Fragmentos de Ciência & Filosofia (em busca de Harmonia)

“A ciência como cultura para o benefício da humanidade, implica certamente, na melhor disseminação da ‘informação científica’ para o público em geral, mas também, por outro lado, na maior compreensão dos problemas do nosso tempo pela comunidade científica.”

filosofia-da-ciência.jpgA demarcação das ciências naturais em relação à filosofia foi um processo longo e gradual no pensamento ocidental. – Inicialmente… a investigação da natureza das coisas consistia numa mistura entre o que hoje seria visto como filosofia (considerações gerais, das mais vastas sobre a natureza do Ser…e nosso acesso cognitivo a ele), e o que hoje seria próprio das ciências particulares (com ‘fatos observáveis’, e hipóteses gerais para explicá-los).

Se olharmos os “fragmentos” que nos restam das obras dos filósofos pré-socráticos, encontraremos, não só tentativas engenhosas para aplicar a razão a várias questões metafísicas e epistemológicas…como também as primeiras teorias físicas – simples,      mas extraordinariamente imaginativas, sobre a ‘natureza da matéria‘…e os seus diversos aspectos mutáveisNa filosofia grega clássica, já podemos encontrar uma separação entre as 2 disciplinas. Nas suas “obras metafísicas”, Aristóteles faz o que        hoje seria feito por filósofos mas em seus trabalhos sobre astronomia…biologia e      física, podem-se achar “métodos investigativos”…hoje comuns na prática científica.

À medida que “ciências particulares”…como física, química e biologia foram aumentando em número, canalizando cada vez mais recursos, novas metodologias individualizadas se desenvolveram para descrever/explicar ‘aspectos fundamentais’ do mundo onde vivemos. Dado o sucesso dessas investigações específicasmuito se pergunta se ainda restará algo para os filósofos fazerem…Para alguns deles, não obstanteainda podem existir áreas de investigação…radicalmente diferentes das que pertencem às ciências particulares…como, por exemplo – a “vida após a morte” – “Universos Paralelos”; ou qualquer outra coisa do gênero… – Já outros filósofos, buscam uma prática mais próxima das “ciências naturais”.

Segundo uma perspectiva mais antiga…que foi perdendo popularidade ao longo dos anos, existe uma forma de conhecer o mundo que, em seus fundamentos, não precisa depender da investigação observacional ou experimental própria do método específico das ciências. Tal visão foi em parte influenciada pela existência pura da “lógica” e “matemática”, cujas ditas “verdades” não parecem depender de qualquer base observacional ou experimental.  Com efeito, desde Platão e Aristóteles…a Leibniz e os racionalistas; passando por Kant, e idealistasaté aos contemporâneos, tem persistido a esperança de que…suficientemente inteligentes e perspicazes … obteríamos um ‘corpo de proposições’ descritivas do mundo, carregadas da mesma certezacom que dizemos saber verdades da lógica e matemática.

Benefícios da filosofia no mundo atual

Atualmente acredita-se que o ‘papel da filosofia’ não é só o de funcionar como ‘fundamento’…ou ‘extensão‘ das ciências…mas sim propriamente, como sua observadora crítica. A ideia é…que as disciplinas científicas particulares ao usarem métodos próprios fazem com que as relações entre seus vários conceitos implícitas no seu uso científico, não sejam explícitas para nós. O papel da “filosofia da ciência” seria assim, o de “por a limpo” essas relações conceituais.

Como as ciências particulares usam métodos específicos … para fazer generalizações … a partir dos dados da observação – em direção a hipóteses e teorias, a “função da filosofia”, segundo esta perspectiva é o de descrever os métodos científicos, explorando as bases de sua apropriação, para encontrar a ‘verdade’…circunscrita dentro dessa mesma disciplina.    Mas será que assim podemos diferenciar de uma maneira simples e direta, a ‘filosofia da ciência’…de sua ciência específica?… – Muitos especialistas sugerem, que não, posto que nas ciências específicas, teorias por vezes não são adaptadas apenas por sua consistência com dados da observação, mas também com base na ‘simplicidade‘, força explicativa, ou outras considerações que pareçam contribuir para sua…plausibilidade intrínseca… Ao constatarmos isto, perdemos a confiança na possibilidade de existirem dois domínios de proposições antagônicas – aquelas apoiadas em dados empíricos, e as apoiadas na razão.

Muitos dos filósofos contemporâneos – tais como…Willard Quinedefenderiam que as ciências naturais, a matemática…e até a lógica pura, formam um contínuo unificado de crenças sobre o mundo… Todas, indiretamente apoiadas em dados observacionais, mas contendo também elementos de ‘apoio racional’. Sendo isto verdade, não será a própria filosofia, um lugar das verdades da razão…parte de um todo unificado?…Ou seja, não será também a filosofia, apenas uma componente do corpo das ciências especializadas?

metodo cientificoMetodologia científica
Quando procuramos a descrição e… a justificação apropriada dos métodos da ciência… parece que esperamos…por seus resultados. Como compreendermos o poder desses métodos para nos guiar à verdade… se não estivermos em condições de comprovar o valor, que lhes é atribuído?… E…como poderíamos fazer isso, sem usar    nosso…”conhecimento” sobre o mundo – revelado pela ciência?

Como poderíamos…por exemplo…justificar a confiança da ciência na                                  observação sensorial… se nossa compreensão do processo perceptivo                                (baseada na física, neurologia e psicologia) não nos assegurasse que                                      a percepção … tal como é usada quando se testam teorias científicas,                                    se trata de um bom “guia da verdade”…sobre a natureza do mundo?

É ao discutir as teorias mais gerais e fundamentais da física que a imprecisão da fronteira entre ciências naturais e filosofia…torna-se mais manifesta. Dado que elas têm a ambição ousada de descrever o mundo natural em seus aspectos mais gerais e fundamentais… não surpreende que os tipos de raciocínio usados … ao desenvolver estas teorias tão abstratas, pareçam mais próximos dos…”raciocínios filosóficos“…que dos métodos empregados, quando se conduzem “investigações científicas” de âmbito mais limitado e particular.

Ao explorarmos os conceitos e métodos usados pela física, quando esta lida com suas questões fundamentais mais básicas … vemos repetidamente que pode estar longe de    ser definido se estamos explorando questões de “ciência natural” ou de “filosofia”. Na verdade, nesta área da investigação sobre a “natureza do mundo”…a distinção entre      as duas disciplinas … torna-se bastante obscura.  (Lawrence Sklar, texto base, 1992)  ********************************************************************************

teoria do conhecimentoO que é teoria do conhecimento?    “A ciência retrata a vitória dos métodos da…’observação‘… — sobre os métodos da pura especulação”.  (Anísio Teixeira)

A “reflexão”…sobre a natureza do nosso conhecimento dá origem a uma série de desconcertantes ‘problemas filosóficos‘, tema da…”teoria do conhecimento”…ou ‘epistemologia‘. A maior parte desses problemas foi debatida pelos ‘gregos antigos’, e ainda hoje é escassa a concordância sobre a forma como devem ser resolvidos…ou, em último caso, abandonados. – Descrevendo os temas que se seguem, podemos tentar entender – de modo geral, a natureza do problema; como, por exemplo… – Qual a distinção entre…”conhecimento”…e a “crença na verdade”? 

A nossa prova para algumas coisas – ao que parece, consiste no fato de termos provas para outras coisas. Mas deveremos dizer de tudo aquilo para o qual temos prova, que esta prova consiste no fato de termos prova de outra coisa?… Se formularmos socraticamente – nossa justificativa para qualquer afirmação (A) de conhecimento será relativa a um fato (B)…e se formos rigorosos em nossa investigação, chegaremos numa espécie de fim da linha – onde  minha justificativa para pensar que algo acontecerá… – é, simplesmente, esse próprio fato.

As coisas que correntemente dizemos conhecer, não são portanto, ‘diretamente evidentes’. Mas ao justificarmos a afirmação de que conhecemos qualquer dessas coisas podemos ser levados de novo,                da forma descrita, à várias coisas que são diretamente evidentes.

Deveríamos assim, dizer que o conjunto daquilo que conhecemos, a qualquer momento dado…é uma espécie de “estrutura”…que se fundamenta no que é diretamente evidente nesse momento?… – Se dissermos isso deveremos estar então preparados para explicar      de que modo esse fundamento serve de apoio à estruturaMas essa questão é difícil de responder…visto que o apoio dado pelo fundamento, não seria dedutivo…nem indutivo.    Noutras palavras, não é o gênero de apoio que as premissas de um argumento dedutivo      ou indutivo dão à sua conclusão… pois se tomarmos como premissa, o conjunto do que        é diretamente evidente em dado momento, não podemos formular um bom argumento dedutivo…ou indutivo – onde qualquer das coisas que normalmente dizemos conhecer, apareçam como conclusão. Portanto, talvez seja o caso de…além das regras de dedução      e indução – existirem inclusas também determinadas…regras de evidência….básicas.

O ‘lógico dedutivo’ tenta formular o 1º tipo de regras; o ‘indutivo’,                    o 2º tipo; e a “epistemologia”…procura harmonizar essas regras.

vidaCritérios de ‘verdade’e ‘extensão’  O que é que sabemos?…Qual a extensão do nosso conhecimento?…Como decidir no caso particularse sabemos ou não? Quais são os critérios de conhecimento?    O problema do “critério” resulta do fato, de que…se não tivermos resposta para o limite de nosso domínio…não teremos a nosso dispor um ‘procedimento’ digno e razoável, para encontrar uma “verdade“.   

A rigor…tal problema poderia ser formulado por outros caminhos,                como… por exemplo – o “conhecimento metafísico” (se houver)                de “coisas externas”… (“transcendentes“)… aos nossos domínios.

O nosso conhecimento (se houver) do que por vezes denominamos…“verdades da razão”; aquelas verdades da lógica e da matemática…dota-nos com um exemplo particularmente instrutivo do ‘problema de critério’. Alguns filósofos pensam que uma satisfatória “teoria do conhecimento”…deve se adequar ao fato de que…algumas das verdades da razão…tal como tradicionalmente concebidas…não fazem parte da realidade conhecida… — Outros, ainda procuram simplificar o problema, afirmando que as chamadas “verdades da razão” só pertencem à forma como pessoas pensam…ou, modo como empregam sua linguagem. 

Outros problemas da ‘teoria do conhecimento’, poderiam designar-se apropriadamente por “metafísicos”. Abrangem certas questões sobre o modo como as coisas nos parecem. Tais aparências… quando as observamos, parecem subjetivas, na medida em que… para sua existência e natureza… dependem do ‘estado do cérebro’… – Este simples fato levou  alguns filósofos a estabelecerem algumas ‘conclusões extremas’…Alguns afirmaram que      as aparências das coisas externas, devem ser…”duplicações internas“…produzidas pelo cérebro. Outros…que as coisas externas devem ser distintas do que costumamos aceitar. Nesse caso – por exemplo… “a lua poderia não existir, quando não se olha para ela”… E, ainda há outros … para quem as coisas físicas devem, de algum modo, ser compostas de aparências (surrealismo); além dos que também dissessem que… as aparências devem      ser compostas de “coisas físicas” (como o “éter“)Tal problema, levou alguns filósofos        a, inclusive…questionarem a existência real das “coisas físicas” (“solipsistas”)…e outros, mais recentemente (“positivistas) a indagarem sobre a…“utilidade das aparências”.

O “problema da verdade” poderá parecer um dos mais simples da teoria do conhecimento. Se dissermos a respeito de um homem que…“Ele acredita que Sócrates é mortal”, e depois informarmos que…“A sua crença é verdadeira”…Estamos então afirmando que:  “Sócrates é mortal”… Mas, o que aconteceria se afirmássemos a respeito de um homem que…“O que ele está dizendo é verdade”…quando o que ele está afirmando agora, é algo falso – seja lá o que for. Nesse caso, estamos construindo uma proposição que é ‘verdadeira’…ou ‘falsa’?

Aspectos do conhecimento científico

a) Verdade

Aquilo que surge em dado momento, não é a totalidade original – do “objeto investigado”.  O problema da verdade reside na finitude do homem – de um lado… e, na complexidade e ocultamento…do ser da realidade – de outro. O ser das coisas e objetos, que o homem traz dentro de si – se manifesta de várias formas.

O homem pode apoderar-se, e conhecer apenas os aspectos do objeto que se manifestam, que se impõem, que se desvelam…e isto ainda de modo imperfeito, pois ele não entra em contato direto com o objeto, mas com sua impressão representativa. A realidade total de um objeto não pode ser captada por um investigador humano – quiçá, nem todos juntos alcançarão um dia desvendar todo mistério do objeto investigado… Por isso, não há uma “verdade absoluta”…o que, porém…não invalida o ‘esforço humano‘ na busca incansável de decifrar enigmas do universo. O desvelamento do ‘ser das coisas‘ supõe a capacidade      de receber mensagens…e isto implica bons sentidos, bons instrumentos e muita atenção.    O método, e muita observação, são a alma da pesquisa científica rumo ao conhecimento.

O que é…a verdade?… – É o encontro do homem com o desvelamento…a                          manifestação do ser (objeto). Ocorre que, levado por aparências… e sem                        auxílio de instrumentos adequados, o homem emite “juízos precipitados”                              que não correspondem aos fatos da realidade – donde advém… o “erro”.

b) Evidência

A verdade só resulta quando houver “evidência” — que é a manifestação transparente do objeto, em seu ‘desvelamento. A respeito daquilo do ser, que se manifesta, pode-se dizer uma verdade…Mas, como nem tudo se desvela de um ente, não se pode falar sobre o que não se desvelou. A evidência, o desvelamento, a manifestação do Ser…é pois, o critério da verdade. — Por outro lado, afirmações humanas “erradas” … decorrem muito mais de atitudes arbitrárias e precipitadas e da ignorância do homem … em relação à natureza  do ser (que…fragmentariamente…se oculta…e se desvela)… – do que da realidade em si.

c) Certeza

A certeza é um estado de espírito que consiste na adesão firme a uma verdade sem temor de engano – e…que se fundamenta numa evidência – ou seja… – no desvelamento do ser.  Relacionando o trinômio…’verdade’/’evidência’/’certeza’, poder-se-ia então concluir que: havendo…”evidência“…(se o objeto se desvelar ou se manifestar com suficiente clareza) pode-se afirmar… – com “certeza“…(‘sem temor de engano‘)…uma certa “verdade“.

socratesQuando não houver evidência, ou suficiente manifestação do objeto,        o sujeito encontrar-se-á em outra situação; o que deve transparecer também na forma de expressar o objeto…ou na linguagem falada e          escrita…São os casos da ‘dúvida‘,          da ‘ignorância‘ — e… ‘opinião‘.

A dúvida é um estado de espírito onde se verifica o equilíbrio entre a afirmação e a negação. É “espontânea“, quando o equilíbrio entre a afirmação e a negação resulta          da falta do exame entre prós e contras. A dúvida “refletida” é o estado de equilíbrio,        que permanece após o exame dos prós e contras… A dúvida “metódica” consiste na suspensão fictícia ou real…mas sempre provisória…do consentimento à validade de      uma afirmação, tida até então por certa, para lhe controlar o valor. – A “universal“,          enfim…consiste em considerar toda afirmação como incerta (“Só sei que nada sei”).

Ignorância é um estado de espírito puramente negativo, que consiste na ausência de qualquer conhecimento relativo a um determinado objeto. Pode ser classificada como: “vencível“… quando pode ser superada; “invencível“… quando não pode ser superada,        e “culpável“…quando há a obrigação implícita – de desaparecer com todas evidências.

Já a opinião se caracteriza pelo estado de espírito que, ao afirmar…teme enganar-se,        de tal forma, que as razões em contrário…não lhe garantem uma certeza…O seu valor depende da maior ou menor probabilidade das razões que fundamentam a afirmação.

Intuiçãoe conhecimento científico                                                                                    O cosmos é uma auto-organização…da qual somos parte imanente. (Nelson Job)

A preocupação do cientista é chegar a verdades que possam ser afirmadas…e chegar ao conhecimento dessas verdades. Tal conhecimento se dá de 2 formas: na ‘intuição’, e no conhecimento discursivo. A ‘intuição é um modo de conhecimento imediato…onde o pensamento presente no espírito humano é atingido sem intermediários. – Pode então      ser conceituada como sendo uma…”revelação súbita“…Na metodologia científica, a intuição pode ser considerada como ponto de partida do conhecimento, da descoberta,        da possibilidade de…”invenção“, trazendo consigo os grandes saltos do saber humano.

O conhecimento discursivo é aquele que se dá de forma mediata…ou seja, aquele que se dá por meio de conceitos…Este tipo de conhecimento opera por etapas do pensamento, por encadeamento de ideias, juízos e raciocínios lógicos que levam a uma dada conclusão.

(texto base, 1977) Roderick Chisholm # (Na construção do conhecimento científico, 2007)  ************************************************************************************

heart-nebulae

“Heart Nebulae” (concepção artística)

Um buraco no coração da física  

Temos aqui 2 bons exemplos, para mostrar como físicos e filósofos estão combinando seus recursosO 1º, é o “problema do tempo congelado”, que  aparece ao se tentar transformar a “teoria da relatividade”de Einstein, numa ‘teoria quântica’ utilizando o processo da…quantização canônica

A técnica se dá no ‘eletromagnetismo’, mas quanto à ‘relatividade’…produz a equação… Wheeler-DeWitt sem a variável de tempo … indicando, que o tempo do Universo está…”congelado”.

Pode ser que esse resultado venha de uma falha no próprio processo, mas alguns físicos e filósofos acham que ele tem raízes mais profundas, indo até um dos princípios básicos da relatividade – a ‘covariância geralonde as leis físicas são iguais a todos observadores.

Substantivismo x Relacionismo

No fim da década de 80, os filósofos John Earman e John Norton, da Universidade de Pittsburgh, EUA, chamaram a atenção para o fato da covariância geral ter implicações numa antiga questão metafísica – o espaço e o tempo existem de forma independente     das galáxias, estrelas e seus conteúdos…(posição conhecida como ‘substantivismo‘),      ou são ‘instrumentos artificiais’… criados para descrever relações entre objetos físicos (‘relacionismo)?…Eles revisitaram um antigo exercício de pensamento de Einstein,    por muito tempo negligenciado…Imaginemos um trecho vazio do espaço-tempo. Fora desse local, a distribuição da matéria…pelas equações relativísticas…mantém fixa sua geometria. Dentro porém a ‘covariância geral‘ permite que o espaço-tempo assuma qualquer uma de suas diversas formas, funcionando assim como uma ‘barraca de lona’.

Os esteios da barraca – que representam a matéria… fazem com que ela assuma certa forma. Mas, se deixarmos de montar um grampo…criando o equivalente a um buraco        no tecido, parte da barraca vai arriar, criar barriga ou ser agitada pelo vento de forma imprevisível. – E, com efeito, este exemplo apresenta um dilema: Se o continuum for          algo real…por seu próprio direito…como sustentam “substantivistas”a ‘relatividade geral’ é determinística…com a descrição do mundo não contendo elementos do acaso. 

Todavia…para uma “teoria determinística”, o espaço-tempo,                            conforme as noções… “relacionistas” — seria… “pura ficção”.

À primeira vista parece uma vitória do…’relacionismo’. – Ademais, outras teorias, como o ‘eletromagnetismo’ são baseadas em ‘simetrias‘…que lembram o “relacionismo“. Mas, que também levanta dúvidas como a questão do ‘tempo congelado‘…O universo, com o tempo…pode assumir diversas aparências…mas, sendo todas formas iguais, nunca ocorre uma “mudança real“… – Soluções diversas a este dilema…levam a diferentes teorias para a ‘gravidade quântica‘. De fato, para alguns físicos…como Carlo Rovelli e Julian Barbour o tempo é…’fictício. Enquanto para outros…como Lee Smolin, o tempo é ‘substancial‘.  

La Flecha del Tiempo - Vladimir Kush

“La Flecha del Tiempo” – Vladimir kush

A ‘flecha’ assimétrica do tempo

Um 2º exemplo de contribuições dos filósofos… – diz respeito àflecha do tempo(assimetria entre passado e futuro). Alguns acham que a flecha é explicada pela 2ª lei termodinâmica, segundo a qual, a ‘entropia’…como a quantidade de ‘desordem‘ dentro de      um sistemaaumenta com o tempo.  Mas, não se pode confiar apenas nisso…A explicação mais aceita, formulada pelo físico Ludwig Boltzmann no século XIX, é “probabilística”. A ideia básica é que existem mais modos para um sistema estar em desordem. – Se este estiver razoavelmente ordenado num certo momento – provavelmente estará mais desordenado no momento seguinte.

Este raciocínio, no entanto, é simétrico no tempo. Provavelmente o sistema                    também estava mais desordenado… no momento anterior… – Dessa forma,                  Boltzmann reconheceu que o único jeito de garantir o aumento da entropia                            no futuro…seria então – começar com um valor bem pequeno…no passado.

Porém, a 2ª lei não é uma verdade fundamental…tão forte quanto ‘fatos históricos’. O filósofo Huw Price (‘Sydney University’), por exemplo, afirma que, praticamente toda tentativa de explicar a assimetria temporal é prejudicada pelo ‘raciocínio em círculos’.  Trata-se na verdade, de um bom exemplo do valor da filosofia…na física. Quando um físico pensa, por exemplo, que o problema do tempo na ‘gravidade quântica canônica’        é só um problema quântico…ele está limitando sua compreensão do problema…que é        bem mais geral. Muitas vezes físicos se deram melhor quando ignoraram os filósofos;        mas, na eterna batalha pela razão, as vezes só dispomos da ‘consciência’. (‘texto base’******************************************************************************

Metodologia evolutiva científica                                                                                        Como forma de “consciência social”…interagindo constantemente com todos                        os outros meios de expressão…a filosofia é constituída pela “fundamentação            teórica” e…”interpretativa”…de todos “acontecimentos”…e “fatos materiais”.

A relação entre filosofia e ciência é mutuamente caracterizada por uma interação…cada vez mais profunda, entre seus próprios “campos de ação”.

A pedra de toque do valor da filosofia como uma visão metodológica de mundo“, é o grau em que      ela está interligada com a vidaEsta interligação, direta e indiretase dá pelos sistemas de cultura:        da ciência…arte, moral, religião, direito e política.

A filosofia pode se desenvolver, a si mesma, sem o apoio da ciência?…Pode existir ciência sem filosofia? Algumas pessoas pensam que as ciências podem se desvincular da filosofia, que o cientista deve evitar… filosofar – no sentido muitas vezes entendido… de uma vaga teorização infundada. E se ao termo filosofia é dado uma má interpretação, então alguém poderia concordar com o aviso… “Física…cuidado com a metafísica!…” Mas, tal aviso não se aplica à filosofia, no sentido mais elevado do termo. As ciências específicas não podem, e não devem quebrar suas… ‘estreitas e primitivas ligações’… com a “verdadeira filosofia”.

Ciência e filosofia sempre aprenderam…uma com a outra. A filosofia, incansavelmente, suga novas forças das descobertas científicas, enquanto que para as ciências, a filosofia transmite uma visão de mundo, a ‘golpes metodológicos’ de seus ‘princípios universais’. Muitas ideias gerais orientadoras… – na base da…ciência moderna – foram primeiro enunciadas pela força perceptiva do pensamento filosófico. – Um desses exemplos é a ideia da “estrutura atômica” manifestada por Demócrito. Certas conjecturas sobre a seleção natural foram feitas por Lucrécio, e bem mais tarde, por Diderot (1713-1784); antecipando o que 2 séculos mais tarde…se tornaria fato científico. – Podemos também lembrar a teoria do ato reflexo, de Descartes, e a sua proposição sobre aconservação    do movimento no universo. A ideia de “moléculas” – como “partículas complexas”, que consistem de átomos, foi empregada nas obras de Pierre Gassendi, e de M. Lomonosov.

Além de influenciar o desenvolvimento de ‘campos específicos do conhecimento’…a filosofia se enriqueceu substancialmente do ‘progresso científico’…Toda grande descoberta é, ao mesmo tempo, um passo a frente no desenvolvimento filosófico da        visão metodológica de mundo…’Afirmações filosóficas’ baseiam-se em conjuntos de        fatos cientificamente estudados … gerando um sistema de proposições … princípios, conceitos e leis – que desse modo, melhor podem resumir as ‘conquistas científicas’.          Por outro lado, ao traçarmos toda história da ciência natural e social…não podemos    deixar de notar – que…na construção de suas hipóteses e teorias – os cientistas têm constantemente aplicado, às vezes inconscientemente; visões de mundo, princípios, categorias, e sistemas lógicos … absorvidos de processos, e metodologias filosóficas.      

Há quem pense que a ciência chegou a um tal… “nível de sofisticação”… que já não precisa de filosofia…Mas, todo cientista — especialmente teórico…sabe em seu coração, que sua ‘atividade criativa está intimamente ligada à ‘prática filosófica’…por sua forma abrangente, capaz de analisar criticamente todos princípios e sistemas conhecidos pela ciência, descobrindo suas contradições internas, e as superando em novos conceitos. O pensamento científico em seu âmago é filosófico…bem como o verdadeiro pensamento filosófico é profundamente científico…de tal modo que…enraizada em suas realizações,      a formação filosófica dá ao cientista maior penetração, em sua mais ampla tentativa de levantamento – e resolução…dos seus problemas. (texto baseCaio Mariani (abr/2013)  *******************************************************************************  

einsteinTeorias científicas & Processo filosófico

O que se entende por teoria científica é que seja algo, até prova em contrário, provado‘. Teorias científicas podem ser tomadas como…”verdade”. Mas, teorias estruturadas abstrativamente; sem necessidade de experimentos e observação… tal como a…Navalha de Ockham…são anteriores à própria teorização científica… se tratando de “teorias filosóficas”… — fundamentais à ciência.

Nesse sentido, o significado científico de teoria, difere do significado filosófico…havendo inclusive inúmeros pensamentos, também considerados teoria – independente de serem validados cientificamente, ou não (exemplo… a “teoria do valor-trabalho”…em economia política, concorrendo sua validade com outras pseudo-teorias como a do valor marginal).  Um outro exemplo de ‘teoria filosófica’…portanto não-científica…é a longa disputa entre “realismo x idealismo”, que é totalmente teórica, metafísica e abstrata. – Não se trata de algo que se possa provar cientificamente, pois a articulação para sustentar uma ou outra posição é filosófica. – Mesmo assim, o que for definido dessa discussão; por exemplo, se átomos existem realmente, ou se são apenas ‘constructos teóricos’…criados para melhor entendermos um fenômeno estranho…irá impactar a fundo na própria prática científica.

Teoria científica e teoria filosófica parecem evidentemente divergir… levando em conta que, como comumente entendido no campo científico…para ser uma teoria, deveria ter    um experimento, ou teste comprovados – o que não se aplica a muitas ideias…também consideradas teóricas, no relativo…”senso-comum“…do ‘campo filosófico’. (texto base*******************************************************************************

Simplificando simetrias (na natureza) (jul/2019)                                                                Quando definimos c igual a infinito nas transformações de Poincaré, para alternar entre pontos de vista, os termos que misturam espaço e tempo vão para zero, e retornamos às transformações de GalileuO ‘grupo de Poincaré’ se reduz ao ‘grupo de Galileu’ – como    um “limite degenerado“…assim chamado porque o infinito não é bem-vindo na física.

Para entender como … simetrias subjacentes à nossa descrição da natureza…se simplificaram, mesmo que as equações e os conceitos tenham se tornado mais espinhosos, imagine que você é o cronometrista de uma corrida ‘100 metros’. Na física newtoniana a distância entre linhas de partida e chegada e o tempo para percorrer essa distância — não dependem do seu “ponto de vista” Um relógio, em qualquer lugar, irá marcar o mesmo tempo, segundo as equações. Há 10 simetrias de espaço, e tempo absolutos: rotação a qualquer das 3 direções espaciais (x, y e z); movimento nas direções … e troca para novas posições em x, y, z…e tempo…Estas são conhecidas como “transformações de Galileu”.

Mas essas não são as verdadeiras simetrias da naturezaEm vez disso, como Einstein descobriu, o espaço e o tempo estão inextricavelmente ligados. Se você se move muito rápido no espaço, o tempo necessariamente corre mais lento — uma consequência, ele percebeu, do fato de que nada viaja mais rápido que a velocidade da luz (pelo espaço e tempo unidos). Este limite finito de velocidade força o movimento através do espaço a conter o movimento através do tempo, de modo que as distâncias e durações medidas, dependem do estado de movimento do medidor. Correr ao lado de um velocista…na verdade, retarda seu relógio em relação ao cronômetro de alguém na arquibancada. E, como o geômetra Hermann Minkowski, ex-professor de Einstein, mostrou em 1908, o “intervalo de espaço-tempo” entre 2 eventos – as medidas combinadas de cada pessoa      do comprimento da pista, e tempo do velocista – é sempre igual, a todo ponto de vista.

O “espaço-tempo” pode parecer mais “deformável”, do que os rígidos e independentes        espaço e tempo absolutos, mas em termos de simetrias, é mais simples. Considerando      que as “transformações galileanas” agem independentemente, no espaço ou no tempo,        os 10 modos de mudar de perspectiva no espaço-tempo, chamados transformações de Poincaré’…formam um grupo de simetria mais simples, pois não podem ser divididos      em tantas partes independentes. Para quebrar o grupo de simetrias de Poincarénas partes separadas do grupo de Galileubasta supor que a velocidade da luz (denotada      c)…seja infinita…o que então, significaria não haver limite de velocidade no Universo.

Minkowski sugeriu o avanço das simetrias do espaço-tempo, em 1908 o matemático        Henri Poincaré, 2 anos antes, também identificou tais simetrias como mais unificadas; ambos, no entanto…não avaliaram seu significado. — Como Freeman Dyson observou, muitas décadas mais tarde: Minkowski falhou ao não dar uma conclusão lógica a seu próprio argumento... Se assim procedesse, talvez essa simplificação das simetrias do Universo já tivesse então se evidenciado – isso porque, as simetrias de Poincaré ainda assumem…“infinitude”, ao especificar as formas de conversão ao espaço-tempo plano,        o qual…uniformemente – se estende…para sempre…ao infinito…em todas as direções.

Quando o raio do universo é finito – isto é, quando o tecido do espaço-tempo se parece com a superfície de uma enorme esfera – em vez de uma folha infinita de papel as 10 simetrias de Poincaré são substituídas por um novo grupo de 10 transformações…mais conhecidas como grupo de Sitter. As simetrias esférica e plana se transformam uma na outra…da mesma forma que rotações numa esfera parecem translações, nas direções x        e y, no plano, quando a esfera é grande o suficiente Mas, tal como a velocidade finita    da luz simplifica as coisaso ‘raio finito’ faz o grupo de Sitter mais simples e unificado.

O matemático e físico holandês Willem De Sitter elaborou a solução finita e esférica do “Universo De Sitter” para as equações de Einstein em 1917… Neste modelo, o tecido do espaço-tempo é impregnado com energiao que não apenas o faz se curvar como uma esfera, mas também se expandir com o tempo… E, de fato… como as observações de Hubble de galáxias em recesso mostraram em 1929, o Universo está se expandindo – e      o espaço-tempo é, com efeito, impregnado com energia…a “energia escura” descoberta pelos astrônomos em 1998. — Assim, vivemos em um Universo De Sitter, descrito pelo grupo de simetrias De Sitter?… A estranha dedução é que … eventualmente, viveremos.

No momento atual, as simetrias perfeitas de De Sitter do espaço-tempo são quebradas por tudo aquilo que torna um lugar diferente do outro… “Você e eu quebramos a invariância rotacional”, disse Nima Arkani-Hamed, físico do “Instituto de Estudos Avançados” de Princeton, onde Dyson é professor.

Partículas, planetas, pessoas e todas as outras coisas que “quebram a simetria”, derivam      de diferenças surgidas do Big Bang. À medida que o universo passou a existir, o “tremor” quântico no tecido do espaço-tempo cresceu de flutuações microscópicas que evoluíram, para galáxias, vazios…e outras estruturas vistas hoje. – Se as simetrias do espaço-tempo não tivessem se quebrado espontaneamente no início, o Universo agora…seria um vazio desinteressante – e ninguém estaria por perto para ver. – Tais quebras de simetria são necessárias à existência. Mas, à medida que a expansão do Universo se acelera, devido à energia escura, todas as suas variações atuais serão suavizadas como rugas na superfície de um balão inflando. “O universo se torna maior e mais diluído com o passar do tempo, levando-nos cada vez mais perto do estado de vácuo”explicou Arkani-Hamed. “Pontos      de vista diversos, com o tempo, eventualmente, se tornarão indistinguíveis como vácuo.”

Arkani-Hamed descreve o grupo de simetria de De Sitter como um “estado atrator”…ao      qual a estrutura do espaço-tempo tende naturalmente…Mas a razão por que o Universo aceita as 10 simetrias De Sitter no ‘futuro infinito’ enquanto sutilmente as quebra nesse ínterim é “uma questão em aberto”, disse ele. Hamed observou que, historicamente, os físicos tiveram que ir fundo, para achar aproximações de eventuais simetrias ocultas na natureza. “Mas o fato delas estarem lá é decerto uma misteriosa evidência.” (texto base) ******************************(texto complementar)******************************

“Teleologia”                                  Teleología é a resposta de um sistema, que não está ‘determinado’ por causas anteriores – mas… causas posteriores, que podem ser atribuídas a um futuro não imediato…no tempo…e no espaço.

A ideia de teleologia aponta para uma finalidade. Ao constituir-se como uma teoria do sentido nas Ciências Sociais, concede ‘finalidade‘ à “ação humana”, atribuindo-lhe assim um fundamento.

A finalidade da semente é converter-se em árvore… – um destino                    que está determinado por sua forma, ou essência… a qual aspira,                  e se encontra… em potência… fatalmente atribuído ao seu futuro.

Este entendimento do sentido da “ação histórica”, prolonga a tradição filosófica ocidental, que se organiza em torno da procura da verdade. Neste paradigma, razão e verdade fazem um caminho comum. A razão…”instância soberana de decisão”…é una; a verdade, por sua vez…é única e eterna… – Em larga medida… a retórica da vida intelectual contemporânea, mantém como evidente que a “finalidade” da pesquisa científica…cujo objeto é o Homem, consiste em compreender…”estruturas subjacentes”, “invariantes culturais”, ou “modelos biologicamente determinados”. De algum modo as ciências sociais e humanas confirmam a determinação do ser como ‘presença’, e a ideia de ‘objetividade científica’ é apenas mais um daqueles nomes que ao longo da História designaram a invariância de uma “presença plena” (de um fundamento)… essência…existência…substância…sujeito… transcendência, consciência, Deus, Homem. Assim…é a ideia de fundamento, como presença plena, e um lugar natural e fixo, que permite a projeção de um sentido teleológico – cuja origem seria arqueologicamente revelável…e cujo fim pode ser antecipado de uma formaescatológica‘.

nietzsche-frase

A “suspeição” metafísica

Foi Nietzsche, no entanto, quem, no século XIX, antes que, qualquer outro ousasse pensar… – se atirou contra o “paradigma teleológico”…no seu esforço em emancipar o nosso ‘modo de pensar’ daquilo que chamamos… “metafísica“. Esta, para Nietzsche, seria um “princípio dominante”  de Platão a Schopenhauer, pelo qual pensaré, para nós, descobrir o ‘fundamento’ que nos permita falar conforme o ‘verdadeiro’, e agir segundo o “bem” e “justo”. Todavia, de acordo com Nietzsche, nada há “de acordo com”, uma vez que não existe um “princípio originário” – como o seria a Ideia de “Bem” … em Platão, ou o “princípio da razão suficiente”, em Leibniz. Segundo o ‘filósofo da suspeita‘,   todo discurso, mesmo o da Ciência ou Filosofia, é apenas uma ‘perspetiva histórica.

A verdade inscreve-se pois, numa história da verdade. E, com efeito, a “historicidade” do conhecimento fratura a tradicional afinidade entre razão e verdade. – Segundo Gadamer, por exemplo…tomar em consideração a historicidade significa introduzir no pensamento um tema autocrítico que contesta a velha pretensão metafísica de atingir a verdade…Não que Gadamer abandone, de forma alguma, o problema da verdade. O que a historicidade vem simplesmente sublinhar é um vínculo indelével entre conhecimento e crença, teoria    e prática, compreensão e atuação, interpretação e preconceito. Isto é, a condição mesma, do nosso próprio…”ser histórico”…tanto no sentido do lado inacabado da nossa reflexão, como na impossibilidade da pretensão de um inverossímil recomeço…radical e absoluto.

O “princípio da historicidade do ser”                                                                        “Nossa imensa ignorância…perante a imensidão da vida e do universo;                              diante da impenetrabilidade das razões… de nosso nascimento e morte;                                perante nosso inexorável isolamento, nessa escura vastidão de espaços                                  infinitos (que nos assusta), impõe a humildade como forma de estar no                                mundo; sem a qual não há conhecimento possível”. (Otto M Carpeaux)

discursoO princípio da historicidade do ser exige uma existência essencialmente  “experimental“, onde a verdade está em se alcançar os limites da finitude humana. – A ideia de uma visão não teleológica da ação humana…porém, surge no “momento exato” em que a “linguageminvade a totalidade do ser, a ponto de tudo virardiscurso“.

Com efeito… ao estabelecer-se como lugar comum às Ciências Sociais e Humanas, a “linguística”, nas suas versões estruturalista e pragmática, faz ruir o fundacionismo,        por traduzir uma preocupação pela forma – na produção do sentido – ou seja…uma preocupação refratária a qualquer tipo de “descrição factual” da realidade; negando      assim…que componentes semânticos dos sistemas de significação, se fundamentem          na presença de qualquer tipo de realidade, física ou mental. De acordo com Derrida:

“Todo sistema de significação (e, portanto, também a ciência) produz-se no elemento do discurso”…Isto quer dizer que a verdade passa a ser entendida como uma “função”, uma espécie de não-lugar, que possibilita a prática de jogos infinitos…tanto de ‘substituições’    de signos (perspetiva estruturalista), como de usos (perspetiva pragmática). (texto base**********************************************************************************

Unesp lança videogame ensinando física quântica (mai/2010)                            “Trata-se de conceitos intrincados…que precisam ser repetidos…para                                    que sejam assimilados. – Filmes, livros…e quadrinhos já foram feitos                                  com tal objetivo – mas o videogame é bem mais eficaz nesse aspecto”.

Uma espaçonave de tamanho subatômico tem a missão de capturar partículas, identificá-las – e com elas… montar ‘estruturas atômicas‘ em outro planeta.                  Essa é parte da missão do…Sprace Game’…jogo de computador projetado por            físicos da ‘Universidade Estadual Paulista’ (Unesp), com o objetivo de transmitir          conceitos de…”física de partículas”…para estudantes, e para o público leigo. – O              professor do “Instituto de Física Teórica” da Unesp…Sérgio Ferraz Novaes… que                  coordena o projeto “Sprace…contou que o jogo faz parte do esforço de levar aos          alunos de ensino médio do país, informações atuais sobre a ‘física de partículas’.

videogame

Unesp lança o Sprace Game, um jogo eletrônico projetado para ensinar conceitos básicos sobre a composição da matéria, em suas partículas elementares.

Projetado em linguagem Java, o Sprace Game  consegue rodar em qualquer computador, com sistemas operacionais Windows, Linux ou Mac. Segundo o programador do jogo…Ulisses B. de Mello… — da ‘Black Widow há 3 versões de resolução, para que máquinas até um pouco mais antigas…possam receber o jogo; e explica:  “Conseguimos rodar a versão mais básica num Pentium 1,3 Ghz em 512 Mb de memória RAM,  e achamos que a ‘configuração mínima’ para o jogo seja essa”Funcionando em ‘plataformas básicas’ o videojogo pode servir de ferramenta  de ensino…a instituições carentes de recursos, só necessitando de acesso à internet…O jogo é gratuito…a partir da página “SPRACE GAME”.

As regras do Jogo                                                                                                                      “Não podíamos fazer um jogo somente divertido…mas com incorreções                          científicas, nem fazer algo muito preciso, mas que fosse chato de jogar”.

Experimentos realizados em aceleradores de partículas revelaram que prótons e neutrons são compostos de quarks, partes ainda menores. Além dos quarks…que se dividem em 6 tipos (up, down, estranho, charme, bottom e top), também foram descobertos os léptons (elétron, múon, tau e seus três respectivos neutrinos), e ainda…as partículas responsáveis pelas interações…forte e fraca, e a eletromagnética (glúon, W, Z e fóton), respectivamente.

Ao passar pelas 4 fases do Sprace Game, o jogador tem que capturar com sua espaçonave partículas subatômicas, levá-las a um laboratório para que sejam identificadas, descobrir do que são formadas as partículas compostas — hádrons — e recombinar quarks, para formar prótons e neutrons… – Com eles então… o “jogador” poderá conseguir montar núcleos atômicos de hidrogênio e oxigênio…visando obter um recurso fundamental à colonização do planeta explorado, a água. Numa outra fase muito fase bem interessante (2ª), o jogador deve encontrar, perseguir…e observar o “decaimento” da partícula tauou seja, sua decomposição em outras sub-partículas – ao fim de seu tempo de vida… São essas “sub-partículas que o jogador deverá capturar (ajudando assim, a melhor explicar    o conceito de ‘decaimento.) Um dos grandes desafios do projeto foi criar um jogo que garantisse um bom entretenimento – sem, contudo…perder de vista a “noção científica”.

O produto final foi testado e aprovado por alunos do ‘ensino médio’…participantes do ‘Master Class Hands on Particle Physics’…evento internacional cuja etapa paulista foi realizada em fevereiro pela Unesp. Com o sucesso na escolha do jogo eletrônico como mídia para divulgar a física de partículas – o ‘Sprace Game’ tenta levar conhecimento      atual para estudantes do século 21, por meio de uma mídia moderna Enriquecê-los,      com informações da física contemporânea — é o seu objetivo principal.  ‘texto base’    

Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
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Uma resposta para Fragmentos de Ciência & Filosofia (em busca de Harmonia)

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