“Teoria (global) da Comunicação Humana”

“Sem comunicação, não poderia ter evolução…pois não há jaula mais                                destrutiva, do que nossos pensamentos, construindo muros ao redor.”

comunicandoPela…”Teoria da comunicação humana”, do psicólogo austríaco Paul Watzlawick, a “comunicação” desempenha um papel fundamental em nossas vidas embora não estejamos inteiramente conscientes disso. Mesmo sem perceber… desde o início da nossa existência, participamos do processo de aquisição de suas regras, inseridas em nossos relacionamentos.

Paul Watzlawick foi um dos mais notáveis teóricos da comunicação, bem conhecido por seu livro “A arte de amargar a vida” publicado em 1983Ele fez doutorado em filosofia,    se formou em psicoterapia no “Instituto Carl Jung”, e lecionou na “Stanford University”.  Juntamente com Janet Bavelas da UVIC /Canadá, e Don Jackson, do “MRI“…Palo Alto, EUA, desenvolveu a…”teoria da comunicação humana“, pedra angular da “terapia familiar”…Nela, a comunicação não é explicada como um processo interno…individual, mas como resultado de uma troca de informaçõesoriginada em um “relacionamento”.

Por essa perspectiva, o importante na comunicação…é a forma de nos influenciarmos        uns aos outros Vejamos agora, quais os princípios fundamentais em que a teoria da comunicação humana está baseada, e quais as lições que podemos aprender com eles.

Os 5 axiomas da “teoria da comunicação humana”                                                      A comunicação é um ‘processo cíclico‘, no qual cada parte                                              contribui, de forma singular, à moderação do intercâmbio.

menina-lua1) É impossível não se comunicar

A comunicação é inerente à vida…Com este princípio, Paul Waztlawick afirma que todo comportamento é uma forma de comunicação, em si mesmo … tanto de forma implícita  –  quanto explícita. Mesmoficar em silêncio… traz uma informação ou mensagem – e por isso, “é impossível não se comunicar”.

“Todo o comportamento…é uma forma de expressão”. — Assim…não existindo uma forma contrária ao comportamento (“anti-comportamento”), também não há ‘não-comunicação’. Mesmo quando não fazemos nada… – verbalmente ou não… – transmitimos algo… Talvez não estejamos interessados ​​no que nos dizem…e simplesmente, preferimos não comentar.

2) A “metacomunicação” tem aspectos de conteúdo, e relação

Isto significa que em todas as comunicações…não só o significado da mensagem em si é importante (nível de conteúdo), mas também é importante como a pessoa que fala quer ser entendida … e como pretende agir para que os outros a entendam (nível de relação).  Portanto, toda a comunicação tem, além do significado das palavras, mais informações. Tais informações são a maneira como o comunicador dá a entender…sua relação com o receptor da informação. Assim, há mais informações na mensagem…além das palavras.

Quando nos relacionamos…obrigatoriamente transmitimos informações, mas a qualidade do nosso relacionamento pode dar um significado diferente a essa informação. – Assim, o aspecto do conteúdo corresponde ao que transmitimos verbalmente, enquanto o aspecto de relação se refere à forma como comunicamos essa mensagem (tom de voz, “expressão facial”…contexto). Conforme a isso, a mensagem será recebida, de uma forma ou de outra.

3) A pontuação dá significado…(de acordo com a pessoa)

O terceiro axioma foi explicado por Paul Watzlawick, como“A natureza de uma relação depende da intensidade das sequências comunicacionais entre as pessoas”. Com isso, ele quis dizer que cada um de nós sempre está construindo uma versão própria, daquilo que observa, e experimenta … e dessa forma, define o relacionamento com as outras pessoas.  Este princípio é fundamental quando se trata de “relacionamentos”…e, devemos manter isso em mente sempre que interagimos com alguém Toda informação que nos chega é filtrada com base em nossas experiências, características pessoais e aprendizadoo que faz com que um mesmo conceito como amor, ou amizade…tenha significados diferentes.

A natureza de uma relação é dependente da pontuação das sequências comunicacionais entre os comunicantes. Tanto o emissor, quanto o receptor da comunicação estruturam essa relação de modo diferente…interpretando o seu próprio comportamento durante a comunicação, em função da reação do outro. Dessa forma…um aspecto fundamental da comunicação, é que cada interlocutor acredita que o comportamento do outro é a causa    do seu próprio comportamento… quando, na verdade…a comunicação é um processo muito mais complexo… – que não pode ser reduzido à simples relação de causa e efeito.

cerebro4) Os seres humanos se comunicam        de duas formas: digital … e analógica

Modo digital“, se refere ao que é dito por meio das palavras (veículo da comunicação).  ‘Modo analógico‘ — A arte de “amargar a vida“…inclui a comunicação não-verbal, ou seja, a forma como nos expressamos… para além das palavras (veículo da relação), e do que é dito – (comunicação digital); a forma como é dito (‘linguagem corporal’…uso dos silêncios – e emprego das onomatopeias).

5) Comunicação simétrica e complementar                                                                    Tanto as relações simétricas quanto as complementares…precisam ser trabalhadas socialmente para evitar a “cismogênese (processo de diferenciação nas normas de comportamento individual…resultante das interações cumulativas dos indivíduos).

As permutas comunicacionais são ‘simétricas’ ou ‘complementares’. – Com este axioma, dá-se importância à maneira como nos relacionamos com os outros…algumas vezes sob condições de igualdade – enquanto outras, a partir das circunstâncias de diferenças.    “Relações simétricas” seriam aquelas nas quais os grupos, ou indivíduos, compartilham anseios, aspirações, expectativas e modelos comuns…e, por este motivo, colocam-se em posições antagônicas…buscando relação semelhantes. Já “relações complementares” se constituiriam quando as aspirações de grupos ou indivíduos fossem fundamentalmente diferentes, e portanto, a submissão de uns constituísse resposta à dominação de outros.

Quando temos um relacionamento simétrico, avançamos no mesmo plano, isto é, temos condições de igualdade…e um poder equivalente na troca, mas não nos complementamos. Se o relacionamento é complementar, como por exemplo, nas relações entre pai e filho, professor e aluno… – ou vendedor e comprador… – apesar de estarmos em…”condições desiguais“… – ao aceitarmos as “diferenças“…possibilitamos a conclusão da interação.

Considerando esses princípios chegamos à conclusão de que, em todas as situações comunicativas, precisamos prestar atenção ao relacionamento em si mesmo, isto é,        no modo de interagir entre as pessoas que se comunicam… – e não tanto…no papel individual de cada uma delas. A comunicação, portanto, é um processo muito mais complexo do que podemos imaginar… — com uma série de ‘aspectos implícitos’ que ‘cismam’ em surgir no ‘dia a dia’ de nossos relacionamentos. (texto base) (consulta) *****************************************************************************          “O ser humano é parte de um todochamado Universo, uma parte limitada no tempo,        e no espaço. – Ele experimenta a si mesmo…seus pensamentos e incertezas – como se separado do resto; uma espécie de ilusão de ótica de sua consciência. Tal ilusão é uma prisão que nos restringe aos nossos desejos pessoais…e afetos por certas pessoas mais próximas de nós. – Devemos ter por tarefa nos libertar desta prisão, ampliando nosso círculo de compaixão … para abraçar as criaturas vivas e a natureza, em sua plenitude. Todo esforço nesta direção é em si mesmo parte dessa libertação, e um alicerce para a nossa própria segurança”. (Albert Einstein, em ‘A realidade quântica’ – Nick Herbert)    ******************************************************************************

cavernmanHistória da Comunicação Humana

Os homens das cavernas, com seu ‘cérebro rudimentar’, deviam se comunicar através de gestos…posturas… gritos… e grunhidos, bem como os demais animais não dotados da capacidade de expressão mais refinada.

Com certeza, num certo momento desse passado…esse homem aprendeu a relacionar objetos e seu uso e a criar utensílios para caça e proteção, e pode ter passado isso aos demais – através de gestos e repetição do processo … criando uma forma primitiva, e simples de linguagem…Com o tempo…essa comunicação foi adquirindo formas mais    definidas e evoluídas, facilitando a comunicação…não só entre povos de uma mesma    tribo…como entre tribos diferentes….As primeiras comunicações escritas (desenhos)        que se têm notícias…são as inscrições nas cavernas 8.000 anos a.C…O povo sumério, considerado uma das mais antigas civilizações do mundo … 4 séculos antes de Cristo,        já ocupava a região da Mesopotâmia…Essa civilização foi a primeira a usar o sistema pictográfico (escrituras pintadas nas cavernas) utilizada também pelos egípcios, que        em 3100 a.C., criaram seus “hierós glyphós”. – Sendo esta escrita…além de pictórica, também ideográfica, ela empregava símbolos simples para representar tanto objetos materiais, como ideias abstratas. – Nesse estágio, utilizava o princípio do ideograma        (“sinal que exprime ideias“) no sentido em que… deixa de significar o objeto que representa…passando a indicar o – “fonograma“… referente ao nome desse objeto.

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Escrita cuneiforme, de origem Suméria, encontrada no Iraque. Foto: Fedor Selivanov / Shutterstock.com

Um dos maiores patrimônios dos “sumérios” está ligado à chamada…escrita cuneiforme“. Nesse sistema…observamos a impressão dos caracteres… sobre uma base de argila… Com efeito, essa civilização mesopotâmica logrou produzir uma extensa atividade literária, na qual se inclui a criação de poemas… códigos de leis…fábulas…mitos…e, outras narrativas. Sendo a língua escrita mais antiga – das que se têm testemunho gráfico … suas primeiras inscrições… possuem datação de…3000 a.C.

O estágio moderno da comunicação humana foi a descoberta da tipografia (“arte de imprimir), pelo alemão Johann Gutemberg, em 1445. Essa invenção, multiplicou e barateou os custos dos escritos da época, dando origem à era da comunicação social.

Componentes da Comunicação

São componentes do processo de comunicação — o emissor da mensagem, o receptor, a mensagem em si, o canal de propagação, o meio de comunicação, a resposta (feedback),    e o ambiente onde o “processo comunicativo” acontece. – Este processo…em relação ao ambiente, sofre interferências do ruído, e a interpretação/compreensão da mensagem fica subordinada à capacidade do receptor. – Quanto à forma, a comunicação pode ser:

Verbal – Comunicação através da fala propriamente dita…formada por palavras e frases. Não-verbal – Comunicação que não é feita por palavras faladas ou escritas; emprega-se muito os “símbolos” (sinais, logotipos, ícones) constituídos de formas, cores e tipografias, que combinados, transmitem uma ideia/mensagem. Linguagem corporal – são todos os movimentos gestuais e corporais, que fazem com que a comunicação seja mais efetiva. A “gesticulação” foi a primeira forma de comunicação, todavia com o advento da palavra falada…os gestos foram se tornando secundários…constituindo hoje…o complemento da expressão…quando coerentes ao conteúdo da mensagem…Por outro lado, a “expressão corporal” possui fortes “laços psicológicos”…com ‘traços comportamentais’ secundários; sendo geralmente usada em auxílio à comunicação verbal. Já Comunicação mediada,    é o processo onde está envolvido algum tipo de aparato técnico intermediando locutores.

Com todos esses ingredientes, a humanidade passou a viver de uma maneira totalmente nova…onde fronteiras físicas deixaram de ser obstáculos à comunicação constante entre    os povos. Formas que até alguns anos eram impensáveis…passam a fazer parte do nosso dia a dia. Um universo novo se apresenta, mas…se os horizontes se alargam…perde-se o controle da informação… próxima e genuína. Chegamos à “exacerbação” da informação através dos meios eletrônicos…dos quais a internet é campeã. Nesse mundo tecnológico predomina a sapiência humana, em todas suas qualidades…mas também, suas mazelas. Cabe aos que dispõem dos meios de comunicação … utilizar as informações disponíveis, como fonte de troca à aquisição de sabedoria pelo conhecimento adquirido. (texto base*********************************************************************************

FUNÇÕES EXECUTIVASLinguagens (“digital“…e analógica“)

Para nos comunicarmos…utilizamos dois modos  de linguagem, digital e analógica. – A linguagem digital traduz a analógica. A prática cultural, por exemplo, possui fundamentação digital, criando sentido, a partir de interações entre seus dígitos. A linguagem digital possui como características: precisão racional, o ‘contraditório‘, e o poder de abstração. Já numa linguagem analógica…seus próprios elementos são significantes, e com isso as relações e interações produzem significado (‘não contraditório’)…como “leis naturais”.

Linguagem digital. – A palavra digital vem do latim “digitum”…que significa dedo. Os dígitos são elementos da linguagem – que quando devidamente combinadosproduzem determinado sentido, criando informaçãoComo exemplo, através das letras se formam as palavras, que escritas e/ou faladas, passam então a ter ‘sentido. Outros exemplos, são    o DNA, os neurônios, computadores clássicos, etc. Essa comunicação mediante palavras, dígitos e símbolos, carecendo de ‘semântica’…é  caracterizada pela ‘sintaxe’…E, apenas a espécie humana… – até aqui…demonstrou “sinais evidentes” de sua (ampla) utilização.

Linguagem analógica. – A palavra analógica vem do latim “analogon”…que significa semelhante. É a forma cientifica da própria totalidade do objeto, tendo como exemplos, imagens, cheiros, gestos, emoções, intuições, sentimentos, e sensibilidades. Portanto, é quando a palavra…“coisa”…é a informação que você está sentindo … que está em você.  Também é a comunicação não-verbal…”semântica”, que se expressa através dos gestos, postura, expressões faciais…ritmo – sendo representada também no teatro, e na dança, pelo “gesto corporal”… – É pelo modo analógico – que se aborda o campo das ‘relações humanas’ na comunicação – e pelo mesmo método … nos é possível abrir comunicação com os animais!…suas vocalizações e repetidos movimentos característicos constituem comunicações analógicas, pelas quais definem a natureza de suas relações. (texto base*********************************************************************************

A relação das linguagem digital e analógica com a ‘evolução comportamental’  Essencial para a vida em sociedade… – assim pode ser conceituada a comunicação. Todos nós, seres humanos, sabemos que, sem ela…não podemos nos relacionar como indivíduos de um grupo social. Através dela é possível que um ser humano conheça a si próprio e aos outros, interagindo e expondo suas ideias, sentimentos, opiniões. Uma boa ‘comunicação’ é indispensável, por ser fundamental que a mensagem emitida seja entendida por quem a recebe. E, por estar vinculada à capacidade de compreensão do indivíduo, a comunicação não pode ser distorcida…o receptor deve receber a mensagem de maneira clara e objetiva. communication

Considerado referência no tema, Paul Watzkawick conceitua as 2 formas de comunicação: analógica e digital, afirmando que na ‘comunicação humana’…podemos nos referir aos objetos de 2 modos distintos. Eles podem ser representados por uma semelhança, como num desenho (“analógico“), ou referidos por um “nome” – escrito, ou falado (“digital“).

A ‘comunicação analógica‘ é toda aquela ‘não verbal’…que envolve gestos, postura, expressão facial, inflexão de voz, sequência, ritmo, cadência das palavras, ou qualquer outra manifestação sensível. A “linguagem analógica”…é responsável pelas relações, transmitindo sobretudo, emoções e afetos pelos quais os sentimentos se expressam. Estando agregada aos sentidos humanos especula-se uma relação profunda com os “períodos arcaicos” da evoluçãoe, por causa disso, possuiria relevância ainda maior.

Antes de aprender a falar – o homem compartilha seu estado psíquico…e                    emocional; e assim pode referir-se mais facilmente àquilo que representa.

Já ‘linguagem digital‘…é a comunicação mediante palavras; que podem ser escritas ou faladas… – sendo portanto…segmentar, divisível em fonemas… verbal e linguística, com uma complexa ‘sintaxe lógica’, porém carecendo da semântica própria ao campo das relações… Sua existência é obrigatória  ao ‘progresso da civilização’…pois sem ela, seria impensável a realização da maioria… senão todas atividades humanas – que, ao partilhar ‘informações’ – fazem transmitir o “conhecimento real” entre os indivíduos.

Assim como nas palavras e no DNA – as informações transmitidas por neurônios no corpo humano são digitais… – seus impulsos são responsáveis por excitar…ou inibir as respostas sinápticas, em forma de “tudo ou nada” … como transmissão de informação digital binária. Todavia, o sistema humoral é considerado analógico, pois é responsável por liberar ou não substancias (“anticorpos”) em quantidades inconstantes … em função de inúmeros fatores.

Considerando que toda comunicação tem um conteúdo (‘forma digital’)        e uma relação (‘natureza analógica’), podemos supor, para possibilitar  uma eficiente comunicação que estes 2 aspectos da linguagem – não só existam, permanentemente lado a lado…atuando de forma combinada,  como complementam-se em todas mensagens, traduzidos um no outro. 

O material da mensagem digital é de um grau muito mais elevado de complexidade, versatilidade e abstração do que o analógico. Com uma “sintaxe lógica”, complexa e poderosa, a linguagem digital portanto, é eminentemente adequada à comunicação,            a nível de conteúdo, mas carente de adequada ‘semântica’ no campo das relações. A linguagem analógica, por sua vez…possui esta semântica… – mas não…uma sintaxe adequada para uma definição não ambígua das relações. – No ‘corpo humano’…por exemplo, a informação transmitida pelos neurônios é digital… – já que os impulsos excitam ou inibem as respostas sinápticas, mas em forma de tudo ou nada. Por sua        vez, o sistema ‘humoral‘ é analógico, liberando ou não substâncias em quantidades variáveis, dependendo de fatores específicos…Mas, tanto o sistema analógico como              o sistema digital humano, coabitam e atuam de modo complementar e contingente.           

Na cerne da comunicação existe um aspecto digital e outro analógico. O aspecto digital da comunicação é o que dizemos…as palavras, os dígitos e ‘significados’. O aspecto analógico da comunicação é a qualidade, a forma com que dizemos. A “comunicação humana”, com efeito, aprimorando algo indispensável para a vida em sociedade…procura acompanhar a evolução da espécie. – Este avanço…no entanto, adquiriu proporções inimagináveis. Para então, facilitar as relações, e encurtar distâncias… novas ferramentas foram criadas. Uma das mais notáveis e de grande utilidade é a ‘internet‘, possibilitando que o mundo como um todo conectado… – interaja em curtos espaços de tempo. (texto base) (complemento***********************************************************************************

Global Communication“Comunicação global”

No “mundo globalizado” – como em toda sociedade formadora é notória a importância da comunicação, que também se vê nos “estudos linguísticos” – onde sempre teve papel essencial, mesmo que afetado no inicio do século 20…pela afirmação de Saussure, de    que a “linguagem” seria…fundamentalmente – um “instrumento de comunicação” … abrindo com isso, profundas rupturas sobre as concepções anteriores.

A ‘teoria da comunicaçãoque utiliza métodos e perspectivas diferenciadas das dos estudos linguísticos, se propõe, basicamente, a encontrar soluções para os problemas da linguagem, através de um esquema simplificado de comunicação – linear, e com caráter mecanicista. Com isso, o diálogo entre humanos na forma verbal ou escrita, passa pelas propostas simplificadorasrevendo de todos os ângulos a questão da comunicação e os aspectos que necessitam ser revistosTendo sempre um sujeito emissor e um receptor, essa teoria continua sendo empregada para analisar a transmissão de uma mensagem.

Para a mensagem ser eficaz, necessita de significados e significantes comuns, tanto ao remetente quanto para o destinatário, ou seja, para que haja comunicação é preciso que ambos compartilhem o domínio total ou parcial de códigos ou subcódigos. A falta deste domínio impede a comunicação. A linguagem deve ser entendida, em sua variedade e funções (emotiva, informativa, referencial, denotativa, cognitiva, representativa…fática, poética, expressiva, apelativa, metalinguística, etc) sendo que todas elas possuem valor simbólico; segundo conteúdo e expressão predominantes no texto. Já a comunicação  deve ser pensada como um sistema – onde não apenas os efeitos da comunicação sobre      o receptor são relevantes… como também… “a reação produzida pelo emissor”…e a reciprocidade entre eles. Lembrando que reciprocidade na comunicação é o equilíbrio entre os interlocutores…onde nesse caso a ‘linguagem verbal’ é fundamental ao diálogo.

Neste processo de comunicação – os envolvidos se constroem juntos…transformando as relações intersubjetivas ao estabelecerem aí um jogo de códigos e imagens em interação.  Todavia, evidenciam-se os afazeres persuasivos e interpretativos aos quais dependem os envolvidos, sendo necessário – nesse caso…uma comparação e entendimento de valores, crenças e sentimentos, para poder se estabelecer essa ‘interação’…No entanto, nenhuma comunicação é neutra ou ingênua…e os discursos presentes na sociedade, são definidos,  de fato, pelas…”convenções sociais” – que diante da junção de vozes, concordam ou não entre si, construindo os…”discursos” e “sujeitos“…da “comunicação social“. (texto base)

McLuhan citacaoO pajé da“aldeia global”

Criador da ideia de“aldeia global” – o pensador Marshall McLuhan foi chamado, de acordo com a simpatia despertada por suas ideias de sonhador… a louco. Em suas teorias sobre comunicação ele deu à educação um novo enfoqueao profetizar que…“Uma rede, mundialmente ordenada, tornará acessível em alguns minutos, todo tipo de informação aos estudantes do mundo inteiro”. Em tempos de internet, essa frase é óbvia. Quando foi dita – em 1964, parecia extraída de um livro de ficção. – Isso aconteceu quando McLuhan publicou um livro chamado “Understanding Media”, que em português ganhou o título de “Os meios de comunicação como extensões do homem”…Ao publicá-lo, talvez não imaginasse que estava lançando um dos clássicos da comunicação… – muito mais discutido do que lido muito mais desprezado do que estudado. A grande novidade do autor em relação à educação é o enfoque…baseado em suas teorias sobre comunicação; mais uma vez, adiantando-se à criação de um campo de estudos — que só seria explorado na década dos 90. – Em seu livro… “Revolução na Comunicação”… McLuhan explica que:

“Em nossas cidades, a maior parte da aprendizagem ocorre fora da sala de aula…A quantidade de informações transmitidas pela imprensa excede, de longe…a quantidade de informações…transmitidas pelos textos escolares”.

McLuhan propõe que até o surgimento da televisão, vivíamos na ‘galáxia de Gutemberg’, onde todo o conhecimento era visto apenas em sua dimensão visual. Sua ideia é simples: antes… – o conhecimento era transmitido oralmente – em lendas, histórias…e tradições. Quando Gutemberg inventou a imprensa, permitiu a difusão do conhecimento. Mas por outro lado, reduziu a comunicação a um único aspecto…o escrito: “Antes da imprensa, o jovem aprendia ouvindo, observando, fazendo. A aprendizagem era fora da sala de aula”.  Crítico feroz da ‘escola tradicional’…o autor canadense aponta defeitos do sistema atual, que, segundo ele, critica a mídia, em vez de utilizá-la como aliada à educação. Um outro erro apontado…é a orientação da escola…com vistas exclusivas ao mercado de trabalho:

aldeia global“A educação era, até agora, uma tarefa ‘relativamente‘ simples; bastava descobrir        necessidades da “máquina social”, e depois recrutar e formar ‘pessoal’ que a elas correspondesse…Contudo, nesse contexto são poucos      os que adquirem…o “dom”    da análise, muito menos a ‘capacidade’ – em discutir  assuntos fora de sua alçada… A educação escolar tradicional suscita em nós o desgosto    por qualquer outra atividade humana. Mas apenas onde o interesse do aluno já estiver focado é que se encontra o ponto natural de elucidação de seus problemas e interesses”. 

Um dos mais famosos conceitos de McLuhan é o de aldeia global. Em seu livro…“O meio é a mensagem” ele afirma que “a nova interdependência eletrônica cria o mundo à imagem de uma aldeia global”. — Quando disse isso, a coisa mais parecida com internet que existia, significava algumas redes privadas de computadores. ‘Computador pessoal’ era um “sonho distante”. “Evolução tecnológica” deixa aqui, de ser mera coadjuvante na vida social: o que é dito, é condicionado pela maneira como se dizO próprio ‘meio‘ passou a ser a principal atração…a informação…Por exemplo, muitas das páginas da internet poderiam ser livros ou revistas…mas, segundo McLuhan, tornam-se interessantes justamente por que estão em um novo meio de comunicação…Isso não significa, é claro, ser passivo diante da mídia:

“A tarefa educativa não é…unicamente, fornecer os instrumentos                    básicos da percepção, mas também desenvolver a capacidade de                      discernimento crítico … por meio da experiência social corrente”.

Uma das mais curiosas ideias de McLuhan é a de que, assim como se usa uma pinça para aumentar a precisão das mãos…e, a chave de fenda para girar um parafuso – os meios de comunicação seriam, na verdade, extensões dos sentidos humanos… Com a internet, não deixa de ser curioso se falar em “relações virtuais“, como se máquinas fossem realmente capazes de sentir e pensar…pelos seus operadores…Além do que, muito antes de alguém falar em “aspectos lúdicos da educação”, McLuhan já dizia que o estudo deveria ser uma atividade divertida…A escola para ele, ainda não tinha percebido essa realidade óbvia. E, dizia… – “É ilusório supor…que exista qualquer diferença básica entre entretenimento e educação. Sempre foi verdade… que tudo o que agrada, faz ensinar melhor”. (texto base**********************************************************************************

A teoria da comunicação autopoiética de Niklas Luhmann                                      Para Luhmann… a “comunicação”… é uma síntese resultante de 3 seleções: a seleção da “informação”…a seleção do…”ato de se comunicar”…e a seleção realizada no…”ato de se entender”. – Estas 3 componentes estão ‘entrelaçados‘ de maneira circular – porém… a comunicação só se dá ao se entender a diferença entre informação e o ato de comunicar.

A sociedade não pode ser pensada sem comunicação, e esta não pode ser pensada – sem a necessidade evolutiva dessa própria sociedade.

Este tipo de ‘constatação’ – a principio      óbvio e tautológico— na verdade é oponto de partida a partir do qual se torna possível assimilar a sociologia    de…Niklas Luhmann estruturada na teoria de “sistemas autopoiéticos”.

Sistemas autopoiéticos são sistemas operativamente fechados, que se auto-reproduzem, e  onde a comunicação tem um papel central; gerando a autopoiesis do sistema social…pois, como defende Luhmannsendo fielmente constituída por grande número de sistemas de consciência, não pode ser imputada a uma consciência isolada. Na teoria luhmanniana o sistema sociedade não se caracteriza por uma determinada “essência” – muito menos por uma certa moral, mas somente pela operação que o produz e reproduz…a “comunicação”.  Nesta operação não há transferência de sentido, nem transmissão de informação. Não há propriamente transmissão de alguma coisa, mas sim uma ‘redundância’…criada de modo que a comunicação invente sua própria…memória…que pode ser evocada por diferentes pessoas, de diferentes maneiras…No lugar da metáfora da transferência (transmissão) de informação…do modelo cibernético de 1950 – a partir de uma…’cibernética de 2ª ordem’, Luhmann propõe a “comunicação” como… – um pulsar constante…a cada ‘redundância’, e a cada…’seleção’… de onde o sistema…se expande e se contrai…permanentemente”.

Na ‘Comunicação’ deve-se falar sobre algo; um tema deve ser abordado. Porém, aquele que fala pode se converter, ele mesmo, em tema…ao dizer que na realidade queria dizer outra coisa…quando disse aquilo, ou ao exteriorizar um estado de ânimo…por exemplo.    Assim, a comunicação…tem a especificidade de poder articular-se, indistintamente…ao    ato de comunicar ou à informação. Daí que na própria operação da comunicação esteja  incorporada a ‘autorreferência’ (referência à informação), bem como a “exorreferência”  (ao ato de comunicar)… – Enquanto essas distinções … (entre a informação…e o ato de comunicar) não se realizam… “não haverá comunicação…mas uma simples percepção”.      É através do ato de entender que a comunicação gera uma nova comunicação – em um pulsar constante e autopoiético. Quando é feita tal distinção, o ato de entender pode se ocupar da informação, ou do comportamento do outro, realizando a autopoiese, e uma nova comunicação…“A síntese onde a comunicação se faz é obtida no ato de entender”.

Sem que importe o que cada um entende em sua consciência (que                                        é autopoieticamente fechada), o sistema de comunicação elabora                                        seu próprio entendimento e sua incompreensão…e, para tanto, o                                          sistema cria seu próprio processo de observação e ‘autocontrole’.

Diferença que faz a diferença… — Distinção sistema/entorno                                 A informação, para Luhmann, não é a exteriorização de uma unidade,                              mas sim, a seleção de uma diferença que faça com que o sistema mude                                  de estado… – e… consequentemente… – nele se opere outra diferença”.

comunicaçãoA informação é uma seleção surpresa entre várias possibilidades…que deve ser produzida dentro do sistema… – por uma comparação de expectativas. Sistemas autopoiéticos produzem, por si mesmos não somente estruturas…mas também elementos que os constituem. Do conceito de informação de Gregory Bateson: “diferença que faz a diferença”,  Luhmann explica… “Elementos são informações; são variações, que no sistema, fazem a diferença; ‘unidades de uso’ produzindo novas unidades de uso, ondenão há correspondência no entorno”.

Para que a comunicação se efetue é fundamental que todos os participantes intervenham com um saber e um não-saber…“A comunicação bifurca a realidade: cria duas versões do mundo, a do sim e a do não…obrigando assim…à tomada de uma decisão”. Graças a essa bifurcação da alternativa entre aceitar ou recusar – característica da ‘autopoiesis‘…que a comunicação pode garantir sua continuidade…A alternativa define a posição da conexão    à comunicação posteriorque pode ser construída na busca do dissenso ou do consenso.  Na autopoeisis o sistema é autônomo, não unicamente no plano estrutural, mas também no plano operativo. Somente sistemas operacionalmente fechados podem construir uma alta complexidade própria que pode servir para especificar sob que aspectos o sistema reage a condições do entorno – enquanto que em todos os demais aspectos, graças a sua autopoiesis, pode permitir-se ‘indiferença. Luhmann entende teoria dos sistemas como teoria da distinção sistema/entorno. O próprio sistema (‘operacionalmente’) distingue a autorreferência de uma ‘exorreferência‘, isto porque…a diferença sistema/entorno se dá    2 vezes: como distinção produzida pelo sistema, e como distinção observada no sistema.

O limite do sistema é a diferença (autopoética) entre ‘autorreferência’            e…”exorreferência” – que se faz presenteem todas as comunicações.

O termo “diferenciação” tem significado central na teoria de Luhmann. Para ele quer dizer que os sistemas, quando se diferenciam, criando uma fronteira com o…’meio circundante’, essa diferenciação ocorre de uma maneira especial… é um diferenciar-se autofortificando-se…autoconfinando-se. – O sistema não é uma unidade, mas uma diferença…“A diferença entre sistema e o meio…que possibilita sua emergência, é também a diferença pela qual o sistema já se encontra constituído”… — Segundo Luhmann…a função da comunicação é…  “tornar provável o bastante improvável…a autopoiesis do sistema de comunicação social”.

Encerramento operativo & acoplamento estrutural                                                      Isso não exclui que um observador externo, situado no meio, possa observar o sistema. Porém o ponto cardinal desse preceito teórico reside em que o sistema estabelece seus próprios limites…em operações exclusivas – e unicamente assim…pode ser observado.

Crucial para compreender a distinção ‘sistema/meio’ é a teoria do…encerramento operativo, que, bem como o conceito de autopoiesis, vem da “biologia cognitiva” de Maturana…Nesta teoria, uma variação com o meio, se daria no mesmo sistema.

O “encerramento operativo” traz como consequência – que o sistema dependa de sua própria organização. Contudo, auto-organização e autopoiesis são conceitos distintos. “Auto-organização”…significa – construção de estruturas próprias dentro do sistema; enquanto “autopoiesis”, ao contrário…é a demarcação do estado posterior do sistema,        a partir da limitação anterior à qual a operação se deu. O acoplamento estrutural, outro conceito fundamental na “teoria dos sistemas autopoiéticos”…também oriundo        da “biologia cognitiva” de Maturana, especifica uma impossibilidade de contribuição        do meio … capaz de preservar intacto o patrimônio da “autopoiesis” de um sistema.

“O meio só pode influir causalmente em um sistema no plano da destruição, e não no sentido da determinação de seus estados internos”…A seleção de acontecimentos que        se dão no meio, capazes de produzir efeitos no sistema, é condição para este, com um espectro assim tão seletivamente depurado, possa empreender algo…É somente para sistemas autopoiéticos que a influência externa se mostra como uma determinação à autodeterminação, e portanto, como informação; a qual modifica o ‘contexto interno’        da ‘autodeterminação’, sem todavia renegar a “estrutura legal” necessária ao sistema.        As informações são, por conseguinte, acontecimentos que delimitam a entropia, sem necessariamente definir o sistema. A informação reduz complexidade, na medida em      que permite conhecer a seleção, excluindo assim, possibilidades…mas, também pode aumentar a complexidade…“A redução da complexidade é condição do seu aumento”.

meios-de-comunicaçãoLinguagem meios de comunicação

Na teoria luhmanniana, a função da linguagem é a de…“servir de acoplamento estrutural entre (sistemas de) consciência e comunicação”, sem constituir um sistema próprio. – O fato de que, consciência e comunicação estejam permeadas pelo sentido…deve sua ‘estabilidade de reprodução’…a estarem estruturalmente acopladas  pela linguagem, sem que por isso se conclua, que ambas devem ser reduzidas à linguagem.

O meio fundamental de comunicação, o que garante a regular e continua autopoisesis da sociedade é a linguagem. Mas, é no ato de entender a comunicação que ocorre a conexão entre informação e o ato de comunicar…sobretudo ao se utilizar a linguagem…Luhmann também observa que: “a escrita transformou radicalmente a situação crítica da forma de  se comunicar, e culturalmente assim forçou a invenção de meios a se sobrepor à recusa”.  Segundo Luhmann, não há apenas uma teoria da comunicação, mas também uma teoria dos meios de comunicação, um dos sistemas de funcionamento da sociedade. Somente a fabricação industrial de um produto portador da comunicação, conduziu à diferenciação de um sistema específico, dos meios de comunicação; a tecnologia de difusão representa aqui, por assim dizer…o mesmo que é realizado pelo dinheiro na economia – apenas um modo de permitir a formação de…”mecanismos” – diversos do próprio meio – operando transações que permitem a diferenciação, e o fechamento do sistema. Em todos os casos,    é decisivo o fato de não poder ocorrer – nas pessoas que participam, nenhuma interação entre emissor e receptor. – Com efeito, os meios de comunicação constroem a realidade.    Em termos kantianos: “os meios de comunicação produzem uma ilusão transcendental”.   

A atividade dos meios de comunicação é vista não apenas como uma sequência de operações, mas também como sequência de observações, que Luhmann chama de ‘operações observadoras’. O que ocorre é uma duplicação da realidade no sistema observado dos meios de comunicação – que, de fato, comunica algo distinto de si            mesmo. É portanto um sistema que distingue autorreferência, de ‘exorreferência’.

Os meios de comunicação necessitam, como sistemas observadores, desta diferenciação. Eles não podem atuar de outra forma…Não podem tomar a si mesmos como ‘a verdade‘. Eles precisam construir a realidade…mas uma outra realidade…diferente deles mesmos.    Nem toda a realidade é construção, pois a distinção entre autorreferência e exorrefência ocorre dentro do sistema… de acordo com o “construtivismo operacional” de Luhmann.

dissonância cognitiva“Realidade cognitiva”                                                  “A codificação cognitiva identifica numa                           comunicação…a informação…do ruído”.

A cognição pode refletir sobre si mesma; contudo, a realidade não repousa no mundolá fora’mas, nas próprias operações cognitivas, pois estas só existem, sob 2 condições… – formar um sistema que se auto-reproduz…e que esse sistema só funcione … quando puder diferenciar autorreferência de exorreferência.  

Para Luhmann, no sistema funcional dos meios de comunicação há uma diferenciação interior estabelecida entre as distintas áreas da programação…”Programas”…na teoria luhmanniana, complementam a distinção informação/ruído, classificando tudo o que pode ser esperado… como “informação”. – A diferença entre sistema e ambiente se dá      no sistema funcional dos meios de comunicação – por um código binário, que fixa um valor positivo e uma valor negativo, excluindo a terceira possibilidade. Este código é a distinção entre informação e ruído. – No jornalismo é o equivalente ao “valor notícia”.

Para essa (como para qualquer) autopoiese não há nem uma meta nem      um fim natural…Ou melhor, comunicações informativas são elementos autopoiéticos … que servem à reprodução … desses próprios elementos.

Quando se chega ao fechamento operacional de sistemas – chega-se igualmente a um fechamento do processamento das informações (sem que o sistema entre num estado      de liberdade causal…flutuando livremente)… – Nos meios de comunicação não existe transporte de informação. Eles são meios à medida que disponibilizam…e continuam          a desenvolver um ‘saber de fundo’…que se pode tomar como base na comunicação. O    traço básico talvez mais importante…é que ‘meios de comunicação’ ao mesmo tempo      que elaboram informações, abrem um “horizonte de incertezas”, produzidas por eles mesmos, que precisa ser servido com outras sempre novas informações. – O sucesso desses ‘aparelhos’ em toda sociedade deve-se à imposição de temas, dos quais não se      pode desviar… Eles representam a “exorreferência” da comunicação… – servindo ao “acoplamento estrutural” dos meios de comunicação, com outras áreas da sociedade. 

Ao contrário do que ocorre na ciênciapara Luhmann, o problema das informações        nos meios de comunicação – não está na verdade ou inverdade, mas na seleção feita.      Isto porque, na base de todas seleções, há um agir integrado que não se encontra no mundo externo onde se comunicam coisas. É isso que sustenta a tese de que apenas            a comunicação (ou sistema dos meios de comunicação) atribui significado aos fatos.          O sistema precisa viver…ressalta Luhmann – com a suspeita de manipulação…para desenvolver e remeter outra vez para dentro de si…seu próprio paradoxo, a unidade          da diferença entre “informação”…e “manipulação”… – A função social dos meios de comunicação é…para ele, criar uma memória sistêmica…uma realidade de fundo da          qual se pode partir…é orquestrar uma auto-crítica do sistema social. (texto base****************************(texto complementar)****************************

O Perigo dos subentendidos e acordos implícitos na comunicação (set/2017)      “O silêncio é o ruído mais forte talvez o mais forte…de todos os sons.” (Miles Davis)figuras-representando-comunicacao

Infelizmente… existe um conjunto de mecanismos sociais e culturais – que nos incitam a deixar mensagens no ar. Contudo é preciso compreender os perigos dos subentendidos e dos acordos implícitos na comunicação. Nesse sentido, a palavra e a forma como é usada são objeto de controle por parte da sociedade… — Por vezes – invocando os bons modos, outras vezes… — simplesmente refletindo uma… adaptação prática – ao uso cotidiano.

Também acontece que as próprias pessoas às vezes não sabem o que … ou como comunicar, simplesmente porque não têm clareza no seu pensamento. São caos,                    onde também está falhando uma… “comunicação interior” – e isso se traduz em dificuldades para dialogar com os outros. Como explica Oliver Wendell Holmes:

“Ao tentarmos falar claramente… esculpimos cada palavra – antes de lançá-la”.

Da mesma forma… “relacionamentos de poder” influenciam essas equações infelizes.  Supõe-se que existam pessoas às quais podemos falar … e outras às quais não. Quase            todos poderes do mundo reclamam como seu o direito de exigir silêncio. E silenciam.        Mas quando, às vezes, tudo parte da comunicação…só dá lugar a enganos e confusão.

os-problemas-da-comunicacaoSão chamados…”subentendidos”…os atos de comunicação que não são diretos, mas nos quais uma ou ambas partes assumem  que há suficiente clareza…e não precisam de mais explicações, como quando dizem: “Estão batendo na porta”…Óbvio, você já ouviu, e sabe disso. – A mensagem então subentendida é…Vá abrir a porta”!

Porém, em situações cotidianas os subentendidos têm a possibilidade de se transformar em mal-entendidos. – Continuando com o exemplo anterior…estão batendo à portatambém pode ser entendido de outras formas … dependendo do contexto, e da situação. Talvez possa significar… “É hora de cortar o assunto, porque alguém chegou”…Ou pode significar… “Chegou quem estávamos esperando”…  É possível inclusive, que também signifique…“Alerta, ninguém teria por que bater à porta…Mas estão…Há algum perigo”.

Os participantes da conversa precisam estar em sintonia, para interpretar exatamente o que o outro quer dizer, quando lança essas frases imprecisas…que do seu ponto de vista, são subentendidas. Isso poderia ser considerado bizarro…não fosse pelo fato de que em situações mais complexas também se recorre a tal fórmula de comunicaçãoque quase nunca é uma boa ideia. De fato…é uma ideia terrível quando entramos no mundo das demandas e desejos…Sempre acontece ao querermos que o outro faça alguma coisa por nós, ou para nós, sem pedirmos Assumimos que o outro deveria saber E pensamos: ‘Como não percebe que preciso ou quero aquilo?’O ruim é que as outras pessoas nem sempre são capazes de entender e conhecer suas…circunstâncias– É nesse momento, que o conflito aparece – e os perigos dos subentendidos…se transformam em realidade.

Um acordo é basicamente um pacto que se realiza entre 2 ou mais partes…Lógico que também existem pactos realizados consigo mesmo…mas enfatizaremos aqui “acordos sociais”. Num acordo, cada parte se compromete a agir de acordo com certa forma de conduta desejável para poder alcançar um objetivo comum. Entretanto, há quem cometa o erro de dar por certo a existência de um acordo…sem diretamente consultar      a(s) outra(s) partes…e portanto, sem que estas o tenham confirmado. — Por exemplo, supondo quepor fazerem alguma coisa – os outros deveriam agir do mesmo jeito.

Duas ou mais pessoas podem criar qualquer tipo de acordo…O ruim é quando um dos envolvidos dá como certo um pacto jamais expressamente acordado. Criam-se muitas correspondênciasmas também surgem outras dimensões mais complexas. Nenhum desses pactos é uma boa ideia. – A boa ideia é promover a comunicação direta e clara.      De um jeito ou outro, essa comunicação sempre é falha em alguma medida – e o risco desse erro se multiplica ao predominarem mensagens implícitas… Por isso, promover        um diálogo explicito – sem todavia abdicar de uma certa “dose de humor”  é uma ótima ideia para evitar conflitos, e afastar os perigos dos ‘subentendidos’. (texto base) ********************************************************************************

telepatia-rede-cerebral-1Telepatia… “Papo cabeça”

A ciência não está convencida de que pessoas sejam capazes de transmitir seus ‘pensamentos’, ou de…”extra-sensorialmente”…se comunicar a distância. – Mas histórias intrigantes é que não faltam, mesmo que…de fato…não provem nada.

Não há como descartar a possibilidade de que tudo não passe de coincidência. Afinal, para cada história arrepiante… quantas não devem haver… de pessoas com um pressentimento, que não deu em nada?… – O único jeito de comprovar a existência da “telepatia“, seria ter resultados estatísticos de que esses fenômenos acontecem…com mais frequência do que o normal. E ainda assim não teríamos a certeza suficiente para afastar todas as dúvidas.

‘Telepatia‘ é o termo usado para se referir à aquisição de informações por outros meios, que não os sentidos físicos conhecidos. A resistência em tentar entender tais eventos, ou acreditar neles é grande… mas fácil de ser compreendida – como diz Wellington Zangari, coordenador do Grupo de Estudos de Semiótica, Interconectividade e Consciência (Inter Psi), da PUC/São Paulo…“Entrar em contato com pensamentos, sentimentos e ideias de outras pessoas, de uma forma aparentemente direta (mente/mente)… sem necessidade que tais informações passem pelos sentidos … é considerado algo fora do normal – por  se tratar de um tipo de interação bastante diferente da maneira prevista pela ciência”.

E como tudo o que é fora do normal caminha lado a lado com o ceticismo, como diz Jean Claude Obry, pesquisador e filósofo francês, morando no Brasil há cerca de 20 anos…“Se você acredita… poderá ser associado ao charlatanismo, misticismo… ou ser visto como alguém facilmente influenciável… – Se não, será suspeito de cientificismo ateu…de não possuir uma ‘mente aberta’; de não ter qualquer curiosidade científica”. Se os assuntos considerados ‘fora da normalidade’ pudessem se encaixar no cotidiano…não pareceriam tão assustadores. E, para permitir que eles se transfiram para dentro dessa realidade… é preciso aceitar e mudar conceitos, regras e crenças, que gerenciam o dia-a-dia. – Se não fizermos essa mudança – nada será feito – além de um “agradável debate” … mas estéril.

Em suas primeiras décadas de estudo… tentou-se compreender a ‘telepatia‘ como um fenômeno eletromagnético que funcionaria da mesma forma que os aparelhos de rádio e televisão. Era suposto que, entre receptor e emissor, informações do conteúdo cerebral fossem transportadas por “ondas mentais“… Contudo, as teorias baseadas nesse modelo caíram por terra, porque aparentemente, a telepatia não é limitada pela distância, ou barreiras físicas – como o são as conhecidas… “ondas eletromagnéticas”.      Mais tarde, outras teorias surgiram, visando saber mais do “porquê” – do que “como” ocorre o fenômeno E assim, mesmo precisando de mais pesquisas para por fim à polêmica em torno do assunto, a soma dos testes experimentais indica a existência de        um processo anômalo de interação entre seres humanos, o que faz da parapsicologia          a teoria apta a interpretações mais interessantes para explicar a telepatia. (texto base)  ******************************************************************************

Ainda não é telepatia, mas estamos chegando lá                                                              A “interface” permitiu compartilhar a carga de trabalho, entre                                              todos participantes, dependendo do desempenho cognitivo de                                              cada um…estimado a partir de sua ‘atividade cerebral elétrica’.

A criação de ‘interfaces neurais’ ‘cérebro/computador’, permite controlar dispositivos externos pelo pensamento, empregando “intenções de movimento“; e não ideias abstratas… do tipo “Eu quero isto”, ou…”Eu quero aquilo”. É portanto…natural, pensar – num próximo estágio dessas ‘neuro-interfaces’que permita … um dia … transferir diretamente – informações do cérebro d’uma pessoa, a outra.

Mas agora um grupo de pesquisadores acaba de publicar um artigo, alegando terem dado um passo importante nesse rumo…Eles desenvolveram uma interface neural que permite distribuir uma tarefa cognitiva entre diversas pessoas. – Em seus testes…a equipe usou a interface cérebro-cérebro para estimar ‘estados cerebrais‘ de cada uma…e distribuir uma “carga cognitiva” entre os membros do grupo…que realizavam juntos uma tarefa comum.   
Vladimir Maksimenko, e colegas – colocaram 2 voluntários – para juntos – resolver uma tarefa de classificação de imagens ambíguas apresentadas em uma tela. – Cada um deles, tinha sua atividade cerebralmonitorada em tempo real, por eletroencefalogramas.

A classificação de imagens bastante ambíguas exige grande esforço                cognitivo — em oposto com a identificação de imagens mais claras.

A equipe forçou uma sobrecarga cognitiva aumentando a duração do experimento (40 minutos) e fazendo pausas curtas…entre a apresentação das imagens (5 a 7 segundos). Assim, os voluntários foram obrigados a manter alto nível de concentração, durante o experimento. No primeiro estágio, cada voluntário fez a tarefa separadamente…o que permitiu detetar – nos “sinais cerebrais” … a carga cognitiva… e os períodos de fadiga, mostrando momentos de ‘perda de atenção’ com momentos de recuperação…durante        os quais a concentração voltava a aumentar. – No segundo estágio, a interface neural avaliava continuamente a “carga cognitiva no cérebro de cada um dos participantes;          e…conforme o resultado – distribuía a tarefa para cada um deles … mostrando assim, imagens menos ambíguas, ou elevando o tempo entre as imagens…para aqueles mais cansados, e por outro lado aumentando a carga para quem se mostrasse concentrado.

Tudo foi feito de modo a manter o mesmo ‘tempo total’                                        para a tarefa, e mostrar o mesmo número de imagens.

Ficou então demonstrado, que a eficiência da equipe pode ser aumentada devido à redistribuição do trabalho entre os participantes, de modo que a carga de trabalho          mais difícil recaia sobre o operador de desempenho máximo. Ficou assim provado,          que a interação…”humano-humano” é mais eficiente na presença de certo retardo, determinado pelos ritmos cerebrais. Os resultados obtidos são promissores para o desenvolvimento de uma nova geração de sistemas de comunicação, baseados na atividade cerebral neurofisiológica de pessoas interagentes. Os resultados obtidos      podem ser um ponto de partida ao desenvolvimento de ‘sistemas de comunicação      neural’ entre pessoas sensitivas, resultando numa interação mais eficiente. (texto)  

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
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2 respostas para “Teoria (global) da Comunicação Humana”

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