Bohr… e o ‘Yin/Yang’ da Complementaridade

“A lição de Bohr não é que a realidade seja subjetiva, mas sim que nós, sujeitos observadores… – fazemos parte da realidade que observamos.”  (Slavoj Zizek)                  

Niels Bohr (1885-1962)

Niels Bohr
(1885-1962)

Niels Bohr… foi um dos físicos mais importantes para o desenvolvimento da ‘mecânica quântica‘…  Em 1913, o jovem dinamarquês logrou aplicar as ideias embrionárias da nascente física quântica (iniciada com Max Planck em 1900) para dar uma representação ao átomo, para o qual, seu orientador Ernest Rutherford, em 1911… demonstrou possuir um “núcleo massivo“… – cercado de elétrons.

O assim chamado “modelo atômico de Bohr” é ensinado até hoje no Ensino Médio, apesar de superado, em 1925, pela “nova mecânica quântica com o trabalho do grupo de Göttingen (Heisenberg, Jordan & Born)…a dita mecânica matricial – e início de 1926, Zurique…com   a mecânica ondulatória de Schrödinger. Logo, essas 2 abordagens se tornaram, a atual mecânica quântica.

No início de 1927, Bohr teve a ideia de que as entidades fundamentais do mundo não eram partículas…como os atomistas sempre supuseram, muito menos ondas, como Schrödinger acreditava… Com efeito, nem faria sentido dizer o que eram essas entidades fundamentais, pois nosso conhecimento tem limites…(como já dissera o filósofo Kant, no século XVIII)… “Lidamos com ‘representações’ da realidade… portanto, não temos acesso às coisas em si”.

Então, a questão que se colocava para Bohr, era a de qual seria a melhor representação da realidade do mundo microscópico (ou “nanoscópico” – hoje em dia)… – uma…baseada em “partículas – outra… em “ondas“.

As contradições…

Uma proposta que Werner Heisenberg, nesta época … trabalhando com Bohr, em Copenhague, considerava, era que tanto faz usar representação corpuscular (partículas) ou “ondulatória”… – ambas forneceriam as mesmas previsões experimentais.

Por outro lado – a ideia de Bohr era de que o uso de um esquema… ou corpuscular – ou ondulatório, dependeria do experimento em questão. Dado um experimento, o fenômeno seria ou corpuscular…ou ondulatório; nunca os dois ao mesmo tempo.

E o que faria um experimento enquadrar-se num quadro ou outro?…A resposta era simples – se o experimento exibir ‘franjas de interferência’…ele é ondulatório; se pudermos inferir a trajetória do quantum detectado, o fenômeno é corpuscular.

O ‘princípio da complementaridade‘…afirma que um fenômeno ou é corpuscular, ou ondulatório – entretanto, nunca ambos ao mesmo tempo. Então…quando temos interferência… não temos trajetória – e vice-versa.

Além disso, Bohr afirmava que essas 2 descrições ‘exaurem’ as possibilidades de descrição; ou seja, não haveria uma maneira mais completa de representar uma entidade quântica – como um elétron, por exemplo, que em alguns experimentos             se comportaria como partícula – e, em outros, como onda.

As interpretações

Em torno de 1927 Bohr já não estava na linha de frente dos cálculos… mas sua maturidade o fez refletir a fundo a cerca do ‘significado’ da nova física dos átomos.

Ele estava preocupado com a questão da ‘interpretação’ da teoria quântica, que se desdobrava de várias formas… dentre elas… – uma “interpretação ondulatória realista”, que postula “colapsos reais” da onda quântica, e, sua subcorrente ‘subjetivista‘, que defende a consciência humana como causadora de tais colapsos.

No entanto, a interpretação que tornou-se hegemônica na comunidade física, a partir de 1928…foi aquela construída em torno das ideias de Bohr… – a “complementaridade”, também conhecida como… “interpretação (ortodoxa) de Copenhague”… (apesar da ortodoxia salientar abordagens próximas – mas, distintas das de Bohr).

Poderíamos dizer que existe uma entidade mais complexa, um “quantum” (como alguns autores sugerem), que só pode ser observado sob uma perspectiva ou outra?…Essa leitura realista é interessante, mas não era assim que Bohr pensava… Pode-se dizer que Bohr era “instrumentalista”, ou “positivista”…(apesar deste último termo ser impreciso, e Bohr até rejeitá-lo) – ou seja…para ele a tarefa da ciência seria descrever o que se pode observar, e não especular “metafisicamente” sobre o que está além das possibilidades de observação.

contraria sunt complementa

“contraria sunt complementa”

As consequências 

Porém…o próprio Bohr começou a aplicar a noção de “complementaridade para várias outras áreas do saber… – De início…supôs que na ‘biologia haveria uma complementaridade, entre a unidade de um ser vivo, e sua análise física – tendo, ao final de sua vida, abandonado tal ideia.

Uma das origens dessa concepção estava na psicologia de William James… – de onde derivou…entre pensar e sentir – uma complementaridade… –  “se tento pensar sobre aquilo que estou sentindo, deixo de sentir aquilo que estava pensando.

Na ética, sugeriu uma complementaridade entre justiça e compaixão — e, na linguagem, entre o uso de uma palavra e sua definição estrita.  –  Mais adiante… Bohr encontrou na filosofia chinesa do yin-yang uma expressão antiga de sua concepção filosófica – tanto que colocou o tradicional símbolo do yin-yang, no centro do brasão que desenhou… – ao ser agraciado com a Ordem do Elefante da Dinamarca. O lema do brasão é “contraria sunt complementa  (contrários são complementares).

a)  consequências do Princípio da Complementaridade (segundo Bohr)

_”O mundo exterior não tem existência própria, estando antes,                                                      ‘inextrincavelmente’…ligado – à percepção que dele fazemos”.

_”Incerteza e indeterminação são inerentes ao mundo quântico,                                                     e… não… – apenas resultado de nossa percepção incompleta”.

_”A Física não nos diz o que é o “mundo”… — mas, sim… —                                                             aquilo que podemos dizer, uns aos outros, a respeito dele”.

_”A realidade quântica do mundo microscópico está… – irremediavelmente                       ligada à organização do “mundo macroscópico”, ou seja… – a Parte não tem                 qualquer significado, exceto quando relacionada ao Todo” (caráter holístico)

b) consequências do fenômeno EPR (segundo Bohr)

“As propriedades microscópicas de uma partícula, têm de ser vistas com base no seu contexto macroscópico total… Neste caso – um objeto distante…mas correlacionado,   forma uma parte inseparável do “sistema quântico”. – Embora… nenhum sinal… ou ‘influência direta’ possa viajar entre A e B… – as medições efetuadas em B… – ao se discutirem as circunstâncias de A…não podem ser ignoradas”.

As definições (…comuna de Física /Orkut – 2006)

Partícula é um conceito macro porque é humano…vem da nossa idealização de pequenas bolinhas pontuais; no mundo atômico e sub atômico não existe nada disso…só existem (se é que existem) ondas, e não são ondas de probabilidade… – são ondas de flutuações de campos (eletromagnético, gravitacional, etc..) – são os ‘padrões de interferências’ dessas ondas que chamamos de “partículas“… mas, são apenas “padrões”.

‘Onda de probabilidade‘ é uma expressão usada pelos físicos da chamada ‘escola de Copenhague‘ (Niels Bohr, Heisenberg…) – essa escola afirma ter o universo… – em sua dimensão micro (de molécula para baixo) uma natureza fundamentalmente aleatória, porém a mecânica quântica tem outras interpretações que não aceitam essa ideia, uma delas é chamada “variáveis ocultas“… defendida por Bohm, Einstein e Schrödinger.

ondas

As conclusões… 

a) Einstein afirmava que, antes de dizermos que… ‘essencialmente’ o mundo é ‘aleatório’ — precisamos encontrar leis… ou, variáveis, que ainda não descobrimos…devido à nossa ignorância – em relação ao mundo quântico.

b) Ao jogarmos uma única pedra em um lago tranquilo – logo veremos a formação de uma ondulação clássica que se espalha segundo leis bem compreendidas; se jogarmos 2 pedras, a sobreposição das 2 ondas formará um padrão de interferência também já bem estudado. Mas… se jogarmos uma quantidade grande de pedras – o padrão será tão complexo … que seremos tentados a pensar que aquela estrutura é aleatória.

c) A “relatividade restrita” e a “mecânica quântica” se complementaram bastante bem (mas não, sem problemas) no que hoje…é considerada a teoria física de maior sucesso:       a eletrodinâmica quântica… As interações fundamentais estudadas pela mecânica quântica já foram razoavelmente bem compreendidas, em suas relações intrínsecas —   com exceção da gravidade… – Agora, o grande desafio da Física é conciliar a ‘teoria da relatividade geral’ com a ‘mecânica quântica’.

d) Em termos estritos, um fóton não é uma partícula, e nem exatamente uma onda – ele é a excitação de um campo eletromagnético. Ou seja, o fóton é essencialmente ‘informação’.

Na verdade, se tivéssemos uma tabela com a posição… e o instante em que cada pedra atingiu a superfície do lago, poderíamos – teoricamente (com auxílio das equações de Fourier) resolver o ‘misterioso’ padrão… – Essa analogia é apenas para mostrar o que       seria uma teoria de variáveis ocultas; nessa analogia, as variáveis ocultas seriam       as ondas fundamentais formadas por cada pedra… Osvaldo Pessoa Jr. (texto base) ********************************************************************************

Dualidade Onda/Partícula

Desde Newton…a polêmica sobre o caráter ondulatório ou corpuscular da radiação foi continuamente mantida; até que, por volta de 1905…Einstein apresentou uma teoria estabelecendo os “limites de validade”…de um e outro comportamento.

Em suma, na 2ª década do século XX não havia mais razão para duvidar do “caráter dualístico” da radiaçãoora ondulatório, ora corpuscular. – Sob o ponto de vista moderno…depois de tudo que sabemos… parece natural imaginar que essa dualidade também seja verdadeira para a matéria. Todavia, o conhecimento científico da época não permitia essa generalização.

Como se sabe, depois de Planck, Einstein e Rutherford, Bohr elaborou seu modelo para explicar as linhas espectrais observadas desde o final do século XIX. Ocorre que no seu modelo, Bohr foi obrigado a impor determinadas restrições ao movimento do elétron…   em torno do núcleo.

Segundo de Broglie…tais restrições eram mais do que sintomas da necessidade de uma nova concepção do comportamento da natureza. – Para ele, a natureza essencialmente descontínua da quantização…expressa pelo surgimento de números quânticos inteiros, revelava “estranho contraste”…com a natureza contínua dos movimentos presentes na dinâmica newtoniana, e mesmo na dinâmica einsteiniana.

Portanto, seria necessária uma nova mecânica, onde as ideias quânticas ocupassem um lugar de base – e não fossem acessoriamente postuladas, como na antiga teoria quântica.

Um aspecto que chamou a atenção de de Broglie, foi o fato de que as regras de quantização envolviam números inteiros… – Ora, sabia-se, desde muito tempo, que os números inteiros eram fundamentais em todos os ramos da física onde haviam fenômenos ondulatórioselasticidade, acústica e ótica.

Eles são necessários para explicar a existência de ondas estacionárias, de interferência, e de ressonância… Seria, portanto, permitido pensar que a interpretação das condições de quantização levariam à inclusão de um aspecto ondulatório no comportamento dos elétrons atômicos.

Dever-se-ia fazer um esforço para atribuir ao elétron…e mais geralmente   a todos os corpúsculos, uma natureza dualística análoga àquela do fóton, para dotá-los de um “aspecto ondulatório” e de um “aspecto corpuscular” interligados pelo quantum de ação (a ‘constante de Planck’). (texto base)

O “Princípio da Complementaridade”e o observador na Mecânica Quântica Podemos utilizar fótons para visualizar a trajetória dos elétrons… quando estes passam por uma fenda dupla. Porém, quando isso acontece a natureza ondulatória dos elétrons, caracterizada pelo padrão de interferência…desaparece completamente. Entendemos isso, como sendo uma manifestação do “Princípio da Complementaridade”.

fenda dupla

Esquema do experimento de fenda dupla com elétrons sendo observados por fótons. As probabilidades P´1 e P´2 correspondem às situações nas quais apenas os buracos 1 ou 2 estão abertos, respectivamente. Já a probabilidade P´12 corresponde à situação em que os dois buracos estão abertos simultanemente.

Segundo o ‘Princípio da Complementaridade’, enunciado pela primeira vez pelo físico dinamarquês Niels Bohr…as características de onda e partícula são complementares e nunca se manifestam simultaneamente, ou seja…se fizermos um experimento no qual fique claramente caracterizada a “natureza ondulatória” de um objeto quântico… suas características de partícula não irão se manifestar; e vice-versa.

No caso da experiência da fenda dupla, assim que conseguimos determinar a trajetória (um conceito típico das partículas) do elétron, o padrão de interferências (um conceito típico das ondas) desapareceu completamente.

Toda esta discussão, traz consigo aspectos interessantes… – no que se refere ao papel do observador na Mecânica Quântica. – Ao observarmos a trajetória do elétron, destruímos sua natureza ondulatória. Na Física clássica, sempre imaginamos o “observador”…isto é,   a pessoa que realiza o experimento, como ‘ente passivo’…que não interfere com o objeto   de medida. É assim, por exemplo, quando observamos estrelas no céu: elas não alteram seu movimento por causa de nossa observação.

Porém, na Mecânica Quântica, o observador adquire um papel “ativo”… e fundamental para a teoria. Torna-se impossível realizar uma medida sem interferir com o objeto que estamos medindo… – A medição destrói a interferência quântica, causando o chamado “colapso da função de onda. Assim, o efeito de observar o estado do sistema faz, como conseqüência, que esse estado seja alterado.

É importante enfatizar que isso ocorre não apenas no caso do elétron passando pela fenda dupla, mas com todos os sistemas quânticos. Dessa forma, na Física Quântica, a distinção entre observador e observado deixa de ser clara – deve-se considerar…que o observador é também um sistema físico que interage com o objeto de medida.

A interpretação probabilística e o papel   do observador na ‘Física Quântica’, que descrevemos aqui, é denominado como “interpretação de Copenhagen“… e seu principal formulador e defensor – foi o físico dinamarquês Niels Bohr.

Essa é a interpretação mais aceita pelos físicos hoje em dia…Mas, sempre houve físicos que discordaram dessa ideia … e, dentre eles … se destaca Albert Einstein. Segundo este… “a crença em um mundo exterior independente do observador…é   a base de toda a ciência natural”.

‘O Princípio da Complementaridade, e o observador na Mecânica Quântica’  ***************************(texto complementar)***********************

Matéria e antimatéria podem ser criadas do nada   –  22/12/2010

Sob as condições adequadas – que incluem um feixe de laser de ultra-alta intensidade, e um acelerador de partículas de 2 quilômetros de extensão  –  pode ser possível criar algo do nada… É o que garante Igor Sokolov, e colegas…da Universidade de Michigan/EUA.

O grupo desenvolveu novas equações que descrevem como  um  feixe de elétrons de alta energia, combinado com um intenso pulso de laser, pode rasgar o vácuo, liberando seus componentes fundamentais de matéria e antimatéria, e assim, desencadear eventos em cascata – na geração de pares adicionais…detectáveis…de partículas e antipartículas.

Na base de todos estes trabalhos está a ideia de que ‘vácuo quântico não é exatamente ‘o nada’… – Como assim explica Sokolov…

“É melhor dizer… – acompanhando o físico teórico Paul Dirac… que ‘vácuo’, ou ‘nada’,   é a composição de ‘matéria/antimatéria’ … ‘partículas e antipartículas’ … que no todo, possuem enorme densidade…mas, as quais não percebemos individualmente pois seus efeitos observáveis anulam-se… – ao todo”. 

Em condições normais, matéria e antimatéria destroem-se mutuamente assim que entram em contato umas com as outras, emitindo tantos raios gama, que já se imaginou aproveitá-los na construção de ‘laser de raios gama‘…E, argumenta John Nees, co-autor do estudo:

“Sob um forte campo eletromagnético, este aniquilamento que, tipicamente, funciona como um ralo de escoamento, pode se converter na fonte de novas partículas. No curso da aniquilação, surgem ‘fótons gama‘…que em efeito cascata, podem produzir elétrons e pósitrons adicionais”. 

(fóton gama é uma partícula de luz de alta energia – e pósitron é um antielétron, partícula gêmea do elétron, com as mesmas propriedades, mas com carga positiva.)

O que os cientistas calculam, é que os fótons de raios gama produzirão uma ‘reação         em cadeia’ que poderá gerar partículas de matéria e antimatéria detetáveis. Em um experimento – preveem eles, um campo de laser forte o suficiente irá gerar mais partículas, do que as injetadas por meio de um acelerador de partículas.

No momento, não existe nenhum laboratório que tenha todas as condições necessárias – um super laser, e um acelerador de partículas…para testar a teoria. Mas, para Sokolov, o tema, em si, já é fascinante…o suficiente… 

“A questão básica do que é o vácuo – que não é o nada, vai além da ciência. Ela está profundamente incorporada… — não apenas nos fundamentos da física teórica… – mas, também…na nossa percepção filosófica do mundo.”

‘Matéria e antimatéria criadas do nada’ # ‘…criadas da luz’ # ‘…criadas com laser’ ****************************************************************************

Cientistas medem o formato de um fóton  –  06/08/2012

Pesquisadores conseguiram pela 1ª vez medir o complexo formato de um fóton, as chamadas “partículas” individuais da luz. O feito teve a participação da brasileira Katiuscia Nadyne Cassemiro, professora da Universidade Federal de Pernambuco.

formato-foton

[Imagem: M. Bellini/National Inst. of Optics]

Em termos estritos… — o fóton não é uma partícula…nem exatamente uma onda – ele é uma excitação de um campo eletromagnético. Ou seja… é essencialmente informação…. – E assim…a medição de sua forma pode ajudar a criar novos modos de criptografar informação.

Como um pulso de luz tem uma gama enorme de formatos possíveis, já que seu formato está definido pelas “amplitudes“…e “fases“… de seus componentes de ‘frequência’ – é possível codificar informações no formato do fóton… e transmiti-lo, de um lugar … a outro.

E a liberdade é tão grande… que um único fóton pode representar – não apenas… qualquer ‘letra do alfabeto’, como até mesmo configurar uma combinação quântica em superposição de várias letras. O experimento agora realizado tem a ver com a leitura desse fóton quando chega ao destino (…situação necessária para poder retirar dele a ‘informação’ que carrega).

A técnica consiste em combinar o fóton a ser medido, com um ‘pulso de laser’, permitindo que o fóton e o pulso se interfiram mutuamente — reforçando ou cancelando um ao outro, dependendo do seu formato – quanto mais parecidos…maior é a probabilidade de detetar o formato preciso do fóton.

A equipe otimizou o método repetindo a mixagem várias vezes, com fótons idênticos – e, redesenhando periodicamente o pulso de laser com base nas medições anteriores… para, finalmente demonstrar que a técnica permite a recuperação de informações, codificadas artificialmente, nos complexos estados de um fóton individual…Os pesquisadores assim, desenvolveram um método para refinar as medições de uma série de ‘fótons individuais’ em estados idênticos…mas arbitrários; possibilitando também, as chances de se utilizar     os complicados “estados internos da luz“…para transmitir dados.  (texto base) *****************************************************************************

Sobre a natureza fundamental da luz 02/11/2012

2 grupos de físicos…trabalhando de forma independente, garantem ter chegado a um veredito final sobre a chamada “dualidade onda/partícula”.

De Newton a Maxwell… – a luz foi sempre considerada como uma onda. Foi Einstein quem ganhou o “Prêmio Nobel de Física“, demonstrando o “efeito fotoelétrico“, cuja explicação considera os fótons, partículas.

Daí então… se desenvolveu toda a mecânica quântica, prevendo que fótons (…elementos fundamentais da luz), assim como qualquer outro ‘sistema quântico’, podem ser partículas e ondas, simultaneamente.

Contudo, discussões sobre o assunto nunca foram suspensas…porque o resultado – onda ou partícula, dependerá de como a medição é realizada. Meça um fóton de um jeito, e ele lhe dirá que é uma partícula…Altere a medição, e ele se transmutará em partícula. – Isso criou a expectativa entre os físicos de encontrar uma resposta ‘mais fundamental’ – qual seja, a “verdadeira natureza da luz”; porque parece esquisito demais ter que assumir que “uma coisa pode ser 2 coisas…ao mesmo tempo”.

luz-onda-particula-2

Na parte de trás, as oscilações sinusoidais indicam uma interferência de um único fóton – um fenômeno tipo onda. Na parte da frente, não há oscilações, indicando um comportamento típico das partículas. Entre esses dois extremos, o comportamento do fóton metamorfoseia-se continuamente de onda para partícula, indicando a superposição desses 2 estados. [S. Tanzilli/CNRS]

Contudo… – as equações da “mecânica quântica”… tranquilamente assentadas sobre uma história de extremo sucesso, preveem, que uma partícula pode estar em diferentes lugares ao mesmo tempo.

Na verdade … a partícula pode estar até mesmo em ‘infinitos lugares’ ao mesmo tempo (como uma onda). E não apenas “parecendo“… com uma onda… — mas, efetivamente… — “sendo”… uma ‘onda’.

O que os 2 grupos agora conseguiram fazer foi, provar…na prática, que esse jogo… — termina mesmo “empatado”.

Experimentos similares foram realizados por Alberto Peruzzo e colegas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, e Florian Kaiser e equipe, do instituto francês CNRS. – Pela 1ª vez, os físicos conseguiram observar os fótons … não como partículas ou como ondas, mas como partículas e como ondas, ao mesmo tempo.

Longe de ser uma mera curiosidade científica…o experimento terá largas implicações para todos sistemas quânticos, entre os quais, qubits usados pela computação quânticaprocessadores fotônicose comunicações por fibras óticas.

setup-bristol

Este foi o equipamento usado pela equipe da Universidade de Bristol em sua demonstração da dualidade partícula/onda. [Fernando Traquino]

Medição quântica

A “observação” da dualidade partícula/onda é baseada em uma proposta feita pelo físico John Wheeler, nos anos 1980. O “experimento” consiste em dividir os fótons… – e depois reuni-los novamente. Dividir uma onda é trivial…mas não, dividir um “fóton/partícula“… Na medição, 2 interferômetros são utilizados, o 1º… dividindo a onda de luz, e o 2º, reunindo de novo – e vendo o resultado.

Quando um fóton – disparado individualmente, atravessa o 1º interferômetro, o resultado no 2º interferômetro continua sendo um padrão de interferência; algo típico das ondas que se mesclam… – mas nunca de partículas…(ainda que o fóton não se divida). – Comprova-se assim, a famosa “dualidade”.

Mas, o que faltava então, era ver como e quando um fóton “vira” partícula, ou “vira” onda. Para isso, os 2 grupos idealizaram variações do “experimento de Wheeler”, que permitem ao fóton ser rastreado o tempo todo, e medido continuamente. Foram usadas, nesse caso, configurações ligeiramente diferentes — mas ambas usaram pares de fótons entrelaçados, aqueles, chamados por Einstein de ‘fantasmagóricos’pois o que acontece com um afeta   o outro… – independente de qual seja a distância que os separe.

Um dos fótons é observado, e detetado em um ‘interferômetro’ – enquanto o outro ‘decide’ se a medição será feita de modo a resultar em partícula ou onda (o tipo de medição é quem determina como o fóton responderá…partícula…ou onda). – Como o que acontece com um fóton, sempre interfere com seu parceiro entrelaçado… – os cientistas puderam observar o fótoncontinuamentese transformando entre partícula e onda.

Isso porque os 2 compõem a estranha situação conhecida como…”Gato de Schrödinger“… um gato colocado dentro de uma ‘caixa’ – com um ‘frasco de veneno’ … cuja quebra se define, pelo “comportamento” da ‘partícula quântica’.

Ele (o gato) estará “vivo e morto”…ao mesmo tempo porque a condição da partícula só será definida, quando ela própria for medida, isto é… – quando a caixa for aberta.

Mesmo se o ‘fóton de controle’ decide como medir a partícula…depois dela já ter passado pelo 1º interferômetro…ela mantem sua natureza “indecisa“… – Em termos do gato, isso significa que continua sendo possível determiná-lo como vivo ou morto, ou vivo e morto ao mesmo tempo… – mesmo quando já deveria estar definida sua sobrevivência (ou não).

A vantagem dos experimentos é que, em vez de medições individuais, é permitido explorar a passagem da luz, de comportamento ‘tipo onda’, para um comportamento ‘tipo partícula’ – uma “passagem” que é constante. – Como nos experimentos essa situação se repete… ao infinito… torna-se possível observar que o fóton assume… constantemente, as 2 condições, ou seja, o fóton é realmente, uma “partícula” e uma “onda”, ao mesmo tempo. (texto base)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
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4 respostas para Bohr… e o ‘Yin/Yang’ da Complementaridade

  1. JMFC disse:

    Na verdade ainda não se chegou ao cerne da questão, que é aquilo que observamos (o mundo micro) e do modo como o observamos vêmo-lo como uma onda ou uma partícula.
    Quando enviamos um feixe de electrões através de uma fenda sobre um alvo, se os observarmos antes da sua passagem na fenda, apresentam a sua impressão no alvo como partículas; se os não observarmos aparecerão no alvo como ondas e se…os observarmos após a sua passagem pela fenda mas antes de impactarem no alvo surgem novamente como partículas.
    A realidade é bem mais complexa. Desmontá-la para a melhor conhecer, é essa a tarefa do ser humano. Criar modelos que a reproduza é o caminho. E os caminhos são muitos no seio da floresta escura. Há sempre algum que nos levará para a orla da floresta e vai-se fazendo luz…
    A realidade será feita de cordas a vibrarem em diferentes frequências com as consequentes interferências?! Este é um caminho…

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  2. JMFC disse:

    “o aparente problema se refere à nossa limitada capacidade de observação”

    Acabei de ler o artigo. O que achei de novo e interessante é essa metamorfose que vai acontecendo ao fotão. Ele é onda e partícula. Aprendera já há alguns lustros atrás que todo o corpo em movimento tem associado uma onda, desprezável para os de maior massa quando se faz o cômputo total.
    Reportava-me à (im)possibilidade de descobrirmos o que estará para além…, escondido de nós e se um dia teremos acesso à sua total compreensão e descoberta. Por isso me referira às cordas, a sua vibração, de que as diferentes partículas seriam a sua consequência!
    Obrigado, Cesarious. Muito interessante e oportuno o que escreve. As descobertas e os avanços científicos que vão sucedendo são uma candela no caminho da humanidade.

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  3. Cesarious disse:

    Ainda bem que, com a ajuda de seus comentários, essas questões nebulosas vão tomando forma, para nosso espanto e deslumbramento. Te confesso que na faculdade, quando comecei a aprender física quântica, com as equações de De Broglie e Schrödinger, pensei em abandonar os estudos pra me dedicar à poesia (e de certa forma o fiz). Talvez porque, àquela época, não existisse o Wikipédia pra me socorrer, ou um amigo com quem conversar.
    VLW

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