E Fez-se a Luz !…(em estranhas ondas de rádio)

“Artistas, sábios e filósofos parecem muito atarefados em polir lentes, como que num grande preparativo para um acontecimento que jamais se produz. Um dia porém, a lente será perfeita, e nesse dia…todo o mundo, estupefato, perceberá…  claramente… – a sua extraordinária beleza”…  (Henry Miller)

history-of-the-universe

Este diagrama mostra a evolução do universo desde o Big Bang até os dias atuais. Não muito depois do Big Bang, a luz das primeiras estrelas dissipou uma névoa de hidrogênio frio, em um processo chamado re-ionização. Mais tarde, os quasares, galáxias ativas com poderosos buracos negros em seus núcleos, bombearam luz ultravioleta suficiente para re-ionizar o hélio primordial. NASA/ESA/A. Feild (STScI)

O universo primitivo passou por sua própria ‘idade das trevas’, antes das primeiras estrelas serem formadas e emitirem sua 1ª luz… – Hoje em dia,  astrônomos tentam iluminá-la, para saber…quando…e de que forma isso aconteceu. – O período de formação das primeiras estrelas…quando elas então começaram a brilhar, é assim chamado ‘era da reionização‘…e, ocorreu…provavelmente… algumas centenas de anos após o “Big Bang”.

Para o astrônomo Judd Bowman, da Universidade do Arizona…e autor de um recente trabalho sobre o assunto:

“Antes dessa época…o universo era feito principalmente de hidrogênio, aproximadamente uniforme… sem luz — numa… idade das trevas“.

Quando leves ondulações desse gás hidrogênio…ao sabor da gravidade, criaram – eventualmente…”densas áreas”… juntando massa suficiente para colapsar em estrelas, e iniciar   a fusão nuclear, a radiação emitida destas estrelas interagiu com o gás hidrogênio residual, entorno delas, excitando átomos de hidrogênio, e expulsando seus elétrons…criando    ‘íons (positivos) de hidrogênio‘.

Nessaépoca de reionização contudo, ninguém ainda sabe, ao certo… os detalhes de como tudo isso aconteceu, ou quando as primeiras estrelas se formaram… — Qualquer evidência é extremamente distante e fraca. Mas agora, uma nova abordagem em ondas    de rádio trouxe luz à trevas Já que a identificação da luz através das 1ªs estrelas e galáxias é tão difícil, Bowman e seu colega Alan Rogers, do MIT (Instituto Tecnológico        de Massachusetts) tentaram uma rota diferente. Eles construíram uma “rádio-antena” chamada ‘Edges‘, implementando aí um “dispositivo próprio” para localizar a emissão      de um sinal de rádio característico (λ=21 cms) do gás de hidrogênio em galáxias.

Desse modo…eles procurariam evidências de como esse sinal poderia ter variado ao longo do tempo … graças ao surgimento do gás ionizado nas galáxias e estrelas em formação. – E eventualmente, quando todo o gás estivesse ionizado – o sinal de ‘hidrogênio neutro teria se apagado.

http://actividadesonline.blogspot.com.br/2011/06/observatorio-chandra-da-nasa-descobre.html

Ilustração da ‘reionização’, numa linha de tempo resumindo a evolução do Universo (da esquerda para a direita), com o Big Bang à esquerda e a idade do Universo até cerca de 2 bilhões de anos (à direita). A imagem mostra que a “névoa” cósmico de hidrogénio (sem carga) neutro, que preenchia o Universo primitivo, é iluminada pelos primeiros objetos a emitir radiação – Crédito: NASA/CXC/M.Weiss

Segundo os pesquisadores – a experiência foi projetada para descobrir se a formação das estrelas foi rápida, ou não. Como eles não detectaram qualquer alteração, isso significava que demorou cerca de 3 a 12 milhões anos para as galáxias, e as estrelas se formarem, e a reionização ocorrer. – Estando a medição em consonância com a maioria dos modelos de universo primitivo, ajudou a descartar algumas suposições marginais. Para Bowman:

“O trabalho é muito recente, e as teorias principais ainda estão por ser testadas… – mas, o importante foi demonstrar que o método funciona”.

texto base: [livescience] (dez/2010) ‘Pesquisa com ondas de rádio pode dizer quando a luz começou no universo’ ## Cosmic Heat Wave Caused Patchy Galaxy Formation (ilustração) ^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^^

‘Ruído Cósmico Desconhecido’ (em microondas)                                                                “O universo nos pregou uma peça… – ao invés do sinal fraco que esperávamos medir, detetamos um ruído 6 vezes mais intenso do que o previsto, e até agora, inexplicável”.

arcade-roen-kellyUm experimento a bordo de um balão estratosférico da NASA…detectou um misterioso sinal cósmico em frequências de rádio – que está deixando intrigados cientistas da comunidade mundial. A descoberta foi anunciada nesta quarta-feira (07/01) durante a 213ª Reunião da Sociedade Astronômica Americana, em Long Beach, Califórnia (EUA) – por Alan Kogut… e Michael Seiffert — pesquisadores que participaram   do experimento… A equipe do ‘ARCADE‘ (Absolute Radiometer for Cosmology, Astrophysics & Diffuse Emission’) detetou o sinal – ao realizar medidas do    céu em microondas – à procura da energia emitida pelas primeiras estrelas a se formarem no universo.

2 pesquisadores brasileiros participaram do projeto…Thyrso Villela… diretor da Agência Espacial Brasileira (AEB), e Alexandre Wuensche…do grupo de Cosmologia do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). A contribuição brasileira se deu no incremento    de componentes de microondas utilizados pelo ‘ARCADE’ … – como assim relata Villela:

“Em 2005… os componentes feitos em São José dos Campos (SP)  foram incorporados ao ARCADE.  O controle de erros instrumentais – em alta precisão… e a sensibilidade do instrumento – permitiram essa deteção”.

Segundo Villela, a descoberta surpreendeu a todos, ao demonstrar que a ciência ainda não compreendeu a natureza da maneira como acreditávamos entender…necessitando sempre aperfeiçoar os modelos empregados…para melhor explicar fenômenos naturais… A equipe esperava encontrar ‘sinais de rádio‘ produzidos por estruturas em formação… – de acordo com os atuais modelos de origem e evolução do Universo. Ao invés disso os pesquisadores mediram um sinal 6 vezes mais forte…algo não explicável…pelos modelos físicos vigentes.

“O grande problema é que não existem ideias que possam explicar, de forma objetiva, sua origem. Supomos que as 1ªs estrelas ao se formar possam ter criado BNs – e emitido esse sinal…mas ainda não fizemos         as contas para verificar…se algo assim…poderia explicar esse ruído”.

Ao se darem conta desse estranho fenômeno, várias possibilidades de erro foram levadas em consideração, entre elas…recalibrar os instrumentos, e refazer os cálculos…pensando em outras hipóteses que o explicassem. – E pensando mais alto…Villela assim concluiu…

“Entender como essas estruturas se formaram no universo primordial, pode ser uma nova pista para explicar o funcionamento da natureza”.

A “RCFM”e o ‘Ruído desconhecido

A imensa maioria dos objetos cósmicos…emite ondas de rádio. O Universo – como um todo, é permeado por um sinal residual do “Big Bang”. Esse sinal residual, conhecido como ‘Radiação Cósmica de Fundo em Microondas’, consta em frequências de rádio e microondas. – Em 1931,    o físico Karl Jansky (1905-1950) detectou pela  1ª vez um ruído estático em rádio provindo da própria “Via Láctea“…Ele foi redescoberto em 1965, por Arno Penzias e Robert Wilson… que por isso, receberam o Nobel de Física de 1978.  Porém, não existe nº suficiente de galáxias no universo…que justifique a intensidade 6 vezes maior do que a produzida pela “RCFM”…Para Dale Fixsen, um dos pesquisadores do estudo:

“As galáxias teriam que estar…praticamente…coladas umas às outras… — sem qualquer espaço entre elas, para que o sinal dessas fontes pudesse ser medido com tal intensidade. Desse modo…o sinal emitido pelas 1ªs estrelas encontra-se submerso nesse novo ruído de fundo cósmico… – e… sua deteção passa a ser uma tarefa ainda mais complicada”.

A identificação e estudo do sinal das primeiras estrelas, podem trazer pistas importantes sobre o processo de formação das galáxias quando o Universo tinha menos da metade de sua idade, e melhorar o nosso entendimento sobre como as fontes de rádio evoluíram no universo primordial. Contudo, o ruído detectado pelo “ARCADE” não pode ser atribuído     a nenhum dos sinais conhecidos…Já foram descartadas hipóteses de emissão de estrelas primordiais, de fontes cósmicas de ondas de rádio conhecidas, bem como do gás contido no halo da nossa Galáxia…de modo que a origem do sinal tornou-se um grande mistério.

“Isso é o que faz a ciência ser tão empolgante; tenta-se medir a energia emitida                pelas 1ªs estrelas que se formaram no Universo; mas, ao invés disso, encontra-                se algo completamente novo… e inexplicável”. (Michael Seiffert — JPL / NASA)

http://www.nasa.gov/centers/goddard/news/topstory/2009/arcade_balloon.html

lançamento do ‘Arcade’ – NASA

Especificações técnicas

O ‘Arcade‘ é um experimento de astrofísica do Goddard Space Flight Center – NASA, do qual participam o ‘Jet Propulsion Laboratory’ (JPL), assim como as Universidades de Maryland…da Califórnia…e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) de São José dos Campos/SP.  Foi ‘projetado‘ para testar possíveis desvios da temperatura de 2,7ºK da RCFM causados… ou, por decaimento de partículas primordiais… ou, por injeção de energia no universo…produzida pela primeira geração de estrelas pós Big Bang.

O ‘ARCADE’ foi lançado a bordo de um ‘balão estratosférico’ em julho de 2006, de Palestine, Texas (EUA), operando por algumas horas…a cerca de 36 km de altitude – para evitar influências atmosféricas em suas medidas…ao estudar o céu em radiofrequências (na faixa de micro-ondas entre 3 e 90 giga-hertz). A imersão de seus detetores em aproximadamente 2 mil litros de Hélio líquido, permitiu      ao instrumento operar a aproximadamente 2,7ºK acima do zero absoluto (ou seja… na temperatura da RCFM). […uma curiosidade — corresponderia esse “ruído misterioso”, ao fundo de ondas gravitacionais!?…]  texto base 1 (jan/2009) texto base 2 (fev/2009)

p/consulta: ‘NASA Balloon Mission Tunes in to a Cosmic Radio Mystery  # “ARCADE”  *********************************************************************************

Um forte sinal de ‘mudança’ dentro da “Madrugada Cósmica” (fev/2018) Astrônomos podem ter observado, ainda que indiretamente, o alvorecer estelar do universo…junto a algumas novas evidências sobre propriedades da matéria escura.hubble_ultradeepfield              Os telescópios são, e sempre foram…máquinas do tempo. Eles nos transportam não apenas ao longo do espaço, mas através de eras, nos mostrando a luz de estrelas, há    muito mortas…e o brilho de explosões cósmicas… – ocorridas bilhões de anos atrás. Podemos ver galáxias tão distantes…que a sua luz tem viajado desde antes da Terra            se formar, para então agora recebê-la… – E enxergamos a luz do próprio ‘Big Bang’, refletida no fundo cósmico de microondas, um clarão que chega até nós de todas as direções do espaço, agora representado pela tênue luminosidade de um tempo…em        que o cosmos se encontrava totalmente inundado, por uma radiação e calor brutais.

Nessas últimas duas décadas…os astrônomos mergulharam em busca de uma época da história cósmica simultaneamente envolta em escuridão, e ofuscada por demasiada luz.    A era do “Alvorecer Cósmico” – com as primeiras estrelas nascendo…e sua luz, aliada a dispersos fótons de fundo, impregnando a densa neblina do “hidrogênio neutro”… com efeito, deveria ser inobservável. Estrelas individuais àquela altura, nunca poderiam ser visíveis…já que o hidrogênio neutro absorve a ‘luz estelar‘, com surpreendente eficácia.

A esperança seria enxergar o próprio hidrogênio neutro… retro-iluminado pelo “fundo cósmico de microondas”, estimulado a absorver essa radiação numa faixa particular de ‘frequência de rádio’. — O problema é que essas mesmas frequências…são utilizadas pelas rádios FM… comunicações via satélite e TV digital, ou seja, as mais congestionadas no ‘espectro’. E pior ainda, nossa própria galáxia…a ‘Via Láctea‘ cria uma cacofonia de rádio mais estridente…que ‘show de rock’.

Ainda assim somos cientistas, e os mistérios do universo estão bem aí, apenas esperando as melhores condições de, enfim serem descobertos.        E, com toda a perseverança possível… nós precisamos acreditar nisso.

E então, o anúncio hoje de que uma equipe de astrônomos conseguiu…após 12 anos de grande persistência, capturar o tímido despertar luminoso das estrelas no universo em      seu estado primordial…representa uma conquista surpreendente – em vários sentidos.    Se for confirmado o trabalho hercúleo da cooperação “EDGES“, instalando sua antena      de rádio em um trecho isolado do deserto australiano, testando e calibrando inúmeras vezes seu exótico dispositivo…na tentativa de surpreender aquele longínquo “sussurro cósmico” (micro-sinal irregular de absorção dentro de amplo espectro de rádio) será a        observação astronômica mais distante já realizada; logo após o “fundo de microondas”.

É a indicação inicial de qualquer tipo de estrutura no Universo…e uma janela aberta aos processos que levaram todo aquele amorfo gás de hidrogênio sob gravidade, a se… “condensar”… em estrelas, galáxias, e eventualmente…vida. É também o primeiro indício da formação de “buracos negros”… quando gás e poeira capturados criam redemoinhos tão quentes, que irradiam em raios X. Então, o ínfimo sinal de absorção do hidrogênio neutro (HI) estimulado pela primeira luz estelar, é novamente encoberto…agora sob a ionização dos raios X de buracos negros primordiais.

A forma dessa cavidade de absorção – a inclinação descendente esculpida pelas estrelas, a ascendente pelos raios x dos buracos negros, tem sido repetidamente modelada e prevista, em todas possibilidades imagináveis… E se as estrelas fossem um pouco mais massivas do que pensávamos? E se estivessem mais quentes? E se os buracos negros fossem um pouco menos eficientes?…Mas, mesmo assim, o sinal encontrado pela equipe do “EDGES” teima em não se parecer com os modelos… – Isso acarreta numa surpresa…e outro mistério. Ou seja, o “buraco” é ainda mais profundo… – E esse pequeno sussurro…é mais que um grito.

Existem apenas…2 maneiras de um sinal de absorção, sob a radiação de fundo ser mais forte que o esperado. – Uma, é considerando a…’radiação’, mais brilhante, do que então pensávamos… (Já havia sido detetado um…’desconhecido fundo de rádio’, porém…não nessas frequências…e assim, não sabíamos o que poderia causar tal “ruído de fundo” no nascimento das 1ªs estrelas).

A outra possibilidade, é que o gás estivesse mais frio do que o calculado, absorvendo assim mais luz de fundo. Até onde sabemos… só havia uma coisa, àquela época, mais fria que o hidrogênio neutro: matéria escura.

Nunca havíamos vimos, de nenhuma maneira, a matéria escura interagir com o gás, exceto pela gravidade, e a gravidade sozinha…não consegue resfriar o gás dessa forma…Todo tipo de evidência que temos até agora para a existência de “matéria escura” vem do modo como sua gravidade move estrelas e galáxias, ou dobra o próprio espaço…Temos boas evidências de sua presença… – ajudando a construir galáxias por atração gravitacional…e, modelando muito mais o universo, do que a própria matéria normal bariônica – mas, ainda não temos nenhuma evidência de sua “interação” com esta – a ponto de provocar seu “resfriamento”.

Se esse sinal está realmente detetando um novo tipo de interação da ‘matéria escura’, além da primeira confirmação tangível de sua…”presença”… significa também uma espetacular confirmação de que a matéria escura se trata de um componente real e tangível do cosmos.

Mas não vamos ‘estourar a champanhe’ ainda…Como astrônomos, aprendemos a ser cautelosos. Sinais extraordinários, de novas físicas emergentes do universo primordial são fáceis de nos animar, mas estamos vacinados…Este é apenas um experimento solitário, de uma antena de rádio, num deserto empoeirado, faltando ainda um cuidadoso cruzamento de dados para um exitoso desfecho. Mais experimentos estão a caminho. Em apenas alguns anos, meia dúzia de outros grupos poderão confirmar ou contradizer os resultados da EDGES, e então a interpretação de seu significado em relação à matéria escura…será calorosamente debatida, por meses e meses.

Pessoalmente, espero que o argumento se sustente…e que, realmente o Universo esteja nos dizendo algo de novo, e incrível, que teoricamente nos indique direções totalmente inesperadas. Saberemos em breve. Enquanto isso, nós astrônomos continuaremos com        o que sempre fizemos…construindo novas máquinas do tempo, para ver onde podemos chegar. (texto base) ************** (Michel Serres – ‘O 3º Instruído’) ****************    “Perder calor…é condição necessária para que um sistema funcione… – significa que o sistema não entrará em colapso. – Portanto, ser um…’sistema aberto‘…é condição de existência para o sistema… – Na comunicação, os elementos essenciais são … um canal      de comunicação, e sua mensagem. – Aliado a isso, em toda comunicação há ruído, que inutilmente se tenta tirar … fechando o sistema … tentando se fazer uma comunicação     sem perdas. Porém, para que haja comunicação o ruído é essencial … é o ‘3º elemento’. Buscar um sistema de comunicação sem ruído … como a filosofia tentou fazer – a base de sistemas puramente formais – é escravizar-se na razão…fechando-se em si mesmo”.  *****************************(texto complementar)*******************************

Estetoscópio espacial ouve música das estrelas – (nov/2008)                                        A partir de dados obtidos pelo satélite francês Corot, um grupo de cientistas mediu pela primeira vez, vibrações físicas características da superfície de 3 estrelas próximas…Até agora…as “oscilações acústicas“… – cuja descoberta possibilitou os recentes estudos sobre a estrutura do interior do Sol, ainda não haviam sido medidas em outras estrelas.

Os resultados do estudo foram publicados em matéria de capa… da revista “Science”, sendo que 2 astrônomos brasileiros estão entre os autores do artigo…são eles…José Renan de Medeiros — professor de Física, da UFRN… e, Eduardo Janot Pacheco, do ‘IAG-USP’… coordenador da participação brasileira no projeto. Segundo eles – as 3  estrelas observadas revelaram oscilações 1,5 mais fortes que a do Sol, e granulação 3 vezes mais fina… – (dados importantes ao estudo da evolução estelar, só obtidos graças à alta sensibilidade…do “Corot“).

“Sismologia estelar”                                                                                                                    “Estrelas se comportam como instrumentos musicais, produzindo e propagando ‘ondas ressonantes’, que provocam alterações periódicas em suas propriedades características”.

Assim como os sons emitidos por um instrumento dependem das características da cavidade na qual as ondas sonoras se propagam… as ‘notas’ emitidas pela estrela —         que são seus modos próprios de oscilação, estão relacionadas com seu interior… As oscilações então, refletem o que se passa para além da superfície estelar. missão    Corot foi lançada em 2006, com 2 finalidades principais… — a) localizar … fora do Sistema Solar planetas em condições semelhantes à Terra que possam abrigar vida;          b) estudar a estrutura e evolução das estrelas; isto é, a ‘sismologia estelar‘, onde        aliás o grupo brasileiro se faz particularmente presente em aspectos de tratamento,              e interpretação de dados. Conforme Medeiros, as oscilações produzidas no interior      estelar pelo movimento do plasma, só haviam – até então…sido observadas no Sol.

“Agora, pela 1ª vez foram medidas em estrelas mais quentes e                                              mais antigas – onde telescópios terrestres serviram de base…                                                numa precisa definição de seus “parâmetros físico/químicos”.

Campo magnético & evolução estelar                                                                                    “A filosofia da ‘missão Corot’ é descrever a história da ‘evolução estelar’. Para isso…as estrelas devem ser observadas em diferentes fases. Essas 3 são mais quentes e antigas que o Sol…mas, serão observadas também estrelas mais jovens… e muito mais velhas. Isso fornecerá elementos – para deduções sobre a ‘história evolutiva’ … do nosso Sol”.

Além das “oscilações”, foram detetadas “granulações na superfície dessas 3 estrelas; um outro fenômeno, até agora apenas conhecido no Sol. A granulação, de acordo com Medeiros…é um reflexo      de movimentos convectivos no interior      do plasma solar… que também fornece indícios…sobre a natureza do “campo magnético” da estrela…e seu interior. 

A fotosfera solar apresenta grânulos brilhantes rodeados por contornos mais escuros, com cerca de 700 kms de diâmetro… – A ‘granulação solar’ é formada no topo da ‘zona convectiva‘… – região em que massas de gás quente … como ‘células de convecção‘, crescem…e transportam a energia que será dissipada na fotosfera. – Com o esfriamento,    os gases voltam a descer para o interior solar… De acordo com o professor da UFRN, os resultados representam não só um marco da sismologia estelar – mas…de uma série de novas descobertas…

“Fotometria estelar”                                                                                                                    “O telescópio observa a estrela e registra flutuações na luminosidade da sua superfície. Como tem performance notável – pode detetar variabilidade luminosa…com excelente precisão. Desse modo, podemos concluir se o fenômeno é de granulação, ou oscilação”.

Um dos principais aspectos desse estudo…é que ele aponta para a “universalidade” dos fenômenos físicos já observados no Sol. Isto, por si só…já é um grande passo, pois ao se desenvolvem teorias é preciso ter as chamadas ‘condições iniciais‘… ou condições de contorno. – E, segundo Medeiros…estas condições estão sendo encontradas a partir de medições com precisão inédita…O que tornará futuras teorias muito mais consistentes.    Os resultados serviram também para confirmar a extrema precisão do Corot. Os dados utilizados nesse estudo foram obtidos nos primeiros 150 dias de observação do satélite.     Os resultados tiveram tanto impacto… — que a coordenação global da missão resolveu ampliar as observações – que seriam, inicialmente, de 1 ano e meio… – para 36 meses.

O método utilizado para obtenção dos dados baseia-se na técnica da fotometria estelar. A estrela HD49933 foi observada por 60 dias seguidos…As estrelas HD181420 e HD181906 foram acompanhadas por 156 dias cada uma, ininterruptamente… – Para o caso dessas 3   estrelas – com as medidas durando vários meses… foram criadas condições para termos informações com um detalhamento sem precedentes.  (“Ouvindo a Música das Estrelas”) ***********************************************************************************

‘oscilações acústicas ressonantes’                                                                                        O aglomerado globular M4, situado a 7,2 mil anos-luz de distância da Terra, perto da constelação do Escorpião…é um dos acúmulos de estrelas mais antigos da Via Láctea. 

The globular star cluster Messier 4

Esta imagem do Wide Field Imager, montado no telescópio MPG/ESO de 2,2 metros instalado no Observatório de La Silla, mostra o aglomerado globular Messier 4. Este enorme grupo de estrelas antigas na constelação do Escorpião, é um dos aglomerados globulares mais próximos, e vizinho da brilhante estrela vermelha Antares. [Crédito: ESO]

Um grupo de astrofísicos, da ‘Universidade de Birmingham’/Inglaterra encontrou uma maneira de registrar…os sons emitidos por alguns dos mais antigos componentes… da Via Láctea…conforme o estudo divulgado pela…”Real Sociedade Astronômica”. – Os dados foram obtidos da missão Kepler/K2 da NASA – onde em 8 gigantes vermelhas do aglomerado M4… com idade calculada em…13 bilhões de anos… foram detetadas “oscilações acústicas ressonantes”. – Para obter os sons — empregou-se a técnica da  astrossismologia, no estudo interno da estrutura das estrelas…pela interpretação dos espectros das ‘oscilações ressonantes’ produzidas, que seriam responsáveis por breves…”pulsos brilhantes”… produzidos quando…”ondas acústicas” interagem na estrela com sua própria estrutura interna. 

O que eles fizeram foi ouvir as notas de uma espécie de coro estelar criado pelas oscilações, e a partir dessas informações, estimar a idade e a massa das estrelas. – Esta técnica estuda as oscilações periódicas das superfícies das estrelas, que são objetos fluidos, vibrando com certos períodos naturais. Tais oscilações produzem mudanças diminutas…como pulsos na luminosidade, causados pelo som registrado dentro das estrelas. – Medindo os tons dessa “música estelar” se torna possível, então… – determinar a massa e a idade de uma estrela.

De acordo com os pesquisadores, estas estrelas são verdadeiros ‘fósseis vivos‘, da época    da formação da Via Láctea… – e por isso, a observação delas pode ajudar a explicar, por exemplo, como galáxias em espiral como a nossa se formaram e evoluíram…Ou seja, da mesma forma que arqueólogos podem revelar o passado … escavando a terra, podemos usar o som do interior das estrelas para realizar “arqueologia galática”… – auscultando algumas das “relíquias estelares” de nosso obscuro universo. (texto original) (consulta*********************************************************************************

kepler - k2Missão Kepler/K2 (iniciada em 2014)

Há pouco…parecia certo que a missão do telescópio espacial “Kepler” chegaria ao fim antes de 2016…ano previsto para tal. Lançado em 2009… — com o objetivo de encontrar ‘exoplanetas‘ parecidos com a Terra – o ‘Kepler‘ teve interrompida sua missão quando duas, de suas 4 rodas de giro…necessárias para manter o satélite estável no espaço, pararam de funcionar… – A NASA tentou restaurar o telescópio na sua funcionalidade original… mas, sem obter sucesso… decidiu reativá-lo, numa nova missão, denominada K2… – A solução foi criativa… a “energia solar“… estabilizará o telescópio.

Desde seu lançamento o Kepler observou mais de 150 mil estrelas… – numa mesma região do céu…procurando oscilações na luminosidade emitida por elas — o que pode significar a passagem de um planeta… – Mas agora…como o telescópio precisará da luz do Sol, para se manter imóvel – deverá se posicionar sempre na frente do astro… ou perpendicular a ele… se movendo, para acompanhar o movimento da estrela… – A mudança pode ter alterado o propósito original do telescópio – mas, ao mesmo tempo… possibilitou novos estudos. – A NASA selecionou novas propostas até 2016… – e dentre os mais de 30 projetos escolhidos,  2 contam com a participação de José Dias Nascimento, pesquisador visitante do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian, EUA, e professor do departamento de Física da UFRGN.

A primeira pesquisa tem como objetivo estudar estrelas gigantes. Segundo  Nascimento… “Essas estrelas são importante porque representam o futuro evolutivo do Sol…sendo que, já foram detectados traços de planetas nessas estrelas”. Pelas oscilações de luminosidade observadas pelo Kepler é possível obter informações sobre a estrutura delas. (texto base)

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Sobre Cesarious

estudei Astronomia na UFRJ no período 1973/1979.
Esse post foi publicado em astronomia, cosmologia, física e marcado , . Guardar link permanente.

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