ‘verdade universal’. Por conseguinte, cada segmento deveria procurar a verdade do tipo   de conhecimento do seu interesse – deixando de lado a concepção predominante desde     os gregos, de uma ‘ideia absoluta’, com um espírito (medieval) absoluto. As questões da Teoria do Conhecimento, permaneceriam objetos de questionamento para a elaboração     de novos pensamentos. Isto devido à consistente influência medieval, da forte presença     do cristianismo, até então justificando todas dúvidas pela verdade do “mistério divino”.

Contudo, os pensadores modernos, ao constatarem a separação estabelecida pelo cristianismo, entre Deus e o Homem (em face do pecado original), se depararam           com um grande problema. Pode o homem (um pecador) conhecer toda realidade             que o cerca, por seus misteriosos objetos?…A resposta dos filósofos modernos foi             que poderia, sime por intermédio da “razão humana”. Desse modo então, ficou estabelecido que o homem passaria a ser o sujeito, e objeto do seu conhecimento.

A partir daí…a razão passou a fundamentar o conhecimento, e René Descartes (“Cogito ergo sum”) com seu ‘método matemático’ desenvolve todo um trabalho voltado à razão, cujos princípios permanecem, sempre quando ao elaborarmos qualquer conhecimento, analisamos as causas que podem nos levar a erro…verificando se os juízos emitidos são verdadeiros — antes de chegarmos a…’alguma conclusão…’ — sobre ‘algum argumento’.

Por essa nova ‘visão filosófica’ … somos capazes de conhecer; nossa consciência adquire atividade sensível e intelectual, com um poder de análise … síntese … e representação dos objetos … através de ideias, avaliação e interpretação desses objetos por meio de juízos – e não pela ‘luz divina’. Mas, enquanto Descartes sustentava que…através do intelecto, o conhecimento vem da ‘razão‘ – John Locke lançava a corrente ‘empirista‘, onde ‘experiência’ era origem do saber. 

Para tentar resolver esse então considerado ‘grande problema’…surge uma posição mediadora entre racionalismo e empirismo…fundamentada numa nova orientação epistemológica, denominada…”Intelectualismo“… justificando a participação de        ambas as correntes no ‘processo de conhecimento’…ao argumentar que…enquanto                o ‘racionalismo‘ participa com “juízos“…(necessários ao pensar)…com validade universal — o ‘empirismo‘ retira os elementos desses juízosda “experiência“.

“Verdade”… — Conceitos, Critérios & Juízo de valores                                                  Vistas algumas questões sobre a descrição filosófica do conhecimento,                              estas nos direcionam para a questão da validade do conhecimento, ou                              seja…a “verdade”, e o critério que é usado para lhe atribuir…”certeza”. 

Os segmentos idealistas e materialistas, bem como os aspectos subjetivos e objetivos da verdade, dessa forma, assim se manifestam… – O ‘idealismo subjetivo‘ versa sobre o conceito ‘imanente’ de verdade, e o ‘objetivo‘, sobre a concepção ‘transcendente’…Mas, não podemos ignorar a doutrina do…’pragmatismo‘… – afirmando um entendimento oposto ao ‘idealismo‘… onde o conhecimento só é verdadeiro… ao produzir resultados eficazes. Tendo assim, como critério de verdade a ‘utilidade‘…o pragmatismo ignora o conhecimento, como o resultado de uma relação intrínseca entre ‘sujeito‘ e ‘objeto‘.

Em Kant…essa relação desempenha papel fundamental na explicação genética do conhecimento, onde chegamos a uma confirmação da concepção que a consciência    natural possui do conhecimento humano. Para esse conceito…é essencial a relação           do conteúdo de pensamento com o objeto. A face psicológica e a face ontológica do fenômeno do conhecimento são… por assim dizer – suprimidas em favor da lógica.

a) Conceitos de verdade                                                                                                              “O conceito de verdade … pela concordância do conteúdo do pensamento                            com seu objeto, constitui uma concepção transcendente. Mas há também                            um conceito imanente – que afirma ser a verdade…uma concordância do                        pensamento consigo mesmo… – nada existindo de exterior à consciência”.

Quando descrevemos o fenômeno do conhecimento… constatamos que, para a consciência natural, a verdade do conhecimento consiste na concordância do conteúdo do pensamento com o objeto… Mas, a verdade é a concordância do pensamento consigo mesmo…Portanto, um juízo é verdadeiro, quando construído segundo leis e normas do pensamento. – Desse modo, temos uma troca do…”conceito imanente” de verdade – por um “conceito idealista”.

Sendo apenas no terreno do ‘idea­lismo‘ que o ‘conceito imanente‘ faz sentido,            se não houver “objetos” independentes do pensamento… – se todo o ser resi­dir no        interior do pensamento… a verdade só pode consistir no acordo de conteúdos de pensamento entre si… em “correlação lógica”… – Então, nesse caso…a verdade do conhecimento residirá na produção de objetos – em con­formidade com as ‘leis do pensamento’…vale dizer…na con­cordância do pensamento com suas próprias leis.

b) Critérios de verdade

Sendo a “certeza da verdade“, incumbência de seus critérios…há várias concepções para se atribuir tal certeza…1) critério dogmático da ‘autoridade‘; 2) da ‘evidência‘ (‘teoria do conhecimento’) – 3) ‘não contradição‘; 4) ‘utilidade‘; e 5) ‘prova experimental‘.

O critério da evidência, como o mais conhecido e aceito é visto como plena clareza da verdade, e a ‘certeza‘ é o estado subjetivo que a acompanha; porém, não é um critério último de verdade, pois fatores como ‘ignorância’, ‘ilusões dos sentidos’…’preconceitos’        e ‘paixões’ podem levar a uma falsa evidência; precisando-se portanto de outro critério para dar à verdade… – o atributo da “certeza”. Quanto ao critério da imparcialidade, define-se que no processo do conhecimento … ao sujeito apreender as propriedades do objeto… – a imagem assim formada… deverá corresponder “plenamente” a esse objeto.  Mas, por transcender ao sujeito – esta imagem não deverá conter o já existente em seu próprio pensamento, e sim corresponder apenas às propriedades captadas do objeto, o    que resultaria em uma… “imagem imparcial” – o mais próximo possível da “realidade”.

Usando da argumentação do ‘materialismo dialético’, com a imparcialidade também é possível ao sujeito conhecer a ‘verdade objetiva‘, ao afirmar a apreensão do objeto, em suas características essenciais…argumento aceito pelos ‘céticos’… Apenas na concepção ‘idealista subjetiva’ a concordância do pensamento é consigo mesmo, e não com o objeto.

c) Juízo de valores                                                                                                               “Todo conhecimento científico possui validade uni­versal. – Pode-se quase identificar o conhecimento científi­co ao saber universalmente válido… Porém, no campo teórico do conhecimento científico não se pode considerar a ‘evidência’ como critério de verdade”.

Um juízo de valor pode ser definido como uma avaliação de caráter pessoal, fundamentada em informações disponíveis, a ser efetuada sobre algum sistema de valores…pelo qual uma decisão deva ser tomada — de forma independente… a qualquer critério valorativo vigente. Nesse caso argumenta-se que a ‘objetividade verdadeira’ é impossível, pois mesmo as mais rigorosas análises racionais fundamentam-se no conjunto dos valores aceitos…no curso da análise. – Por consequência, todas conclusões serão… ‘juízos de valor (e assim, suspeitas).

downloadComo exemplo, as “verdades” científicas são consideradas “objetivas” enquanto mantidas empiricamente, ressalvando que, evidências mais apuradas…e/ou experiências seguintes podem mudar os fatos. Porém, uma opinião científica (conclusão com base num sistema de valor) é um ‘juízo criterioso’…consensual.

Leis lógicas do pensamento

A questão sobre o conceito de verdade está estrita­mente ligada à questão sobre o critério da verdade. Nesse campo, um ‘juízo‘ é verdadeiro se construído conforme ‘leis e normas do pensamento’. Fixemo-nos a princípio, nos dados da consciência… Possuo uma certeza imediata a respeito do vermelho que vejo, ou da dor que sinto. – Mas não apenas o juízo: eu vejo o verde e o vermelho“, como também o juízo…o verde é diferente do vermelho pertence ao círculo de ‘auto-certezas’ da consciência. O que equivale a perguntar se além da evidência da ‘percepção‘…há também uma evidência no pensamento conceitual;  e, havendo… – será que poderíamos divisar aí – algum tipo de…’critério de verdade‘? 

Não há dúvidas de que ‘evidências’ também existam no campo do pen­samento. O que não é correto, porém, é deslocar a evidência para fora da consciência…O epistemólogo que faz isso não pode evitar a necessidade de distinguir, no interior da evi­dência lógica objetiva – o verdadeiro do falso… – o real do aparente… – o legítimo do ilegítimo. – Não reconhecer a ver­dade daqueles juízos…significa, indiretamente, negar as ‘leis lógicas’ do pensamento. Nessas leis, revela-se sua própria essência e estrutura…E nesse caso, a fundamentação do juízo não se baseia em evidências, mas em sua finalidade…fundamental ao conhecimento. 

fenomenologiaA ‘fenomenologia’ de Husserl 

O filósofo Edmund Husserl, ao final do século 19 … apresentou sua abordagem “fenomenológica” do conhecimento, para assim conseguir uma descrição da “Teoria do Conhecimento”…em âmbito geral – o que então representou, de um modo mais contundente; uma resposta      à “sistematização“, efetuada por Locke.

A ‘fenomenologia’ visa descrever todos fenômenos…materiais, naturais, ideais, culturais, do conhecimento e realidades… e considera o fenômeno como a presença real das coisas, diante da consciência daquilo que se apresenta diretamente a ela… Também se propõe a afirmar a prioridade do sujeito do conhecimento, como consciência reflexiva, diante dos objetos … aos quais intenciona apreender suas características e determinações – o que é basilar a todo conhecimento. Por isso…a fenomenologia não afirma que o homem possa conhecer a realidade em toda sua essência…e sim, somente tal como assim aparece, e se apresenta à sua própria consciência – e faz isso, por intermédio de…”representações“.

A “metodologia fenomenológica”…ao considerar a “capacidade humana” em conhecer um fenômeno exterior à sua consciência, e definindo ‘conhecimento’ como “relação do sujeito com o objeto”… destaca 3 elementos dessa relação… – o ‘sujeito cognoscente‘ (…e suas intenções)… – o ‘objeto a conhecer‘…independente do seu pensamento – e a ‘imagem mental‘… formada pelo sujeito… – correspondente ao objeto (que se pretende conhecer).  Podemos dizer então que o método do conhecimento, no processamento fenomenológico, ocorre numa relação onde a função do sujeito é apreender (captar o objeto)…o qual tem a propriedade de ser apreendido pelo sujeito. – Essa ‘apreensão’ figura para o sujeito como uma saída de sua esfera, para invadir a esfera do objeto…absorvendo suas características.

Nesse procedimento o objeto permanece independente. Não sendo arrastado para a esfera do sujeito, não é nele que ocorre alteração pela ‘função cognitiva‘…Essa alteração se dá no sujeito…com o surgimento da imagem contendo as propriedades do “objeto” – para o qual esse fato se mostra como um alastramento de seus atributos, resultando na supremacia do objeto (determinante) sobre o sujeito (determinado). – Nessa receptividade do sujeito a respeito do objeto, em razão da “intencionalidade”…o sujeito passa a ser apenas a imagem do objeto em sua mente; enquanto que, ao mesmo tempo, se dá uma “espontaneidade” do objeto a respeito da imagem em formação; na qual a mente terá participação ativa em sua representação – isto porque o sujeito lhe dá esse significado… (com a “intencionalidade”).

Todavia, quando determina o sujeito, o objeto mostra-se independente – transcendental, pois todo conhecimento visa a um objeto independente da ‘consciência cognoscente’; por isso todos os objetos do conhecimento são ‘transcendentes’…Os reais vêm da experiência externa ou interna, e os ideais…como na matemática…existem como objetos imaginados.

Ceticismo, dogmatismo, materialismo                                                                              O entendimento que afirma a possibilidade de um conhecimento total da                          realidade se manifesta na ‘doutrina dogmática‘, pela crença de conhecer                              a ‘verdade absoluta‘, de forma imediata e direta, por meios racionais ou                          “supra-racionais”… ignorando a relação cognitiva entre sujeito e objeto.

Husserl-fraseCom efeito, na visão fenomenológica  o “processo do conhecimento” ocorre, quando o sujeito capta os aspectos do objeto, formando assim uma imagem do mesmo. Essa imagem para efetuar  a percepção… — deverá corresponder totalmente ao objeto…caso contrário, há apenas um erro… – não do objeto, mas ocorrido — na ‘mente do sujeito’.

Contudo, essa descrição do processo do conhecimento pelo método fenomenológico, não explica, nem interpreta o conhecimento; apenas descreve o fenômeno ocorrido, cabendo     à Teoria do Conhecimento fazê-lo; o que nos reporta às indagações que dizem respeito à ‘possibilidade’ – ‘origem’ – ‘essência’ – ‘tipos de conhecimento’ – e, ‘critério da verdade’.  Todas as teorias ou entendimentos acerca destas “questões filosóficas” do conhecimento começam questionando seus próprios elementos da possibilidade do conhecer; isto é, se nossa mente é capaz de entender e refletir de forma adequada a realidade que nos cerca; efetivamente captando o objeto…e chegando à “verdade dos fatos”pelo uso do modelo  de uma… ‘Teoria do Conhecimento’ – aplicado a umadescrição fenomenológica“.

Partindo desse pressuposto chega-se a 2 entendimentos opostos; o que   nega a possibilidade de conhecermos a realidade (‘ceticismo’)…e o que afirma a possibilidade de conhecê-la – por… ‘doutrinas materialistas’.

Os céticos, supondo que o homem só possa conhecer a aparência das coisas, e não sua essência – negam ao sujeito sua capacidade de apreender o objeto…concentrando sua atenção nos fatores subjetivos do conhecimento humano. Assim, só teríamos acesso à manifestação exterior da coisa em si (‘objeto’), como se apresenta à nossa consciência, sendo – conforme Kant, tarefa do pensamento…dar forma e ordem nessas sensações.      Por isso não conhecemos a essência do objeto, e sim sua representação…revestida dos “elementos subjetivos“… em que a enquadramos… — os quais podemos encontrar,        tanto na metafísica de Kant, como no positivismo de Comte, ou fenomenologia        de Husserl – representando – todos eles, as variadas formas clássicas do ‘ceticismo‘.

A relação cognitiva (materialismo x idealismo)                                                  Abordada a capacidade do sujeito…conhecer ou não…o “mundo exterior”, pergunta-se em que consiste o conhecimento…em sua ‘essência’…que relação há entre o sujeito e o objeto; o que constitui questão fundamental à filosofia, e nos arrasta ao “centro de gravidade”, no fenômeno do conhecimento… – o que afinal prepondera… – o sujeito ou o objeto? 

karl-marxAsdoutrinas materialistasao afirmarem a existência real do ‘mundo externo’, refletido pela consciência – e distinguindo assim o objeto do ‘sujeito cognoscente’…agem como mediadoras  entre o ceticismo, e o dogmatismo.  Sendo ‘matéria’ anterior à consciência; sensações, representações, e conceitos refletem coisas – que apenas ‘existem’.

Da essência do conhecimento, precisamos estabelecer o referido “centro de gravidade”.      O aspecto nevrálgico da “preponderância”…nos apresenta entendimentos antagônicos,  que considerando o ‘fator humano’… nunca deixarão de sê-lo. – Dizer qual o elemento preponderante no conhecimento… – se a realidade, ou a consciência… – o sujeito ou o objeto… – se a consciência é um reflexo e reprodução do objeto… – ou… o objeto é um reflexo e reprodução da consciência, faz parte do objetivo principal de 2 fundamentais correntes (antagônicas) de pensamento; a saber… — o idealismo e o materialismo.

O idealismo e suas variantes (objetiva e subjetiva) afirmam que o sujeito determina o objeto. – A ‘variante objetiva’ afirma que o que prepondera é a ideia absoluta… espírito universal, cuja vontade existente antes da natureza e dos homens teria criado o mundo; sendo todas as coisas materiais seus produtos…(Platão…e o ‘Mito da caverna’; Hegel, e     seu ‘Demiurgo’). – A ‘variante subjetiva’ prega o ‘eu absoluto’ na consciência do sujeito, onde estaria encerrada toda realidade…e, onde a matéria é construída pela consciência.

Contrapondo-se a esse entendimento o materialismo nos sugere a existência de objetos reais e independentes do pensamento… onde a matéria é anterior à consciência… – a qual representa um reflexo, produto da matéria no sujeito. – À ‘filosofia materialista’ se atribui a resolução cientifica do problema fundamental da essência do conhecimento, mostrando que o mundo e o ser são materiais por natureza…e sensações e ideias, reflexos do exterior. O ‘materialismo‘ – apesar de afirmar serem o racionalismo, empirismo e intuicionismo unilaterais, propõe uma…’síntese dialética‘ deles – como parte do “processo cognitivo”. 

conhecimentoRacionalismo/Empirismo/Intuicionismo  Estabelecida segundo o materialismo filosófico, a essência do conhecimento, como resultado da relação sujeito/objeto…resta-nos questionar…a origem do conhecimento. Para isso precisamos avaliar, a ‘razão’, os ‘sentidos’, e a ‘intuição’, no âmbito do próprio… –processo gnoseológico“. 

Racionalismo é a visão epistemológica que coloca a “razão como a fonte primordial do ‘conhecimento humano’sempre que seu uso for logicamente necessário, e válido…de um modo universal. – E, como todo verdadeiro conhecimento se funda no pensamento, a aplicação deste“juízo de valores” — é a verdadeira fonte de todo conhecimento humano.  Quando nossa razão julga – através do…”pensamento abstrato” – que uma coisa tem que ser assim, e não pode ser de outro modo… – então estamos diante de um…’conhecimento verdadeiro’. Por exemplo, quando formulamos o juízo de:o todo e maior do que a parte, ou,todos os corpos são extensos, em ambos os casos, obrigatoriamente, encontramos a evidência de que tem de ser assim, e que a razão se contradiria se sustentasse o contrário.

‘Empirismo é o método filosófico, que tendo como formas de conhecimento…a ‘sensação’, ‘percepção’ e ‘representação’…acredita que a experiência recebida dos sentidos é suficiente para conhecer a verdade…Ao contrário do ‘racionalismo‘,          que – como os sentidos nos enganam; defende que só a razão pode produzir um conhecimento verdadeiro… — logicamente necessário… e, universalmente válido.                 Em sentido mais geral…racionalismo é a ideia de que só racionalmente podemos              chegar à verdades acerca do mundo. Sendo assim, tanto experiência como razão,                são métodos racionais de adquisição do saber, em oposição ao “intuicionismo“.    

As versões mais moderadas de racionalismo defendem que – tanto a razão…quanto os sentidos são fontes substanciais de aquisição de conhecimento. – Contudo, há que não confundir a ideia de adquirirmos conhecimento a priori acerca do mundo, com a ideia    de que o conhecimento não seria possível sem experimentarmos o mundo…Uma coisa,      é como adquirimos conceitos relevantes empregados na formulação de nossas crenças,        os quais podem ser adquiridos através da experiência; outra coisa é saber se, na posse desses conceitos relevantes, podemos, ou não, saber coisas sobre o mundo, sem ter de recorrer à experiência. Por exemplo…o fato de obtermos conceitos de azul e vermelho,      da experiência perceptiva, não nos impede de saber, a priori, que um objeto todo azul,      não pode ser vermelho… Portanto, não se deve, confundir posições tradicionais com a defesa de uma capacidade racional de intuição responsável pelo nosso ‘saber a priori’.  

E o pós-moderno finalmente veio a tona

Todas essas concepções acerca do conhecimento humano, vigoraram incontestes – até meados do século XX…sobretudo para a atividade científica. Até hoje…seja qual for a teoria que sistematiza a produção do conhecimento…ela se orienta pelos mesmos princípios… diante da ‘problemática de interesse’, isto é…pelo fato, situação… ou objeto     a conhecer. –  O homem planeja o que vai fazer, coleta o material necessário…avalia suas fontes, interpreta…e procura o que todos querem… – o conhecimento considerado como…”verdadeiro”.

E a base desse procedimento para “pensadores modernos”, era a ‘razão humana‘.          Mas, o tempo é inexorável com as ideias, em razão de ocasionar mudanças – e, por conseguinte, acarretar novos pensamentos diante dos desafios. A descontinuidade corrente na filosofia; a herança dos escombros materiais e mentais da 2ª Guerra; a bipolaridade subsequente; o ‘estado pós-industrial’ – onde modelos existentes não        mais correspondiam às necessidades e expectativas…da sociedade, e da ciênciaA cibernética e o novo modelo de comunicação; ‘capital financeiro’ gerindo política e economia; formação dos “movimentos sociais”; o ‘Construtivismo’ a ‘Gestalt’… e ambições imperialistas, ensejaram no fim dos anos 60 uma “postura negativa” de  angústia…diante da sensação de que o que se acreditava (ou foi levado a acreditar)          era errado, não mais servindo à sociedade…considerando o que ocorria no mundo.              E assim… foram negadas as bases e valores implantadas desde o século 17… que nortearamtanto a filosofia, quanto a ciência; do racionalismo ao empirismo…do idealismo ao materialismo dialético, de modo que, sob domínio do estruturalismo                e construtivismo … então acontece uma ruptura epistemológica, estabelecendo-se                o…”pós-modernismo” — como resultado de uma posição filosófica discordante.

Entre seus pensadores mais conhecidos, destacam-se Sartre, Foucault, Lévi-Strauss, François Lyotard, Deleuze, Derrida, Marcuse, Nietzsche,          e Bruno Latour, os quais negaram todas as teorias, valores, conceitos, doutrinas…enfim – tudo o que constitui o universo filosófico moderno.

As propostas ‘pós-modernas’… partem da intenção de romper … e, “desconstruir” criticamente…o “modelo epistemológico” vigente — questionando os fundamentos baseados em verdades dogmáticas…para  então…recusar a ideia de ciência – como ‘representação do real’… – em si mesmo; e adotar a ideia do… ‘objeto de pesquisa’,  como modelo construído…questionando todas as formas, que não mais serviriam.  Metodologia, e procedimentos baseados num modelo racional discursivo, seriam equivalentes ao…’modelo construtivista’, sem quaisquer…”fundamentos prontos”. Quanto ao processo do conhecimento, o ser humano não conhece ou não precisa conhecer a realidade que o cerca ele a constrói – pois a base racional, e todo    discurso moderno seria disfarce – a um “exercício da dominação” – e por isso, a negação a sistemas prontos indutores do pensar o que se quer que se pense.

A “essência” do conhecimento…que é a relação entre sujeito e objeto, é considerada sem fundamento…pois tanto filosofia quanto ciência…sendo ‘construções subjetivas’ de seus objetos – estes nada mais são do que resultado de operações teóricas e técnicas – já que cientistas não observam realidades…mas as constroem…E, nesse sentido, como objetos independentes do sujeito…não existem são apenas construções teóricas. Daí… podem ser identificados reflexos do “idealismo”, e sua “concepção imanente de verdade” – mas sem a presença de qualquer “construção interativa”, pois – naturalmente – a apreensão      do objeto pela mente do sujeito corresponde de fato ao seu conteúdo individual.

A filosofia… e o conhecimento – passam a ser considerados                           criação da linguagem, como um reflexo do ‘estruturalismo’.

A origem do conhecimento não é concebida como no ‘modernismo’ … pois o homem não é um ‘animal racional’ com livre vontade – ele é passional…se move por instintos, e por isso instituiu uma ordem social para reprimir seus desejos (proposição diametralmente oposta ao “pensamento moderno“)– A “verdade do conhecimento”… como correspondência da imagem formada, cujo critério é a ‘evidência‘…não seria apropriada, considerando que o conhecimento – seja qual a espécie, só é válido se for útil e eficaz para a obtenção dos fins, desejados por quem conhece… – “não importando que…’fins‘… sejam esses”. (texto base) ******************************(texto complementar)*********************************

O problema da “origem” do conhecimento                                                                        Afinal… – onde está o…’centro de gravi­dade‘…do                                                                          conhecimento humano…no sujeito, ou no objeto?

‘Conhecer’ é uma relação entre sujeito e objeto. Considerando que, por estar no mundo, o sujeito também pode ser objeto de conhecimento, surge          daí então, a pergunta…Será que é o sujeito quem determina o objeto…ou vice-versa? — Segundo a consciência natural o conheci­mento surge como      uma “determinação” do sujeito pelo objeto. Mas, estará correta essa concepção?… — Não poderia        ser uma… “explicação” do objeto — pelo sujeito?

Subjetivismo/Objetivismo

O ‘subjetivismo‘, ao ancorar o conhecimento humano no sujeito, desloca o mundo das ideias (encarnação dos princípios do conhecimento) para o sujeito. Nele, a característica principal do conhecimento já não mais con­siste numa focalização do ‘mundo objetivo‘, mas num voltar-se para aquele sujeito, de quem a ‘consciência cognoscente‘ recebe seus conteúdos…Todos os ‘elementos metafísicos’ são elimi­nados do núcleo do “pensamento subjetivista”, pois todos os objetos são produtos da cons­ciência, através do pensamento.

Já no ‘objetivismo‘, enquanto os objetos do mundo sensível revelam-se à uma percepção intuitiva, os objetos do pensamento revelam-se aos sonhos… à imaginação. O pensamento fundamental da doutrina platônica revive hoje na “fenomenologia” de Husserl. Da mesma forma que Platão, Husserl distingue nitidamente a intuição sensível dos objetos concretos, daquela “não-sensível“, cujos obje­tos (ao contrário) são “essências universais” das coisas.

Ontologia/Epistemologia

Ontologia significa “estudo do ser”…e consiste em uma parte da filosofia que estuda a natureza do ser, a existência, e a realidade. A palavra é formada através dos termos gregos ontos (ser) e logos (estudo, discurso). Engloba algumas questões abstratas como a existência de determinadas ‘entidades‘…o significado do Ser…etc. Os filósofos da Grécia Antiga… Platão e Aristóteles…estudaram o conceito, que muitas vezes se confunde com metafísica, por seu aspecto de categorizar o essencial/fundamental numa entidade.  O termo ontologia foi popularizado graças ao filósofo Christian Wolff, que a definiu como “philosophia prima”, ou ciência do ser enquanto ser. Assim, esta ciência tinha um caráter racional e dedutivo, com o objetivo de estudar os traços mais gerais do ser… No século 19, a ontologia foi transformada por ‘neo-escolásticos’ na 1ª ciência racional a abordar o ‘ser’. A corrente filosófica idealista de Hegel partiu da ideia de autoconsciência, para recuperar    a ontologia como ‘lógica do ser‘…No século 20, a ligação entre ontologia e metafísica deu lugar a conceitos como o de Husserl (ontologia como uma ciência material das essências). 

A epistemologia, palavra que vem do grego epistimo (ciência), trata da natureza, origem, estrutura, métodos, validade e limitações do conhecimento – estudando o grau de certeza do saber cientifico em suas diferentes áreas…no objetivo básico de avaliar a possibilidade do ser humano em alcançar o…”conhecimento pleno do mundo”. Ao surgir com Platão, já se opunha à crença ou opinião, considerando-as um ponto de vista subjetivo…(pela teoria de Platão o saber é o conjunto de informações que explicam nosso mundo natural/social).  Conhecida como ‘teoria do conhecimento’, a epistemologia relaciona-se com a metafísica, lógica, e filosofia da ciência. Um desses ramos se refere à ‘Epistemologia Genética’, teoria elaborada pelo psicólogo e filósofo Jean Piaget…como resumo de 2 teorias existentes — o ‘apriorismo’ e o ‘empirismo’. Para Piaget, o conhecimento não é algo inato dentro do indivíduocomo declara o ‘apriorismo’, bem como não é exclusividade observacional do meio ambiente, como afirma o empirismo. Segundo Piaget, o conhecimento é produzido, graças a uma interação do indivíduo com o meio, conforme suas ‘estruturas inatas‘. 

Soluções para o “problema do conhecimento”                                                                  Ao incluirmos agora, na análise desse problema, o ‘caráter ontológico’ do objeto…duas novas decisões se tornam possíveis. Ou supomos que todos os objetos possuem um “ser ideal de pensamento” (o que afirma o idealismo) – ou se admite que além dos objetos ideais há…”objetos reais“…independentemente do pensamento (segundo o realismo).

intelectualizacaoAs várias formas de“Realismo”

Por “realismo metafísico“… entende-se o ponto de vista epistemológico segundo o qual existem coisas reais, independen­tes da consciência… O ‘realismo ingênuo‘ é aquele que não distingue a “percepção” (conteúdo da consciência), do objeto percebido…Já o ‘realismo natural‘…é capaz de identificar esses conteúdos em objetos ao atribuir-lhes as propriedades presentes em seus conteúdos. O ‘realismo crítico‘, por sua vez, não acreditando no teor perceptivo vindo de objetos, atribui as reações da consciência a…”estímulos externos“.

No ‘realismo ingênuo‘…”pré-filosófico”…que dá origem aos demais, o homem aceita a identidade de seu conhecimento com coisas captadas por sua mente, sem fazer qualquer questionamento a respeito disso. — É a atitude do “homem comum”…conceber as coisas, tais como aparecem. O realismo natural, por sua vez, se compõe de ‘reflexões críticas’. Nele, indaga-se a respeito dos ‘fundamentos’, com uma busca em demonstrar se as teses são verdadeiras – numa atitude propriamente filosófica – seguindo a “linha aristotélica”. Já de acordo com os fundamentos do ‘realis­mo críticoconhecer é sempre conhecer  algo fora de nósmas o qual, ao ser conhecido, não nos é possível saber se corresponde, ou não, ao objeto, tal qual a si mesmo. Ou seja, os objetos da percepção servem para  muitos indi­víduos, mas os conteúdos da representaçãosó valem para um único objeto.

Essa inter-individualidade dos objetos de percepção só pode ser explicada segundo a visão do ‘realismo crítico’, pela supo­sição de haver ‘objetos reais’ atuando em diferentes sujeitos, provocando neles…’percepções’. – A independência dos objetos de percepção em relação à consciência que per­cebe… – manifesta-se aqui com clareza. – Esse tipo de fundamentação, contudo, parece inadequado a outros representantes do rea­lismo. Se fôssemos puros seres de entendimento, não teríamos qualquer consciên­cia da realidade (“realismo volitivo“).

Todas essas formas de realismo estão presentes na filosofia antiga. – No alvorecer do pensamento grego, o ‘realismo ingênuo‘ era predominante… Demócrito, seguidor do ‘realismo crítico‘, por seu lado, afirmava (quantitativamente) a existência de átomos. Mas sua visão não foi capaz de impor-se à ‘filosofia grega’, muito devido à da influência exercida por Aristóteles, defensor do ‘realismo natural‘… Para este, as ‘propriedades percebidas’ convêm também às coisas – sendo tais ideias predominantes, até a…”Idade Moderna”; quando a visão de Demócrito ressurgiu, com sua “doutrina atômica”…então    defendida por Galileu, aperfeiçoada por Descartes e Hobbes…definida, por John Locke.

John Locke(Locke x Descartes)                                          Descartes formulou o célebre…”cogito ergo sum”: “Em meu pensar, em meus atos de pensar (assim reflete Descartes) vivencio meu eu… enquanto ‘realidade’… certifico-me de minha existência”.

A proposição sugere, que possuímos uma certeza imediata sobre a existência de nosso próprio ‘eu’; e que todo idealismo deve fracassar diante dessa certeza imediata… (“racionalismo absoluto“).

Descartes entende o “inato” como um ‘princípio causal’…ou noção substancial (Deus). Para Locke, no entanto, tal concepção coloca Deus, como o responsável pela existência      das ideias em nós, o que para ele teria um caráter dogmático, por inquestionavelmente    ser colocado como ‘ponto de partida’. – Locke tenta assim chegar às ideias, só pelo uso    das “faculdades naturais”Em oposição a um dos argumentos principais usados pelos defensores de Descartes ( ‘universalismo‘), ele argumenta que:  “o conhecimento universal não é inato”. Segundo Locke…“a alma humana é uma tábula rasa”.

Pelo ‘empirismo‘ de Locke – o caminho pelo qual são alcançadas as verdades origina-se (ao contrário do princípio universal do racionalismo cartesiano) nas ideias particulares, isto é, na ‘concepção empírica’ que o pensamento parte do particular para o geral. Estas ideias é que dão origem às ideias abstratas. A ideia é objeto do pensamento…não se tem pensamento sem ideia, nem ideia sem pensamento. Ter consciência de uma ideia…é ter consciência de que se tem essa ideia… – ou seja – é ter… “consciência de si mesmo“.   A obra empirista de John Locke representa uma reação ao racionalismo (absoluto)    de Descartes, por considerar o entendimento, como a faculdade mais nobre da alma na investigação de objetos passíveis do “conhecer”. Tentar ir além do que as faculdades mentais podem apreender – ou adentrar veredas que extrapolam nosa compreensão é    como cair na…’especulação‘. Ao retirar das ideias seu caráter inato (‘Deus’) Locke defende que o…”aprendizado da experiência“…é que dá origem ao ‘conhecimento’:

Nossos sentidos são a única fonte de ‘ligação direta’ à realidade;                                          suas qualidades primárias… – são os ‘objetos exteriores‘;                                                enquanto as secundárias… – surgem da interação (“ideias“)                                                entre o objeto e o sujeito … (variando de sujeito para sujeito).

Idealismo psicológico (ou subjetivo)                                                                                Advoga a concepção de que… não há “coisas reais” – independentes da ‘consciência’.  Assim, com a supressão de coisas reais, só restam 2 tipos de objeto: os que ‘existem          na consciência (re­presentação/sentimento), e os objetos ideais (lógica/matemática).            A partir daí, pode-se definir os 2 tipos de idealismo… — o ‘psicológico’ … e o ‘lógico’.

Para este tipo de idealismo, toda a realidade esta na consciência do sujeito sendo assim, as coisas em si não passam de conteúdos provenientes da consciência. A existência das coisas depende da percepção do indivíduo, sendo que ‘deixar de perceber … é deixar de existir’. Seu maior expoente foi George Berkeley (1685-1753) que cunhou a fórmula adequada para tal posicionamento, qual seja: O‘ser das coisas’consiste em serem percebidas“.

Idealismo lógico (ou objetivo)

O idealismo lógico é essencialmente di­verso do psicológico. Enquanto este parte da consciência do ‘sujeito individual’…afirmando que a realidade está contida em sua consciência, e os ‘objetos’ são seus conteúdos — o ‘idealismo lógico‘ toma como ponto de partida a “cons­ciência objetiva“…ao afirmar que objetos são ‘produto do pensamento’ (em oposição ao realismo, para o qual os objetos exteriores estão disponíveis, à revelia do pensar).

Ao objetivar conscientemente (pelo “pensamento”) seu…”objeto de conhecimento” – o ‘idea­lismo lógicose distingue do subjetivismo doidealismo psicológico‘, bem como  se diferencia radicalmente do ‘realis­mo metafísico‘… – que assume um “conteúdo real” do mundo exterior, fora da cons­ciência individual. – Essa ‘forma objetiva’ de idealismo faz parte do conteúdo científico… – por uma soma de ideias…pensamentos…teorias… e juízos.

O idealismo lógico vê o ‘objeto real’ como algo em que somos encarregados                            da tarefa de conhecer sua ‘definição lógica’ … – pelos ‘dados da percepção’,                            para, a seguir … – transformar esses dados … em ‘objeto de conhecimento’.

Como exemplo … para melhor diferenciar as linhas de pensamento… “Ao segurar um pedaço de giz… – Para o realista… o giz existe exteriormente à minha consciência, e independente dela. Para o idealista, subjetivo ou psicológico, o giz existe apenas em minha consciência. Todo o seu ser consiste em ser percebido por mim…Ao idealista lógico, o giz não está nem dentro de mim, nem fora de mim…ele não está disponível       de antemão – mas deve ser construído… e isso acontece através do meu pensamento.      Na medida em que formo o “conceito giz”…meu pensamento constrói o…”objeto giz”; sendo assim… – para o idealista… o giz não é nem uma coisa real, nem um conteúdo consciente, mas sim… – um ‘conceito‘… – que consiste em um… ser lógico-ideal“.

Apesar das divergências dos 2 pontos de vistas… essa diversidade move-se dentro de uma intuição fundamental comum. Trata-se da tese idealista de que o objeto do conhecimento não é algo real, mais ideal. Não contente em formular a tese – o ‘idealismo’ também tenta prová-la. Desse modo, o pensamento de um objeto (“independente do pensar”) não traria qualquer contradição – pois o tornar-se pensado, diz respeito ao con­teúdo; enquanto que o ser independente do pensar… – o ‘não tornar-se pensado‘… – diz respeito ao objeto.

Realismo Críticoe o “feno­menalismo”                                                                            “A realidade existe…objetivamente, de forma                                                            independente…da percepção que temos dela”.

Frente ao idealismo…que pretende fazer do homem um ser totalmente intelectual,            o realismo enfatiza que o homem é um ser que quer… e age. Assim… nossa certeza    acerca do… “mundo exterior” – não se baseia numa simples ‘conclusão lógica’…mas         numa “vivência imediata”… E com isso…o “idealismo”…é superado pela “prática”.

Diogo Rivera

Mural de Diogo Rivera

O realismo crítico parte do pressuposto de que o conhecimento de um objeto se faz…por meio dos sentidos. O que estes captam – é a própria coisa…e não processos fisiológicos. A sensação    é sempre sensação do objeto…específica aos sentidos, e determinada. Ao buscar elementos formadores do sabera razão assim, encontra  experiência e reflexão como seus mananciais.

Tudo o que conhecemos…vem dessas 2 fontes:    a sensação, originada do exterior; e “reflexões” (do interior)… Todo conhecimento provém da experiência obtida dos objetos sensíveis externos – por operações internas dos sentidos.    E então…quando a mente enfim analisa suas próprias operações, ocorre a “percepção“. 

Segundo o realismo crítico, a ‘incognoscibilidade’ das coisas não convêm às próprias coisas, mas surgem apenas em nossa consciência… O feno­menalismo vai mais longe,    ao afirmar que…o mundo no qual eu vivo – é modelado por minha própria consciência;  coincidindo com o ‘realismo’…quando admite coisas reais; e com o ‘idealismo’, quando limita o conhecimento à consciência…(“mundo aparente”)…impossibilitando conhecer      as ‘coisas em si’…Para o fenomenalismo há coisas reais, mas não temos a possibilidade      de conhecê-las a fundo, em sua essência. – Assim…sempre lidamos com as aparências, surgidas da organização a priori da consciência – e nunca com as coisas em si mesmas.

Ou seja…“o mundo no qual eu vivo é modelado por minha consciência”. Jamais poderei saber como é o mundo em si mesmo… à parte de minha consciência, e de suas ‘formas a priori’, pois tão logo tento conhecer ‘as coisas’…já lhes são impostas as formas de minha consciência… – Portanto, o que tenho diante de mim…não é mais a coisa em si, mas sua ‘aparência’. Quando penso no mundo como formado de coisas dotadas de propriedades, quando aplico o conceito de “substância” às aparências – ou o conceito de “causalidade”    a certos processos condicionados, ou ainda quando falo em possibilidade…necessidade, tudo isso se baseia em certas formas e funções a priori do ‘entendimento’… que entram  em ação estimuladas pela interveniência da sensação, independente da minha vontade.

O “Fenomenalismo” de Kant                                                                                            Kant busca compatibilizar o realismo ao idealismo – propondo                                               uma metafísica baseada numa “ordem a priori” da consciência.

Assim como “racionalismo” e “empirismo” estão flagran­temente contrapostos quanto à origem do conhecimento, o ‘realismo‘ contrapõe-se ao ‘idealismo‘…na questão sobre a essência do conhecimento. Para Kant… o racionalismo e o empirismo são concepções insuficientes…para explicar o “saber”… Para Fernando Lang da Silveira, apesar de sua origem “experimental”…há condições a priori para que…”impressões sensíveis”… se tornem “conhecimento“.

OApriorismo de Kant é uma tentativa de superar o embate racionalismo x empirismo. No caso da contraposição entre o realismo e o idealismo foi proposto… – também por Kant, o “Fenomenalismo” – não tratando as coisas como são em si… mas como se nos apresentam (fenômenos); seguindo assim o realismo na aceitação de coisas reais; e o idealismo na limitação do conhecimento à realidade consciente (“mundo aparente“)Em relação a conhecer a “essência das coisas“…ou, falando como Kant, a “coisa-em-si“… a esse respeito…as concepções aristotélica e kantiana… são totalmente opostas:

A doutrina do “fenomenalismo” – em Kant – resume-se a 3 hipóteses:

  1. – A coisa em si é incognoscível;
  2. – O nosso conhecimento continua a ser limitado ao “mundo fenomênico“;
  3. – Este surge em nossa consciênciapois ordenamos e elaboramos o material                     sensível – em relação às…”formas a priori“…da intuição e do entendimento.

Enquanto que, para Kant, a “consciência cognoscente” cria a ordenação…as “sensações” apresentam um puro Caos. Elas não possuem qualquer ordenação. Toda ordenação vem   da consciência. Pensar, para Kant, não significa outra coisa senão ordenar. Essa posição, porém é insustentável… – Se o material sensível fosse totalmente indeterminado…como ordená-lo?…Seja como for, o fato é que com isso, o ‘princípio da incognoscibilidade’ das coisas foi quebrado…por se tratar de um problema que escapa a uma solução categórica,    totalmente segura, por parte de um pensamento…no limite de sua capacidade cognitiva.

Já para Aristóteles – A “consciência cognoscente” imprime uma ordem objetiva nas coisas do cosmos exterior; assim, o conhecimento é concebido, como   uma forma objetiva…numa concepção influenciada pela estrutura de espírito peculiar do mundo grego.  O conhecimento é tido como reprodução do objeto, numa simulação da realidade… que, de certo modo se dispõe: 1º) fora da consciência…(objetivamente)  e 2º) na “consciência cognitiva”…(subjetivamente).

Essa concepção possui a peculiar característica de supor                                que a realidade possui uma ‘estrutura racional própria’.

Intuicionismo (‘transcendente’)                                                                                        Também é numa intuição que se baseiam os juízos que temos nas                                        “leis lógicas do pensamento”. Dessa forma, no princípio e no final                                          de nosso conhe­cimento… – existe uma… “apreensão intuitiva“. 

Ao nos posicionarmos “criticamente“, no debate entre ‘realismo’ e ‘idealismo’…podemos concluir que ambas as proposições… buscam expressar o mesmo princípio… — a saber… que pos­suímos uma “certeza imediata” sobre a existência do próprio eu… – na qual uma parte se origina no processo do ‘pensar‘…e a outra, do ‘querer‘. Esta concepção… com forte associação à estrutura do ‘espírito grego’…concebe o “conhecimento humano”… de uma forma objetiva, como se a partir de um espelhamento do ‘cos­mos exterior‘… Assim,     a realidade se põe duplamente disponí­vel – objetivamente, fora da consciência… em um Cosmos (infinito)… – e subjetivamente… – por uma efêmera consciência cognitiva.

Reconhecer ou não a validade de um “conhecimento intuitivo”, ao lado do racional e discursivo – vai de­pender, sobretudo do “modo de se pensar” a respeito da essência humana. Quem desloca o centro de gravidade do ser mais para o lado do sentimento e da vontade, se inclinará, de antemão, a reconhecer, ao lado do tipo racional-discursivo de conhecimento… outro tipo mágico de apreen­são do objeto.

E estará convencido de que… – ao caráter multifacetado da realidade, corresponde também uma multipli­cidade de funções do conhecimento.

Encontramos no ‘co­gito, ergo sum’ de Descartes o reconhecimento da intui­ção enquanto forma autônoma de conhecimento … pois a “proposição cartesiana” não envolve nenhuma inferência, mas uma ‘intuição imediata’ de si… Deparamos ainda com um reconhecimento da ‘intui­ção‘ como fonte autônoma de conhecimento em Pascal, que com a sentença… O coração tem razões, que a própria razão desconhece”, põe ao lado do… conhecimento inte­lectual, um “conhecimento emocional”. Em Espinosa e Leibniz, ao contrário, a intuição não desempenha qualquer ‘papel especial’ na estrutura geral da “teoria do conhe­cimento”.  A exemplo do que ocorre no intelectualismo da Idade Média…e no racionalismo moderno, para Kant só há “conhecimento racional-discursivo”… – Nossos juízos éticos de valor…(o “sentido estético”…e o “sentido moral”)…ensina ele – não se baseiam na reflexão…mas na intuição. Já Husserl reconhece uma…”intuição ra­cional”, como de essência… enquanto Scheler assu­me, ao lado desta, uma “intuição emocional” – no conhecimento de valores.

Toda grande obra religiosa, filosófica, artística…por sua peculiaridade, prova que funções da consciência totalmen­te diversas da sensação e do pensamento partici­param em sua gênese… — Essas ‘forças irracionais’ formam um campo indispensável ao conhecimento do ‘mundo exterior’.

Enquanto para seres que sentem e querem…a intuição é um verdadeiro órgão de saber histórico; pela ‘meta­física racional’ chegamos ao fundamento absoluto do mundo. No campo teórico a intuição não pode reclamar o direito de ser um meio de conhecimento autônomo, em­parelhado ao conhecimento racional-discursivo… – Coisa muito diversa, porém…é a pergunta sobre a validade da ‘lógica intuitiva’. O opo­sitor do intuicionismo      está certo ao fazer essa exigência. — Ao fazer “teoria do conhecimento”, deve­mos dar à razão a última palavraToda intuição aqui legitima-seperante o “tribunal da razão”.

Ao passarmos aos valores do campo estéti­co‘, a intuição gera menos polêmica. Valores   es­téticos não podem ser apreendidos discursivamente por meio do entendimento… mas, apenas intuitivamente – por meio do sentimento… – As coisas já não são tão simples no terreno da ética‘. Enquanto que a ‘metafí­sica‘, em última análise, ocupa-se apenas do “absoluto racional“… – como ‘fundamento explicativo do mun­do. (texto base)

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
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Uma resposta para Epistemologia Contemporânea; Metafísica pós-Moderna

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