A organização evolutiva dos “sistemas autopoiéticos”

Alguns tipos de estabilidade negam certos tipos de mudança. A ironia é que existe uma categoria de estabilidade que não só depende da mudança… como é consequência dela. Para um sistema aberto, seja social ou biológico, imerso em um ambiente de mudança,    seu único modo de sobrevivência é a própria transformação…Nesse caso, tais sistemas      se adaptam a um… ‘ambiente flutuante’ – por processos de aprendizagem e adaptação.

autopoiesis

A contribuição mais importante à sistematização do conceito de auto-organização veio da biologia, quando, Humberto Maturana e Francisco Varela criaram uma“teoria cibernética”que permite incluir o observador no sistema, onde observar o observador retrata uma cibernética de 2ª ordem, e observar “sistemas sociais”uma de 3ª ordem.

A autopoiese nessa concepção, inclui a diferenciação entre “organização” e “estrutura”,      na contínua autoprodução dos seres vivosOrganização é definida pelo conjunto de relações entre seus componentes…Já estrutura compreende componentes e relações,        que se constituem em uma unidade particular desta organização. Nessa concepção, os “sistemas vivos podem ser considerados comoorganizações fechadasou seja, sistemas autônomos de interação que — fazem referência — tão somente a si próprios.      Assim, a ideia de sistemas biológicos abertos ao ambiente, é apenas o resultado de um esforço do observador…para dar sentido a tais sistemas, do seu ponto de vista externo.

Nessa argumentação…os sistemas vivos possuem 3 características principais… – autonomiacircularidade, e auto-referência.

“Um ser vivo ocorre e consiste na ‘dinâmica realizadora’ de uma rede de transformações e produções moleculares, tal que todas moléculas produzidas e transformadas no operar dessa rede, formam parte da rede, de modo que – com suas interações… a) geram a rede de produção/transformação que as produziu e transformou; b) dão origem à fronteiras, e extensão da rede como parte do seu próprio operar como rede, de modo a que esta fica dinamicamente fechada… sobre si mesma – em um ‘ente molecular’ discreto… que surge separado do meio molecular que o contém; c) configuram um ‘fluxo de moléculas’… que, ao se incorporar na dinâmica da rede…são componentes dela; e ao deixar de participar dessa… ‘dinâmica de rede’… – passam a fazer parte do meio” (MATURANA e VARELA).

Em um sistema autopoiético seus componentes se manifestam de modo processual. É um “sistema fechado”, porque existe uma circularidade necessária e suficiente de suas partes, para que toda e qualquer operacionalização, com vistas à manutenção do próprio sistema, se realize. Seu limite, ou bordas…diferenciam-se do meio ambiente em que está acoplado. É autopoiético porque produz e reproduz a si próprio de forma semântica, isto é…mesmo sendo um sistema ‘operacionalmente fechado’ – responde às transformações do meio em que se acopla, a partir de seus próprios componentes, a fim de permanecer como sistema.

Em oposição à concepção de “sistemas abertos” anteriormente dominante nas abordagens sistêmicas, para Maturana    e Varela, os sistemas autopoiéticos são sistemas auto-referenciados. A palavra autopoiese quer dizer ‘produção por si’,    e expressa, a busca por um termo mais adequado, que os até então circulantes, como ‘auto-organização’ ou “feedback”.

De acordo com essa abordagem… os “sistemas vivos” buscam manter sua identidade subordinando todas suas mudanças, através do envolvimento          em ‘padrões circulares’ de interação, onde a mudança…num elemento do sistema… está acoplada a mudanças    em ‘outro lugar’ – estabelecendo-se,  assim… “padrões contínuosde interaçãoauto-referenciados“.

A definição de…”auto-organização“…parte da ideia de que novas estruturas podem emergir da própria dinâmica de seus elementos… em certos domínios e circunstâncias.      A auto-referência se deve ao fato de um sistema não poder realizar interações que não sejam especificadas nos padrões que definem sua organização. Nesse caso, a interação      de um sistema com seu ambiente é um ‘reflexo’…que parte de sua própria organização,    facilitando sua ‘reprodução‘. Assim, o encontro de um sistema vivo com seu ambiente,        e outros seres vivos…define um “acoplamento estrutural”…orientado pela ‘linguagem’.

Com efeito, a linguagem ocupa um papel central nas formulações de Maturana e Varela. Segundo eles o encontro de um sistema vivo com seu ambiente e com outros seres vivos      é um ‘acoplamento estrutural’, reconhecido pelo observador por certos fatos (condutas). No entanto, a partir do determinismo, a conduta é uma descrição do observador, sendo portanto uma criação do cérebro. Desse modo os autores defendem que a comunicação humana só ocorre por ‘acoplamento estrutural’…recorrente no desenvolvimento do ser, mantendo-se a individualidade dos participantes… “cada pessoa diz o que diz, e ouve o que ouve – conforme sua própria…determinação estrutural”… – Ou seja, o cérebro cria imagens da realidade – como expressões, ou descrições…de sua própria organização; e assim…interage com essas imagens – modificando-as, com base na…”experiência real”. 

teoriageraldesistemas1. Teoria geral de sistemas 

A ‘teoria geral de sistemas’ foi concebida a partir das formulações do biólogo…L. Von Bertalanffy, que… em 1940 – afirmava ser necessário – considerar os problemas que envolvem seres humanos como ‘típicos de sistemas’, para isso…levando em conta os contornos, as componentes – assim como as relações que existem, entre suas partes.

Desse modo, lançava o desafio da construção de uma disciplina que tivesse como objetivos principais, investigar “isomorfismos” de conceitos, leis e modelos em campos diferentes; e ajudar nas transferências úteis entre esses campos – promovendo a ‘unidade das ciências’.  Nesse sentido…os princípios da “teoria geral de sistemas” reproduzem ideias previamente desenvolvidas para entender “sistemas biológicos”, incluindo em seu fim…os conceitos de:

homeostase – auto-regulação para manter um estado estável; sendo obtida através de processos que relacionam e controlam a “operação sistêmica” através do mecanismo da retroalimentação (desvios de algum padrão ou norma desencadeiam ações de correção);

entropia/entropia negativa – sistemas fechados tenderiam ao desaparecimento pela entropia; sistemas abertos buscam a auto-sustentação, importando energia do ambiente para atingir condições de estabilidade; 

estrutura, função, diferenciação e integração – estando os sistemas intrinsecamente inter-relacionados… — permitem sua “auto-sustentação“;

variedade – relacionada com a ideia de diferenciação e integração…afirma que mecanismos regulatórios internos precisam ser tão ‘diversificados‘… – quanto a diversidade do ambiente com o qual se relacionam;

equidade– num sistema aberto podem existir muitos modos diferentes de chegar a um dado estado final; assim, a estrutura do sistema num dado momento não é mais que um aspecto ou manifestação de um processo funcional mais complexo (ela não determina o processo);

evolução do sistema – capacidade que depende da habilidade de mover-se para formas mais complexas de diferenciação e integração, e maior variedade…facilitando a habilidade de lidar com desafios e oportunidades colocadas pelo ‘meio‘ (envolve processos cíclicos de variação, seleção e retenção de características selecionadas). 

A concepção de ‘sistema aberto’…desenvolvida por Von Bertalanffy a partir do estudo de sistemas vivos, resolve o problema do pensamento sistêmico em sua relação com a 2ª lei termodinâmica (tendência à entropia, inerente a todo sistema fechado, ao estabelecer as trocas de matéria e energia com o meio… – como forma de manter o “estado de ordem”).  Outro aspecto dessa abordagem, envolve a concepção do sistema contendo o todo dentro do todo…sistemas contêm subsistemas – que, por sua vez, podem ser sistemas abertos e, portanto… – interagirem entre si…com o sistema ao qual pertencem…e, com o ambiente. 

complexidade autopoiese2. Autopoiese

Aqui ocorre uma inovação com relação à concepção de ‘sistema aberto’…antes dominante… nas ‘abordagens sistêmicas’. – Para Maturana e Varela, os sistemas autopoiéticos (auto = por si só;  poiesis = produção) – são auto-referenciados, isto é, ‘fechados’.

A palavra autopoiese quer dizer produção por si, e expressa a busca, desses autores, por um termo que fosse mais adequado que os até então circulantes, tais como feedback, ou ‘auto-organização’…e que não incluíssem a interpretativa ‘dimensão semântica‘. Em tal abordagem…os sistemas vivos buscam manter a identidade pela subordinação de todas mudanças ao envolvimento com padrões contínuos de interação — onde cada elemento    do sistema é acoplado a mudanças externas – cuja ‘auto-referência’… se deve ao fato de um sistema só poder interagir – por relações específicas de seu ‘padrão organizacional’.

Assim, a interação de um sistema com seu ambiente é um reflexo                que parte de sua própria organização – facilitando com isso sua          própria reprodução, já que o ambiente é uma parte de si mesmo.

Desde que foi formulada na década de 1960, a teoria da autopoiese se disseminou de modo extraordinário, sendo utilizada como referência para abordar temas tão diversos…que para tanto…tem sido descrita como um sistema explicativo completo… – mais um ‘paradigma do que uma ‘teoria unificada’. – Na aplicação dessa abordagem a ‘sistemas sociais‘…por exemplo … limitando o potencial organizador do sistema … este passa a ser definido como:

“uma unidade que se realiza por intermédio de uma ‘organização fechada’ de processos produtivos, de modo a que sua organização seja gerada pela ação de seus próprios componentes… decorrendo daí… – a emergência de uma fronteira topológica como resultado de seus processos constituintes”.

niklas-luhmannNa aplicação da abordagem da autopoiese a “sistemas sociais”… se dá ênfase à novas condições…que limitando sua mobilidade, poderiam criar um ‘potencial organizador genético’ do sistema…de modo a produzir idênticos processos — pela ação… de seus próprios componentes. — Uma influência marcante da…abordagem autopoiética, nessa tentativa de romper com a tradição do modelo de “sistema aberto”…é encontrada na obra do pensador Niklas Luhmann, que defende uma diferenciação do sistema autopoeiético…em relação ao seu próprio entorno,  levando em consideração processos auto-referenciados, em um ‘fechamento operacional’: 

“O sistema social (‘auto-referencial’), permite contingência, abertura e interpenetração, a partir do reconhecimento da autonomia do sujeito, na postulação de sua autoconsciência.  Para Luhmann o importante é mostrar o modo como o sistema social segue respondendo diante de um entorno de suma complexidade. Seu objetivo é atingir um sistema apessoal, dentro de um paradigma da… ‘consciência’ – conforme a uma “instrumentação racional”.  Já os organismos vivos, manejando o sistema orgânico por autopoiese de um modo mais completo que sistemas mecânicos … podem assim diminuir com êxito sua complexidade    no entorno. – Tal procedimento consiste, na auto-produção de uma específica estratégia referencial de…’auto-regulagem‘…onde cada subsistema se constrói autopoieticamente”.

Aplicando a ‘teoria de Luhmann’ à análise do subsistema econômico, onde necessidades    da vida e do sujeito permanecem restritas a mero “entorno” (fora de uma consideração sistêmica) verificamos um “código binário“, sobre o qual ele se organiza…pagar e não pagar (ter dinheiro ou não ter dinheiro)… programa que ‘auto-regula‘ as “expectativas econômicas” em geral. Este subsistema auto-referente…intercomunica-se pelo dinheiro. Essa é a “mediação universal” de comunicação … no “subsistema fechado” da economia.  Como existe escassez de mercadorias e dinheiro, surgem 2 mecanismos dependentes…o ‘mercado‘ e a ‘competição‘. O mercado, em seus diversos níveis, se auto-regula pelos preços. A competição no mercado não é um fato discursivo ou autoconsciente, mas, por    tentar evitar qualquer interação pessoal direta…se torna um “mecanismo autopoiético”.

Uma empresa se auto-organiza no mercadotanto de uma forma ordenada, quanto aleatória, pois não há certeza absoluta sobre hipóteses e possibilidades de se vender  produtos e serviçosmesmo tendo possibilidades, probabilidades e plausibilidades.          O mercado é uma mistura de ordem e desordem. – A ordem é repetição, constância, invariância, uma relação altamente provável, enquadrada sob uma lei. Desordem            é…o irregular, aleatório, imprevisível desvio da estrutura dada. As organizações          necessitam de ordem e desordem…pois em um universo onde os sistemas tendem a desintegrar-se pela crescente desordem esta pode ser uma ordem reaproveitada.

Pode-se dizer basicamente, que quanto mais uma organização é complexa…mais tolera a desordem. Isso lhe dá vitalidade, porque os indivíduos estão sempre aptos a tomar iniciativas com a finalidade de regular este ou aquele problema, sem precisar, necessariamente…ter que passar pela “hierarquia central”…Esta é uma maneira mais inteligente de responder a certos desafios do mundo exterior.

O problema histórico global é como integrar nas empresas, as liberdades e desordens que podem trazer a adaptatividade e inventividade, mas que podem também trazer a decomposição…e morte. 

A evolução do trabalho ilustra o curso da unidimensionalidade à multidimensionalidade.  Estamos apenas no início desse processo. A vontade de impor – dentro de uma empresa, uma ordem inexorável… é ineficiente… – É preciso deixar uma parte da iniciativa a cada escalão, a cada indivíduo… Entretanto, um excesso de complexidade…é desestruturante. No limite, uma organização que só tivesse liberdade, e muito pouca ordem…desintegrar-    se-ia… – a menos que houvesse como complemento dessa liberdade, uma solidariedade profunda entre seus membros…A solidariedade vivida é a única que permite o aumento    da complexidade. No final das contas, as redes informais, as resistências colaboradoras,      as autonomias…e as desordens…são ingredientes necessários à vitalidade das empresas.

3. Cibernética                                                                                                                                A regulação e controle de “sistemas abertos” é o tema fundamental da “cibernética”.

Dessa aproximação entre os campos da física e biologia — com o incremento da noção de ‘retroalimentação negativa’, segue-se o surgimento da ‘cibernética’…de onde – a partir da teoria dos “autômatos auto-reprodutores”, e de uma tentativa “metacibernética”…emerge o problema da ‘autorganização’. Quando cientistas como Von Neuman, Winograd, Cowan e Ashby buscavam princípios construtores de autômatos…cuja confiabilidade fosse maior que a de seus componentes, isso trouxe uma série de compromissos entre ‘determinismo’    e ‘indeterminismo’…como se uma certa quantidade de indeterminação fosse necessária a partir de certo nível de complexidade para o sistema se adaptar a um dado nível de ruído.

edgar morinSegundo Edgar Morin, a ideia da auto-organização opera uma grande mudança no estatuto ontológico do objeto – que vai além da ‘ontologia cibernética’. Mesmo com todas as dificuldades para avanços da cibernética nessa direção… dadas pelas limitações teóricas e tecnológicas da época — Morin também registra a importância de suas posições de partida:

 Schrödinger destaca, desde 1945, o paradoxo da organização viva,                                          a qual não parece obedecer ao “segundo princípio termodinâmico”;

 Von Neumann inscreve o paradoxo na diferença entre a máquina viva (auto-organizadora) e a máquina artefato (‘simplesmente organizada’) – mostrando                  que existe um elo entre desorganização e organização complexa… o fenômeno                    da desorganização (entropia) prossegue seu curso no “ser vivo“…de um modo              inseparável do fenômeno de sua própria reorganização … (“neguentropia“).

Ainda segundo Morin, a ideia da “auto-organização” opera grande mudança no sentido ontológico do objeto, que vai além da “ontologia cibernética”. Como ele próprio explica:  “Ao mesmo tempo em que o sistema auto-organizador se destaca do meioe se distingue dele, pela sua autonomia e individualidade – liga-se tanto mais a ele, pelo crescimento da abertura, e da troca que acompanham qualquer processo de complexidade. – Enquanto o sistema fechado tem pouca individualidade, sem trocas com o ambiente externo…o outro sistema tem sua autonomia ligada a relações de dependência com o meio…menos isolado, porém carente de matéria, energia, informação e organização. – O meio…em seu interior, desempenha papel ‘co-organizador’…Um tal sistema, portanto, não poderia bastar-se a si próprio – só podendo ser ‘totalmente lógico’ … introduzindo-se em um meio catalisador”.  

Os princípios-chave da cibernética para que o sistema possa operar de modo inteligente estão relacionados a uma teoria de comunicação e aprendizagem. Os sistemas precisam ser capazes de perceber, monitorar e decompor aspectos significativos do seu ambiente; relacionando essas informações às normas operantes, que guiam o comportamento dos sistemas; para quando encontrar desvios significativos, iniciar as correções necessárias.  Entretanto, as habilidades de aprendizagem assim definidas são limitadas – de modo a que o sistema apenas mantenha o ‘curso de ação’ – determinado por normas operantes,    ou padrões que as guiam…Tais limitações levaram ao desenvolvimento de um processo    de…”auto-aprendizagem“…onde sistemas cibernéticos complexos – como o cérebro humano…ou computadores avançados – são capazes de detetar e/ou corrigir erros nas normas operantes – e assim, influenciar os padrões que guiam suas ‘operações lógicas’.

Alguns tipos de estabilidade negam certos tipos de mudança. – O que se esquece é que      pelo menos uma categoria de estabilidade depende da mudança e é consequência dela. Precisamente esse tipo de estabilidade – para a cibernética… tem interesse primordial.    Um sistema aberto, seja social ou biológico…num ambiente variável…ou se adapta, ou perece. – Nesse caso, dos sistemas abertos que se adaptam a um ambiente instável, os processos de aprendizagem e inovação constituem seu único caminho à sobrevivência.

complexidade4. Teoria do Caos

A “teoria do caos“, por sua vez, é um desenvolvimento específico, no estudo dos ‘sistemas dinâmicos’, que se segue às revoluções teóricas da ‘relatividade’, e ‘mecânica quântica’… – Insere-se no campo da física de partículas, de onde procedem teorias sobre a “origem” do universo, e de forças fundamentais da natureza. Faz parte de uma ciência da natureza global de sistemas…gerando argumentos a um tipo de…”pretensão unificadora”, presente na “teoria da complexidade”… – Se desenvolveu sobretudo na década de 1970 … sob a honra da “Universidade de Santa Fé”.

Os estudos de Santa Fé incluem a “teoria do caos“…aos estudos dos “sistemas adaptativos complexos” formados por unidades simples, interligadas entre si…onde o comportamento de uma, influencia a outra. Desse modo, a complexidade do todoà medida que o sistema evolui, vai decorrer do entrelaçamento de “influências mútuas. Dentre suas propriedades estão a não-linearidade, os fluxos intermitentes, a diversidade…e, estruturas hierárquicas; e sua aplicação pode abranger, entre muitos outros temas: análise de trânsito nas cidades, aspectos econômicos, e problemas ecológicos…Por se manter numa situação entre ordem e desordem, tal sistema só pode ser analisado com a ajuda de simulações computacionais, dentro de uma ‘complexidade‘, a qual Ilya Prigogine formulou os seguintes parâmetros:

 nos limites do ‘caos’… níveis identificados de energia importada (o que Schröedinger chamava de “neguentropia“) fazem com que estruturas dissipativas emerjam de agregamentos estocásticos, em micro-estados;

 estruturas dissipativas, enquanto existirem, mostram comportamentos previsíveis… ainda que não compatíveis – com a explicação newtoniana;

 as explicações científicas mais aplicáveis à região em que ocorrem esses fenômenos diferem essencialmente do tipo de complexidade que a ciência newtoniana, o ‘caos determinístico’…e a ‘mecânica estatística’ enfrentam.

“Colocamos a possibilidade…e a necessidade de uma unidade da ciência. Todavia…uma      tal unidade é impossível e incompreensível no quadro atual, onde miríades de dados se acumulam em alvéolos disciplinares cada vez mais estreitos e fechados.” (Edgar Morin)

5. Teoria dos sistemas dinâmicos                                                                                      Em organizações, a presença, e a produção de desordem                                                            (degradação…degenerescência) são inerentes ao sistema.                                                  

gestaoambiental

Um ecossistema pode ser definido como uma aplicação da teoria geral dos sistemas à ecologia, relacionando os indivíduos com atributos (matéria, energia e informação).

O ponto de partida da ‘teoria sistêmica’, está na premissa de que…a natureza da realidade é um conjunto de fenômenos externos ao comportamento individual.  Desse modo, ações humanas e relações sociais, sendo consideradas ‘fatos’… do mundo objetivo, devem ser concebidas como ‘fenômenos reais’ (“coisa-em-si”) de um arcabouço…bem maior – o qual influenciam… — e … são influenciadas.    Mesmo considerando que…toda teoria sistêmica apresente muitas diferenças entre si … partem do mesmo princípio, assim resumido, nos seguintes termos:

a) admite-se a existência de um todo a ser analisado; b) esse todo está composto de unidades que se configuram distintamente entre si; c) as unidades…contudo, estão agregadas a outras…sendo mutuamente interdependentes; d) tal interdependência,            se encontra intrinsecamente regulada – por meio de uma…”estrutura morfológica”. 

A consideração dessas 4 abordagens sistêmicas permite que se perceba a relação entre      as mesmas, como sendo evolutiva. – A transposição entre campos de conhecimento se efetiva pelo uso de metáforas, emoções…e memórias – seguindo presente o esforço de simplificar (modelando) para apreender a complexidade do real…Assim, é pela forma,    em que se relacionam os componentes do sistema; ou seja, pela ‘estrutura’ do sistema,    que se explica determinado ‘objeto de estudo’. São teorias…portanto, que pressupõem  certa “codificação” do sistema — onde a tarefa principal do pesquisador … é decifrá-la.  Sistemas com muitos componentes… se comparados aos que têm poucos – podem ser considerados complexos. A cardinalidade de um conjunto pode então ser considerada, medida de complexidade. – Sistemas caracterizados por grande ‘interdependência’ de componentes são considerados, geralmente, mais complexos do que os com pouca ou nenhuma. – Sistemas não-demonstráveis, ou não-calculáveis formalmente podem ser considerados complexos, se comparados àqueles deterministas… A complexidade dos sistemas pode ser medida pelo conteúdo da informação. Por esse critério, os sistemas      com muitos componentes idênticos são menos complexos que os de mesmo tamanho,    com componentes variados. — Seguindo esse critério…mas, numa abordagem de viés humanista, Morin defende o caráter complexo das relações: todo/parte, uno/diverso:

O todo é maior que a soma das partes…princípio bem definido, e intuitivamente bem reconhecido, visto que em seu nível surgem não só uma macro-unidade, mas também emergências, que são qualidades/propriedades novas. Contudo, o todo é menor que a soma das partes (pois…sob efeito das coações resultantes da organização do todo, tais partes perdem algumas de suas qualidades/propriedades). – Ademais, o todo é maior        do que o todo…porque o todo, enquanto todo, retroage sobre as partes; que por outro      lado, retroagem sobre o todo. – Consequentemente, o todo é mais que uma ‘realidade global’… – para todos os efeitos… – representa um…dinamismo organizacional.”

autopoietic-system

Representação 3D de uma célula viva durante o processo de mitose – exemplo de um sistema autopoiético.

Nesse sentido, a explicação deve procurar entender o processo recorrente, cujos produtos, ou efeitos finais, geraram seu próprio recomeço. Isso nos traz de volta um conceito de ‘caráter paradigmático’ central nas formulações de Morin… o de ‘organização’ criando ordem (seu próprio determinismo sistêmico) mas, também desordem: “Se por um lado o determinismo sistêmico pode ser flexível – comportar suas…zonas de aleatoriedade…de jogo…e liberdades por outro lado – o ‘trabalho organizador’ requer energia – que traz desordem… aumentando a entropia do sistema”.

A organização é também, e simultaneamente, transformação e formação. A transformação é vista como o modo pelo qual as partes de um todo perdem qualidades e adquirem outras novas. A transformação da diversidade desordenada em diversidade organizada…significa transformação da desordem em ordem…Pode-se dizer que a relação ordem/organização é circular quando a organização produz ordem, que por sua vez, mantém a organização que a produziu, transformando sua improbabilidade global em probabilidade local, mantendo a originalidade do sistema – em resistência contra todas ‘desordens’ (internas e externas).

O “paradigma da organização“…portanto – comporta nesse plano… igualmente uma          reforma do pensamento… Doravante, a explicação já não precisa expulsar a desordem        de dentro da organização, mas sim dessa relação sempre conceber uma complexidade.

metáforas da complexidade”                                                                                              “A teoria da complexidade se apresenta como um movimento transdisciplinar, que tenta restabelecer a ‘unidade’ no estudo da natureza, e dos seres humanos…que, com a divisão compartimentada advinda do ‘cartesianismo’ se teria perdido. Suas origens, se reportam às abordagens da teoria de sistemas, autopoiese, cibernética, caos e sistemas dinâmicos”.

torre-de-babel

Metáfora é uma ferramenta linguística  muito utilizada, como ferramenta para expressar ‘mensagens’ … no sentido de deixar subtendido, algo difícil de dizer, com uma simples ‘comunicação direta’.

Assim como a teoria dos sistemas abertos, a “teoria da complexidade se baseia num conjunto demetáforas…que reportam à um tipo de…”ordem holística emergente”, capaz de se tornar, gradualmente…’senso comum’. Adotar tal perspectivaleva a uma reflexão sobre seu significado … e as implicações em tomá-las como ‘verdades’.

De acordo com Nigel Thrift, a “teoria da complexidade”…é uma tentativa de substituir um conjunto de metáforas por outro. – Como consequência, seus elementos-chave movem-se para outras disciplinas… parecendo estar produzindo reconfigurações nas mesmas. Nesse caso o problema é que, ao chegar a outros campos, apropriam-se simplisticamente desses elementos, tornando-os; não mais metáforas, mas modelos…ignorando a contingência da verdade metafórica, e as dificuldades epistemológicas decorrentes do contexto próprio de cada campo do saber. Assim, essa abordagem “útil e promissora” corre o risco de regredir na constatação da “singularidade” dos fenômenos e forças que determinam sua dinâmica.

Dentre esses aspectos…o mais comum e questionável… é a transposição de conceitos das ciências naturais, para a vida em sociedade…eliminando-se, nessa perspectiva, a possibilidade de se analisar como…intencionalidades, julgamentos morais e razão substantiva interferem na construção do real.

Por que razão deveríamos crer que as leis que regem os ‘sistemas naturais’ servem para os sistemas sociais?… Admitir que essa transposição de conceitos é possível e adequada, não implica ver os sistemas sociais como casos específicos de sistemas naturais?…Não implica admitir um status de “naturalidade“, a qualquer tipo de organização social?…Não implica dissimular a história, destituir o livre arbítrio, a vontade, a intencionalidade e a razão que habita o espírito humano (e não células… átomos… planetas… ou qualquer outra entidade componente de sistemas naturais)?… Também preocupado com a capacidade que a teoria da complexidade teria para abordar meandros da realidade social, Peter Stewart propõe a tese de uma realidade social por demais complexa para ser explicada por esta nova teoria.

O ‘sistema social’ permite abertura, inter-relação, e acaso…mas nunca a irrupção do      outro como … “sujeito autônomo” … pois se encontra sempre respondendo a um ‘entorno‘ de “pura complexidade”… Seu horizonte continua sendo visto a partir de          uma razão instrumental, mormente impessoal, sujeita ao paradigma da consciência.

paradigma da “complexidade”                                                                                                O pesquisador Mario Tarride afirma que, ao se considerar a “complexidade”… uma propriedade avaliável dos sistemas, pode-se estabelecer modelos…quantificando-a. Todavia, tal proceder desprezaria a fundo o nível de entendimento destes sistemas.

A contestação parte da influência da…”modelagem matemática”, presente na teoria da complexidade, sabendo-se que os contextos sociais tem históricas físicas, ambientais e humanas particulares, onde em cada um deles, é produzido um conjunto de condições diferentes; além daquelas condições criadas pelas pessoas nas suas tentativas de atuar reflexivamente sobre todos aspectos. Quando a abordagem da complexidade atua nos debates sobre o social – se alia a uma variedade de abordagens sociológicas…místicas, culturais, filosóficas e políticas. – E assim…interesses nesses campos têm conduzido à incorporação desses aspectos como ferramentas a serviço de suas próprias estratégias.  Modelos de um fenômeno complexo são construídos mentalmente, e experimentados        por representações físicas; obedecendo a um determinado…’critério básico’…de que a “modelagem analíticaé objetiva, e a “modelagem sistêmica… é projetiva.

Michael Dillon analisa a ‘teoria da complexidade’ a partir da dúvida sobre que forma de vida essa teoria permite que se construa. Na busca por respostas, ele a relaciona ao pós-estruturalismo. Em ambas as teorias se encontra uma anterioridade da ‘relacionalidade radical’, ou seja, nada existe sem estar relacionado a algo…e tudo existe, no seu próprio modo de existir…em termos, e em razão de relações. – Todavia…essa ‘anterioridade do relacional está para os pós-estruturalistas relacionada a uma radicalidade imprevisível.

Segundo Dillon, a ‘teoria da complexidade’ tem uma preocupação estratégica com sua  “contínua capacidade de intervir na orquestração do jogo – objetivação/subjetivação”.        E isso fica evidente…na defesa feita por Morin, de que essa teoria corresponderia… “à possibilidade, e necessidade, de uma unidade estrutural da ciência. (texto base) ********************************************************************************

O Acoplamento Estrutural da Aprendizagem Humana                                                “Há aprendizagem, quando a conduta de um organismo varia durante                                  sua história…de maneira congruente com as variações do meio, e o faz                              seguindo um curso contingente a suas interações nele”. (H. Maturana)

maturana1Segundo Humberto Maturana, há 2 perspectivas básicas para lidar com o fenômeno da aprendizagem, se quisermos explicá-lo: a) Segundo uma perspectiva – o observador vê que o meio está lá…do lado de fora…como o mundo em que o organismo tem que existir e atuar… e, que lhe proporciona a informação, os dados…e, os significados de que necessita…para conseguir uma representação desse mesmo mundo – e assim calcular o comportamento adequado, que lhe permitirá nele sobreviver.

b) Pela outra perspectiva, o observador vê que a estrutura de um “organismo” determina a cada instante seu comportamento (inclusive de seu sistema nervoso)…e que “ele” só vai se adequar ao meio – se esta sua estrutura for congruente à estrutura e dinâmica desse meio.

De acordo com o 1º modelo… a aprendizagem é o processo pelo qual o organismo obtém informação do meio, e constrói dele uma representação, que armazena em sua memória,    a utilizando para construir seu ‘comportamento’ – em resposta às perturbações que dele provêm. A partir deste ponto de vista, a ‘recordação‘ consiste em encontrar na memória,    a melhor representação para as respostas adequadas…às interações recorrentes do meio.   

Nesta perspectiva, o meio é “instrutivo”…pois especifica no “organismo” mudanças de estado, que congruentes com ele, serão sua representação.

Já no 2º modelo – a aprendizagem é o próprio curso da mudança estrutural do organismo (incluindo seu sistema nervoso) em congruência com mudanças estruturais do meio, como resultado da recíproca seleção estrutural que se produz entre eles durante a recorrência de suas interações, com a conservação de suas respectivas identidades. – De acordo com esta visão… – o organismo não constrói uma representação do meio… nem calcula para ele um comportamento mais adequado. Desta perspectiva… para o organismo em seu operar, não há meio, não há recordação nem memória, mas apenas uma ‘dança estrutural’ no presente que … ou segue um curso congruente com a dança estrutural do meio… – ou se desintegra.

O “comportamento orgânico” permanece adequado…apenas se o organismo conserva sua adaptação durante as interações (perturbações do meio), vistas por ele, como recorrentes; desse modo, o que um observador vê como… ‘recordação’ – consiste em comportamentos, considerados por ele como adequados. Segundo esta visão não há “interações instrutivas”. O meio apenas seleciona as mudanças estruturais do “organismo”…mas não as especifica. 

Na medida em que o organismo (incluindo sistema nervoso) é um sistema determinado estruturalmente – a 1ª perspectiva (‘informacionista’)…que requer interações instrutivas, pois exige que o meio especifique no organismo (…e sistema nervoso…) as mudanças que lhe permitem criar uma representação dele…deve ser abandonada. Assim, Maturana vê a perspectiva ‘informacionista constitutivamente inadequada, considerando os seres vivos como…”sistemas determinados estruturalmente”. – Por esse motivo, a outra perspectiva (‘interativista’), como não requer interações instrutivas…sendo compatível a um sistema orgânico e nervoso, como sistemas determinados estruturalmente…será por ele adotada.

construção-social-da-pessoaÉ comum se pensar que o aprendizado envolve uma certa intencionalidade … um certo propósito. – Isso porque…em geral… se pensa que o que é central em todo comportamento são suas consequências…Mas, isto é um erro. — O propósito nos comportamentos, não pertence a eles mesmos, mas à descrição, ou ao comentário do observador. – Tal descrição serve na conversação, mas engana no… ‘domínio conceitual’.

“A aprendizagem não tem propósito” … é consequência da ‘mudança estrutural’ dos seres vivos sob condições de sobrevivência … com conservação da organização e estrutura. Não há representação do meio, não há ação sobre o meio, não há memória – nem passado, ou futuro…somente o presente. Porém, porque há aprendizagem, há linguagem e descrições nas quais o passado e o futuro surgem… e podemos equivocar-nos sobre a aprendizagem.

A aprendizagem (social) humana                                                                                  Apenas a transcrição acima é suficiente para mostrar que ninguém se aproximou tanto de uma ‘visão interativista’ não informacionista (ou não cognitivista) do que Maturana. Mas, veremos a seguir, que apesar de tal visão ser fundamental a uma “teoria da aprendizagem dos seres vivos”…ela não pode dar respostas a uma aprendizagem “tipicamente humana”.

Mesmo com o conceito ampliado de biologia de Maturana, não se pode derivar da biologia, ou melhor, do modo como a biologia explica como seres vivos aprendem, todo o arcabouço explicativo para a aprendizagem humana (e, deve-se dizer que…nem Humberto Maturana, nem seu aluno e depois parceiro Francisco Varela pretenderam isso). A investigação sobre como o sistema nervoso ‘apreende informações’… pode lançar muita luz sobre o fenômeno da aprendizagem dos “seres vivos”…em termos gerais, mas não é suficiente para explicar a aprendizagem humana… – fundamentalmente ‘social’… – e não especificamente biológica.

Por certo Maturana não queria derivar o social do biológico, ou captar fenômenos gerais que explicassem tanto o comportamento dos…”seres vivos” (organismos e ecossistemas) quanto de “seres sociais” (pessoas ou sociedades). – A seu favor podemos dizer que suas ideias não podem ser acusadas de deslizes epistemológicos. – Entretanto, mesmo assim, também não podem revelar características comuns ao que é vivo ou social, a menos que:    a) se baseassem numa investigação da ‘fenomenologia da interação’ em seres vivos e em seres sociais (pessoas ou redes humanas); b) levassem em conta outro tipo de fenômeno que só acontecesse em redes sociais. Todavia nenhum desses 2 requisitos foi atendido.

A autopoiese, conceito central de Maturana e Varela, não pode ser útil … a não ser como inspiração à formulação de uma teoria da aprendizagem humana. Varela afirmou que: “uma extensão da autopoiese em níveis ‘superiores’ não é frutífera e deve ser deixada de lado”. – Mas um ano antes admitia ser frutífero…“vincular a autopoiese com uma opção epistemológica além da vida celular, ao lidar o sistema nervoso, baseado à comunicação humana”. – O que pode se dar em…”organismos multicelulares”…mas não a nível social.

A autopoiese caracteriza a ‘vida’ – mas não abrange a sociedade – a não ser em um sentido metafórico ou metonímico. A rigor o conceito original que Maturana chama de ‘autopoiese de primeira ordem’, não pode ser aplicado nem mesmo a um “organismo multicelular”, do tipo animal, quanto mais à uma sociedade. – A sociedade não é uma coleção de seres vivos (no caso…da espécie “homo sapiens”)…O que vale para cada indivíduo desta nossa espécie, não vale necessariamente para o que ocorre entre homo sapiens – quando eles se tornam pessoas…Os “homo sapiens” só se tornam pessoas quando acontece algo entre eles…Neste caso, talvez precisássemos de um…’novo conceito’ – como o de…”alterpoiese“. (texto base*******************************(texto complementar)*********************************

homem_computador

A evolução da espécie, e o sedentarismo  Nosso maior perigo enfrentado hoje em dia…é a “Violência Urbana” — nesse caso…é costume dizer que para fugir dela: ‘NÃO Saia de CASA!’.

Segundo Darwin… e sua ‘teoria da evolução’ – características favoráveis de sobrevivência ao meio… que são “genéticas“… tornam-se mais comuns em gerações sucessivas de uma população que se reproduz – enquanto que…por outro lado…’características desfavoráveis’ tornam-se incomuns. – Pois bem… hoje o homem encontra-se extremamente adaptado ao meio…suas características físicas, ou seja, seu “fenótipo” é bem evoluído para acompanhar, e dar subsídios às suas necessidades básicas, e assim à sua sobrevivência. – Porém, para o pesquisador Steve Jones, graças ao nosso ‘estilo de vida…’a evolução já acabou‘…isto é, conseguimos sobreviver e reproduzir… sem depender das ‘características herdadas’ – para enfrentar o frio, a fome…e doenças. – “Nos dias de hoje…é o mundo se adapta ao homem!”

Especificamente falando sobre atividade física – o homem caçava, plantava e colhia para adquirir seu alimento. Para fugir do perigo, o homem usava tanto seu raciocínio (o que o diferia dos demais animais), quanto seu corpo adaptado para correr/fugir …  Além disso, sua sobrevivência foi intimamente associada à sua capacidade de comunicação — e, pelo desejo de entender e influenciar o ambiente… – Porém, o que temos hoje?… Um homem que não se esforça para o seu alimento (só vai ao supermercado – ou internet – comprar sua comida), e para o seu preparo, aperta um botão on/off do microondas. Devidamente alimentado…o homem não foge do perigo (…não há mais predadores no nosso convívio).

Além disso, com o avanço da tecnologia (vide…e-mails, celulares, blogs, twitter), sua capacidade comunicativa aumentou profundamente… – Para sobrevivermos nos dias de hoje … o que – então… seria  necessário?… – Trabalhar… – estudar…  atualizar-se – Todavia, o resultado de todo esse ‘avanço tecnológico‘, somado ao tempo gasto no computador … entre pesquisas…e teses — levaram o homem moderno ao sedentarismo; de tal modo, que a sua sobrevivência (“HOJE”) pode estar a ‘ele’ diretamente correlacionada. 

No entanto…paradoxalmente…ao tornar-se sedentário, o homem torna-se                          exposto a doenças que o podem levar a morte. Por outro lado, se levarmos                            em conta a expectativa de vida crescente…podemos então concluir – que o                            homem continua em seu “ciclo evolutivo” – adaptando-se para sobreviver.

E, afinal de contas…ainda existem adaptações genéticas, as quais favorecem um melhor funcionamento de nossos sistemas…cardiovasculares, músculo-esqueléticos, digestivos, respiratórios. Sobretudo, por influência do meio (estilo de vida) essas alterações podem ser via epigenética – tornando o indivíduo cada vez mais adaptado para a sobrevivência, seja por manter-se física ou mentalmente saudável. Assim, se o homem adaptou o meio para seu maior conforto… – para viver e sobreviver… usando sua inteligência – agora é necessário que desconstrua esse paradigma… Usando sua sabedoria, adapte-se ao meio.    O corpo precisa de movimento!… – Sua saúde física e mental agradecem… (‘texto base’) *********************************************************************************

Adoecemos a Terra… e a Terra nos adoece                                                              Nós…que consoante a nova cosmologia formamos uma grande unidade…                        uma verdadeira entidade única com a Terra, participamos de sua doença”.

terra queimada (foto Antonio Lopes)

terra queimada (foto Antonio Lopes)

De uma ou de outra forma, todos nos sentimos doentes … física, psíquica e espiritualmente. — Há muita tristeza, sofrimento, desamparo … e decepção afetando boa parte da humanidade…      da recessão econômica … passamos à ‘depressão psicológica’. Sua principal causa se origina da intrínseca relação entre o “ser humano” e a “Terra viva”.

Dessa relação entre ambos prevalece  um envolvimento recíproco. – Nossa presença na Terra é agressiva, movemos uma guerra total à Gaia, atacando-a em todas as frentes. A consequência direta é uma Terra doente… – sua febre (aquecimento global) é o sintoma de sua incapacidade em continuar a nos oferecer… – tudo o que dela precisamos. 

A partir de 2 de setembro de 2017 ocorreu a Sobrecarga da Terra…vale dizer…as reservas da Terra chegaram ao fundo do poço. Entramos no vermelho. Para mantermos o consumo dos países ricos, devemos arrancar à força os bens e serviços naturais das demandas Até quando a Terra aguenta? – A consequência inevitável, será menos água, menos nutrientes, menos safras, itens indispensáveis à vida. Pela agressão aos ecossistemase, consumismo desenfreado…pela falta de cuidado com a vida, e sua biodiversidade adoecemos com ela.  Isaac Asimov, famoso por seus livros de ficção científica, escreveu um artigo no ‘New York Times’…9 de outubro de 1982…  por ocasião da celebração dos 25 anos do lançamento do Sputinik, inaugurando a era espacial‘, sobre os frutos herdados deste quarto de século.

O primeiro legado – disse ele, é a percepção de que, na perspectiva das naves espaciais,      a Terra e a humanidade formam uma única, indivisível entidade – vale dizer, um único        “ser complexo”…diverso…contraditório… – dotado de grande dinamismo… – pelo qual        o célebre cientista James Lovelock…autor da… “Hipótese de Gaia“… – fez a seguinte consideração… aquela porção da Terra… que sente… pensa… ama… e cuida.    O segundo legado, consoante Asimov, é a irrupção da ‘consciência planetária’… Terra e Humanidade possuem um destino comum… – O que se passa num…acontece no outro. Adoece a Terraadoece juntamente o ser humanoe, vice-versa. Estamos unidos pelo bem e pelo mal…E assim portanto, sempre que cuidamos melhor de tudo, recuperando        a vitalidade dos ecossistemas… cultivando alimentos orgânicos… – despoluindo o ar, preservando águas e florestas…é sinal que estamos revitalizando nossa…’Casa Comum’.

Segundo o nobre cientista Ilya Prigogine, prêmio Nobel em química (1977), a ‘Terra viva’ desenvolveu estruturas dissipativas, isto é, estruturas que dissipam a entropia (perda de energia). Elas metabolizam a desordem e caos (dejetos) do meio ambiente…de sorte que continuamente surgem novas ordens e estruturas complexas que… se auto-organizando, fogem da entropia, e produzem sintropia: acumulação de energia (“Order out of Chaos”)

livroAssim, por exemplo…os fótons do sol são para ele, energia inútil…que escapa ao queimar hidrogênio, do qual vive. Porémesses fótons, que são rejeito (‘desordem’)… – servem de alimento para a Terra, principalmente às plantas, durante a fotossíntese. Por ela, sob a luz solar… as plantas decompõem o dióxido de carbono…(seu alimento)… e liberam o oxigênio…tão necessário à vida humana e animal.  O que é desordem para um…serve de ordem para outro É através de um equilíbrio precário entre ordem e desordem… que a vida se mantém… — A desordem…obriga a criar novas formas de ordem, mais complexas… – e… com menor dissipação de energia… – A partir dessa “lógica“… – o universo    se encaminha, para formas de vida cada vez mais complexas, e assim…a uma “redução da entropia”.

Nessa perspectiva, temos pela frente…não uma “morte térmica“, mas a ‘transfiguração’ do “processo cosmogênico”…se revelando em ordens super-organizadas, criativas e vitais.  Quanto mais nossas relações para com a natureza forem amigáveis e cooperativas, mais a Terra se vitaliza… – E, uma Terra saudável… nos faz saudáveis também… (Leonardo Boff)

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
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Uma resposta para A organização evolutiva dos “sistemas autopoiéticos”

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