Estranhos Caminhos da Via Láctea

“Talvez sonhasse… quando a vi. Mas… via que – aos raios do luar iluminada; entre as estrelas trêmulas subia…uma infinita e cintilante escada.” (Olavo Bilac – ‘Via-Láctea’)NicholasBuer-vialáctea

Uma forma rara do hidrogênio, criada minutos após o Big Bang, foi descoberta em quantidades maiores que o esperado na Via-Láctea, um achado que poderá alterar radicalmente as teorias sobre a formação das estrelas e galáxias.

O astrofísico Jeffrey Linksy afirma que os novos dados do satélite FUSE (NASA) mostram por que o hidrogênio pesado – ou deutério – parece distribuir-se irregularmente pela “Via-Láctea”, estando grudado a partículas de poeira – transformando-se da forma gasosa, fácil de detetar – para uma forma sólida inobservável.

O estudo do FUSE sobre o deutério…que durou 6 anos, resolve um mistério dos anos 70 referente à distribuição dos níveis de deutério na Via-Láctea… (por que variam tanto, de um lugar para o outro) … mas, levanta questões sobre a formação das galáxias e estrelas. Um artigo sobre o assunto foi publicado no ‘The Astrophysical Journal’ em 20/08/2006.

Cientistas acreditam que o deutério…isótopo do hidrogênio…contendo 1 próton e 1 neutron, queima-se… e é destruído durante a formação das estrelas. – Logo, a quantidade de deutério presente no Universo hoje seria pura…e assim, permitira rastrear a ‘criação de estrelas’ — por bilhões de anos.

Em 2003… o pesquisador Bruce Draine havia sugerido que o deutério teria uma preferência por se ligar a grãos de poeira…As observações do FUSE apoiam essa teoria — onde há muita poeira, há menos deutério visível. Em caso contrário, o deutério é mais fácil de se localizar.

As teorias anteriores supunham que pelo menos 1/3 de todo o deutério criado no início do Universo – e presente na Via-Láctea, teria sido destruído na formação de estrelas. Mas, de acordo com os novos dados, a perda de deutério seria inferior a 15%. – E, concluiu Linsky:

“Isso implica que, ou muito menos material foi fundido nas estrelas — ou, muito mais gás primordial caiu na nossa galáxia. Assim, nossos modelos da evolução química da Via-Láctea terão de ser revistos”. #(texto base)#

Novo mapa da Via-Láctea… pelo ‘Spitzer’  (03/06/2008)                                                 Hoje saiu o mais novo mapa da Galáxia, obtido através do telescópio espacial Spitzer. Este era um dos principais projetos deste satélite, que está operante há mais de 5 anos. 

Desde a década de 1950, astrônomos tentam desenhar nossa galáxia…Imagine o problema – fazer um mapa da sua cidade sem poder olhar de cima… – sem mesmo poder sair da sua casa. O máximo permitido seria olhar pela janela, e tentar rabiscar como seriam as ruas, a distribuição de parques e prédios, etc.

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Que a Via-Láctea parece ser uma espiral barrada já é consenso, mas o número de braços ainda é assunto para discussão.

O problema com a Via Láctea é o mesmo – vista da Terra…como desenhar o mapa da galáxia inteira?

Várias técnicas foram desenvolvidas para tentar suplantar este problema…Até hoje, as mais promissoras eram as técnicas de observação em rádio. — Toda questão se resume em se saber, qual a distância dos ‘aglomerados estelares’pois a direção é fácil… – basta anotar a posição em que o telescópio está apontado.

Pelo ‘método rádio’…a determinação da distância se baseia em muitas hipóteses combinadas, e nem todas muito sólidas. Daí surgiu um mapa repetido inúmeras vezes como é nossa galáxia… Este mapa mostra uma barra de estrelas central…de uma galáxia espiral barrada…com 4 braços.

Agora…com este novo mapa do ‘Spitzer’ — que observou boa parte da nossa galáxia, em comprimentos de onda ‘infravermelhos’, nossa percepção dela — irá se modificar…Com base num método de contagens de estrelas – ou seja, observando em uma determinada direção… um programa de computação analisa posições em que há maior concentração   de estrelas.

Dessa forma, uma equipe de astrônomos…liderados por Robert Benjamin…percebeu que faltavam estrelas onde se pensava haver 2 braços – conhecidos como, braços de Norma,   e Sagitário. – Olhando para o braço de Scutum-Centauro, notaram que o número de estrelas aumentava como esperado… ou seja – o programa foi capaz de detetar um braço onde ele existia…(Se na direção de “Sagitário” e “Norma” não foram detetadas altas concentrações de estrelas então não existiria mesmo um braço por lá.) Este resultado é bastante interessante, e vai trazer uma nova discussão… ‘o que nos induziu a pensar que existiam mais 2 braços na Via Láctea?… Observações erradas ou modelos incompletos?’     Como diz Benjamin:      

O fato é que eu estou em um grupo de pesquisa que vem estudando a forma de nossa galáxia…e que já há alguns anos nós estamos notando discrepâncias entre distâncias obtidas via rádio e infravermelho. — Nosso palpite sempre foi que os modelos são, no mínimo, incompletos. Ainda precisamos analisar o mapa com cuidado… pois ele saiu hoje, mas parece estar a nosso favor!”  (texto base) 

Endereço da Terra na Via Láctea ganha mais respeito  (18/06/2013)

Os novos dados

Os novos dados destacam nosso Braço Local dos braços principais de Sagitário e Perseu.

É comum ouvir que o ‘Sistema Solar’… e a Terra, em particular…residem em um canto esquecido, nos subúrbios da Via Láctea…De fato, moramos num ‘braço menor‘ da nossa galáxia espiral… – chamado “Braço Local“…situado entre 2 braços principais da Via Láctea. – Mas, não tão menor quanto se supunha…

Pelos novos cálculos…nosso Braço Local não é apenas uma pequena ramificação de um braço principal. Novos dados sugerem que o ‘Braço Localé uma “estrutura proeminente da Via Láctea – é o que garante Alberto Sanna, do “Instituto Max Planck” de Radioastronomia…

Uma visão geocêntrica

Por estarmos dentro dela – não conseguindo vê-la de fora…como ocorre com as outras galáxias (determinar a estrutura da nossa própria galáxia é um problema de longa data para os astrônomos). Assim, para mapear a Via Láctea é preciso medir com precisão as distâncias de objetos dentro da própria galáxia.

O problema é que medir distâncias cósmicas é uma tarefa difícil…levando a dados com grandes incertezas. Por isso, embora os astrônomos concordem que a Via Láctea tenha uma estrutura em espiral, há divergências sobre o nº de braços que ela tem…assim como a distribuição e a dimensão desses braços.

O que a turma de Sanna fez, foi usar uma rede de radiotelescópios (VLBA) para reduzir imprecisões nas medidas, utilizando então – mera trigonometria, na determinação das distâncias entre corpos celestes, em nossa vizinhança.

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Foram – ao todo… 4 anos de coleta de dados – rastreando objetos cósmicos conhecidos como ‘masers‘, os quais amplificam ondas de rádio da mesma forma que o laser’ amplifica a luz.

Após o mapa do Spitzer (2008), mostrando que a “Via-Látea” em ‘infravermelho’… é uma galáxiaespiral barrada‘… — com 4 braços diametrais… nossa percepção vai mudar outra vez; como assim explicou o astrofísico italiano.

Uma visão transcendente

“Esses dados recentes destacam nosso ‘Braço Local’…dos braços principais de ‘Sagitário’ e ‘Perseu’… – Com base na distância … e movimento espacial, nosso Braço Local não é uma “espora”… – Ele é uma estrutura importante; talvez um ramo do braço de Perseu, ou uma via independente”. (texto base)

Novos dados astronômicos mostram lado oculto da Via Láctea – (01/08/2013)

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Visão infravermelha da Via Láctea a partir da Terra.[Imagem: Peter Frinchaboy/Ricardo Schiavon//SDSS-3]

Astrônomos do ‘consórcio SDSS-3‘  (Sloan Digital Sky Survey) acabam de lançar um banco de dados para o público… – que ajuda a contar a história de como se formou nossa ‘Via Láctea’.

O repositório, com informações de 60 mil estrelas, traz novo conjunto de espectros estelares de altíssima resolução (medição da quantidade de luz emitida por uma estrela, em  cada frequência eletromagnética) na luz infravermelha, invisível aos olhos humanos mas capaz de penetrar o véu de poeira que obscurece o centro da galáxia… como afirma John Holtzman, membro da equipe…

“O ‘espectro estelar’ contém informações importantes para o conhecimento de uma estrela. Ele indica detalhes fundamentais, tais como temperatura e tamanho da estrela, e quais elementos em sua atmosfera…São assim, uma das melhores ferramentas que dispomos para aprender sobre estrelas… É como ter a foto de uma pessoa — em vez de só conhecer seu peso e altura”.

Astrônomos brasileiros participam do projeto por meio do Laboratório Inter-Institucional de e-Astronomia (LIneA), cuja sede fica no Observatório Nacional. Eles colaboraram com a equipe do Apogee com simulações de populações estelares da Via Láctea, que permitiu a escolha das melhores posições do céu para apontar o instrumento, de modo a ter uma boa cobertura da galáxia.

“Agora, participaremos do esforço de interpretação desses dados”,                 declarou Luiz Nicolaci… – pesquisador do Observatório Nacional.

Apogee (Apache Point Observatory Galactic Evolution Experiment) é um subprojeto     do SDSS-3, que busca criar um censo abrangente da população estelar da Via Láctea.via lactea perfil

Nos cenários atualmente aceitos pela comunidade científica, a Via Láctea tem 3 partes principais… – um bojo oblongo de alta densidade no centro…o disco achatado em que vivemos…e uma componente esférica de baixa densidade chamada de “halo” – que se estende por centenas de milhares de anos-luz.

Quem olha para o céu a partir de um local escuro…longe do brilho esmagador das luzes da cidade, enxerga a Via Láctea como uma faixa luminosa no céu – entrecortada por cortinas escuras. Esta faixa é o disco e bojo de nossa galáxia, e as cortinas são formadas pela poeira que bloqueia a luz visível de partes mais distantes. Devido a essa poeira os trabalhos eram sempre limitados em sua capacidade de medição para estrelas na direção do centro da Via Láctea.

A solução buscada pelo Apogee foi observar a luz infravermelha delas – que consegue atravessar com mais facilidade as ‘nuvens de poeira. Esta capacidade de explorar regiões previamente escondidas permitiu o 1º estudo abrangente da região central da Via Láctea.

Observar dezenas de milhares de estrelas é uma tarefa demorada. Para conseguir seu objetivo de observar 100 mil estrelas em apenas três anos — os astrônomos precisam monitorar até 300 estrelas diferentes ao mesmo tempo, usando cabos de fibra óptica ligados a uma ‘placa de alumínio‘… — com furos alinhados à posição de cada estrela.

“A luz é levada através de cada fibra a um espectrógrafo…onde uma rede       prismática distribui a luz, por comprimento de onda. A grade é a primeira                         e maior de seu tipo já implantada em um instrumento astronômico”, revela                 John Wilson…coordenador da equipe que projetou o instrumento ‘Apogee’.

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História da Via Láctea

Espectros estelares do ‘Apogee‘ ajudarão a desvendar a história da nossa galáxia, e aí…o maior segredo… – está em conhecer a ‘composição química‘ – e o movimento das estrelas de cada região.

Como os elementos mais pesados que o hidrogênio e o hélio são produzidos em estrelas, e disseminados pela galáxia por explosões, e ‘ventos estelares’… os astrônomos sabem…que estrelas com uma maior porção desses “elementos pesados”… devem ter-se formado mais recentemente, após outras gerações estelares anteriores terem tempo para criá-los. Como explica Gail Zasowski, membro da equipe…

“Estrelas em diferentes regiões galáticas têm idades e composições químicas distintas, o que significa que elas se formaram em momentos diferentes… sob condições diversas ao longo da história da galáxia. – Descobrindo quais partes da Via-Láctea contêm estrelas mais velhas, e quais contém estrelas mais jovens … e, considerando essa informação em conjunto com o modo como estrelas se movem, podemos traçar uma história detalhada de como a galáxia se formou – e, evoluiu… até hoje.”

Os dados – aliás…também fornecem um contexto rico para investigar uma ampla gama de questões sobre as próprias estrelas. Uma vez que o instrumento observa cada ‘estrela-alvo’ várias vezes…ele pode identificar mudanças em seu espectro ao longo do tempo. Este fato permitiu à equipe achar tipos incomuns de estrelas variáveis de curto período, identificar quantas estrelas são binárias – com pares invisíveis – e, até mesmo, detetar movimentos estelares sutis causados por exoplanetas em órbita.  ########(‘texto base’)########

Novo Estudo de equipe da UFRGS sobre os braços da Via Láctea (09/06/2015)alma-via lactea

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (‘UFRGS‘) indicou outros rumos para o que se pensava da estrutura da ‘Via Láctea‘… Conforme estudo recente, a galáxia conta com 4 braços espirais e não 2; contrariando os últimos dados relativos ao assunto divulgados em 2008 (obtidos do telescópio espacial Spitzer). 

A pesquisa foi publicada originalmente em maio/2015 na revista científica inglesa Monthly Notices of the Royal Astronomical Society – uma das principais publicações do gênero… O grupo…além do astrofísico Denilso Camargo, é ainda composto pelos astrofísicos Eduardo Bica, e Charles Bonatto… E, Camargo assim comentou sobre o trabalho:

“A estrutura da ‘Via Láctea’ sempre nos chamou a atenção… e o estudo ajuda a traçar o ‘mapa real’ da galáxia… podendo também auxiliar no entendimento da origem e evolução dos planetas, e estrelas como o Sol”.

O mapa tridimensional fornecerá informações-chave para a solução de questões centrais sobre como nossa Galáxia se formou e evoluiu – ao longo dos bilhões de anos de história, uma questão debatida pelos cientistas há décadas.

A “Via Láctea” é formada por um ‘disco achatado’… feito de poeira, gases e estrelas, um ‘bojo central’ assim como um núcleo…e o ‘halo’ (estrutura que engloba a ‘galáxia’ como um todo).

Além dessa divisão, há também os chamados “braços espirais”, ondas de compressão de gás e poeira que estão girando no ‘disco galático’ … ao redor do seu ‘bojo’… – E, assim complementou Camargo:

“Ainda há muito que não sabemos (…sobre os “braços”…) – não sendo fácil chegar a uma resposta definitiva. Nós estamos no interior do disco, onde se concentra a maior parte do gás/poeira da nossa galáxia, o que ofusca muito nossa visão.”

A partir de imagens e dados do ‘WISE’ – da NASA, diferentes aglomerados de estrelas jovens foram identificados… Através da análise – por meio de cálculos sobre fórmulas matemáticas, foi possível estimar a distância, em anos-luz… – assim como o tempo de     vida aproximado dessas recentes estruturas abertas… (a maioria delas com cerca de 2 milhões de anos).

Geralmente os aglomerados nascem perto dos braços, onde as nuvens moleculares podem se chocar e fragmentar – criando estrelas… Com essas informações, foi possível traçar um mapa mais completo… Assim, a ‘teoria dos 4 braços‘, chamados Scutum-Centaurus, PerseusSagittarius-Carina e Externo…cogitada em 2008, novamente ganhou força no mundo científicoComo ressaltou Camargo:

“O acúmulo dos aglomerados jovens (perto dos braços) foi determinante para chegarmos a esse resultado…Temos convicção de que essa é a mais correta configuração da Via Láctea.” 

Um número controverso

Desde a década de 1950, que existem “estudos científicos  sobre os ‘braços espirais’ da Via Láctea… — A ‘teoria das 4 estruturas’… já era a mais aceita pelos cientistas – até que, em 2008, um trabalho liderado por R. Benjamin, astrônomo da Universidade de Wisconsin… – ao utilizar imagens captadas do Spitzer, telescópio espacial da NASA, colocou o assunto em xeque.

Para Benjamin, o provável era que houvesse apenas 2 braços — Scutum-Centaurus e Perseus (…à época — o software que permitiu a contagem das estrelas, ajudou a sugerir a existência de apenas 2)…Agora, o estudo da UFRGS confirma a teoria dos 4 braços. E Camargo explica a ‘divergência braçal’:

“A pesquisa anterior teve dificuldades em localizar 2 dos braços…porque usou estrelas mais velhas, que já tiveram tempo de se afastar dos braços onde nasceram”.

A  publicação do artigo na revista científica inglesa fez com que o estudo da UFRGS tivesse repercussão internacional. Além da NASA – que divulgou a pesquisa em seu     site, outros sites especializados em Astronomia, de diferentes países… como Canadá, Itália, Rússia e Espanha, já noticiaram a pesquisa. ####### (texto base) #######

Via Láctea cresceu de dentro p/ fora

Um “mapa pioneiro” das estrelas mais velhas da galáxia, sugere que as 1ªs entre centenas de bilhões de estrelas da ‘Via Láctea’ (de 100 … a 400 bilhões) podem ter se formado há 13 bilhões de anos, antes mesmo … da ‘Via-Láctea’.

A principal conclusão do artigo é que a galáxia começou a formar estrelas de dentro para fora, ou seja…1º no núcleo – pipocando depois em direção à sua periferia, o halo galático. É o que explicam os astrofísicos Rafael Santucci, doutorando no Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG/USP)… sob orientação da professora Silvia Rossi,   e Vinícius Placco, professor na Notre Dame University, EUA que participaram do estudo internacional publicado no The Astrophysical Journal Letters.

Para entender o significado da pesquisa é preciso imaginar o formato da Via Láctea. Trata-se de uma galáxia em espiral – cujos braços se espraiam a partir do núcleo…formando um disco de 100 mil anos-luz de diâmetro…Em torno do núcleo galáctico, a densidade estelar, ou seja, a quantidade de estrelas próximas umas das outras é grande. A essa concentração de estrelas que orbitam próximas ao núcleo dá-se o nome de “bojo galático“.

Afastando-se do núcleo, a quantidade de estrelas cai, e por consequência, o disco galáctico afina até chegar às bordas – na periferia da galáxia … com uma densidade estelar rarefeita. Mas, isso é uma pequena parte da galáxia… – a parte visível à maioria dos observatórios… – o disco da Via Láctea, está envolto pelo ‘halo galático‘… um volume de espaço esférico – muito maior que o disco…Suas dimensões são da ordem de várias centenas de milhares de anos-luz; sendo composto basicamente por matéria escura… nuvens de hidrogênio – e estrelas.

As estrelas do halo podem ser divididas em 3 conjuntos. No primeiro…estão agrupadas a dezenas de milhares… em densos aglomerados esféricos… chamados “aglomerados globulares“… – Conhece-se cerca de 150 desses aglomerados orbitando a ‘Via Láctea’, mas há também mais 2 outros conjuntos estelares… São de estrelas que foram parar no halo porque sua velocidade de escape fez com que se desgarrassem do disco galático. E     há igualmente aquelas que, originalmente, pertenciam a outras pequenas galáxias, que acabaram canibalizadas pela Via Láctea há bilhões de anos.

São estes dois últimos conjuntos de estrelas os alvos de investigação do trabalho recém-publicado. Mais especificamente, a pesquisa envolveu um tipo particular de estrelas do ‘halo‘, as chamadas “estrelas azuis do ramo horizontal”… – estrelas gigantes, em média 10 vezes maiores que o Sol… que já passaram da sua fase jovem … quando então queimavam hidrogênio… – Agora… na fase avançada… estão fundindo hélio e carbono. Quando acabar esse suprimento, encolherão, e se tornarão ‘anãs brancas’; assim como acontecerá com o Sol.

Os pesquisadores pretendiam reunir um grande número dessas ‘estrelas azuis‘ do ramo horizontal, para analisar a cor de sua luz. – Com isso, talvez fosse possível estimar a sua idade… – cujo cálculo é feito a partir da combinação da análise da sua cor, e também da assinatura química de sua luz…Como assim explicou Placco:

“As cores das estrelas estão relacionadas com suas temperaturas, que estão relacionadas com suas massas…que indicam seus tempos de vida”.

Santucci observa que no caso específico desta pesquisa, as variações de idade descritas foram baseadas nas cores. Quanto às cores das estrelas…na maioria dos casos estrelas jovens e grandes são brancas ou azuis – e, estrelas de porte médio são amarelas… mas, caminhando para o fim da vida se tornam gigantes vermelhas, e depois ‘anãs brancas’. Estrelas azuis do ramo horizontal são exceção à regra … – mantendo sua cor até o fim.

Segunda geração estelar

‘Espectroscopia’ é a análise da assinatura química da luz das estrelas. Quando a luz produzida no núcleo da estrela passa por sua atmosfera, todo elemento químico na atmosfera…deixa sua presença registrada para sempre … no “espectro” daquela luz.

Quando os astrônomos registram a luz de uma estrela distante… uma das primeiras coisas que fazem é analisar seu ‘espectro’.

Quando o universo iniciou sua expansão, havia somente 3 elementos químicos… o hidrogênio, hélio, e uma pequena fração de lítio…Todos demais elementos foram forjados no coração da primeira geração de estrelas… que brilhou em supernovas.

Foram os detritos daquelas explosões, que semearam o “meio interestelar” com todos os elementos da tabela periódica. Essa semeadura prosseguiu, e prossegue até hoje, com as supernovas das gerações subsequentes de estrelas.

Acredita-se que o Sol, devido à sua composição química, seja produto da evolução de diversas gerações de estrelas…pois, em sua atmosfera existe uma grande variedade de elementos químicos.

Ao analisar o espectro da luz das estrelas… – se os astrofísicos estão à caça de astros muito antigos… procurarão aqueles cuja assinatura química indique a presença de alguns poucos elementos químicos além de hidrogênio, hélio e lítio – notadamente carbono, e nitrogênio. Quando astros com tal composição são encontrados… é um forte indício de que se trata de estrelas muito antigas… pertencentes à segunda geração estelar do Universo – que podem ser tão, ou mais antigas do que a própria Via Láctea.

Um primeiro trabalho do gênero foi publicado em 1991. — Nele, a partir do estudo de 150 estrelas, procurou-se aferir sua distância e idade… – Quanto à idade, sua qualidade de dados… deixava a desejar. Assim, 24 anos depois, era preciso uma nova “seleção” de estrelas. Para isso…Santucci mergulhou na gigantesca “base de dados” do Sloan Digital Sky Survey (‘SDSS‘)… — Como um subproduto achou milhares de estrelas no “halo galáctico” da Via Láctea.

Vasculhando os arquivos do SDSS…Santucci pinçou 4.700 estrelas. A partir daí… – foi idealizado o primeiro ‘mapa das estrelas mais antigas da Via Láctea‘ … Com ele, ficou claro que as estrelas mais antigas se formaram antes… ou concomitantemente ao colapso gravitacional da imensa nuvem de gás que formou estrelas…no centro galático.       O mapa também mostra que, objetos mais próximos do centro da galáxia têm cerca de     13 bilhões de anos de idade. A partir daí… então, as estrelas continuaram se formando,     do centro para fora, em ordem cronológica.

“Nosso estudo veio confirmar antigas teorias da evolução galáctica, que postulavam que as estrelas mais antigas teriam se formado no centro…       e as mais jovens progressivamente em direção ao halo”…disse Santucci.

Em reunião da Associação Americana de Astronomia na Flórida, EUA, foi apresentado outro mapeamento das idades das estrelas na Via Láctea – desta vez, baseado em uma amostra de 70 mil estrelas gigantes vermelhas. Dessa vez, o foco não foi o ‘halo’, mas o ‘disco galático’. O trabalho confirmou o que se esperava sobre o crescimento da galáxia; começou no meio, cresceu para fora. A abundância de estrelas antigas no meio do disco prova isso…explicou Melissa Ness, do Instituto Max Planck de Astronomia. (texto base)

Consulta… Via-Láctea 50% maior (03/2015) # ‘Mapa 3D do centro Via Láctea’ # ‘Um único parâmetro define a formação das galáxias’ # ‘Simulação recria nascimento da Via-Láctea’ # ‘Jatos de raios gama do núcleo da Via-Láctea’ # ‘Via-Láctea maior, e acelerada’  **********************************************************************************

Calculada posição das estrelas primordiais na Via-Láctea  (13/12/2006)                

Complexas simulações computacionais mostraram que a 1ª geração de estrelas da ‘Via-Láctea’ … – jamais diretamente observada, deveria estar distribuída de modo uniforme pela galáxia…o que faz aumentar o mistério que envolve essas desaparecidas… “estrelas ancestrais”.

A explicação até então, era que…como   a Via-Láctea se formou de dentro para fora, essas estrelas mais velhas seriam parte do centro galático… que, por ser repleto de poeira… – e estrelas jovens, tornaria difícil detetá-las. O resultado desse estudo porém, mostrou ser essa proposta inadequada.

Oxigênio, carbono e a maioria dos elementos que compõem os materiais existentes na Terra, foram sintetizados no interior de estrelas. Mas esses elementos ficam ocultos lá, pelos gases de sua superfície…até que a estrela exploda. – Isso significa que as estrelas ainda vivas dessa 1ª geração não deveriam mostrar nenhum elemento pesado.

A simulação realizada pelos pesquisadores mostrou que… embora estrelas mais velhas realmente se aglomerem no núcleo, leva bastante tempo para os elementos pesados se dispersarem, e enriquecerem o gás a uma distância maior. – Com isso, muitas estrelas   que contém apenas elementos primordiais deveriam se formar mais tarde…e estar em   toda parte da galáxia. Como estrelas da periferia da Via-Láctea são facilmente visíveis,         e não há estrelas primordiais entre elas, deve haver algum outro motivo para impedir         a sobrevivência dessa 1ª geração. (texto base)

Um enigma na Via Láctea  (JUNHO 2015)                                                                         Estrelas jovens com composição química de velhas… são identificadas na Via-Láctea

A descoberta de estrelas relativamente jovens com composição química típica de estrelas antigas prova que o método usado para estimar a idade das estrelas distantes da galáxia…chamadorelógio químicoda Via Láctea … nem sempre funciona. — Esse trabalho foi realizado por um grupo de astrônomos, liderado   pela brasileira Cristina Chiappini… – e publicado na revista… — ‘Astronomy & Astrophysics’. A origem dessas estrelas jovens aparentando mais velhas porém, ainda permanece um mistério.

Pesquisadora do Instituto Leibniz para Astrofísica, em Potsdam, Alemanha, Chiappini notou a existência desses objetos celestes incomuns — quando seu aluno de doutorado Friedrich Anders lhe mostrou a análise de 622 estrelas — de várias regiões do disco da   ‘Via Láctea’.

Chiappini desenvolve modelos de evolução química estelar para deduzir quando e onde nasceram as estrelas da galáxia…Uma das previsões desses modelos é que, quanto mais átomos de ferro uma estrela possui (…em relação a elementos químicos chamados alfa),  mais jovem é a estrela.  Para verificar essa previsão… Anders comparou a composição química das estrelas, obtida por astrônomos do levantamento Apogee, com a idade das mesmas estrelas, calculada por pesquisadores do telescópio espacial CoRoT.

O Apogee investiga a evolução da galáxia, usando instrumentos sensíveis   à luz infravermelha, montados no telescópio de 2,5 metros do observatório Sloan, no Novo México, EUA… Já o CoRoT, é um satélite desenvolvido por uma colaboração franco-europeia-brasileira… que permite a investigação da estrutura interna das estrelas… bem como a determinação suas idades.

Anders confirmou que as idades da maioria das 622 estrelas determinadas pelo CoRoT concordavam com a faixa etária sugerida pela composição química delas… Cerca de 20 dessas estrelas – no entanto…chamavam a atenção por terem proporcionalmente mais elementos químicos alfa…do que ferro – em relação ao que se esperaria de suas idades.

Intrigados… Chiappini e Anders pediram a um de seus colaboradores no projeto CoRoT, o astrônomo Benoit Mosser, do Observatório de Paris que re-analisasse os dados sobre cada uma dessas estrelas em detalhe, para calcular melhor suas idades. A confirmação da idade das estrelas pobres em ferro causou espanto… Conforme Chiappini assim explicou:

“Elas são jovens demais… Uma delas, por exemplo, tem a proporção de elementos químicos esperada para uma estrela com 10 bilhões de anos,     mas sua idade é de apenas 2 bilhões de anos.”

Exceto em circunstâncias muito especiais… dificilmente astrônomos conseguem determinar a idade de estrelas da Via Láctea situadas a mais de 80 anos-luz de     distância do Sol. – Grande parte dos telescópios… não consegue determinar as propriedades de estrelas tão distantes… com a precisão necessária para que se       consiga calcular a idade delas. Há, porém, uma maneira não tão precisa de se       estimar se uma estrela longínqua é muito nova, ou muito antiga; examinando               seus elementos químicos.

Esse é o método do “relógio químico”, que se baseia no na ideia de que — as 1ªs estrelas da galáxia teriam nascido a partir de ‘nuvens de gás primordial, constituídas por elementos químicos leves (hidrogênio, hélio…e um pouco de lítio… criados durante o Big Bang).

A morte explosiva de estrelas gigantes, com massas 8 a 10 vezes superiores ao Sol teria acrescentado elementos mais pesados ao gás primordial…sobretudo os “elementos alfa” – oxigênio, silício, magnésio, cálcio e titânio — criados a partir da fusão de núcleos de hélio no interior dessas estrelas.

Essas explosões – conhecidas como supernovas do tipo II, são as principais fontes desses elementos químicos na galáxia. Já a maior parte do ferro da Via Láctea vem de outro tipo de supernova – as do tipo Ia… São estrelas ‘anãs brancas’ que … depois de sugarem uma certa quantidade de gás de uma estrela gigante vizinha…acabam explodindo, espalhando átomos de ferro pela galáxia.

As supernovas de tipo II demoram milhões de anos para explodir, enquanto as de tipo Ia levam muito mais, bilhões de anos. Essa diferença entre escalas de tempo das supernovas funciona como um marcador temporal para estimar a data de nascimento das estrelas da Via Láctea. Desse modo, quanto maior a abundância de elementos alfa de uma estrela em relação à abundância de ferro, mais velha a estrela deve ser.

Até a identificação das 20 estrelas incomuns… o método do “relógio químico” parecia funcionar sempre. – Em todos casos nos quais havia sido possível fazer medições que permitiam calcular a idade das estrelas — os valores a que os astrônomos chegavam correspondiam bastante bem à estimativa obtida pelo “relógio químico”.

Em 2012, Chiappini e colegas chamaram a atenção para o fato de que seria possível usar o telescópio espacial CoRoT para obter idades de várias estrelas situadas a mais de 80 anos-luz do Sol – para as quais não havia outro método disponível… além do “relógio químico”, conforme ela mesma explica…

“O CoRoT mede variações de brilho, das quais obtemos o raio, massa,            e a distância da estrela. Com esses dados, é possível calcular a idade.”

Desde então – Chiappini vem articulando uma colaboração entre astrônomos de diversas especialidades que normalmente, não interagem entre si. A colaboração CoRoGEE é uma parceria entre pesquisadores do CoRoT, instrumento bem conhecido por descobertas de exoplanetas…e pesquisadores do grupo Apogee – que também conta com a participação de brasileiros ligados ao Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (‘LIneA‘) no Rio de Janeiro. – Foi combinando os dados de estrelas observadas, tanto pelo CoRoT quanto pelo Apogee… que eles puderam encontrar essas estranhas estrelas – nas quais o relógio químico parece teimar em não funcionar. Em resposta, Chiappini sugere a possibilidade de que: “Seria possível que uma estrela jovem se formasse com abundância elevada de elementos alfa em relação ao ferro, se uma porção de gás primordial, não enriquecido por supernovas do tipo Ia houvesse sobrado em algum lugar isolado … sem participar     da evolução química geral da galáxia”.

Esse gás teria ficado ali … por bilhões de anos, sem interagir com o gás do resto da galáxia, e — só teria formado estrelas, bem depois.

Os dados do Corot e Apogee também sugerem, que as 20 estrelas jovens … – feitas de matéria primordial, tenham nascido em algum lugar do disco da Via Láctea, a cerca   de 20 mil anos-luz… do seu centro… – perto da “barra galática“… conforme explica Chiappini:

“É uma região em que se acredita, que o gás e as estrelas do disco giram com a mesma velocidade que o gás e estrelas da barra. Por essa razão, é mais difícil haver por ali choques entre nuvens de gás…necessários para formar as estrelas. – Se de fato se comportar assim, essa região pode ter abrigado bolsões de gás que mantiveram as características primordiais.“

Gás intergaláctico

Outra possibilidade é que essas estrelas tenham se formado a partir de um gás primordial que teria caído na Via Láctea apenas recentemente… – vindo do meio intergaláctico. Mas, como diz Chiappini… “é difícil entender por que isso teria acontecido mais para o centro da galáxia, e não em toda parte”.

Sobre isso, comenta a astrofísica Beatriz Barbuy… – da Universidade de São Paulo (USP), especialista em evolução química da Via Láctea… “Essa descoberta é interessante porque mostra que há diversos processos ocorrendo na nossa galáxia, em particular…próximo     à ‘barra central’… – Sabemos, a partir da observação de outras galáxias, e de modelos dinâmicos…que as barras permitem uma migração de gás e estrelas nos dois sentidos;   da barra para o disco… e vice-versa.”

Os pesquisadores precisam descobrir mais dessas estrelas para entender sua origem. Isso talvez seja possível, combinando dados da ‘Kepler-2’…com os do ‘Apogee-2’. (‘texto base’) ***************************(texto complementar)***********************************

Minigaláxia Ômega Centauro é vista em toda a sua magnitude   (15/12/2008)

omega-centauro

Até o século XIX astrônomos acreditavam que ela era uma estrela gigantesca. — Foi quando John Frederick William Herschel, filho do descobridor do planeta Urano — afinal comprovou que ‘Ômega Centauro’ é um “aglomerado globular” de estrelas.

Agora astrônomos do Observatório La Silla, localizado no Deserto do Atacama, no Chile, conseguiram a mais precisa imagem desse aglomerado — que…acredita-se conter até 10 milhões de estrelas. Ou seja, apesar de ser observado desde a Antiguidade, ninguém até hoje havia visto Ômega Centauro com toda essa magnitude.

Aglomerados globulares são os mais antigos grupos de estrelas encontrados nos halos que circundam galáxias do tipo da Via Láctea…Os astrônomos calculam que Ômega Centauro tenha 12 bilhões de anos de idade… — E, a propósito… hoje já se acredita este não seja um aglomerado estelar comum… podendo ser o remanescente de outra galáxia absorvida pela Via Láctea. Essa hipótese foi levantada a partir de recentes observações feitas pelo Hubble.

A 1ª evidências é que as estrelas no centro do aglomerado Ômega Centauro giram rápido demais…o que demonstraria a existência           de um pequeno buraco negro em seu centro…(…com uma massa equivalente à 40.000 sóis).

Outra evidência para suportar a hipótese de que o aglomerado seria uma minigaláxia é sua formação por estrelas de várias idades — são várias gerações de estrelas reunidas… Isto é totalmente inesperado para um aglomerado globular típico, que contém estrelas formadas todas na mesma época… A ‘minigaláxia’ Ômega Centauro situa-se a apenas 17.000 anos-luz da Terra e mede 150 anos-luz de diâmetro.  texto base: Omega Centauri – NGC5139  p/consulta:  aglomerado estelar M55  » Estrelas ‘mais evoluídas’ da Via Láctea são ricas em rubídio # ‘Origem das nuvens de hidrogênio na Via Láctea’ # ‘The Milk Way’ by COBE  ‘Distribuição de Carbono no Centro da Via-Láctea’ ###### ‘Relógio químico interestelar’

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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Uma resposta para Estranhos Caminhos da Via Láctea

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