“Primeiro Contato”…Murray Leinster (livre adaptação)

“E…semelhante espaço o chamamos infinito, porque não há razão, possibilidade, sentido ou natureza que deva limitá-lo. Nele…existem infinitos mundos semelhantes a este…pois não há razão nem defeito da capacidade natural, pela qual, assim como nesse espaço que nos rodeia existem – não existam igualmente em todo outro espaço que por sua natureza não é diferente deste – inumeráveis sóis, com infinitas terras… que giram igualmente em torno deles, assim como vemos estes 7 planetas girar em torno desse sol que nos ilumina”  **********Giordano Bruno********** “De l’infinito, universo e mondi” **********(1584)
holografiaTommy Dort entrou na cabine de comando com suas últimas ‘estereofotos’…“Pronto”, disse ele ao Comandante…“acabei de tirar as fotos que precisava”…Inseriu no projetor holográfico o chip, olhando com interesse profissional para o espaço panorâmico (3D)   que circundava externamente a espaçonave, “hiper-projetado” na cabine de comando.

A Llanvabon estava a considerável distância da Terra… Os hologramas onde desfilavam, conforme a magnitude desejada, virtualmente todas as estrelas da Via-Láctea, com suas constelações…respeitando distâncias, localização e brilho…com surpreendente precisão, pareciam ligeiramente fora de lugar – devido ao deslocamento do ‘referencial terrestre’.  Uma luz violeta indicava os painéis de controle…incluindo os instrumentos necessários      à viagem da “Llanvabon”…A cabine tinha ainda 3 poltronas “aerodinâmicas”, com telas projetadas para permitir uma estereoscópica visão tridimensional do “espaço exterior”.  Eles tinham pela frente um vasto nevoeiro luminoso que há algum tempo já se tornara indistinguível. O nevoeiro era a “Nebulosa do Caranguejo”…remanescente da explosão    de uma supernova na Constelação do Touro, com 11 anos-luz de extensão. Uma nuvem      bem tênue de gás, com uma ‘estrela central de neutrons’…Tommy exclamou pensativo:

“Estamos penetrando no abismo…senhor”.

O comandante aprovou as últimas “estereofotos” tiradas por Tommy … para logo voltar-se inquieto à observação dos visoramas dianteiros. A Llanvabon estava desacelerando ‘a todo vapor’ … achava-se agora, apenas a meio ano-luz da nebulosa. – O trabalho de Tommy era planejar o curso da ‘espaçonave’ – a qual… enquanto permanecesse estacionada dentro da nebulosa, o deixaria ocioso; mas ele já havia pago um bom preço por essa ociosidade, pois  acabara de realizar um feito sem precedentes: o completo registro fotográfico da nebulosa remanescente da explosão de uma ‘supernova‘ com 6,5 mil anos de história…concentrada agora numa estrela de neutrons com cerca de 25 kms de diâmetro – girando 30 vezes/seg.

O caso é que a “Nebulosa do Caranguejo” está a 6,5 mil anos-luz de distância da Terra – e…as ‘estereofotos’ haviam sido tiradas de uma luz – que chegaria à Terra… (respeitando o limite da velocidade da luz), no 9º milênio da Era Cristã.  E enquanto a Llanvabon penetrava lentamente na nebulosa, uma forte luminosidade começou  a tomar conta dos “visoramas“. — À frente… uma cerração brilhante… – e atrás… um vácuo salpicado de estrelas… das quais…percebia- se apenas o ‘brilho esmaecido’… – daquelas mais luminosas. — Como se perfurasse um túnel de escuridão…por entre paredes de gás luminoso,  a Llanvabon, devagar…penetrava na nebulosa.

As fotografias tomadas de maior distância tinham revelado características estruturais na nebulosa, e quando a nave chegou mais perto, indicações de estrutura se tornaram ainda mais nítidas…A Llanvabon, ao aproximar-se da nebulosa em curva logarítmica, permitiu que Tommy tirasse sucessivas fotos… de ângulos ligeiramente diferentes… e conseguisse ‘estereopares’, mostrando a nebulosa em 3 dimensões, em todo seu complicado formato, que mais parecia uma rede de filamentos de neurônio… em um imenso cérebro humano.

A distância entre a extremidade da nebulosa e a estrela de neutrons – repousando em sua parte central, era de 5,5 anos-luz – com taxa de expansão aproximada de 1,5 mil km/s…O problema era que… apesar da nebulosa ser composta por um gás muito tênue, um veículo deslocando-se em “overdrive” … precisa de um “vácuo puro“… como o que existe entre as estrelas…e não de um vácuo parcial. Nesse caso…com a nave penetrando num gigantesco nevoeiro, deveria limitar sua velocidade àquela permitida por tal vácuo…e assim foi feito.

O comandante então, pôs-se à vontade. Uma de suas funções era pensar coisas que pudessem causar preocupação, e depois preocupar-se com elas… O comandante da Llanvabon era atento às suas obrigações, e apenas quando um instrumento parava definitivamente de registrar informações — é que se dava ao direito de descontrair.

Um Objeto não Identificado

O overdrive cessou, todavia, quase instantaneamente, campainhas estridentes ressoaram em todos os cantos da nave. Tommy então, olhava fixamente para o já tenso comandante. Um aparelho entrava em histeria… – enquanto outros logo registravam suas descobertas.

Crab Nebula,UFOUm ponto no difuso e brilhante nevoeiro estampado no ‘visorama’ tornou-se mais destacado enquanto o laser de varredura se fixava nele. — Foi a deteção do objeto, que fez soar o alarme de colisão – com o indicador virtual, conforme leitura ótica, mostrando um pequeno corpo sólido…a cerca de 80 mil kms de distância – além de outro objeto — cuja distância variava de zero a 80 mil, avançando e recuando.

“Aumente a definição do aparelho”…disse o comandante… – O ponto luminoso veio logo à tona. Ampliação pronta, mas nada aparecia… – Absolutamente nada… Entretanto, o radar insistia em que algo invisível e misterioso fazia loucos arremessos em direção à Llanvabon, a velocidades que implicavam alta colisão, se distanciando, a seguir, na mesma velocidade.

A graduação do visorama foi aumentada ao máximo, e nada ainda. Quando Tommy disse ao comandante… – “Senhor, eu vi algo parecido com isto…certa vez numa viagem entre a Terra e Marte, enquanto estávamos sendo localizados por outra espaçonave. – Como sua transmissão era feita com a mesma frequência que a nossa… – sempre que a captávamos, parecia estarmos diante de um estranho “corpo sólido”… – indo e voltando rapidamente”.

Isso mesmo!” – reagiu o comandante excitado”é exatamente o que está acontecendo conosco. Temos sobre nós alguma coisa; assim como um ‘localizador de rádio‘. Estamos sendo atingidos por essa transmissão, e além disso, por nosso próprio eco!… Mas a outra nave é invisível. Quem estaria aqui numa nave invisível com instrumento de localização? ”Não seriam humanos, certamente!”. Apertou um botão e transmitiu a ordem: ”Atenção! preparem todas as armas disponíveis para combate… Alerta máximo em todos setores!”.

Seus nervos se contraíram. – Fixou de novo o…’visorama’, que nada mostrava, além de uma luminosidade bem disforme…“Não seriam humanos?”…pensou Tommy perplexo, ainda querendo entender o que estava se passando…”O senhor quer dizer então que…”

crab-nebula“Quantos sistemas solares há em nossa galáxia?”perguntou energicamente o comandante. – “Quantos planetas com condições de vida? E, quantas espécies de vida pode haver?…Se essa nave não vem da Terra (e não vinha) … toda sua tripulação não é humana” (e seres que, apesar de não serem humanos, podem empreender ‘viagens‘ pela vastidão do espaço, devem possuir uma civilização nada desprezível)… — Nessas ocasiões, até mesmo…um veterano comandante, que tem por tarefa dever se preocupar, por vezes, deve desabafar com alguém:

“Algo semelhante tem sido objeto de discussões e especulações…há anos… Pelos cálculos probabilísticos é quase certo que em alguma parte de nossa galáxia haja outra civilização igual – ou superior à nossa… – Ninguém poderia jamais suspeitar… onde, ou… quando a encontraríamos… – No entanto…parece que coube a nós realizar essa proeza… – Agora.”

Os olhos de Tommy adquiriram um brilho incomum… ”O senhor acha que eles podem ser cordiais?”, perguntou ao comandante, que olhava fixamente para o indicador de distância, onde o falso ‘objeto fantasma’ ainda fazia seus loucos arremessos em direção à Llanvabon, recuando à mesma incrível velocidade… – “Está se movendo” … disse num tom alterado… ”vindo em nossa direção…É possível que sejam amigos, mas temos que nos manter alerta. A única arma de defesa a longa distância que temos à disposição, são os desintegradores”.

overdriveVindo em nossa direção

Os desintegradores são correntes de laser, com altíssimo poder de destruição, que servem para limpar a rota da ‘nave espacial’ – da indesejada presença de ‘matéria interestelar’. Embora não tenham sido concebidos como armas … podem ser utilizados como tal. – Com um alcance de 5 mil kms…são capazes de abrir um buraco num asteroide de porte médio, no caminho da nave.

Tommy aproximou-se da janela traseira…e, voltando a cabeça para trás, questionou: “Desintegradores, senhor?…Para quê?”… O comandante, com uma expressão grave, respondeu…“Porque não sabemos as intenções deles, e não podemos nos arriscar!…           Tentaremos fazer amigos, mas não temos muita chance… – Não podemos depositar           neles a mínima confiança…Não ousaremos… Eles têm rastreadores, talvez melhores           que os nossos. Quem sabe, sem sabermos, não acompanharam nosso trajeto…desde             a Terra?… Não podemos nos arriscar que uma raça alienígena saiba onde fica nosso planeta, a menos que estejamos totalmente seguros a respeito de suas intenções…E,           como adquirir essa segurança?…Eles poderiam vir negociar…ou quem sabe, invadir         nosso planeta em overdrive sem que fôssemos capazes de esboçar qualquer reação”.

Tommy argumentou, com certo ar de espanto… “Isso tudo, teoricamente, foi inúmeras vezes discutido. Porém, até hoje ninguém encontrou uma resposta satisfatória, mesmo porque jamais se pensou desse encontro ser ao acaso… – no espaço…sem que nenhum    dos lados soubesse a procedência do outro…Para isso, ainda não temos uma resposta”.

O comandante então, expôs a Tommy suas dúvidas… ”Talvez essas criaturas sejam belas, distintas e amáveis, possuindo entretanto, a ferocidade de um canibal… Ou, talvez sejam rudes como um camponês sueco, mas com o espírito de justiça e decência, que é a marca do seu caráter. Talvez uma mistura dos 2, mas não arriscaria o futuro da humanidade na presunção de que seja possível confiar neles. Claro que valeria a pena conhecermos uma nova civilização – isso estimularia a nossa, e talvez lucrássemos enormemente; mas não posso correr o risco de mostrar onde está a Terra…E eles devem pensar o mesmo”. Logo após falou aos tripulantes: “Oficiais navegadores atenção! Todos mapas estelares devem estar preparados para destruição imediata – incluindo fotodiagramas, pelos quais nossa rota – ou ‘ponto de partida‘…possa ser deduzido. – Quero todos os dados astronômicos imediatamente arquivados, de modo a poderem ser deletados…em fração de segundos”.

O primeiro contato do ser humano com uma raça alienígena era uma possibilidade prevista de várias formas, mas nunca de uma maneira tão embaraçosa quanto esta    parecia ser… Duas naves solitárias – uma da Terra…e outra de um mundo distante, encontram-se numa nebulosa…bem longe do planeta de origem de cada uma delas.        Eles poderiam desejar paz, mas era impossível distinguir um ‘ataque’ traiçoeiro de        uma ‘aproximação’ amistosa. Deixar de lado a suspeita, poderia resultar no fim da          raça humana. Mesmo considerando a pacífica permuta do saber o maior benefício        para ambas civilizações – teriam que ficar alerta … pois qualquer erro – seria fatal.

ufo-nebulaMáxima aproximação possível

Reinava profundo silêncio na cabine de comando. A janela traseira estava tomada por um…’luminoso nevoeiro difuso’, desprovido de qualquer tipo de contorno aparente. Foi então que Tommy subitamente exclamou: ”Ali, senhor!”… — Era possível distinguir no nevoeiro um pequeno objeto opaco em forma retangular, e tênue luminosidade, mas seus detalhes eram imperceptíveis.  Tommy então, olhou para o medidor de distância, e exclamou… “Senhor, está se dirigindo para nós… em alto grau de aceleração… Será que tentarão um contato…ou usarão suas armas tão logo tenham condições de nos atingir?”.

Deslizando num brilhante mar luminescente, que ocupava o núcleo central da nebulosa,    ao chegar mais perto da Llanvabon, o estranho veículo desacelerou… – parando, depois    de se aproximar o máximo que a prudência permitia; tanto num sinal de cordialidade e respeito…quanto de precaução contra um possível ataque. O momento da aproximação, contudo, foi dominado por grande tensão. Um simples movimento agressivo deles, e os desintegradores seriam acionados. – Tommy observava tudo, preocupado. Esses ‘seres  em naves espaciais’…deviam possuir alto nível tecnológico – e civilizações não evoluem sem prudência. A essa hora, portanto – tal como os ‘seres humanos’ da Llanvabon, eles também estariam considerando todas implicações, deste “1º contato” entre civilizações.

É bem provável que a ideia de um contato pacífico…com a troca de suas respectivas tecnologias, tenha ocorrido, tanto aos tripulantes da nave alienígena, quanto aos da Llanvabon… – Quando culturas humanas dessemelhantes entram em contato, uma geralmente se subordina, ou há guerra… Contudo, entre raças oriundas de planetas diferentes, a subordinação dificilmente se estabeleceria pacificamente…Os homens,  jamais consentiriam em se subordinar – nem qualquer outra raça, suficientemente desenvolvida o faria. Benefícios comerciais jamais compensariam uma condição de inferioridade. Algumas raças – os homens, quem sabe, talvez preferissem negociar.    Talvez o mesmo acontecesse com tais alienígenas. Mas a maioria iria preferir lutar.

Se o veículo estranho agora tão próximo da Llanvabon, voltasse à sua base com a notícia da ‘existência humana’, e de naves como a Llanvabon, isto daria a seu povo a alternativa de negociar ou guerrear… E, como para se fechar um negócio é preciso que os dois lados estejam de acordo, basta um…para se fazer a guerra. Talvez assim, a única segurança de ambos os lados fosse a destruição de uma, ou ambas as naves ali estacionadas, e já. Mas,    a própria vitória não seria o bastante. O homem precisava conhecer o planeta de origem dessa outra raça, para mais tarde evitá-la, ou combatê-la… Precisava conhecer armas, e recursos…para conquistá-los, caso necessário. E os desconhecidos sentiriam as mesmas necessidades frente à humanidade. Por isso, o comandante da Llanvabon não apertou o botãoque, possivelmentedestruiria a outra nave… Não ousou abrir fogo. – Até que, daquela imensa tensão – “quebrando o silêncio”… ouviram-se vozes na sala de controle:

“A outra nave está parada, senhor. – Absolutamente                                          imóvel. Os desintegradores estão centralizados nela”.

Cavaleiro-negro-sateliteEra uma sugestão para abrir fogo, mas o comandante balançou a cabeça para si mesmo. – A nave estranha, apagada, por completo, não estava a mais de 20 kms de distância…Todo o seu exterior, era um escuro abissal em que nada se refletia… Não se via qualquer detalhe, exceto variações insignificantes… que  reproduziam seu perfil…em contraste com a ‘espuma brilhante’ da nebulosa.

O “bote salva-vidas”

”Eles enviaram em nossa direção uma onda curta modulada. Frequência modulada. Aparentemente um sinal…Não tem força suficiente para causar qualquer dano”… O comandante trincou os dentes… — “Estão fazendo alguma coisa agora, senhor… Há movimento do lado de fora da nave”…  “Observem o que eles mandam para fora”, replicou o comandante… — “Concentrem nesse alvo os desintegradores auxiliares”,  completou. — E então… algo comprido começou a sair lentamente da ‘nave escura’;        que logo após, começou a mover-se…“Estão se afastando, senhor”, disse o auxiliar.        Mas o objeto colocado para fora pela outra nave permanecia estacionado. Quando,      outra vez, novo comunicado: ”Mais sinais em frequência modulada. Ininteligíveis”.

Os olhos de Tommy brilharam. O comandante olhou para o visor, enquanto o suor lhe descia da testa…“Tanto melhor comandante”, disse Tommy confiante… “Se enviassem alguma coisa em nossa direção, poderia parecer um projétil…ou uma bomba. – Assim,    eles chegaram perto, largaram um ‘bote salva-vidas’, e se afastaram de novo. Pensam  eles, que poderíamos mandar um artefato – tripulado ou não, para fazer contato, sem maiores riscos à nossa espaçonave… — Eles devem pensar mais ou menos como nós”.        

O comandante, sem tirar os olhos da tela do visor, disse para Tommy: ”Sr. Dort, poderia sair da nave, para examinar o objeto?…preciso de alguém para fazê-lo…” E Tommy logo respondeu… ”Muito bem, senhor; vou precisar um traje espacial, com algum dispositivo    de propulsão. – Creio que deva levar o estabilizador EPR”… Enquanto isso, a outra nave seguia se afastando…40, 80, 400 kms…Até que aí parou, na certa, aguardando resposta.  Enquanto vestia seu traje espacial (“com propulsão”)…Tommy escutava as informações transmitidas a todos compartimentos da nave. O fato do outro veículo ter parado a 400 kms de distância, para ele…era altamente tranquilizador. Nenhuma arma convencional alcançaria tal distância, portanto…sentia-se seguro. Contudo… justamente quando esse pensamento começava a se cristalizar em sua mente, a estranha nave vertiginosamente    se afastou ainda mais. (Seria este um plano de fuga ou uma dissimulação?…pensou ele)

traje espacial.jpg

Tommy lançou-se para fora da espaçonave … penetrando num vácuo de brilho tão intenso quanto jamais fora dado  a qualquer ser humano experimentar. Foi quando… atrás dele, a Llanvabon afastou-se como um dardo… Nos fones de seu capacete — Tommy já ouvia a voz do comandante:    ”Também estamos recuando Dort – para proteger a nave contra qualquer ‘reação em cadeia’… Voltaremos quando você fizer a conexão do ‘simulador EPR‘ com o objeto”.

Seu raciocínio estava certo, muito embora ‘aterrorizante‘. Um explosivo capaz de lançar uma ‘onda de choque’ num raio de 20 kms era tecnologicamente desconhecido… porém, teoricamente plausível. Assim…por segurança, convinha à Llanvabon se afastar do local. Tommy, àquela hora numa enorme solidão, ligou os propulsores do seu traje espacial, e    se precipitou nas profundezas do vácuo – rumo àquela pequena mancha … no nevoeiro.

Nesse intervalo, a Llanvaban desapareceu de vista, confundindo, a uma relativamente curta distância, o brilho de sua couraça polida, com o nevoeiro…A outra nave também    não era mais visível a olho nu. – Tommy nadava no vácuo, a 6,5 mil anos-luz da Terra, para encontrar um pequenino objeto escuro… o único sólido, em todo espaço ao redor.  “Estou aqui”disse Tommy, pelo fone do capacete. Tocou no objeto, que era metálico, totalmente opaco. Apalpando com suas luvas, não percebeu qualquer sinal de textura, nada de novo…”Impasse, senhor!…nada a informar que nosso esquadrinhador já não tenha feito”. – Nesse momento…em de seu traje…sentiu algum tipo de vibração…que  podia traduzir em ruídos estridentes…e então…uma parte da estrutura abriu-se… Ele, curioso, tentou olhar para dentro, pensando encontrar aí… os “extraterrestres” – que jamais outro ser humano observara. – No entanto, o que viu – foi simplesmente uma    placa plana, da qual luzes aleatórias se projetavam sem qualquer finalidade aparente.

Ouviu então uma exclamação de surpresa. – Era a voz do comandante…”Muito bem,    Dort. Ajeite o ‘estabilizador EPR’ de maneira a poder apontá-lo para essa placa. Eles lançaram um veículo de comunicação. – Qualquer ação que fizéssemos, atacaríamos apenas o mecanismo. Talvez esperem que levemos o aparelho a bordo, mas pode ser      que tenha uma bomba. Deixe o ‘conversor automático’ aí conectado…e volte à nave”.   

“Sim senhor”, disse Tommy… ”mas onde está a nossa nave?”…Não havia estrelas. A nebulosa as obscurecia, com sua luz brilhante. Da ‘plataforma alienígena‘…a  única coisa visível – era a incrível pulsação da estrela de neutrons…o centro da nebulosa… – E Tommy não mais podia se orientar apenas com aquela referência.  Foi quando veio a ordem do comandante…“Afaste-se em linha reta, partindo da direção do pulsar!…Nós o resgataremos!”. – Dessa forma, as duas espaçonaves se comunicariam pelo “estabilizador EPR”…que lhes permitiria trocar todo tipo de informação, que – por ventura, ousassem fornecer … enquanto discutiriam internamente, como garantir sua própria segurança.

A missão Llanvabon

A missão Llanvabon depois disso, tornou-se um duplo dever. Deixara a Terra                  com a tarefa de observar do ponto mais próximo possível, detalhes da estrela                      de neutrons, no centro da nebulosa – resultado da mais violenta explosão no                universo – tanto observada, quanto registrada e catalogada pelo ser humano.

A explosão ocorreu no século VI A.C…mas, sua luz só foi alcançar a Terra no ano 1054 da era cristã…fato devidamente registrado por astrônomos chineses à essa época. Sua luminosidade foi tão grande, que mesmo à distância de 6,5 mil anos-luz da Terra…tal fenômeno pôde ser visto à luz do dia — ao longo de 23 dias, com um brilho maior do que Vênus. – Mais tarde…foi reconhecido como ‘supernova‘, quando no século 20,  os telescópios – ao apontarem para o céu,  viram uma pequena “estrela de neutrons”, pulsando solitária, no centro da nebulosa.

Ela, portanto, bem que merecia ser vista de perto – incluindo uma análise detalhada de sua luz. Esse era o objetivo principal da missão…mas, o encontro inesperado na mesma região tinha implicações tais…que deixariam em 2º plano o propósito inicial da missão.    E de fato, o pequeno e misterioso aparelho alienígena flutuando no tênue gás nebuloso, levara os tripulantes da Llanvabon a uma enorme expectativa em seus postos de alerta.

A explosão, observada há mil anos, teria limpada a área, agora tomada pela nebulosa, de todo e qualquer possível vestígio de vida. Portanto, os visitantes provinham de um outro sistema estelar, afastado dali – e sua viagem, como a da nave terrestre, deve ter sido por motivos puramente científicos…Já que nada havia de valor, que pudesse ser extraído da nebulosa, a não ser gás rarefeito… – Supondo então, que os tripulantes da outra nave se encontrassem perto do nível da civilização humana… isso significava que eles possuíam, ou poderiam desenvolver técnicas e objetos de uso (científico ou não) que poderiam ser objetos de permuta, em termos cordiais. Todavia…necessariamente haveriam de se dar conta… – de que a existência humana…era uma ameaça potencial à sua própria espécie.

Ser ou não ser… (inimigos mortais)  O mais certo… – é que a única solução completamente segura para ambos os lados seria a destruição do outro … ou mesmo, que ambos fossem destruídos.

Até no caso de uma guerra, era preciso mais que uma simples destruição… Na ‘comunicação/navegação’ interestelar, os alienígenas deveriam desfrutar…de toda a sorte de energia – incluindo… é claro algum tipo de…‘overdrive’…para viajarem acima da velocidade da luz. E, além da radiolocalização por ‘estabilizadores EPR’, possuiriam, naturalmente, muitos outros dispositivos quantum-fotônicos de comunicação.

As duas raças poderiam ser amigas, mas também, ‘inimigas mortais’. Cada uma, mesmo que inconscientemente, era uma ‘ameaça fatal‘ à outra… – E, num certo sentido, a coisa mais segura a se fazer diante de tal situação, é destruí-la…Ali, portanto, na “nebulosa do Caranguejo”, o problema era grave e imediato. Futuras relações entre as 2 raças, seriam (ou não) estabelecidas nesse momento. Sendo possível iniciar um ‘processo de amizade’, ambas raças se beneficiariam mutuamente. – Mas…esse tipo de ‘confiança mútua’ tinha que ser estabelecido…e estimulado… – sem um mínimo perigo de traição… A ‘confiança’ precisaria ser estabelecida sobre os alicerces de uma total desconfiança. Nenhuma das 2 naves ousaria retornar à sua base … se a outra pudesse – de algum modo – prejudicá-la.

Que armas teriam eles? … Qual a verdadeira extensão de sua cultura?… Poderia se estabelecer um intercâmbio de comércio e amizade entre os 2 povos, ou seriam as 2 raças tão dessemelhantes…a ponto de só a guerra poder existir entre elas?…E se a paz fosse possível, como seria iniciada?

A tripulação da Llanvabon precisava de fatos, o mesmo acontecendo com os viajantes da espaçonave desconhecida… Eles deveriam colher o máximo de informações possível. E a mais importante de todas, por precaução seria, em caso de guerra, a localização da outra civilização. Esta informação poderia ser o fator decisivo numa guerra interestelar… Mas, o trágico em tudo isso, era que não podia haver informação possível capaz de levar à paz. Nenhuma das 2 tripulações podia expor a existência de sua própria raça – presumindo a boa vontade ou dignidade da outra. Assim, fez-se uma curiosa trégua entre as 2 naves. A alienígena continuava no seu trabalho de observação, bem como a Llanvabon. O veículo robótico flutuava no vácuo brilhante. – O aparelho “esquadrinhador” estava sintonizado com o aparelho alienígena… que, dessa maneira… – mantinha contato com a Llanvaban.

Assim, a comunicação entre as 2 naves começou de repente, a progredir rapidamente. Tommy Dort foi um dos que apresentou relatórios iniciais sobre esse progresso… Sua missão inicial na expedição, tinha sido substituída pela incumbência de interpretar, e decodificar mensagens trocadas entre as tripulações… E, juntamente com o psicólogo      de bordo, nesse instante dirigiu-se à ‘cabine de comando‘ para transmitir a notícia do sucesso. Essa cabine como de costume, era um lugar silencioso, com painéis em luzes fosforescentes, e grandes visores panorâmicos tridimensionais, nas paredes e no teto.

telepatia-rede-cerebralOs telepatas

“Estabelecemos comunicação bastante satisfatória”, disse o psicólogo… mostrando sinais de cansaço. — Seu trabalho a bordo era o de avaliar dentro da tripulação fatores de risco, para reduzir ao máximo o nº de erros humanos possíveis…“Senhor, podemos dizer-lhes quase tudo o que desejarmos,    e podemos entender quase tudo o que eles dizem… – No entanto… – naturalmente…não podemos ter certeza absoluta de que seja verdade… tudo aquilo que eles querem dizem.”

E Dort complementou… “Montamos certo mecanismo, que corresponde a um tradutor iônico… – Temos “micro-conversores”…em corrente direta de ondas curtas. Eles usam modulação de frequência intermitente, combinada com algo, provavelmente variações aleatórias de ondas caóticas… Nunca fizemos uso de algo semelhante, por isso nossos instrumentos não podem operar satisfatoriamente nessa faixa… – mas, aperfeiçoamos    uma espécie de ‘código‘, que corresponde à uma linguagem inédita para nós. Emitidas suas informações em ondas curtas, moduladas em ‘frequência’, nós as gravamos como sons. Quando respondemos, a transmissão é reconvertida para frequência modulada.”

O comandante franziu a testa…e perguntou… “Por que a forma da onda modulada se converte em ondas curtas?… – Como você descobriu isso?”… – E Tommy respondeu:  “Eles gravam a frequência naturalmente modulada. Penso que não usam som – nem mesmo para falar. Nós os observamos pelo…’visorama‘…enquanto se comunicavam.      Não fizeram movimentos perceptíveis de nada que correspondesse, ao órgão da fala,        ou audição. Em vez de usarem microfones – simplesmente se colocam perto de algo          que funcione como uma antena. Minha impressão, senhor…é que usam microondas naquilo que se pode chamar de uma… ‘conversação pessoal’ – como se fossem sons”.

O comandante fixou-lhe o olhar, algo surpreso…”Isso significa que eles são telepatas?”… E Tommy respondeu: ”Sim senhor. E significa que nós também somos telepatas com relação a eles. – Provavelmente são surdos. Certamente, não têm qualquer ideia de ondas sonoras no ar para comunicação… – Simplesmente, não utilizam ruídos para nenhuma finalidade”. O comandante escutou tudo, e então indagou… ”Bem, e o que mais?”– Tommy explicou:
”Acho que, mesmo assim…conseguimos nos entender… Estabelecemos, de comum acordo, símbolos arbitrários para uma “linguagem analógica”… e, elaboramos relações verbais por diagramas e fotogramas… Daí…já possuímos cerca de 2 mil palavras como signos comuns. Montamos um analisador para selecionar seus grupos aleatórios de microondas – para os quais adaptamos uma máquina decodificadora. Em sequência… o terminal de codificação recebe as gravações, para produzir os grupos de onda que precisamos reenviar…com base na frequência da pulsação dos neurônios. — Quando quiser conversar com o comandante da outra nave… é só o senhor avisar – pois acho que estamos preparados para a conexão”.

“E qual sua impressão sobre a psicologia deles?”…perguntou o comandante ao psicólogo. “Não sei, senhor” disse ele embaraçado… – Parecem absolutamente sinceros, mas não deixaram transparecer nenhum sinal de tensão – e nós sabemos que, nesse caso, sempre existe. Agem como se estivessem simplesmente estabelecendo um ‘meio de comunicação’ para um ‘bate-papo amigável’…Mas, parece difícil não existir alguma coisa por trás disso tudo” (O psicólogo…de fato, estava surpreso com um tipo de pensamento desconhecido).

“Se não me engano, senhor”…ponderou Tommy…”eles respiram oxigênio como nós, e não são muito diferentes em outros aspectos. Talvez uma evolução paralela onde a inteligência evolua, assim como as funções básicas do corpo. – Quero dizer que, qualquer ser vivo… de qualquer espécie deve ingerir, metabolizar, e expelir. Talvez todo cérebro inteligente, pela percepção, encontre uma resposta pessoal…Estou certo de ter percebido um quê de ironia por parte deles…um senso de humor. Em resumo senhor…acho que se possa gostar deles”.

Programa Zip detecta fronteira da física quântica

“Abrindo conversação”

O comandante pôs-se de pé — e… murmurou:  ”Vamos ver o que eles têm a dizer”… A seguir, se dirigiu ao “setor de telemática” da nave. Tommy Dort, que o seguia de perto … ligou o código de protocolos do “transdecodificador“. Dele se podia ouvir ruídos… – extremamente aleatórios – dirigidos a um “auto-modulador frequencial”, devidamente preparado … para decodificar o sinal recebido…Foi então…que num piscar de olhos a tela do visor acoplado    ao transmissor alienígena…iluminou-se com imagens do interior da outra nave, e um ser emergiu a frente do…’visorama‘…olhando curiosamente para dentro da tela. Parecia extraordinariamente humanomas não era.      A impressão era de uma personalidade moldada por uma franqueza … bem-humorada.

“Eu gostaria de dizer”, começou o comandante com uma voz grave”coisas adequadas sobre este primeiro contato entre duas diferentes civilizações planetárias … e da minha esperança de que isso resulte num intercâmbio cordial entre nossos povos”… – Tommy operou o ‘codificador’, transformando a mensagem em “ruídos aleatórios”… os quais, o comandante da outra nave pareceu compreender, com um possível gesto de aprovação.  Após alguns segundos…o ‘transdecodificador‘ da Llanvaban entrou em ação… com seu zunido característico, e letras formaram palavras moduladas por um ‘código analógico’      de algoritmos. E Tommy então assim as explicou… – “Ele concorda com tudo…senhor,    mas pergunta se não teria alguma forma de permitir o regresso de ambas expedições a seus planetas de origem, sem qualquer tipo de receio. Ficaria feliz, caso esse problema fosse resolvido de comum acordo por ambas as partes, mas ainda não vê uma solução”.

A atmosfera na Llanvabon era confusa. Havia perguntas demais…e nenhuma resposta    para qualquer uma delas. Mas, todas deviam ser respondidas imediatamente… A nave poderia voltar para Terra?…A outra nave poderia viajar em dobra num overdrive?…E,    caso lutassem … mesmo que vencessem, se a nave alienígena tivesse um comunicador espaçotempo, poderia rastrear as ‘coordenadas gravitomagnéticas‘ da Llanvabon até     seu regresso à Terra?… – Mas, se perdesse, melhor que fosse totalmente destruída ali mesmo…sem deixar pistas de sua origem. – A outra nave…por certo…também estaria      com a mesma preocupação… Regressando agora, poderia ser seguida pela Llanvabon,        ou mesmo, ter sua rota interceptada por mecanismos hiperespaciais de rastreamento;          o que igualmente, acarretaria na fragilidade de seus protocolos de segurança máxima.

Nenhuma das naves podia pensar em fuga…E, nesse ponto, ambas estavam                      em absoluta igualdade de condições…E uma pergunta continuava no vácuo                      interestelar…para ser urgentemente (co)respondida… – O que fazer agora?

Os outros enxergavam na luz infravermelha, o que indicava que sua estrela de origem emitiria na mesma faixa — justamente abaixo do ‘espectro visível’ dos seres humanos; conclusão essa, inversamente, também deduzida por eles, que tinham um dispositivo interno, tipo memória, para armazenamento de informações em microondas; alvo de tanta curiosidade, por parte dos humanos…quanto os alienígenas estavam fascinados pelos mistérios do som…Eles podiam perceber a ‘luz infravermelha’ pela sensação de      calor que ela produzia, mas eram incapazes de diferenciar a variedade dos tons. Para      eles…a ciência humana do som… se tornara uma incrível descoberta. – Encontrariam      para ruídos aplicações que jamais imaginaríamos, se conseguissem escapar vivos dali.

GalaxyMapNem tão diferentes assim

Tommy se deu conta a certa hora, de que os alienígenas haviam elaborado um falso mapa estelar de navegação, com os mesmos… ‘erros propositais’, que havia projetado em outro mapa, e…esboçou um sorriso…Começara a simpatizar com esses… ‘alienígenas’.  Aos poucos – tentava diálogos – tão sutis quanto lhe fosse permitido em transcrições para ‘microondas‘…à  ‘frequência modulada’. Transmitido com tanta formalidade não era para ter graça – mas…”eles” entenderam.

Havia um tripulante alienígena, em especial, para o qual a comunicação era uma coisa tão natural, quanto para Tommy. E os 2 fizeram estreita amizade – por códigos…e conversões intermitentes…Quando as mensagens oficiais envolviam detalhes técnicos em excesso, ele fazia algumas ilações estritamente informais, semelhantes a gírias. – Tommy, sem motivo especial, resolveu apelidá-lo de ‘Mack’, nome pelo qual…ele próprio passou a assinar suas mensagens. Na 3ª semana de comunicações, de repente surgiu na tela…o seguinte recado:  “Você até que é um bom sujeito… – pena que tenhamos que nos matar”…(Mack). Tommy, que também pensava no mesmo assunto, logo respondeu, pesarosamente…”Não sabemos como evitar isso. E vocês?”… Após breve pausa…foi recebida a resposta… ”Se pudéssemos acreditar um no outro, haveria uma solução…Mas, não podemos acreditar em vocês, nem vocês em nós… – Sentimos muito”. (Mack). Tommy Dort então, se dirigiu ao comandante da Llanvabon…”Olhe senhor, eles são bem parecidos conosco”. Demonstrando cansaço, o comandante respondeu: ”Eles respiram oxigênio. Seu ar contém 28% de oxigênio, em vez dos nossos 21%, mas poderiam tranquilamente respirar na Terra. – Seria portanto… uma conquista altamente desejada para eles”. Inquieto, Tommy argumentou: “Se destruirmos    a nave deles, ao regressarmos à Terra, nosso governo global…não vai ficar nada satisfeito por não tentarmos de todas as formas uma ‘colaboração amigável‘, e seguirmos isolados no universo”. E o comandante respondeu: “Também não gosto disso, mas não vejo saída”.

Na Llanvabon toda engenharia mecânica já estava preparada para uma sobrecarga de energia nos desintegradores…apontados diretamente para a outra espaçonave…Já os mapas estelares, instrumentos de navegação, e registros de viagem…com anotações e estereofotos dimensionais, que Tommy Dort elaborara durante os 6 meses de viagem, estavam em um arquivo secreto … para serem instantaneamente deletados. A própria Llanvabon, também havia se preparado para uma eventual “autodestruição”… apesar      do sincero tom moderador do comandante alienígena, em seus últimos comunicados. Nesse ponto, todos dois comandantes admitiam que procurariam de todas as formas imagináveis por uma maneira, a mais civilizada possível, de entendimento entre eles.

Poderiam impedir o combate mediante a troca antecipada de ‘informações confidenciais’, mas havia limites para concessões, de parte a parte. Aparentando uma ameaça terrível ao outro lado, ambos tentavam tornar a luta evitável. Era curioso, entretanto, a forma como aqueles cérebros, de fato, totalmente desconhecidos entre si — conseguiam relacionar-se.

sistema_nao_linearUma questão (eminentemente) bipolar

Tommy Dort… – afinal… ao estabelecer uma espécie de gráfico dos problemas que ambos os lados tinham pela frente … encontrou um tipo de…’equação não-linear biunívoca‘. Inicialmente – partiu da premissa de que os desconhecidos…com toda aquela tecnologia, não portavam qualquer instinto natural de destruição humana. A única causa de matar ou ser morto… numa guerra terrestre…se justifica por motivos estritamente…’lógicos’.

A seguir, Tommy listou os principais objetivos humanos, nesse caso específico, por ordem de importância… – O primeiro…era comunicar a existência de uma ‘cultura desconhecida’. O segundo… – supondo um ‘grau tecnológico’ razoavelmente semelhante… – a localização daquela cultura na galáxia… – E o terceiro… obter o máximo de informação possível sobre essa cultura alienígena…o que, aliás, ou bem ou mal, já estava sendo feito. Mas, o segundo objetivo era provavelmente impossível, o que – de certa forma, comprometia…o primeiro.  Por outro lado, os objetivos alienígenas eram exatamente iguais; de sorte que os humanos deveriam evitar… – primeiro… a informação de sua existência por eles… – em seguida… a localização da Terra…e, por fim – informações que estimulassem a curiosidade alienígena sobre a cultura humana. E, tudo isso, levando em conta que a ‘transmissão da informação’ ainda dependia da restrição relativística da “velocidade da luz“… – E que essa questão, só um “teletransporte quântico“, ou mesmo “tunelamento em hiperespaço” poderia resolver. 

Olhando com certo amargor para este quadro, Tommy Dort de repente se deu conta de que mesmo a vitória completa para um dos lados… não seria a solução perfeita… – Isto porque, o ideal…para ele – seria que a Llanvabon levasse consigo aquela exótica nave para estudos. Só assim, o 3º objetivo estaria plenamente cumprido… Mas Tommy intimamente rejeitava a hipótese de que, para a evolução do saber, devêssemos aniquilar seres inteligentes…bem-humorados…’ou seja, o puro acaso do encontro entre povos que muito se estimavam, iria resultar numa situação capaz de sua exterminação’. Por isso… ele se empenhara tanto na busca por uma solução. Todavia, apesar de tudo…o problema parecia não ter uma solução.

Era por demais absurdo que 2 espaçonaves eminentemente científicas…se enfrentassem    no espaço distante… – temendo que tripulantes de uma dessas naves carregasse consigo informações que levassem uma civilização inteligente a ir contra a outra. Mas, se ambas    as raças pudessem, uma sabendo a índole pacífica da outra, se inter-relacionassem, sem saber da localização do outro – senão após encontrar motivos para confiança recíproca?  Era impossível, utópico…Uma tolice…Mas, era uma ideia tão sedutora que Tommy Dort não hesitou em codificar uma mensagem ao Mack, e a resposta logo veio: “Ok” disse ele:  “É uma bela tentativa, mas eu gosto de você, porém ainda não acredito em você. E se eu lhe dissesse isso antes, você também não acreditaria, por mais que simpatizasse comigo. Eu te digo a verdade mais do que você acredita, e talvez você também me fale a verdade, além da minha capacidade de crer. Mas, sobre isso, não há meio de saber. Sinto muito.”

Tommy decifrou a mensagem com grande pesar, sentindo-se responsável por um fracasso que poderia custar a vida de bilhões de seres, humanos e/ou alienígenas. Mas, justamente quando mais triste se sentia – pareceu que a resposta lhe chegara como uma ‘premonição’. Era de uma simplicidade singular…e caso realmente funcionasse, poderia ser considerada uma vitória para ambas os lados… – Ele então, sentou-se silencioso…sem ousar o mínimo movimento, para não interromper o fio da meada…que dava continuidade às ideias então esboçadas em seu pensamento. – Entregue às reflexões, ele mesmo levantava objeções…e as refutava, tentando transpor com segurança, todas dificuldades… – mesmo aquelas que pareciam impossíveis de ultrapassar. Quando finalmente sentiu-se seguro de sua solução, emergindo tonto de suas…quase infindáveis elucubrações… – caminhou aliviado à cabine de comando, a fim de expor suas ideias… “Senhor”disse Dort ao comandante…“gostaria de propor um novo método para abordar a outra espaçonave. – Eu próprio o elaborei… e, mesmo que não dê certo – nossa nave não sofrerá qualquer consequência em represália”.

O plano em ação

O comandante voltou-se para Tommy, e disse com desconfiança… ”As táticas já foram todas elaboradas…Sr. Dort…e estão sendo gravadas agora… para o relatório de bordo. É um jogo terrível, mas necessário”. Mas, imediatamente Tommy replicou…  ”Senhor, acho que encontrei um meio de evitar esse jogo arriscado”… — E continuou a explicar sua ideia, enquanto a névoa difusa se  espelhava pelo “visorama“…ao ritmo pulsante da “estrela de neutrons”, no centro da nebulosa … girando lá fora, regularmente…30 vezes por segundo.

O comandante achava que, acompanhando Tommy, poderia assumir a responsabilidade pelo sucesso…ou fracasso daquela tentativa. Em caso de fracasso…a Llanvabon já estaria preparada para “atacar” a nave alienígena. – A escotilha externa abriu-se para o vácuo, após a despressurização. À curta distância o ‘aparelho alienígena de contato’ permanecia  tranquilamente estacionado. As 2 silhuetas, em trajes espaciais…deslizaram para fora da Llanvabon… – mergulhando num oceano de espaço – com destino ao “bote salva-vidas”, enquanto se comunicavam através do “interfone” embutido no traje espacial…”Sr. Dort”, disse o comandante: ”durante toda minha vida sonhei com aventuras. Essa é a primeira vez que posso justificá-las a mim mesmo”. E Tommy prontamente respondeu: ”Isso não me parece aventura, senhor… Desejo desesperadamente que o plano seja bem-sucedido. Sempre me pareceu que numa aventura… pouco se estava importando com o resultado.”

”Não!”…respondeu o comandante…”uma aventura é quando você                   coloca sua vida na balança do acaso, e espera o ponteiro parar.”

Ao alcançarem o objeto flutuante, o comandante comentou…”Inteligentes, essas criaturas! Devem estar muito curiosas em conhecer nossa nave, para concordarem com essa troca”…  Tommy concordou, mas intimamente suspeitava que Mack, seu amigo alienígena, gostaria de conhecê-lo, independente de qualquer disputa…E também, que entre os tripulantes das duas espaçonaves, se formara um ambiente de cortesia… como, por exemplo, o que existia entre cavaleiros medievais… – antes de se espetarem em um torneio…diante da corte real.  Não esperaram muito tempo, até que do nevoeiro… 2 outras figuras surgissem, com trajes também propulsionados…Os alienígenas, de menor estatura, usavam capacetes revestidos de um material que filtrava raios ultravioletas, para eles, mortais. – Quando por interfone, Tommy recebeu a mensagem de que a nave alienígena já os aguardava… logo informou ao  comandante. – Este fez um gesto aos outros…em direção à Llanvabon – e mergulhou com Tommy no espaço em direção à outra nave. Embora não pudessem enxergá-la muito bem.

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Os alienígenas

A nave alienígena era praticamente do mesmo tamanho que a Llanvabon, e os 2 caminhavam em seu sombrio interior… – por sobre esteiras magnéticas… quando Tommy e o comandante, tentando se acostumar ao ‘infravermelho‘ dos alienígenas que os esperavam ao fim do longo corredor — na ‘cabine de comando alienígena’.

Tommy notou em seu “monitor de pulso” que o ar dali continha 30% de oxigênio … em vez dos 21% da Terra, mas com uma pressão um pouco menor. – Então, achou por bem retirar o capacete, e conseguiu respirar sem problemas. A gravidade artificial era um pouco maior do que na Llanvabon…o que fazia sentido… – em um planeta um pouco maior que a Terra, orbitando uma solitária “anã vermelha“. Como um gesto de cortesia, os ‘anfitriões’ haviam iluminado o ambiente com uma luz um pouco acima dos padrões deles… o que fez Tommy ainda mais confiante de que seu plano desse certo. O comandante deles se dirigiu aos dois, com um gesto que – para Tommy, pareceu como de…’boas-vindas‘… assim traduzido pelo pessoal da Llanvabon…“Ele diz que os saúda com prazer, mas só conseguiu pensar em um único meio pelo qual o problema desse encontro casual possa ser resolvido”. “Se ele pensa numa luta”, disse o comandante…”explique que estou aqui para propor outra alternativa”.

Os 2 comandantes estavam face a face – mas sua comunicação se dava indiretamente…Os extraterrestres não usavam sons para se comunicar…Sua conversação era por microondas, e telepatia de curta distância. Eles não ouviam, muito menos falavam…no sentido comum da palavra. O que o comandante alienígena fez… foi se comunicar com a Llanvabon, e esta transmitiu ao comandante terráqueo que o seu colega estava ansioso por saber a proposta.

A proposta…(a)final                                                                                                                    “A história humana não é muito bonita… – É baseada em povos…com superioridade tecnológica e cultural, conquistando outros povos. Os mais fortes…com maior poder, acabam subjugando outros…quase sempre de forma destruidora.” (Jorge Quillfeldt)

negóciofechadoO comandante da nave terrestre então, tirou seu capacete, e colocou suas cartas na mesa“Estamos aqui há um mês trocando informações superficiais – e…mutuamente, não nos odiamos… – Nem temos qualquer motivo para lutar”.  Parou um instante para respirar, e concluiu: ”Tudo isso é uma loucura!”… – E aguardou a resposta da Llanvabon…    “Ele afirma que tudo o que o senhor diz é verdade… Mas, que a raça dele tem que ser protegida – da mesma forma que o senhor acha que precisa proteger a sua civilização”.

“Naturalmente”, disse o comandante transparecendo certo nervosismo. “Mas a coisa mais sensata a fazer para proteger nossos povos é começar uma luta totalmente insensata?…Os nossos povos devem ser advertidos da existência de uma outra raça…é verdade…mas cada um deve ter prova de que a outra não deseja lutar, mas sim manter relações cordiais entre si… – E, embora não sejamos capazes de nos localizar… deveríamos poder nos comunicar, para encontrarmos motivos de confiança, e respeito mútuo. Se nossos governos quiserem assumir a loucura de uma guerra, isso é lá com eles. – Mas temos obrigação de dar-lhes a oportunidade de tornarem-se amigos fraternos, ao invés de iniciar uma guerra no espaço”.

Logo a seguir, a Llanvabon retransmitiu a mensagem do comandante alienígena…”Ele diz que a dificuldade consiste em confiarmos um no outro… Estando em jogo a sobrevivência de duas civilizações… ele não pode correr o mínimo risco – nem tampouco o senhor pode conceder-lhe qualquer vantagem. – E diz que está curioso em saber qual a sua proposta.”

“TROCAR DE NAVES!”…respondeu o comandante da Llanvabon impaciente. “Trocar de naves, e regressarmos a nossos planetas. Podemos ajustar nossos instrumentos de modo    a não sermos rastreados… Ambos retiraremos nossos mapas estelares…e programas que possam denunciar nossos planos de voo… E ambos travaremos nossas armas… O ar não oferece problemas – tanto aqui quanto lá… – Podemos tomar a nebulosa do Caranguejo como ponto de encontro, numa data a ser marcada mais tarde…Essa é minha proposta”.

Quando a tradução chegou aos alienígenaseles começaram a se movimentar excitados, com gestos incompreensíveis aos dois terráqueos… – Só mais tarde, Tommy Dort, e seu comandante…Jerry Mcgee, foram descobrir que…na verdade, “eles” estavam festejando um acordo, que a todos… parecia algo tão improvável… – E, por 3 dias as tripulações se misturaram…aprendendo tudo o que de mais importante havia a ser aprendido… – Foi grande o trabalho naqueles 3 dias… – Ainda havia uma infinidade de detalhes, a serem resolvidos – desde a troca da iluminação dos ambientes…até dúvidas quanto à retirada    de arquivos. – Mas o curioso é como cada tripulação já estava perfeitamente ciente das  medidas corretas a tomar para impedir toda e qualquer quebra de protocolo no acordo.

Houve uma conferência final, antes das duas naves se separarem, na sala de comunicações da Llanvabon – onde ficou acordado de que se encontrariam novamente… naquele mesmo lugar, numa data determinada de comum acordo com seus governos, se é que eles iriam se entender sobre isso… – E, quando o último humano deixou a nave terrestre…esta deslisou para fora do nevoeiro da Nebulosa… – seguida pela nave alienígena… em direções opostas, mergulhando alucinadamente, graças ao overdrive, no vazio aberto do espaço interestelar.

Texto baseado no conto “Primeiro Contato” de Murray Leinster (1945…tradução de Mário Salviano) incluído na coletânea… “Antologia Cósmica“… organizada por Fausto Cunha.  *****************************(termos complementares)******************************  

FrequênciaÉ o número de oscilações de onda, por um certo período de tempo. A unidade de frequência é o hertz (Hz), que equivale a 1 segundo; assim, quando uma      onda vibra a 50Hz significa que ela oscila 50 vezes/segundo… A frequência de uma      onda só muda quando houver alterações na origem de sua fonte…A “intermitência”    ocorre, quando algo se manifesta, parando e recomeçando em intervalos. Portanto,              é uma característica de algo que, por interrupções, não é permanente, ou contínuo.

TRANSDUTOR: claro que é possível transformar energia sob a forma de som em energia elétrica… – Isso é feito a todo momento. Por exemplo… quando falamos em um microfone, o som gerado é transformado em “energia elétrica pelo aparelho…Tal energia, no entanto, tem um nível muito baixo (“potência mínima”). Por esse nível ser tão baixo, o som captado pelo microfone… – precisa ser amplificado…para assim, então… – poder tornar-se audível.

Deteção no radiotelescópio: Diferentemente dos fótons óticos, a deteção de ondas        de rádio explora o caráter ondulatório da luz… A radiação excita um campo no detetor, que é registrado eletronicamente como uma voltagem de ‘corrente alternada‘, descrita  por uma onda, com amplitude e fase. A fase permite que ondas de diferentes detetores possam ser somadas, produzindo ‘interferometria‘. – antena do rádio telescópio,      por sua vez, seleciona a direção a ser observada, coleta a radiação e a transforma – em      sinal de corrente alternada. – O receptor seleciona a frequência e a largura da banda, processa o sinal e grava os dados – podendo então…ter um canal para cada frequência. ****************************(texto complementar)********************************

Cientistas estão usando informações sobre a ressonância de estrelas…para estimar a    idade e a massa de corpos celestiais. Eles medem as oscilações a partir das ondas de      som contidas nelas. Em outras palavras, estudam o som das estrelas para melhor entende-las… Este som é estudado, do mesmo modo com que se ouve a forma como    ressoa um…”instrumento musical” – a intensidade dos tons indica aspectos sobre o tamanho do instrumento… – além do que estiver dentro dele… – o fazendo ‘ressoar’.ceunoturno

Ondas sonoras não se propagam no espaço, mas ondas eletromagnéticas sim… e são estas, emitidas por estrelas, que podemos ouvir com ajuda de equipamentos. Tudo graças a uma recente área da astronomia e seus métodos…a Sismologia Estelar. Se trata de estudar a estrutura interna das estrelas… através de seus espectros de frequências eletromagnéticas, geradas pela…”energia térmica” das estrelas – que se converte em “pulsações“. Uma vez captadas essas…”emissões eletromagnéticas pulsantes“, através de radiotelescópios terrestres, e outros equipamentos, como o telescópio espacial ‘Corot‘, elas são convertidas para um formato de áudio (assim como fazem os aparelhos de som; que captam as “ondas de rádio”…e as convertem em ondas sonoras). – Dessa maneira…quando as pulsações são ouvidas – podem revelar muitas informações sobre o que acontece dentro dessas estrelas.

O som de algumas estrelas parecidas com o Sol, nos dá a sensação de estarmos no espaço. Já o som de pulsares com rotações mais lentas, parece o tocar de um tambor. – Enquanto em pulsares de rotação mais rápida … como o da ‘Vela‘… – se assemelham a um grupo de “percussionistas enlouquecidos”… — Ouça você mesmo o “som das estrelas”!… (consulta***********************************************************************************

A Nebulosa do Caranguejo acaba de “iluminar” a Terra com fótons da maior energia já registrada  Jun 21, 2019  Um desses  fóton medido, tem aproximadamente uma energia equivalente à queda de uma bola de ‘pingue-pongue’ na superfície da Terra.

chuveirada cósmicaO planalto tibetano, às vezes chamado de “Telhado do Mundo” — é um dos lugares mais isolados da Terra… Se trata de uma vasta planície… – elevada a quase 5 kms acima do nível do mar — limitada ao sul, pela cordilheira mais alta do planeta… e, ao norte, por terrenos desérticos. O bom da altitude toda… é que este se torna um lugar bastante útil, aos astrônomos… Lá, inclusive … em 1990 – foi construído um observatório…com a exclusiva finalidade de estudar um “fenômeno”, denominado “chuveirada cósmica”… Se trata de raios cósmicos de alta energia, que sempre, ao atingirem as…”camadas superiores”…da atmosfera se decompõem em  ‘partículas subatômicas’… Este trabalho é mais fácil de ser verificado em alta altitude, porque justamente lá a atmosfera, para absorver as partículas – é muito mais…”rarefeita”.

Desde então, o instrumento chamado “Tibet Air Shower Array” tem registrado um grande número de… “raios cósmicos de alta energia”… – que são partículas aceleradas a enormes energias por fenômenos astrofísicos – como… ‘supernovas‘, ‘núcleos ativos’ de galáxias, e misteriosas fontes ainda não identificadas – provavelmente… fusões de “buracos negros”.  Mas o aparelho também capta “chuveiradas” causadas ​​por uma fonte diferente… “fótons de alta energia”. Esses fótons também são criados por fenômenos astrofísicos…tais como interação entre partículas de alta energia, e o fundo cósmico de microondas…Assim, eles podem fornecer uma visão única sobre esses processos…e, os ambientes em que ocorrem.

Ao longo dos anos o ‘Tibet Air Shower Array’ detetou muitos desses fótons…com energias de dezenas de tera-elétronvolts (TeV= 10e12)… – Isso quase equivale aos fótons de maior energia criados na Terra (LHC). E esse era o limite…ninguém, até agora, tinha observado fótons mais poderosos. – Hoje, porém, pesquisadores da Colaboração Tibetana em Raios Gama afirmam ter observado, pela primeira vez…fótons com energias acima de 100 TeV, incluindo um incrível fóton – com a maior energia já registrada… de quase 500 TeV… Os pesquisadores também descobriram…a origem desses fótons – eles vêm da ‘Nebulosa do Caranguejo’, remanescente de uma supernova ocorrida em 1054 dC – no braço “Perseu”,    da Via Láctea, a cerca de 6.500 anos-luz da Terra…No centro desta nebulosa se encontra um pulsar…cuja estrela de neutrons gira a uma taxa de 30 vezes por segundo… emitindo pulsos regulares… – numa ampla faixa de frequências … do “espectro eletromagnético”.

Embora a Nebulosa do Caranguejo não seja visível a olho nu… — tem o mesmo brilho da lua de Saturno…Titã, sendo a fonte mais brilhante no céu… tanto em raios X quanto raios gama – atingindo energias acima de 30 KeV… — Isso faz com que se torne de raro interesse aos astrônomos…Uma questão fascinante,    é, o quão energéticos os fótons podem  se tornar – e…o que a distribuição das energias desses fótons pode nos dizer, das “condições internas” da nebulosa.

Acredita-se que os fótons nessa energia sejam criados por um processo conhecido como “dispersão inversa de Compton”…Isso ocorre, quando uma partícula de alta energia tem sua energia transferida para um fóton…No caso da ‘Nebulosa do Caranguejo’, partículas    de alta energia são provavelmente elétrons e prótons – acelerados por ‘ondas de choque’ em poderosos campos magnéticos que circundam o pulsar. Isso lhes dá energia na faixa dos 10e15 eV. Numa comparação, o Large Hadron Collider – mais poderoso ‘acelerador    de partículas’ da atualidade, tem…em sua totalidade…uma energia de colisão de 14 TeV.

Estas partículas então transferem sua energia aos fótons remanescentes do ‘Big Bang’, no fundo cósmico de microondas, dando-lhes centenas de TeV. Estes são os fótons que estão sendo detetados pelo…“Tibet Air Shower Array”. Sendo esta a primeira deteção para uma fonte astrofísica de fótons com energia maior que 100 TeV…abre-se a oportunidade de se revelar exatamente, quais condições devem existir dentro dessa nebulosa. Em particular, revela a magnitude das ondas de choque, que passam pelo campo magnético. E isso, por sua vez…lança alguma luz – sobre os processos que devem gerar essas ondas de choque.

Várias teorias preveem um limite para a energia que os fótons podem obter dessa forma, mas o grupo do Tibete não encontrou nenhum sinal desse limite até agora… Pode ser que fótons com (10e18) eletronvolts estejam sendo produzidos também. Nesse caso, um único fóton teria a energia de uma… “bala de ar comprimido”… – De todo modo… em primeiro lugar … mais evidências serão necessárias para ajudar a calibrar as teorias astrofísicas, sobre o que…exatamente – acontece dentro desses ambientes mais extremos do universo.

Ref: “First Detection of Photons with Energy Beyond 100 TeV from an                              Astrophysical Source” – https://arxiv.org/abs/1906.05521 (texto base******************************************************************

Civilizações avançadas podem estar se comunicando por neutrinos (mai/2019)

neutrino

Representação artística de um conjunto de aceleradores-transmissores em órbita de uma estrela de neutrons. [A.A. Jackson/Triton Systems LLC]


Em 1960, o físico teórico Freeman Dyson fez uma proposta radical Em um artigo chamado…“À procura de fontes estelares artificiais de radiação infravermelha”, ele sugeriu que pudéssemos encontrar ‘ETIs’ (Inteligências Extraterrestres avançadas) buscando sinais de ‘estruturas artificiais’ tão grandes… que englobassem sistemas estelares inteiros (… “megaestruturas“). Desde então… – muitos cientistas têm apresentado suas próprias… “ideias“,        visando à possibilidade de construção dessas incríveis… “megaestruturas“.

Assim como a ‘esfera‘ proposta por Dyson…essas ideias foram sugeridas como uma forma de dar opções aos cientistas do ‘SETI’ envolvidos na busca por inteligência extra-terrestre. Ademais, o físico Albert Jackson…funcionário da empresa de tecnologia “Triton Systems“,  sediada em Houston, divulgou recentemente um ‘estudo‘…propondo um mecanismo pelo qual uma sociedade avançada poderia construir um…”retransmissor de dados”… em uma “estrela de neutrons” – para focar feixes de neutrinos, e criar assim um… farol espacial.

Para resumir brevemente…a existência de megaestruturas depende inteiramente de      onde uma civilização extraterrestre se encaixaria na Escala de Kardashev (isto é, se          são civilizações planetária, estelar ou galática). Nesse caso Jackson sugere que uma civilização Tipo II seria capaz de cercar uma estrela de neutrons (ou ‘buraco negro’)      com a criação de um grupamento de micro-satélites, retransmissores de neutrinos.

Jackson inicia seu estudo com uma citação do ensaio de Freeman Dyson de 1966,            “The Search for Extraterrestrial Technology”, onde resume seus objetivos… “A 1ª          regra do meu jogo é… – pense nas maiores ‘atividades artificiais’ possíveis…com            seus limites estabelecidos apenas por…leis físicas – e então… – procure por elas”.

nasa-binary-black-holeEm um estudo anterior Jackson havia sugerido como ‘civilizações avançadas’ poderiam utilizar…’pequenos buracos negros‘ como lentes, enviando sinais de “ondas gravitacionais” pela galáxia. Esse conceito, baseia-se em trabalhos recentes de outros pesquisadores que sugeriram que estas ondas (foco de importantes pesquisas ​​– desde que foram detetadas pela 1ª vez em 2016), poderiam ser usadas para transmitir informações.

Em outro artigo, ele também se aventurou em prever como uma civilização avançada o suficiente poderia usar o mesmo tipo de lente para criar um “farol a laser“. Nos 2 casos,    os requisitos tecnológicos seriam impressionantes — exigindo infraestrutura em escala estelar. E levando tudo isso um passo adiante — Jackson então explora a possibilidade      de neutrinos serem usados ​​para transmitir informações, uma vez que eles, assim como    ondas gravitacionais, podem viajar pelo “meio interestelar” quase sem sofrer absorção.    Quanto ao processo pelo qual esse farol poderia ser criado … ele novamente se refere à ‘regra’ de Freeman Dyson sobre como tais civilizações poderiam criar qualquer tipo de megaestrutura… – “Se a física permitir … é tecnologicamente … possivelmente viável”.

No caso de uma civilização Tipo II, os requisitos de engenharia estariam além de nossa compreensão, mas o princípio permanece válido. Basicamente, o conceito tira proveito    de um fenômeno conhecido como “lente gravitacional”onde os cientistas se valem da presença de um objeto intermediário massivo para focalizar e amplificar a luz vinda de      um objeto mais distante. Nesse caso…a fonte de luz seria neutrinos, e focalizá-los, com base numa estrela de neutrons, ou “buraco negro”, produziria um sinal bem mais forte    do que as fontes naturais de neutrinos – como o sol ou supernovasE isso poderia ser     um ótimo indício de sinais de uma atividade tecnológica avançada alienígena. E, para resumir as coisas… – empregamos outra citação de um dos famosos ensaios de Dyson:

“Quando olhamos para o universo em busca de sinais de atividades artificiais é a tecnologia e não a inteligência que devemos procurar.          Seria muito melhor procurar por inteligência, mas a tecnologia é a        única coisa, de fato, que temos chance de perceber”. (texto original) ***************************************************************

Teóricos descobrem a “Pedra de Roseta” da física dos neutrinos (set/2019)

eigenvectorsrotation

Linhas e planos passando através da origem são subespaços lineares no espaço euclidiano R³. Subespaços são estudados em álgebra linear.

Álgebra linear” é um ramo da matemática,  que surgiu do estudo detalhado de sistemas de equações lineares…sejam elas algébricas  ou diferenciais – usando alguns conceitos e estruturas fundamentais… – como ‘vetores‘,  espaços vetoriais, ‘transformações lineares‘,  ‘sistemas de equações lineares‘, e ‘matrizes‘. Por muitos séculostais propriedades têm sido investigadas, em detalhes, fornecendo assim – ferramentas inestimáveis à física e engenharia … através de valiosos teoremas usados para ‘prontamente’ solucionar seus mais intrincados… – e diversos problemas.

Em agosto deste ano, 3 físicos teóricos: Peter Denton (‘Brookhaven National Laboratory’),  e…“Neutrino Physics Center” ( Fermilab) — Stephen Parke, físico teórico do Fermilab — e Xining Zhang, estudante de graduação da Universidade de Chicago “viraram a mesa”, no contexto da física de partículas, descobrindo uma identidade fundamental… relacionando diretamente…de um maneira nunca antes prevista… – “autovetores” e “autovalores”.  Estes 2 elementos da álgebra linear reduzem as propriedades de uma…”matriz“…a seus componentes mais básicos, sendo bastante aplicada na física matemática do ‘mundo real’.

Os autovetores identificam as direções nas quais uma transformação ocorre, e os autovalores especificam a quantidade de alongamento ou compressão no sistema.

Por séculos se tentou encontrar a identidade em algum lugar da literatura, mas nenhuma evidência foi encontrada, online, ou em livros didáticos. – Nós fomos enfim direcionados, por um resultado semelhante – ao professor de matemática da UCLA, Terence Tao – que carrega em seu currículo uma…“Medalha Fields”…e um…“Breakthrough Prize”Quando apresentamos a Tao nosso resultado…ele declarou ser, de fato, a descoberta de uma nova identidade…e forneceu várias provas matemáticas, agora publicadas online. Tao também discutiu a nova identidade em seu blog de matemática…A utilidade física desse resultado decorre de nossas investigações das probabilidades de oscilação de neutrinos na matéria, que envolvem a busca de ‘autovetores’ e ‘autovalores’…com expressões bem complicadas.

Embora os autovalores sejam inevitavelmente complicados, esse novo resultado mostra que autovetores podem ser escritos de forma simples, compacta e fácil de lembrar, uma vez que os autovalores sejam calculados. – Por esse motivo chamamos os autovalores      de…“a Pedra de Roseta” – para oscilações de neutrinos em nossa publicação original; depois de conhecê-los… — podemos obter tudo o que precisamos saber. (texto original)

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em ficção científica e marcado . Guardar link permanente.

3 respostas para “Primeiro Contato”…Murray Leinster (livre adaptação)

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