Consciência quântica (no Vácuo da Teoria)

redeneural‘A consciência é um singular… – cujo plural nos é desconhecido’ … (Erwin Schrödinger)

Talvez — a melhor oportunidade para uma breve revisão das futuras, bem como atuais correntes do pensamento sobre possíveis… “processos globais do cérebro“… (que poderiam estar por trás da ‘consciência)  tenha sido apresentada em uma “corajosa” conferência interdisciplinar…realizada em 1994, no ‘Centro de Ciências Médicas’…situado na Universidade do Arizona, Tucson /EUA.

O encontro de 5 dias – sob o auspicioso tema … Rumo a uma Base Científica para a Consciência atraiu 46 oradores, incluindo de filósofos e teóricos da complexidade a neurobiologistas, e…físicos quânticos.

Para ter certeza que nenhuma nova “perspectiva fosse perdida, havia até mesmo alguns ‘analistas Jungianos‘… e pesquisadores deestados alterados da consciência… E, ainda para aqueles que não tivessem chance de falar durante a reunião oficial…havia sessões à tarde, as quais a maioria dos 300 participantes presentes…parecia tentar melhor dispor.

Campo…ou processo?

Um grande número de ideias foi apresentado à conferência, sendo que, delas – uma clara divisão emergiu. Os oradores tendiam a 2 pólos opostos de explicação; ou eles concebiam   a consciência como alguma forma especial de ‘campo presença misteriosa, reflexiva, gerada pelo cérebro…ou residindo como uma ‘alma’ dentro dele… — ou… eles tratavam a consciência como um ‘processo cerebral‘…o padrão de informação criado sempre que     o cérebro funciona.             

Ambos os pontos de vista têm uma longa tradição no pensamento filosófico, nos levando a ideias muito diferentes sobre tudo o que há na consciência…e precisa ser explicado.

Em uma visão conservadora — a consciência é vista como algo fluido e sem emendas, um ‘campo inquebrantável’ de energia mental…Este “campo de consciência” pode existir   em diferentes graus de força — variando em intensidade entre humanos e animais, ou até mesmo entre sono e vigília — mas, de alguma maneira é sempre essencialmente a mesma coisa. O grande enigma, então é o que permitá a esse pedaço mole, que é o nosso cérebro – de repente se iluminar – com o brilho mágico da experiência subjetiva?…

http://www.fotonblog.com/2010/10/p-margin-bottom-0.html#more

‘Deve haver algum truque, algum mecanismo estranho, e talvez sobrenatural  –  que negocie a transição de matéria inanimada para mente animada’.

Por outro lado, os que tomam partido do processo de consciência”, procuram por um tipo bem diferente de definição. Eles veem a ‘consciência‘ — não como uma coisa em si…ou um ‘brilho misterioso’, e sim… — como uma tapeçaria passageira   de conexões nervosas numa temporária ‘teia de informação‘… – criada por uma premente necessidade momentânea, de processamento.

Nesta perspectiva, falar sobre consciência é como falar sobre o giro de um pião… ou, o salto de uma bola no ar.

A consciência é simplesmente uma descrição do comportamento do sistema, um verbo que diz o que o sistema está fazendo…Tratar a atividade de um sistema como algo possuidor de uma existência própria – é como se o giro pudesse existir separado do pião… – ou, a mente independente do cérebro… – Na verdade… – se trata de cometer um erro linguístico grave.

Um uso imperfeito da linguagem conduziu a uma falsa distinção entre o cérebro e suas ações — ficando tão impregnado em nossa cultura — que agora achamos difícil tratar a consciência apenas como um “produto do cérebro”. Ver a consciência apenas como um processo neural, significa que não há nenhuma necessidade especial de um interruptor psíquico, um poder ou esquema misterioso – ligando o cérebro biológico à consciência.

Físicos & biólogos                                                                                                                  Mas… é tolo pensar na consciência como                                                                                  tendo algum mecanismo central simples. 

Falando sobre esta diferença em estilos conceituais — durante um dos intervalos para o almoço na conferência de Tucson, Christof Koch observou que o contraste reside entre “físicos” e “biólogos“. Ele diz que os físicos esperam achar o segredo da consciência em alguma grande surpresa fundamental nas leis da natureza…

De acordo com as grandes inovações nas ciências básicas, eles acreditam que a resposta deveria ter uma simplicidade profunda e bela. Porém, aqueles inclinados à biologia estão acostumados a respostas complicadas, até mesmo bagunçadas. Justamente como a vida, acreditam que a consciência não é o produto de um único processo ou mecanismo, mas uma imensa profusão de processos.

E…da mesma maneira que em biologia esta complexidade exige muitos níveis de explicação – de moléculas de DNA até ecossistemas – a mente deverá ser considerada como arranjos de múltiplas teorias.

A consciência é um fenômeno autodefinido como a soma de toda…e qualquer atividade neural acontecendo no cérebro…num dado momento particular.

Longe de ser um campo sem costuras da consciência, a mente se torna algo assaz  periclitante, cheia de afazeres…formada       dos mais diversos padrões… — saltando sobre os circuitos do cérebro… – a cada momento particular. 

Eventualmente… talvez…  até pudesse ser possível considerar – habilmente – muito desses detalhes, dentro de algum conceito estatístico…inteligentemente formulado…

Assim como a teoria da evolução” consegue capturar a dinâmica essencial de sistemas vivos, a “teoria de complexidade” está dizendo algo sobre ‘sistemas autorganizados’ em geral. É claro, acrescenta Koch, na verdade poderia muito bem ser um pouco de ambos.

A mente poderia ser, principalmente, a soma de suas partes – o jogo de padrões de processamento surfando nos circuitos do cérebro em um certo momento…contudo, também poderia haver uma reviravolta na história…algo especial que diferenciaria            os processos do cérebro que resultam em um estado consciente, dos muitos outros         que nunca alcançam totalmente este nível privilegiado.

As duas tendências opostas – a física e a biológica – a visão de campo e a visão de processo’ são bem fundamentadas, na história das tentativas de explicação da mente.   No século XVII a ideia de ‘consciência’ como algo extra aos fios cegos do cérebro físico estava clara no dualismo entre o filósofo René Descartes, e sua visão Cristã da alma humana — e a escola associacionista britânica — inspirada em Thomas Hobbes e John Locke — a qual tentava colocar toda vida mental em termos da acumulação de ‘microprocessos orgânicos‘.

No século XX, a divisão continuou… Várias escolas de pensamento — como a psicologia Gestalt… e o movimento Nova Era – representando a ‘visão de campo’ – enquanto behaviorismo, ciência cognitiva…e a filosofia ‘Funcionalista’  têm sido os mais árduos defensores da visão processual. 

Em Tucson…os 2 pontos de vista estavam presentes em suas versões mais modernas, e atualizadas. Metade da conferência foi tomada por uma entusiástica explicação mental     da ‘mecânica quântica‘… — na qual se pensava que regiões do cérebro poderiam se iluminar, e se tornar introspectivamente conscientes…através do fenômeno conhecido como ‘coerência quântica.  

Enquanto isso – a outra metade da conferência foi igualmente tomada pela satisfatória promessa de uma nova visão orgânica da mente, cientificamente encontrada nas redes neuraisvia ‘teoria da complexidade… – Estas ciências pareciam querer mostrar como a natureza da ordem mental – a partir da massiva conexão dos bilhões de células nervosas no cérebro – surpreendentemente, poderia surgir.

Conexionismo Neural                                                                                            ‘Pensamentos e sensações não escorrem para um fundo mental, visão que o filósofo Daniel Dennett descarta como a “falácia de teatro Cartesiano“.                   Ao invés disso… – são todos nossos pensamentos e sensações de um momento, amontoados juntos, que definem nossa consciência’.  

Se ‘scanners de cérebro’ estão fornecendo a ‘evidência experimental’… e reaproximação entre psicologia e neurologia, permitindo o clima necessário a uma pesquisa produtiva,   espera-se que o  ‘conexionismo neural,     de certa forma … seja a teoria (processual)  que, finalmente, explicará a consciência.

Porém, o encontro de Tucson — assim como várias outras conferências sobre consciência naquele ano, estava fervilhando de excitação devido à recente moda por explicações da mente baseadas na teoria quântica – se por nenhuma outra razão, ao menos para saber porque — para alguns cientistas — aqueles ‘scanners de cérebro se tornariam quase irrelevantes, para responder às perguntas mais profundas sobre a ‘consciência humana’. 

A ideia de que o estranho mundo do quantum pudesse conter respostas para a consciência, possui longa história. Pensamentos nesse sentido datam de, pelo menos tão cedo quanto à publicação do livro ‘Quantum Theory’, escrito pelo físico David Bohm em 1951... Mas, recentemente, a especulação chegou a ponto de se tornar quase uma crença popular, como argumentam vários pensadores – incluindo o renomado físico de Oxford, Roger Penrose:

‘O que mais poderia explicar os mais intangíveis aspectos da mente, como livre arbítrio, intuição, criatividade, e a unidade subjetiva da experiência?’

Um esboço da física quântica

Durante a sessão de abertura, no auditório do hospital universitário — iluminado pela luz ambiente do deserto, o filósofo da ‘Washington University’… David Chalmers, resumiu de forma excelente a expectativa da conexão quântica…  – quando disse, em tom irônico:

A consciência é um mistério, a mecânica quântica é outro. Quando você tem 2 mistérios… bem, talvez haja apenas um… Talvez, sejam o mesmo“. 

A física quântica esboça um quadro estranho do universo. De acordo com suas equações, matéria e energia assumem 2 personalidades – às vezes se comportam como partículas, e outras como ondas  —  de acordo com o modo como são medidas. Como resultado desta dualidade fundamental, matéria e energia se tornam indeterminadas em muitas de suas qualidades… como velocidade, posição e giro – até que sejam fixadas pelo ato de medida.

É como se, desfocados pelo espaço e tempo – elétrons e fótons  podendo explorar toda gama de possíveis valores acessíveis…colapsassem em um estado definido de ser, quando alguém – com uma pinça – os alcançasse. 

Até mesmo – mais paradoxalmente, quando dois objetos quânticos são o resultado da mesma interação — tal como o par de ‘raios gama’ emitidos na aniquilação pósitron-elétron, eles interagem de forma que… medir um, determinará todas as qualidades do outro – não importa quão distantes   os 2 possam estar. — O par de raios gama…por exemplopoderia estar viajando por direções opostas pela galáxia durante milhões de anos… Mesmo assim, de alguma maneira, medir um fixaria imediatamente os valores do outro.

Esta interação não-local, ou coerência quântica, parece violar a teoria da relatividade de Einstein… em sua proibição de qualquer evento acontecer mais rápido que a velocidade da luz… É como se a partícula gêmea ‘soubesse’ imediatamente sobre a medida – ou, como se o ato futuro de medida tivesse sido previsto – de alguma forma, no momento em que os raios se separaram… – ‘Enquanto tais estranhezas fazem a física quântica difícil de aceitar – matematicamente… – é uma visão do Universo que funciona excepcionalmente bem’.

Usando uma ferramenta estatística conhecida como função de onda’, se pode descrever… – por exemplo,   o  “estado espalhado” de  1  elétron com precisão total; através de um  “gráfico de probabilidades.

Assim — mesmo não podendo dizer, exatamente, onde está um ‘quantum não-medido’ — em um determinado momento… podemos dizer… o quão provável seria achá-lo lá; e também quão rápido estaria se movendo…e, qual tipo de giro, seria provável ter.

Uma das características mais importantes dessas equações de ‘função de onda’… – é que podem ser usadas – não só para descrever o ‘envoltório de possibilidades‘ contendo uma partícula individual…mas também na descrição de sistemas inteiros, como átomos, moléculas, o cérebro – e até mesmo, o próprio Universo.

O problema da consciência                                                                                                   A consciência – ao inventar signos… se desenvolveu apenas sob pressão da necessidade humana de comunicação… Sob a influência do conhecimento crescente – e, na tarefa de incorporar o saber em si, um hábito herdado cede lugar a outro, tornando-o instintivo.’   (W. Stegmaier – “Do Pensamento de Nietzsche”)

Há muitos modos de interpretar os enigmas da física quântica. Num deles, as dificuldades se originam de tentar preservar a ideia da partícula…quando – em realidade, a única coisa que existe ao nível subatômico de efeitos quânticos são ondulações no tecido espaçotempo.

Às vezes estas ondulações parecem se comportar como partículas…suas cristas se cruzam, criando o que parecem movimentos e colisões… Porém, a energia e a massa de tal onda permanecem incertas… – tornando impossível medir simultaneamente, e com exatidão a posição e velocidade de uma ‘partícula’ individual

Porém, outros interpretaram as estranhezas da física quântica de forma bem diferente, e acreditam que não são nossas tentativas de preservar a ‘ficção de partículas subatômicas’ que estão erradas – e sim, por outro lado, o problema do observador tem alguma ligação profunda e misteriosa com a consciência humana.

A física quântica nos diz que toda partícula, aparentemente…existe como um monte de possibilidades superpostas … — um estado caótico de energia, seguindo todo caminho possível — até que haja um ‘ato de medida’ para fazer…’colapsar a função de onda‘.

Alguns físicos acreditam que uma interação entre partículas – como colisão…  – é ‘auto-suficiente’ — independendo da observação (com — é claro… cada colapso abrindo um novo rastro de possibilidades quânticas — descritas por uma função de onda original).

Porém… vários físicos acreditam que partículas só se tornam ‘reais como o resultado da observação humana… É apenas quando um observadorhumano ‘sabe’(se tornou consciente) do resultado de uma experiência quântica…que – de fato… uma função de onda colapsa… — Levando este argumento ao extremo … o Universo parece requerer testemunhas humanas até mesmo para existir… 

Antes mesmo da mente humana surgir, presume-se que o Universo deva ter vagado em uma espuma não resolvida de possibilidades…Mas, agora, felizmente, a evolução da vida humana ‘sensciente’ o colapsou em forma!”  (de uma máxima criacionista)

Entretanto — até mesmo aqueles que acham demais pensar que o universo poderia se dobrar perante a existência humana… percebem que os paradoxos da teoria quântica sugerem algo sobre nossa consciência… – Precisamente como um sistema quântico, a mente humana criativa…parece provar muitos caminhos e resultados… – correndo à frente de si mesma com palpites e intuições, antes de colapsar sua ‘função de onda’, e  formar o ‘estado resolvido‘…nosso próprio fluxo lógico, focalizado no pensamento.

chipanze

A atração da ‘analogia quântica’ é óbvia

Parece plausível que a ‘consciência humana‘ seja resultado do cérebro descobrir… – no decurso da evolução, como lidar com ‘efeitos quânticos sutis’.

Enquanto o cérebro de um animal mais simples pode ser verdadeiramente um autômato, não mais que um computador biológico cego; conosco, e alguns outros ‘parentes próximos’ … como os chipanzés … – foram encontrados ‘caminhos’ para a eventual formação de um ‘campo de coerência quântica’…envolvendo todo o cérebro, ‘globalmente consciente‘.

De fato, todos temos um enorme desejo de entender aquele mais íntimo dos mistérios da vida… – “Como poderia surgir aquela faísca da razão, tendo-se a consciência trancada em uma construção mortal de carne… cabelo… e osso?…”

Ao olharmos os últimos séculos de ciência e filosofia, não obtemos muitas respostas. Pior ainda… – as teorias oficiais…até onde alcançam, são extremamente  mecanicistas, ao nos tratar – seres humanos, como pacotes de reflexos, ou máquinas calculadoras vazias. Elas ainda não conseguem nos contar, o que realmente queremos saber…

“Como conseguimos ajustar um panorama contínuo de sensações, sentimentos e ideias dentro de nossas cabeças? O que será que nos               dá a percepção de um ego… – com sentimentos, planos e desejos?”  

A física quântica, não apenas parece pronta para oferecer uma resposta para o modo como os ‘sombrios mecanismos de circuitos do cérebro‘ poderiam – pela consciência, de repente se iluminar… – ela também parece apta a responder… por algumas das qualidades especiais associadas ao ser humano – a saber… criatividade, imprevisibilidade e liberdade.

Quanto mais os cientistas cognitivos tentam nos enganar com fluxogramas computadorizados — ou, os neurologistas…com complicados diagramas de circuitos de plasma … mais clamamos por uma explicação que seja simples, porém mais ampla em alcance… – “Esqueça detalhes prolixos de processos neurais!…suplicamos… Apenas nos conte que mecanismo faz a consciência surgir dentro de nossas cabeças?!”

John McCrone…  ‘Going Inside – a tour around a single moment of consciousness’      (tradução: Kentaro Mori – ago/2009)… ‘O Vácuo da Teoria, Consciência Quântica?’  ####################(texto complementar)######################

Teoria quântica da mente ganha sustentação experimental (28/01/2014)  Novas pesquisas estão dando embasamento a uma teoria sobre a consciência…que  ainda permanecia controversa no meio científico. – Os novos dados experimentais mostram que a consciência deriva de um nível mais profundo de atividades… – em             escala menor do que os neurônios.

Na verdade, essas atividades ocorrem dentro dos próprios neurônios, mas não, nos processos celulares normais… ou, nas conexões entre eles – e sim, em uma interação molecular, onde as leis da física que operam são aquelas estabelecidas pela mecânica quântica. Os resultados, que alguns especialistas classificaram de ‘históricos‘, foram publicados na revista científica ‘Physics of Life Reviews’. 

A teoria é denominada Orch-OR, sigla para “orchestrated objective reduction”… ou redução objetiva orquestrada’.  

O responsável por defender essa nova ‘teoria da mente’ é Stuart Hameroff — em parceria com   um dos mais renomados físicos   da atualidade…Roger Penrose.

Eles defendem que… as assim chamadas ‘computações vibracionais quânticas’ nos ‘microtúbulos’ são ‘orquestradas’ (“Orch“) – por entradas sinápticas, e memórias armazenadas nos microtúbulos; —  e, terminadas por “redução objetiva“…(“OR“).

A recente descoberta de vibrações quânticas em microtúbulos dentro dos neurônios do cérebro dá sustentação a esta teoria. – De acordo com Hameroff e Penrose…a consciência surge de alguma coisa… — ‘além das computações’… — que a ciência ainda não descobriu, eventualmente, porque não admite a possibilidade de sua existência.

Os 2 pesquisadores sugerem que os ritmos das ondas cerebrais, normalmente gravados por exames de eletroencefalografia – também derivam de vibrações…(de um nível mais profundo) dos ‘microtúbulos‘ (principal componente do esqueleto estrutural celular), e que – do ponto de vista prático – tratar as vibrações dos microtúbulos no cérebro — irá beneficiar pacientes com uma série de doenças mentais…neurológicas…e cognitivas.

Origem da consciência

A teoriaOrch-OR” foi muito criticada desde o seu lançamento, com base no argumento de que, o cérebro seria barulhento, quente…e “molhado” demais para sustentar sutis processos quânticos.  

No entanto… – experimentos já comprovaram a ‘coerência quântica quente  na fotossíntese das plantas, no sistema de navegação no cérebro dos pássaros, no olfato humano e, recentemente, nos microtúbulos cerebrais.

Hameroff e Penrose foram questionados         assim, sobre esta questão:

“A origem da consciência reflete o nosso lugar no universo – a natureza da nossa existência. Será que a consciência evoluiu a partir de cálculos complexos entre os neurônios do cérebro, como a maioria dos cientistas afirma? – Ou será que a consciência, em certo sentido tem ‘estado aqui‘ o tempo todo; como as abordagens espirituais defendem?”… E eles responderam:

“Isso abre uma potencial ‘Caixa de Pandora‘, mas a nossa teoria acomoda os dois pontos de vista, sugerindo que a ‘consciência’ deriva das vibrações quânticas nos microtúbulos – proteínas poliméricas dentro dos neurônios   do cérebro – que tanto governam as funções neuronal e sináptica, quanto conectam os processos cerebrais aos processos autorganizados em escala mais fina… – em uma estrutura quântica ‘protoconsciente‘ da realidade.” 

(A descoberta das vibrações quânticas de elevada temperatura nos ‘microtúbulos’,             dentro dos neurônios cerebrais foi realizada no Instituto Nacional de Ciências dos Materiais – Tsukuba /Japão pela equipe de Anirban Bandyopadhyay) ‘texto base’  ******************************************************************************

A ‘mecânica quântica‘, peça central da física moderna…é mal-interpretada – como       se implicasse que a ‘mente humana’ controla a realidade… e o universo é um todo conectado, que não pode ser entendido pela mera redução às partes… — Nenhum argumento, ou indício decisivo, requer que a mecânica quântica assuma um papel central na consciência humana – ou que forneça conexões holísticas instantâneas através do universo. A física moderna, incluindo a mecânica quântica, permanece totalmente materialista/reducionista, na medida em que é consistente com todas observações científicas. (‘Charlatanismo Quântico’) ******************************************

‘Neuromatemática’, a nova ciência do cérebro

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O professor Antônio Galves coordena o esforço brasileiro para tentar entender como o cérebro processa informações. [Imagem: Marcos Santos/USP]

A neurociência, em sua situação atual, padece de um mal estranho — é rica em dados… mas pobre em teoria… – Ou seja…os estudiosos conseguem registrar as coisas acontecendo no cérebro…mas não compreendem o que os dados significam.

Para sanar esse problema, são necessários novos modelos matemáticos que deem conta dos dados experimentais observados, em uma nova ciência do cérebro… denominada ‘neuromatemática‘, tema de estudos da equipe do professor Antônio Galves, do Instituto de Matemática, e Estatística da USP.

A empreitada, batizada de NeuroMat, conta com uma equipe composta por matemáticos de áreas diversas, além de neurocientistas, cientistas da computação e médicos da USP e outras instituições nacionais e internacionais, como explica Galves… — “Trata-se de um “Centro de Matemática Pura”…inspirado nas questões que a neurobiologia nos coloca”.

Cérebro estatístico

Uma das perguntas que o NeuroMat tenta responder é como nosso cérebro codifica e processa estímulos externos. Ao ver uma árvore por exemplo, é possível reconhecê-la como árvore…ainda que seus galhos estejam se movendo, ou que suas folhas tenham caído… — indicando a capacidade de reconhecer padrões — naquilo que observamos.

Mas, este processo é muito mais elaborado do que podemos imaginar em uma primeira análise… Os cientistas suspeitam que o cérebro seja, na verdade, um ‘exímio estatístico’.   A ideia é que existe uma regularidade, em um nível superior ao da simples aparência, e essa regularidade é de caráter estatístico…Esse processo é chamado “seleção estatística     de modelos“.

Procurar regularidades estatísticas pela seleção de modelos é uma ideia revolucionária em neurociência… – No exemplo anterior… – seria a capacidade do cérebro em decodificar e processar informações (mesmo variáveis) … para que possamos reconhecer uma árvore.

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Atualmente, o grupo trabalha na construção de um banco de dados que reunirá informações de experimentos e análises em neurociência. [Imagem: Marcos Santos/USP]

O experimento

Uma das experiências realizadas para tentar compreender o funcionamento do cérebro gravou a atividade elétrica cerebral de voluntários… expostos a 3  ritmos musicais diferentes. Os ritmos se revelavam a partir de uma sucessão regular de unidades com batidas fortes, fracas, ou intervalos silenciosos. A isso somou-se o ‘apagamento‘ aleatório de batidas fracas…alteradas por silêncios.

O ‘objetivo principal’ da pesquisa era obter evidências experimentais, corroborando a hipótese de que o cérebro fazia seleção estatística de modelos. – Ou seja, o que se queria saber é se a partir de longas amostras produzidas com as sequências rítmicas mais o ‘apagamento aleatório’…o cérebro podia identificar as sequências regulares de base…fossem quais fossem as escolhas aleatórias     de apagamento. – E os resultados preliminares obtidos dão força à ideia…disse Galves:

“Estamos tentando encontrar evidências de que usar a ‘seleção estatística de modelos’ como paradigma para a atividade cerebral é viável e factível. — O desafio é construir modelos que expliquem as evoluções temporais obtidas de registros eletrofisiológicos, durante a exposição a estímulos diversos… – como rítmicos… e visuais”.

Banco de dados neuromatemático

Atualmente, o grupo trabalha na construção de um banco de dados com informações de experimentos e análises em neurociência. – A ideia é que este seja facilmente adaptável para gerenciar também dados pertencentes a outros campos da neurociência…  E assim concluiu a professora Amanda Nascimento – da Universidade Federal de Ouro Preto … que também participa na construção dessas ‘ferramentas computacionais‘:

“Está prevista também, a construção de um portal para facilitar o acesso a todos os dados resultantes das pesquisas do “NeuroMat“…  —  em apoio à integração dos pesquisadores no acesso de dados”. (USP/2014) ‘Texto base’

Textos p/ Consulta:  ‘Espaço e tempo entrelaçados na Mente’ # Consciência quântica ou Consciência crítica? Roberto Covalan # Seria a Física Quântica necessária para explicar a Consciência? — Osvaldo Pessoa Jr. Science and the Art of Journalism – entrevista c/ John McCrone #  ‘A Teoria da Cosciência de David Chalmers’  # ‘Could Quantum Brain Effects Explain Consciousness?’  (Livescience – June, 2013) # o cérebro humano, esse ilustre desconhecido (jul/2013) # Entrevista com Roger Penrose (SUPER – fev/1988).

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979... (s/ diploma)
Esse post foi publicado em cosmobiologia, física, filosofia e marcado . Guardar link permanente.

5 respostas para Consciência quântica (no Vácuo da Teoria)

  1. Lindsay disse:

    Great post. I am experiencing many of these issues as well..

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  2. Trindade de Assis disse:

    Muito bom!!! tava refletindo aqui se a glândula pineal seria esse ‘interruptor psíquico’, se ela junto com hipocampo sejam, talvez, lugares no cérebro mais suscetíveis as interferências quânticas, seria aonde as informações primárias ou melhor elétrons seriam medidos, levando, posteriormente, essas informações as demais partes do cérebro.. enfim apenas divagando.. a coerência quântica é sensacional, quando eu soube dela e outras visões da teoria quântica isso só me deixou mais curioso e satisfeito, estranho isso rs, e lógico com um monte d questões novas na cabeça.. Esse seu excelente artigo, me fez pensar e questionar mais ainda algumas teorias, sensacional, tava precisando.. Um filósofo e matemático q gosto muito Gotffried Leibniz criador do cálculo e do código binário “a linguagem dos computadores” , para mim ele é também um dos primeiros a terem a visão ‘quântica’ do estado das coisas, ideias de percepção do observador sobre a matéria, o movimento em seus textos sobre as mônadas são muito bons!

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    • Cesarious disse:

      obrigado amigo,
      na verdade o meu trabalho aqui é selecionar os textos que , de alguma forma me fazem refletir, e dar um polimento, acrescentando alguns aspectos novos e, acho eu, pertinentes, dentro de uma abordagem a mais científica possível; e você me parece bem familiarizado com a “coisa”.
      ABRAÇOS

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  3. Ira disse:

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